Walkiria Lucia Araujo Cavalcante 

“Neste pandemônio de perturbações de toda ordem, que decorrem da psicológica, faz-se inadiável a mais ampla divulgação do Espiritismo e de suas libertadoras propostas de lógica para contrabalançar a força ciclópica do materialismo que domina a sociedade. Ampliar as informações sobre a Espiritualidade e a Erraticidade, sobre a Lei de Causa e Efeito, é dever de todos aqueles que já despertaram para Jesus e a própria consciência, assim contribuindo em favor da humanidade e do seu próximo vencido pelas perturbações psicológicas ampliadas pelas obsessões. Ninguém, que se possa escusar desse dever de solidariedade humana e de conscientização dos próprios deveres ante a vida e Deus. Em assim procedendo, estará desincumbindo-se do dever de consciência, auxiliando hoje, conforme foi auxiliado oportunamente, quando, de alguma forma se encontrava em situação semelhante. [1]

Quando Jesus nos fez a proposta do fardo leve e do jugo suave mostrou-nos através do exemplo o caminho que deveríamos seguir. Exemplificou-nos o processo, mesmo não precisando ele mesmo passar, que era possível, diante dos percalços da vida, das tribulações, ajudarmos ao próximo e alçarmos voos rumo ao mais alto. Sendo esta temática desenvolvida em nosso artigo.

Momento grave que a humanidade vivenciamos. Impar, que podemos mudar a nossa e a história de nosso semelhante ou ficarmos esperando que mudem a nossa. Não somos mais os mesmos, queiramos ou não. Os profissionais da área podem dizer que arquétipos foram acordados diante das situações atuais, que memórias adormecidas foram afloradas e todos fomos colados em situação de decisão com relação a nós mesmos.

Sendo uma verdade muito bem dita a nosso ver e a luz do conhecimento espírita. Vivemos um período em que as informações nos chegam de forma avassaladora, live dos mais variados assuntos são projetadas, a criatura está exposta não só ao conhecimento, mas as fake News como nunca fomos antes.

Mas movimento singular também se interpõe a tudo isso: criaturas abnegadas, dos mais variados segmentos, doam-se de si, mais aquilo que estão doando materialmente ao próximo e seguem o exemplo do Mestre Rabi, transformando carregando seu jugo de forma leva e demonstrando que ele pode ser suave se carregado com amor a exemplo de Jesus.

“Se vos dizeis espíritas, sede-os.”[2] Chegou também o nosso momento de usarmos da luz aclaradora da mensagem redivida do Evangelho em nossas vidas e demonstramos o quão força ela tem em nossas vidas. Muito mais do que palavras e mensagens em rede de relacionamentos, deveremos demonstrá-la nas redes de relacionamentos físicos e familiares.

Momento em que somos convocados a volta ao lar, em que nos olhamos nos olhos de forma singular, compartilhamos de forma mais íntima com aqueles que víamos mais de relance, mesmo morando há anos, não compartilhávamos da intimidade. Conhecemos detalhes que antes haviam se perdido. Temos a oportunidade de dirimir situações mal resolvidas que faltavam somente um diálogo para a solução.

Sabemos, que outros tantos lares estão vivendo momentos cruciais de crise. Separações são debeladas. Mais nada que não estivesse, em sua maioria, em vias de ocorrer e que a ausência costumeira do lar deixasse na superfície tais situações permitindo-se que as criaturas envolvidas não se permitissem resolver o que era necessário fazer. O grande problema é a sintonia, o tom como está sendo realizado.

Sairemos transformado desta situação. Olharemos para os que nos circundam de maneira diferente, por que também tivemos a oportunidade de mergulharmos em nós mesmos e vermos quão diferentes somos daqueles que projetamos para os outros em virtude das várias personas que assumimos nas várias obrigações diárias.

Agora, somos a mesma pessoa dentro de casa que desempenhamos tarefas múltiplas nos relacionando com os de fora. Mergulhamos em nós mesmos e para surpresa de muitos, descobrimo-nos pessoas bem diferentes daquelas que gostávamos de projetar. Um dia, um jovem gerente a fim de conhecer a sua equipe, os levou para um parque. Queria ver como eles se comportavam diante dos brinquedos. Armámo-nos para nos defendermo-nos de nós mesmos, muitas vezes.

O momento atual mostra-nos que a necessidade de estarmos uns com os outros é maior que imaginávamos. De compartilharmos momentos felizes com que amámos é imprescindível para nós e que o considerávamos impossível de suportar representa um jugo leve e um fardo suave diante da perenidade da encarnação humana.

A busca do ser humano mudou desde quando começou este período de provação/expiação coletivo que nos encontramos. Cabe-nos escolher o que iremos fazer deste aprendizado: revoltarmo-nos, pior decisão a ser tomada; absorvermos e avançarmos no entendimento, forma madura de ultrapassarmos o momento. “Que importa ao soldado perder na refrega armas, bagagens e uniforme, desde que saia vencedor e com glória? Que importa ao que tem fé no futuro deixar no campo de batalha da vida a riqueza e o manto de carne, contanto que sua alma entre gloriosa no reino celeste?”[3]

 RIE – Revista Internacional de Espiritismo – junho 2020

[1] Livro: Reencontro com a Vida, psicografia Divaldo P. Franco, autoria espiritual: Manoel P. Mirarnda, cap. 2 – Perturbações Psicológicas

[2] Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo X, item 14

[3] Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo V, item 24