Octávio Caumo Serrano   ocaumo@gmail.com

A maior razão do preconceito é a ignorância

Não me refiro à ignorância convencional que todos carregamos em maior ou menor escala, mas a ignorância da Lei de Deus, o criador das almas, todas com a mesma essência. Um espírito imortal que nasceu simples e sem qualquer conhecimento, para desenvolver-se e adquirir virtudes por meio de múltiplas vidas em diferentes tipos de mundos e que não é masculino nem feminino. É assexuada.

O início se dá em mundos primitivos e a seguir nos de provas e expiações, situação atual da Terra, onde por meio de testes e renovação de experiências adquirem sabedoria. Uns caminham mais rápido enquanto outros vão mais devagar, até chegar aos mundos felizes. Isso se deve a um direito inalienável que Deus concede aos seus filhos e se chama livre-arbítrio.

Para o bom aproveitamento das experiências, é necessária a crença numa lei que atinge todos os espíritos: a reencarnação, que, num gesto infeliz, a igreja romana baniu de sua doutrina. O homem não chegará ao progresso espiritual que o aproxima da perfeição sem realizar todas as experiências possíveis de serem feitas nos mundos físicos, por mais diferentes que sejam suas densidades. Em seus múltiplos renascimentos, virá a cada vez de forma diferente. Ora nascerá homem, ora mulher; ora num país, ora noutro; ora será de uma raça, ora de outra. Por isso, homens ou mulheres, brancos ou negros, nativos ou estrangeiros, ricos ou mendigos, sábios ou alienados, árabes ou judeus, latinos ou saxônicos, são todos animados pelo mesmo tipo de alma e a cada vez que nascem vêm diferentes. Geralmente são os próprios preconceitos que induzem ao tipo de nascimento. Quem odeia precisa aprender a amar, incondicionalmente. Por isso renasce para conquistar experiências na condição que mais abomina.

Este conhecimento faria com que nem brancos nem negros tivessem preconceito um contra o outro, porque pode ter sido um deles; para completar o ciclo de conhecimentos, todos os homens já foram ou serão mulheres um dia. Dentro da carcaça física de todos nós há uma alma da mesma natureza lutando para ser melhor. Logo, machismo e feminismo, como qualquer outro fanatismo, são evidências de ignorância quanto às leis da vida e do progresso.

O que cria tais situações de afastamentos na sociedade e faz com que ninguém se preocupe com o outro é a ideia de que a vida é uma só. Ela é realmente uma só, a da alma, desde que fomos criados como espíritos, mas vivida em diferentes etapas de vivência física para aprimoramento e aprendizado. Fomos informados que é preciso aproveitar a vida porque morremos e fica tudo aqui. Afirmam que depois da morte vem o nada ou fantasiosas promessas de ficar ao lado de Deus em permanente contemplação, sinônimo de ociosidade. Há 1500 anos nos dizem mentiras e querem consertar as personalidades sem nos dar motivos para sermos melhores. Se vamos morrer e tudo vai se acabar, por que aprimorar-nos, por que ser solidários, por que ser honestos?

Vamos torcer para que alguém lúcido da cúpula dessas doutrinas reveja seus conceitos e recoloque a reencarnação entre os seus dogmas como indiscutível verdade. Ficam dispensados até de um pedido de desculpas. Só assim o homem sentirá que vale a pena aprimorar-se porque não vai desaparecer no túmulo, debaixo de uma pedra fria legendada com um belo epitáfio, na maioria das vezes mentiroso ou bajulador. Que, como cristãos, se lembrem de Jesus quando disse aos discípulos que Elias havia voltado como João Batista sem que eles o reconhecessem. Falava, é claro, de reencarnação, o que já ensinara a Nicodemos. (João 2.23/3.21). Por que eles se dizem cristãos, mas não creem em Jesus?

Senhor, escutai a nossa prece!

Nota – Para maiores esclarecimentos leiam texto da RIE de outubro de 2019 – https://essenios.wordpress.com/category/octavio-caumo-textos-na-rie/

RIE-Revista Internacional de Espiritismo – Agosto 2020