Penas e gozos futuros

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Penas e Gozos Futuros

Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com

“A Doutrina Espírita, no que respeita às penas futuras, não se baseia numa teoria preconcebida; não é um sistema substituindo outro sistema: em tudo ela se apoia nas observações, e são estas que lhe dão plena autoridade. Ninguém jamais imaginou que as almas, depois da morte, se encontrariam em tais ou quais condições; são elas, essas mesmas almas, partidas da Terra, que nos vêm hoje iniciar nos mistérios da vida futura, descrever-nos sua situação feliz ou desgraçada, as impressões, a transformação pela morte do corpo, completando, em uma palavra, os ensinamentos do Cristo sobre este ponto.[1]

Ao reencarnarmos temos diante de nós uma nova conjectura de possibilidades evolutivas. Provas a suplantar, mas também um passado de desalinhos morais a nos reajustarmos. Não podemos nos esquecer daquilo que fizemos, mesmo que o véu do esquecimento nos tolde a visão, mas aquilo de que somos responsáveis nos acompanha as encarnações posteriores como tatuagens espirituais as quais fomos nós quem as grafamos no perispírito.

Em O Livro O Céu e o Inferno, encontramos explicação sobre a temática. Entendendo-se que a criatura é única, não há o que se dividir a vida, sendo ela única também. Significa dizer que vivenciamos tanto desencarnados como encarnados as consequências de nossos atos. Tendo na encarnação o processo acelerador de aprendizado. Vivenciamos hoje o nosso melhor momento, somos a soma de todas as virtudes e de todos os defeitos que possuímos. A reencarnação constitui-se na oportunidade bem-dita de pormos em prática o que já aprendemos, mas também de nos reajustarmos com a Lei Divina.

Para que possamos avançar neste processo de reajuste moral, o primeiro passo é o arrependimento do ato cometido. Alguns de nós podemos nos perguntar: mas como posso me arrepender de algo que eu não me lembro que fiz? Analisando as nossas tendências atuais e o teor das provas vivenciadas, compreenderemos com muita facilidade aquelas que tem cunho expiatório. Principalmente, quando nos vem a mente fatos desta própria encarnação.

Uma sincera e silenciosa voz nos conclama quase sempre a reparação: a consciência[2], sendo que normalmente a fazemos calar, pois não desejamos ouvi-la. Até que um dia, após repetirmos a lição inúmeras vezes, sentimo-nos arrependidos pelo ato cometido. Mudamos de conduta interior. Pois a partir daquele momento não mais infringiremos a Lei por aquele caminho ou daquela forma. Mas, ainda estamos imantados das energias deletérias produzidas em face do erro cometido.

Surge a necessidade do expurgo ou expiação. No decorrer da encarnação amealhamos bons créditos em nosso favor, em virtude do bem que fazemos, mas isto não basta, deveremos não praticar o mal. O bem que fazemos é contado como alento de misericórdia nestes momentos, mais existem aprendizados que não podem ser substituídos por outros e necessitamos vivenciá-los. Entendendo que o expurgo se constitui na forma de entendermos em nossa própria condição de criaturas falhas que o sofrimento os atinge a todos e necessitamos uns dos outros para evoluir, quando ele nos bate a porta, temos a oportunidade de viver o que fizemos o outro vivenciar e entender o quanto é doloroso a experiência.

Longe de ser uma doutrina de sofrimento e dor como muitos apregoam, ensina-nos a compreender a dor do outro em nós mesmos, para não praticarmos o mal por comprendermos que o mal dói e machuca a criatura, quanto mais nos afastarmos do primarismo e nos aproximarmos da angelitude, menos teremos necessidade deste processo, pois já estaremos praticando o bem pela alegria de praticar o bem.

