Influência dos Espíritos

Deixe um comentário

Walkiria Lucia Araujo Cavalcante

Ocupam os Espíritos uma região determinada e circunscrita no espaço?

‘Estão por toda parte. Povoam infinitamente os espaços infinitos. Tendes muitos deles de contínuo a vosso lado, observando-vos e sobre vós atuando, sem o perceberdes, pois que os Espíritos são uma das potências da Natureza e os instrumentos de que Deus se serve para execução de Seus desígnios providenciais. Nem todos, porém, vão a toda parte, por isso que há regiões interditas aos menos adiantados.’”[1]

Quando falamos da influência dos espíritos em nossas vidas a primeira resposta que vem em nossa mente é que os Espíritos influenciam em nossos pensamentos e atos “Muito mais que imaginamos. A tal ponto, que de ordinário, são eles que nos dirigem.”[2] Sendo que esquecemos que em tudo existe a sintonia e remontando um pouco mais, por isso que existe um encadeamento lógico das questões em O Livro dos Espíritos, temos a explicação que nem em todos os lugares (incluindo a nossa mente, já que para isso deve existir a sintonia) é permitido aos espíritos entrarem.

Se fosse de outra forma, seríamos marionetes nas mãos daqueles que fossem mais sagazes na criação divina não sendo o objetivo da Divindade. Estamos encarnados para nos reajustarmos com a Lei de fatos pretéritos, aprendermos lições novas e rumarmos para a perfeição relativa nos apresentada por Jesus. Não para sermos fantoches ou algo parecido nas mãos de espíritos que possuem como único deleite, divertirem-se com o sofrimento e angústias de encarnados.

Então, quando vemos a questão de “… ordinários, são eles que vos dirigem.” Verificamos que a marca deixada na resposta é que eles são criaturas comuns, que não são dotadas de nenhuma qualificação superior, mas que conseguem nos influenciar a tal ponto porque assim permitimos. Sintonizamos com eles de tal forma que nos deixamos guiar passivamente por sua influenciação. Iguais a criaturas que não desejam raciocinar ou decidir a roupa que irá vestir ou alimento que irá ingerir e contrata um profissional para decidir por si, tornando-se um protótipo igual a tantos outros gerados pelo mesmo profissional, desejoso de ser aceito pela sociedade que faz parte, anulando a própria personalidade e não percebendo os problemas psicológicos que está gerando para si mesmo no presente e no futuro.

Não deixamos de conviver com os espíritos. Estamos cercados por eles. Somos também espíritos. Esquecemo-nos disso. Da mesma maneira que eles interferem em nossos pensamentos e interagem em nosso mundo, nós também fazemos com relação a eles. Envolvemos tais criaturas em nossas vidas, em nossas preocupações. Mas tudo só ocorre numa relação de sintonia. Oferecemos material psíquico e emocional para que eles se nutram, eles devolvem o mesmo material enriquecido de suas emoções. Neste momento a troca se estabelece a sintonia se faz.

Não se espantem quando os quadros obsessivos se consolidam e as criaturas não entendem afirmando que não fizeram nada demais. Que normalmente, o que ocorreu é que estavam desgostosas da vida. Tudo na vida começa de maneira diminuta. Nenhum quadro começa por uma subjugação. As ideias começam pela tristeza contumaz, a infelicidade por causa desconhecida ou até conhecida, nutrida pelo nosso desejo de sermos agasalhados por quem está ao nosso redor e muitas vezes não reconhece o que estamos vivendo.

Então somos responsáveis pelo início do processo. Nem todos, porém, vão a toda parte, por isso que há regiões interditas aos menos adiantados.” Os espíritos mais elevados conseguem perscrutar os nossos pensamentos, até porque o intuito é nos ajudar. Os iguais a nós ou inferiores só se nós permitirmos através da sintonia. Entendido isso, conseguimos estabelecer um parâmetro limite de quem ou não pode sintonizar conosco.

Mas como nos mantermos em guarda e fazermos esta sintonia? Através da leitura edificando, da mentalização, da boa música, dos bons pensamentos, da conversa que nos engrandece e das boas companhias. Sem nos esquecermos do Evangelho como vivência diária e da prática da caridade. Mas viver tudo isso é complicado! O Mundo está complicado. Entendemos, porque estamos encarnados neste mundo também. Mas seria muito mais complicado se não tivesse o apoio e o subsídio de todos estes recursos e para aqueles que duvidam e não fazem uso, sugerimos: comecem a mudar os pensamentos. Estabeleçam uma rotina diária de boa leitura. A forma como vocês sintonizarão com tudo e com todos será diferente. É um processo que depende somente de nós!

