Não preciso de ninguém

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   Octávio Caumo Serrano

Basto-me por mim mesmo; sou autossuficiente

Se você que lê este texto pensa assim, é com você, exatamente, que queremos conversar.

Lembra quando você nasceu? Poderia ter morrido. Seus pais em vez de optar por recebê-lo poderiam ter decidido abortá-lo. Afinal, esse é um gesto comum entre os seres ditos humanos. Têm o sexo mais como divertimento do que para a continuidade da espécie. Está entre os mais explorados desregramentos dos nossos dias. Mas o que importa agora é que você nasceu e, para isso, já dependeu de duas pessoas, diretamente; mais médicos, enfermeiras etc. Acaba aí a sua autossuficiência.
Não vai parar mais. Em casa precisa de banho, higiene e alimentação. Para isso usa utilidades que alguém fabricou ou administrou: água, banheira, shampoo, talco, cremes, leite, mingaus, cotonetes, papel-higiênico, vacinas, fraldas e outros inumeráveis acessórios. Isso nos primeiros anos, quando pode acontecer sarampo, catapora, cachumba, coqueluche e que tais. Depois vem a escolinha: o pré, o jardim, o primeiro grau. Aí depende do transporte, do uniforme, dos professores. Ainda pensa que não depende de ninguém?

Aprende a ler e a fazer contas que vão ajudá-lo a administrar sua vida e prepará-lo para uma faculdade onde será especializado na área escolhida. E lá está você dependente de mais professores, até concluir seu curso superior. Nem falemos de mestrados, doutorados e outras “pós”. O problema agora é emprego. E aí você dependerá de alguém que decidiu investir seu dinheiro num empreendimento. Consegue uma vaga e começa a ganhar seu sustento.

Vamos supor que você é alguém brilhante e logo terá seu próprio negócio. Agora sua dependência se inverte. Vai precisar é dos seus funcionários que o assessorarão na empresa. E diante do sucesso, talvez decida se casar e então precisará de uma esposa, que muitas vezes trazem como brinde sogra e sogro, cunhados e, talvez, adoráveis sobrinhos que ajudarão a alegrar sua vida. Viu como você continua precisando sempre de alguém.

Sem que você se dê conta chegaram os quarenta, quarenta e cinco, cinquenta e junto com os anos a debilidade. O enfraquecimento, as dores no joelho, ciático, coluna, gastrites, problemas de dentição etc. e sua dependência agora é de médicos, farmácias, laboratórios: Eletro, ultrasson, holter, eco, hemograma, tomografia, ressonância, controle do colesterol e seus derivados, açúcar, miopia ou vista cansada. Estamos falando do trivial, que já está inserido no seu cotidiano, quando nada de maior gravidade acontece: doenças raras ou acidentes.

Se ficasse nisso seria ótimo. Há limitações que nos jogam na cama e fazem com que dependamos de terceiros para comer, higienizar-nos, vestir-nos e empurrar a cadeira de rodas para nossa locomoção. Aleijões, Parkinson, Alzheimer e muitas outras.

Penso que mais detalhes são dispensáveis após este breve relato e se você é um dos muitos autossuficientes neste mundo de ilusão, tenha vinte, quarenta ou quantos anos for, pare, reflita e reveja seus conceitos. Lembre-se que o palhaço não vive sem o público que o aplauda e que o público depende dele para sorrir. Feliz quem tem no próximo o seu parceiro, para pedir ou oferecer, para ensinar ou para aprender!

Desejo lembrar-lhe, ainda, que você, como Jesus, eu e todo mundo, vai morrer. Nessa hora precisará no mínimo de quatro pessoas para conduzirem seu caixão até a campa e de um coveiro para fazer o buraco do seu sepultamento! E se ainda quiser deixar impresso seu desejo na lápide, com pomposo epitáfio, peça para que escrevam: “Aqui jaz o corpo de uma pessoa que nunca dependeu de ninguém”.

Ainda dá tempo de rever os seus conceitos, se tiver interesse. Se você decidir servir o quanto possa, melhorar-se o quanto possa, e não só se atrasar enquanto possa, certamente chegará na espiritualidade menos denso e lá, livre das necessidades físicas humanas, aí sim,certamente, poderá depender muito menos dos outros e, então, poderá festejar sua verdadeira autossuficiência. Boa sorte.

