Proteção

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Walkiria Lucia Araujo Cavalcante 

“Pergunta: Dissestes que seríeis para mim um guia, que me ajudaria e me protegeria; concebo essa proteção e o seu objetivo numa certa ordem de coisas, mas gostaríeis de me dizer se essa proteção se estende também às coisas materiais da vida? Resposta: Neste mundo, a vida material importa muito; não te ajudar a viver, seria não te amar.”[1]

Esta pergunta foi dirigida por Allan Kardec ao Espírito Verdade em meio a outras tantas que lhe eram feitas nos quinze minutos mensais que este nobre espírito lhe dedicava a responder questões adstritas a mensagem da codificação. Acordado este feito anteriormente[2] afim de ajudar ao codificador no transcurso do trabalho. Orientando, pedindo revisão e fazendo apontamentos para que o Mestre Lionês pudesse analisar o conteúdo.

Todo o trabalho de construção passa pela edificação da própria criatura humana. Engana-se quem observa à distância, que aqueles que colocam-se à frente de qualquer obra, que estes, também, não estejam passando por um processo de criação e edificação de si mesmos. Modificação de valores, solidificação de outros e absorção de tantos outros. A criatura edifica a obra edificando-se.

Neste processo, precisamos de apoio dos que nos amam. Amar enquanto tudo está conforme desejamos é muito fácil, compreende o difícil e ajudar a este a crescer, constitui-se no processo de evolução, nosso e do outro. Por isso, somos encarnados em pequenos grupos, as famílias. Para que esta proximidade nos ajude a entendermos melhor e nos colocarmos no lugar do outro. Não havendo esta proximidade, teríamos dificuldade de compreender os defeitos do outro e consequentemente de ajuda-lo.

Ao falarmos da Codificação da Doutrina Espírita, falamos de um trabalho de estruturação e modificação de parâmetros de vidas. Saímos do pequeno grupo familiar e nos associamos a criaturas que pensam conforme pensamos, mas que vieram normalmente com impressões de vida diferente das nossas e com as quais nos vinculamos com o propósito maior de divulgação da mensagem e modificação de nós mesmos. Buscamos apoio nos amigos espirituais no processo de aprendizado e nos momentos mais difíceis.

Assim também ocorreu com Kardec em sua vida particular, pois o mesmo em sua vida particular sofria transformações de todo gênero até por ele ser desacreditado por fazer um estudo científico da existência dos espíritos. E como todos nós, necessitava de amparo. Nisto surge a pergunta que encabeça o nosso texto, contendo uma das mais belas respostas que alguém que ama poderia dar a outra pessoa. Mas será que somente Kardec, em virtude do trabalho que executava, possuía a assistência de um espírito protetor? Será que nós, também não possuímos?

Há Espíritos que se liguem particularmente a um indivíduo para protegê-lo? ‘Há o irmão espiritual, o que chamais o bom Espírito ou o bom gênio.’”[3]Qual a missão do Espírito protetor? ‘A de um pai com relação aos filhos; a de guiar o seu protegido pela senda do bem, auxiliá-lo com seus conselhos, consolá-lo nas suas aflições, levantar-lhe o ânimo nas provas da vida.’”[4]

Sempre contamos com a ajuda e amparo de amigos que nos amam, desejam nosso bem e nos orientam no processo evolutivo. Sabem dos nossos defeitos e conhecem das nossas virtudes. Muitos destes, constituem a nossa família espiritual. Estimulam-nos a crescer e tem a paciência de esperar quando insistimos em fazer o errado, pois dia virá em que retornaremos ao caminho do bem, único que nos leva a perfeição.

Por mais que acreditemos que caminhamos sozinhos no processo de transformação de criaturas velhas em ser humanos melhores, sempre existirão mãos amigas, algumas das quais invisíveis, a nos sustentar os passos. Tendo como principal destas o nosso anjo guardião, espírito superior em moralidade e intelectualidade que está vinculado a nós para nos orientar durante a encarnação. Sempre recorramos a ele, não importa quem o seja, importa a sua presença em nossas vidas. Silenciemos o barulho interior para que possamos escutá-lo em nós!

