O homem no mundo

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Octávio Caumo Serrano  ocaumo@gmail.com

Quem somos? De onde viemos? Para onde vamos? Só a reencarnação explica.

Essa pergunta expressa uma das maiores dúvidas do ser humano e tem respostas diferentes conforme a doutrina que ele professa. Para os tradicionalmente “cristãos”, católicos e protestantes, nascemos e morremos uma só vez e, após morrermos, vamos definitivamente para um mundo etéreo e mal definido, onde seremos separados entre os que habitarão o céu e ficarão contemplando a face de Deus em completa ociosidade e os que viverão no inferno, para todo o sempre, segundo as obras que tiveram durante a vida material.

Nesse julgamento, porém, não cogitam porque a uns foram dadas condições para fazer o bem, seja pela maior inteligência e discernimento, seja pelos recursos materiais mais abundantes, sem que possam explicar por que Deus, que teria criado seus filhos à Sua imagem e semelhança os houvesse aquinhoado de maneira tão diferente, sem qualquer justificativa. A uns deu beleza, a outros aleijões e doenças crônicas; a uns abundância e a outros a miserabilidade; a uns as ideias claras e a outros a atrofia mental. Culpam o DNA e a ancestralidade, mas não dizem por que numa família de cinco filhos encontramos cinco universos distintos, com índoles, temperamentos e tendências totalmente diferentes.

Só há uma doutrina capaz de explicar essas diferenças; a da reencarnação, presente na maioria das pessoas do planeta, independentemente de suas religiões. É algo tão lógico que em 1940 era crença de 2% dos brasileiros passando a 90% na atualidade, não importando a religião professada. Entre estes, há os que não creem totalmente, mas têm dúvidas sobre o assunto.  Como setenta e cinco por cento dos povos da Terra professam doutrinas que creem na reencarnação, encontramos hoje até católicos e protestantes que aceitam a ideia pela sua lógica. Muitos que se dizem ateus admitem a reencarnação; os índios, que não têm religião, são adeptos da reencarnação porque creem na justiça do Criador.

A morte nada mais é do que o dia seguinte. Não há interrupção na caminhada do espírito quando sai do mundo material para o mundo dos espíritos. É como quem viajou e dormiu no avião despertando noutro país. É o mesmo ser com sua mesma vida. Nada cessa; há somente alteração de planos e objetivos, caso o “morto” se dê conta do desencarne!  

Se não houvesse essa continuidade, não teria sentido tanto sacrifício para sermos melhores, ajudar o semelhante, combater defeitos e incorporar virtudes para tudo se acabar melancolicamente. Tanto sacrifício em troca do nada! O que acontece é que padres e pastores querem cobrar pedágios nesta viagem que fazemos rumo ao tal juízo final e tentam nos convencer que a salvação depende da intervenção deles para nossa condução ao encontro com o Criador, quando isso só depende das nossas próprias obras. As igrejas servem para nos orientar com base no Evangelho, não para nos salvar. Isso fica por conta das nossas ações. A cada um segundo as suas obras. (Mt 16:27)

No capítulo XVII de O Evangelho Segundo o Espiritismo, item 10, um espírito protetor que não se identifica, por ser desnecessário, nos estimula a viver no mundo com os prazeres que o mundo nos oferece. Diz que devemos procurar ser felizes, com o cuidado de não infelicitar o semelhante, mas repartindo com ele o máximo da nossa felicidade; material ou espiritual. Por isso é que o Espírito Georges, no item 11, nos recomenda cuidar do corpo e do espírito, porque um depende do outro. As ideias vêm da mente, que é o próprio espírito, mas as ações precisam dos gestos materiais: o sorriso, a oferta, o apoio, o consolo, que têm sua ação na boca, no braço, nos olhos, nas mãos. Com os órgãos é que se executam os trabalhos idealizados e planejados pela mente (espírito). Portanto, devemos ter o corpo o mais sadio que nos for possível para sentir alegria e estímulo na prática do bem.

O corpo, já nos foi ensinado, é o templo onde vive a alma para a sua caminhada de experiências, aprendendo e ensinando por meio de observações e ações. O uso harmônico dessa dupla é o que nos permite o crescimento espiritual que fará com que saiamos daqui para a nova etapa em condições melhores do que aqui chegamos.

