Sugestão

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Sugestão para o Natal
Octávio Caumo Serrano

O Natal está perto! Então é hora
De ofertar a um amigo algum presente,
Mas que o faça feliz, deixe-o contente;
Por isso é que me veio a ideia agora
De rogar a Jesus, Nossa Senhora,
Que nos deem a melhor inspiração
E saibamos ouvir a sugestão,
Para que seja útil a lembrança
E algo que só leve a esperança
E toque o fundo do seu coração!…

Se ele é da sua crença então invista.
Podemos sugerir-lhe, criatura,
Que lhe dê de presente a assinatura
Conjunta de um jornal e uma Revista,
Porque, segundo o meu ponto de vista,
Ele ficará muito agradecido
Por você ter tal brinde oferecido,
Já que traz coisa boa e qualidade,
Dura um ano e é, na realidade,
Um presente que não será esquecido!

Entre os vários que existem lhe sugiro
A RIE e o jornal, que é O Clarim,
Que de há muito comprovam ser, enfim,
Portadores de textos que admiro,
Como o ar que de há muito já respiro,
E nos traz bastante conhecimento;
Quero confirmar neste momento,
São periódicos sempre atualizados
Com textos bem escritos, revisados,
E notícias do todo o movimento.

Sempre abordam o puro Espiritismo,
São fiéis aos princípios kardequianos,
Isto já comprovado há muitos anos,
Porque não dão espaço ao fanatismo;
Ensinam que o orgulho e o egoísmo
Jamais nos fazem bem, só causam mal,
Por isso o meu conselho é racional.
Garanto-lhes que é o melhor presente!
Despeço-me e desejo a toda gente,
Um feliz ano novo e um Bom Natal!…

 

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Estudo e trabalho

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Temos de usar mente e mãos simultaneamente

Octávio Caúmo Serrano | caumo@caumo.com

Estamos cientes que a Doutrina Espírita é uma ciência filosófico-moral que precisa ser muito estudada para ser compreendida. O próprio Kardec enfatizou essa necessidade no prefácio de O Livro dos Espíritos, ao dizer que “anos são precisos para formar-se um médico (…). Como pretender-se em algumas horas adquirir a Ciência do Infinito?”. Mas ele disse também, quase que definindo um slogan do Espiritismo, que “fora da caridade não há salvação”.

Ninguém pode se queixar da falta de condições para aprender. Encontros, seminários, congressos, cursos, on-line ou presenciais, revistas, jornais, livros e palestras de renomados espíritas estão acessíveis a todas as camadas, porque o Espiritismo é fácil de ser compreendido pelos que têm real interesse no conhecimento. Espírita que não estuda é simpatizante da doutrina, não espírita. Busca-a por curiosidade ou para resolver problemas que não solucionou por sua capacidade ou com a ajuda de sua religião tradicional. Ouviu falar de obsessão e se imagina entre os sofredores inocentes, assediados pelos Espíritos. Creem em milagres, ignorando o básico do Evangelho que “a cada um será dado conforme suas obras”. “Faz que o Céu te ajuda.”

O auxílio sem esforço não faz parte da Justiça de Deus. Ela recompensa os méritos, mas não oferece imerecidos privilégios. O jeitinho é coisa dos homens, não do Pai Celestial.

Muitos de nós, espíritas, somos como “misseiros”. Egressos de outras religiões cremos que a ida semanal ao centro basta para cumprir nossos deveres de cristãos. Assistimos à exposição, recebemos passe e água fluidificada e só voltamos na semana seguinte. Quando não faltamos porque têm festa ou está chovendo… ou para economizar gasolina, pois a crise está grande. Nada sabemos da casa, mas o centro abre para atender uma ou cem pessoas.

Enquanto o Evangelho não desce das mentes para as mãos, nada produzimos. O trabalho é a melhor oração. Estudamos demais enquanto as mãos enferrujam pela inatividade. Cantamos hosanas, mas ignoramos o problema do vizinho ou de quem nos ofereceu a terapia espiritual no centro, transferindo um pouco de sua energia para fortalecer-nos.

