Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com

“O escândalo tem várias causas endógenas e exógenas. As primeiras decorrem do passado espiritual de cada qual, que resultam do desequilíbrio em forma de agressividade e poder investidos contra os demais, dando lugar a situações deploráveis. As exógenas são decorrência da educação doméstica, do meio social em que se desenvolveu e estruturou a personalidade, ou dos vícios que levam à alucinação, como o álcool e as substâncias aditivas.

Vive-se, na Terra, um período de agressividade, de despautério, de morbidez, que não tem como ser silenciado. De tal maneira se repetem os fatos censuráveis que, de alguma forma, alguns deles adquiriram cidadania social, gerando aceitação com certa naturalidade. Na linguagem, as palavras chulas tornaram-se comuns e expressam vulgaridade que se permitem as pessoas que se deveriam comportar corretamente.[1]

Joanna de Ângelis apresenta-nos um verdadeiro tratado explicativo sobre o que, nos dias atuais, vem se tornando escândalo. O Evangelho Segundo o Espiritismo[2] nos fala sobre o assunto, mostrando-nos que o escândalo representa o mal moral da criatura humana, independente de chegar ao conhecimento dos outros, é um processo intrínseco da nossa consciência.

De que vale ao homem o conhecimento da vida futura se dentre as possibilidades de aprendizado e evolução o ser humano escolhe ser escolho moral do semelhante? Não necessitamos ser maus para contribuir no processo evolutivo do outro, a maldade traduz-se nos atos ofensivos que utilizamos contra o outro. Nisso a Lei de Afinidade se estabelece e o outro, necessitando ultrapassar as barreiras da ignorância moral, aproveita desta oportunidade para executar na prática a teoria adquirida.

Isto não significa que o ser humano não teria outras formas de aprender, mas constituindo-se o Planeta Terra na condição atual de provas e expiações, necessitamos ainda deste processo doloroso de aprendizado. Aprendemos na prática o que a teoria espírita nos ensina. Ensina-nos a perdoar aqueles que nos fazem mal, a amar mesmo os inimigos, a ter paciência, tolerância e perseverança no bem. Ensina-nos enfim, a sermos um homem de bem[3].

Estar encarnado constitui-se na oportunidade de mudarmos a condição anterior. Mas alguns preferem atuar de forma destrutiva para o outro e consigo mesmos. Fazendo o mal como forma de fazer prevalecer o que ainda a criatura anela no seu interior. Produzir abalos e destruições nos que circundam no desejo ardente que todos vivenciem a própria turbulência moral que a criatura vivencia interiormente.

Neste processo, mesmo aqueles que se colocam como paladinos da verdade e da justiça sofrem pelo mal moral que produzem em virtude das substâncias deletérias emanadas desde do momento que a criatura elabora o mal que irá produzir a té a concretização do fato. Mesmo que não tenha sucesso no intento, mas a criatura em si já vibra e respira o mal moral desejado ao semelhante.

Todos estamos num processo de reajuste com a Lei Divina. Nenhum dos filhos do Pai fugirá ao encontro com a Lei. Mesmo que as torpezas das paixões toldem a visão espiritual da criatura, não tardará o momento do encontro consciencial da criatura com ela mesma tendo a Lei como nivelador do justo ou injusto a fazer, para que a criatura alce o mais alto, necessita ultrapassar os vícios morais existentes na própria criatura.

Não estamos fadados a viver o mal eternamente. De eterno temos Deus a nos reger a vida e permitir que evoluamos de acordo com o nosso entendimento moral dos fatos e das situações vivenciadas. Ultrapassando o pórtico plasmado nesta e em outras encarnações, vivenciaremos o processo de transladar de uma para outra faixa moral em detrimento das boas escolhas que fazemos e da resignação dos atos ou omissões do outro perante a nossa encarnação.

A criatura não alça o mais alto patamar da evolução sem ultrapassar a si mesmo e crescendo em virtude da experiência do amor em nossas vidas e na vida do próximo, viveremos de forma a compreender a Lei em toda a sua integralidade. Não nos bastará mais o processo ruidoso que vivenciamos agora, necessitaremos viver a Paz que o Mestre Jesus nos ofertou e que por necessidade evolutiva ainda não alcançamos. Não tardará nos encontraremos todos compreendendo que para evoluirmos não necessitamos fazer mal ao outro e consequentemente a nós mesmo.

Ao trazer-nos afirmações como esta: “… valores morais cedem lugar aos subornos quase legais, e as grandes responsabilidades ficam à margem para se transformarem em infrações em alucinados conciliábulos de desonestidade, furto, dissimulações….”[4] Joanna de Ângelis mostra-nos o quanto temos necessidade de nos esforçarmos. Se vos dizeis espíritas, cede-o[5], já nos fala o Evangelho. Não nos esqueçamos dos ensinamentos do Mestre e dos Espíritos. Não nos permitamos ser esse algoz do semelhante, sejamos nós a mão que se estende ao sofrimento alheio.

E se estivermos vivendo o processo de perseguição na carne por seres encarnados ou desencarnados, rejubilamo-nos por termos a certeza que estamos mais próximos da chegada do que da partida no processo de aperfeiçoamento moral. Nada acontece por acaso, que tenhamos em mente a figura excelsa de Jesus, mesmo sabendo que seria traído no Jardim das Oliveiras, não recuo no seu propósito de exemplo moral para todos nós.

JORNAL O CLARIM – OUTUBRO 2021


[1] Livro Vidas Vazias, capítulo 7 – Escândalos, psicografia de Divaldo Franco, autoria espiritual de Joanna de Ângelis.

[2] Capítulo VIII, itens 11 a 17

[3] Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo XVII, itens 01 a 03

[4] Livro Vidas Vazias, capítulo 7 – Escândalos, psicografia de Divaldo Franco, autoria espiritual de Joanna de Ângelis.

[5] Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo X, item 14