Convicção e preconceito

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Octávio Caumo Serrano  caumo@caumo.com
Por que nossa opinião deve ser a única certa?!

Quando temos uma preferência política, tentamos convencer todas as pessoas a votar no nosso candidato. Nós o definimos como o mais, e talvez o único, honesto do país. Quando torcemos por um clube esportivo, de qualquer modalidade, não admitimos vê-lo derrotado. Tem de ser sempre o vencedor para que fiquemos felizes e não nos interessa a frustração dos demais. Quem mandou não gostar do mesmo clube que nós? Esquecemos que sem adversário não há competição. Todo jogo é uma disputa com vitorioso e derrotado. Mesmo nos esportes onde vale empatar o resultado é melhor para um que para o outro.

Quando temos nossa crença, parece que somos o mais lúcido dos mortais. Ao falar de alguém da maior religião do Brasil, dizemos que a pessoa é muito católica. O que define esse “muito”. Vai sempre na igreja, confessa, comunga e faz promessas? Daí ser muito católica, ou é porque já perdoa, faz caridade e é resignado diante das dores e insucessos? O que a define como “muito católica”? Ninguém diz que alguém é muito evangélico ou muito espírita!

Se temos o direito de buscar Deus pela estrada das nossas convicções, permitamos que os outros façam o mesmo. O Espiritismo, por exemplo, diz que fora da caridade não há salvação. Independente de seita, se a pessoa pratica a caridade está indo pelo caminho que leva ao Céu. Não é a igreja que salva; é a conduta diante do próximo e de si mesmo. Jesus advertiu seus discípulos certa vez, dizendo: “Em verdade vos digo: Os publicanos e as prostitutas vos precederão no Reino de Deus. Pois João veio a vós, num caminho de justiça e não crestes nele”. (Mt 21, 31-32). Antes de querer trazer o outro que está ajustado na doutrina dele para a sua religião, afim de salvá-lo, “salve” primeiro você mesmo e a sua conduta servirá de inspiração para que ele também se “salve”, se for o caso, mesmo continuando na igreja dele. Não é o que se diz e sim o exemplo que inspira o outro a mudar de comportamento.

Não devemos esquecer que tudo tem os dois lados e muitas vezes os dois lados estão em nós formando um conflito. Queremos ser de uma maneira e vivemos de outra. Quantas mudanças já se operaram em nós ao longo da vida?! Ninguém é hoje o mesmo que era há alguns anos. O filho é grosseiro com os pais até que experimente a paternidade. Nesse momento entenderá como dói ter um filho ingrato e agressivo. Muitos políticos acreditam que podem consertar seu país, até o dia que têm a oportunidade e fazem tolices maiores do que aqueles que criticavam. Isso se chama crescimento de sabedoria, de moral, possivelmente, o que dá a necessária experiência que buscamos com esta nova encarnação.

Estamos nos aproximando do final de mais um ano, turbulento como todos os outros, e é momento apropriado para meditação e análise do que fizemos no ano que agora finda. Como o começamos e como o terminamos; em que avançamos, social e moralmente; que objetivos entre os listados no início do ano foram realizados. E que propostas temos para o período que vai iniciar brevemente.

Entre as análises que propomos, inclua as de caráter religioso, prestando mais atenção à sua atuação no seu núcleo, onde busca as lições de Jesus para incorporá-las ao seu dia a dia. Fez este ano pela sua instituição um pouco mais que no ano passado? Tem proposta para fazer mais no ano que começa? Ou vai-se manter morno, como é hábito, entrando e saindo da sua comunidade sem prestar atenção às necessidades do núcleo e que colaboração você pode oferecer, em trabalho ou outros tipos de doação. Temos novo presidente, mas o Brasil é o mesmo. É tempo de lembrar a velha frase do presidente Kenedy:- Não pergunte o que seu país pode fazer por você, mas o que você pode fazer pelo seu país.” A hora é agora.

Bom natal e Feliz Ano Novo. Boa sorte, Presidente.

Jornal O Clarim – dezembro 2018

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Que faz por nós nosso Centro?

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Octávio Caumo Serrano

Bom tema para os finados: Cuidar do corpo e do Espírito

Neste sentido, no item 11 do Capítulo XVII de O Evangelho Segundo o Espiritismo, há uma mensagem de Georges, que se identifica como Espírito Protetor, ditada em Paris no ano de 1863.