Por fim, a reparação. O qual muitas vezes caminha par e passo com a expiação quando temos a possiblidade de expurgar o mal que fazemos ao lado de quem ofendemos. Reparar é retribuir com o bem o mal que fizemos. É traduzir em amor, carinho, paciência, tolerância e caridade o que antes era antagonismo. Conseguimos reparar por que em princípio nos arrependemos do ato cometido e intimamente enxergamos a situação e a pessoa de forma diferente. Há situações que não nos é permitido mais repararmos com a pessoa a quem fizemos mal. Mas o fato continua existindo e nos reajustamos sempre com a Lei. E reparamos com Ela também.

Alguns de nós espíritas não gostam de ouvir sobre este processo, mas não há como separar o processo evolutivo da criatura humana do processo de reajuste moral que se processa em nós. Para falarmos de angelitude, necessário se faz falar de depuração e expurgo moral. Para falarmos de seres crísticos que um dia seremos, necessitamos falar da criatura ainda em processo de aparar arestas e burilamento acelerado que nos encontramos. Que em vez de nos entristecermos, alegremos pela compreensão desta realidade de vida e possamos aproveitar o conhecimento que o Espiritismo no oferece.

Jornal O Clarim – Agosto 2021


[1] Livro O Céu e o Inferno, I Parte, cap. VII , Princípios da Doutrina Espírita sobre as penas futuras

[2] Evangelho Segundo o Espiritismo,capítulo XVII, item 3

A porta estreita

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Walkiria Lucia Araujo Cavalcante

“Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta da perdição e espaçoso o caminho que a ela conduz, e muitos são os que por ela entram. – Quão pequena é a porta da vida! quão apertado o caminho que a ela conduz! e quão poucos a encontram![1]

Tendo-lhe alguém feito esta pergunta: Senhor, serão poucos os que se salvam? Respondeu-lhes ele: – Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, pois vos asseguro que muitos procurarão transpô-la e não o poderão. – E quando o pai de família houver entrado e fechado a porta, e vós, de fora, começardes a bater, dizendo: Senhor, abre-nos; ele vos responderá: não sei donde sois: – Pôr-vos-eis a dizer: Comemos e bebemos na tua presença e nos instruíste nas nossas praças públicas. – Ele vos responderá: Não sei donde sois; afastai-vos de mim, todos vós que praticais a iniquidade. Então, haverá prantos e ranger de dentes, quando virdes que Abraão, Isaac, Jacob e todos os profetas estão no reino de Deus e que vós outros sois dele expelidos. – Virão muitos do Oriente e do Ocidente, do Setentrião e do Meio-Dia, que participarão do festim no reino de Deus. – Então, os que forem últimos serão os primeiros e os que forem primeiros serão os últimos.”[2]

E em nascendo o convite da Doutrina consoladora e rediviva que se faz presente na vida daqueles que seguem a mensagem evangélica personificada em Jesus, o Messias, e explicada através da doutrina dos Espíritos, O Espiritismo, vem-nos a mente o constante pensamento de como permanecermos fieis a esta proposta de renovação íntima diante das propostas sedutoras, iguais a sedução ilusória fantasiosa que nos apresenta o fácil, como sendo proposta de vida do agora, não pensando no porvir nem nas consequências de nossos atos. Ou porque alguns acreditam numa só existência ou por acreditarem em várias reencarnações, a criatura permite-se o futuro para o reajuste.

Jesus, conhecedor de nossas dúvidas e principalmente de nossas intenções, deixa-nos esta passagem rica de significado e simples para o entendimento como norte orientativo para prática desta vigilância íntima do bem proceder para consigo mesmo e perante a Lei Divina. Durante a encarnação, nos sentimos fisicamente constritos diante de alguns percalços da vida. Sentimo-nos tolhidos, cerceados e restringidos a um espaço diminuto. São os que mais servem de aprendizado.