Que assim seja e que Deus o ajude a despertar enquanto ainda é tempo!

Jornal O Clarim – julho 2022

Amar os inimigos

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Octávio Caumo Serrano   Não há no mundo quem não tenha inimigos.

Por que as pessoas têm inimigos? Podemos classificá-los de duas origens: Uma quando somos participantes e diretamente responsáveis pela desavença. Por exemplo, quando magoamos alguém, menosprezamos, ofendemos, abandonamos, traímos, ferimos, prejudicamos, de maneira intencional ou mesmo sem nos dar conta. Nesses casos, somos o agente causador e, portanto, participantes responsáveis por essa desavença que pode gerar mágoas, ódios e desejo de revides.  Temos de estar sempre vigilantes, policiando-nos quanto aos atos e palavras, para evitar inimigos desse tipo. Uma simples menção a um defeito do outro, pode ter sérias consequências. Se ele já tem complexo tudo se agrava. Nesses casos, somos cúmplices desse desentendimento.

Dissemos no início que não há quem não tenha inimigos porque o outro tipo que nos atinge independe da nossa culpa. São os invejosos e ciumentos que se aborrecem com a nossa maneira de ser, caso sejamos mais inteligentes, simpáticos, esforçados, dedicados ao trabalho ou estejamos lutando pela nossa melhoria. Não podendo subir até nós, comprazem-se por derrubar-nos. São os colegas de trabalho, de centro espírita, de lazer, porque nossa dedicação e perseverança incomoda-os porque são fracos, preguiçosos ou sem objetivos na vida. Às vezes vêm como bajuladores exagerando quanto às nossas qualidades, para que nos acomodemos e tenhamos falso conhecimento a respeito de nós mesmos. Querem que estacionemos porque isso representa andar para trás.

Entre esses podemos incluir também os desencarnados. Se não fazem parte de nossos resgates por desavenças em encarnações anteriores, vivem à custa de nossos defeitos e vícios, sorvendo os vapores da bebida que ingerimos, a fumaça oriunda do nosso tabagismo ou o frenesi dos nossos desregramentos sexuais. Se lutamos para abandonar os vícios eles nos combatem para não perder o fornecedor. Vemos muito destes nos centros espíritas insuflando desarmonia entre os trabalhadores, convencendo-nos a desertar das reuniões porque ali são dadas receitas de modificação moral, sem enganar as pessoas com falsas ilusões. A reforma íntima é o único caminho para a elevação espiritual e primeiro passo para cura da obsessão e todos os males morais. Primeiro façamos para depois esperar a ajuda do céu.

As receitas para nos livrar destes inimigos estão no capítulo XII de O Evangelho Segundo o Espiritismo: Pagar o mal com o bem, oferecendo a outra face. Retribuir a ofensa com o perdão, acompanhado do esquecimento. Como não temos controle sobre o pensamento, sempre vem à nossa mente exatamente o que mais buscamos esquecer. A receita mais inteligente é não deixar que o mal fique arraigado em nós porque depois é difícil retirá-lo. Nesse aspecto o perdão e peça fundamental. Ele bloqueia a mágoa impedindo-a de incorporar-se às nossas lembranças. Esforcemo-nos para ver no outro alguma qualidade, por mais difícil que pareça encontrá-la. Se nossos olhos forem bons, conseguiremos. E só ganharemos com isso! Mas só conseguiremos se o nosso orgulho deixar.

Jornal O Clarim abril 2022

A maior constituição

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Octávio Caumo Serrano 

Cada país tem a sua carta magna; regula a vida dos seus concidadãos, estabelecendo as regras de convivência: direitos e deveres. Variam no conteúdo, mas são iguais na essência, que é manter a paz e o respeito entre as pessoas.Na esfera divina também há uma constituição que vale para todos os globos, que é fundamentada na Lei da Criação, que é a Lei de Deus. No caso da Terra, o redator dessa constituição para fazê-la chegar até nós foi Jesus de Nazaré, o filho do Homem. É conhecida como O Evangelho ou a Boa Nova. Registra em seus capítulos e versículos, como se fossem artigos e seus parágrafos e incisos, tudo o que determina a Lei Universal.