Já aprendemos que o corpo é o templo do Espírito e, portanto, é preciso cuidar dele com zelo para que não adoeça ou desgaste prematuramente em virtude dos excessos do mundo material. Como trabalho além da conta, alimentação em desacordo com as necessidades da organização carnal, noites de insônia, divertimentos impróprios em prejuízo da serenidade e do repouso, irritabilidade diante dos percalços do mundo, etc. Considerando-se que esta parte seja por nós corretamente atendida, resta-nos zelar também pelo que dura para sempre e que está no mundo em aprendizado: O Espírito que somos e que um dia não mais precisará viver na matéria porque estará sublimado.

Que fazer para diminuir a nossa densidade como humano e crescer como alma eterna? Basta a correta aplicação do Evangelho de Jesus, que agora é explicado pelo Espiritismo. Caridade, caridade, caridade. Em favor dos outros e que redunda em benefício de nós mesmos, porque quando damos é que recebemos; quando amamos é que somos amados; por nós mesmos, um amor sem sofismas. Por Deus já somos amados desde que Ele nos criou já que fomos produto de sua Lei que se fundamenta no amor incondicional e irrestrito. Empenhamo-nos em receber o amor do mundo e nem percebemos que é o que menos nos acrescenta. Vale mesmo o que damos, não o que recebemos.

Quando vamos ao Centro Espírita, buscamos a informação, não a salvação. Vamos aprender como nos comportar diante da vida, ouvir minúcias da Boa Nova para lidar melhor com nossas tarefas do mundo. Isso aconteça normalmente uma vez por semana e deveria aproveitar mais. Os Espíritos nos ajudam, acalmam, operam, medicam, mas sem interferir no livre arbítrio. Respeitam as Leis conforme preceituadas por Jesus: “Faz que o Céu te ajuda.” Se não quisermos eles se afastam. Como o médico que não pode curar o paciente que se nega a tomar a medicação e seguir os regimes adequados.

Se estamos no Centro por um tempo pequeno e nos concentramos nas redes sociais, nas conversas do mundo, nos namoricos, os Espíritos vão atender quem está realmente interessado em ser ajudado e esclarecido. No momento em que entramos no Centro, já estamos em tratamento, mesmo que a reunião dos encarnados ainda não tenha iniciado. Os Espíritos não usam relógio e quando encontram quem esteja em condições de receber ajuda, iniciam o atendimento. Às vezes eles precisam sair para locais onde há mais necessidade. Há ocasiões em que vão faxinar espiritualmente a nossa casa enquanto pensamos que o atendimento se restringe ao Centro. Haja ou não outras pessoas no nosso lar. Sempre que acumularmos méritos para merecer tais ajudas.

Ao chegar no Centro, leia uma mensagem, uma revista, um livro ou fique em meditação e prece porque o atendimento é permanente. Não converse, não se distraia, não durma nem fique observando as pessoas, seus cabelos, duas roupas ou enfeites. Pelo menos nesses breves instantes cuide de você. É um momento todo seu, raro e especial, e não deve ser desperdiçado alimentando obsessores como o celular ou preocupações sem sentido. Ajude-se para ser ajudado. Senão depois irá falar mal do Centro.

Jornal O Clarim – novembro de 2018

Espírito e matéria

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Octavio Caumo Serrano   dia a dia outubro

Das mais difíceis abordagens numa explanação do Evangelho é falar sobre a vida humana e a espiritual. Se não tivermos cuidado, parecerá que queremos nos santificar pelo desprezo às coisas da Terra, de uso provisório, já que ser rico, ter casa grande e carro moderno seriam pecados.

Se acreditamos em Jesus, temos de aproveitar seus alertas para que não sintamos traumas ao mudar de plano. Quando Ele disse que não deveríamos acumular tesouros na Terra, mas no Céu, porque estes o ladrão não rouba, a traça não consegue comer e a ferrugem não pode destruir, deixou claro que somente somos donos do que é nosso de maneira inalienável. Tudo que não nos pode ser tirado em vida nem após a morte.

Isto não significa que o mundo da matéria deva ser negligenciado porque dependemos dele para a nossa sobrevivência como espíritos imperfeitos em processo de aprendizado e será com ele que construiremos nossos carmas positivos ou negativos, dependendo da maneira como lidamos com ele. Se com equilíbrio, transformando-o em recurso para melhorar-nos como espíritos imortais ou com avareza, egoísmo, ganância, esquecendo-nos de preparar o futuro, sem levar em conta a afirmação que só é nosso o que podemos levar. O que for preciso deixar quando sairmos do mundo da matéria nunca nos pertenceu. Eram de uso temporário, embora fundamentais para o nosso aprimoramento como espíritos. Quem afirma que tem o direito de lesar até seu próprio corpo está dizendo uma tolice. O corpo é o templo para que nós, espíritos, possamos domar-nos e educar-nos no rumo do crescimento diante da eternidade.

