Tatuagens

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Octavio Caumo Serrano

Já há algum tempo acentuaram-se as manias de colocar piercing e de tatuar partes do corpo com nomes, símbolos ou desenhos. Independente dos seus significados místicos ou espirituais, simbologias ou o que quer que se pretenda com isso, gostaria de analisar esta prática à luz da doutrina espírita.

Sabiam que Luiz Sérgio, autor espiritual de mais de trinta livros, que abordou sobre aborto, sobre drogas e outros assuntos delicados, também se manifestou em relação aos piercings e às tatuagens.

Simples pesquisa – “Luis Sérgio e as tatuagens” – nos brindou com o trecho abaixo.  Vamos ao diálogo:

Aqui é o Vale dos Tatuados?  Foi perguntado.
-Sim, aqui é o vale deles.
-Jessé, mas existe tatuado boa gente. Mesmo assim ele vem para cá?
-Não. Aqui se encontram os comprometidos. Porém, todos aqueles que estragaram sua roupa perispiritual terão de pagar ceitil por ceitil. -Como assim? Pode explicar?
-O perispírito é a veste do Espírito e o corpo de carne é a veste do perispírito, quando o homem está encarnado. Se agredirmos o corpo físico, o perispírito é agredido. Olhe aquele grupo ali: seus componentes tatuaram todo o corpo; corpo e perispírito foram agredidos.
-E por que eles vieram parar aqui, Jessé?
-Eles se agrupam, fugindo das criaturas normais. Querem chocar a sociedade.
Das tatuagens daquelas estranhas figuras saía uma fumaça escura, que muito os incomodava.”

Para os espíritas isso é fácil de ser entendido. Mesmo as doenças comuns, que geram lesões físicas, deixam marcas no períspirito que é a matriz usada na encarnação seguinte. Isso se dá com o alcoólatra que pode ter lesado o fígado físico espiritual, o fumante, que lesa pulmões, brônquios, etc., físicos e espirituais, com o assassino, que atrofia mãos e braços espirituais provocando lesões que virão com ele em vidas futuras, por que duvidar que com piercing e tatuagens ocorra o mesmo?

É comum nascermos com cicatrizes inexplicáveis, resultantes de ferimentos em vidas anteriores. No meu caso pessoal, para dar um exemplo, tenho uma cicatriz no fundo do olho esquerdo, só visível por aparelhagem, sendo que não tive lesões nesta vida. Já apareceu há mais de 40 anos e em exame recente lá está do mesmo jeito. Não há explicação a não ser por lesão perispiritual trazida de outras vidas.

O corpo físico é o templo sagrado onde mora o espírito nesta nova fase e deve ser tratado com o maior respeito. Atualmente a cada dia é mais usada a medicina preventiva como os check-ups, as mamografias, exames de próstata e de todas as outras áreas e parte do corpo. Desenvolveram-se  aparelhagens sofisticadas como as ultrassonografias, as ressonâncias e tantas outras.  Se nós devemos dar ao corpo físico todo o cuidado para mantê-lo saudável, não há sentido em flagela-lo com furos e rasgos desnecessários sob o pretexto de destacar-se em aparência ao acompanhar um modismo irracional.

A beleza das pessoas não está nos desenhos de sua pele. Há cobras muito mais bonitas. Se desejarmos homenagear marido, esposa, filho, namorada ou ídolos, tenhamos com eles uma convivência de harmonia sem necessidade de exibicionismo.

Dia destes assisti a um jogo internacional de voleibol feminino entre um clube brasileiro e um russo. As brasileiras cheias de desenhos e nomes e as russas, todas de pele muito clara sem um único sinal. Fiquei me perguntando o porquê dessa diferença de hábitos.

Este alerta é para que as pessoas tenham noção do que estão se fazendo e que se continuarem sujeitam-se a consequências. Quem der risada desta advertência, paciência. Na verdade é problema que diz respeito a cada um porque o livre arbítrio é sempre soberano.

Jornal O Clarim – julho de 2017

 

 

 

 

 

 

O dia da nossa queda

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Octávio Caúmo Serrano

“A quem mais é dado, mais é pedido.”

Não há dúvida que o trabalhador espírita, que estuda a doutrina, tem conhecimento sobre a vida e suas implicações maior do que o comum das pessoas. Saber da Lei da Reencarnação o conscientiza de que os percalços do cotidiano são lições para novos aprendizados ou consequências de atos praticados no passado, recente ou remoto, que exigem uma revisão para que o fracasso anterior seja agora mais bem entendido e não se repita. A reencarnação não nos devolve à vida material para nos punir, mas para nos dar uma nova oportunidade. É a maior misericórdia com que Deus nos presenteia!

