O bem e o mal

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Walkiria Lucia Araujo Cavalcante 

“629. Que definição se pode dar da moral? ‘A moral é a regra de bem proceder, isto é, de distinguir o bem do mal. Funda-se na observância da lei de Deus. O homem procede bem quando tudo faz pelo bem de todos, porque então cumpre a lei de Deus.

  1. Como se pode distinguir o bem do mal? ‘O bem é tudo o que é conforme à lei de Deus; o mal, tudo o que lhe é contrário. Assim, fazer o bem é proceder de acordo com a lei de Deus. Fazer o mal é infringi-la.[1]

Temos muito bem delineado o bem proceder em nossas mentes. Assenhoreando-se dos recursos morais que possuímos em plenitude, sabemos realmente quem somos e a capacidade de abstração feita daquilo que podemos realizar.

Isto vem a ser o ponto de partida com relação ao delineamento sobre o bem e o mal em nós mesmos. Aquilo que construímos de bom ou mal para nós ou para o semelhante, já que em virtude de análise crítica com relação aos outros somos ávidos nesta avaliação. Esquecemo-nos de usar de severidade senão só as nossas próprias ações e sermos indulgentes para com as faltas alheias[2].

Começando por entender o que vem a ser o bem proceder, verificamos que a atitude digna e honrada que o ser humano habilite ao que faça, não importando o que faça o candidata a proceder na construção do bem. Deste bem proceder, a sociedade edifica-se em o que se chama de uma nova sociedade, mas que não deixa de ser a mesma sociedade utilizando-se dos mesmos recursos em voga.

As leis escritas evoluem com o tem, mais o que estatui como bem proceder vai mais além disto. São as regras morais que transmutam-se no tempo e fazem a criatura alicerçar valores, respeitando-se a si e ao próximo, independente de testemunhas ou regramentos sociais que estipulem sanções. O bem proceder significa incorporar a Lei de Deus em nossas vidas de tal forma que não precisemos racionalizar se o que estamos fazermos é certo ou errado, o fazermos, pois constitui-se como regra de conduta moral assimilada de todos os tempos em nós e não mais conseguimos precisar quando adquirimos.

Regramento comum de explicação, o mal constitui-se na inexistência do bem. Quando a luz se faz, por menor que ela seja, a sombra se dilui. Da mesma maneira ocorre com relação ao bem. Ao sermos tocados, sendo esta a expressão correta a ser utilizada, pelo bem, há uma mudança física em nós. As substâncias deletérias que antes constituíam o nosso sistema, são dissipadas e absorvemos substancias quintessênciadas, muito sutis, que nos inundam o ser e nos nutrem.

Da mesma maneira que tomamos remédios em cápsulas ou em forma líquida quando estamos doentes, assim também ocorre quando estamos doentes da “alma”. Ao sintonizarmos no mal, adoecemos mentalmente, associamo-nos com criaturas e vibrações que nos imanta de substâncias que nos intoxicam e nos causam mal-estar. Algumas vezes, dizemo-nos “pesados” e assim o estamos não no sentido vulgar que essa terminologia é usada, mais em virtude de todas estas substâncias absorvidas.

Mas na caminhada evolutiva, temos a chance de errarmos inclusive de apreciação com relação ao certo e ao errado. Então como fazer o justo juízo de valor? “Jesus disse: vede o que queríeis que vos fizessem ou não vos fizessem. Tudo se resume nisso. Não vos enganareis.” [3] Nós sabemos discernir, fazermos aos outros o que gostaríamos que nos fosse feito. É que se constitui na regra de ouro do bem viver. Não há como errar com relação a isso.

Mesmo alguns alegando que o mal seja necessário para a criatura evoluir, sabemos que não temos o direito de produzir o mal para o outro como justificativa de sermos objeto de evolução dele. Muito pelo contrário. Estamos encarnados para nos ajudarmos mutuamente e sempre que possível aliviarmos o sofrimento do semelhante trazendo bálsamos salutar as suas dores. “… todos estais na Terra para expiar; mas, todos, sem exceção, deveis esforçar-vos por abrandar a expiação dos vossos semelhantes, de acordo com a lei de amor e caridade.”[4]

Agindo assim, seremos fieis cumpridores da Lei de Deus. Distinguindo o bem do mal, facultando o progresso da humanidade e sendo precursores deste mundo de Regeneração que só se concretizará com a modificação dos que aqui estiverem. O mundo, como estrutura, pode mudar, mas se nós não mudarmos, não faremos parte dele!