Há uma sábia frase, hoje atribuída a diferentes autores, o que é irrelevante, que diz: “Não somos um ser humano numa experiência espiritual; somos um ser espiritual numa experiência humana.” Aí esta a chave do entendimento para “aproveitar a vida”, como dizem os defensores da existência única, apoiando-se inclusive em texto da Bíblia. A vida é uma só, dizem eles. Mas o Espiritismo diz o mesmo. A vida é uma só, a vida eterna do espírito, vivida em muitas etapas (reencarnações) em diferentes mundos e situações.

À medida que vamos progredindo como espíritos, vamos alterando nossas necessidades e viveremos em mundos melhores, apesar de encarnados com razoável densidade, pois vamos nos sutilizando e fazendo com que a carcaça física nos pese cada vez menos. Um dia, nas esferas sublimadas, seremos apenas energia, sem a necessidade da matéria densa, uma convincente educadora. Neste período longo da evolução, o homem vai perdendo seu peso físico e se tornando mais espiritual. O mesmo se dá com os mundos e teremos que viver nos que são mais afins com nosso desenvolvimento.

Para citar exemplos e comparações, o material que compõe a Terra tem uma densidade de 5,51 g/cm3. Vênus 5,24, Marte 3,93 e Júpiter apenas 1,33 g/cm3. Significa que para viver encarnado em Júpiter temos de pesar quatro vezes menos. Um terráqueo de 60 quilos teria em Júpiter 15 quilos somente. Deslocar-se-ia com mais facilidade até um tempo em que volitará sem precisar se arrastar usando pés e pernas. Flutuar será um atributo natural. Não basta desencarnar para flutuar. André Luiz, no livro O Nosso Lar, nos fala do Aeróbus que transporta espíritos densos, ainda presos à matéria.

Por isso que mesmo aqui na Terra vemos diferença entre seus habitantes. Há os que morrem pela boca comendo mais do que precisam e outros já adeptos da alimentação vegetariana alimentando-se de maneira frugal, sobrevivendo da mesma maneira e tendo uma vida até mais saudável. É porque o nosso progresso espiritual se faz também quando estamos encarnados.

Não desdenhe o mundo material nos seus comentários espiritas porque não convencerá as pessoas e demonstrará pretensões inatingíveis para o nosso estado atual como habitantes de um mundo de provas e expiações. Explique somente os mecanismos da transformação de bens da Terra em bens do Céu. Boa sorte, senhores, explicadores.

Jornal O Clarim – Outubro 2018

Uma data especial

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Octavio Caumo Serrano

Há cento e cinquenta anos nascia no Rio de janeiro, num 22 de setembro, um irmão que mais tarde viria para o interior de São Paulo onde deixaria uma obra extremamente importante. Seja como contribuição social ou como um dos pioneiros para o desenvolvimento da Doutrina dos Espíritos na nossa Pátria do Evangelho.

Chegando da então capital federal, por volta de 1885, para trabalhar em farmácias de Piracicaba e Araraquara, logo depois iria para a pequena Matão, onde viveu por 42 anos, tendo se casado em 31 de agosto de 1905, sem deixar filhos. A esposa Maria Elvira foi seu segundo amor, já que sua primeira paixão foi legalizar o grupo espírita em 15/07/1905, batizando-o de Amantes da Pobreza que se transformaria no Centro Espírita O Clarim.

Logo depois, em 15 de agosto, fundaria este amado jornal O Clarim que chegava à tiragem de dez mil exemplares. Não temos intenção de repassar a biografia deste irmão de luz, já sobejamente conhecida por todo o movimento espírita do Brasil e do mundo, mas enaltecer a sua visão e destemor para trazer-nos verdades tão combatidas no seu tempo, que acabaram dando origem a debates em praça pública contra o clero da sua cidade, na época um lugarejo em desenvolvimento, que havia se emancipado de Araraquara para ser município. Schutel chegou a ser seu prefeito em duas gestões.