Como fecho desta exposição, diríamos: – Salve-se que puder; ou melhor, quem souber!

Jornal O Clarim – março 2021

As máscaras da igualdade

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ocaumo@gmail.com  Octávio Caumo Serrano

Embora Jesus nos recomendasse amar o próximo como a nós mesmos, nem os que se dizem seus seguidores procedem conforme a recomendação do nosso Cristo. Agressões, discriminações e dissenções de toda ordem é o que mais se vê. Na própria Constituição brasileira, pelo artigo 5º está estabelecido que todos, brasileiros e estrangeiros residentes no país, são iguais perante a lei, tendo garantidos todos os seus direitos constitucionais. Mas, na prática, não é o que acontece, A própria desigualdade social, a diferença entre os salários dos privilegiados e o mínimo pago ao trabalhador, quando chega lá ou tem emprego, é no Brasil uma das mais alarmantes do planeta. A miséria é assustadora! Até a aposentadoria, produto de descontos mensais compulsórios, perde a cada ano seu poder aquisitivo. Não é desonesto com quem ajudou a construir o país e confiou que o ganho lhe garantiria a velhice?

De repente, não mais que de repente, aparece um vírus para nos ensinar na prática o que não aprendemos com as lições de Jesus. Escondeu-nos todos atrás de panos brancos, pretos e coloridos, alguns com mensagens, sempre dirigidas aos outros, transformando-nos em mensageiros da paz, o que não é realidade. Por detrás, quase nada mudou em nós. Temos as mesmas enfermidades de caráter que os acessórios não conseguem esconder porque tapam os rostos, mas não as almas que continuam egoístas, fechadas nos seus redutos e cada um preocupado mais consigo mesmo do que com o semelhante. Protejo-me mais para me defender do outro do que para evitar prejudicá-lo.

A receita habitual do “salve-se quem puder”, segue imperando. As possíveis vacinas que evitarão ou atenuarão as ações do vírus já estão sendo adquiridas pelos países ricos sem que eles se importem com os mais sofridos que continuam sendo tratados como animais. Nem mesmo comprovaram a eficiência do tratamento, mas já correram comprá-las porque dinheiro para eles não é problema. Preocupam-se mais em conservar e ampliar os monopólios do que com a vida das pessoas.

Há, porém, muitos outros vírus a ser combatidos: o da ganância e egoísmo, o da indiferença e falta de solidariedade e o da ingratidão e grosseria. Contra esses já existe vacina eficiente: A educação e respeito ao próximo, tão esquecida e em desuso nestes dias. Comprovam-no a violência nos lares, a expansão do tráfico, o aumento da criminalidade e do marginal que nos ataca nas ruas. Tudo aliado à corrupção nos altos poderes que comandam os países e no desrespeito dos filhos pelos pais, dos alunos pelos professores, dos patrões pelos empregados e vice-versa. A própria Covid 19 tem servido para o enriquecimento de muitos inescrupulosos que superfaturam produtos aproveitando-se da fraqueza e medo do povo. O mesmo povo mais simples massacrado pela carga tributária que tira dele parte preciosa do seu salário de sobrevivência. Monopólios e estatais de gás, de combustíveis, de bancos, de remédios, sugando o sangue do trabalhador. Muitas vezes acompanhados das igrejas que se servem do povo quando deveriam consolá-lo, orientá-lo com mensagens verdadeiras e não com a venda de favores espirituais que prometem indulgências ou lugares privilegiados depois da morte.

A reforma planetária está em processo há mais de meio século e brevemente chegará ao apogeu. Mais trinta ou quarenta anos e já se fará sentir por inteiro. Mas não acontecerá sem muito choro e ranger de dentes, conforme já nos foi advertido. Se hoje queixamos da pandemia, saibamos que ela é a parte suave do que nos espera. É triste, mas necessário. O que não aprendemos pelo amor só pode ser completado com a dor. E como já disse o bom Bezerra de Menezes, “os tempos são chegados e os bons não podem pagar pelos pecadores”. O joio começa a ser separado do trigo. E será arrancado com violência porque o tempo dos disfarces está no fim. Chega, enfim, a hora da verdade. O planeta tem pressa em progredir e nós, pigmeus em moralidade, não seremos impedimento. Todavia, como até agora mantivemos os olhos cerrados e ouvidos tapados, que Deus se apiede de nós!

