Não há vidas passadas      Octavio Caumo Serrano    O Clarim abril 21

Como também não há vidas futuras

Quando fomos criados por Deus, sem nenhum conhecimento, destacando-nos da coletiva mônada celestial para adquirir individualidade, iniciamos a jornada da nossa vida eterna e única, que precisaria ser vivida em mundos primitivos, inicialmente, e depois em outros mais desenvolvidos, onde deveríamos reencarnar com corpos mais densos ou mais leves, se passássemos a ser mais espírito que matéria.

Os mundos materiais onde fazemos as mais difíceis experiências da nossa mesma e única vida, são locais de sofrimento, maior ou menor, conforme a vibração conjunta de seus habitantes. O Espiritismo os classifica, de forma genérica, como mundos primitivos, de provas e expiações, de regeneração e felizes. No primeiro a vida e quase totalmente material e no segundo a espiritualização já começa a ser alcançada, sempre dependendo do esforço individual que se vive no coletivo. Nestes encarnamos e desencarnamos por longos períodos, mas sempre como etapas da nossa mesma vida eterna.

Vencida esta fase, após dezenas, centenas, milhares, ou sabe Deus quantas encarnações, poderemos pilotar um corpo material em mundos menos densos, onde nosso peso específico atual de 5,51 g/c3 (densidade da Terra) poderá baixar para 3,96 como Marte, 1,33 como Júpiter, 1,64 como Netuno o que resultaria em peso bem menor para o nosso corpo, de igual volume, permitindo-nos deslocamento muito mais fácil. Se nascêssemos, por exemplo, em Júpiter com esta mesma silhueta exterior pesaríamos menos de 20 quilos!

O que conhecemos como morte, que na verdade é o nosso desligamento do corpo físico e que o Espiritismo define como desencarnação, para voltar por um pouco à vida espiritual, não interrompe a sequência da nossa vida que prossegue, como se nossa chegada à espiritualidade fosse o dia seguinte. Nosso “eu” não termina com esse desenlace, porque nossa mente continua a pensar na mesma sequência e tem como conhecimento tudo o que aprendeu até então. Qualquer pequeno bloqueio temporário assemelha-se a uma internação hospitalar, a uma anestesia, para tratamento, ou a uma viagem para país estranho onde recomeçamos sem perder a nossa identidade.

Haverá quem pergunte por que não nos lembramos desses detalhes. Porque fatos dolorosos ou acidentes de percurso poderiam traumatizar-nos ou envergonhar-nos, comprometendo-nos ante acontecimentos já superados que só serviram como aprendizado e prova ou resgate. Não nos dizem mais respeito e ficar presos a eles seria atrasar-nos.

Já disse Kardec que o ideal seria que houvesse um idioma no qual cada palavra expressasse claramente a ideia, o que não se vê nas línguas da Terra. Só uma linguagem mental poderia expressar fielmente a imagem pensada. Por isso é natural que haja tanta dificuldade para nos entendermos pela palavra articulada. Daí definirmos que fomos isto ou aquilo em vida passada e o que esperamos para a vida futura, quando deveria ser o futuro da vida.

Ao nos referimos ao que fomos como vida passada, fica a impressão que foi um período que acabou e está dissociado do nosso presente, quando este é o único tempo real; só existe o agora. Vivemos uma coleção de presentes que formam nossas experiências nesta nossa vida eterna e única!

Jornal O Clarim – abril 2021