Jornal O Clarim – Agosto 2020

[1] Livro dos Espíritos

[2] Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo X, item 17

[3] Livro dos Espíritos, questão 632

[4] Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo V, item 27

Parentes e amigos

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Octávio Caumo Serrano     ocaumo@gmail.com

À família do mundo destina-se à formação da família espiritual. Enquanto a sanguínea é resultado de ato biológico, a espiritual só é formada por elos de amor entre os componentes. A finalidade da família na Terra é transformar parentes em amigos. Somos parentes comumente à nossa revelia, mas para ser amigo é necessário o nosso consentimento. E para bom êxito é comum termos até de “engolir sapos”.

Diz o Evangelho Segundo o Espiritismo (cap XIV item 9) que é dos mais graves equívocos a ingratidão dos filhos. Por mais que os pais falhem e não correspondam aos seus anseios, eles lhes devem, no mínimo, algo precioso que é a vida. Se não gostam de como agem seus pais não repitam com seus filhos o que censuram neles. Mas jamais os maltratem, abandonem ou condenem. É possível que lhes faltou recursos ou conhecimento para ser melhores. Mas o fato de o terem trazido ao mundo já é razão suficientes para que estes sejam gratos. E se forem mais competentes, que os ajudem e protejam. Há muito de verdade quando o povo diz que a mãe cuida de dez filhos e dez filhos não conseguem cuidar de u´a mãe.

Há filhos que cobram dos pais o que eles, com mais cultura e recursos, não fazem. É comum que numa família, além dos pais, também filhos mais velhos abandonem ideais para sacrificar-se pelo irmão mais novo, o caçula, que por vezes é temporão e não viveu as agruras de épocas mais difíceis. Quantos são doutores e estudaram com a renúncia do mais velho que precisou colaborar no sustento da casa. É comum, porém, que quanto mais facilidades tiveram e mais receberam mais ingratos sejam. Para eles os pais valem mais mortos que vivos porque deixam algum patrimônio para o seu desfrute. Não preservam a memória do ancião esquecendo-se, inclusive, das noites que passaram nas suas cabeceiras cuidando da febre que os atormentava. Infelizmente quem não serve para ser filho também não serve para ser pai; normalmente recebem de sua prole a mesma ingratidão que usaram com os genitores.

Meus pais eram operários e analfabetos, mas seus exemplos ainda vivem em mim. Jamais um cobrador bateu duas vezes à porta para cobrar a mesma dívida. Lembro-me de uma ocasião (1947) em que meu pai passou um ano doente, tomando remédio todos os dias sem que conseguisse manter o alimento no estômago. Com 1,60 chegou aos 42 quilos. Um pouco melhor, foi trabalhar e num sábado não voltou para casa porque o patrão ficou de levar-lhe dinheiro e não foi. Ele estava sem um centavo em casa. Conto no poema Fragmentos de Vida-Exemplos do meu pai: “Já raiava um novo dia/o domingo amanhecia/quando a mãe me despertou:/-Meu filho estou preocupada/passei a noite acordada/porque seu pai não voltou!/Assustado com o que ouvi/me apressei logo em sair/e fui até a construção;/lá encontrei meu pai sentado,/todo triste acabrunhado,/de olhar fincado no chão./Sem receber seu salário/porque a patrão usurário/não pagou a semanada/ele estava entristecido,/mais que isso, aborrecido/de alma despedaçada…/Aquele homem decente/que estivera tão doente/estava sendo a aviltado/e eu, seu filho, seu sonho,/ estava também tristonho/por ver meu pai humilhado!/Amanhã eu me demito/disse-me quase num grito/porque isso não é direito/se teu primo é nosso amigo/como faz isso comigo/que lhe dedico respeito./Com treze anos de idade,/ mantendo a serenidade/falei-lhe usando critério:/- Se acalme, pai, dá-se um jeito/o senhor é homem direito/ e Deus protege quem é sério;/afinal lá na gaveta/daquela cômoda preta/o senhor tem reservado/o valor da prestação/da bomba do seu João;/pague alguns dias atrasado!/- Esse dinheiro não é meu,/bravo meu pai respondeu,/inda que eu coma capim!/E não me faça careta,/depois que vai pra gaveta/já não mais pertence a mim!/Fiquei todo embevecido/ante o gigante ferido;/meu olho ainda mareja;/que lição naquele dia! Deus do céu, Virgem Maria!/- Sua benção, pai, onde esteja!

