A força de uma oração

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Octávio Caúmo Serrano – caumo@caumo.com

A prece sempre estabelece uma ligação do homem com o mundo espiritual e jamais deixa de ser atendida, ou aproveitada, quando é dita de coração puro, sem interesse de favorecimentos; particularmente os imerecidos. Quando nos foi ensinado que se pedíssemos obteríamos, está implícito que depende do que pedimos. Há quem peça números que o favoreçam numa loteria e nunca é atendido.

Algo que parece tão simples e que fazemos de hábito mecanicamente, é mais profundo do que imaginamos porque não podemos mudar leis simplesmente recitando palavras que muitas vezes nem sentimos. Quantos rezam terços caminhando na praia ou durante o cooper, cumprimentando quem passa, sem perceber que sua prece está sendo dita automatizada sem que as expressões venham da alma. De nada valem todos os “Pais Nossos” ou as “Ave Marias” porque não nasceram da mente e do coração ao mesmo tempo. Uma lição decorada sem sentido. Há quem confunda oração ou frequência aos templos com fé. Sem que se estabeleça uma íntima ligação entre a criatura e o criador, mesmo por seus prepostos, essa prece não sai do chão nem chega a lugar algum.

É preciso, também, que ao rezar não procuremos derrogar as Leis de Deus e, portanto, aprender a orar é importante. Diante do infortúnio de alguém que goza de nossa estima, oramos pedindo que seja poupado do sofrimento, quando ignoramos a importância eventual que aquele desconforto tem para quem passa pela provação. Quando alguém está enfermo, mesmo que sinta dores lancinantes, nunca roguemos para que Deus o leve porque não somos donos da vida do outro e não sabemos se para ele é melhor morrer ou curar-se. Entreguemos o destino dele ao Criador, Ele sim o dono da vida de todos nós. Difícil? Muito. Nunca dissemos que tais momentos são fáceis.

Para exemplificar, lembremos de Eurípedes Barsanulfo, o apóstolo de Sacramento-MG, que contraiu a gripe espanhola em 1918 durante o tratamento da população infectada, porque era farmacêutico. Sua mãe e outras pessoas oravam ao lado de seu leito, onde ardia em febre, quando ele disse: – Graças, Senhor, estou salvo. Imediatamente as pessoas se afastaram do leito para comemorar e, logo depois, ao voltar, o desenlace tinha se consumado. Enquanto uma corrente de orações o prendia a este mundo, a equipe encarregada de desatar os laços que ligavam o espírito ao corpo físico não conseguia realizar o desligamento. Com a notícia da cura, eles se afrouxaram e a espiritualidade pode completar o trabalho.

Este tipo de comportamento é fácil de ser compreendido pelos espíritas que sabem da continuidade da vida e que novas encarnações nos serão oferecidas para a aquisição de mais experiências e conhecimentos. Para os cristãos de outras doutrinas tal comportamento é mais raro, porque veem na morte uma perda irremediável, sem qualquer oportunidade de reencontro ou aprimoramento para aquela alma que agora retorna ao mundo real. Mas todos, uns mais outros menos, se não acreditam nessa continuidade têm dúvidas se não é assim que funciona. Esta vida que levamos na matéria é muito pequena se comparada ao que a inteligência de Deus pode nos oferecer. Vamos pela rua e um louco dispara uma arma e nós, que não éramos o seu alvo, somos atingidos e “morremos”. Nessa altura o máximo que esperamos de Deus é que nos diga: “Desculpe, falha minha!  Eu estava distraído.” Não, meus amigos, seria uma vida frágil demais para ser tudo o que a inteligência suprema teria para nos oferecer. Afinal, a minha única culpa era estar passando pelo local naquela hora! Não; recuso-me a admitir que tudo seja tão simplista. Até aceito que o episódio fizesse parte de um plano de resgate. Mas que eu desaparecesse para sempre, não consigo aceitar.

Resumindo, a oração mais sábia é aquela que roga a Deus para que nos dê discernimento, sabedoria, aceitação e força para suportar a dificuldade. Em vez de uma cruz leve, devemos pedir ombros fortes.

Jornal O Clarim julho 2019

 

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Já é novo tempo

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Octavio Caumo Serrano

De que tempo estamos falando?

