O egoísmo

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Dizem os Espíritos que o egoísmo é a matriz de todos os males do homem. O egoísta é, invejoso, ciumento e nunca pode ser satisfeito, porque nada lhe é suficiente. O egoísmo caminha paralelamente com a insegurança, com o orgulho, o melindre e ele sente necessidade de sempre ter e ser o melhor.  No capítulo XI de O Evangelho Segundo o Espiritismo, vemos os itens Egoísmo e Fé e caridade e logo percebemos que são incompatíveis. Ou temos fé e somos caridosos ou somos egoístas. O egoísta jamais é caridoso. Ele não sabe dividir.

Lamentavelmente, essa é uma característica de quase todos os seres humanos. Só grandes Espíritos conseguem vencer essa deficiência. O pior é que ele está em todas as raças, todas as idades, mostrando que é uma deficiência da humanidade. A partir da mais tenra idade o egoísmo já se manifesta. Uma criança rica que tenha todos os brinquedos mais modernos, ao ver um menino pobre com um carrinho de madeira quererá esse também. Parece que a felicidade do outro a incomoda.

A pergunta que não quer calar é: – Mas quem são os Espíritos e por que vêm nos orientar? A resposta não é difícil. São entidades que até pouco tempo viveram num corpo como o nosso e tiveram comportamento desorganizado como o que hoje temos. Ao chegar na espiritualidade sentiram o desconforto que seu tipo de vida lhes causou e como já abrigam alguma bondade em seu coração, advertem-nos para que não cometamos os mesmos erros. Fossem ainda egoístas e não se importariam conosco. Lembram-se da mensagem da Rainha de França de O Evangelho Segundo o Espiritismo? Ilustra bem o que estamos afirmando.

Um dos exemplos mais marcantes da vitória contra o egoísmo é o do nosso querido Adolfo Bezerra de Menezes. Visitado pelo anjo Celina, enviado por Maria de Nazaré, foi informado que já tinha direito a viver em planos mais elevados como prêmio por sua conduta envolvendo o amor ao próximo, quando encarnado e depois desencarnado. Num gesto de desprendimento, Bezerra responde que se lhe é permitido escolher, ele gostaria de ficar junto aos seus irmãos sofridos da Terra enquanto aqui houvesse uma só lágrima a ser enxugada.

Seria essa também nossa atitude ou comemoraríamos por poder deixar este vale de lágrimas para viver em planos celestiais, como mérito por nosso progresso?  Será que como Bezerra também nos importaríamos com a dor do nosso próximo, abrindo mão de vantagens para continuar na prática do bem?

É algo para pensarmos em mudar nosso comportamento desde já porque tudo nos diz respeito. O sofrimento de um respinga na vida do outro. Vejam o que acontece quando uma pessoa da família está desajustada, enferma, viciada ou depressiva. Todos os outros sofrem juntos porque estamos amarrados uns nos outros. Somos gregários; não conseguimos viver sozinhos.

Enquanto formos egoístas, nos desgastamos pelas conquistas e nunca estaremos saciados. Treinando o desprendimento, o desapego a tudo e todos, vemos que seremos mais felizes e passamos a precisar cada vez de menos para ser felizes porque a felicidade não está nas coisas que temos, mas naquilo que somos. Já se disse que o verdadeiro rico não é quem tem muito, mas quem precisa de pouco. Ensina o Espiritismo que é sabedoria saber viver com o necessário. A conquista do supérfluo é desgastante, difícil e quase nunca compensa. Vem acompanhada da doença, inimizade e, em certas situações,  até da desonestidade.  O esforço não vale a alegria que venha a proporcionar.  Temos direito ao progresso, mas que seja com equilíbrio.

Jornal O Clarim – Setembro 2017

 

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Para que serve viver

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Octávio Caúmo Serrano  Dia a Dia 8/2017

O que é, na verdade, a vida? A vida pequena e a vida maior?

Buscamos no outro a nossa razão de viver, porque parece que sem ele tudo é impossível, mas na realidade é para nós e por nós que vivemos, embora o outro sirva como instrumento para nossas ações.

Que certeza podemos ter dessa afirmativa se não perguntarmos quem somos, o que queremos do mundo e como podemos realizar nossos anseios? Consideramos somente este instante pequeno em que estamos rodeados de mentiras, de maldades, de desamor e desonestidade ou temos certeza de que somos filhos de Deus, criados à sua imagem e semelhança? Acreditamos que o caos é mais forte que o Plano Divino ou já entendemos que somos apenas testados para aferição da nossa coragem e discernimento?