A garra e a convicção deste homem eram tão grandes que ele enfrentou a sabotagem do clero que impedia que seu jornal fosse feito em gráfica da cidade, exigindo que viajasse para cidade distante onde imprimia, às suas expensas, os exemplares que na volta entregava gratuitamente aos passageiros do trem, deixando um Clarim em cada banco desocupado. O que fazemos hoje com as mensagens espíritas ele fazia com o jornal.

Em fevereiro de 1925 fundaria ainda a nossa excelente e bem editada RIE – Revista Internacional de Espiritismo, hoje com noventa e três anos, parceira do Jornal O Clarim que em agosto completou cento e treze anos. Nesse tempo muitas revistas e jornais sociais nasceram e morreram e os veículos do Seu Cairbar seguem firmes, circulando no Brasil e diversos países do exterior.

A ideia deste relato é mostrar aos mais jovens, que têm preguiça de ler, que encontraram um Espiritismo pronto e sedimentado, respeitado pelo bem que promove, sendo divulgado por uma plêiade de conferencistas importantes, com a divulgação escrita coadjuvada pela internet, que graças a esses desbravadores é que podemos hoje ter o exercício livre e respeitoso da nossa doutrina.

Escreveu livros interessantes e atualíssimos. Destaco Parábolas e Ensinos de Jesus, ótimo na assessoria aos palestrantes para que bem interpretem as palavras de Jesus.

Algo importante que queremos lembrar é que depois de lançar a segunda e definitiva edição de O Livro os Espíritos, em 18 de março de 1860, Kardec editou um livro que Cairbar Schutel traduziu, adquirindo os direitos, que se chama Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas, que esgotou na França rapidamente. E quando o Codificador ia reeditá-lo, numa segunda edição, decidiu substitui-lo pelo lançamento de O Livro dos Médiuns, em 1861. Este fato mostrava a visão do Bandeirante do Espiritismo. O livro ainda faz parte da lista da Casa Editora O Clarim.

A ele, nossa gratidão.

Jornal O Clarim – Setembro de 2018

 

Será que ainda dá tempo?

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Octávio Caumo Serrano caumo@caumo.com

Há muito que se diz que os tempos são chegados

Será que ainda dá tempo de que? De ser feliz e ver a sociedade em harmonia? Não. Por enquanto não dá, com esta humanidade apodrecida que nos levou a um caos irreversível. Mas não se imagine que tudo está perdido; espíritos mais adiantados estão nascendo. Ainda não são muitos, mas dentro de poucas décadas eles se destacarão em todos os setores. Na altura dos meus iminentes oitenta e quatro, não estarei vivo para comprovar. Mas esta convicção em mim é latente. Acredito nas informações dos Veneráveis e é por isso que professo a Doutrina dos Espíritos.

A organização divina não funciona com a pressa e no tempo dos homens.  A obra de Deus pode ser retardada, mas não anulada pelos maus ou inúteis, que serão transferidos para locais que sintonizem com o seu retardamento moral. Lá usarão seus conhecimentos para ajudar os mais atrasados. E assim, praticando a caridade, salvando vidas, se desenvolverão moralmente. Enquanto isso, outros formados na arte de servir vêm habitar a nova Terra para brindar-nos com tecnologias e conhecimentos que nos facilitem a vida, impedindo que precisemos matar, mentir ou roubar para ter o mínimo necessário. As doenças serão sensivelmente reduzidas porque não haverá o estresse da ganância, a aflição pela sobrevivência e o desrespeito ao meio ambiente. Os alimentos serão mais naturais e saudáveis.

Esta é a razão porque são cada vez mais comuns as mortes coletivas por acidentes ou fenômenos climáticos devastadores e mesmo os desencarnes individuais crescem cada vez mais. A criminalidade se encarrega de colaborar com as estatísticas, ajudando a banir a desonestidade impregnada no DNA da sociedade, internacionalmente, num grande percentual em todas as raças, camadas sociais e seitas religiosas. Mas, como espírita que crê na continuidade da vida e na volta a um novo corpo (reencarnação) para prosseguir no aprendizado rumo à perfeição, nada disso me assusta. Minha grande preocupação é ser hoje melhor do que ontem e amanhã melhor do que hoje, para aproveitar a vida, este presente de Deus. Prossigo sereno, porque medo é fé não combinam. Já aprendi que o homem é o único que pode fazer mal a si mesmo. Minha fé nasce do raciocínio.