Quando eu tinha dezessete anos, lá por 1951, trabalhava na Rua Barão de Itapetininga, no centro de São Paulo. Nos sábados o expediente ia até 13 horas, quando me encontrava com um amigo e duas meninas conhecidas para lanchar e bater papo; até umas quatro da tarde. Atravessava o Viaduto do Chá, Praça do Patriarca e seguia pela rua Direita porque ia para a Praça João Mendes pegar o ônibus para o Jabaquara, porque às sete e meia eu entrava do Colégio Roosevelt da Rua São Joaquim, no bairro da Liberdade. Curso científico.

Na rua Direita, antes da Praça da Sé, no largo da Misericórdia, havia sempre um pregador que ali estava elegantemente vestido, de paletó e gravata, de Bíblia na mão dizendo que os tempos eram chegados. Muitos que passavam faziam pouco caso do homem e lhe dirigiam gracejos, o que me constrangia, embora eu, nos minutos que parava para ouvi-lo, nada entendia do que ele falava. “Meus irmãos, os tempos são chegados!” E eu me perguntava que tempos seriam aqueles. Matriculado no catolicismo por tradição brasileira, nunca havia tido contato com uma bíblia e, portanto, nada entendia.

Vinte anos depois, pelo simples desejo de encontrar explicações para perguntas que minha religião não respondia, descobri, ocasionalmente, o Espiritismo, doutrina que abracei porque, de pronto, a sua lógica me fascinou e eu podia entender, a partir de então, as desigualdades entre os humanos, todos filhos do mesmo Pai. Fui informado que cada um de nós vivia as consequências de encarnações anteriores quando, na maioria das vezes, não tivemos bom comportamento. As dores já não representavam castigo, mas oportunidade para que, repetindo-as, pudéssemos agir de maneira mais acertada. Afinal, aprendi, somos seres espirituais e o corpo carnal é circunstancial e provisório. Foi descerrado o véu da minha ignorância e tudo passou a fazer sentido.

Comecei a entender que os tempos já chegaram e que estão com pressa. Os bons não podem mais ficar à mercê da maldade. E como o Apocalipse está fervilhando, a seleção está sendo feita em regime de urgência. Por isso os desencarnes já não são de um em um, mas resultam de grandes e sucessivas tragédias coletivas, umas por acomodação da natureza que está se ajustando à topografia da nova Terra que se prepara para abrigar humanidade maior que a atual, outras pela invigilância dos homens que as provocam por suas ganâncias. Mesmo os desencarnes individuais estão atingindo as pessoas mais intensa e prematuramente. A vida está banalizada e mata-se para roubar ou por não aceitar a perda da posse do outro. A mulher, especialmente, que não queira mais conviver com o companheiro arrisca-se a morrer.

Segundo aprendi também com esta doutrina, os que estão desencarnando e não reúnem condições para renascer na Terra de Regeneração, estão sendo exilados em espírito para mundos mais atrasados onde poderão usar seu intelecto para ali minorar as desgraças, crescendo, assim, em moral e bondade. Só ficarão na Terra, mesmo os desencarnados que estagiarão na sua esfera espiritual, os que já reúnem um mínimo de condições para ficar distante dos vícios, das falcatruas, da insensibilidade porque no novo período do nosso planeta o que identificará seus habitantes será a solidariedade em forma de amor entre as pessoas. Serão os cristãos da Nova Era.

Todas as oportunidades já nos foram dadas e chegaram mesmo a ser prorrogadas, sem que a maioria se desse conta ou agradecesse. Agora, salve-se quem puder. Tratemos de preparar, com prioridade, a nossa vida futura, porque nesta, a maioria de nós faliu. Mas que ninguém perca a tranquilidade porque somos todos filhos de Deus. E, no final, como garantiu Jesus, “nenhuma ovelha do rebanho se perderá”. Estamos todos condenados à angelitude. Demore mais ou demore menos!

Jornal O Clarim – junho 2019

Um tempo chamado saudade

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Octávio Caumo Serrano caumo@caumo.com

A física moderna procura explicar-nos que o tempo é uma ilusão.

Passado e futuro não passariam de locais do mesmo espaço, conforme a posição em que nos colocamos. Provavelmente, está aí a explicação para o apocalipse e seus mistérios. Como e para que João foi trazido ao futuro para ver o caos em que se encontrava a humanidade e depois voltar para alertar os seus a fim de que não cometessem os mesmos erros para não ter sofrimento semelhante, quando chegasse a hora de eles viverem nesse mesmo “futuro”. Explicava, portanto, que vamos realizando hoje e construindo, por consequência, novos acontecimentos. Aplicação instantânea da lei de ação e reação. Não fora isso, não pudesse João mudar o “futuro”, por que o Cristo haveria de entristecê-lo mostrando o caos a que chegaram seus conviventes?