Com base nesse conhecimento, é certo que a resignação diante da dificuldade é mais evidente no espírita convicto, um terreno mais bem preparado. Ele aceita sem revolta as dificuldades e não se sente abandonado ou castigado por Deus. Conhecedor da lei de causa e efeito sabe que colhemos o que plantamos. Toda ação gera uma reação de igual intensidade. Não ignoremos, porém, que o lado humano tem ainda grande influência mesmo no espírita mais equilibrado e todos nós estamos sujeitos a um tempo da queda vibratória. Há vezes que o fardo pesa demais nos ombros ainda pouco calejados. Mesmo sabendo e aceitando, dói e sucumbimos. O espírita não tem imunidade total contra a dor e o sofrimento. Cai, às vezes, também!

O que acontece nessas horas? Com o compromisso moral de ser forte, há os que não se atrevem a confessar suas dificuldades, mesmo porque correm o risco de ser censurados e até afastados de suas tarefas na casa onde colaboram, sob a alegação de que estão com perturbação espiritual, o que não se pode aceitar num espírita. Nessa hora, ficamos a sós com o nosso sofrimento, abandonados até pelos parceiros de doutrina que quase nunca percebem as dores alheias. Sentem que estamos doentes, mas não se prontificam a nos ajudar. Somos, inclusive, vítimas de preconceito. Como quer dar-se ao próximo se não consegue nem cuidar-se.

Nos nossos agrupamentos as pessoas pouco se conhecem. Mal sabem o prenome do colega. O José, a Maria, a Sílvia, o Alberto. De quê?  Qual o sobrenome? Em que trabalha? Onde mora? Quantos filhos? Por quais dificuldades econômicas ou enfermidades passa? Às vezes ficamos sabendo de problemas de um companheiro tarde demais e geralmente não temos o cuidado e a atenção de fazer-lhe sequer uma visita ou dar-lhe uma ajuda, financeira ou psicológica. Oferecer-nos para conversar para que o outro desabafe, dividindo conosco um pouco do fardo que já está pesando demais.

Isso ocorre mais que supomos, em todos os agrupamentos espíritas. Por isso defendemos, há mais de quarenta anos, que os centros (especialmente os maiores, com muitos trabalhadores) deveriam ter um dia para atendimento dos que colaboram no grupo, sem que tenham necessidade de socorrer-se de outras casas, por abandono ou vergonha de expor suas fraquezas, preocupados com o julgamento não fraterno e até censuras que receberão por confessar suas dificuldades. Obrigam-no a ter uma força que ainda não adquiriu.  Isso os leva amiúde a buscar consultas com médicos analistas ou socorrer-se de outros centros onde não são conhecidos.

Seria importante que os núcleos avaliassem como estão tratando seus “irmãos”.  Como vai o “amor ao próximo como a si mesmo”, na sua Instituição.  Veja como agem onde você participa. Quem sabe pode alertar seus dirigentes que, se não forem radicais e insensíveis, talvez aceitem pelo menos pensar no assunto e verificar se não estão mesmo deixando em plano secundário o atendimento aos que são, mais diretamente, os pilares do núcleo; os colaboradores mais diretos.

A caridade deve começar em casa. No centro está a nossa família espiritual. Ou deveria estar. Se não encontramos suporte ali, melhor procurar um local onde alguém nos dê atenção nas horas de provação. “Os sãos não precisam de médico”, já ensinou nosso querido Jesus!

Jornal O Clarim – junho de 2017

 

 

O sexo e suas implicações

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Octávio Caumo Serrano

Em mundos materiais como a Terra, salvo exceções em alguns tipos de vida, geralmente são necessários uma fêmea e um macho para que se dê a procriação.

No reino animal, onde só existe instinto, o sexo se destina à perpetuação da espécie e vê-se que é apenas no período fértil,  conhecido como cio, que os animais se procuram para reprodução.  Não há neles um instinto de prazer, mas apenas cumprir um desígnio da natureza para que o seu tipo não desapareça. Vemos, por exemplo, que no Brasil entre setembro e março os pássaros se acasalam e constroem ninhos para deitar os ovos que produzirão novos pássaros do seu tipo.

