Falsos cristos e falsos profetas

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Octávio Caumo Serrano – caumo@caumo.com

Capítulo XXI – ESE – itens 1 a 7

Jesus nos dá incansáveis exemplos de discernimento e lógica para que saibamos ver e não sermos enganados. A má árvore não pode dar bons frutos. Do homem mau, quase nada se aproveita. A não ser o exemplo para que nunca o imitemos. Com o mal também aprendemos.

Jesus nos adverte neste capítulo, ainda uma vez, que muitos espertos falarão bonito e parecerão doutos, mas não passam de lobos vestidos como cordeiros. Por isso é preciso que estejamos atentos. E só quem conhece pode ver a diferença.

Profeta palavra grega que significa médium ou intermediário.

No capítulo 24 de O Livro dos médiuns está ensinado como identificar a natureza dos Espíritos. Não creia em todos os Espíritos, mas antes vejam se são de Deus. Advertência de João Evangelista. Isto ele diz também em sua Epístola nº 1.

Mensagens de encarnados e desencarnados. Em qual acreditar mais? O encarnado, pelo menos, tem RG que o identifique e podemos vê-lo nos ambientes onde estamos. Quanto ao espírito, só nos resta conhecê-lo pelo conteúdo da mensagem, não por sua assinatura, porque a maioria de nós não tem capacidade para saber se quem fala é mesmo o espírito que se identifica ou o encarnado que está fantasiando. Se quisermos saber se a mensagem é verdadeira, basta que a examinemos à luz do Evangelho de Jesus. Venha do médium ou do Espírito. Se apenas nos adula e promete vantagens fáceis, descarte porque é falsa ou vem de um espírito impostor que deseja derrubar-nos e desencaminhar-nos do caminho do bem e do esforço que nos cabe para crescermos nesta encarnação.

Temos uma amiga, presidente de um centro em João Pessoa, que tem viajado para outro estado em socorro da filha que vive momentos difíceis. Para não se ausentar da doutrina, contou-nos que foi e vai a várias instituições onde assiste às reuniões, mas não consegue identificar ali o Espiritismo. Quando indagada por um dirigente de um desses centros se havia gostado do tema, ela respondeu, pedindo licença para usar de franqueza, que ali não viu o Espiritismo, segundo Allan Kardec. O homem argumentos que é porque ali seguem Humberto de Campos.

Noutra casa havia convocação para um evento de fim de semana quando viriam médicos da capital para fazer consultas e uma médium pictográfica que pintaria quadros que seriam vendidos (o pacote, quadro e consulta), por R$ 200,00 por pessoa. Ela, horrorizada, indagou-me se é justo um centro espírita cobrar pelo que faz e lhe respondi que não é espírita. A culpa é de quem prestigia os oportunistas por desconhecimento dos verdadeiros propósitos do Espiritismo. A doutrina veio ao mundo no tempo certo para curar almas, não corpos. Corpos se tratam com médicos ou pelos espíritos, espontaneamente, quando há utilidade e merecimento na cura do enfermo. Quando a sua cura o habilitará a trabalhos edificantes em favor da humanidade, ainda que em âmbito pequeno.

As pessoas vivem sendo enganadas porque se oferecem para que os desonestos que falam estranho e bonito possam ludibriá-las. O guia seguro é sempre o Evangelho, sem os requintes da fantasia que muitos procurar lhe dar. Confundem mediunidade com o Espiritismo e todos que se vestem de branco ou com roupas exóticas lhes parecem enviado do Céu para salvar os homens.

Diz o espírito Luiz Sérgio no livro Dois mundos tão meus, sobre a disciplina no Centro Espírita: “Quem chega numa casa espírita não imagina o trabalho dos mensageiros do Cristo. Desde o pátio inicia-se a proteção divina. Por isso as casas espíritas não devem promover festas, bingos, rifas, jantares, enfim, recreação festiva em suas dependências, pois elas são hospitais de Deus.” O centro é um local simples, limpo, ordeiro e sem requintes desnecessários. Se oferece iluminação e ventilação adequadas e assentos para acomodar seus frequentadores é suficiente. Nada de exageros, luxo, conforto em excesso, ar-condicionado, etc., que será pago por alguns para que outros, insensíveis, desfrutem. Não é um teatro, um cinema ou salão de festas. Não é um lugar para reuniões sociais, mas para divulgação doutrinária segura onde só se pede do frequentador respeito, disciplina e atenção. Não é supermercado onde se tenha por preocupação primeira a venda de produtos. Pode ter anexada uma livraria para estimular o frequentador a ler e adquirir conhecimento. Mas não como fonte de lucro e principal objetivo. Nem é lugar para excesso de cantoria, mesmo com a desculpa que são letras de cunho espírita. Como um entretenimento para os que aguardam a palestra aceita-se. Mas não como prato principal do banquete. Perdoem-me os discordantes. É a minha forma de ver e lidar com o Espiritismo. Cada minuto no centro é precioso e deve ser usado para levar conhecimento. O tempo é pequeno. Ninguém aprende sobre a doutrina indo à uma reunião de uma hora uma vez por semana. E se ainda prejudicamos esse tempo, restará muito pouco.