Jornal O Clarim – dezembro 2020


[1] Livro dos Espíritos, questão 87

[2] Livro dos Espíritos, questão 459

Cristãos Novos

Deixe um comentário

Walkiria Lucia Araujo Cavalcante

“Os cristãos novos, os espíritas, que estão tentando seguir Jesus e trazer de volta as Suas incomparáveis lições, são hoje o seu [do espírito do mal] alvo preferido. Odiados pelos estranhos e perseguidos por companheiros da mesma grei, são crucificados na calúnia, na zombaria, na desmoralização, nos enfrentamentos difíceis, a fim de que abandonem a seara, que ficaria despovoada, e a sua sementeira logo pereceria por falta de cuidados.”[1]

Ainda em virtude da educação religiosa obtida em outros segmentos, acreditávamos que no Espiritismo encontraríamos portas abertas a facilidade. Ao adentrarmos, sentir-nos-íamos blindados de todo mal que por ventura viessem a nos acontecer. Coisa singular: continuamos a seguir a mesma vida que outrora, com um diferencial, agora somos espíritas. Palavra que faz mudar a chave do conhecimento e nos coloca num patamar diferenciado de responsabilidade perante a vida e perante nós mesmos.

Professamos uma fé que nos comove a alma, nos projeta os pés para frente, impedindo-nos de ficarmos parados, pois somos aqueles que possuímos o estandarte da caridade e do amor como divisa para nossas vidas, alicerçado numa mudança de conduta pautada na auto-iluminação. A partir do momento que nos é apresentado um porvir novo, desde agora, começamos por divisá-lo e começamos a vivenciar, mesmo que de forma primária, o Reino de Deus em nós, por praticarmos o bem e conduzirmo-nos dentro de uma vida cristã.

Mas então, porque ainda muitos se desviam do caminho? Porque iguais aos cristãos de antigamente, precisamos repetir a lição. Insistirmos em fazer o certo suportando as investidas daqueles que querem dificultar a nossa caminhada. Voltamos nosso olhar para as distrações do caminho e permitimo-nos desmoronar pelas investidas destes. A calúnia é fel venenoso que não há comprovação, do qual carregamos os efeitos; a zombaria surge no momento em que o outro se sente inferiorizado pela nossa persistência no bem; a desmoralização é a constatação de ato falho do passado que vem à tona e que outro insiste em pintar com cores fortes. Em tudo, o aprendizado se faz presente. Mais não queremos este enfrentamento conosco mesmos.

“A habilidade das Trevas é incomum, porquanto, usando da inteligência direcionada para os seus fins macabros, sempre encontra instrumentos próprios para alcançar os objetivos a que se dedicam. Esses instrumentos estão no íntimo das criaturas, e são as suas imperfeições morais, que se tornam fáceis de manejo seguro por elas, atendendo aos objetivos nefários a que são aplicados.”[2] Lembramos da passagem do Evangelho Segundo o Espiritismo – Missão dos Espíritas: “Só lobos caem em armadilhas de lobos.”[3] Sintonizamos com tais criaturas e através da culpa permitimos que eles tenham acesso as nossas imperfeições morais e nos enfraqueçam, mostrando-nos uma perspectiva triste, a qual parece sem solução de continuidade para a nossa evolução espiritual.

O processo de sintonia torna-se mais sutil e sensível, necessitando-se de mais vigilância para os médiuns: “… criam-lhes situações vexatórias, transmitem-lhes ideias pessimistas, temerosas, despertam-lhes a desconfiança e a suspeita, afligem-nos…”[4] Então, o melhor é não ser espírita e se for, não ser médium? De forma alguma. Todos nós vivenciamos desafios na evolução, sejamos ou não espíritas, tenhamos ou não a mediunidade como ferramenta de trabalho. O que ocorre é que todo aquele que se coloca em destaque por algo que esteja fazendo torna-se foco de admiração, mesmo que se as avessas como são no caso dos ataques.

O Livro dos Espíritos nos esclarece que os espíritos que ainda estão na inferioridade se comprazem em nos induzir ao mal pelo despeito que sentem por ainda não estarem na situação na qual nos encontramos[5], em síntese, por inveja. Querem que sintamos o que eles sentem, só que esquecem que já vivenciamos as nossas experiências pelo vale de lágrimas e dores e ainda vivenciamos em virtude de reajuste com o passado, mas que procuramos nos alinhar com a proposta de vida cristã abraçada, não mais maldizendo a vida que possuímos, mais agradecendo por cada oportunidade bem dita de estarmos encarnados.