JORNAL O CLARIM – FEVEREIRO 2021

Enquanto estás a caminho

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Enquanto estás a caminho      janeiro 2021  Octávio Caumo Serrano ocaumogmail.com

Será o tempo que passa ou somos nós que passamos?

Quando aqui chegamos, viemos trazendo uma certeza: Um dia morreremos; com muitos anos ou poucos, mas o final já é conhecido. Voltaremos ao mundo de onde viemos, que para nós é ainda um mistério. Não conseguimos descrever o lugar onde vivíamos antes de nascer na Terra, se é, como ensina o Espiritismo, que já existíamos antes de nos tornar ser humano. Os espíritas denominam erraticidade a esse lugar e seria onde aguardamos a programação para nova oportunidade de vida nos mundos de matéria densa.

A pergunta é o que fazer nesse período que vai do nascimento à morte. Ou, como preferem os espíritas, até o desencarne.  Como nos comportar e conviver com os parceiros de jornada? Podemos ser aquele que é zeloso com sua própria vida ou o tipo que só presta atenção nos outros e para quem ninguém tem valor. Tem um relacionamento com uma dúzia de pessoas, apenas, mas vê defeitos em cada um. Não respeita, mas quer ser respeitado; não ama, mas quer ser amado; não desculpa, mas quer ser desculpado; não dá atenção a ninguém, mas quer ser cercado de carinho e cuidados; só denigre, mas quer ser elogiado! É extremamente exigente, cobra muito e nada dá. Transforma os amigos de seus inimigos em inimigos, sem analisar possíveis qualidades, porque julga por incontrolável instinto de rancor. Ofende com facilidade e não percebe que o ódio que destila se volta contra ele mesmo, gerando depressão, insônia, ansiedade, fibromialgia e que tais que provocam dores generalizadas, exigindo o uso de analgésicos, ansiolíticos e antidepressivos. A cada dia, em dose maior.

A pessoa desse tipo, exigente quanto ao comportamento dos outros, acaba negligenciando seu autoaprimoramento porque está sempre preocupada em consertar o mundo sem perceber que isso é impossível se o concerto não começar por ela mesma.  Não desculpa, não releva faltas alheias, não dá ao outro o direito de ter as imperfeições que nela são comuns, porque nem percebe que as tem. Agredindo pensa que consegue camuflar suas falhas e não se dá conta que é ainda pior do que os que ataca.

Ouvi certa vez que a inveja é a homenagem ao valor. Ninguém atira pedras em árvores mortas ou sem frutos. Se o outro provoca em você tanta atenção é porque tem algum valor. E você tenta denegri-lo com a intenção de fazê-lo menor. Mas quem estaciona na inveja vê o outro se distanciar tanto que fica impossível alcançá-lo. É preciso ter em mente que só podemos viver uma vida: a nossa! E mais, aqui e agora; até o agora tem uma duração tão curta que já se acabou enquanto escrevíamos esta frase.

Na convivência com o semelhante não pode haver espaço para mágoas, rancores, melindres ou qualquer sentimento que nos atrase. São pedras no caminho. Procuremos conviver com quem possa nos ensinar algo ou aprender conosco alguma coisa. O resto é tempo perdido e o tempo não é algo a ser desperdiçado. Jesus já ensinou que deveríamos nos reconciliar com os adversários enquanto estamos a caminho. Perdoa e segue, porque isso purifica o coração e liberta do atraso. Não devemos ser cúmplices ou estimular o erro. Mas se a culpa não é nossa, não nos diz respeito. Atrasar-nos na caminhada por ficar atrelado às falhas alheias não é inteligente. Quem mergulha no charco acaba se sujando.

Atitude sábia é tirar da nossa vida as pessoas negativas e embromadoras. Aquelas que falam uma hora sem parar e do discurso não se aproveita um minuto. Vivem denegrindo os outros, queixando de suas doenças e fracassos e não percebem que apenas colhem do próprio plantio.