Em mais um período de finados, lembremos que os mortos estão vivos. Nos ajudam ou nos enganam, conforme deixamos e segundo a sua natureza. Orar e vigiar. Sempre e intensamente.

RIE – Revista Interacional de Espirtismo – novembro 2019

A magia da criação

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Octávio Caumo Serrano

Logo que tomamos contato com o Espiritismo, aprendemos que Deus nos criou, todos, simples e ignorantes para fazer o caminho de volta no rumo da evolução. Inclusive Jesus.

Assim dito, dá a impressão que Deus estava diante de um recipiente com sementes de vida e com uma pinça ia dele tirando cada um de nós, individualmente, mandando-nos para os mundos primitivos onde faríamos nossas primeiras experiências. Seria como imaginar que as imensas turbinas da Usina de Itaipu girassem para produzir infinidades de 110 e 220 volts para enviá-las às nossas casas a fim de que as luzes se acendessem e as tomadas gerassem corrente para os eletrodomésticos. Sabemos que não é assim. Ela produz em alta voltagem que vai pelas linhas de transmissão até as usinas e depois pelos transformadores dos postes em cada setor urbano, onde se reduzem. Parte vai para as indústrias que tem cabine primária, para criar os trifásicos, mas a maioria se destina às residências onde chegam em 110 ou 220 volts, conforme a região.

Dá-se o mesmo com a criação. Deus, pelo poder da Sua vontade cria a mônada celeste (um conjunto de princípios espirituais) que num movimento de involução desce do Céu para Terra para iniciar o caminho de retorno ao Pai, por meio de constante aprimoramento. Essa mônada seria como uma colmeia e suas abelhas ou uma pinha com múltiplos frutos, todos com as características do envoltório mãe, mas que têm sua individualidade. “Sob a orientação das Inteligências Superiores, congregam-se os átomos em colmeias imensas e, sob a pressão, espiritualmente dirigida, de ondas eletromagnéticas, são controladamente reduzidas as áreas espaciais intra-atômicas, sem perda de movimento, para que se transformem na massa nuclear adensada, de que se esculpem os planetas, em cujo seio as mônadas celestes encontrarão adequado berço ao desenvolvimento. (Evolução em Dois Mundos – Primeira Parte: cap. 1 – Fluido Cósmico.)”

“Faixas inaugurais da razão – Estagiando nos marsupiais e cretáceos do eoceno médio, nos rinocerotídeos, cervídeos, antilopídeos, equídeos, canídeos, proboscídeos e antropoides inferiores do mioceno e exteriorizando-se nos mamíferos mais nobres do plioceno, incorpora aquisições de importância entre os megatérios e mamutes, precursores da fauna atual da Terra, e, alcançando os pitecantropoides da era quaternária, que antecederam as embrionárias civilizações paleolíticas, a mônada vertida do Plano Espiritual sobre o Plano Físico atravessou os mais rudes crivos da adaptação e seleção, assimilando os valores múltiplos da organização, da reprodução, da memória, do instinto, da sensibilidade, da percepção e da preservação própria, penetrando, assim, pelas vias da inteligência mais completa e laboriosamente adquirida, nas faixas inaugurais da razão.” (Obra citada – Primeira Parte: cap. 3 – Evolução e corpo espiritual.)

Inicialmente fazem suas experiências sem modificar seu coletivo, aprendendo com o reino mineral (contração, dilatação, etc.), com o vegetal (fotossíntese, acasalamento, etc.) com os insetos (defesa da vida, alimentação para sobrevivência, etc.), como uma turma de turistas orientados por um guia ou alunos levados por um professor para realizar pesquisas numa escola, museu, igreja ou parque. Tão logo termine essa fase, cada princípio espiritual individual liberta-se para continuar suas experiências e dar vida a um animal maior: cachorro, gato, leão… É o mesmo princípio espiritual que um dia será a alma humana.

Nessa fase, sofre influência da lei do determinismo que o impulsiona ao progresso, mesmo que não se dê conta, ao mesmo tempo que passa a ter livre-arbítrio, pelo uso da razão além do instinto, que vai aumentando à medida que o determinismo diminui com o seu conhecimento e evolução. O objetivo é dotar-se, muito tempo depois, da intuição e da super intuição que é o conhecimento próprio de tudo. A sabedoria, como Jesus.

Percebe-se por esta rápida análise que ser um espírito superior demanda longa caminhada e muito esforço. Daí termos de viver inumeráveis vezes em mundos materiais, iniciando nos inferiores antes de capacitar-nos a viver nos mais elevados.