Felizmente temos o Espiritismo para nos orientar e dar esperanças neste momento delicado da humanidade. Fôssemos viver uma única vida na Terra, como ensinam as doutrinas ocidentais, nada valeria à pena. Por que ser decente se o desonesto iria para o mesmo lugar e seus erros ficariam impunes. Parece que pensar assim é menosprezar a inteligência de Deus.

Creio que estou certo me mantendo correto diante da vida e das pessoas, não usando de desonestidade no convívio com o semelhante. Mas ainda que eu estivesse equivocado e tudo se acabasse por aqui mesmo, ainda assim valeria a decência porque é mais um recurso para ter consciência tranquila e dormir em paz. Cada um faça como melhor lhe parece e de acordo com o que lhe diz o próprio bom senso. Para os que o tem.

A lei de ação e reação é perfeita. Já aprendemos que cada um será recompensado de acordo com as suas obras.

Jornal O Clarim – agosto de 2018

 

Análises e meditações

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Octavio Caumo Serrano dia a dia de julho 18

Conselho da pergunta 919 de O Livro dos Espíritos; “Conhece-te a ti mesmo”.

Uma das minhas habituais preocupações é analisar-me para verificar como estou agindo no movimento espírita. Em relação aos outros, a mim mesmo e à casa onde colaboro com meus limitados e atuais recursos.

Também tenho cuidado com as palestras que faço quando convidado a ir numa casa congênere ou quando escrevo nos espaços que, gentil e generosamente, os veículos, espíritas ou não, me oferecem. Geralmente, temos em mente que somos trabalhadores do Espiritismo quando, sem perceber, somos atrapalhadores do Espiritismo, fazendo mais mal à nossa crença do que todas as demais doutrinas concorrentes juntas. Pretenciosos, pseudossábios, respondemos apressadamente a qualquer questionamento, sem nos dar conta que estamos aconselhando mal, provocando desacertos ou falsas esperanças. Imaginamos saber tudo sobre o comportamento dos espíritos e nos consideramos doutores em Espiritismo distribuímos ilusões.

Utilizo com frequência a expressão “não sei”, sem constrangimento, toda vez que não me sinto em condições de dar uma orientação correta. Mesmo que desagrade. Quando se fala de Jesus e as pessoas dizem que o Cristo salva, enfatizo que o homem é salvo por si próprio. O que Jesus disse é que para sermos felizes é preciso segui-Lo, porque Ele é o caminho, a verdade e a vida. Mas não prometeu carregar-nos no colo nem nos brindar com dádivas imerecidas, porque não condiz com a justiça divina.

Como espíritas aprendemos que “fora da CARIDADE não há salvação”. Kardec não disse que só o Espiritismo salva, nem que alguém mais salva, a não ser o bom comportamento e a boa utilidade do homem. Salvação individual e intransferível. Nem mãe salva filho, nem esposa salva marido. Precisamos de dois para reencarnar, mas o desencarne fazemos sozinhos, com nossas obras. Apenas amparados por Espíritos, bons ou maus!

Nunca prometi a um amigo, ou pessoa a mim encaminhada, que frequentando nossa casa espírita, recebendo passes, ouvindo palestras e estudando, teria alguma garantia de que seus problemas estariam resolvidos. Evidentemente que o Evangelho de Jesus é a grande receita para o homem libertar-se do sofrimento. Estando agora reforçado pela orientação lúcida da Doutrina Espírita, há mais condições para utilizá-lo na solução de seus desajustes e infelicidades. Mas certamente, a simples frequência a um templo, seja de que doutrina for, não garante o Céu a ninguém.

Em se tratando da nossa Doutrina que recomenda tudo oferecer de graça, especialmente o conhecimento e a mediunidade, tudo fica mais fácil de entender. Não precisamos enganar as pessoas para agradá-las com falsas promessas a fim de que colaborem com a casa. Há vezes que doações são necessárias, mas que sejam espontâneas. No nosso centro, felizmente, até agora nunca dependemos de ajuda financeira externa. Uma felicidade.

Constantemente damos oportunidade a novos trabalhadores para que se engajem na equipe da casa, deixando-os à vontade para que colabores nos trabalhos que se sintam  bem e, se desejarem, que aprendam outros trabalhos. A reencarnação se destina à obtenção de novos conhecimentos. Se só fizermos o que já sabemos sairemos daqui sem nenhum acréscimo. Perdemos tempo. E é preciso aproveitar cada minuto.

