Octávio Caumo Serrano ocaumo@gmail.com

Tenho dificuldade para entender as doutrinas cristãs; refiro-me ao catolicismo e às nascidas de suas cisões, hoje desdobradas em dezenas de denominações. Afirmam seguir Jesus, mas negam claros ensinamentos do Cristo.

Em 18 de abril de 1857 foi criada nova doutrina cristã, o Espiritismo, fundamentada no Evangelho de Jesus, e enfatizando uma das principais leis humanas e divinas: A preexistência do Espírito antes de nascer no mundo material e a reencarnação, para aprimoramento da alma, lei que fazia parte do clero romano e que foi revogada pelo Concílio Ecumênico de Constantinopla em 553 d.C, a pedido do Imperador bizantino Flávio Justiniano, O Grande, (483 a 565) por pressão de sua esposa Teodora, que fora dançarina e temia reencarnar para resgatar suas faltas, incluindo-se o assassinato de  meretrizes que poderiam denunciá-la; registre-se que os Imperadores mandavam na igreja mais do que os Papas. Todavia, já no Velho Testamento, Jeremias 1:5, e no Novo Testamento, João 14:2 e 8:58, havia menções desse assunto.  Também o profeta Malaquias, em 4:5, fala da volta de Elias como o Batista, como Jesus ensinou aos discípulos além de informar a Nicodemos que ninguém veria o reino de Deus sem nascer novamente. Os poderosos Imperadores eram tão pretenciosos que só faltou revogarem as Leis da Gravidade e a da Ação e reação!

Apesar de a grande maioria do planeta, incluindo os selvagens, serem defensores desta lei, em 1500 anos não houve um Papa que tivesse a coragem de restaurar a reencarnação na Igreja, embora o Papa Gregório Magno (590 a 610), que gozava de grande prestígio entre os cristãos, ter sido defensor dessa lei de vidas sucessivas como recurso de aprimoramento do espírito. Mesmo depois de Justiniano cancelar a reencarnação.

Embora católico, por simples tradição do nosso país, até os 36 anos, há mais de cinquenta anos optei por viver a fé do bom senso e não a do misticismo ininteligível que afronta os mais elementares princípios da razão. Só o Espiritismo me explica o que a igreja esconde. E é com base na fé raciocinada, aquela que pode encarar a verdade frente a frente em todas as épocas da humanidade, que desejo analisar a atuação da pandemia global. Como cristão, fico com Jesus.

Quero crer que essa tragédia globalizada tem por finalidade apressar a modificação do planeta, com diferentes intenções, acelerando os tempos de mudança da Terra de mundo de provas e expiações para planeta de regeneração. Então, pergunto, para onde estão sendo enviados os espíritos desencarnados pela covid 19, ou por outras doenças, neste tempo de expurgo para transição planetária? Meditemos.

Grande porcentagem desta humanidade fracassada é constituída de espíritos impuros cuja característica é a maldade e a ignorância. Mas não podemos descartar que há muita gente boa que já se compraz na prática da caridade e do amor ao próximo. Penso que somos a última humanidade inferior da Terra nesta etapa de planeta expiatório porque a nova sociedade deverá ser mais evoluída. Logo, as naves que transportarão os espíritos desencarnados neste momento seguirão por rotas diferentes. Os que já tiveram todas as oportunidades e não aproveitaram serão exilados para planetas primitivos ou de provas, para ensinar a sua ciência e com isso desenvolver o lado moral. Uma reedição do episódio vivido pelos exilados do planeta Capela, quando foram trazidos para a Terra. E os que já aproveitaram seu tempo por aqui para sedimentar sua bondade, o que entre nós nem sempre encontra eco, serão levados para as colônias da erraticidade terráquea por algum tempo para estágio de treinamento e preparação para retorno dentro de curto prazo (trinta a cinquenta anos) quando a civilização do planeta regenerado já se fizer sentir. Portanto, enquanto o desencarne é punição para uns é prêmio para outros. É provável que muitos de nós choramos mortes abençoadas porque o espírito foi distinguido pelo plano divino para preparar-se mais um pouco e voltar para viver num mundo mais feliz. Imaginamos que sua morte foi castigo, quando foi prêmio! Lembrando Paulo de Tarso, que sensibilizou o carrasco que ia decapitá-lo, pela serenidade como encarava a sua sorte, talvez nossos mortos estejam também nos dizendo: – Não chore por mim; chore por você. Já cumpri minha missão e agora vou ter com Jesus!

A pergunta que certamente nos farão é: – Como saber para onde vai um e outro? Muito simples; basta ver como viveram e saberemos como estão na espiritualidade. A Lei já diz que “a cada um será dado segundo suas obras.” No plano de Deus cada um é o seu próprio juiz. Não há privilégios nem interferência de amigos. E quem julga não é Deus. Ele é o criador da Lei, mas o julgamento do homem é feito pela sua própria consciência!

Os espíritos já ensinaram: “Deus que te criou sem a tua ajuda não poderá salvar-te sem a tua colaboração”. Mas os religiosos venais sonegam de nós as informações que devemos viver muitas vezes em planos físicos para corrigir falhas porque desejam transformar-se em nossos intermediários na obtenção das benesses do Reino Celestial, recomendando-nos promessas, novenas, penitências e donativos. Para eles vale mais um desonesto que ora do que um ateu que é decente. E assim cuidam da sua sobrevivência impedindo-nos de lutar pela nossa emancipação moral. Mas, diante do livre arbítrio, cada um faça como melhor lhe pareça. A semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória!

Jornal O Clarim – maio 2021