ocaumo@gmail.com  Octávio Caumo Serrano outubro 20

3 de outubro de 1804, data do nascimento do insigne codificador do Espiritismo

Não é nossa intenção divulgar a biografia de Allan Kardec, já bem conhecida de todo estudioso da nossa redentora doutrina. Desejamos somente enfatizar nossa alegria por relembrar que mesmo se recusando de início a aceitar os fenômenos das mesas girantes, finalmente, ele se rendeu às evidências e declarou que a humanidade estava tendo contato com a mais importante revelação desde milênios: A morte não existe, como a entendíamos. Até aquele instante, ela representava o fim e o nada. A partir de 18 de abril de 1857, com o lançamento de O Livro dos Espíritos, passou a ser apenas o intervalo entre diferentes vidas materiais de um mesmo espírito eterno, que jamais pode ser destruído. É conhecido como desencarnação. Evidência relatada por Jesus quando disse aos discípulos que Elias havia voltado como João Batista e os cristãos de outras doutrinas insistem em ignorar.

O que varia é o tempo de permanência no mundo da matéria densa e no mundo da matéria eterizada, já que o espírito (não sendo o nada) é também um tipo de matéria; sublimada. No dizer dos Superiores, quintessenciada, ou seja, no estado de maior pureza. Para os que têm dúvidas, sugerimos a leitura das questões 21 a 28, em O Livro dos Espíritos, quando trata de Espírito e Matéria, em Elementos Gerais do Universo.

Uma coisa é certa. A partir do momento que o espírito adquire a individualidade, desprendendo-se da mônada celestial (vejam André Luiz, capítulo 1 do Livro Evolução em Dois Mundos) será eternamente a mesma entidade. Vale a leitura deste livro para compreender como se dá a evolução de cada espírito.  Num entendimento grosseiro, diríamos que somos como uma gota no oceano, mas uma gota com identidade própria. Ajudamos a formar a imensidão dos mares sem perder nossa individualidade. Ou como o átomo de uma molécula ou uma tenra erva no solo de imensa floresta, quase invisível, mas participante do conjunto com a sua raiz, ramos, flores e até frutos. Muitas vezes tida como erva daninha até que a ciência descubra suas propriedades; como a tiririca na qual foi feita importante descoberta na batata. Até a NASA passou a estudá-la como alimento (pasmem) para os astronautas; os mais curiosos procurem saber no Google sobre “os benefícios da tiririca”. Nada do que existe no mundo é inútil.

Mesmo vivendo na esfera física podemos ser mais espírito que matéria, como também podemos ser mais pesados que um encarnado, apesar de estar no plano espiritual. Vejam nas obras de André Luiz a existência do Aerobus para transportar espíritos ainda materializados que não podem deslocar-se volitando, devido à sua densidade.

Para divulgar essas orientações, logo após a codificação começaram a surgir agrupamentos para o estudo regular e organizado da mensagem cristã com base nas informações dos veneráveis: Os centros espíritas, sendo o primeiro a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, fundado pelo próprio Allan Kardec, logo em 1 de abril de 1858; um ano depois de lançado O Livro dos Espíritos, considerado a certidão de nascimento da nossa doutrina.

Sobre a importância desse conhecimento espírita para o mundo, o lúcido jornalista Herculano Pires definiu esses agrupamentos com a seguinte expressão: “Se os espíritas soubessem o que é o Centro Espírita e quais são, realmente, a sua função e a sua significação, o Espiritismo seria hoje o mais importante movimento cultural e espiritual da Terra.”

Uma pena que tanto sacrifício se perca pela negligência dos próprios espíritas que fazem do centro um local de encontros sociais sem lembrar do amor ao próximo e a si mesmos, esquecendo-se da tarefa básica da encarnação que é o crescimento espiritual por meio da caridade, respeitando os compromissos assumidos. O menor obstáculo é motivo para ausentar-nos da casa que nos acolhe, tendo por base a justificativa de nossos compromissos como encarnados. Os espíritos contam conosco e os deixamos na mão. Os espíritas modernos estão devendo! Não entenderam ainda o tesouro que têm nas mãos. Precisamos de mais missionários como Bezerra de Menezes, Vianna de Carvalho, Cairbar Schutel, Leopoldo Cirne, Lins de Vasconcelos, Luiz Olímpio Telles Oliveira, Eurípedes Barsanulfo, Chico Xavier e outros como tais que, com renúncia e sacrifícios, prepararam o terreno e plantaram as árvores para que hoje possamos colher os frutos!

Pedimos desculpas a Kardec que renunciou a todos os seus planos humanos, ao colégio, à literatura educacional leiga, para se entregar à divulgação espírita de corpo e alma, (bancando inclusive do próprio bolso as primeiras edições dos livros da codificação, como Cairbar fez com O Clarim no distante 1905), para brindar a humanidade com o melhor presente que alguém poderia receber, depois do Evangelho de Jesus. Mesmo porque o Espiritismo é o reforço e a explicação ampliada das lições do Cristo, em linguagem direta, sem parábolas ou metáforas. A explicação espírita é clara: Ensina que aquilo que o homem planta é o que há de colher. E nesta regra não há exceções!

Até o próprio Codificador mostrou-se otimista diante dessas sublimes revelações a ponto de afirmar que no início do século (XX) a humanidade estaria regenerada. O vinte já acabou, o XXI já tem duas décadas e continua tudo igual. (Vide sobre os seis períodos do Espiritismo, segundo Kardec, Revista Espírita Allan Kardec dez 1863)

Um conselho final aos que nos dizemos espíritas: Estudemos incessantemente o Espiritismo e pratiquemos o Evangelho amparados nas orientações da Espiritualidade Superior. Esta é a receita para aproveitar a encarnação; De espíritas teóricos o mundo está cheio; é hora de sermos a caridade personalizada.

Nossa gratidão ao Codificador!

O Clarim – outubro 2020