O grande pecado dos humanos do nosso planeta é não terem entendido que o Evangelho é Lei e se o homem não a cumprir sofre as consequências; o Evangelho não sugere, não aconselha nem propõe; ele decreta. Quando diz “ama o próximo como a ti mesmo” afirma que não temos saída. Só amando nos livramos das inferioridades e crescemos espiritualmente. Só quando banirmos ódios, mágoas, rancores e desejos de vingança, por mais que acreditemos ter razão, é que ficaremos de alma limpa, libertando-nos das inferioridades. Mas só agiremos assim se acreditamos na eternidade da vida e que somos o herdeiro de nós mesmos, cabendo a cada um saldar suas próprias dívidas.

Na constituição dos homens não lemos que o presidente se sentiria muito feliz se pagássemos os tributos com honestidade e pontualidade. O país decreta valores e prazos que temos de cumprir, sob pena de incorrermos em multas, processos e prisões. Dá-se o mesmo com a constituição divina. É lei que não admite barganhas; pois como diz a redação dada por Jesus, ninguém sairá daqui (da inferioridade) enquanto não pagar até o último centavo. E não adianta querer livrar-se pela morte porque a dívida vai junto e volta para ser quitada numa nova encarnação com juros e correção monetária. Volta em forma de carma, do jeito que ficou pendente quando, é possível, teremos até menos condições para o resgate. Apesar de contarmos com a misericórdia da nova encarnação, não é inteligente adiá-la. E ela não admite “jeitinho” ou privilégios. Ninguém conte com padrinhos porque não funcionam na espiritualidade. Lá todos são mesmo iguais perante a lei.

É curioso quando ouvimos palestrantes dizerem que Jesus quer que sejamos fraternos, quer que nos ajudemos, quer que melhoremos. Penso que ele gostaria que nós agíssemos assim, mas ele sabe que cedo ou tarde nós teremos de ser assim. Lembro-me que quando ingressei no Espiritismo, lá por 1970, eu ouvia muito a expressão “temos de trabalhar para Jesus”. Depois entendi que temos de trabalhar para nós, tendo Jesus como o caminho, a verdade e a vida, ou seja, usando seu Evangelho como roteiro. As receitas são claras e não as segue quem não quer ou, masoquista que é, insiste em sofrer podendo facilmente ser feliz.

Logo teremos um Ano Novo. Deveríamos incluir em nossas programações ser um pouco menos orgulhosos, arrogantes e pretensiosos. E, por que não, um pouco mais humildes, fraternos e caridosos. É hora de ouvir Sócrates. Comecemos a conhecer-nos!

Feliz 2022!

Jornal O Clarim – janeiro 2022

Fora da caridade não há salvação

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ocaumo@gmail.com  Octávio Caumo Serrano   

“Onde está escrita a Lei de Deus?” Resposta: “Na consciência – LE p 621

Todo espírita sabe que “Fora da caridade não há salvação” é o lema da nossa Doutrina.

O Codificador do Espiritismo, Allan Kardec, que era de família católica, conhecia que o slogan da sua religião é “Fora da igreja não há salvação”. Mas ele tinha convicção que não bastava ter um credo e frequentar o respectivo templo, dar dízimos, esmolas ou contribuições, para estar quite com a Lei de Deus. Era preciso fazer-se merecedor das benesses divinas pela própria atuação em favor do progresso, seja no que concerne ao coletivo ou no que respeita ao próprio indivíduo. Daí, definiu, muito acima do convencional do seu tempo, que, independente da crença, só quem colabora para a melhoria do mundo pode conquistar a salvação.

A pergunta que cabe, porém, é a que salvação se refere Allan Kardec? Salvar-se do que ou de quem? Os velhos conceitos de que Deus perdoa ou castiga já não têm espaço nos nossos dias. Se Deus é amor, criou-nos para ser felizes. Se não somos como podemos e devíamos ser, não culpemos Deus pelo nosso sofrimento que tem origem e consequência em nós mesmos. Não há efeito sem causa. Estão nas individualidades e nas coletividades equivocadas os flagelos da humanidade. Não somos caridosos nem com o planeta, a casa que nos abriga. Por ganância, colaboramos para a sua destruição em todos os sentidos. Dizimamos matas, sujamos rios e mares e infectamos a terra e o ar que respiramos. Com a sujeira criamos e alimentamos enfermidades. Adoecemos com vícios como gula, álcool, tabaco e até drogas, destruindo a saúde para depois culpar a natureza.