Jornal O Clarim julho 2020

[1] Livro Obras Póstumas, Mensagem de 9 de abril de 1856

[2] Livro Obras Póstumas, Mensagem de 25 de março de 1856

[3] Questão 489 de O Livro dos Espíritos

[4] Questão 491 de O Livro dos Espíritos

Os milagres

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Walkiria Lucia Araujo Cavalcante

“Na acepção etimológica, a palavra milagre (de mirari, admirar) significa: admirável, coisa extraordinária, surpreendente. A Academia definiu-a deste modo: Um ato do poder divino contrário às leis da Natureza, conhecidas. Na acepção usual, essa palavra perdeu, como tantas outras, a significação primitiva. De geral, que era, se tornou de aplicação restrita a uma ordem particular de fatos. No entender das massas, um milagre implica a ideia de um fato extranatural; no sentido teológico, é uma derrogação das leis da Natureza, por meio da qual Deus manifesta o seu poder. Tal, com efeito, a acepção vulgar, que se tornou o sentido próprio, de modo que só por comparação e por metáfora a palavra se aplica às circunstâncias ordinárias da vida.”[1]

 

Jesus é Aquele que nos ensinou que não iria derrogar as Leis, mas fazer cumpri-las, como então, ele produziria milagres no sentido teológico da palavra? Deparamo-nos aqui, como em outros momentos da vida de Jesus, com atos que a ciência comum não conseguia explicar e trazia um sentido sobrenatural que fazia calar as massas e evitar especulações exigindo deles explicação sobre o que eles mesmos não conheciam ou não desejavam conhecer.

A questão do conhecimento da Lei de é facultada a todos nós o que nos diferencia é o seu conhecimento[2]. Que é aprofundado na proporção do que avançamos na senda evolutiva da perfeição. Jamais um professor exigirá um conhecimento de física avançada a um estudante iniciante da matéria, mas para ele chegar ao final do processo necessitou aprender as quatro funções básicas da matemática.

Isto significa outro ponto importante. A ciência e a religião andam de mãos dadas. Não existe separação entre as duas. “A Ciência e a Religião são as duas alavancas da inteligência humana: uma revela as leis do mundo material e a outra as do mundo moral. Tendo, no entanto, essas leis o mesmo princípio, que é Deus, não podem contradizer-se. Se fossem a negação uma da outra, uma necessariamente estaria em erro e a outra com a verdade, porquanto Deus não pode pretender a destruição de sua própria obra.”[3]. A imutabilidade e a inderrogabilidade traz-nos a estabilidade e a harmonia Universal. Assim sendo, a criatura cria bases sólidas no processo evolutivo.

A mediunidade que não é objeto único da doutrina espírita serve como mecanismo para trazer luz ao que parecia sobrenatural. Desmistifica as curas como um processo de transfusão de fluidos partindo-se dos efeitos para as causas, chegamos a origem dos fenômenos, trazendo-nos a certeza que a comunicabilidade nada mais é que um fato natural ocorrido de mente a mente entre as criaturas ditas mortas e os encarnados. Que vem nos provar mais uma vez que não há derrogação da Lei, mas o cumprimento dela em sua maior pureza.

Outros alegam nos fatos da mediunidade o charlatanismo. Nunca dissemos que a mediunidade não possa ser falseada, sempre solicitamos que os fenômenos fossem estudados para que houvesse uma separação do joio e do trigo, do falso e do verdadeiro, da mentira e da verdade. O embuste permeia a existência humana, mas a criatura desonesta só falseia o que é verdadeira, principalmente aquilo que gera respeito na criatura, mas que a mesma ainda não detém os meandros de sua execução. Parte-se de um princípio verdadeiro, justo e correto para falsear e levar-se vantagem sobre ele.

