Reconhecimento de si

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walkiria.wlac@yahoo.com.br

“Reconhecerá a necessidade de ser pessoa e não máquina, evitando o repetir-se monotonamente, sem direcionamento para frente nem para o melhor. Aplicará cada pensamento mais poderoso, de sentido profundo, de valor utilizável na construção do seu mais adequado comportamento para a paz. Eliminará aqueles que são perturbadores e podem ser substituídos amiúde, fomentando um clima psíquico de saúde com respostas orgânicas de bem-estar.” (Livro Vida: Desafios e Soluções, cap. 5 – Significado do Ser Integral, Bases para a Autorrealização)

Muitas criaturas afirmam que gostariam de ter fé, mas que não conseguem pois ainda ninguém conseguiu provar o que de útil e efetivo pode se produzir na vida da criatura em virtude dela. Entendem que a fé serve como objeto religioso de condução de massas, mas que efetivamente não possuem utilidade em situações práticas da vida. Então, em virtude disso, não se esforçam por possuí-la, já que, segundo eles, não trará benefícios imediatos.

A fé não é um artigo religioso de prostração perante a Divindade e aceitação sem questionamento dos fatos ocorridos ou dos que venham a ocorrer. A fé surge do desdobramento da razão. Pois, vincula-se a esta fazendo com que a criatura avalie as situações sobre o prisma da lógica e pondere entre o desejar e o possível de realizar. Separando o que é pura ambição do que é permitido fazer neste momento. Todos sem exceção estamos mergulhados nas Leis Divinas e em virtude disso, estamos também nesta migração de um passado que se intercomunica com um presente e provoca ressonâncias, algumas destas dolorosas, mas passíveis de solução.

O conhecimento espírita nos faz avaliar estas situações sobre um ponto de vista diferente dos que não a possuem. Afasta a figura do “coitadinho” e apresenta a figura da criatura responsável pelos seus atos. Fazendo com que tenhamos a certeza de que a imputação da desdita ou vitória fica a nosso encargo. Isto faculta a “paciência que sabe esperar, pois tem seu ponto de apoio na razão” e não se permite abater pelos vendavais das intempéries da vida. Mesmo vivendo dores lancinantes, acredita que amanhã será melhor. Que se hoje sofremos injustiças, não é porque somos inocentes, pois que também conspurcamos as Leis Divinas e este é o momento do devido reajuste.

Não estamos falando de uma aceitação inoperante. A fé tem como filhas diletas a caridade e a esperança. Ao falarmos da CARIDADE verificamos que existem circunstâncias nas quais somos tolhidos em nossos desejos, vemo-nos obrigados a permanecer em determinadas conjunturas que teríamos a licitude social de nos furtarmos e mesmo assim não o fazemos vislumbrando um bem maior, ou simplesmente quando saímos de nós mesmos e nos ladeamos a quem marcha ao nosso lado, procurando transformar esta fé viva: a ESPERANÇA, em atitudes, através da CARIDADE.

Possuímos demandas internas e externas a serem supridas. O ser psicológico e o ser fisiológico. A fé divina faz com que entremos em contato com a Divindade. Dá-nos uma plenificação de entendimento fazendo com que não sejamos uma máquina. Acreditamos porque nos foi explicado o significado das palavras e porque esta explicação fez sentido para nós, não porque nos foi imposto. Começamos, assim, a suprir as demandas internas.

Aprofundando mais na questão da fé humana, vinculada à polaridade fisiológica, vemos a fé nos fazer compreender melhor a necessidade do pensar bem e direcionar o pensamento para algo produtivo. Levando-nos a racionalizar os processos de “doença – estado transitório, envelhecimento – como processo natural da criatura, da pobreza – destacando que a verdadeira pobreza quando se perdem as aspirações de crescimento e realização íntima. A financeira é sempre contornável, desde que o indivíduo se empenhe por superá-la, e o trabalho é assim fonte geradora de recursos externos, enquanto internamente aprimora o sentido de vida.” e a própria morte – ela faz parte do processo existencial, como forma de desenvolvimento do ser profundo, que experimenta, etapa a etapa, novos mecanismos de elevação.” (Livro Vida: Desafios e Soluções, cap. 5 – Significado do Ser Integral, Bases para a Autorealização)

Quando não compreendemos estes processos como naturais debatemo-nos através das dores, das preocupações profundas e amargas decepções. Desejamos que o mal cesse sem termos aprendido a lição. Não queremos nos confrontar com algo que nós mesmo criamos ou que é fruto das experiências naturais vividas por toda criatura humana. O conhecimento espírita nos faculta a esperança, porque nos dá a base do entendimento e um caminho a seguir. Os males que nos acorrem decorrem das situações que podemos evitar e das que não podemos evitar. Nesta última incluímos os flagelos naturais. Mas os que mais nos dominam a caminhada são os primeiros que são fruto do egoísmo e do orgulho.

A criatura humana nos debatemos pelas mais variadas razões em virtude das situações atuais. A doutrina espírita nos fala de fé de uma forma lúcida e racional, nos convidando a ter esperança e para que esta esperança cresça e frutifique nos convida a fazer a caridade. Mostra-nos o contato com a Divindade e também que ela tem objetivos materiais imediatos. Para vivenciarmos qualquer coisa de forma integral em nossas vidas precisamos compreender o significado deste algo está acontecendo.

Às vezes não conseguimos abarcar os detalhes, mas sabemos que não somos órfãos da Divindade e por isso, jamais estamos desamparados. Por mais rude que nos pareça a jornada, por mais intempéries que o mar da vida nos ofereça, tenhamos a certeza que Jesus está no leme e nos conduz a águas tranquilas logo mais. Tenhamos fé, tenhamos esperança e a certeza que não estamos sozinhos nunca.

Jornal O Clarim – novembro de 2015

 

 

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