Mas como o estudo é também importante para dar as bases do entendimento, você que se diz espírita responda, sem consultar apontamentos, estas perguntas elementares: 1. Nome completo de batismo de Allan Kardec. 2. Data do seu nascimento. 3. Dia do seu desencarne. 4. Quando ele lançou e quantas perguntas tinha a primeira edição de O Livro dos Espíritos? 5. Qual o nome da esposa do Codificador? 6. Quantos são os livros da codificação e em que ano foram lançados? 7. Você já leu as Obras Póstumas? 8. E a Revista Espírita de Allan Kardec? 9. Que fato importante ocorreu em 1º de abril de 1858, protagonizado por Allan Kardec? 10. Sabe o que é o Auto de Fé de Barcelona?

As respostas têm a ver com o seu interesse em conhecer um mínimo da religião que professa. É como o católico que precisa conhecer a Bíblia. O básico do conhecimento.

Depois perguntaríamos se além das reuniões públicas você participa de algum grupo de estudo da Doutrina e já se ofereceu para realizar algum trabalho na instituição. Conhece algo da estrutura e que meios tem de manutenção e sobrevivência? Ou está entre os que entram e saem e nem percebem se há lâmpada queimada, ventilador quebrado ou relógio parado porque a pilha esgotou? Usam papel higiênico, copos descartáveis e recebem o refrigério dos ventiladores, mas não sabem quem paga as contas.

Não espere ser cobrado nem que insistam para que você participe das atividades, seja qual for a sua habilidade. E se for convidado para realizar algum trabalho não se diga sem condições. Reencarnamos para aprender e não estamos no mundo a passeio. A próxima encarnação poderá ser uma difícil conquista. Especialmente para quem espera nascer em berço privilegiado, porque as pessoas mais ricas não querem saber de filhos. Querem casas, carros e vida de luxo. E com os altos custos dos estudos está difícil instruir vários filhos. Vai ter que se conformar em vir como pobre e ser operário. Você pode ter algo melhor se fizer por merecê-lo; sem desmerecer os operários, importantes numa sociedade como qualquer doutor, todavia, é sempre mais sofrido.

Inclua em suas orações e Evangelho no Lar as vibrações de amor pela casa que o acolhe, agradecido pelo que recebe e desejando que seus responsáveis tenham força e recursos para mantê-la sempre equilibrada. Só assim você será assistido e terá oportunidade de crescer, pelo conhecimento e serviço. As pessoas desconhecem o esforço dos dirigentes para manter o centro organizado, disciplinado e em condições de divulgar o verdadeiro Evangelho do Senhor Jesus. Às vezes falta até o básico para a manutenção da casa. Os engenheiros de obras prontas creem que tudo cai do céu e procuram beneficiar-se dela sem perceber o sacrifício dos administradores e colaboradores. São exigentes, indisciplinados e se acham no direito de tudo receber sem nada oferecer. Nem respeito.

Lástima que tantos de nós sejamos desse tipo! Aproveitemos o Natal para analisar como foi nosso ano de 2018, contra o qual tanto reclamamos, e meditar sobre o que seremos após desencarnar: anjos de guarda ou obsessores dos homens do mundo?

Bom Natal e feliz 2019!

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – Dezembro 2018

O semeador e a família

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RIE_11_2018

Octavio Caumo Serrano

Plantar sementes e plantar virtudes, são gestos parecidos.

Quando alguém vai criar uma lavoura, escolhe sementes de qualidade e define a área e a época do plantio. Sabe que a terra terá de ser preparada, destocada e adubada, para receber a semeadura. Dando continuidade, cuidará de regá-la adequadamente, nem com pouca água nem a encharcando além do necessário, para que a semente germine sem apodrecer. Todavia, além das providências que competem ao agricultor, outros fatores são importantes para uma boa colheita. Sol, chuva, frio, calor, conforme a necessidade de cada planta.

É por isso que cada região produz frutos com qualidades diferentes. A uva para o bom vinho depende não só do tipo de solo, mas do número de meses com baixa temperatura para deixá-la em condições de produzir bebida com qualidade. Há plantas que frutificam sob o solo, outras no tronco, como a jabuticaba, ou nas copas, como o coco, a jaca, laranja, quiabo, jiló, berinjela, etc. Outras são as próprias folhas, como a alface, a couve, o repolho e verduras em geral. Muitas, como a mandioca, a batata, a cenoura, beterraba, rabanete, amendoim, aspargo, cebola, confundem-se com as próprias raízes.