Em que momento da encarnação estejamos, por quais situações estejamos experienciando, tenhamos duas certezas em mente: a oração será o nosso sustentáculo para ultrapassarmos o período desafiador; e o Mestre Jesus é o Modelo e Guia dinâmico da humanidade. Modelo por ser o exemplo vivo de como e se deve fazer; Guia porque até hoje Ele está a nossa frente a nos mostrar o ponto que deveremos seguir, como um farol a nos iluminar na noite escura das dores íntimas que vivenciamos. Quanto àqueles que nos perseguem, se enraízam nas trevas da própria ignorância. Dia chegará que também desejarão enxergar a luz e procurarão por ela. De nossa parte, permaneçamos firmes em nossa fé.

RIE-Revista Internacional de Espiritismo


[1] Livro: Libertação do Sofrimento, psicografia Divaldo Franco, autora espiritual Joanna de Ângellis, cap. 29

[2] Idem

[3] Capítulo XX, item 4

[4] Livro: Libertação do Sofrimento, psicografia Divaldo Franco, autora espiritual Joanna de Ângellis, cap. 29

[5] Questão 281

PERDER PARA DAR VALOR

Deixe um comentário

ocaumo@gmail.com  Octávio Caumo Serrano    O Clarim dezembro 20

A maioria das pessoas afirma que é impossível ser feliz neste mundo

Será que o motivo não é por estarmos procurando a felicidade em lugares e coisas errados? É comum quem não goste do seu corpo, do seu cabelo, do seu nome, do seu nariz… Sem falar do patrão, do marido ou esposa, dos pais, dos vizinhos. Enfim, da vidinha que leva. Se for mulher, chega a gastar mais em produtos de beleza do que em comida.

Quando somos jovens, abusamos dos excessos e perdemos a saúde; depois lamentamos. Quando temos liberdade, agimos errado até ser punidos e ficar sem esse bem precioso, que nunca preservamos por ser algo natural e sem valor, até que o percamos. Só a doença nos leva a dar valor à saúde; só a orfandade nos faz ver a importância dos pais.

Quando a igreja diz que muitos vão para o inferno, não explica que há infernos compulsórios e infernos opcionais.  Se a pessoa nasceu desprovida de recursos mínimos de sobrevivência, embora inaceitável, pode ter sentido rebelar-se contra o mundo e agredi-lo de diferentes formas, inclusive desrespeitando as regras sociais e as leis mais elementares. Mas se é alguém privilegiado pelos recursos que lhe permitem uma vida estável, a sua desonestidade, a corrupção, o desrespeito ao próximo leva-o a um inferno por opção. Ele o buscou e não pode ser considerado fatalidade. Mesmo porque céu e inferno não são lugares para onde vamos depois da morte, mas um estado de consciência no qual já estamos mergulhados desde agora. Céu e inferno moram dentro de nós, o tempo todo.

Alguém que em nome da adrenalina seja adepto de esportes perigosos, não pode culpar o destino caso sofra um aleijão que o deixa inválido e sem poder movimentar-se para as ações mais elementares, como falar, comer, caminhar, pensar. Brincou com fogo até queimar-se para provar uma superioridade que só serve à vaidade de parecer melhor, desafiando os limites de segurança. A competição mais inteligente é a que o homem tem contra si mesmo para combater seus defeitos e imperfeições de caráter e ser hoje melhor do que ontem.

O mesmo, se dá com quem não suporta o parceiro que desposou ou o emprego que lhe dá o sustento. Desfaz o matrimônio na busca de aventuras e verifica que é agora ainda mais infeliz. Desprezou o emprego e agora está ao deus-dará. Só que o simples arrependimento não conserta as tolices que cometemos.

Diz a sabedoria popular que não devemos querer tudo o que amamos, mas amar tudo o que temos. Isso não significa que não tenhamos o direito de lutar por situações mais felizes, buscar melhores salários, mas que sejam consequência do nosso aprimoramento cultural, intelectual e esforço; não mero e infundado desejo.

Fica claro, portanto, que o nosso céu ou o nosso inferno são construções da nossa própria alçada. Saímos de um e entramos no outro várias vezes num só dia, pela simples ação do pensamento. A revolta, a inconformação, o desejo de vingança, a mágoa, a tristeza, nos atiram ao inferno. Podemos sair dele quase que imediatamente, substituindo-os pela resignação, pelo perdão e pela alegria. E assim elevar-nos ao céu.

Não há uma interrupção entre a vida e a morte ou entre uma encarnação e outra. Tudo segue em sequência e é apenas o instante, o minuto ou o dia seguinte. Séculos para os homens são átimos para Deus. Se quisermos, a felicidade é, sim, deste mundo!

Daí o sábio conselho de Jesus: “Não junteis tesouros na Terra… Junteis tesouros no céu os quais o ladrão não rouba, a traça não come e a ferrugem não corrói.” Faz sentido agora? Os tesouros do céu podem ser juntados desde já.

Cremos que este é um bom tema para planejarmos nosso novo ano. Não lhes parece?

Bom Natal e feliz 2021!

 Jornal O Clarim dezembro 20