Não podemos pensar com a mente alheia nem ter as dores que o outro sente ou cultivar o ódio ou o ranço do egoísmo que não nos pertence.  Já nos convencemos de que “a cada um segundo suas obras” não é um enunciado filosófico, mas um artigo da Lei de Deus, soberana e universal?

Por isso é que o Espiritismo nos informa sobre a reencarnação e deixa claro que nossas conquistas se incorporam à nossa alma, indelevelmente. Toda virtude conquistada é para sempre e um defeito corrigido fica extirpado definitivamente. Sem deixar sequela. Por isso somos diferentes uns dos outros e porque o que um faz em dez encarnações o outro realiza numa única. Então vale à pena o nosso esforço. Se fosse para uso provisório, só nesta vida, talvez considerássemos um trabalho grande para uma compensação pequena. Mas como vai ficar por toda a eternidade, qualquer sacrifício momentâneo é grandemente valorizado.

Sendo a Doutrina Espírita e revivescência do cristianismo, ou seja, sendo ela Jesus nos falando novamente, com a simplicidade que os homens adulteraram ao longo do tempo, é fácil entender porque o Cristo se preocupa tanto com seus irmãos da Terra. As pessoas do seu tempo, devido ao vaivém das encarnações, são hoje mais eruditas e têm um alcance mental maior o que lhes permite interpretar até mesmo as parábolas de maneira mais inteligente. Naquela época Jesus informou que mais não adiantaria informar porque não entenderíamos. Mas agora que já somos diferentes Ele repete porque sabe que entenderemos com mais clareza. Já repetimos as experiências tantas vezes que pelo menos um mínimo já crescemos como espíritos eternos.

Apesar de toda evolução, somos ainda criaturas muito limitadas e por isso temos de viver ainda num mundo inferior de constantes provações e de resgates aparentemente intermináveis, tantos são os equívocos a serem corrigidos. Mas estamos caminhando aos poucos e ser espírita nos dá uma vantagem porque sabemos que nada do que passamos é por castigo, mas por renovação de oportunidade, devido à misericórdia do Criador. E só o fato de termos Jesus como tradutor das Leis de Deus para facilitar nosso entendimento já nos define como filhos diletos do Pai que só deseja que sejamos felizes.

Não devemos perder a fé ou nos desgastar por valores miúdos, ouropéis descartáveis que só nos iludem. Isso se traduz por juntar tesouros no Céu em vez de acumulá-los na Terra onde a ferrugem corrói e o ladrão rouba. Todos os dias as enxurradas inesperadas destroem conquistas materiais de uma vida inteira, desiludindo as criaturas que colocaram nelas toda a sua esperança. E são obrigadas a começar de novo porque não há alternativa.  Amiúde a ganância simbolizada no terror deixa milhares de desabrigados e aleijados que imaginam estar fazendo justiça ou defendendo algo bom. Mas tudo passa porque tudo é por um pouco. Terminado um período escolar, começa outro. E a Terra não passa de uma grande escola.

Oremos pelos que cometem erros e pelos que são vítimas deles. Combatamos o que nos for permitido, mas não nos esqueçamos de começar por nós mesmos, porque aí reside a nossa maior responsabilidade. A cada um segundo suas obras, ensinou o Messias.

Jornal O Clarim – agosto 2017

Tatuagens

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Octavio Caumo Serrano

Já há algum tempo acentuaram-se as manias de colocar piercing e de tatuar partes do corpo com nomes, símbolos ou desenhos. Independente dos seus significados místicos ou espirituais, simbologias ou o que quer que se pretenda com isso, gostaria de analisar esta prática à luz da doutrina espírita.

Sabiam que Luiz Sérgio, autor espiritual de mais de trinta livros, que abordou sobre aborto, sobre drogas e outros assuntos delicados, também se manifestou em relação aos piercings e às tatuagens.

Simples pesquisa – “Luis Sérgio e as tatuagens” – nos brindou com o trecho abaixo.  Vamos ao diálogo:

Aqui é o Vale dos Tatuados?  Foi perguntado.
-Sim, aqui é o vale deles.
-Jessé, mas existe tatuado boa gente. Mesmo assim ele vem para cá?
-Não. Aqui se encontram os comprometidos. Porém, todos aqueles que estragaram sua roupa perispiritual terão de pagar ceitil por ceitil. -Como assim? Pode explicar?
-O perispírito é a veste do Espírito e o corpo de carne é a veste do perispírito, quando o homem está encarnado. Se agredirmos o corpo físico, o perispírito é agredido. Olhe aquele grupo ali: seus componentes tatuaram todo o corpo; corpo e perispírito foram agredidos.
-E por que eles vieram parar aqui, Jessé?
-Eles se agrupam, fugindo das criaturas normais. Querem chocar a sociedade.
Das tatuagens daquelas estranhas figuras saía uma fumaça escura, que muito os incomodava.”

