Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com

“Tudo quanto acalentamos nas nascentes do ser, o pensamento, passa a ser de interesse inadiável, mesmo que disfarcemos, evitando que o exterior revele o ser real que está oculto. Nas experiências do erro e do acerto, seleciona-se por automatismo o melhor, aquilo que propicia a felicidade. Em decorrência da fixação mental, vão-se plasmando no modelo organizador biológico ou perispírito, muito plástico, constituído de energia muito especial, as formas que serão assumidas pelo Espírito em próxima oportunidade de reencarnação. Toda forma é precedida por um modelo que lhe expressa o desejado, que se vai adaptando ao que lhe corresponde na mente. O planejamento é do Espírito que emito a onda mental e em contato com o ectoplasma consegue modelá-lo com os seus elementos semimateriais ou mesmo físicos.[1]

Já dizia Mateus que onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração[2], ao proferir esta afirmação, ele não imaginava a verdade que estava proferindo. Somos aquilo que pensamos, mesmo que mascaremos aquilo que pensemos, plasmamos em nossos derredor aquilo que tentamos ocultar. Da mesma maneira que influenciamos a nós mesmos também influenciamos o ambiente que estamos. Formando uma união simpática e harmónica ou dissociada de fluídos dos presentes.

As criaturas, elaboramos na mente aquilo que somos e o que iremos vivenciar. Desenvolvemos as nossas experiências de acordo com aquilo que nós pensamos traduzido em desejos que são frutos dos nossos hábitos adquiridos em virtude dos automatismos decorrentes das experiências repetidas ao longo das reencarnações. Mudando a matriz: o pensamento criador, mudamos a forma de agir. Parece fácil, mas não é, pois deparamo-nos com um cabedal de experiências já vivenciadas que nos moldam e fazem-nos executar de tal maneira e não de outra. Sendo este o movimento que deveremos fazer, modificar a partir de agora para não mais fazermos.

A mudança realiza-se em primeiro lugar é na área psíquica. Por isso, é tão difícil, mas não impossível. A criatura desvincular-se dos vícios de fumar, beber, comer de mais e tantos outros e não estamos falando aqui das associações de entidades que também se vinculam as criaturas portadores destes vícios. Estamos falando do processo físico e mental que a criatura necessita alterar para deixá-los. Iniciando-se o processo com uma terapêutica de “choque” para equilibra-se fisicamente, a principio a criatura, necessita-se curá-la espiritualmente em sequência, pois se isto não for feito, a criatura, viverá de terapêutica de “choque” em terapêutica de “choque”.

O pensamento bem direcionado, sendo esta uma das buscas da criatura humana, leva-nos a uma grande força criadora com relação a nós mesmos. Somos capazes não só de transportarmos as montanhas da ignorância, mas de sairmos da fase que nos encontramos e ultrapassarmos as barreiras morais inferiores e caminharmos para faixas superiores de elevação moral. Transformarmos o campo das formas que nos circundam através da força criadora que existem em nós. O pensamento bem direciona impulsiona o ectoplasma, no qual estamos mergulhados, fazendo-o movimentar-se como elemento de consecução e construção.

Em virtude não só do que estamos pensando, mas também do que fazemos, pois o fazer também se constitui o ato de pensar em ação, a criatura plasma no perispírito, matéria maleável, aquilo que irá lhe constituir o arcabouço de experiências futuras. Então, não basta pensarmos bem, é necessário, agirmos bem. Para que na ação o pensamento movimente-se de maneira exata moldado e envolvido no que foi emito pelo Espírito pensante.

Dia virá que a criatura humana não mais terá necessidade de comunicar-se através do corpo somático. As conversas serão mente a mente. Dominaremos a força criadora do pensamento e conseguiremos nos expressar tão como somos, sem termos necessidade de subterfúgios e em muitos casos, mascararmos os nossos pensamentos de nós mesmos. A criatura busca em muitas situações fingir que não pensa o que pensa, que não sente o que sente e que não age como age. Acreditando que desta forma, não deverá se reajustar com a Lei Divina.

“Onde está escrita a lei de Deus? ‘Na consciência.’”[3] Todos nós detemos o Gene de Deus em nós. Por mais que pensemos de forma desajuizada este pensamento invariavelmente passa pelo filtro da consciência. Não podemos esquecer desse fato. Deus está em nós porque a Sua Lei está grafada em nossa consciência, por mais que o véu do esquecimento não nos permita compreender no todo, temos a intuição e isto nos permite caminhar para a verdade absoluta direcionando o pensamento para o correto e o justo.

Mais uma vez nos deparamos com a escolha para a criatura humana. Em espiritismo não existi o proibitivo. Em cristianismo não existe o proibitivo. Em ambos não existe o pecado. Existe a responsabilidade perante os seus atos. Por isso, ao pensarmos algo que foge ao que está conforme a Lei, deixamos marcas no perispírito. Antes de fazermos mal ao outro, através do pensamento, estamos fazendo a nós mesmos, não só porque nos imantamos por substâncias deletérias, mais porque nos “grafamos” de tais pensamentos. Momento chegará que a criatura olhará para outra e enxergará não a constituição somática, mas o que está grafado no perispírito. Seremos vistos de forma mais transparente. Isto não ficará adstrito somente aos médiuns videntes, mas a todos que estaremos constituindo um mundo que as barreiras físicas não constituíram empecilho para enxergarmos que somos em integralidade.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – setembro 2021


[1] Livro No Mundo de Regeneração, psicografia de Divaldo P. Franco, autor Manoel P. de Miranda, cap. 13

[2] Mateus, 6:21

[3] Livro dos Espíritos, questão 621