Tão logo diminui o determinismo passamos a ser donos da nossa vontade e a responder por tudo o que fizermos. É uma fase difícil, pois ao descobrir o mundo material encantamo-nos com suas atrações e esquecemos do progresso espiritual que é consequência do comportamento moral, mantendo-nos por longos períodos nas esferas inferiores o que sempre nos causa sofrimentos porque traz consigo o orgulho e o egoísmo, fase em que o homem está preocupado em ostentar e investe sua inteligência e capacidade na conquista do que lhe traz projeção social. Passa a valer pelo que tem, não  pelo que é. E como ninguém pode amar dois senhores, como ensinou Jesus, afasta-se  do principal objetivo, que é crescer como espírito eterno, para apegar-se às posses do mundo. Daí o grande sofrimento da humanidade neste planeta de provas e expiações. Todos já passamos por essas fases primárias e hoje ao reencarnar já trazemos muito conhecimento que apenas demanda aprimoramento. E a ignorância ou descrença sobre a reencarnação é mais um fator que retarda nosso progresso.

Devido à dificuldade para evoluir, podemos imaginar quanto tempo vivemos como mônada, depois espíritos sub-humanos (elementais) e, finalmente, espíritos que precisam reencarnar. E se olharmos para alguns iniciados do nosso mundo (Chico, Gandhi, Teresa de Calcutá, e outros) que estão ainda nos primeiros degraus do crescimento, podemos imaginar quantas vidas ainda nos serão necessárias só em planetas atrasados como a Terra. Mas como temos a eternidade e nenhuma ovelha se perderá, vamos em frente sem desistir e sem olhar para trás, como a mulher de Ló, para não virarmos estátua também e pararmos no tempo.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – outubro 2019

 

 

 

 

Há muito que nos enganam

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caumo@caumo.com   Octávio Caúmo Serrano

Os cristãos são seguidores do Evangelho de Jesus, a Boa Nova, que está entre nós há cerca de vinte séculos, e devem vivenciá-lo em todos os atos do cotidiano.

No Brasil, católicos, protestantes e espíritas são os componentes dessa facção religiosa. Mas percebe-se claramente que os espíritas são os que absorveram melhor os mecanismos dessa revelação, graças à lucidez do Codificador Allan Kardec que desvinculou a salvação dos homens dos templos e das práticas fantasiosas, afirmando apenas que “fora da caridade não há salvação”. Mas que ninguém descarte, também, a prática da caridade consigo mesmo. Afirma que a fé espírita é raciocinada, não dogmática, e por isso não aceita o que, apesar de saber, não pode compreender, porque é isto o mais importante.

Deixa claro que um ateu pode adiantar-se espiritualmente até mais que um religioso se amar o próximo com a si mesmo, sendo fraterno, solidário e indulgente com o semelhante. Disse Jesus aos seus discípulos certa vez que “em verdade publicanos e meretrizes os precedem no reino de Deus” (Mateus 21:31). Ao praticar a auto caridade, o homem aprende a desvincular-se de atitudes que lhe causam mal, como a revolta contra situações políticas, sociais  ou econômicas que o levem a odiar o semelhante e ter desejos de vingança, maculando sua pureza espiritual. Se puder corrigi-las por lutar contra elas ainda faz sentido; mas aborrecer-se sem ter condições para mudar o estado das coisas é causar a si mesmo um sofrimento desnecessário. O caminho é o perdão, a oração pelo faltoso, sem jamais ser conivente com os erros alheios.

O Evangelho Segundo o Espiritismo foi escrito para registrar, analisar e comentar a parte moral da vida do Cristo, sem ater-se às práticas exteriores ou rituais de qualquer tipo. Por isso é mencionado o texto sagrado básico, extraídos noventa por cento do Novo Testamento, seguido do comentário de Kardec e, finalmente, a opinião dos Espíritos que complementam as lições ou dão testemunhos de vida, sucessos e fracassos, para nos servir de orientações.

Jesus jamais fez promessas de salvação fácil ou com base em privilégios. Nunca disse que Ele ou Deus nos carregariam no colo. Enfatizou que seria como “O Caminho, a Verdade e a Vida” para nossa aproximação com o Criador. Aceitou que se fizessem as oferendas para não criar maiores conflitos com os homens da sua época, mas recomendou que antes nos reconciliássemos com os adversários. Sintetizou os mandamentos de Moisés recomendando que deveríamos “amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo com a nós mesmos”. E disse, também, que todos seremos medidos com a mesma vara. Sempre censurou os que sabiam mais, como fez com os fariseus aos quais chamou túmulos caiados. Brancos por fora e podres por dentro. “Não são os que dizem Senhor, Senhor que entrarão no reino dos Céus, mas os que fazem a vontade do Pai que está nos Céus.”

No entanto, o que nos ensinaram nossos templos? Que devemos orar, acender velas, oferecer flores, fazer novenas, cantar hinos, sacrifícios físicos com caminhadas de joelhos ou longos percursos, que só servem para agredir nossa saúde, ou promessas que serão trocadas por favorecimentos imerecidos. E quanto mais ofertas e maiores os valores que doarmos aos templos, mais benefícios receberemos. Muitas delas encheram seus divulgadores de roupas exóticas, coloridas e enfeitadas, esquecendo que Jesus pregava no Templo, nas Sinagogas ou nas ruas sempre vestido com a mesma roupa simples. No entanto, ao mostrar o exemplo da viúva que deu seu óbolo, Jesus disse que ela foi quem mais deu porque deu do necessário para a sua sobrevivência.