Quando as facilidades se tornam fartas, acreditamos que não precisamos nos esforçar por nos modificarmos. Quando encontramos barreiras que nos constringem, sentimo-nos obrigados a ultrapassá-las. Sejam elas morais: as calúnias, injúrias e todos estes males morais que assolam a humanidade hoje em dia, principalmente através das redes sociais, que num dia somos aclamados como heróis e noutros somos tidos como criaturas não merecedoras de estarmos no planeta Terra, sendo que todos, inclusive os que fazem este verdadeiro linchamento eletrônico, estamos em processo evolutivo, rumo a perfeição.

Sejam elas físicas: processos de doença que nos tolhem os passos de maneira tal que saímos de um estado de vida organizada para adaptação a um novo sistema que nos conclama paciência, ordem, disciplina e perseverança. Em tudo, a Divindade nos mostra a Porta Estreita dos processos edificadores evolutivos de burilamento para podermos aprender em meio a dificuldade a sermos pessoas melhores.

As facilidades apresentam de forma farta e fácil. Isto não significa que para estarmos realmente de acordo com o processo de aprendizado tenhamos que viver em sofrimento, mas em aprendizado. O aprendizado nos faculta o desenvolvimento da inteligência. Faz-nos entender a vida sob um outro prisma, coloca-nos inconscientemente no lugar do outro e passamos a ver que todos estamos vinculados, que de uma forma ou de outra, ao ajudar o próximo estou ajudando a mim mesma; fazendo o bem ao outro, estou criando situações favoráveis (vinculando-me espiritual e vibratoriamente a espíritos de escol) para que no momento que eu necessitar, também encontre mãos amigas a me auxiliar.

Não são as práticas exteriores que nos candidatam a este ou aquele lugar ou situação evolutiva, mas o nosso comportamento perante a sociedade e a própria Lei Divina, com relação ao seu cumprimento. Sermos fieis aos nossos princípios não importando os convites que recebamos ou as situações constritoras que venhamos a vivenciar. Não é um momento que nos define, mas a soma deles. Não é uma atitude que representa o todo espiritual de quem somos, mas a perseverança em fazer o que entendemos como correto alinhado com a Lei Divina, em todos os momentos de nossa encarnação, mostrará quem somos e o que queremos ser.

Jornal O Clarim – Outubro 2020


[1] S. MATEUS, cap. VII, vv. 13 e 14.

[2] S. LUCAS, cap. XIII, vv. 23 a 30.

Não ponhais a candeia debaixo do alqueire

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Walkiria Araujo

“Ninguém acende uma candeia para pô-la debaixo do alqueire; põe-na, ao contrário, sobre o candeeiro, a fim de que ilumine a todos os que estão na casa.[1]

Ninguém há que, depois de ter acendido uma candeia, a cubra com um vaso, ou a ponha debaixo da cama; põe-na sobre o candeeiro, a fim de que os que entrem vejam a luz; – pois nada há secreto que não haja de ser descoberto, nem nada oculto que não haja de ser conhecido e de aparecer publicamente.[2]

O movimento espírita é feito de pessoas as quais nos colocamos ou não à disposição daqueles que adentram após nós. Dizemos isto, pois alguns dos que já trilharam o caminho do conhecimento, mas não da experiência cristã, preferem guardá-la para si. Colocam a luz do conhecimento escondida, trazem-na somente para si.

Outros, a colocam tão alto, que espargem luz pelo caminho doando de si, levam a mensagem, sendo em si, a própria mensagem. Há 23 (vinte três) anos, um nobre casal descia nestas terras paraibanas e aos moldes da instituição espírita já fundada em São Paulo com o mesmo nome, em um 01 de abril, abre as portas da Instituição Espírita Os Essênios. Voltada principalmente para o estudo e divulgação da Doutrina Espírita que teve em D. Maria Alcântara Caúmo sua primeira Presidente e em seu Octávio Caúmo, o segundo e atual presidente.

