ocaumo@gmail.com  Octávio Caumo Serrano

O que virá a seguir? É a indagação do momento!

Certamente, uma parte da sociedade brasileira (e mesmo mundial, porque ser humano é igual em qualquer lugar) viverá um tempo de regeneração, acompanhando a tendência de progresso do planeta em que vivemos. A evolução é permanente e quem se negar a acompanhá-la será esmagado como uma pequena pedra que tente impedir o deslocamento de uma jamanta. Mas é preciso que a sintonia com este desejo de aprimoramento já exista no indivíduo. Milagres nunca acontecem porque a lei se cumpre sem favorecimentos que não tenhamos conquistado por direito.

Nestes dias de desconforto planetário temos inúmeras demonstrações de algo definido como fé, sem que as citações sejam acompanhadas de atitudes. Mandamos pelas redes sociais orações, mensagens de esperança, músicas, louvações, vídeos, áudios e que tais. Mas não basta crer em Deus na teoria sem nos afastarmos um milímetro do conforto que temos, sem lutar contra as próprias imperfeições e sem praticar um mínimo de bondade que contemple um miserável parceiro de jornada, especialmente fora da parentela do mundo ou do restrito círculo das amizades.

Analisemos certas categorias da sociedade humana, muitas delas escravas do sistema que não podem se regenerar, por mais que desejem. Como encontrar um político com vontade própria (em qualquer esfera ou escalão) num regime de trocas e favorecimentos constantes, nessa profissão que tem por objetivo primordial fazer o homem se dar bem, sem que ele conviva em harmonia com os demais para tirar proveito, submetendo-se até ao que não aprova para perpetuar-se nos cargos e arrastar suas próximas gerações para este inesgotável eldorado. O leitor concorda que é impossível, não? Por mais que sua intenção fosse boa.

E entre os párias sociais, assaltantes, criminosos e traficantes (desde os produtores até os que atuam nos mais diferentes escalões da distribuição). Como podem mudar de vida transformando-se em honestos se vivem da desgraça dos infelizes que não sabem administrar-se. Não são seres que têm vida, mas mortos que respiram. Seus corações são vazios de sentimentos e funcionam apenas como bomba de distribuição para que os órgãos sigam funcionando. Os sentimentos mais elementares estão todos extintos. O amor ao próximo, para eles, não faz nenhum sentido.

Como podem comerciantes desonestos e sonegadores que subfaturam suas vendas para livrar-se da tributação,  que adulteram alimentos e vendem remédios fraudados que não têm eficiência contra o mal do doente; como imaginar que um contrabandista pode se tornar decente por ter sido assustado por um vírus desconhecido, se a polícia e a prisão ou pena de morte nenhum receio lhes causam? Não vamos sonhar acordados. Para esses, o expurgo é inevitável e a vida num mundo inferior, onde começarão de novo, é a única saída.

Não esqueçamos dos drogados, maníacos sexuais, pedófilos, agressores nos lares que covardemente ferem esposas, filhos, pais idosos e todos os que se opõem às suas manias e vícios. Será que se modificarão após a pandemia apenas por haver sobrevivido. Entenderão que lhes foi dada nova oportunidade de mudança?

Deixei para o fim os seres comuns como nós, que nos dizemos religiosos, mas que só usamos o nome de Deus, de Maria, Jesus e dos Santos ou Espíritos para nos dar bem. Nas nossas rogativas, verdadeiras odes ao egoísmo, lembramos apenas dos nossos: minha família, meus amigos, meu país! Sem percebermos que o choro de um implica o choro de todos, lesamos o próximo com promessas de falsa salvação. Esquecemos que somos todos interdependentes. Um produz algo que o outro consome, enquanto também fabrica algo diferente para alguém usar. Na vida somos todos, ao mesmo tempo, vendedores e compradores. Mesmo que seja de informação. Ninguém vive sem o próximo. E só se estivermos todos em harmonia é que vamos sobreviver. Caso contrário cairemos todos no mesmo precipício, abraçados uns nos outros, num suicídio coletivo. A hora chegou e não admite alegações de qualquer ordem. Lembro-me de uma frase do saudoso humorista Chico Anysio do seu personagem o Profeta: “Somos como mourões de cerca; só ficamos de pé porque estamos amarrados uns nos outros”.

A lei de Deus sempre esteve insculpida na nossa consciência. É só escutá-la e segui-la. A convocação para o Mundo de Regeneração já começou há algum tempo. O prazo está findando. Lembrando Jesus, “muitos serão os chamado, mas poucos os escolhidos”. Sabem por quê?  Porque quem chama é Deus e quem se escolhe é o homem”. E ele sempre opta pela escolha errada. Desde quando matou Jesus e libertou Barrabás! Corramos; o tempo é agora. A tarefa é pessoal e intransferível. Salve-se quem puder; ou souber. E que o Pai nos ajude!

Jornal O Clarim julho 2020