Se observarmos a paternidade, entendida mãe e pai, dá-se o mesmo. O casal planeja a sua união e, após sedimentar as necessidades básicas, avaliam suas condições e optam por trazer mais um Espírito ao mundo, adotando-o como filho, para enriquecer o lar e dar mais motivação à vida da parelha. Preparam o enxoval, o berço e o quarto cheio de requintes, para esperar o anjo que Deus vai lhes mandar. E o dia chega e tudo é festa. Alegria de pais, avós, padrinhos e demais familiares envolvidos naquele núcleo.

Começam agora os encargos de manutenção e encaminhamento da nova criatura. Aleitá-la, ampará-la para que tenha repouso e cresça saudável, e ensinar-lhe princípios básicos de higiene. Pediatra, vacinas, primeiros passos para ir-se adaptando ao mundo novamente. Acompanha a trajetória instrutiva, fiscaliza notas, comportamento na escola, relacionamento com colegas e professores, para que se habitue a ter boas companhias. Saber o que fazem, com quem se relacionam, que diversões têm como prioridades, como faz o semeador que arranca as ervas daninhas da lavoura, os brotos ladrões que enfraquecem a planta, removem galhos e folhas secas para que o produto cresça saudável.

Muitas vezes, porém, como ocorre na lavoura, chegam pragas imprevistas. Gafanhotos, moscas, geadas ou estiagem anormal que danificam o plantio. Como acontece com um filho quando é assediado por maus hábitos, por amigos nocivos que o desencaminham, apesar de toda a plataforma que construímos para que ele tivesse segurança. Quando menos esperamos, damo-nos conta de que ele está faltando ao estudo para seguir os amigos, criando problemas para outras pessoas ou envolvendo-se nos vícios comuns dos dias atuais, como jogo, bebida, droga, contra os quais a maioria das famílias tem perdido as batalhas.

É a hora do desespero, com a clássica pergunta “onde foi que eu errei”? Aparentemente tínhamos a vida do filho nas nossas mãos e as revelações que agora nos chegam são chocantes. A casa vira de pernas para o ar e uns tentam culpar outros. A avó diz que a filha não cuidou direito e esta alega que o marido é que se omitiu. Todavia, não é hora de buscar culpados, mas soluções. Às vezes são difíceis de encontrar, dependendo de quão longe o problema já avançou. Mas insistir na busca de consertos até a exaustão é o correto.

Neste instante, o mais importante é ter a consciência tranquila por ter feito o melhor, sem omissão. Como o agricultor que cuidou da lavoura e mesmo assim a perdeu. O prejuízo existe, mas a consciência está em paz. Fez tudo certo e as contingências lhe criaram problemas imprevisíveis. Não tem culpa. O mesmo se dá com os pais que em nenhum momento deverão afligir-se imaginando a reprovação de Deus. Nossos filhos são almas antigas que retornam para novas experiências e já trazem tendências, vícios e defeitos, de outras existências, sabe-se lá onde e em que condições. Nascem pequenos, de novas sementes, exatamente para serem moldados enquanto estão sob a proteção do esquecimento do passado. Mas nem sempre numa nova encarnação é possível transformar rudezas arraigadas em bondade, educação, respeito e equilíbrio. Isto está bem explicado em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo XIV, item 9, que trata da Ingratidão dos Filhos e os Laços de Família.

Entre as difíceis missões que temos na Terra está a formação de um lar. Como mãe ou pai. Nunca é batalha ganha antecipadamente. Há fatos que nos pegam desprevenidos, invigilantes, excessivamente confiantes devido à genética. Mas o DNA só transmite aos filhos as características físicas. Moral e caráter forjam-se; não se deixa como herança nem se passa em testamento. E é preciso que as duas partes sintonizem. Como professor e aluno. Um transmite seu conhecimento e o outro assimila ou não. Por isso há tanta desigualdade entre os discípulos da mesma classe, como há entre filhos dos mesmos pais.