Quando ele definiu a caridade como recurso para a nossa salvação (entenda-se como felicidade por consciência tranquila) é porque ela pode ser praticada por qualquer pessoa, por mais miserável que seja. Não há quem não possa dar exemplos de resignação diante da dor ou quem não possa oferecer um alento ao que está em desespero ou um sorriso para um solitário. Muitos suicídios são evitados por um singelo socorro que chega por meio de um gesto ou palavra na hora precisa.

Jesus deu o exemplo do Bom Samaritano, que não pertencia às castas judaicas, mas foi o único que se condoeu do sofrimento do homem que descia de Jerusalém pela serra que leva à cidade de Jericó quando foi assaltado e ferido. Não perguntou a crença ou o nome dele; simplesmente o socorreu. Até no episódio das oferendas do Templo de Jerusalém, que ele não condenou para não levantar maior ira dos fariseus, disse que antes de levar a “oferta a Deus” a pessoa deveria reconciliar-se com os inimigos, já que isso é o que mais agrada ao Senhor da Vida, porque ajuda na harmonização da sociedade e serena a alma de quem perdoa.

Vemos no mundo muitos exemplos de pessoas felizes e realizadas apesar de terem vida simples, difícil às vezes, ou acometidas de doenças. Jerônimo Mendonça, Chico Xavier, Irmã Dulce e até a nobre Anjezë Gonxhe Bojaxhiu M.C, cognominada Madre Teresa de Calcutá, cuja vocação levou-a à Índia sofrida a ponto de receber o Nobel da Paz e ser canonizada pelo Vaticano. A felicidade dessas pessoas deixa claro que a caridade faz mais bem ao praticante do que ao beneficiado. Este muitas vezes chega a ser ingrato, mas o gesto do autor jamais será perdido.

Espero que após este breve relato o leitor concorde que quem castiga ou salva o homem é o próprio homem. Tudo mora dentro de nós e a salvação tem um nome: Consciência em paz; algo que dinheiro não compra. Por isso, geralmente, no final os ricos serão os mais pobres e os pobres, os mais ricos! Exatamente como na parábola do rico e do Lázaro, contada por Jesus!

Jornal O Clarim dez 2021

Quantidade e qualidade

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Octavio Caumo Serrano  ocaumo@gmail.com

Dirigente espírita e casa cheia.

É comum se ver nas organizações espíritas situações que favorecem a afluência de público, mesmo que contrariem os princípios mais elementares da doutrina. Atrações artísticas impróprias, artes mediúnicas, chás, bingos, rifas e mesmo bazares e comércios que estimulam vícios, ganâncias e disputas. Há os que precisam de sócios para a sobrevivência e ficam reféns dos frequentadores até com “almoços fraternos” regados a aperitivos e cerveja, entre outras aberrações.

A verdade é que o dirigente busca todos os recursos para ver o centro cheio, independentemente da qualidade do público e do interesse que o levou até ali. Poucos estão na casa com o espírito cristão, com desejos de aprendizado para autoaprimoramento ou oferecendo-se para ser um auxiliar no campo da caridade. A maioria se encanta com a palestra bonita, com o orador de fala fácil e argumentação cheia de sabedoria, mas logo que saem do centro esquecem o que ouviram ou como usar as orientações em suas vidas. Foram ali mais em busca do passe milagroso, crendo que ele soluciona todos os problemas.

Uma parcela, oriunda de outras religiões, imagina que também no Espiritismo existe a “salvação” que se obtém com promessas, ofertas ou a simples presença no templo, ao menos uma vez por semana. Nada sabem da mensagem dos Espíritos porque nunca participaram do estudo que ensina os mecanismos que regem a espiritualidade para aprender que a cada um é dado exclusivamente segundo suas obras e merecimentos. Já afirmou o apóstolo Tiago (2:14-26) em sua epístola que a fé sem obras é morta. Diz ele: – “Poderão até dizer tu tens a fé, mas eu tenho as obras. Mostra-me então a tua fé sem as obras, porque eu te dou a prova da minha fé através das minhas obras”. Em 26, ele reforça:-Tal como o corpo que está morto se nele não há espírito, assim a fé sem obras está morta”.

