ocaumo@gmail.com  Octávio Caumo Serrano

Embora Jesus nos recomendasse amar o próximo como a nós mesmos, nem os que se dizem seus seguidores procedem conforme a recomendação do nosso Cristo. Agressões, discriminações e dissenções de toda ordem é o que mais se vê. Na própria Constituição brasileira, pelo artigo 5º está estabelecido que todos, brasileiros e estrangeiros residentes no país, são iguais perante a lei, tendo garantidos todos os seus direitos constitucionais. Mas, na prática, não é o que acontece, A própria desigualdade social, a diferença entre os salários dos privilegiados e o mínimo pago ao trabalhador, quando chega lá ou tem emprego, é no Brasil uma das mais alarmantes do planeta. A miséria é assustadora! Até a aposentadoria, produto de descontos mensais compulsórios, perde a cada ano seu poder aquisitivo. Não é desonesto com quem ajudou a construir o país e confiou que o ganho lhe garantiria a velhice?

De repente, não mais que de repente, aparece um vírus para nos ensinar na prática o que não aprendemos com as lições de Jesus. Escondeu-nos todos atrás de panos brancos, pretos e coloridos, alguns com mensagens, sempre dirigidas aos outros, transformando-nos em mensageiros da paz, o que não é realidade. Por detrás, quase nada mudou em nós. Temos as mesmas enfermidades de caráter que os acessórios não conseguem esconder porque tapam os rostos, mas não as almas que continuam egoístas, fechadas nos seus redutos e cada um preocupado mais consigo mesmo do que com o semelhante. Protejo-me mais para me defender do outro do que para evitar prejudicá-lo.

A receita habitual do “salve-se quem puder”, segue imperando. As possíveis vacinas que evitarão ou atenuarão as ações do vírus já estão sendo adquiridas pelos países ricos sem que eles se importem com os mais sofridos que continuam sendo tratados como animais. Nem mesmo comprovaram a eficiência do tratamento, mas já correram comprá-las porque dinheiro para eles não é problema. Preocupam-se mais em conservar e ampliar os monopólios do que com a vida das pessoas.

Há, porém, muitos outros vírus a ser combatidos: o da ganância e egoísmo, o da indiferença e falta de solidariedade e o da ingratidão e grosseria. Contra esses já existe vacina eficiente: A educação e respeito ao próximo, tão esquecida e em desuso nestes dias. Comprovam-no a violência nos lares, a expansão do tráfico, o aumento da criminalidade e do marginal que nos ataca nas ruas. Tudo aliado à corrupção nos altos poderes que comandam os países e no desrespeito dos filhos pelos pais, dos alunos pelos professores, dos patrões pelos empregados e vice-versa. A própria Covid 19 tem servido para o enriquecimento de muitos inescrupulosos que superfaturam produtos aproveitando-se da fraqueza e medo do povo. O mesmo povo mais simples massacrado pela carga tributária que tira dele parte preciosa do seu salário de sobrevivência. Monopólios e estatais de gás, de combustíveis, de bancos, de remédios, sugando o sangue do trabalhador. Muitas vezes acompanhados das igrejas que se servem do povo quando deveriam consolá-lo, orientá-lo com mensagens verdadeiras e não com a venda de favores espirituais que prometem indulgências ou lugares privilegiados depois da morte.

A reforma planetária está em processo há mais de meio século e brevemente chegará ao apogeu. Mais trinta ou quarenta anos e já se fará sentir por inteiro. Mas não acontecerá sem muito choro e ranger de dentes, conforme já nos foi advertido. Se hoje queixamos da pandemia, saibamos que ela é a parte suave do que nos espera. É triste, mas necessário. O que não aprendemos pelo amor só pode ser completado com a dor. E como já disse o bom Bezerra de Menezes, “os tempos são chegados e os bons não podem pagar pelos pecadores”. O joio começa a ser separado do trigo. E será arrancado com violência porque o tempo dos disfarces está no fim. Chega, enfim, a hora da verdade. O planeta tem pressa em progredir e nós, pigmeus em moralidade, não seremos impedimento. Todavia, como até agora mantivemos os olhos cerrados e ouvidos tapados, que Deus se apiede de nós!

JORNAL O CLARIM – FEVEREIRO 2021