O primeiro ano da terceira década de 2021 está começando e é tempo de elaborarmos nossa programação para um futuro de no mínimo vinte anos. Claro que falo dos jovens que ainda têm estrada pela frente. No meu caso, se o planejamento for para cinco anos já valeu a pena.

Lembro-me que certo dia alguém perguntou a Galileo; “- Quantos anos tens? – Oito ou dez, respondeu em evidente contraste com sua barba branca. E logo explicou: – Tenho, na verdade, os anos que me restam, porque os já vividos não os tenho mais.”  É como saudar o aniversariante por mais um ano de vida, quando, na verdade, trata-se de menos um!

A vida corre célere e quando menos nos damos conta estamos, barrigudos, flácidos, enrugados, banguelas, carecas, cardíacos e trôpegos pelas lesões da coluna e ciático. E o pior, esquecidos, caducos e ranzinzas. O tempo de preparar a alma para viver dias melhores chama-se presente. Quem perde a oportunidade não recupera. Temos de valorizar cada gesto e cada minuto vivido para que nos sirva de aprimoramento espiritual. Se deixarmos passar, a fita da vida não volta.

Os tempos chegaram e estão se escoando. 2021 é o primeiro passo para o nosso novo projeto de crescimento. Temos de planejá-lo bem para que tenhamos um feliz Ano Novo, com sucesso nos próximos 365 dias e 6 horas! Como todos os outros, também vai passar voando… E se dormirmos, como as Virgens da parábola, perderemos o trem da história!

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – janeiro 2021

O uso da prece

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Octávio Caumo Serrano

No capítulo XXVIII de O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec nos dá diferentes receitas de prece.

Quando foi escrito esse livro, 29 de abril de 1864, o Codificador  deu exemplos para diferentes ocasiões e decidiu fechar a obra com uma coletânea de preces para situações específicas, porque o Espiritismo era ainda recente e as pessoas tinham dúvidas sobre como orar e o que pedir usando preces segundo a nova doutrina. Não podia mais usar receitas católicas porque são incoerentes. Como rezar a Ave Maria dizendo Santa Maria, mãe de Deus. Se assim fosse, Maria teria nascido antes de Deus e, portanto, Ela seria Deus. Ela foi a mãe de Jesus, um dos filhos de Deus, como todos os homens. Não poderia rezar o Credo, porque diz “creio em Deus Pai, todo poderoso, e em Jesus Cristo, seu único filho. Manteve a oração dominical, de origem judaica que afirma, ao dizer “Pai Nosso”, que todos somos filhos de Deus e consequentemente irmãos por parte de Pai.

Começou, portanto, com a oração ensinada pelo Senhor Jesus, o Pai Nosso, explicando que ela consiste em louvar o Pai, pedir e agradecer. Diz “Pai Nosso que estás no Céu, santificado seja o Teu nome”. Eis a louvação a Deus, com o reconhecimento que Ele é o pai de todos os homens.

“Venha a nós o teu reino, seja feita a tua vontade na Terra como é feita no Céu. O pão de cada dia, dá-nos hoje, perdoa nossas dívidas assim como perdoarmos os nossos devedores; não nos deixe cair em tentação, mas livra-nos do mal”. Eis o pedido. “Amém” ou “Que assim seja”; este é o agradecimento. Esta oração é unanimidade entre os cristãos, em todo mundo. Na igreja do “Pater Nostrum” em Jerusalém ele está num mural em sessenta e quatro idiomas.

A seguir há um receituário de preces: Para um sofredor, um obsedado, quem está prestes a desencarnar, para doentes, para quem acaba de falecer etc. Hoje, com o estudo do Espiritismo quase todos já sabem orar, embora a maioria faça da prece um requerimento para o qual pede deferimento, ou seja, atendimento imediato. Mas nem todos têm consciência que nossas preces estão condicionadas menos aos pedidos e mais aos méritos que já conquistamos para ter direito ao socorro solicitado.