Graças ao Espiritismo podemos compreender que devemos empregar o valor a ser gasto com uma vela, que não ilumina alma, porque o que a ilumina é o amor, na compra de um pão ou de um prato de comida para aliviar a fome de um irmão. Se não tem bens para oferecer, estenda sua mão para erguer um caído, dê um dia de trabalho num lugar de dor e miséria (asilo, orfanato, hospital) ou uma palavra de alento que pode levar alguém a modificar suas ideias ajudando-o, muitas vezes, até a desistir do suicídio. Mas temos de ter em mente que nada colheremos de bom de atitudes que a ninguém beneficie. Quando nada pudermos oferecer ao outro, vamos endereçar-lhe boas vibrações com desejos de que possa superar suas fraquezas. Foi o que disse Jesus quando lhe perguntaram quando O haviam visitado, curado, alimentado, que ao fazer isso a um de seus irmãos menores era a Ele que o faziam. Somos auxiliares de Deus e de Jesus na reforma e melhoria do mundo. Não desperdicemos esta honrosa tarefa.

Nosso comportamento é sempre o inverso. Em vez de sermos auxiliares de Jesus na melhoria do mundo, nós O transformamos em nosso empregado incumbindo-O de arranjar emprego para nossos filhos, marido para nossas filhas, recursos para quitarmos dívidas e médico gratuito para livrar-nos de enfermidade que vivemos produzindo pela nossa invigilância.

É hora de repensar nosso entendimento sobre o Evangelho e baseá-lo na Lei de Ação e Reação. Esperar receber só aquilo que por méritos construímos. “Faz que o Céu te ajuda”. A mil por um ou como na multiplicação dos pães e peixes que oferecermos. Zero vezes zero sempre será zero. Nunca tenhamos falsas ilusões. Boa sorte!

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – setembro de 2019

Simulando uma entrevista

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Octavio Caumo Serrano  caumo@caumo.com

Assuntos do cotidiano do movimento espírita.

01 – O que podemos entender por um centro espírita de “mesa branca”?

A expressão mesa branca é usada por quem não tem ideia do que é o Espiritismo. A mesa no Centro é só para acomodar os participantes, palestrantes, médiuns. Pode nem existir. Essa confusão é feita pelos que imaginam que Umbanda, Candomblé, etc., sejam um tipo de baixo espiritismo, o que não é verdade. Até o dicionário do Sr. Aurélio define o Espiritismo de maneira incompleta. Diz que é a doutrina que acredita na continuidade da vida e da comunicação entre vivos e mortos pela mediunidade. No entanto, a sua maior meta é a transformação moral do ser humano.

02 – Existe algum espírita que não seja Kardecista?

Não. Espírita e kardecista são sinônimos. São os que estudam, seguem e praticam no dia a dia a Doutrina dos Espíritos, organizada por Allan Kardec, que teve seu marco com o lançamento de O Livro dos Espíritos em 18 de abril de 1857, ocasião em que criou também as palavras Espírita e Espiritismo, porque Espiritualista e Espiritualismo já estavam sobrecarregados. Espiritualistas são todos os que não são materialistas. Católicos, protestantes, budistas, hindus e todos os religiosos são espiritualistas. Inclusive nós que somos espiritualistas espíritas.

03 – Qual a sua opinião sobre os chamados “espíritas progressistas”?

Como em todos os movimentos, sejam políticos, sociais ou religiosos, há os pretensiosos renovadores que pretendem saber mais do que os outros. O Espiritismo não escapa dessa regra e por isso vemos confrades querendo reformar até o Livro dos Espíritos dizendo-o superado e necessitando atualização. São como outros religiosos que conhecem de cor cada capítulo e versículo da Bíblia, mas que não confirmam esse conhecimento com a sabedoria da vivência. Na Terra, já dizia Herculano Pires, não há Mestres em Espiritismo. Somos todos aprendizes. Fiquemos com Kardec que por ora é só o que nos compete. E para entendê-lo por inteiro ainda nos falta muito.

04 – Qual a importância do estudo na casa espírita?

Na introdução de O Livro dos Espíritos Allan Kardec adverte que se são precisos muitos anos para formam médicos, advogados e engenheiros que cometem falhas, quantos anos imaginamos que devemos estudar para aprender a ciência do infinito. O Estudo do Espiritismo é tarefa para muitas encarnações, falando só do básico, e não tarefa para um ou dois dias de uma hora por semana, quando geralmente ouvimos a palestra sem a devida atenção. Centro espírita onde não se estuda é mero clube que reúne simpatizantes do Espiritismo. Só o estudo nos conduz à Verdade que liberta.

05 – Quais atividades não podem faltar no centro espírita?