Utilizamo-nos desta coluna para fazermos uma justa homenagem e agradecimento, a ambos, pois reclamamos no meio espírita das dificuldades de encontrarmos instituições e pessoas que nos ensinem, nos estimulem a caminhada e nos coloquem par e passo com a mensagem Cristã. De muitas conversas tidas com seu Octávio, trago a mensagem mais repita entre nós: o mais difícil é fazer o simples e transmitir a mensagem sem colocar nenhum condimento nosso. Pois quando transmitimos a mensagem, não somos nós quem estamos brilhando, é Jesus.

O Presidente de uma Instituição é o guardião da Doutrina, palavras de seu Octávio com as quais eu tenho similitude de pensamento e concordância plena. A Casa Os Essênios nunca fechou as portas, em nenhuma data. “A dor não tira folga”, raríssimas vezes vi um dos dois se ausentar do comando benfazejo da instituição. Pode parecer ao leitor uma propaganda da Instituição, mas não é. É uma justa homenagem, póstuma a D. Maria e em vida ao seu Octávio de pessoas que contribuíram e contribuem para a divulgação da mensagem.

Durante estes 23 (vinte e três) anos, dos quais tenho a alegria de compartilhar, ser testemunha do trabalho, esforço e parceira 20 (vinte) anos, sou uma das trabalhadoras que me foi ofertada a oportunidade em fazer palestras, indicação para fazer artigos e agora, subscrevendo esta coluna dando continuidade ao trabalho começado pelo seu Octávio. Todos que aportam a Instituição recebem as mesmas oportunidades, de acordo com as suas capacidades prosseguem neste ou naquele caminho. Informamos que as diretrizes que nos norteiam, são as diretrizes contidas nas obras básicas, as quais fazem parte dos nossos estudos semanais e da nossa palestra doutrinária baseada em O Evangelho Segundo o Espiritismo.

Há algumas décadas seu Octávio subscreve esta coluna, permitindo-se agora afastar-se. E com a modéstia que lhe é peculiar não desejaria que lhe fosse emitido nenhuma homenagem. Mais não poderíamos deixar que isto acontecesse. Quando nos foi ofertado o convite para dar continuidade, entendemos por bem enunciar algumas palavras sobre o trabalho até o momento executado.

O trabalhador espírita é forjado no decorrer do trabalho. Nos candidatamos ao trabalho pelo comprometimento que desenvolvemos e pela abnegação envolvida com ele. O bom e fiel trabalhador não reencarna pronto e não desencarna pronto. Mas coloca-se sempre à disposição do aprendizado e serve sempre como escada de iluminação ao próximo.

Assim, nos ensinou o Mestre Jesus. Todo aquele que se dispõe a ser fiel seguidor do Mestre sabe ser aquele que proporciona o conhecimento, mas como vaso imperfeito serve de receptáculo da mensagem para que os irmãos em Cristo possam caminhar pela estrada do bem. Muitos passaram pela Casa Os Essênios e a semelhança da Casa do Caminho trocaram suas roupas velhas, dessedentaram sua sede, alimentaram-se com o pão divino e foram-se. De nossa parte, ficamos felizes por termos realizado o trabalho. E nós, trabalhadores da casa Os Essênios, agradecidos pela convivência de amor com D. Maria e Seu Octávio, dizemos: Que Deus os abençoe!

Jornal O Clarim – abril 2020

[1] MATEUS, 5:15

[2] LUCAS, 8:16 e 17

Saber e proceder

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dia a dia    Octavio Caumo Serrano

Entre nós, os espíritas, há por vezes certo complexo de superioridade quando falamos dos assuntos espirituais. Por termos uma avalanche de informações, lógicas, sensatas, racionais, vivemos apregoando a nossa sabedoria, menosprezando os de outras doutrinas, especialmente os que não aceitam a reencarnação.

Ao ouvir certas conversas, vem-me à mente lições de Jesus, que diz que mais será pedido a quem mais foi dado. Portanto, o saber desacompanhado da ação é inútil e esse será mais cobrado do que o ateu.