Mesmo nos tempos atuais, os fenômenos espíritas, em sua grande maioria, são espontâneos. Constamos, em muitas situações, com o detalhamento realizado por parte dos médiuns sobre os fatos, que eles jamais tiveram acesso anteriormente. Desconheciam a existência dos personagens e em alguns dos casos, tais situações fogem a realidade vivida atualmente. A inconsciência é outro fator a ser destacado. Mas, mesmo que tudo isto não fosse objeto de convencimento, imaginemos que Deus iria criar toda uma estrutura Universal, obra gigantesca, para depois modificar pequenas partes ao sabor do bel prazer? “Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas.”[4]

Como a inteligência suprema iria ter ideias menores diante do todo? Como Ele iria mudar Sua Lei para beneficiar este ou aquele? Ele Justo e Bom para todos, fazendo-nos que estejamos imiscuídos na mesma Lei, diante das mesmas situações para termos as mesmas possibilidades de escolhas. Não há milagres, somente desconhecimento, ainda, da Lei. Pouco a pouco o véu do esquecimento se desvalerá da nossa visão espiritual e conseguiremos deslumbrar o que ainda não vemos com os olhos do espírito imortal.

Jornal O Clarim – junho de 2020

[1] Livro A Gênese, capítulo XIII, item 1

[2] Livro dos Espíritos, questão 619

[3] Livro Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo I, item 8

[4] Livro dos Espíritos, questão 1

Paradoxos

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Octávio Caúmo Serrano | caumo@caumo.com

Orgulhosos e egoístas, nos recusamos a fazer aquilo que nos liberta da mágoa e da insensatez.
Nunca houve no mundo tantas igrejas, tantas religiões, tantas seitas… Só seguidores da Bíblia, com destaque para o Evangelho do Senhor Jesus, há em nosso país inúmeras, com as mais variadas e exóticas denominações, que são concorrentes sem jamais se completarem. Cada uma com sua doutrina “à la carte”, pregando o que lhe convém. Seus líderes analisam a situação do país e cada membro de sua igreja é apologista de seus pontos de vista, usando o mesmo templo para enaltecer-se e para denegrir o desafeto. Para os amigos, as benesses; para os adversários a calúnia, a crítica mordaz e a ofensa. A minha religião salva e as dos outros conduzem-nos ao inferno. Ou vem para a minha ou está perdido; só ela detém o monopólio da salvação!
Quando analisam os políticos, aí, então, a cegueira e a incoerência são brutais. O partido de um é o único que vai fazer progredir os países e o mundo. Vivemos de PIB e superávit na balança comercial. E ai do adversário que fez algo errado, perdendo-se no cargo para o qual foi eleito. Será execrado sem direito a defender-se. Aí serão incluídos seus amigos, mesmo os que são corretos, e sua família até a última geração.
E nós, os espíritas, como nos comportamos diante desses fatos? Parece-me que exatamente como todos os demais. Não consigo perceber diferença quando se trata de análises e comparações. Um erro de um político do partido do outro e jogamos sobre ele toda a nossa ira.
Mas, qual deveria ser nossa conduta, se realmente nos norteássemos pelo Evangelho? Como resposta, citamos algumas orientações de Jesus, a quem tanto admiramos e temos como Guia e Modelo Maior: “Ama o próximo como a ti mesmo.” “Não julgue pra não ser julgado.” “Perdoa setenta vezes sete.” “Faça aos outros o que gostaria que eles lhe fizessem em situação semelhante.” “Com a mesma vara que medirdes, sereis medidos.” “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei.”
E, no Espiritismo, no Evangelho escrito por Allan Kardec, há ainda uma recomendação de caridade com os criminosos (Cap. XI, item 14) e prece por um criminoso (Cap. XXVIII). Nossa atitude, porém, é totalmente contrária a tais recomendações. Com isso, somos obrigados a refletir sobre outra importante recomendação de Jesus: “Atire a primeira pedra aquele que estiver sem pecado.”
No Cap. XI, item 14, lê-se ainda: “A verdadeira caridade não consiste apenas na esmola que damos, nem mesmo nas palavras de consolação com as quais as acompanhemos. Não é isso apenas que Deus exige de nós. A caridade sublime ensinada por Jesus, consiste também na benevolência constante para com o próximo.” Palavras que perdoam e incentivam também são caridade.
Os criminosos devem ficar sem punição? Esta é uma afirmativa que não fizemos. Cumpra-se a lei. Mas que ela parta de uma justiça institucionalizada, justa, lícita, imparcial e sem interesses escusos e não do julgamento de pessoas tão ou mais levianas do que o réu e que ao julgar defendem, por detrás, interesses escusos. Nenhum de nós passa pelo crivo da razão quando julgados por nossos atos ou pensamentos. Temos consciência pesada e só não aplicamos golpes para levar vantagens e ficar em evidência por medo ou incompetência. Não é, certamente, por honestidade; quer diante de nós, diante do próximo ou diante de Deus. Para orientação e confirmação, leiam no livro O Céu e o Inferno a mensagem do espírito José Bré, que é autoexplicativa.
O discípulo Pedro, em sua epístola 1, 4:8, ensinou: “Acima de tudo, porém, tende amor intenso uns pelos outros, porque o amor cobre multidão de pecados.” Paulo, na epístola aos Gálatas, 5:20, condena falhas da carne e os pecados das “discórdias, dissensões e facções”. Já lá no Velho Testamento, em Provérbios, 10:12, está dito: “O ódio excita contendas, mas o amor cobre todas as transgressões.”
Textos, lições, orientações nunca nos faltaram. O problema é que somos cabeça dura e, por ser orgulhosos e egoístas, nos recusamos a fazer aquilo que nos liberta da mágoa e da insensatez. Por mais emissários que o Plano Divino envie ao planeta, são sempre insuficientes para que vençamos nossas turras e nos livremos dos atrasos. Por isso a reforma planetária, que já está próxima, virá do Alto, de fora, e não das massas desta humanidade fracassada, que precisa ser mais uma vez substituída. Sejam quem forem os nossos governantes, não passam de uma plêiade de equivocados. Não veem um palmo adiante do nariz. Não são diferentes de nós nem uns dos outros. Como diz o povo, “somos todos farinha do mesmo saco”. De batina, fardados ou à paisana; de fala mansa ou austera. E, lamentavelmente, nós também! O mundo não é composto de melhores. Por enquanto, apenas de piores. O fogo que está queimando as matas e sufocando a vida no planeta é o mesmo que vem incinerando as nossas almas. Viram por que estamos num despenhadeiro sem volta? Nossas ações não condizem com a nossa “fé”!
Perdoa-nos, Senhor, por mais este fracasso e tenha piedade de nós! E que sejamos resignados diante das nossas dores.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – março 2020