Para os espíritas isso é fácil de ser entendido. Mesmo as doenças comuns, que geram lesões físicas, deixam marcas no períspirito que é a matriz usada na encarnação seguinte. Isso se dá com o alcoólatra que pode ter lesado o fígado físico espiritual, o fumante, que lesa pulmões, brônquios, etc., físicos e espirituais, com o assassino, que atrofia mãos e braços espirituais provocando lesões que virão com ele em vidas futuras, por que duvidar que com piercing e tatuagens ocorra o mesmo?

É comum nascermos com cicatrizes inexplicáveis, resultantes de ferimentos em vidas anteriores. No meu caso pessoal, para dar um exemplo, tenho uma cicatriz no fundo do olho esquerdo, só visível por aparelhagem, sendo que não tive lesões nesta vida. Já apareceu há mais de 40 anos e em exame recente lá está do mesmo jeito. Não há explicação a não ser por lesão perispiritual trazida de outras vidas.

O corpo físico é o templo sagrado onde mora o espírito nesta nova fase e deve ser tratado com o maior respeito. Atualmente a cada dia é mais usada a medicina preventiva como os check-ups, as mamografias, exames de próstata e de todas as outras áreas e parte do corpo. Desenvolveram-se  aparelhagens sofisticadas como as ultrassonografias, as ressonâncias e tantas outras.  Se nós devemos dar ao corpo físico todo o cuidado para mantê-lo saudável, não há sentido em flagela-lo com furos e rasgos desnecessários sob o pretexto de destacar-se em aparência ao acompanhar um modismo irracional.

A beleza das pessoas não está nos desenhos de sua pele. Há cobras muito mais bonitas. Se desejarmos homenagear marido, esposa, filho, namorada ou ídolos, tenhamos com eles uma convivência de harmonia sem necessidade de exibicionismo.

Dia destes assisti a um jogo internacional de voleibol feminino entre um clube brasileiro e um russo. As brasileiras cheias de desenhos e nomes e as russas, todas de pele muito clara sem um único sinal. Fiquei me perguntando o porquê dessa diferença de hábitos.

Este alerta é para que as pessoas tenham noção do que estão se fazendo e que se continuarem sujeitam-se a consequências. Quem der risada desta advertência, paciência. Na verdade é problema que diz respeito a cada um porque o livre arbítrio é sempre soberano.

Jornal O Clarim – julho de 2017

 

 

 

 

 

 

O dia da nossa queda

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Octávio Caúmo Serrano

“A quem mais é dado, mais é pedido.”

Não há dúvida que o trabalhador espírita, que estuda a doutrina, tem conhecimento sobre a vida e suas implicações maior do que o comum das pessoas. Saber da Lei da Reencarnação o conscientiza de que os percalços do cotidiano são lições para novos aprendizados ou consequências de atos praticados no passado, recente ou remoto, que exigem uma revisão para que o fracasso anterior seja agora mais bem entendido e não se repita. A reencarnação não nos devolve à vida material para nos punir, mas para nos dar uma nova oportunidade. É a maior misericórdia com que Deus nos presenteia!

Com base nesse conhecimento, é certo que a resignação diante da dificuldade é mais evidente no espírita convicto, um terreno mais bem preparado. Ele aceita sem revolta as dificuldades e não se sente abandonado ou castigado por Deus. Conhecedor da lei de causa e efeito sabe que colhemos o que plantamos. Toda ação gera uma reação de igual intensidade. Não ignoremos, porém, que o lado humano tem ainda grande influência mesmo no espírita mais equilibrado e todos nós estamos sujeitos a um tempo da queda vibratória. Há vezes que o fardo pesa demais nos ombros ainda pouco calejados. Mesmo sabendo e aceitando, dói e sucumbimos. O espírita não tem imunidade total contra a dor e o sofrimento. Cai, às vezes, também!

