Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com

“Pois onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali estou no meio deles[1]

Após estarmos a mais de um ano com alguns dos confrades tendo as atividades das Instituições as quais estão vinculados suspensas, perguntando-se como fazer para desenvolver os trabalhos a contento, mais ainda, como manter o ânimo, pois o entrelaçamento de amor que as atividades semanais proporcionavam já neste momento são realizadas de forma on-line e mesmo que algumas Instituições tenham voltado por algum tempo a realizá-las presencialmente, tiveram que retomar o fechamento por medida de respeito sanitária.

De nossa parte, trazemos o pensamento expresso em Mateus, que nos consola, por sabermos que o Mestre Rabi estará conosco sempre que nos reunirmos em seu nome. Mesmo que de forma remota, mesmo que estejamos sozinhos em nosso Lar, mais sempre na companhia amorosa dos bons espíritos. Nunca estamos sozinhos, nos sentimos desacompanhados. Estamos rodeados por uma tão grande nuvem de testemunhas[2]. Mas um ponto que talvez seja um pouco esquecido neste momento e que não deveria é o Culto do Evangelho no Lar.

Em linhas gerais, é nos reunirmos a sós ou acompanhados com os amigos espirituais que sempre se fazem presentes nestes momentos, realizarmos uma prece inicial, lermos um trecho do evangelho ou da bíblia, tecermos um breve comentário sobre o que foi lido e realizarmos a prece final. Algumas pessoas colocam um copo com água e pedem que os bons amigos espirituais fluidifiquem (depositem bons fluídos nos recipientes com água) no momento da prece final. É realizado com constância, significa dizer que deverá ocorrer em dia e hora marcada. Mas não impede que leiamos o Evangelho tantas vezes quantas forem necessárias ao dia e por semana.

Ao realizarmos o Evangelho no Lar, não somos somente nós ou nossa família que nos beneficiamos. Mas nossos vizinhos e todos aqueles que nos circundam. É um verdadeiro serviço espiritual que a criatura realiza. O respeito que os espíritos que se envolvem neste trabalho demonstram está muito bem retratado no Livro Os Mensageiros[3]. O Evangelho no Lar nunca será uma reunião social ou momento de desaguar frustações familiares, mas momento de permuta constante de conhecimentos e solidificação de valores domésticos que por ora necessitam ser resgatados em conversas edificantes usando-se da mensagem trazida no Evangelho para corroborar atitudes ou reajustar comportamentos.

Ao fazermos o evangelho no Lar além de nos fortalecermos, ajudamos aqueles que estão em nosso derredor e criamos um ponto de luz, além de fortalecermos uma barreira espiritual em nosso Lar. “Nunca poderemos enumerar todos os benefícios da oração. Toda vez que se ora num lar, prepara-se a melhoria do ambiente doméstico. Cada prece do coração constitui emissão eletromagnética de relativo poder. Por isso mesmo, o culto familiar do Evangelho não é tão só um curso de iluminação interior, mas também processo avançado de defesa exterior, pelas claridades espirituais que acende em torno. O homem que ora traz consigo inalienável couraça. O lar que cultiva a prece transforma-se em fortaleza, compreenderam? As entidades da sombra experimentam choques de vulto, em contato com as vibrações luminosas deste santuário doméstico, e é por isso que se mantêm à distância, procurando outros rumos…[4]

A distância física dos trabalhos executados na lide espirita nos afastou dos companheiros que nos ladeiam a jornada na Instituição, mas não nos afastou da doutrina. Não nos desabilita do aprendizado e da busca constante pela renovação interior. Temos as mesmas informações ao nosso alcance que não nos enfraqueçamos no processo evolutivo constante.

As dores estão acirradas para todos nós. Para alguns se tornaram acerbas em virtude do desenlace de seres amados que por hora não conseguimos abarcar num golpe de vistas a razão, entendemos sim que se tudo que promana de Deus é justo, também há justiça em todas as situações que estamos vivenciando. Que tenhamos a sabedoria da compreensão de entendermos que o momento presente se equacionará com a solução necessária do aprendizado que tenhamos que ter, mais que elevemos a nossa resignação ao nível de nossas provas[5], como o Evangelho nos orienta, aguardando pacientes a calmaria do mar revolto.

Jornal O Clarim – maio 2021


[1] S. Mateus, 18.20.

[2] Hebreus, 12:1

[3]Autoria espiritual de André Luiz, psicografia de Chico Xavier, capítulos 35 a 37

[4] Idem, 37 – No Santuário Doméstico

[5] Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo VI, item 6