Como explicar o dia do juízo final quando nossa história nos é revelada, causando alegria ou infelicidade pelos nossos atos do “passado”? Foi o que descobriu o pesquisador Raymond Moody relatado no seu livro “Vida depois da Vida”, do original “Life after life”. Fê-lo por meio de pesquisa com letárgicos, por traumas ou comas em hospitais, quando relataram o túnel escuro, a chegada a um local luminoso e o filme de suas vidas que era ali exibido, deixando-os tristes ou alegres, conforme o comportamento que tiveram durante a sua existência. Onde estavam guardadas essas imagens? Seria na consciência de cada um, como diz o Livro dos Espíritos na questão 621 sobre a Lei de Deus?

Aceitando que os diferentes tempos não passam de ilusão, conforme as ciências atuais, só há um tempo real: O AGORA, porque daqui a um átimo já não é mais AGORA. E não podemos viver nem antes nem depois do AGORA. A nossa vida é feita de acontecimentos que nos dão alegrias ou decepções. Costumamos ter lembranças deles, ficando felizes com os que nos deram prazer e lamentando os dias de infortúnio. Vem a saudade acompanhada de contentamento ou trauma. Segundo o dicionário, “saudade é essa lembrança melancólica e, ao mesmo tempo, suave, de pessoa(s) ou coisa(s) distante(s) ou extinta(s)”. Relembrar um triste acontecimento é sofrer novamente. Recordar um fato feliz traz-nos a tristeza de não poder vivê-lo de novo.

É por isso que não gosto de ter saudade. Nunca. Os bons momentos procurei desfrutá-los da forma mais intensa que pude. Extrai deles todo o êxtase que podiam me oferecer. Passado o evento, já não posso tê-los. Os maus incorporei naturalmente ao meu saber, transformando-os em experiências para não revivê-los com lembranças do momento desagradável, de situações, coisas ou pessoas.

No que diz respeito aos assuntos de natureza espirituais, cresci com o bem que eventualmente fiz, numa compensação automática das leis divinas, e registrei enganos a serem reparados, segundo a mesma justiça. Já nos valores materiais, procurei fugir da avareza, da ganância, da carência irrefletida, aproveitando experiências dos que afirmavam que “rico não é quem tem muito, mas quem precisa de pouco”. Como o grego, Diógenes, que vivia de camisolão pelas ruas de Atenas dentro de um barril e que jogou fora uma caneca quando viu um menino fazer com as mãos uma concha para beber água num riacho. “Quanta coisa supérflua ainda carrego comigo”, disse o filósofo.

Na vida recebi muitos elogios. Analisava-os para ver se expressavam meus reais méritos ou se buscavam agradar-me com segundas intenções. Filtrei-os, cuidadosamente, aproveitei, ou não, e segui. Recebi também ofensas, ingratidões e o que considerei injustiças. Desculpei todos os meus ofensores porque tais atos vêm de pessoas enfermas da mente ou do corpo. Perdoar sempre faz bem e evita que se acumule detritos na alma. Faço-o, graças a Deus, com certa facilidade. Aprendi com Gandhi que ninguém nos ofende se nós mesmos não nos ofendermos.
Para concluir, cito uma sextilha que diz: “Esta palavra saudade, conheço desde criança. Saudade de amor ausente não é saudade é lembrança. Saudade só é saudade quando morre a esperança!” – Pinto de Monteiro-PB.

Xô, saudade.

Jornal O Clarim – Maio 2019

 

 

Há Centros que dão o peixe

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Octavio Caumo Serrano

…outros que ensinam a pescar

Após entregar ao público a primeira edição de O Livro dos Espíritos, aquela com 501 questões lançada em 18 de abril de 1857, que seria substituída pela atual com 1019, em 18 de março de 1860, Allan Kardec, em primeiro de abril de 1858, fundou a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas.

Foi o primeiro Centro Espírita organizado para divulgação e estudo da Doutrina dos Espíritos, sediado numa sala para aproximadamente vinte pessoas, mas que já enfatizava a importância de estudar o Espiritismo, sintonizando com os apelos de Jesus quando afirmou que conheceríamos a verdade e ela nos faria livres. Sem o estudo não sabemos quem somos, de onde viemos ou para onde vamos nem qual a utilidade deste tempo vivido na Terra pela misericórdia de mais uma encarnação.

