Octávio Caumo Serrano  ocaumo@gmail.com

Quem somos? De onde viemos? Para onde vamos? Só a reencarnação explica.

Essa pergunta expressa uma das maiores dúvidas do ser humano e tem respostas diferentes conforme a doutrina que ele professa. Para os tradicionalmente “cristãos”, católicos e protestantes, nascemos e morremos uma só vez e, após morrermos, vamos definitivamente para um mundo etéreo e mal definido, onde seremos separados entre os que habitarão o céu e ficarão contemplando a face de Deus em completa ociosidade e os que viverão no inferno, para todo o sempre, segundo as obras que tiveram durante a vida material.

Nesse julgamento, porém, não cogitam porque a uns foram dadas condições para fazer o bem, seja pela maior inteligência e discernimento, seja pelos recursos materiais mais abundantes, sem que possam explicar por que Deus, que teria criado seus filhos à Sua imagem e semelhança os houvesse aquinhoado de maneira tão diferente, sem qualquer justificativa. A uns deu beleza, a outros aleijões e doenças crônicas; a uns abundância e a outros a miserabilidade; a uns as ideias claras e a outros a atrofia mental. Culpam o DNA e a ancestralidade, mas não dizem por que numa família de cinco filhos encontramos cinco universos distintos, com índoles, temperamentos e tendências totalmente diferentes.

Só há uma doutrina capaz de explicar essas diferenças; a da reencarnação, presente na maioria das pessoas do planeta, independentemente de suas religiões. É algo tão lógico que em 1940 era crença de 2% dos brasileiros passando a 90% na atualidade, não importando a religião professada. Entre estes, há os que não creem totalmente, mas têm dúvidas sobre o assunto.  Como setenta e cinco por cento dos povos da Terra professam doutrinas que creem na reencarnação, encontramos hoje até católicos e protestantes que aceitam a ideia pela sua lógica. Muitos que se dizem ateus admitem a reencarnação; os índios, que não têm religião, são adeptos da reencarnação porque creem na justiça do Criador.

A morte nada mais é do que o dia seguinte. Não há interrupção na caminhada do espírito quando sai do mundo material para o mundo dos espíritos. É como quem viajou e dormiu no avião despertando noutro país. É o mesmo ser com sua mesma vida. Nada cessa; há somente alteração de planos e objetivos, caso o “morto” se dê conta do desencarne!  

Se não houvesse essa continuidade, não teria sentido tanto sacrifício para sermos melhores, ajudar o semelhante, combater defeitos e incorporar virtudes para tudo se acabar melancolicamente. Tanto sacrifício em troca do nada! O que acontece é que padres e pastores querem cobrar pedágios nesta viagem que fazemos rumo ao tal juízo final e tentam nos convencer que a salvação depende da intervenção deles para nossa condução ao encontro com o Criador, quando isso só depende das nossas próprias obras. As igrejas servem para nos orientar com base no Evangelho, não para nos salvar. Isso fica por conta das nossas ações. A cada um segundo as suas obras. (Mt 16:27)

No capítulo XVII de O Evangelho Segundo o Espiritismo, item 10, um espírito protetor que não se identifica, por ser desnecessário, nos estimula a viver no mundo com os prazeres que o mundo nos oferece. Diz que devemos procurar ser felizes, com o cuidado de não infelicitar o semelhante, mas repartindo com ele o máximo da nossa felicidade; material ou espiritual. Por isso é que o Espírito Georges, no item 11, nos recomenda cuidar do corpo e do espírito, porque um depende do outro. As ideias vêm da mente, que é o próprio espírito, mas as ações precisam dos gestos materiais: o sorriso, a oferta, o apoio, o consolo, que têm sua ação na boca, no braço, nos olhos, nas mãos. Com os órgãos é que se executam os trabalhos idealizados e planejados pela mente (espírito). Portanto, devemos ter o corpo o mais sadio que nos for possível para sentir alegria e estímulo na prática do bem.

O corpo, já nos foi ensinado, é o templo onde vive a alma para a sua caminhada de experiências, aprendendo e ensinando por meio de observações e ações. O uso harmônico dessa dupla é o que nos permite o crescimento espiritual que fará com que saiamos daqui para a nova etapa em condições melhores do que aqui chegamos.

Como fecho desta exposição, diríamos: – Salve-se que puder; ou melhor, quem souber!

Jornal O Clarim – março 2021