A porta estreita

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Walkiria Lucia Araujo Cavalcante

“Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta da perdição e espaçoso o caminho que a ela conduz, e muitos são os que por ela entram. – Quão pequena é a porta da vida! quão apertado o caminho que a ela conduz! e quão poucos a encontram![1]

Tendo-lhe alguém feito esta pergunta: Senhor, serão poucos os que se salvam? Respondeu-lhes ele: – Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, pois vos asseguro que muitos procurarão transpô-la e não o poderão. – E quando o pai de família houver entrado e fechado a porta, e vós, de fora, começardes a bater, dizendo: Senhor, abre-nos; ele vos responderá: não sei donde sois: – Pôr-vos-eis a dizer: Comemos e bebemos na tua presença e nos instruíste nas nossas praças públicas. – Ele vos responderá: Não sei donde sois; afastai-vos de mim, todos vós que praticais a iniquidade. Então, haverá prantos e ranger de dentes, quando virdes que Abraão, Isaac, Jacob e todos os profetas estão no reino de Deus e que vós outros sois dele expelidos. – Virão muitos do Oriente e do Ocidente, do Setentrião e do Meio-Dia, que participarão do festim no reino de Deus. – Então, os que forem últimos serão os primeiros e os que forem primeiros serão os últimos.”[2]

E em nascendo o convite da Doutrina consoladora e rediviva que se faz presente na vida daqueles que seguem a mensagem evangélica personificada em Jesus, o Messias, e explicada através da doutrina dos Espíritos, O Espiritismo, vem-nos a mente o constante pensamento de como permanecermos fieis a esta proposta de renovação íntima diante das propostas sedutoras, iguais a sedução ilusória fantasiosa que nos apresenta o fácil, como sendo proposta de vida do agora, não pensando no porvir nem nas consequências de nossos atos. Ou porque alguns acreditam numa só existência ou por acreditarem em várias reencarnações, a criatura permite-se o futuro para o reajuste.

Jesus, conhecedor de nossas dúvidas e principalmente de nossas intenções, deixa-nos esta passagem rica de significado e simples para o entendimento como norte orientativo para prática desta vigilância íntima do bem proceder para consigo mesmo e perante a Lei Divina. Durante a encarnação, nos sentimos fisicamente constritos diante de alguns percalços da vida. Sentimo-nos tolhidos, cerceados e restringidos a um espaço diminuto. São os que mais servem de aprendizado.

Quando as facilidades se tornam fartas, acreditamos que não precisamos nos esforçar por nos modificarmos. Quando encontramos barreiras que nos constringem, sentimo-nos obrigados a ultrapassá-las. Sejam elas morais: as calúnias, injúrias e todos estes males morais que assolam a humanidade hoje em dia, principalmente através das redes sociais, que num dia somos aclamados como heróis e noutros somos tidos como criaturas não merecedoras de estarmos no planeta Terra, sendo que todos, inclusive os que fazem este verdadeiro linchamento eletrônico, estamos em processo evolutivo, rumo a perfeição.

Sejam elas físicas: processos de doença que nos tolhem os passos de maneira tal que saímos de um estado de vida organizada para adaptação a um novo sistema que nos conclama paciência, ordem, disciplina e perseverança. Em tudo, a Divindade nos mostra a Porta Estreita dos processos edificadores evolutivos de burilamento para podermos aprender em meio a dificuldade a sermos pessoas melhores.

As facilidades apresentam de forma farta e fácil. Isto não significa que para estarmos realmente de acordo com o processo de aprendizado tenhamos que viver em sofrimento, mas em aprendizado. O aprendizado nos faculta o desenvolvimento da inteligência. Faz-nos entender a vida sob um outro prisma, coloca-nos inconscientemente no lugar do outro e passamos a ver que todos estamos vinculados, que de uma forma ou de outra, ao ajudar o próximo estou ajudando a mim mesma; fazendo o bem ao outro, estou criando situações favoráveis (vinculando-me espiritual e vibratoriamente a espíritos de escol) para que no momento que eu necessitar, também encontre mãos amigas a me auxiliar.

Não são as práticas exteriores que nos candidatam a este ou aquele lugar ou situação evolutiva, mas o nosso comportamento perante a sociedade e a própria Lei Divina, com relação ao seu cumprimento. Sermos fieis aos nossos princípios não importando os convites que recebamos ou as situações constritoras que venhamos a vivenciar. Não é um momento que nos define, mas a soma deles. Não é uma atitude que representa o todo espiritual de quem somos, mas a perseverança em fazer o que entendemos como correto alinhado com a Lei Divina, em todos os momentos de nossa encarnação, mostrará quem somos e o que queremos ser.

Jornal O Clarim – Outubro 2020


[1] S. MATEUS, cap. VII, vv. 13 e 14.

[2] S. LUCAS, cap. XIII, vv. 23 a 30.

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ocaumo@gmail.com  Octávio Caumo Serrano outubro 20

3 de outubro de 1804, data do nascimento do insigne codificador do Espiritismo

Não é nossa intenção divulgar a biografia de Allan Kardec, já bem conhecida de todo estudioso da nossa redentora doutrina. Desejamos somente enfatizar nossa alegria por relembrar que mesmo se recusando de início a aceitar os fenômenos das mesas girantes, finalmente, ele se rendeu às evidências e declarou que a humanidade estava tendo contato com a mais importante revelação desde milênios: A morte não existe, como a entendíamos. Até aquele instante, ela representava o fim e o nada. A partir de 18 de abril de 1857, com o lançamento de O Livro dos Espíritos, passou a ser apenas o intervalo entre diferentes vidas materiais de um mesmo espírito eterno, que jamais pode ser destruído. É conhecido como desencarnação. Evidência relatada por Jesus quando disse aos discípulos que Elias havia voltado como João Batista e os cristãos de outras doutrinas insistem em ignorar.