Empenhemo-nos em ser bons lavradores, mas roguemos a Deus que nos mande chuvas de entendimento para que os filhos possam banhar-se nas bênçãos da educação e da bondade. E que afaste de nossa lavoura familiar os ventos fortes e suas ressacas que tudo destroem, deixando-nos impotentes ante a violência das grandes intempéries.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – novembro 2018

 

Inimigos da doutrina

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Os espíritas têm sempre a preocupação de defender o Espiritismo

Octavio Caumo Serrano | caumo@caumo.com

Neste 3 de outubro, quando comemoramos o 214º aniversário do nascimento do codificador Allan Kardec, vem-nos à mente o zelo que ele teve para que a doutrina fosse divulgada com critério, bom senso e verdade. Depois de relutar em organizá-la, devido a seus múltiplos afazeres, aceitou codificar as revelações dos Espíritos lançando-as no primeiro exemplar de O Livro dos Espíritos, em 18 de abril de 1857, considerado hoje a cartilha da doutrina, porque trouxe as primeiras notícias de um mundo até então desconhecido.

Passados 161 anos e analisando o progresso do Espiritismo, constatamos que ele cresceu e se espalhou pelo mundo. Isso se deu pela atuação dos Espíritos e, também, pela determinação de certos seguidores do Codificador, que pela literatura ou palavra falada se encarregaram de levar as notícias aos quatro cantos do planeta. Agora, com a modernidade que nos presenteou com a internet, TV e outros meios modernos de comunicação e divulgação, as notícias se espalham mais depressa.

Como esta doutrina não defende para si o direito de crença salvadora, já que o próprio Kardec criou um slogan definindo que “fora da caridade não haveria salvação”, tudo o que ela oferece é de graça — embora nos dias atuais aconteçam constantes eventos com taxas de participação não muito acessíveis às camadas menos privilegiadas. Ainda assim, tudo é espontâneo e vai quem quer e quem pode. Aquele que apenas se beneficia da casa espírita para ouvir o Evangelho, receber um passe e lutar pela sua melhora física e espiritual, pode fazê-lo gratuitamente.

Esta gratuidade incomoda algumas doutrinas que se alimentam de polpudas arrecadações entre os fiéis, com a venda de privilégios sem os quais ninguém se salvará. Basta frequentar as referidas igrejas, dar a contribuição e a salvação está garantida. Lamentavelmente os mais pobres, como não podem pagar, estão impedidos de entrar no “reino do céu”, ainda que se comportem como discípulos de Jesus.

Serão esses, porém, os grandes inimigos da Doutrina? Pensamos que não, pois não podem nos fazer nenhum mal nem conseguem interferir no nosso desejo de aprimoramento. Tentam nos menosprezar e agredir, mas seus argumentos são inconsistentes. Os inimigos que mais nos desestimulam a buscar novos caminhos de felicidade estão dentro do movimento e das casas espíritas. Certa vez ouvi uma frase, que não sei se alguém realmente a disse, mas se foi dita seria pertinente; afirma que “o Espiritismo iria desenvolver-se com os espíritas, sem os espíritas e apesar dos espíritas”. Ou seja, não obstante os espíritas, por não terem entendido ainda a que se destina o Espiritismo, façam quase tudo errado, ainda assim o Espiritismo cresceria.

Por que tal observação? Ora, obviamente porque a maioria de nós espíritas pregamos uma coisa e vivemos outra. A palavra amor é ventilada nas palestras como a salvação do mundo. Realmente o amor cobre uma multidão de pecados, segundo Pedro em sua primeira epístola, reforçando lições de Jesus quando afirmou que seus discípulos seriam reconhecidos pelo muito que se amassem. O amor cura alma e cura corpos. Lamentavelmente, não é o que se vê entre os conviventes espíritas, nem mesmo dentro do seu próprio centro. Ciúmes, maledicências e críticas maldosas. Desatenções com as dores e flagelações dos companheiros que muitas vezes passam por séria dificuldade, sem o conhecimento ou amparo dos “confrades”.