Permaneçamos Fiéis

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Walkiria Lucia Araujo Cavalcante 

“Além disso, requer-se nos despenseiros que cada  um se ache fiel”[1]

Um dia, a luz do esclarecimento doutrinário adentrou-nos a porta mental. Fomos convidados a compreender melhor o que nos acontecia. A mensagem de amor começou a nos fazer sentido, pois nos falava de um Reino de Deus que começava desde agora, em nós.

Os dias foram se passando, as tribulações ora diminuindo, ora se avolumando, em outros momentos, tomando novos contornos. Vimos companheiros da Seara Espírita desertarem. Afirmarem que ainda não estavam no momento e preferirem “momento mais propício” para abraçarem as tarefas. Como se a obra de renovação individual pudesse ser adiada. Mais uma vez, o orgulho e o egoísmo batem à porta da criatura e não permite que ela enxergue o seu papel no todo e a responsabilidade consigo mesma.

Temos a tendência em observar muito mais o que nos incomoda do que as coisas boas que nos afagam o espírito. “Com efeito, experimenta mais desconserto emocional que bem-estar, quando poderia deter-se nas expectativas otimistas, nas evocações agradáveis, bendizendo a vida e agradecendo-a.”[2] Doenças, reveses financeiros, familiares que não nos compreendem a mudança de conduta e a permanência nesta mudança, companheiros de ideal que procuram minar o trabalho, colegas de trabalho que boicotam o que estamos realizando, tudo corresponde e empecilhos daqueles que estão encarnados e que buscam o processo evolutivo.

Não são “castigos de Deus” ou algo parecido, fazem parte desse processo de ajuste moral individual e coletivo que todos vivenciamos. Os atuais “Coaching” utilizam-se de Jesus como modelo (vejam que muitos não são espíritas e nem tão pouco tem conhecimento da questão 625 de O Livro dos Espíritos)[3] para nos mostrar que nos retroalimentamos de energia individual para prosseguirmos diante dos objetivos almejados. Por exemplo: se desejamos um emprego, não importa o que os outros estejam dizendo, deveremos traçar um objetivo, criarmos um ambiente propício e utilizarmos das ferramentas que temos para chegarmos lá, somando a isto persistência e autodeterminação.