O que acontece nessas horas? Com o compromisso moral de ser forte, há os que não se atrevem a confessar suas dificuldades, mesmo porque correm o risco de ser censurados e até afastados de suas tarefas na casa onde colaboram, sob a alegação de que estão com perturbação espiritual, o que não se pode aceitar num espírita. Nessa hora, ficamos a sós com o nosso sofrimento, abandonados até pelos parceiros de doutrina que quase nunca percebem as dores alheias. Sentem que estamos doentes, mas não se prontificam a nos ajudar. Somos, inclusive, vítimas de preconceito. Como quer dar-se ao próximo se não consegue nem cuidar-se.

Nos nossos agrupamentos as pessoas pouco se conhecem. Mal sabem o prenome do colega. O José, a Maria, a Sílvia, o Alberto. De quê?  Qual o sobrenome? Em que trabalha? Onde mora? Quantos filhos? Por quais dificuldades econômicas ou enfermidades passa? Às vezes ficamos sabendo de problemas de um companheiro tarde demais e geralmente não temos o cuidado e a atenção de fazer-lhe sequer uma visita ou dar-lhe uma ajuda, financeira ou psicológica. Oferecer-nos para conversar para que o outro desabafe, dividindo conosco um pouco do fardo que já está pesando demais.

Isso ocorre mais que supomos, em todos os agrupamentos espíritas. Por isso defendemos, há mais de quarenta anos, que os centros (especialmente os maiores, com muitos trabalhadores) deveriam ter um dia para atendimento dos que colaboram no grupo, sem que tenham necessidade de socorrer-se de outras casas, por abandono ou vergonha de expor suas fraquezas, preocupados com o julgamento não fraterno e até censuras que receberão por confessar suas dificuldades. Obrigam-no a ter uma força que ainda não adquiriu.  Isso os leva amiúde a buscar consultas com médicos analistas ou socorrer-se de outros centros onde não são conhecidos.

Seria importante que os núcleos avaliassem como estão tratando seus “irmãos”.  Como vai o “amor ao próximo como a si mesmo”, na sua Instituição.  Veja como agem onde você participa. Quem sabe pode alertar seus dirigentes que, se não forem radicais e insensíveis, talvez aceitem pelo menos pensar no assunto e verificar se não estão mesmo deixando em plano secundário o atendimento aos que são, mais diretamente, os pilares do núcleo; os colaboradores mais diretos.

A caridade deve começar em casa. No centro está a nossa família espiritual. Ou deveria estar. Se não encontramos suporte ali, melhor procurar um local onde alguém nos dê atenção nas horas de provação. “Os sãos não precisam de médico”, já ensinou nosso querido Jesus!

Jornal O Clarim – junho de 2017

 

 

O sexo e suas implicações

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Octávio Caumo Serrano

Em mundos materiais como a Terra, salvo exceções em alguns tipos de vida, geralmente são necessários uma fêmea e um macho para que se dê a procriação.

No reino animal, onde só existe instinto, o sexo se destina à perpetuação da espécie e vê-se que é apenas no período fértil,  conhecido como cio, que os animais se procuram para reprodução.  Não há neles um instinto de prazer, mas apenas cumprir um desígnio da natureza para que o seu tipo não desapareça. Vemos, por exemplo, que no Brasil entre setembro e março os pássaros se acasalam e constroem ninhos para deitar os ovos que produzirão novos pássaros do seu tipo.

Essa regra não é obedecida pelo homem, apesar das muitas tentativas da igreja para que o relacionamento se dê apenas para procriação, devendo ser evitados até os anticoncepcionais. Como o ser humano está num estágio superior ao dos animais, pois além do instinto é dotado de razão, o relacionamento pode servir também para maior aproximação e mais amor entre os envolvidos, sem que necessariamente gerem crias. Todavia, apesar de lícito, é preciso é que seja um sexo respeitoso, equilibrado, com parceria e naturalidade. Que una cada vez mais os envolvidos.

O que é de se lamentar é que atualmente o sexo virou comércio e está vulgarizado, sendo explorado pela mídia em jornal, revista, teatro, televisão, em humorísticos, novelas, filmes, etc., porque a exibição dos corpos, com destaque para os femininos, é importante fonte de faturamento para essa gama de empresários desprovidos de pudor e para os quais os meios justificam os seus objetivos. O lucro acima de tudo, em quaisquer condições.

O problema é que as almas envolvidas terão de pagar altos preços. E caso não seja já nesta encarnação lhes estarão reservados para as vidas futuras. Para quem imagina que morreu acabou, não há argumento que o convença. Mas para os que sabem que viveremos novas encarnações no futuro, e já vivemos outras anteriormente, ignorar que seus atos lhes trarão dolorosas consequências é, no mínimo, uma imprudência.