Essa regra não é obedecida pelo homem, apesar das muitas tentativas da igreja para que o relacionamento se dê apenas para procriação, devendo ser evitados até os anticoncepcionais. Como o ser humano está num estágio superior ao dos animais, pois além do instinto é dotado de razão, o relacionamento pode servir também para maior aproximação e mais amor entre os envolvidos, sem que necessariamente gerem crias. Todavia, apesar de lícito, é preciso é que seja um sexo respeitoso, equilibrado, com parceria e naturalidade. Que una cada vez mais os envolvidos.

O que é de se lamentar é que atualmente o sexo virou comércio e está vulgarizado, sendo explorado pela mídia em jornal, revista, teatro, televisão, em humorísticos, novelas, filmes, etc., porque a exibição dos corpos, com destaque para os femininos, é importante fonte de faturamento para essa gama de empresários desprovidos de pudor e para os quais os meios justificam os seus objetivos. O lucro acima de tudo, em quaisquer condições.

O problema é que as almas envolvidas terão de pagar altos preços. E caso não seja já nesta encarnação lhes estarão reservados para as vidas futuras. Para quem imagina que morreu acabou, não há argumento que o convença. Mas para os que sabem que viveremos novas encarnações no futuro, e já vivemos outras anteriormente, ignorar que seus atos lhes trarão dolorosas consequências é, no mínimo, uma imprudência.

Com esses conhecimentos teremos mais condições de saber por que há homens impotentes, mulheres frígidas ou estéreis e não nos sentiremos traídos por Deus por que não nos dotou de capacidades tão normais na maioria das pessoas. Mães que querem ter filhos, fazem tratamento, mas não conseguem engravidar. Outras que até têm facilidade, mas não retém a cria que lhes escapa sem razões aparentes. Abortam apesar de todos os cuidados. Somente o Espiritismo que nos fala da lei de ação e reação pode nos explicar certos fenômenos que acontecem nas nossas vidas.

Se algum dos ouvintes está vivendo tais limitações, não se revolte. Ao casal que não pode procriar, resta o lindo caminho da adoção, que, sem mesmo que saibam, muitas vezes é programada já na espiritualidade, antes do nascimento na Terra. A psicóloga americana Helen Wambach, no seu livro “Vida Antes da Vida”, confirma isso e muitas outras coisas, mostrando que nossa encarnação não se faz ao acaso, mas é resultado de cuidadosa programação na qual até os menores detalhes estão previstos.  Esse conhecimento e a vivência feliz, apesar dessas limitações, corrigem falhas do passado qualificando-nos a voltar à normalidade em futuros renascimentos.

Quem desejar se ver livre dessas consequências numa encarnação futura, cultive nobreza no sexo, usando-o para criar, amar, educar, mas sempre com respeito ao parceiro. Quem lesa o outro nesse campo, está lesando a si mesmo, embora não acredite e até ria desta afirmação. O que você não quer para sua irmã, não faça à irmã do outro. Não faça hoje para não chorar amanhã.

O livro Vida e Sexo de Emmanuel por Chico Xavier explica tudo. Até a homossexualidade. Leiam. Outro interessante é Sexo e Destino que André Luiz ditou a Chico Xavier e Waldo Vieira. Não estamos julgando porque, nesse tema, como disse Jesus, quem nunca tiver pecado que atire a primeira pedra. É só um alerta. A semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória!

Jornal O Clarim – Maio 2017

Temos de nos proteger

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Octávio Caumo Serrano caumo@caumo.com
É preciso usar todos os recursos para nos defender.

Num mundo conturbado e violento como o que estamos vivendo, toda proteção é necessária. Seja no que concerne à vida social, à vida profissional e à vida espiritual. Contamos hoje com seguros e aparelhagens de todo tipo para cuidar da nossa vida e patrimônio e proteger o que com tanto esforço conseguimos e pensamos  amparar nossos descendentes na nossa velhice ou caso faltemos.

Instalamos anti-virus nos equipamentos de informática contra invasores de arquivos e contas bancárias. Estamos vigilantes contra e-mails maliciosos que vêm fantasiados de seriedade, convidando-nos a atualizar cadastros, informando que nosso nome está com problemas, que nosso veículo foi multado, que o orçamento (que nunca solicitamos) está anexado à mensagem, que o correio tentou entregar nossa encomenda e a casa estava fechada, etc. etc. A imaginação da delinquência não tem limite.