Assim, também o é com relação a evolução da criatura humana e aos trabalhos abraçados na lide espírita. Sem precisarmos de buscar em outras paragens, Jesus nos apresenta como deveremos agir. Trouxe-nos a época, a figura de doze apóstolos, criaturas que representavam doze tipos que nos identificamos, mais Paulo de Tarso que mais tarde veio a ser o décimo terceiro apóstolo, o que viria a ser o divulgador de sua mensagem por todos os povos.

“Não obstante os erros que ainda nos assinalem o coração, sejamos sinceros em nós mesmos e estejamos decididos a cumprir o dever que possamos, diante de consciência. Desistamos de alegar tropeços e culpas, inibições e defeitos para a fuga das responsabilidades que nos competem.”[4] Se esperarmos o momento propício ou sermos perfeitos para atuarmos na Seara Espírita, esperaremos muito tempo para começarmos o trabalho. Seremos iguais as criaturas queixosas que reclamam que as coisas não estão boas e creditam aos espíritos a responsabilidade dos seus sofrimentos. Somos responsáveis por nós mesmos. Se não estamos felizes pelo que estamos vivenciando agora, mudemos a nossa conduta para podermos colher algo diferente.

Sendo um processo interno, em primeiro lugar, mudemos de atitude mental, transformando em atitudes externas o que se passa no nosso mundo interior. “Evidentemente, existem provas e expiações que devem ser experienciadas, porque são resultado de comportamentos irregulares em existências passadas. Apesar disso, a disposição para ser feliz, para utilizar-se bem do recurso reeducativo, raramente é aceita, mais complicando o desempenho do que o solucionando.”[5]

Não estamos sozinhos neste processo de reeducação. Se falhos como somos, ao arbitrarmos uma corrigenda a um educando nosso observamos e orientamos a ele, Deus que é nosso Pai Amoroso iria fazer diferente? Através de seus emissários nos acompanha de perto, nos ampara e orienta para o sucesso da obra empreendida. Mas cabe a nós escolhermos nos esforçarmos ou não. Alguém já disse com propriedade: crescer dói. Sendo verdade tal afirmação. Precisamos sair da nossa zona de conforto, com o que já nos acostumamos e principalmente: da posição cômoda de vítimas.

Temos a oportunidade bendita de estarmos encarnados agora. Quantos estão clamando por este momento, aguardando que mães amorosas acolham em seu ventre estas criaturas? Se nos equivocamos, refaçamos o caminho. Se nos afastamos de alguma maneira do ideal já abraçado, voltemos aos hábitos felizes, passo a passo. Se não podemos mais refazer os laços de amor com as criaturas porque a ofensa foi avultosa ou os laços do desencarne nos alcançaram, esperemos o momento propício, pois Deus que possuí a Suprema Inteligência nos conduzirá a todos a conciliação. Somos filhos bem-amados do mesmo Pai, que nos conduz a todos rumo a perfeição. Permaneçamos fiéis.

Jornal O Clarim – março 2020

[1] Paulo. (I CORINTIOS, 4:2.)

[2] Libertação do Sofrimento, psicografia de Divaldo Franco, autoria espiritual de Joanna de Ângellis, cap. 30 – Enquanto é Oportuno

[3] Jesus é o modelo e guia mais perfeito que Deus ofereceu a humanidade

[4] Livro Palavras de Vida Eterna, psicografia de Chico Xavier, autoria espiritual Emmanuel, cap. 124 – Permaneçamos Fiéis

[5] Libertação do Sofrimento, psicografia de Divaldo Franco, autoria espiritual de Joanna de Ângellis, cap. 30 – Enquanto é Oportuno

Enterro ou cremação?

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Octávio Caumo Serrano

O que nos ensina o Espiritismo?

No passado disseminou-se a ideia de que a cremação deveria ser precedida de uma espera de setenta e duas horas, tempo que a alma precisaria para abandonar totalmente o corpo. Opinião encabeçada por Emmanuel, mentor de Chico Xavier.