Com esses conhecimentos teremos mais condições de saber por que há homens impotentes, mulheres frígidas ou estéreis e não nos sentiremos traídos por Deus por que não nos dotou de capacidades tão normais na maioria das pessoas. Mães que querem ter filhos, fazem tratamento, mas não conseguem engravidar. Outras que até têm facilidade, mas não retém a cria que lhes escapa sem razões aparentes. Abortam apesar de todos os cuidados. Somente o Espiritismo que nos fala da lei de ação e reação pode nos explicar certos fenômenos que acontecem nas nossas vidas.

Se algum dos ouvintes está vivendo tais limitações, não se revolte. Ao casal que não pode procriar, resta o lindo caminho da adoção, que, sem mesmo que saibam, muitas vezes é programada já na espiritualidade, antes do nascimento na Terra. A psicóloga americana Helen Wambach, no seu livro “Vida Antes da Vida”, confirma isso e muitas outras coisas, mostrando que nossa encarnação não se faz ao acaso, mas é resultado de cuidadosa programação na qual até os menores detalhes estão previstos.  Esse conhecimento e a vivência feliz, apesar dessas limitações, corrigem falhas do passado qualificando-nos a voltar à normalidade em futuros renascimentos.

Quem desejar se ver livre dessas consequências numa encarnação futura, cultive nobreza no sexo, usando-o para criar, amar, educar, mas sempre com respeito ao parceiro. Quem lesa o outro nesse campo, está lesando a si mesmo, embora não acredite e até ria desta afirmação. O que você não quer para sua irmã, não faça à irmã do outro. Não faça hoje para não chorar amanhã.

O livro Vida e Sexo de Emmanuel por Chico Xavier explica tudo. Até a homossexualidade. Leiam. Outro interessante é Sexo e Destino que André Luiz ditou a Chico Xavier e Waldo Vieira. Não estamos julgando porque, nesse tema, como disse Jesus, quem nunca tiver pecado que atire a primeira pedra. É só um alerta. A semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória!

Jornal O Clarim – Maio 2017

Temos de nos proteger

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Octávio Caumo Serrano caumo@caumo.com
É preciso usar todos os recursos para nos defender.

Num mundo conturbado e violento como o que estamos vivendo, toda proteção é necessária. Seja no que concerne à vida social, à vida profissional e à vida espiritual. Contamos hoje com seguros e aparelhagens de todo tipo para cuidar da nossa vida e patrimônio e proteger o que com tanto esforço conseguimos e pensamos  amparar nossos descendentes na nossa velhice ou caso faltemos.

Instalamos anti-virus nos equipamentos de informática contra invasores de arquivos e contas bancárias. Estamos vigilantes contra e-mails maliciosos que vêm fantasiados de seriedade, convidando-nos a atualizar cadastros, informando que nosso nome está com problemas, que nosso veículo foi multado, que o orçamento (que nunca solicitamos) está anexado à mensagem, que o correio tentou entregar nossa encomenda e a casa estava fechada, etc. etc. A imaginação da delinquência não tem limite.

Nossos patrimônios são guardados por vigilantes, cercas elétricas, seguros, alarmes, câmeras, sem que isso nos garanta ficar livres da maldade do mundo que conta com almas de baixo caráter, mas extremamente inteligentes. Como os hackers que invadem as contas de grandes organizações, aparentemente protegidas com segurança absoluta.

Recomendam as autoridades que não permaneçamos conversando em veículos estacionados na via pública, que não deixemos pertences, mesmo sem valor, no interior dos carros, que não usemos celular caminhando na via pública, que evitemos lugares ermos e tantas outras advertências para dificultar a ação da bandidagem. Mas nem sempre isso é suficiente.

Há uma proteção, todavia, mais segura do que as resultantes das providências acima que é o cuidado que a espiritualidade tem com seus fiéis auxiliares. Podemos ser parceiros de Deus na organização e aprimoramento do mundo. Cabem a nós as ajudas materiais que a espiritualidade recomenda. O agasalho, o alimento, o abrigo e a palavra aconselhadora para estimular o aflito ou desanimado dando-lhe diretrizes para reagir e buscar a felicidade. Os espíritos podem, nesses casos, inspirar-nos para o trabalho, segredar-nos caminhos que devemos tomar, mas as providências são da nossa alçada e responsabilidade. Se já sabemos ouvir, ouviremos.