O que ninguém deve é assumir compromissos para os quais não tem vocação e habilidade, nem assumir compromissos que não deseja ou não pode cumprir com responsabilidade e prioridade. Se não quiser ser trabalhador não seja atrapalhador.

Jornal O Clarim – julho 2018

 

 

Trabalhos num Centro Espírita

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Existe padronização nas atividades que devam existir em um Centro Espírita?

Em nossa maneira de ver, a resposta é NÃO.

Como então organizar uma instituição dessa natureza se não há uma regra que oriente quanto às atividades que devam ser exercidas num caso como esses? Vai depender de localização, tipo de público e suas necessidades. Muitas vezes nos confundimos até na prática da caridade, imaginando que precisamos distribuir bens materiais indiscriminadamente.

Quando Kardec codificou o Espiritismo e lançou o livro básico, O Livro dos Espíritos, em 18 de abril de 1857, logo depois, em 1 de janeiro de 1858 começou a editar a Revista Espírita e em 1 de abril fundou, numa pequena sala para 20 pessoas, a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, o primeiro Centro para estudo regular desta doutrina reveladora e restauradora de um cristianismo que se perdeu no caminho, pois estava se afastando da mensagem do Cristo. Espiritismo, já disse ele na introdução de O Livro dos Espíritos é para ser estudado sempre. Definiu-o como a Ciência do Infinito.

Se o centro se localiza próximo a uma sociedade carente no aspecto material, será justo oferecer a ela algum tipo de alimento como habitualmente se faz com a sopa fraterna. Igualmente, podemos facilitar ao público a aquisição de roupas com os conhecidos bazares espíritas onde os preços são meramente simbólicos. Além disso, há o pobre que precise da cesta básica ou a gestante que carece de um enxoval. Há o deficiente físico que precisa dos aparelhos para higienizar-se ou caminhar e o Centro pode ser um ótimo ponto de apôio para esses irmãos menos afortunados. Mas num local onde não haja pobreza, o Centro pode se limitar a pedir ajuda para que as pessoas se habituem a dar, despertando para o fato de que se a sua vida é relativamente boa, há no mundo muita carência e não devemos ficar de braços cruzados diante dos fatos.

O que o Centro não pode e não deve é criar trabalhos indiscriminadamente sobrecarregando seus colaboradores ou frequentadores com despesas que não desejam ou não podem ter. Desde a fundação da casa, seus dirigentes devem avaliar se podem mantê-las às suas expensas ou de uma diretoria disposta a encarar esse tipo de ônus, não estruturando sua organização na incerteza quando não tem uma equipe compromissada com o orçamento que possa manter a casa funcionando regularmente.

Fica claro, portanto, que um trabalho ou prática que nunca pode faltar num Centro Espírita é o estudo regular e permanente do Espiritismo. Lembrando Jesus, “conhecereis a verdade e ela vos fará livres”. Com as revelações da vida além da morte e os sucessivos nascimentos em mundos materiais, fica definida a nossa responsabilidade com a evolução espiritual, porque é esta a nossa verdadeira essência. Somos eternos e ocupamos de quando em quando organizações animais humanas, aproveitando com cada uma para adquirir conhecimentos e virtudes que nos permitam combater nossas deficiências para sermos cada vez melhores.

No estudo o ideal é que haja um coordenador com preparo doutrinário para dirigir a reunião. Mas na falta, que haja o estudo interpretativo dos livros da codificação e com o tempo o aprendizado amadurece. Atualmente, com a internet, há o recurso de assistir às palestras de bons orientadores. E mesmo em tais casos, podemos fazer comentários pessoais. O importante é a nossa melhora como pessoas. Diz Emmanuel que a tarefa mais importante que temos nesta encarnação é a do auto-aprimoramento. Isto pode ser feito até num centro em que não haja médiuns com tarefas específicas porque pode ser feito bom trabalho no esclarecimento do Evangelho.

Em síntese, os trabalhos assistenciais podem variar, mas o estudo da Doutrina jamais. É básico em qualquer casa espírita. De nada vale encher o centro de trabalhos variados e não dar conta por não ter pessoas para executá-los. E há trabalhos que não podem ser feitos com voluntários sob pena de ter de ser cancelados. Será preferível não criar novas atividades, mas dar boa conta dos trabalhos básicos da instituição. As pessoas têm muitos compromissos em suas vidas pessoais e não devemos sobrecarregá-las com um fardo que não podem suportar. Melhor fazer menos e bem feito.

Jornal O Clarim – junho de 2018

 

 

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