Embora os centros possam dar o peixe, expressão que simboliza a aplicação de passes, a sopa, o enxoval para a gestante carente ou outras oferendas materiais, a principal finalidade do Espiritismo é cuidar das almas. Daí a importância de ensinar a pescar para que cada um conquiste, por si mesmo, o alimento para a eternidade. Vemos sempre multidões reunidas nos eventos espíritas, nas conferências de confrades ilustres, com representações artísticas de teatro, de música, e de poesia, mas vejo também salas esvaziadas nos centros quando há reuniões de estudo. Desinteresse, inconstância e quase ou nenhuma participação com interação no estudo.

O mentor do nosso Chico, o experiente e sofrido Emmanuel, já informou que a principal tarefa do homem no Planeta é cuidar do seu próprio aprimoramento. Equivocadamente ele se desgasta tentando consertar os que lhe são caros, censurando os que comandam seus países, sabendo sempre como seria melhor para eles, mas descuidam de si mesmos.

O encontro do sofredor com o Centro Espírita segue a ordem necessária. Como já disse Madre Tereza sobre ensinar a pescar que “muitos nem têm força para segurar a vara”. Por isso, a primeira assistência é a orientação espiritual seguida do tratamento com passes e palestras. Depois, quando o irmão estiver meio reerguido, já pode completar seu tratamento com a participação em alguma tarefa na casa que o acolheu.  Vai fazer o que sua habilidade lhe permite, desde trabalhos materiais até tarefas de natureza espiritual. Trabalhos manuais, sopas, manutenção e limpeza, etc., ou trabalho mediúnico, palestrante, orientador ou assemelhados. O importante é transformar-se de necessitado em servidor, porque é nesta fase que a cura começa a se processar. Dando mais que recebendo. Mas para isso precisa da sua estrutura espiritual sedimentada. Estar firme. E nenhum trabalho é mais importante que o outro. O presidente e o faxineiro não valem pelo cargo que ocupam, mas pelo amor como executam a tarefa.

Para sintetizar o raciocínio, diríamos que tudo é importante: dar o peixe e ensinar a pescar, cada etapa no tempo certo para que uma não atropele a outra nem interfira de forma negativa pelo trabalho apressado sem capacidade e convicção. Enquanto o trabalhador não estiver disposto a fazer do trabalho espírita uma de suas prioridades, senão a maior, preferível não assumir compromissos. Vai criar problemas para os demais em vez de auxiliá-los.

Nossa doutrina deve ser estudada sempre. A grande recomendação vem do próprio Kardec na introdução de O Livro dos Espíritos. Diz ele que “anos são precisos para formar-se um médico, etc. Como pretender em algumas horas conhecer a ciência do infinito.”

Espíritas amai-vos; espíritas instrui-vos. ESE Cap VI item 5. Parte de uma das mensagens do Espírito de Verdade que, segundo muitos defendem, é o próprio Jesus falando aos homens.

Jornal O clarim – abril 2019

Longe de ser irmandade

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Octavio Caumo Serrano   caumo@caumo.com

Apesar do hábito, as palavras não exprimem o verdadeiro sentimento.

É comum que os conviventes de uma doutrina, especialmente as cristãs, se tratem usando a palavra irmão. Seria bom se a expressão verbal carregasse junto o verdadeiro sentimento fraternal, porque foi exatamente o que ensinou Jesus: “Meus discípulos serão reconhecidos por muito se amarem.” (Jo, 13:35).

Na prática não é o que vemos. Muitos abraços, beijos automatizados, mas nenhum sentimento que demonstre interesse pelos problemas do outro. Ausências que nem são notadas, doentes que nunca são visitados ou ajudados, quando os problemas não são ignorados de todo e por todos. A maioria de nós nem sabe o nome completo do parceiro de doutrina. Menos ainda sobre seu trabalho ou dificuldades que os visitam. Dia do aniversário, nem pensar. Os mais cuidadosos e que já aprenderam alguma coisa se dão ao trabalho de um telefonema ou, aproveitando a modernidade, mandam um Zap. Por isso no nosso Centro temos cadastrado o dia de nascimentos de cada trabalhador para cumprimenta-lo pela importante data de retorno ao planeta. O dia de mais uma oportunidade de renascimento para libertar-se de erros do passado. Já houve quem houvesse recebido nesse importante dia somente o cumprimento no Centro. Nem filhos doutores, que estudaram com o sacrifício da viúva, lembraram da mãe!