Nossos patrimônios são guardados por vigilantes, cercas elétricas, seguros, alarmes, câmeras, sem que isso nos garanta ficar livres da maldade do mundo que conta com almas de baixo caráter, mas extremamente inteligentes. Como os hackers que invadem as contas de grandes organizações, aparentemente protegidas com segurança absoluta.

Recomendam as autoridades que não permaneçamos conversando em veículos estacionados na via pública, que não deixemos pertences, mesmo sem valor, no interior dos carros, que não usemos celular caminhando na via pública, que evitemos lugares ermos e tantas outras advertências para dificultar a ação da bandidagem. Mas nem sempre isso é suficiente.

Há uma proteção, todavia, mais segura do que as resultantes das providências acima que é o cuidado que a espiritualidade tem com seus fiéis auxiliares. Podemos ser parceiros de Deus na organização e aprimoramento do mundo. Cabem a nós as ajudas materiais que a espiritualidade recomenda. O agasalho, o alimento, o abrigo e a palavra aconselhadora para estimular o aflito ou desanimado dando-lhe diretrizes para reagir e buscar a felicidade. Os espíritos podem, nesses casos, inspirar-nos para o trabalho, segredar-nos caminhos que devemos tomar, mas as providências são da nossa alçada e responsabilidade. Se já sabemos ouvir, ouviremos.

À medida que vamos sendo bons obreiros na sua seara gozaremos de proteção, pois passamos a ser importantes na organização socorrista a que pertencem. Por isso somos poupados em acidentes, vamos por caminhos diferentes do imaginado e temos proteção contra assaltos. Sabemos tudo o que nos acontece, mas jamais ficamos sabendo de quantos males fomos poupados por ser colaboradores nos trabalhos divinos. De quantas doenças fomos curados sem nem mesmo saber que as tínhamos. O segredo é ser merecedor de proteção. Sem ter tais méritos, por mais cuidado que tenhamos ainda estaremos vulneráveis.

Nem trancas, nem cadeados, nem câmeras ou cercas eletrificadas podem cuidar de nós melhor do que a espiritualidade que nos tem como parceiros. Será que acreditamos nisso? “Ajuda-te e o céu te ajudará”, recomendou Jesus. Será que já temos fé suficiente para confiar em Deus? Oração e vigilância, uma atitude imprescindível nas vinte e quatro horas de cada dia!

Jornal O Clarim – abril 2017

 

Autoelogio – Vaidade ou discernimento?

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Octávio Caúmo Serrano        caumo@caumo.com

O autoelogio ou elogio por terceiros seria algo proibido?

Quando abraçamos o Espiritismo, passamos a ter de revestir-nos de uma capa de modéstia que é, muitas vezes, artificial. Não combina com nossa maneira natural de ser e acaba por nos deixar meio hipócritas. Mas isso não deveria acontecer. Ele nos ensina a sermos verdadeiros e a dar o devido dimensionamento às nossas qualidades e defeitos porque só nos conhecendo, como preceitua a questão 919 de O Livro  dos Espíritos é que poderemos conhecer nosso verdadeiro tamanho espiritual.

É nessa mesma questão, no item “a”, que o lúcido Santo Agostinho nos propõe uma autoanálise a fim de nos descobrirmos e, a partir daí, empregarmos nossas virtudes no bem comum e combate das nossas deficiências para aproveitar a oportunidade desta nova encarnação. E só com uma análise baseada na verdade e no bom senso é que poderemos tomar providências que nos ajudem. Hora do sim, sim, não, não!

Generalizou-se no movimento espírita, o que aceito em parte, que o elogio é desnecessário na análise do trabalho executado pelos obreiros da doutrina. Mas, já diz antiga trova de Lopes Filho, do livro Orvalho de Luz que “enaltecer e louvar são quais remédios terrenos que não se deve aplicar nunca demais, nem de menos”. Psicografia de Chico Xavier incluída no livro Calendário Espírita, por Espíritos Diversos.

O elogio natural, fundamentado, sem exageros, com argumentação sincera, sem bajulação, pode, por que não, servir de estímulo para quem faz o trabalho. Afinal, quantas vezes isto representa esforço de extrema dedicação do companheiro para apresentar bem a tarefa  que lhe foi confiada. Diferente do aplauso automatizado nas reuniões que muitas vezes não condiz com o trabalho feito.

