Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com

Não penseis que eu tenha vindo destruir a lei ou os profetas: não os vim destruir, mas cumpri-los: – porquanto, em verdade vos digo que o céu e a Terra não passarão, sem que tudo o que se acha na lei esteja perfeitamente cumprido, enquanto reste um único iota e um único ponto.[1]

Jesus não veio derrogar a Lei Divina ou Lei Natural, pois ela constitui-se na própria Lei de Deus[2]. Sendo a rota segura que nos conduz a felicidade, todas as vezes que nos afastamos dela, somos infelizes; todas às vezes que estamos de acordo com ela rumamos para a felicidade plena.

Nem o que foi estabelecido por Moisés, Jesus veio derrogar. O que foi trazido por Moisés pode ser dividido em duas partes. A primeira, constituindo-se num código moral de conduta para época, viriam a ser diretrizes para as criaturas que aportavam de um movimento politeísta, crença em vários deus. Entendiam que o palpável e o que não ultrapassasse os sentidos era a única coisa verdadeira. Moisés apresentou a existência de um Deus único, Soberano e Senhor e Orientador de todas as coisas[3].

Ao fazer isto, Moisés, primeira revelação, trouxe-nos a parte espiritual do seu trabalho: os dez mandamentos. Calcando a primeira viga de contenção espiritual, servindo como divisor de águas para os que eram seus conterrâneos. Podendo parecer pequeno nos dias de hoje, mas de grande singularidade. Fazia com que as pessoas da época voltassem seus olhos para um porvir singular, fazendo com que as puerilidades e pequenezes do momento deixassem de existir pouco a pouco e todos voltassem seus pensamentos para o que o Mestre Jesus iria ensinar.

Jesus sintetizou os dez mandamentos em Amar a Deus sobre todas a coisas e ao próximo como a si mesmo. Constituindo-se este amar no que O Livro dos Espíritos nos explica quando nos fala da Lei de Adoração: na elevação do pensamento a Deus.[4]Ao elevarmos nosso pensamento, saímos da faixa primária que constitui a criatura e passamos a enxergar a vida sob outro patamar. Colocando-nos à disposição do Criador para assimilarmos as benesses que proveem do mais alto, sintonizando com o que vem do mais alto, assim, ascendendo como criaturas e acendendo a luz divina em nós mesmos.

Podendo desta forma, projetar para o próximo o que a centelha divina cintila neste momento em nós, a máxima se torna verdadeira e conseguimos amar ao nosso próximo a medida que conseguimos nos amar e nos amamos a proporção que nos elevamos em pensamento ao Criador através do movimento de adoração, que é inato. Movimento este que fazemos quando reconhecemos as nossas limitações e nos curvamos perante o poder que nos protege.[5] Curvamo-nos de forma simbólica, reconhecendo quem somos para podermos evoluir. Não se constitui um jogo de palavras, mas a compreensão da criatura perante o Seu Criador, que é Deus.

Jesus era o educador por excelência. Ele nos tirava da educação punitiva-destrutiva e nos apresentava a educativa-reabilitadora[6]. Nós não somos culpados pelos nossos atos, mas responsáveis pelas nossas atitudes e deveremos nos reajustar perante a Lei, Lei Natural ou Divina como queiramos interpretar o que deixemos de fazer de correto ou façamos errado. A medida que formos corrigindo nossos atos iremos nos reabilitando perante a Lei e aprendendo a forma correta de fazermos.

As duas primeiras revelações eram calcadas em pessoas, morta a criatura, morta a ideia para alguns. Sendo que a Doutrina Espírita ou Doutrina dos Espíritos surge e Allan Kardec debruçar-se sobre o estudo que já havia-se iniciado, mas que o grupo necessitava de alguém que organizasse e conduzisse de forma coerente e adequada as respostas daquelas mesas falantes, apresentam-nos os Espíritos, não mais uma criatura, mas um grupo, na verdade todo um conglomerado que não poderia ser morto, pois o espírito é imortal, apresentando a pré-existência da criatura e a sobrevivência. Não da forma como era apresentado antes.

A própria comunicabilidade com os chamados mortos, a qual antes era feita de forma rudimentar e em alguns casos desrespeitosa, agora sobe de patamar e compreende-se que nada mais são que aqueles que conviveram conosco e que partiram antes de nós. Todo este mundo de relação que sempre existiu e que nós desconhecíamos, ignorávamos ou simplesmente não desejávamos tomar conhecimento. Por fim, nos é apresentado toda a possibilidade de explicação lógica de vida e vida além da vida. A calma e alegria que surge na criatura de sabermos que não estamos sozinhos. Que os seres que amamos continuam existindo e nos acompanhando de perto se assim for permitido e que um dia, encontrar-nos-emos felizes comprovando as verdades espirituais! Não vim destruir a Lei, mas sim fazer cumprí-la!

JORNAL O CLARIM – FEVEREIRO 2021


[1] MATEUS, cap. V, vv. 17 e 18.

[2] Livro dos Espíritos, questão 614

[3] Livro A Gênese, Capítulo I, item 21

[4] Questão 649

[5] Questão 650

[6] Jesus e o Evangelho a Luz da Psicologia Profunda, psicografia de Divaldo P. Franco, autoria espiritual de Joanna de Ângelis, cap.I – Soberanas Leis