A primeira e fundamental é o estudo regular da doutrina dos espíritos. Ela pode ser complementada com o atendimento fraterno, que ouve as pessoas para orientá-las como superar suas dores, a aplicação de passes, como recurso para melhorar sua energia e, quando possível, reuniões mediúnicas para desobsessão ou voltadas para a espiritualidade deixando a cargo dos espíritos o convite às entidades que devam ser trazidas para doutrinação e esclarecimento.

06 – O que significa educar a mediunidade?

Quando a pessoa sente desconforto psíquico, deve procurar um tratamento num Centro, imaginando que se trate de alguma perturbação espiritual. Caso o problema persista, é possível que a pessoa tenha tarefas no campo mediúnico por compromissos assumidos antes de encarnar e essa mediunidade precisa ser disciplinada com a participação em um grupo sério onde haja uma equipe capacitada a orientá-la. Isso demandará entrega total, disciplina com o compromisso assumido porque vai participar de um trabalho que envolve a espiritualidade que fará programações com base na sua participação responsável. Só assuma se estiver disposta.

07 – Todo aquele que crê na reencarnação pode considerar-se espírita?

Não. Até o ano 500 todas as pessoas religiosas eram reencarnacionistas. Espera-se que muito em breve também católicos e protestantes voltem a sê-lo, mesmo sem abandonar a sua religião. Convém mencionar que a grande maioria, mesmo sem ser declaradamente espírita, crê na continuidade da alma e em outras vidas. Mas não basta crer na reencarnação para ser espírita. “Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelo esforço que emprega para combater suas más inclinações.” Por isso Kardec não prometeu a salvação pelo Espiritismo, mas pela caridade, independentemente de religião.

08 – Ir ao centro espírita é garantia de que dias melhores virão?

Não. Sem que isso seja acompanhado da modificação moral e de conduta, não adianta ir a qualquer tipo de igreja. O que nos modifica não é o lugar; são as ações. O Centro espírita é onde ouvimos o Evangelho de Jesus de maneira mais objetiva para aplicá-lo em nossa vida. Mas sem vivenciá-lo o lugar de nada serve. Isso vale para qualquer religião.

09 – O que a doutrina espírita fala sobre a mediunidade de cura?

Convém entender que é o homem quem se cura como é ele também quem se adoece, pelos desequilíbrios. A alma enferma adoece o corpo. Há horas que estamos enfraquecidos e podemos receber da espiritualidade ajuda fluídica para fortalecer-nos temporariamente. O conhecido passe e as vibrações. Mas a cura verdadeira é tarefa nossa, mesmo porque o que importa é a cura espiritual e não apenas a do corpo e isso leva em conta resgates e merecimentos. Para o corpo Deus criou os médicos e os remédios, a par das tecnologias, a cada dia mais avançadas.

10 – Como o espiritismo pode conviver com outras religiões?

Com harmonia e respeito. E as outras religiões, se não tiverem preconceitos, poderão se beneficiar do conhecimento espírita, incorporando-os à sua doutrina para complementá-la e aprimorá-la, sem precisar mudar de igreja. Conheça. Se não concordar, descarte e siga em frente. Se a lição fizer sentido incorpore-a ao seu conhecimento e viva-a. Fiquem com Deus.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – agosto de 2019

Espíritas mais ou menos

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RIE_07_2019

Caminhos que levam o homem ao Espiritismo

Octávio Caúmo Serrano | caumo@caumo.com

São múltiplos os motivos que impulsionam o ser humano a buscar a nossa doutrina. Alguns deles: curiosidade, sofrimento, vazio existencial, respostas para dúvidas, confusão mental com perturbação espiritual etc.

Somos um país de tradição católica, com crescimento do protestantismo. São as religiões predominantes nestes dias, mas não podem ser consideradas oficiais, até mesmo por regimento constitucional. Há adeptos de todas as doutrinas, como as afro-brasileiras e as orientais de diversos segmentos (budismo, xintoísmo, hinduísmo, judaísmo, messiânica, Seicho-No-Ie, islamismo, umbanda, candomblé etc.).

A clareza singular do Espiritismo, contudo, sempre provoca curiosidade nos que buscam respostas e soluções para seus questionamentos e problemas. Uma prova disso é que a mídia não perde oportunidades de explorar o tema. Procura não se envolver ou tomar partido, mas enche seus espaços com notícias, filmes, debates etc., confiante na audiência e no interesse popular.

Os desinformados imaginam que depois de serem religiosos mornos em suas crenças, obterão soluções imediatas para seus problemas indo a um centro espírita, ignorando que a salvação e o milagre não moram ali. O que poderão encontrar numa instituição séria, onde se estuda o Evangelho do Cristo segundo a interpretação dos Espíritos e do próprio Codificador, Allan Kardec, são orientações seguras para aprenderem a administrar suas vidas. Nada mais precioso para o ser humano que a oportunidade de nova existência na Terra para reaprender o que ficou mal resolvido em seu passado espiritual. E quem não acredita em reencarnação terá de acreditar, porque senão continuará sem entender nada. Com a crença da vida única nada pode ser explicado. Tudo é injustiça.