A gravidade do problema fica mais evidente quando somos um tribuno, que ocupa o espaço gentilmente cedido pela casa para discorrer sobre o Evangelho, dando ênfase ao amor ao próximo, que, na prática, nunca oferecemos. Somos arrogantes, complexados, metidos a professores de Espiritismo; prescrevemos aos outros as receitas que não aplicamos em nós mesmos; oferecemos palavras grosseiras com a mansuetude de um sacerdote. Muitas vezes combatemos o fumo com uma carteira de cigarros na algibeira ou falamos contra o álcool só faltando brindar a Jesus com um copo de aguardente. Lembro de pensamento da poetisa goiana Cora Coralina, que publicou seu primeiro livro de poemas aos 70 anos: “Feliz aquele que transfere o que sabe… Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.” Ou seja, que passa da teoria à prática, do discurso ao exemplo. Como somos poucos no Espiritismo! Porque somos poucos entre os homens…

Quem afasta seus conviventes da “salvação” são os próprios espíritas. Comentamos as belezas das palestras, mas, mesmo após dez, quinze, vinte anos de doutrina continuamos neuróticos, impacientes, ansiosos, cheios de mágoa e raiva, assumindo compromissos que não honramos e com dificuldade para perdoar as faltas alheias. O outro raciocina que se o centro não pode nos mudar após tantos anos de casa, não deve ser uma boa religião e, fatalmente, não deverá solucionar seus problemas e angústias. Não fomos inspiração para que mais um buscasse a nossa religião.

Se pensamos que podemos enganar, desistam. Somos mais transparentes do que imaginamos e observados com um rigor que nem sabemos. Quando pregamos a doutrina não somos nós que falamos; é o próprio Espiritismo que por nós ali está representado. Seremos julgados pelo que dizemos e mostramos em nome da doutrina. Oremos e vigiemos para não destruir o que Kardec e muitos outros missionários construíram ao longo do tempo.

Quem desejar um nome em quem possa inspirar-se, sem menosprezo de nenhum outro, leia a história do Dr. Bezerra de Menezes e saberão o que é a fé da convicção.

Ao falar que somos espíritas, primeiro mostremos. O exemplo é a única didática realmente convincente. E aproveito para dizer aos leitores, antes que me julguem pretensioso, que quando escrevo textos como este não me dirijo a ninguém. Sirvo-me deles para autorreflexão.

E que Deus nos ajude.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – Outubro 2018

 

Que a mão esquerda não saiba o que faz a direita

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RIE_09_2018

 

O Evangelho de Jesus não é uma vã filosofia

Octávio Caúmo Serrano | caumo@caumo.com

A Boa Nova deixada por Nosso Senhor é um código de ética e de moral, indispensável para o nosso crescimento espiritual. Portanto, não basta decorar os ensinamentos de Jesus; é fundamental aplicá-los em nosso cotidiano.

A expressão “não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita” (Mateus, 6:3) é uma figura de linguagem usada por Jesus para nos ensinar a importância da modéstia, que combate a vaidade. É o ensinamento que intitula o Capítulo XIII de O Evangelho Segundo o Espiritismo.

Logo de início, recomenda que façamos o bem sem ostentação e sem esperar o reconhecimento dos mortais, porque devemos trocar o elogio provisório e duvidoso dos homens pela glória eterna de Deus. Todo bem que fazemos fica impregnado em nossa alma de forma inalienável. Se recebermos já na Terra a recompensa, quando nem precisamos deste agradecimento, nada mais teremos a receber no mundo espiritual, quando poderemos precisar de verdade de alguma compensação pelos nossos gestos; seja pela nossa necessidade, seja como atenuante compensadora para alguma falha que cometemos.

Todo aquele que enaltece a si mesmo já recebeu o pagamento por seu gesto. No entanto, devemos fazer o favor, seja de que natureza for, de tal forma que preservemos o beneficiado, não o menosprezando ou diminuindo, em respeito ao momento difícil que o outro pode estar vivendo. Recomendam os Espíritos que devemos praticar a caridade de modo a parecer ao outro que nós é que a estamos recebendo. Um dia entenderemos que isso não é só aparência, mas realidade, porque o maior beneficiado por um favor prestado é o próprio agente. Só quando damos é que recebemos de verdade. Se precisamos ser incensados, demonstramos complexo de superioridade e descrença na vida futura, pois esses tesouros que produzimos na Terra se transformarão em tesouros do céu se não forem cancelados aqui mesmo.