Como obras devem ser entendidas não somente a esmola ou qualquer ajuda material, mas também a própria modificação para servir de exemplo e estímulo aos que estão desesperados, inclusive entre familiares, mostrando a confiança que temos em Deus. É a vivência do Evangelho na prática e não apenas no discurso com mera citação de capítulos ou versículos, decorados e não vividos. A comprovação do que dissemos se pode ter quando examinamos a quantidade de pessoas nos eventos e reuniões de assistência espiritual (passes, palestra) e as presentes nos estudos que, aliás, não faz parte de todas as casas espíritas nos moldes corretos, com troca de ideias para correta interpretação dos textos evangélico-doutrinários.

A voz do Cristo ainda ressoa nos ventos: “Conhecereis a verdade é ela vos fará livres.”  O entendimento do Evangelho corresponde ao entendimento da vida, tal a sua lógica. A mensagem de Jesus, embora muito simples, é tão real que os homens não conseguem acrescentar um ponto ou uma vírgula. Ela é a lei da física de ação e reação aplicada ao nosso cotidiano! Todo efeito nasce de uma causa.

Certa vez alguém argumentou comigo que para ele Jesus era uma invenção das religiões; é, como Sherlock Holmes, o personagem fictício criado por Sir Arthur Conan Doyle. Não há provas “científicas” da existência de Jesus. A maioria não percebe que quase sempre o bom senso prova mais que a ciência. Eu, por exemplo, creio na reencarnação mais pela lógica do que por provas.  Se Jesus não existiu na figura como nos é mostrado, então é um fenômeno ainda maior; se alguém que não existia deixou uma mensagem perfeita, irretocável, é ainda mais fantástico do que se houvera sido pronunciada por alguém de verdade!

Caro irmão espírita: – Estamos no mundo em tarefa de auto aprimoramento; embora dediquemos a maior parte do nosso tempo à preocupação de melhorar os outros e apontar suas faltas, não esqueçamos que cada um é seu próprio salvador; nós, divulgadores religiosos, apenas mostramos os caminhos. Logo, roguemos para que nossas palavras tenham sabedoria, mas que sejam comprovadas por nossas ações. Já aprendemos que um só exemplo ensina mais que um milhão de conselhos.  E nestes tempos difíceis somos cada vez mais responsáveis pelos nossos atos. Não podemos destruir a casa espiritual para edificar o templo material.

Jornal O Clarim – junho 2021

Olhando por vários prismas

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Octávio Caumo Serrano ocaumo@gmail.com

Tenho dificuldade para entender as doutrinas cristãs; refiro-me ao catolicismo e às nascidas de suas cisões, hoje desdobradas em dezenas de denominações. Afirmam seguir Jesus, mas negam claros ensinamentos do Cristo.

Em 18 de abril de 1857 foi criada nova doutrina cristã, o Espiritismo, fundamentada no Evangelho de Jesus, e enfatizando uma das principais leis humanas e divinas: A preexistência do Espírito antes de nascer no mundo material e a reencarnação, para aprimoramento da alma, lei que fazia parte do clero romano e que foi revogada pelo Concílio Ecumênico de Constantinopla em 553 d.C, a pedido do Imperador bizantino Flávio Justiniano, O Grande, (483 a 565) por pressão de sua esposa Teodora, que fora dançarina e temia reencarnar para resgatar suas faltas, incluindo-se o assassinato de  meretrizes que poderiam denunciá-la; registre-se que os Imperadores mandavam na igreja mais do que os Papas. Todavia, já no Velho Testamento, Jeremias 1:5, e no Novo Testamento, João 14:2 e 8:58, havia menções desse assunto.  Também o profeta Malaquias, em 4:5, fala da volta de Elias como o Batista, como Jesus ensinou aos discípulos além de informar a Nicodemos que ninguém veria o reino de Deus sem nascer novamente. Os poderosos Imperadores eram tão pretenciosos que só faltou revogarem as Leis da Gravidade e a da Ação e reação!