Desde que o mundo é mundo, há os que têm mais conhecimento que outros. É o degrau de entendimento que cada um já atingiu. Aprendamos que antes de menosprezar ou criticar o que sabe menos, tentemos aprender com quem sabe mais e ter paciência com os que ainda não têm o mesmo entendimento. Sempre haverá alguém acima e alguém abaixo de nós.

Algo que jamais devemos perder de vista é que o próximo é vital em nossa vida, em todos os momentos. É o instrumento que nos permite praticar a caridade ou nos beneficiarmos dela, conforme situações e circunstâncias. Nada é absolutamente certo e definitivo. Mesmo a nossa verdade é provisória e varia com as situações. Hoje pode ser, mas amanhã estará desatualizada, porque tudo muda de um átimo para outro neste mundo extremamente dinâmico.

Quando incorporarmos este entendimento, seremos menos radicais e cobraremos menos dos outros e mais de nós. Censuramos os erros alheios, mas ignoramos o esforço que fazem para acertar. E muitas vezes até estão corretos sem que nós percebamos por que só entendemos o certo da nossa maneira. Por isso há tantas profissões, tantas religiões e tantos partidos políticos. Um dia, quando crescermos espiritualmente, caberemos todos no mesmo núcleo. O do amor e da verdade. Esta será a linguagem universal!

A grande advertência que cabe, porém, para todos os espíritas está numa frase de Buda: “Não há iluminação sem transformação.” Assim como religiosos de outras doutrinas conhecem de cor e salteado os capítulos e versículos do Evangelho (que para eles é simplesmente Bíblia), há espíritas que conhecem a biografia de ilustres emissários enviados a nós por intermédio do Espiritismo (Bezerra, Chico, Eurípedes e dezenas mais) além da vida de Kardec e Amelie, incluindo obra, encantos e desencantos. Admiram a capacidade que Kardec teve para testemunhar Jesus, rompendo inclusive, embora por vezes circunstancialmente, com o mundo material. Foi absolutamente cristão em detrimento de ideais que plantou por muito tempo, preparando-se inclusive no exterior. Mas somos apenas conhecedores; nada disso vivemos nem os tomamos para reproduzi-los em nossas vidas. Entramos e saímos do centro por décadas e somos sempre o mesmo cristão teórico que jamais se transforma, mas quer ser iluminado pela misericórdia divina.

O merecimento do que fazemos e vivemos virá do plano divino. De nada adianta sermos adorados pelos homens que nos chamam de missionários se para nada nossa missão se aproveita. Nem para exemplo de estímulo aos que nos rodeiam. Embora não devamos valorizar a glória transitória dos homens, nunca esqueçamos que a justiça de Deus mede todos com a mesma vara, Independente de nacionalidade, classe social ou religião.

Cuidemos, portanto, da nossa iluminação sem falsas ilusões; a cada um segundo suas obras.

Kardec ao chegar na espiritualidade naquela tarde de 31/3/1869 deu depoimento dizendo ter sido muito bem recebido e que o plano da erraticidade é exatamente como ele havia estudado e divulgado em sua encarnação, concitando-nos a prosseguir de maneira destemida e constante. Obrigado, caro irmão, pelo seu legado à humanidade.

Jornal O Clarim – março 2020

Você sabia; e acredita?

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Octávio Caumo Serrano

Quando estamos num templo, nossa participação vai além do que imaginamos. Pensamos ser apenas mais um na comunidade, que ali estamos sem qualquer compromisso, porque só desejamos ouvir a preleção, receber uma bênção (conforme a natureza da igreja) e cumprir um dever de aproximação com Deus ao menos uma vez por semana.

A espiritualidade age com recursos que estamos muito longe de imaginar. Como espíritas, dizemos que cada um que pisa a porta do Centro para adentrá-lo é um trabalhador que oferece e recebe conforme condições e necessidades. Por isso enfatizamos a importância de estar no Centro com respeito e pureza de pensamentos para ser um agente nessa organização, independente da nossa função nas hierarquias da casa. Mesmo sem estar cadastrados como trabalhador. A química e entrelaçamento dos fluidos é algo que está acima do nosso entendimento atual. Fornecemos energia a quem está mais fraco e recebemos também, quando necessitados, independente do passe do dia. Chegamos a ser operados pelos espíritos de enfermidades que nem sabemos ser portadores. Mas tudo em função de um quesito muito importante: MERECIMENTO!