À medida que vamos sendo bons obreiros na sua seara gozaremos de proteção, pois passamos a ser importantes na organização socorrista a que pertencem. Por isso somos poupados em acidentes, vamos por caminhos diferentes do imaginado e temos proteção contra assaltos. Sabemos tudo o que nos acontece, mas jamais ficamos sabendo de quantos males fomos poupados por ser colaboradores nos trabalhos divinos. De quantas doenças fomos curados sem nem mesmo saber que as tínhamos. O segredo é ser merecedor de proteção. Sem ter tais méritos, por mais cuidado que tenhamos ainda estaremos vulneráveis.

Nem trancas, nem cadeados, nem câmeras ou cercas eletrificadas podem cuidar de nós melhor do que a espiritualidade que nos tem como parceiros. Será que acreditamos nisso? “Ajuda-te e o céu te ajudará”, recomendou Jesus. Será que já temos fé suficiente para confiar em Deus? Oração e vigilância, uma atitude imprescindível nas vinte e quatro horas de cada dia!

Jornal O Clarim – abril 2017

 

Autoelogio – Vaidade ou discernimento?

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Octávio Caúmo Serrano        caumo@caumo.com

O autoelogio ou elogio por terceiros seria algo proibido?

Quando abraçamos o Espiritismo, passamos a ter de revestir-nos de uma capa de modéstia que é, muitas vezes, artificial. Não combina com nossa maneira natural de ser e acaba por nos deixar meio hipócritas. Mas isso não deveria acontecer. Ele nos ensina a sermos verdadeiros e a dar o devido dimensionamento às nossas qualidades e defeitos porque só nos conhecendo, como preceitua a questão 919 de O Livro  dos Espíritos é que poderemos conhecer nosso verdadeiro tamanho espiritual.

É nessa mesma questão, no item “a”, que o lúcido Santo Agostinho nos propõe uma autoanálise a fim de nos descobrirmos e, a partir daí, empregarmos nossas virtudes no bem comum e combate das nossas deficiências para aproveitar a oportunidade desta nova encarnação. E só com uma análise baseada na verdade e no bom senso é que poderemos tomar providências que nos ajudem. Hora do sim, sim, não, não!

Generalizou-se no movimento espírita, o que aceito em parte, que o elogio é desnecessário na análise do trabalho executado pelos obreiros da doutrina. Mas, já diz antiga trova de Lopes Filho, do livro Orvalho de Luz que “enaltecer e louvar são quais remédios terrenos que não se deve aplicar nunca demais, nem de menos”. Psicografia de Chico Xavier incluída no livro Calendário Espírita, por Espíritos Diversos.

O elogio natural, fundamentado, sem exageros, com argumentação sincera, sem bajulação, pode, por que não, servir de estímulo para quem faz o trabalho. Afinal, quantas vezes isto representa esforço de extrema dedicação do companheiro para apresentar bem a tarefa  que lhe foi confiada. Diferente do aplauso automatizado nas reuniões que muitas vezes não condiz com o trabalho feito.

Ao fazer a autoanálise aconselhada por Agostinho não devemos apenas ver defeitos,  mas também regozijar-nos com as qualidades que já incorporamos à nossa personalidade. Afinal trata-se de prêmio pelo nosso esforço de renovação e da nossa disposição para o trabalho que procuraremos fazer cada vez melhor. Só cada um, individualmente, sabe o esforço que tais conquistas exigem.

Da parte do elogiado, sem afetar-se, cabe-lhe analisar a justeza do que ouviu e se, conhecendo-se, está também de acordo. Sabemos quando vamos bem e quando vamos mal, sem que nos digam. Mas já que ouvir é estimulante, que, pelo menos, esteja de acordo com o que também pensamos e era nosso objetivo. Não se trata de tietagem como nos meios artísticos onde a alucinação coletiva muitas vezes falseia a realidade. É algo discreto, consistente e que nasce no coração de quem se sentiu atingido pela mensagem que, não raro, chega numa hora de necessidade. Podemos mudar o comportamento, os objetivos e o futuro de uma pessoa que esta vulnerável com uma frase que o atinge em certas circunstâncias ditando-lhe novos rumos de vida.  Justo que ela se sinta agradecida e entusiasmada e queira agradecer.

Conhecer-se; isto é o mais importante. O resto administre com sabedoria, sem falsa modéstia nem exagerada arrogância.

Jornal O Clarim – Março 2017

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