Sabemos que há pessoas encantadas com suas religiões e que não admitem a ideia de mudar para outra. Creem que sua igreja detém toda a verdade, apesar de isso não se refletir em suas vidas, porque seus problemas perduram sem solução. Temem ser castigados por Deus como desertores. Pois que continuem nas suas missas ou nos seus cultos, sem ficar impedidos de se esclarecerem.

Quando Kardec lançou O Evangelho Segundo o Espiritismo, em 1864, os Espíritos lhe disseram que chegara o momento de apresentar o Espiritismo como a única doutrina genuinamente humana e divina. Seria a religião que assessoraria todas as outras que se dispusessem a estudá-la sem preconceitos ou más intenções.

Fica claro, portanto, que nada impede que um católico estude O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Céu e o Inferno, A Gênese, O que é o Espiritismo etc., quando não entende por que os humanos têm sortes tão diferentes, apesar de filhos do mesmo Deus misericordioso, se vão viver uma única vida. Irá surpreender-se com a lógica e a clareza do trabalho de Kardec quando conversou com os mentores da Espiritualidade Superior. E depois de estudar, de preferência com um grupo no centro espírita, onde pode aclarar suas dúvidas, vá para a sua missa, o seu culto, ore bastante, faça promessas, cante e dance, enquanto necessitar dessas práticas. Verá que quando começar a perdoar, praticar caridade, além da esmola e do dízimo, tudo começa a transformar-se. Verá a importância de ser solidário e indulgente e os rituais perderão importância.

Convém recordar o texto que segue, intitulado “Uma homenagem — profética — a Allan Kardec” e incluído em nosso livro Pontos de Vista, da Casa Editora O Clarim:

***

O Courrier de Paris de 11 de junho de 1857, poucos dias após o lançamento da primeira edição de O Livro dos Espíritos, divulga matéria sobre o fato.

O jornal informa que havia sido publicada obra deveras notável, até mesmo curiosa, se não houvesse nela coisas interessantes que não poderiam ser consideradas banais: “O Livro dos Espíritos, escreve, é página nova no próprio grande livro do infinito e, estamos persuadidos, uma marca será posta nessa página.”

Declara o editor, Sr. Du Chalard, que não conhece o autor, mas que alguém que escreveu tal prefácio deve ter a alma aberta a todos os sentimentos nobres. Afirma, ainda, que jamais fez qualquer estudo sobre fenômenos sobrenaturais, embora, vez que outra, se perguntasse o que haveria nas regiões onde se convencionou chamar “O Alto”.

O jornalista, impressionado com a obra, não tem dúvida em recomendá-la. “A todos os deserdados da Terra, a todos quantos marcham e que nas suas quedas regam com lágrimas o pó das estradas, diremos: — Lede O Livro dos Espíritos; ele vos tornará mais fortes. Também aos felizes, que pelos caminhos só encontram aclamações e os sorrisos da fortuna, diremos: — Estudai O Livro dos Espíritos e ele vos tornará melhores.”

Menciona que o trabalho é da autoria dos Espíritos, fala das sublimes respostas, mas enaltece as perguntas que as provocaram. Desafia os mais incrédulos a rirem quando lerem o livro em silêncio e solidão.

Após o comentário, propõe: “O senhor é homem de estudo e têm aquela boa-fé que apenas necessita instruir-se? Então leia o Livro Primeiro, que fala sobre a Doutrina Espírita. É dos que se ocupam apenas consigo mesmo e nada enxergam além dos próprios interesses? Leia as Leis Morais. Todos os que têm pensamentos nobres de coração, leiam o livro da primeira à última página. Aos que encontrarem matéria para zombaria, o nosso lamento.”

No título, dissemos tratar-se de uma homenagem profética. Naquele instante, o jornalista vislumbrou a estrada de luz que se abria com as revelações e só alguém igualmente com grande sensibilidade poderia perceber a conotação divina que o livro apresentava. Entre os espíritas, mesmo já tendo convivido com tais notícias há mais de cento e sessenta anos, há poucos com as convicções do editor francês que, de pronto, percebeu a chegada do Consolador.

***

Se você deixar e quiser, o Espiritismo pode fazer muito por você. E se um dia despertar para a lógica do pensamento espírita, abrace a doutrina por inteiro, trabalhe com ela e por ela. Lembre-se que nela tudo se faz de graça. Nenhum centavo lhe será cobrado pela participação nos estudos e tarefas. Como nas escolas tradicionais, depois de estudar o básico precisamos do ensino superior e das pós-graduações! Aproveite. Não se sabe quando terá nova oportunidade. Boa sorte!

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – julho 2019

Combatendo o desalento

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Que tempos são esses que, embora aparentemente chegados, parece que nunca chegam?

Octávio Caúmo Serrano | caumo@caumo.com

 

Apesar de ter descoberto o Espiritismo somente aos trinta e oito anos de idade, já tenho quase quarenta e sete anos de contato com esta fantástica doutrina.