Essa palavra mágica nos dá regalias conquistadas por conduta. Somos assíduos nas reuniões (o que comprova nosso interesse na ajuda) e temos comportamento respeitoso para oferecer fluidos benéficos aos demais que necessitam como nós. Não nos dispersamos observando a roupa ou as características das pessoas. Ali somos todos iguais; almas em aflição que buscam socorro e que também podem oferecer algo de bom.

Devemos ter trajes e ornamentos discretos, que não chamem à atenção pelo exagero, recato nos gestos e palavras, não querendo chamar para si atenções especiais nem atropelando a disciplina da casa. Se não nos ajudarmos os espíritos nada poderão fazer por nós. Já disse Jesus, “faz que o céu te ajuda”.

A disciplina inclui o tipo de conversa durante os trabalhos porque muitos estão em atendimento. Visíveis e invisíveis. E se enquanto um está sintonizado com o Plano Divino o outro está falando de compras, custo de vida, desmandos políticos ou problemas de natureza pessoal, o pensamento que deve funcionar como um feixe de varas será maculado e perderá sua força.

No nosso artigo da RIE deste mesmo mês de fevereiro tratamos do mesmo assunto com um pouco mais de detalhes. Insistimos porque pensamos ser algo muito importante e muito negligenciado no movimento espírita. Agradecemos aos leitores pela paciência.

Jornal O Clarim – fevereiro 2020

Não dependo de ninguém

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Octavio Caumo Serrano

Escravos dos outros e da natureza, muitos arrogantes dizem que não precisam de ninguém. Bastam-se por si mesmos.

Quando ouço esses equivocados, logo indago a ele quem plantou ou preparou a comida que ele hoje almoçou. Quem costurou as roupas que está vestindo, quem fabricou seus óculos para suavizar sua miopia, os remédios que controlam sua hipertensão e o carro que o leva ao trabalho.

Certamente já estudou e dependeu da mensalidade paga pelos pais e das aulas ministradas por idealistas e sofridos professores. Ao chegar em casa, liga uma TV e senta-se num sofá que não foi ele quem fabricou. Acende a luz para ler o jornal com as notícias do dia porque outros lhe proporcionam esta oportunidade. Sabe-se lá o sofrimento destes pioneiros que nos antecederam no planeta para criar todo esse conforto que o mal-agradecido nem percebe, a ponto de dizer: “Não preciso de ninguém. Basto-me por mim mesmo!” Até no dia de sua morte vai precisar de seis voluntários para carregar o caixão que abriga o corpo inerte do equivocado autossuficiente.

Somos seres gregários. Nascidos para viver em tribos onde nos ajudamos uns aos outros, praticando a solidariedade a fim de crescermos; individual e coletivamente.

Além do que vemos, há também o que nossa estreita visão não pode perceber. Somos cegos guiados por cegos. Temos mentores (ou obsessores), anjo da guarda e a misericórdia do Evangelho que nos alerta contra a vaidade, a prepotência, a soberba e outras tolices irradiadas do orgulho e do egoísmo, essa parelha geradora de todos os nossos males que espalha seus longos tentáculos para todos os lados.

Lembremo-nos que além de depender dos outros, os outros também dependem de nós. Do nosso procedimento depende o mundo em que vivemos, também. E quando não podemos ajudar a melhorá-lo cuidemos para não o estragar ainda mais. Ele já está feio porque esta nossa humanidade faliu e está difícil reverter o caos. Não sejamos mais um a tentar apagar o fogo com gasolina. Humildade é qualidade de poucos e apanágio dos lúcidos.

Jornal O Clarim – janeiro de 2020

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