Certa vez um palestrante do Sul, que pregava no Nordeste, com tema específico em diferentes centros, foi apresentar-se na nossa casa a pedido de uma companheira que cedeu a ele o seu dia de falar. Abrimos exceção e tivemos o cuidado de lhe dizer que ele não seria aplaudido, por mais que gostassem de sua fala. Ele quis saber por que e nós informamos que não era hábito na nossa casa aplaudir os palestrantes. Mas ele insistiu: — Por quê? Dissemos que o orador espírita não é um artista, embora muitos se apresentem como tal, e que nada traz de novo que não tenha sido ensinado por outros antes dele, especialmente Jesus Cristo. Ele sim merece nossos aplausos e agradecimentos. Guarde para receber os aplausos no Céu. Fez uma boa palestra, mas não foi aplaudido. Agradecemos e dissemos que o trabalho foi muito bom. Não ficou muito satisfeito, mas seguimos nossos princípios quanto ao assunto.

O que devemos ressaltar é que Deus vê mais a intenção do que o ato. Por exemplo, se contarmos a alguém sobre o bem que fazemos para motivá-lo a fazer o mesmo, e não por exibicionismo, será sempre lícito. Quantas pessoas desejam ajudar e não sabem como. O óbolo da viúva, mencionado por Jesus nesse mesmo capítulo XIII, logo depois do exemplo daquela senhora benfeitora anônima no item “Infortúnios Ocultos”, é um exemplo de que muitas vezes o pouco vale mais do que o muito. E há quem não faça nada porque não pode fazer algo expressivo. Já diz o povo que “o pouco com Deus é muito”.

Um exemplo de óbolo da viúva é o trabalho do voluntário espírita que oferece a palestra evangélica, o passe amoroso ou o texto divulgado pela mídia. Por maior e mais brilhante que seja sua tarefa e esforço, ainda assim será uma gota para matar a sede desta humanidade sofrida. E quanto maior for a modéstia na execução do trabalho, mais aproveitável será para quem faz e para quem recebe.

Raciocinando dessa maneira, não nos decepcionaremos com os ingratos, porque o agradecimento é também uma forma de quitar o favor recebido. Se ficar pendente, o problema se restringe ao ingrato por não ser agradecido. Quem fez o favor será sempre credor do bem oferecido e receberá no momento de mais necessidade.

Guardem como recordação esta nossa trova para nunca esquecer de que nossos atos de bondade não dependem de religião ou de qualquer outra circunstância: No gesto de caridade / que tira o homem do chão / Deus reconhece a bondade / seja ateu, seja cristão.

RIE-Revista Internacional de Espiritismo – setembro 2018

Espiritismo ou “curandeirismo”

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RIE_08_18Jesus Cristo foi o médico das almas, não dos corpos

Octávio Caúmo Serrano | caumo@caumo.com

A Doutrina Espírita advoga para si o direito de ser o Consolador prometido por Jesus, porque sintoniza com o que foi relatado no Evangelho de João, quando nosso Cristo teria dito que rogaria ao Pai para que nos enviasse outro consolador. Atentemos para a íntegra do enunciado: “3 – Se me amais, guardai os meus mandamentos. E eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro consolador, para que fique eternamente convosco, o Espírito da Verdade, a quem o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece. Mas vós o conhecereis, porque ele ficará convosco e estará em vós. – Mas o Consolador, que é o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito. (João, XIV: 15 a 17 e 26)”

Que foi que nos ensinou Jesus quando esteve entre nós, basicamente? Que é importante que amemos o próximo, seja amigo ou desafeto, parente ou estranho, de qualquer raça, idade, religião ou ideologia política. Apenas o próximo. Porque amar é atributo dos bons e quem ama é feliz. Mais do que quem é amado. Que devemos fazer aos outros apenas o que gostaríamos de receber caso estivéssemos em situação idêntica. Ensinou-nos isto na parábola do Bom Samaritano, com toda clareza.

Que devemos nos esforçar e dar o melhor de nós, como relatou na parábola dos trabalhadores da última hora ao demonstrar que o esforço foi recompensado como o trabalho e os que estavam presentes até a última hora receberam o mesmo que os que chegaram na primeira, mesmo tendo ficado menos tempo à disposição do empregador. Valeu a vontade e a qualidade do trabalho.

Que devemos perdoar sem restrições, quando ensinou a Pedro que não são sete, mas setenta vezes sete vezes cada ofensa recebida. Ou seja, sempre.