A frase dita por um divulgador protestante — o chamado crente no meu tempo de jovem, lá por 1952 —, “os tempos são chegados”, ainda hoje ecoa em meus ouvidos, embora naquele tempo eu não tivesse a menor ideia a que tempos se referia aquele entusiasmado pregador de rua, rodeado por uma dúzia de atentos ouvintes. Hoje, sessenta e sete anos depois, ouvindo os Veneráveis Espíritos informarem sobre a transição planetária, começo a entender um pouco que tempos são esses que, embora aparentemente chegados, parece que nunca chegam. É porque o tempo do homem e o tempo de Deus são diferentes.

Meu primeiro centro espírita foi o Amor e Paz, na Alameda dos Arapanés, 707, no bairro de Moema, São Paulo. Depois dele fiz meus primeiros cursos de Doutrina Espírita na Federação Espírita do Estado de São Paulo e num grupo ligado à Aliança Espírita Evangélica, o Grupo Socorrista Maria de Nazaré, quando comecei a proferir palestras e a ministrar aulas em vários centros, com base nas apostilas da Aliança. Buscava transmitir as verdades do Evangelho de Jesus, agora com a cobertura de Kardec, que nos deu explicações claras das lições do Mestre para maior facilidade de entendimento.

De explanações técnicas, leis de causa e efeito e que tais, fui aos poucos percebendo que tudo pode ser sintetizado na máxima do Cristo: “Ama o próximo com a ti mesmo.” A partir desse instante, constatei como é praticamente impossível a este homem planetário amar o próximo, já que não consegue sequer amar a si mesmo. Cada um de nós, componentes desta humanidade fracassada, é intimamente um vulcão revolto, que não consegue acalmar-se. Vomita iras e ódios, cada expressão é um impropério, com revolta até contra o próprio Criador, que nos ofereceu a vida para sermos felizes. Mas, como não sabemos lidar com o nosso passado nem com o presente para plantar melhor futuro, somos um bando desarvorado vagando ao léu da indecisão. Ninguém se ama. É comum não gostarmos do próprio nome. O gordo queria ser magro e o magro queria ser gordo.

Pulamos daqui para lá e de lá para cá porque nada nos agrada. Nem a família, nem o emprego, nem a religião. Quando não invejamos a vida do outro, o agredimos, transformando-o no culpado por nossos desajustes. Seja ele o político, o patrão, o professor, o vizinho ou o marginal, porque temos de eleger alguém que leve a culpa pelos fracassos que são só nossos.

Neste ciclo planetário de mudanças radicais, os tempos efetivamente mudam, mas não em anos ou décadas. As mudanças da história são registradas em séculos ou milênios, no mínimo.

E nós, como ficamos? Como seres eternos estamos sendo esculpidos pelo buril da natureza. Atritamo-nos, ferimo-nos e à medida que aprendemos sobre paciência, resignação e fé vamos ficando mais leves. Aprendemos que as mágoas da revolta moram em nós e que o perdão nos alivia, mesmo que o outro não o aceite. Nossa tarefa somos nós; o outro é mero recurso que usamos para o nosso aprimoramento. Para isso, porém, temos de vencer o orgulho. Mas, melhorar por quê? Porque é esta a tarefa primordial da vida em mundos probatórios como o nosso.

Não há saída. Queiramos ou não, a Lei é que decide, não nós. Somos comandados pela natureza que habita em nós. Enfraquecemos, envelhecemos e no curto período que por aqui estagiamos — porque também temos prazo de validade na matéria — temos de conviver com ela de maneira pacífica e harmoniosa. Lutar contra é tempo perdido. Seremos sempre derrotados. Melhor nos aliarmos a ela. A lei que nos harmoniza é a do amor. Com tudo e todos, intensa e incondicionalmente.

Antes que o desalento me dominasse totalmente, decidi confessar-me com o Pai Eterno e dizer-Lhe: — Senhor da Vida, sei que a tudo assistes e tudo permites para testar nossa força e nossa fé, e que estás preparando o nosso lugar ao Teu lado caso vençamos esta guerra contra nós mesmos. Confio na Tua bondade e é por isso que prossigo com coragem e destemor. Tem misericórdia de nós, pobres equivocados. Não permitas que invalidemos o esforço de tantos missionários, que vieram antes de nós preparar-nos o roteiro com lições que muitas vezes lhes custaram a vida. Foram tantos a testemunhar, que não é honesto de nossa parte desperdiçar o sacrifício desses desprendidos que nada queriam para si. Foram enviados divinos que renunciaram às suas vidas para ofertá-las a nós. Não cometamos tão severa ingratidão! Que eu jamais sinta desalento por mais pedregoso que seja a caminho. Amém!

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – junho 2019

Citações para pensar

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RIE_Maio_2019A vivência dentro dos preceitos ditados pelo Evangelho suaviza nossas dores

Octávio Caumo Serrano | caumo@caumo.com

Deus, que te criou sem ti, não te salvará sem ti.” Tal citação é atribuída a Santo Agostinho. Ele também teria ensinado que “ninguém pode ser perfeitamente livre até que todos o sejam” e “convém matar o erro, porém salvar os que vão errados”.