Ao fazer a autoanálise aconselhada por Agostinho não devemos apenas ver defeitos,  mas também regozijar-nos com as qualidades que já incorporamos à nossa personalidade. Afinal trata-se de prêmio pelo nosso esforço de renovação e da nossa disposição para o trabalho que procuraremos fazer cada vez melhor. Só cada um, individualmente, sabe o esforço que tais conquistas exigem.

Da parte do elogiado, sem afetar-se, cabe-lhe analisar a justeza do que ouviu e se, conhecendo-se, está também de acordo. Sabemos quando vamos bem e quando vamos mal, sem que nos digam. Mas já que ouvir é estimulante, que, pelo menos, esteja de acordo com o que também pensamos e era nosso objetivo. Não se trata de tietagem como nos meios artísticos onde a alucinação coletiva muitas vezes falseia a realidade. É algo discreto, consistente e que nasce no coração de quem se sentiu atingido pela mensagem que, não raro, chega numa hora de necessidade. Podemos mudar o comportamento, os objetivos e o futuro de uma pessoa que esta vulnerável com uma frase que o atinge em certas circunstâncias ditando-lhe novos rumos de vida.  Justo que ela se sinta agradecida e entusiasmada e queira agradecer.

Conhecer-se; isto é o mais importante. O resto administre com sabedoria, sem falsa modéstia nem exagerada arrogância.

Jornal O Clarim – Março 2017

Postura na casa espírita

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A maior alegria do dirigente espírita é ver sua casa cheia. O perigo é que para isso ele faz concessões que comprometem a nossa doutrina. Muitas vezes a casa material está cheia, mas a casa espiritual (a matriz da casa na Terra) pode estar vazia ou até mesmo ter sido fechada.

A disciplina é algo que passa longe dos templos religiosos de todas as facções e o Espiritismo não está livre desses vícios e liberalidades que destoam dos princípios evangélicos. A impontualidade, a inconstância, a conversa inconveniente, quando não chula e desrespeitosa, o ruído exagerado, crianças correndo ou chorando que prejudicam o orador, o bocejo, a consulta ao relógio, como quem está enfadado e tantas outras inconveniências.

Não descartamos também a indumentária imprópria, especialmente em locais de clima quente, onde as pessoas defendem o direito à pouca roupa devido ao calor; mesmo que a casa tenha ventiladores suficientes ou ar condicionado. Verdadeiros desfiles de moda, quando o que se esperava do praticante era que tivesse (como disse Jesus) com veste nupcial.

Bezerra de Menezes no livro “Dramas da Obsessão” fala sobre o ambiente na casa espírita e diz: Um Centro Espírita onde as vibrações dos frequentadores encarnados ou desencarnados irradiem de mentes respeitosas, de corações fervorosos onde a palavra emitida jamais se desloque para futilidades e depreciações; onde em vez do gargalhar divertido se pratique a prece, em vez de cerimônias e passatempos mundanos cogite o adepto da comunhão mental com seus guias, será um centro fiel ao proposto pelos organizadores do Espiritismo e detentor da confiança da Espiritualidade esclarecida que o levará à dependência de organizações modelares do Espaço, realizando-se então em seus recintos sublimes empreendimentos que honrarão seus dirigentes nos dois planos da vida.

Precisamos ouvir a advertência dos Emissários Celestes da espiritualidade esclarecida que nos recomendam o máximo respeito nas assembleias espíritas, onde jamais deverão penetrar as frivolidade e a indisciplina, a maledicência e a intriga, o comércio, o barulho e as atitudes menos dignas de qualquer natureza.

Quando não procedemos conforme nos instruem os Celestes Emissários, estamos nos sujeitando a atrair para tais atividades, e, portanto, para a nossa instituição, bandos de entidades hostis, malfeitoras e ignorantes do invisível, que virão interferir de forma negativa nos trabalhos ali realizados, pois, os Espíritos Benfeitores não participam de atividades frívolas nem de ambientes incompatíveis com a prática da verdadeira caridade.

Luiz Sérgio, espírito autor de mais de 30 livros também nos adverte, enfatizando sobre a roupa. Cada estação pede um traje; em cada local nos vestimos diferente. As casas espíritas são hospitais de almas. Devemos chegar a elas com trajes discretos e que não façam desviar a atenção dos frequentadores para a nossa pessoa. Uma roupa sensual pode causar transtornos em algum espírito menos evoluído.