Quando aprendemos com o Espiritismo sobre a parentela, fomos informados que parentes são muitas vezes uniões compulsórias para reajustamentos que ficaram pendentes. A consanguinidade, pela inferioridade dos humanos do nosso estágio, tem um peso expressivo e faz com que nos dediquemos um tratamento especial, o que nem sempre oferecemos aos que não são de casa. Mas a finalidade da família carnal é exatamente essa; transformar os envolvidos na família espiritual.

Isto não significa que os demais, que convivem conosco em diferentes circunstâncias, não estabeleçam vínculos que poderão gerar novos parentes em outra vida. A babá, a secretária do lar, o companheiro de trabalho, os parentes não sanguíneos (sogro, sogra, genro, nora) poderão conviver conosco até mais do que pais e filhos. Isto vale, e muito, para os parceiros das tarefas sociais, religiosas, beneficentes e similares, com os quais podemos realizar expressivas tarefas em favor da nossa sociedade. A empregada doméstica que cuida de nossos pais ou filhos, além de nós mesmos, estabelece laços conosco muitas vezes maiores do que a parentela carnal. No futuro podemos nascer no mesmo núcleo familiar.

É certo que num mundo colonizado por espíritos inferiores como o nosso, as tribulações próprias são já bastante expressivas. Mas os de coração grande sempre terão um espaço para o parente de alma, além do tratamento fraterno ao parente de sangue. É comum que o socorro chegue até nós mais pelo amigo do que pelo parente.

Tratemos de ter sempre gestos de delicadeza com nossos parceiros de jornada. Os cumprimentos e as saudações cabem em qualquer lugar. Se sabemos que alguém adoeceu, nunca esqueçamos de saber se melhorou, se necessita de algo que possamos oferecer. Se possível, uma visita fraterna ajuda muito. Vamos tentar ser na prática o que já conhecemos tanto por teoria. No centro, então, vale o conhecido reforço: “- Espíritas, uni-vos; espíritas, instrui-vos.

Jornal O Clarim – março 2019

Cada um no seu tempo

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Octavio Caumo Serrano     caumo@caumo.com

Encarnação é oportunidade para crescimento espiritual. Não é castigo ou resgate sem utilidade.

Meus telefones particulares são também para contato com o nosso Centro Kardecista Os Essênios, de João Pessoa. Como tal, recebo muitos chamados de pessoas que querem visitar a casa, porque viram os dados pela internet, no nosso blog ou em outros sites de divulgação. O interessante nesses contatos são as perguntas. As mais diferentes.

Como estamos em cidade muito visitada por turistas, há também os que estão a passeio e não querem perder o hábito da ida semanal à casa espírita, onde se encantam com as palestras. São os que começam a despertar para o valor do estudo e do conhecimento da verdade como libertação.

Há também os que são noviços ou que nada conhecem do Espiritismo e desejam saber se há passes, palestras e se podem se consultar diretamente com os espíritos. Muitos se desencantam quando dizemos que as orientações são dadas por encarnados, experientes e com maturidade social e espiritual. Nem dizemos que, na realidade, o importante é vir ao centro e assistir às explanações do Evangelho para poder, o próprio interessado, cuidar da sua modificação. Ainda somos os que desejam transferir para os outros a solução dos nossos problemas.

Nos livros de André Luiz, recebidos por Chico Xavier, há orientações nesse sentido. Ao perguntar se os espíritos respondem à nossa pergunta, a resposta é “sim”. Desde que haja realmente a prática mediúnica verdadeira e não mistificação de falso médium. O que para o leigo é difícil identificar. E quando indagado que tipo de espírito nos atende, a resposta é que isso depende do tipo de pergunta.

Os espíritos atrasados se comprazem em ser consultados, pois se sentem importantes. Afinal, de espíritos ignorantes foram promovidos por nós a orientadores. E se nossas perguntas são medíocres, atreladas aos problemas do mundo, que apenas competem a nós, eles responderão conforme nos agrada ouvir. Se perguntarmos quem fomos noutra encarnação, jamais dirão que fomos marginas, operários ou deficiente mental. Sempre dirão que éramos nobres, ricos, importantes, porque nosso ego precisa dessas informações. Se assim não for o espírito não merece o nosso crédito e respeito.