Muitos, no entanto, perguntarão: mas Jesus não curou corpos? Ressuscitou Lázaro, curou o cego e o paralítico, a mulher com hemorragia, o filho do centurião, o leproso? Sim, mas para provocar a crença dos que duvidavam. Mandou lançar a rede onde havia peixes, multiplicou os pães para alimentar a multidão, caminhou sobre o Mar da Galileia, transformou água em vinho. Mas fez isso esporadicamente durante o seu apostolado. Qualquer médium da Terra, os vários que receberam Dr. Fritz ou o nosso bom João de Abadiânia, para citar apenas dois, fazem centenas de vezes todo mês mais curas que Jesus em toda a sua passagem pelo planeta.

Contudo, homem algum jamais ensinou as maravilhas que Jesus Cristo nos deixou como lições atualíssimas e irretocáveis. “Conhecereis a verdade e ela vos fará livres.”

Portanto, certo está o Espiritismo quando diz que o verdadeiro espírita pode ser reconhecido pela sua “transformação moral e pelo esforço que faz para dominar suas más inclinações” (O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XVII, item 4 – Os bons espíritas). Não é pelas curas que faz, passes que aplica ou reuniões assistidas. O atendimento ao corpo pela fluidoterapia sem o acompanhamento das lições do Evangelho, utilizado atualmente até pelo SUS, tem solução parcial do problema. Sem a reforma do homem a cura nunca é completa.

O que o centro espírita, espírita de verdade, deve fazer pelo seu frequentador é enfatizar a vivência do Evangelho, a verdadeira cura que o Espiritismo oferece aos seus adeptos. O que vemos é uma inversão. Centro que faz curas do físico vive cheio e nas reuniões de estudo recebe sempre pouca gente. As pessoas frequentam seus templos das mais diversas doutrinas para orar e louvar o Senhor, mas quando adoecem do corpo correm para o Espiritismo. Essa história de amor ao próximo não é levada muito a sério. Por enquanto somos mais pelo amor próprio. Por isso, a humanidade está se destruindo no coletivo. Corpos saudáveis, sempre muito bem cuidados, enfeitados, e almas desalinhadas que não se encaixam na beleza das vestes. Jovens que gastam horas para arrumar cabelos e cútis nos institutos de beleza, enchendo-se de argolas pelo corpo todo, fazem desenhos na pele como couro de cobra, suportando a dor das agulhadas, mas que não aguentam uma aula de uma hora sobre o Evangelho de Jesus. Os valores estão invertidos.

Como o corpo físico é o templo do Espírito, uma alma saudável sempre refletirá sua beleza no corpo material. O corpo enfermo é sinal de alma adoecida.

Lembro-me que há muitos anos a revista das Casas André Luiz publicou o soneto Corpo e Alma, de Olavo Bilac, que reproduzimos abaixo:

Se tens uma alma e essa alma criatura,
Que te foi dada como um grande bem,
Quer um dia ascender, ganhar altura,
Ser um astro no além…

Tu tens um corpo e um corpo que procura
Rastear na lama que do instinto advém;
Quando sem dó tragá-lo a cova escura
Será lama também.

Nessa finalidade, atende, ó louco!
Corpo e alma são teus: a lesma e o astro;
Um quer subir e o outro andar de rastro.

Mas o que me surpreende, e é em que me espanto,
Que do corpo que é nada, cuidas tanto
E da alma que é tudo cuidas pouco.

Vamos rever nossas intenções em relação ao Espiritismo, esta doutrina consoladora, mas também redentora, quanto ao que ela pode efetivamente nos oferecer. Se buscamos a cura definitiva, que é a da alma, ou apenas a provisória, que é do corpo.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – agosto 2018

Diferentes corpos celestes

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Diz o Espiritismo que logo a Terra será um planeta de regeneração

Octávio Caúmo Serrano | caumo@caumo.com

Classificação feita por Allan Kardec define as diferentes categorias de mundos pela sua finalidade e de acordo com o estágio evolutivo dos Espíritos que o povoam. Determina, igualmente, a densidade material de cada mundo, que é o que define o tipo de corpo necessário para viver nele, qual seja mais pesado ou mais leve.