O que varia é o tempo de permanência no mundo da matéria densa e no mundo da matéria eterizada, já que o espírito (não sendo o nada) é também um tipo de matéria; sublimada. No dizer dos Superiores, quintessenciada, ou seja, no estado de maior pureza. Para os que têm dúvidas, sugerimos a leitura das questões 21 a 28, em O Livro dos Espíritos, quando trata de Espírito e Matéria, em Elementos Gerais do Universo.

Uma coisa é certa. A partir do momento que o espírito adquire a individualidade, desprendendo-se da mônada celestial (vejam André Luiz, capítulo 1 do Livro Evolução em Dois Mundos) será eternamente a mesma entidade. Vale a leitura deste livro para compreender como se dá a evolução de cada espírito.  Num entendimento grosseiro, diríamos que somos como uma gota no oceano, mas uma gota com identidade própria. Ajudamos a formar a imensidão dos mares sem perder nossa individualidade. Ou como o átomo de uma molécula ou uma tenra erva no solo de imensa floresta, quase invisível, mas participante do conjunto com a sua raiz, ramos, flores e até frutos. Muitas vezes tida como erva daninha até que a ciência descubra suas propriedades; como a tiririca na qual foi feita importante descoberta na batata. Até a NASA passou a estudá-la como alimento (pasmem) para os astronautas; os mais curiosos procurem saber no Google sobre “os benefícios da tiririca”. Nada do que existe no mundo é inútil.

Mesmo vivendo na esfera física podemos ser mais espírito que matéria, como também podemos ser mais pesados que um encarnado, apesar de estar no plano espiritual. Vejam nas obras de André Luiz a existência do Aerobus para transportar espíritos ainda materializados que não podem deslocar-se volitando, devido à sua densidade.

Para divulgar essas orientações, logo após a codificação começaram a surgir agrupamentos para o estudo regular e organizado da mensagem cristã com base nas informações dos veneráveis: Os centros espíritas, sendo o primeiro a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, fundado pelo próprio Allan Kardec, logo em 1 de abril de 1858; um ano depois de lançado O Livro dos Espíritos, considerado a certidão de nascimento da nossa doutrina.

Sobre a importância desse conhecimento espírita para o mundo, o lúcido jornalista Herculano Pires definiu esses agrupamentos com a seguinte expressão: “Se os espíritas soubessem o que é o Centro Espírita e quais são, realmente, a sua função e a sua significação, o Espiritismo seria hoje o mais importante movimento cultural e espiritual da Terra.”

Uma pena que tanto sacrifício se perca pela negligência dos próprios espíritas que fazem do centro um local de encontros sociais sem lembrar do amor ao próximo e a si mesmos, esquecendo-se da tarefa básica da encarnação que é o crescimento espiritual por meio da caridade, respeitando os compromissos assumidos. O menor obstáculo é motivo para ausentar-nos da casa que nos acolhe, tendo por base a justificativa de nossos compromissos como encarnados. Os espíritos contam conosco e os deixamos na mão. Os espíritas modernos estão devendo! Não entenderam ainda o tesouro que têm nas mãos. Precisamos de mais missionários como Bezerra de Menezes, Vianna de Carvalho, Cairbar Schutel, Leopoldo Cirne, Lins de Vasconcelos, Luiz Olímpio Telles Oliveira, Eurípedes Barsanulfo, Chico Xavier e outros como tais que, com renúncia e sacrifícios, prepararam o terreno e plantaram as árvores para que hoje possamos colher os frutos!

Pedimos desculpas a Kardec que renunciou a todos os seus planos humanos, ao colégio, à literatura educacional leiga, para se entregar à divulgação espírita de corpo e alma, (bancando inclusive do próprio bolso as primeiras edições dos livros da codificação, como Cairbar fez com O Clarim no distante 1905), para brindar a humanidade com o melhor presente que alguém poderia receber, depois do Evangelho de Jesus. Mesmo porque o Espiritismo é o reforço e a explicação ampliada das lições do Cristo, em linguagem direta, sem parábolas ou metáforas. A explicação espírita é clara: Ensina que aquilo que o homem planta é o que há de colher. E nesta regra não há exceções!

Até o próprio Codificador mostrou-se otimista diante dessas sublimes revelações a ponto de afirmar que no início do século (XX) a humanidade estaria regenerada. O vinte já acabou, o XXI já tem duas décadas e continua tudo igual. (Vide sobre os seis períodos do Espiritismo, segundo Kardec, Revista Espírita Allan Kardec dez 1863)

Um conselho final aos que nos dizemos espíritas: Estudemos incessantemente o Espiritismo e pratiquemos o Evangelho amparados nas orientações da Espiritualidade Superior. Esta é a receita para aproveitar a encarnação; De espíritas teóricos o mundo está cheio; é hora de sermos a caridade personalizada.

Nossa gratidão ao Codificador!

O Clarim – outubro 2020