Se não vamos a uma cerimônia com roupa de banho, por que nos zangamos com a diretoria de uma Casa Espírita quando nos pede roupas decentes? As bermudas, como as minissaias não são trajes para quem deseja orar. Os piores obsessores são os encarnados. Eles é que muitas vezes atormentam os Espíritos que buscam guarida no mundo espiritual.

Há quem diga que devemos respeitar o livre arbítrio das pessoas. Respeitar o livre-arbítrio não é cooperar com a indisciplina. Casa sem disciplina é pasto de obsessores e a conduta dos seus frequentadores coopera muito para a boa assistência ou para o desequilíbrio. Não vamos agir como cegos condutores de cegos.

Jornal O Clarim – fevereiro 2017

 

 

O determinismo e o livre arbítrio

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Octavio Caumo Serrano caumo@caumo.com

Desde que fomos criados lá atrás na eternidade dos tempos, começamos nossa evolução. De simples e sem nenhum conhecimento, caminhamos para a angelitude, um longo trajeto que cada um percorrerá no seu próprio ritmo. De início uma lei soberana nos impulsiona ao progresso: Chama-se DETERMINISMO. Ele nos leva ao conhecimento e ao progresso e todo dia aprendemos algo novo, automaticamente, mesmo sem darmos maior atenção. O conhecimento se amplia pelo simples fato de estarmos vivendo.

Passada essa fase primitiva, começa a despontar em nós, produto da razão, a lei do livre-arbítrio que agora decide sobre a vida segundo nossa própria vontade. Inicialmente é um livre arbítrio acanhado que vai se ampliando conforme vamos crescendo. Passamos a ser donos da nossa vontade com mais competência porque já sabemos decidir sobre  o que é melhor para nós. Não apenas enquanto no mundo, mas todo o contexto que nos envolve segundo o critério da vida eterna. Preparar nesta encarnação o que teremos de viver numa outra.  Investirmos em qualidades morais e espirituais que nos poupem de maiores sofrimento s no futuro.

O objetivo desse crescimento é atingir um dia a super intuição que é o conhecimento amplo das situações que vamos viver. Intuição, diferente do que muitos imaginam, não é o que vem de fora como mensagem enviada pelos espíritos: isto é inspiração. A intuição é conquista individual e um dia seremos como Jesus que já detinha a super intuição. Quando Ele se referiu ao Templo de Jerusalém dizendo que não ficaria pedra sobre pedra, ele sabia que algo que começa errado não termina bem. Não há porque nos iludirmos.

Se observarmos as pessoas com as quais nos relacionamos podemos ver a diferença de intuição que cada uma possui. Há aquelas que quando você lhe pede um conselho ela afirma com segurança: Não vai dar certo. E não insista porque não vai dar mesmo. É o óbvio que o ser intuitivo percebe com a maior naturalidade o que para o ser comum é algo ainda misterioso e imprevisível. Por isso um é bom conselheiro outro não.

Durante a vigência do determinismo vivemos nos diferentes reinos da natureza aprendendo sobre sobrevivência, perpetuação da espécie, adaptação às mais variadas situações, condições de relacionamento. E vamos progredindo pelo aprendizado compulsório. Levantamos, vivemos um dia e ao voltar par casa somos uma pessoa diferente; com novos conhecimentos do que é bom e do que é ruim.

Bem mais à frente, o livre arbítrio começa a ser exercido para obtermos o que mais nos convém, provocando o bem ou o mal, mas sempre submetidos à lei de causa e efeito que estabelece uma reação de acordo com cada uma de nossas ações. Temos de definir o que mais vale a pena para nós e nos causa mais prazer e menos sofrimento.

Um dia, quando vivermos o Evangelho na sua essência total, passaremos a ter o domínio total do livre-arbítrio, porque só teremos interesse na prática do bem. O mal deixa de fazer parte das nossas cogitações porque já aprendemos como são funestas as consequência de sua prática. Estaremos mais perto de Jesus. Será impossível para nós praticamos o mal contra quem quer que seja, contra o ambiente e contra nós mesmos. Não seremos mais atingidos pela mágoa, tristeza, raiva, desejos de vingança ou qualquer outro sentimento que nos fazem mal e nos adoecem.

Quando o mundo coletivo chegar nesse ponto, o mal desaparecerá do planeta. Nem roubos, nem estupros, nem crimes, nem suicídios, nem sequestros. O amor ao próximo como a si mesmo, será natural em toda a sociedade.

Tenhamos fé porque este tempo está se formando.

Jornal O Clarim – janeiro de 2017

 

 

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