Apesar de a grande maioria do planeta, incluindo os selvagens, serem defensores desta lei, em 1500 anos não houve um Papa que tivesse a coragem de restaurar a reencarnação na Igreja, embora o Papa Gregório Magno (590 a 610), que gozava de grande prestígio entre os cristãos, ter sido defensor dessa lei de vidas sucessivas como recurso de aprimoramento do espírito. Mesmo depois de Justiniano cancelar a reencarnação.

Embora católico, por simples tradição do nosso país, até os 36 anos, há mais de cinquenta anos optei por viver a fé do bom senso e não a do misticismo ininteligível que afronta os mais elementares princípios da razão. Só o Espiritismo me explica o que a igreja esconde. E é com base na fé raciocinada, aquela que pode encarar a verdade frente a frente em todas as épocas da humanidade, que desejo analisar a atuação da pandemia global. Como cristão, fico com Jesus.

Quero crer que essa tragédia globalizada tem por finalidade apressar a modificação do planeta, com diferentes intenções, acelerando os tempos de mudança da Terra de mundo de provas e expiações para planeta de regeneração. Então, pergunto, para onde estão sendo enviados os espíritos desencarnados pela covid 19, ou por outras doenças, neste tempo de expurgo para transição planetária? Meditemos.

Grande porcentagem desta humanidade fracassada é constituída de espíritos impuros cuja característica é a maldade e a ignorância. Mas não podemos descartar que há muita gente boa que já se compraz na prática da caridade e do amor ao próximo. Penso que somos a última humanidade inferior da Terra nesta etapa de planeta expiatório porque a nova sociedade deverá ser mais evoluída. Logo, as naves que transportarão os espíritos desencarnados neste momento seguirão por rotas diferentes. Os que já tiveram todas as oportunidades e não aproveitaram serão exilados para planetas primitivos ou de provas, para ensinar a sua ciência e com isso desenvolver o lado moral. Uma reedição do episódio vivido pelos exilados do planeta Capela, quando foram trazidos para a Terra. E os que já aproveitaram seu tempo por aqui para sedimentar sua bondade, o que entre nós nem sempre encontra eco, serão levados para as colônias da erraticidade terráquea por algum tempo para estágio de treinamento e preparação para retorno dentro de curto prazo (trinta a cinquenta anos) quando a civilização do planeta regenerado já se fizer sentir. Portanto, enquanto o desencarne é punição para uns é prêmio para outros. É provável que muitos de nós choramos mortes abençoadas porque o espírito foi distinguido pelo plano divino para preparar-se mais um pouco e voltar para viver num mundo mais feliz. Imaginamos que sua morte foi castigo, quando foi prêmio! Lembrando Paulo de Tarso, que sensibilizou o carrasco que ia decapitá-lo, pela serenidade como encarava a sua sorte, talvez nossos mortos estejam também nos dizendo: – Não chore por mim; chore por você. Já cumpri minha missão e agora vou ter com Jesus!

A pergunta que certamente nos farão é: – Como saber para onde vai um e outro? Muito simples; basta ver como viveram e saberemos como estão na espiritualidade. A Lei já diz que “a cada um será dado segundo suas obras.” No plano de Deus cada um é o seu próprio juiz. Não há privilégios nem interferência de amigos. E quem julga não é Deus. Ele é o criador da Lei, mas o julgamento do homem é feito pela sua própria consciência!

Os espíritos já ensinaram: “Deus que te criou sem a tua ajuda não poderá salvar-te sem a tua colaboração”. Mas os religiosos venais sonegam de nós as informações que devemos viver muitas vezes em planos físicos para corrigir falhas porque desejam transformar-se em nossos intermediários na obtenção das benesses do Reino Celestial, recomendando-nos promessas, novenas, penitências e donativos. Para eles vale mais um desonesto que ora do que um ateu que é decente. E assim cuidam da sua sobrevivência impedindo-nos de lutar pela nossa emancipação moral. Mas, diante do livre arbítrio, cada um faça como melhor lhe pareça. A semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória!

Jornal O Clarim – maio 2021

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