A espiritualidade superior trabalha em função do coletivo e não do individual. A menos que essa pessoa esteja em preparação para alguma tarefa relevante, como se deu com Allan Kardec que recebia o Espírito de Verdade sem precisar chamá-lo. A sua missão modificaria a sociedade. Se ainda não foi devidamente compreendida pela maioria é porque os homens demoram para perceber as claras verdades de Deus.

Quando recebemos informações dos espíritos e cremos cegamente, corremos o risco de ser enganados, porque espírito não mostra documento de identificação. Se já temos maturidade poderemos julgar pelo teor da conversa se estamos diante de alguém de bem ou de um brincalhão que zomba da nossa inocência e boa-fé. Por isso alertamos que quando alguém lê uma mensagem impressa não se apresse em conferir o autor. O que vale é o conteúdo; o que ela ensina ou adverte. A assinatura é irrelevante. Essa mesma advertência podemos ler em O Livro dos Médiuns quando João recomendou que não acreditássemos em todos os espíritos; antes, verificássemos se são de Deus.

Jornal O Clarim – Fevereiro de 2019

Ei, todos vocês

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Octavio Caumo Serrano

Hoje eu estou muito feliz. Se algum amigo ou curioso quiser saber por que, informo: Porque acordei!

Fiquei pensando quantos não acordaram como eu, nesta manhã. Escreveram antes do amanhecer a última página do seu livro desta encarnação. Se faltou o epílogo da história deles ou algum fato importante ficou pendente, vão ter de esperar a próxima chamada. Eu ainda tenho o hoje para escrever e espero que seja um relato bonito do qual eu possa me orgulhar! No bom sentido, claro!

Vocês não concordam que eu tenho grandes motivos para estar feliz? Espero que todos os que lerem este relato pensem da mesma forma. Por mais cruel que seja a vida, é uma escola insubstituível e que ninguém pode frequentar por nós. E quanto mais aprendermos neste curso básico menos restará para conhecer nas próximas etapas. Não podemos sair do mundo levando só o que trouxemos. Quanto mais degraus subirmos na escada da existência, menos escalões faltarão nas etapas em que, quem sabe, as oportunidades serão mais difíceis.

Graças, meu Pai, por confiar em mim sabendo que EU posso, algo que muitas vezes nem eu mesmo acredito.  Se sou seu filho, quero fazer jus à sua confiança. Amém!

Após completar oitenta e quatro anos, cabeça cansada e o fardo das preocupações e compromissos ficando a cada dia mais pesados, sinto-me titubear em certas horas e pergunto se não é tempo de desaquecer, já que a saúde às vezes reclama. Mas quando penso em desistir ou diminuir o ritmo, imediatamente restauro meus pensamentos e agradeço por ter chegado até aqui nas condições em que cheguei.

Se tenho um dos olhos com alguma limitação de visão, se porto um derrame pericárdico aliado à implantação de uma válvula aórtica artificial, se precisei que o doutor alargasse dois forames da coluna lombar para que o feixe nervoso não fosse comprimido, o que provocava dores nas pernas, quase me impedindo de caminhar, tenho, em contrapartida, uma cabeça relativamente lúcida que me permite comandar o nosso Centro Kardecista “Os Essênios”, fazer pequenas palestras, escrever alguns artigos para os veículos que confiam em mim e me dão esta valiosa oportunidade, e faço poemas que levam mensagens de evangelização e otimismo. Me dá pena parar, porque a sede da alma está ainda respondendo bem nesta encarnação e espero sair daqui mais lúcido do que cheguei. É esta a recomendação do Espiritismo: que sejamos hoje melhor do que ontem e amanhã melhor do que hoje.

Além dos compromissos com o Centro, cuidar de atas, pagar impostos, elaborar escalas de trabalhadores e dar os temas das palestras, ainda cuido da minha vida pessoal, gerindo a empresa que me dá sobrevivência. Abençoados sejam o celular e o computador por me permitirem tudo fazer do meu próprio lar, sem a necessidade de deslocamentos como fazíamos até pouco tempo.

Rogo a Jesus, aos Essênios e demais protetores que participam das atividades nas quais estou envolvido, para que eu possa atuar ainda por um tempo e que eu tombe no campo de batalha e não escravizado a um leito dependendo dos mais básicos cuidados. Embora não me seja dado decidir, é um rogo que faço aos céus, se algum mérito consegui acumular para ter um mínimo de privilégios.

E a todos os que ainda confiam em mim, editores, leitores e ouvintes, meu melhor agradecimento. Feliz 2019.

Jornal O Clarim – janeiro de 2019

 

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