Vamos nos socorrer de Allan Kardec. Pergunta 164. Todos os espíritos experimentam no mesmo grau de intensidade, a perturbação que sucede a separação da alma e do corpo?” Resposta, “não, depende da sua elevação. Aquele que já está purificado, se reconhece quase que imediatamente, porque já se desprendeu da matéria durante a vida corpórea, ao passo que o homem carnal, cuja consciência não é pura, conserva por muito mais tempo a impressão dessa matéria.” Na questão seguinte, foi perguntado se “o Espiritismo exerce uma influência sobre a maior ou menor duração sobre a perturbação.” E os veneráveis responderam que sim. “Uma grande influência, pois o espírito compreende, antecipadamente sua situação; mas a prática do bem e a consciência pura exercem maior influência.” Segue-se longo e esclarecedor comentário do Codificador.

Aprendemos que o desprendimento das coisas materiais é fundamental para o crescimento espiritual. “Viver no mundo sem ser do mundo” dizem os espíritos. Como cada um de nós está numa escala evolutiva, uns são mais desprendidos do que outros. Como determinar, portanto, que após setenta e duas horas todas as almas estariam livres dos laços materiais. Exemplos e depoimentos de espíritos nos ensinam de maneira diferente. Quem trabalha com doutrinação ou esclarecimento de espíritos em reuniões mediúnicas comprova que há os que se imaginam vivos mesmo após décadas ou séculos. Não se desprenderam dos laços materiais apesar do tempo, essa medida quimérica que só tem função no mundo físico para administrar a vida humana.

Para que houvesse a certeza do desprendimento total da alma do seu corpo físico, haveria necessidade de exame por um vidente. Aí outro problema. A existência e a seriedade que pudesse dar confiabilidade a esse vidente. E para os que não acreditam na vida após a morte isso não faria o menor sentido. Haveria ainda um outro perigo, o de estabelecer-se uma nova taxa para fornecimento do atestado de VCDT – Vidência Comprobatória de Desenlace Total, conferida por vidente especializado nessa prática sem a qual a cremação não seria autorizada. Mais uma fonte de renda para os aproveitadores da boa fé alheia.

Não queiramos explicar as Leis de Deus pela inteligência dos homens.  O raciocínio das setenta e duas horas, se verdadeiro, deveria aplicar-se também aos sepultamentos, para evitar enterrar pessoas vivas. Quantos letárgicos foram sepultados e ao abrir o caixão para exumação dos ossos estavam de bruços.

De todo este relato, o mais importante é sermos desprendidos do mundo material ainda em vida biológica, usando o corpo e tudo o mais do mundo físico para o crescimento da alma, porque enterrada ou cremada ela continua intacta porque ao voltar para o mundo espiritual ela é o espírito imortal que prossegue vivendo eternamente. É, portanto, indestrutível.

Quem optou pela cremação do seu ente querido não se preocupe se a alma já estava separada ou se ainda sentia desconforto diante do calor. Tudo é efêmero e rapidamente superado pela misericórdia de Deus. Guardemos sempre as melhoras lembranças da boa convivência e se mágoas ficaram que elas sejam perdoadas e esquecidas. Tudo fez parte de mais uma etapa de aprendizado.

Jornal O Clarm – novembro 2019

Onde está meu salvador?

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Octávio Caumo Serrano 

As promessas não param, mas a humanidade não se salva. Por quê?

Há 1500 anos a lei da reencarnação foi banida dos dogmas católicos. O Concílio de Constantinopla – ANO: 553 D.C., acabou com ela. Saiba mais da história da mulher do Imperador Justiniano:

Teodora era a filha do domador de ursos da cidade. Desde cedo fez grande carreira como cortesã e conseguiu que o Imperador se apaixonasse perdidamente por ela. Quando se tornou Imperatriz, mandou executar quinhentas de suas antigas companheiras, entre escravas, prostitutas e sacerdotisas pagãs, para eliminar testemunhas sobre sua vida.