E viva os pais!

Jornal O Clarim – Agosto 2020

Para vencer o racismo

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Octávio Caumo Serrano   ocaumo@gmail.com

A maior razão do preconceito é a ignorância

Não me refiro à ignorância convencional que todos carregamos em maior ou menor escala, mas a ignorância da Lei de Deus, o criador das almas, todas com a mesma essência. Um espírito imortal que nasceu simples e sem qualquer conhecimento, para desenvolver-se e adquirir virtudes por meio de múltiplas vidas em diferentes tipos de mundos e que não é masculino nem feminino. É assexuada.

O início se dá em mundos primitivos e a seguir nos de provas e expiações, situação atual da Terra, onde por meio de testes e renovação de experiências adquirem sabedoria. Uns caminham mais rápido enquanto outros vão mais devagar, até chegar aos mundos felizes. Isso se deve a um direito inalienável que Deus concede aos seus filhos e se chama livre-arbítrio.

Para o bom aproveitamento das experiências, é necessária a crença numa lei que atinge todos os espíritos: a reencarnação, que, num gesto infeliz, a igreja romana baniu de sua doutrina. O homem não chegará ao progresso espiritual que o aproxima da perfeição sem realizar todas as experiências possíveis de serem feitas nos mundos físicos, por mais diferentes que sejam suas densidades. Em seus múltiplos renascimentos, virá a cada vez de forma diferente. Ora nascerá homem, ora mulher; ora num país, ora noutro; ora será de uma raça, ora de outra. Por isso, homens ou mulheres, brancos ou negros, nativos ou estrangeiros, ricos ou mendigos, sábios ou alienados, árabes ou judeus, latinos ou saxônicos, são todos animados pelo mesmo tipo de alma e a cada vez que nascem vêm diferentes. Geralmente são os próprios preconceitos que induzem ao tipo de nascimento. Quem odeia precisa aprender a amar, incondicionalmente. Por isso renasce para conquistar experiências na condição que mais abomina.

Este conhecimento faria com que nem brancos nem negros tivessem preconceito um contra o outro, porque pode ter sido um deles; para completar o ciclo de conhecimentos, todos os homens já foram ou serão mulheres um dia. Dentro da carcaça física de todos nós há uma alma da mesma natureza lutando para ser melhor. Logo, machismo e feminismo, como qualquer outro fanatismo, são evidências de ignorância quanto às leis da vida e do progresso.

O que cria tais situações de afastamentos na sociedade e faz com que ninguém se preocupe com o outro é a ideia de que a vida é uma só. Ela é realmente uma só, a da alma, desde que fomos criados como espíritos, mas vivida em diferentes etapas de vivência física para aprimoramento e aprendizado. Fomos informados que é preciso aproveitar a vida porque morremos e fica tudo aqui. Afirmam que depois da morte vem o nada ou fantasiosas promessas de ficar ao lado de Deus em permanente contemplação, sinônimo de ociosidade. Há 1500 anos nos dizem mentiras e querem consertar as personalidades sem nos dar motivos para sermos melhores. Se vamos morrer e tudo vai se acabar, por que aprimorar-nos, por que ser solidários, por que ser honestos?

Vamos torcer para que alguém lúcido da cúpula dessas doutrinas reveja seus conceitos e recoloque a reencarnação entre os seus dogmas como indiscutível verdade. Ficam dispensados até de um pedido de desculpas. Só assim o homem sentirá que vale a pena aprimorar-se porque não vai desaparecer no túmulo, debaixo de uma pedra fria legendada com um belo epitáfio, na maioria das vezes mentiroso ou bajulador. Que, como cristãos, se lembrem de Jesus quando disse aos discípulos que Elias havia voltado como João Batista sem que eles o reconhecessem. Falava, é claro, de reencarnação, o que já ensinara a Nicodemos. (João 2.23/3.21). Por que eles se dizem cristãos, mas não creem em Jesus?

Senhor, escutai a nossa prece!

Nota – Para maiores esclarecimentos leiam texto da RIE de outubro de 2019 – https://essenios.wordpress.com/category/octavio-caumo-textos-na-rie/

RIE-Revista Internacional de Espiritismo – Agosto 2020