Quando se diz que a Terra é um mundo de provas e expiações, pressupõe-se que ela é habitada por Espíritos imperfeitos que carecem de aprimoramento cultural, moral a espiritual. Essa imperfeição nem sempre está relacionada com a maldade dos seres, mas, principalmente, com a ignorância que ainda apresentam. Nossos erros são cometidos muito mais por desconhecimento do que por malignidade.

Os que fazem mal propositadamente são minoria em nossa sociedade. O mais comum é alguém bem-intencionado imaginar que está certo quando, na realidade, age equivocadamente. Às vezes, excessivamente moralista, prejudica as pessoas mais simples, de boa-fé, e que ainda não têm condições de ser como ele gostaria. Exige do outro o que nem mesmo ele pode compreender. Para defender a disciplina, deixa até de praticar a caridade.

Com a passagem da Terra de mundo de expiações para mundo de regeneração, um pouco menos imperfeito do que está o planeta atualmente, quem desejar viver na Nova Terra terá de ser bem melhor do que é agora. Mas o que significa ser melhor, segundo esta definição?

A nós parece que bastam algumas virtudes fáceis de serem conseguidas. Por exemplo: honrar a palavra dada como respeito ao semelhante, pontualidade, assiduidade, perdoar as ofensas, vencer o orgulho e o egoísmo, ter paciência. Não se concebe que um espírita, que se diz candidato a viver no mundo novo, seja leviano em suas atitudes. Assume um trabalho e não comparece para executá-lo; matricula-se num grupo de estudos, porém falta mais do que comparece; chega habitualmente atrasado aos compromissos, incluindo a reunião espírita que tem horário estabelecido para início; entre outras coisas mais graves.

Não se pode, igualmente, testemunhar atitudes de extremo desequilíbrio, melindre, ira incontrolada, vaidade pueril e egoísmo contumaz naquele que se diz candidato a viver no mundo novo, na Nova Terra. Assim como o apego às posições e honrarias do mundo que ficarão por aqui quando formos embora, porque não têm valor.

A propalada reforma íntima e o desprendimento dos bens terrenos, tão apregoados pelo Espiritismo, têm por finalidade aconselhar-nos a sermos melhores enquanto caminhamos. Quem não se libertar dos defeitos mundanos agora, não terá acesso ao mundo mais purificado, porque ele será habitado por pessoas mais simples, mais humanas, mais fraternas, quando a solidariedade, que é exceção no mundo atual, será a regra da nova sociedade terráquea.

Quem pode provar que isso é verdade e vai realmente acontecer?

Jesus disse que seu reino não era deste mundo, que nós somos deuses e quando quiséssemos seríamos tão bons e perfeitos quanto Ele. Completando, Kardec faz a escala dos mundos e explica que eles se aprimoram como as pessoas e a natureza determina o novo ambiente de vida. Se nos foi advertido que deveríamos guardar tesouros no céu, os que forem guardados na Terra perderão seu efeito e serão imprestáveis para uso no ambiente renovado do mundo de regeneração.

Para os que acreditam na existência única e que tem na morte o final da vida, mesmo que ainda aceitem a sobrevivência da alma, este comentário é pueril. Para nós que cremos na orientação dos Espíritos e testemunhamos diariamente, inclusive por vasta literatura, que tudo segue um processo de aperfeiçoamento, ser negligente diante dessa possibilidade de crescer agora pode nos custar dores inimagináveis. A quem mais for dado, mais será pedido. Se temos o conhecimento e ele representa a verdade que liberta, desprezar essa advertência será pura infantilidade; uma nova oportunidade poderá ser demorada e dolorosa.

É bastante conhecido nos meios espíritas o episódio envolvendo o planeta Capela, da Constelação do Cocheiro. Muitos foram extraditados para a Terra para ajudar os habitantes do nosso planeta com seus conhecimentos técnicos e científicos, ao mesmo tempo em que aprendiam com os trabalhos de caridade a amansar seus corações e domar seu orgulho. O intercâmbio é perfeito e as oportunidades são dadas aos que as conquistam por esforço e determinação.

Não há benesses para quem não merece, porque a cada um será dado segundo suas obras. Se quiser morar na Nova Terra, construa desde já seu lar no novo mundo. Ainda que seja, provisoriamente, um lar fluídico de característica espiritual. Mais tarde, no tempo certo, ele será materializado e lhe dará grande prazer. É questão de justiça!

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – julho 2018

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