Extremamente cruel, Teodora, quando aprendeu a doutrina essência, ficou com muito medo de reencarnar como uma escrava negra e ordenou a Justiniano que revisse os códigos canônicos “para que aquilo nunca pudesse ocorrer”. Depois de um concílio faccioso, votou-se que a versão oficial da Igreja seria a Helenista, baseando-se em conceitos de “Céu” e “Inferno”, adaptados  do Hades e Olimpo, para o catolicismo, com uma diferença: pela imposição de Teodora, não haveria “reencarnação”.
Dessa forma, acreditavam que seria possível simplesmente finalizar o que quer que você tenha feito na Terra e subir aos céus se tivesse os contatos certos (daí surge a doutrina das indulgências). Um “quebra galho” do tipo “jeitinho brasileiro” que permanece até hoje. Ou seja, as religiões nos ensinam mentiras há muito tempo.

A mulher confiava que o marido tinha poder para revogar as leis de Deus com decretos e é o que as pessoas seguem pensando ainda hoje. Dizem-nos que basta ter fé, orar, frequentar os templos, oferecer dotes materiais para que o Senhor da Vida nos perdoe e abrande as nossas culpas. E vivemos todos buscando um Salvador sem perceber que para encontrá-lo basta olhar-se no espelho. Cada um é o único que pode salvar a si próprio. Os outros podem servir de estímulo, de orientadores para ajudar-nos na difícil tarefa; mas a decisão final é nossa. Se não quisermos ninguém consegue por nós. Recordando frase dos espíritos, “Deus que te criou sem o teu conhecimento não poderá salvar-te sem a tua colaboração”.

O tempo passou e a Igreja não teve coragem de restabelecer a verdade da Reencarnação, deixando-nos iludidos que com mera confissão e comunhão seríamos perdoados e anistiados das faltas. Reze, faça promessas, romarias, penitências e acenda velas que tudo se resolve. Vá à sua igreja uma vez por semana e quitará suas faltas. Atrasou por 1.500 anos o progresso do cristianismo que só agora, com o Espiritismo, volta a pensar e ser dono do raciocínio.

É tão mentira quanto à lenda de Adão e Eva que a própria Bíblia enuncia e desmente. Menciona logo no primeiro livro, “Genesis” 2:7, que Deus fez o primeiro homem do pó e o soprou para dar-lhe  vida e de uma costela sua fez Eva, a única mulher, com quem teve inicialmente dois filhos, Caim e Abel, e que depois desmente quando diz que Caim, após matar Abel,  deixou sua parentela, ”Genesis” 8:16/17, e seguintes, quando ele foi para longe, na terra de Node, onde casou-se e teve um filho, Enoque, e fundou uma cidade, muito distante do Jardim do Éden. Quem era essa mulher que se casou com Caim, se só existiam Adão, Eva, Caim, Abel e depois Sete (terceiro filho de Adão e Eva)? E se Eva era a única mulher do mundo feita da costela de Adão? Tá faltando capítulo nessa novela! E não me venham com aquela conversa de fé, porque fé que afronta o raciocínio não mais funciona nestes tempos.

Isso é o mesmo que acreditar que religiosos que vivem vida contemplativa, apenas em orações, tenham alguma utilidade. Em nada contribuem; nem mesmo para sua própria manutenção, já que não produzem seu alimento, sua vestimenta ou qualquer bem necessário à vida na Terra. São acomodados exploradores da sociedade. Não pode haver nisso qualquer mérito. Bom senso é o que nos falta para analisar até as escrituras que, apesar de rotuladas como sagradas, contém uma porção de tolices e inverdades. Orar e vigiar, também neste caso, foi a recomendação de Jesus. E não me digam que o que afirmo é uma heresia. Deem-me o direito à lucidez.

Continuo acreditando no que disse Jesus: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém chega a Deus a não ser por mim”. Mas sei que devo caminhar com meus próprios pés! Muitos estão esperando a volta do Cristo porque são cegos e não percebem que Ele nunca nos deixou. Seu Evangelho, o Sermão da Montanha e demais lições são o grande atestado da sua permanente presença entre nós. Obrigado, Senhor por me permitir ver tudo com esta clareza!

Tribuna Espírita – maio/junho 2019

 

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