Não devemos orar pedindo para que alguém que sofre sobreviva nem para que morra, porque não somos o dono da sua vida e não sabemos o que é melhor para a pessoa. Observemos que costumamos pedir com fervor para que Deus livre nosso ente querido dos males por que passa, mas quando percebemos que o sofrimento é dolorido e irreversível pedimos para que Deus se apiede de sua alma e o leve. Quantas vezes aquele pequeno tempo de sofrimento tem a melhor essência de uma encarnação. Um período sublime de aprendizado que aplaca orgulho, prepotência, altivez, vaidade, autoridade, violência e outros vícios de caráter. Vai se ver dependente de quem humilhou, ofendeu, menosprezou, passando por constrangimentos que o colocam no lugar que precisa, antes de deixar o plano material.

Como orar, então, nessas situações? O mais sensato é pedir a Deus que conceda àquele irmão o que lhe for mais útil para entrar na vida espiritual um pouco melhor. Quer seja ficar por mais um pouco, quer seja desligar-se rapidamente.

A enfermidade que retém no leito uma pessoa serve, em muitas oportunidades, para aproximá-la de entes com os quais tinha distanciamento, e até animosidade e agora precisa de seus cuidados. Esta situação, não raramente, visa revelar a sua ingratidão e ferir o seu orgulho. No linguajar popular, leva-o a “baixar a crista”.

Bom não esquecer, porém, que, apesar dos roteiros, o que vale na prece é o sentimento e não somente as palavras. Sempre que possível, manter o hábito de orar ao se deitar, agradecendo por mais um dia de vida, e ao se levantar, grato pela noite de repouso, lembrando que muitos não acordarão nesse dia. Pode ser uma conversa informal, como um diálogo entre pai e filho, sem palavras rebuscadas ou longas ladainhas.

Pedi e obtereis, diz o Evangelho. Mas depende do que pedirmos e do mérito para merecê-lo.

Jornal O Clarim – janeiro 2021

PERDER PARA DAR VALOR

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ocaumo@gmail.com  Octávio Caumo Serrano    O Clarim dezembro 20

A maioria das pessoas afirma que é impossível ser feliz neste mundo

Será que o motivo não é por estarmos procurando a felicidade em lugares e coisas errados? É comum quem não goste do seu corpo, do seu cabelo, do seu nome, do seu nariz… Sem falar do patrão, do marido ou esposa, dos pais, dos vizinhos. Enfim, da vidinha que leva. Se for mulher, chega a gastar mais em produtos de beleza do que em comida.

Quando somos jovens, abusamos dos excessos e perdemos a saúde; depois lamentamos. Quando temos liberdade, agimos errado até ser punidos e ficar sem esse bem precioso, que nunca preservamos por ser algo natural e sem valor, até que o percamos. Só a doença nos leva a dar valor à saúde; só a orfandade nos faz ver a importância dos pais.

Quando a igreja diz que muitos vão para o inferno, não explica que há infernos compulsórios e infernos opcionais.  Se a pessoa nasceu desprovida de recursos mínimos de sobrevivência, embora inaceitável, pode ter sentido rebelar-se contra o mundo e agredi-lo de diferentes formas, inclusive desrespeitando as regras sociais e as leis mais elementares. Mas se é alguém privilegiado pelos recursos que lhe permitem uma vida estável, a sua desonestidade, a corrupção, o desrespeito ao próximo leva-o a um inferno por opção. Ele o buscou e não pode ser considerado fatalidade. Mesmo porque céu e inferno não são lugares para onde vamos depois da morte, mas um estado de consciência no qual já estamos mergulhados desde agora. Céu e inferno moram dentro de nós, o tempo todo.

Alguém que em nome da adrenalina seja adepto de esportes perigosos, não pode culpar o destino caso sofra um aleijão que o deixa inválido e sem poder movimentar-se para as ações mais elementares, como falar, comer, caminhar, pensar. Brincou com fogo até queimar-se para provar uma superioridade que só serve à vaidade de parecer melhor, desafiando os limites de segurança. A competição mais inteligente é a que o homem tem contra si mesmo para combater seus defeitos e imperfeições de caráter e ser hoje melhor do que ontem.

O mesmo, se dá com quem não suporta o parceiro que desposou ou o emprego que lhe dá o sustento. Desfaz o matrimônio na busca de aventuras e verifica que é agora ainda mais infeliz. Desprezou o emprego e agora está ao deus-dará. Só que o simples arrependimento não conserta as tolices que cometemos.