Já ouvimos este mesmo princípio, formulado um pouco diferente, sem que saibamos citar o autor. Mas como a essência da lição é mais importante do que o criador da frase, atrevemo-nos a reproduzi-la: “Deus, que te criou sem o teu conhecimento, não poderá salvar-te sem a tua cooperação.” Deixa claro, e o bom senso a confirma, que somos responsáveis por tudo o que acontece no mundo, particularmente o que envolve nosso próprio futuro. Interferimos, para o bem ou para o mal, conforme agimos e nos comportamos diante da vida, em qualquer local onde atuemos.

Esta afirmação às vezes choca os religiosos, que garantem que como Deus sabe o que é melhor para nós, irá tratar-nos com Seu imensurável amor e só nos brindará com a felicidade. Mas se isso é real, por que nos criou simples e sem nenhum conhecimento, permitindo que nos aprimorássemos por nossos próprios méritos? Por que não nos criou perfeitos, sem a necessidade de encarnações, a maioria probatórias, cheias de dores e sofrimentos?

Jesus, segundo o Evangelho de Lucas (16:2), nos disse: “Dá conta da tua administração.” Mas, se independentemente do nosso esforço, Deus nos dá de tudo, por que o Mestre assim o afirmou?

No capítulo 75 do livro Fonte Viva, Emmanuel, o nobre senador romano, pela psicografia de Chico Xavier nos diz: “Na essência, cada homem é servidor pelo trabalho que realiza na obra do Supremo Pai, e, simultaneamente, é administrador, porquanto cada criatura humana detém possibilidades enormes no plano em que moureja. Mordomo do mundo não é somente aquele que encanece os cabelos à frente dos interesses coletivos, nas empresas públicas ou particulares, combatendo intrigas mil, a fim de cumprir a missão a que se dedica. Cada inteligência da Terra dará conta dos recursos que lhe foram confiados. A fortuna e a autoridade não são valores únicos de que devemos dar conta hoje e amanhã; o corpo é um templo sagrado. A saúde física é um tesouro. A oportunidade de trabalhar é uma bênção. A possibilidade de servir é um obséquio divino. O ensejo de aprender é uma porta libertadora. O tempo é um patrimônio inestimável. O lar é uma dádiva do Céu. O amigo é um benfeitor. A experiência benéfica é uma grande conquista. A ocasião de viver em harmonia com o Senhor, com os semelhantes e com a Natureza é uma glória comum a todos. A hora de ajudar os menos favorecidos de recursos ou entendimento é valiosa. O chão para semear, a ignorância para ser instruída e a dor para ser consolada são apelos que o Céu envia sem palavras, ao mundo inteiro. Que fazes, portanto, dos talentos preciosos que repousam em teu coração, em tuas mãos e no teu caminho? Vela por tua própria tarefa no bem, diante do Eterno, porque chegará o momento em que o Poder Divino te pedirá: — ‘Dá conta de tua administração.’”

Mais do que exploradores ou dependentes de Jesus somos seus auxiliares na melhora do mundo. Quando se trata de vestir, alimentar ou abrigar um semelhante, somos seus ajudantes, suavizando as dores físicas do outro. Ainda que ele mesmo ore e seja resignado, nem sempre tem condições de sobreviver por conta própria, cabendo a nós esta parte, quando também nos beneficiamos do bem que fizemos, justificando a importância da nova encarnação que rogamos ao Pai, a fim de crescermos mais um centímetro espiritual. “Fora da caridade não há salvação”, ensina o Espiritismo.

A vivência dentro dos preceitos ditados pelo Evangelho suaviza nossas dores, porque onde mais o homem se perde é na defesa de si mesmo. Muitos há que têm caridade com o semelhante, mas guardam mágoa, rancores, ódios e desejos de vingança nos labirintos da alma. Insaciáveis, envenenam-se lentamente pondo a culpa no mundo, nos pais, no cônjuge, no patrão, no governo, quando não se rebelam contra o próprio Criador, sentindo-se injustiçados e punidos por um mal que acreditam não ter cometido. Por isso o estudo do Espiritismo, a certeza da vida eterna e a necessidade de muitas encarnações purificadoras são tão importantes. Se não merecemos as dores pelo que fazemos nesta vida, certamente trazemos arquivados na nossa essência erros de outras passagens pelos mundos materiais. E ainda ignoramos que as dores são atenuadas pela misericórdia divina, se as comparássemos às necessidades reais de resgate pelas quais deveríamos passar. Antes de reclamar, vamos analisar como vivemos e, de coração aberto e sincero, vejamos se estamos dando conta da nossa administração.

A você, mãe do mundo, carinhoso beijo deste filho que já teve muitas mães nestas múltiplas passagens de redenção e aprendizado pelo Terra ou mundos similares, ora dando a elas alegrias, ora enchendo seus olhos de pranto. Desculpas e saudades!

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – Maio 2019

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