Diz a sabedoria popular que não devemos querer tudo o que amamos, mas amar tudo o que temos. Isso não significa que não tenhamos o direito de lutar por situações mais felizes, buscar melhores salários, mas que sejam consequência do nosso aprimoramento cultural, intelectual e esforço; não mero e infundado desejo.

Fica claro, portanto, que o nosso céu ou o nosso inferno são construções da nossa própria alçada. Saímos de um e entramos no outro várias vezes num só dia, pela simples ação do pensamento. A revolta, a inconformação, o desejo de vingança, a mágoa, a tristeza, nos atiram ao inferno. Podemos sair dele quase que imediatamente, substituindo-os pela resignação, pelo perdão e pela alegria. E assim elevar-nos ao céu.

Não há uma interrupção entre a vida e a morte ou entre uma encarnação e outra. Tudo segue em sequência e é apenas o instante, o minuto ou o dia seguinte. Séculos para os homens são átimos para Deus. Se quisermos, a felicidade é, sim, deste mundo!

Daí o sábio conselho de Jesus: “Não junteis tesouros na Terra… Junteis tesouros no céu os quais o ladrão não rouba, a traça não come e a ferrugem não corrói.” Faz sentido agora? Os tesouros do céu podem ser juntados desde já.

Cremos que este é um bom tema para planejarmos nosso novo ano. Não lhes parece?

Bom Natal e feliz 2021!

 Jornal O Clarim dezembro 20

A ficha ainda não caiu

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ocaumo@gmail.com  Octávio Caumo Serrano outubro 20

3 de outubro de 1804, data do nascimento do insigne codificador do Espiritismo

Não é nossa intenção divulgar a biografia de Allan Kardec, já bem conhecida de todo estudioso da nossa redentora doutrina. Desejamos somente enfatizar nossa alegria por relembrar que mesmo se recusando de início a aceitar os fenômenos das mesas girantes, finalmente, ele se rendeu às evidências e declarou que a humanidade estava tendo contato com a mais importante revelação desde milênios: A morte não existe, como a entendíamos. Até aquele instante, ela representava o fim e o nada. A partir de 18 de abril de 1857, com o lançamento de O Livro dos Espíritos, passou a ser apenas o intervalo entre diferentes vidas materiais de um mesmo espírito eterno, que jamais pode ser destruído. É conhecido como desencarnação. Evidência relatada por Jesus quando disse aos discípulos que Elias havia voltado como João Batista e os cristãos de outras doutrinas insistem em ignorar.

O que varia é o tempo de permanência no mundo da matéria densa e no mundo da matéria eterizada, já que o espírito (não sendo o nada) é também um tipo de matéria; sublimada. No dizer dos Superiores, quintessenciada, ou seja, no estado de maior pureza. Para os que têm dúvidas, sugerimos a leitura das questões 21 a 28, em O Livro dos Espíritos, quando trata de Espírito e Matéria, em Elementos Gerais do Universo.

Uma coisa é certa. A partir do momento que o espírito adquire a individualidade, desprendendo-se da mônada celestial (vejam André Luiz, capítulo 1 do Livro Evolução em Dois Mundos) será eternamente a mesma entidade. Vale a leitura deste livro para compreender como se dá a evolução de cada espírito.  Num entendimento grosseiro, diríamos que somos como uma gota no oceano, mas uma gota com identidade própria. Ajudamos a formar a imensidão dos mares sem perder nossa individualidade. Ou como o átomo de uma molécula ou uma tenra erva no solo de imensa floresta, quase invisível, mas participante do conjunto com a sua raiz, ramos, flores e até frutos. Muitas vezes tida como erva daninha até que a ciência descubra suas propriedades; como a tiririca na qual foi feita importante descoberta na batata. Até a NASA passou a estudá-la como alimento (pasmem) para os astronautas; os mais curiosos procurem saber no Google sobre “os benefícios da tiririca”. Nada do que existe no mundo é inútil.

Mesmo vivendo na esfera física podemos ser mais espírito que matéria, como também podemos ser mais pesados que um encarnado, apesar de estar no plano espiritual. Vejam nas obras de André Luiz a existência do Aerobus para transportar espíritos ainda materializados que não podem deslocar-se volitando, devido à sua densidade.

Para divulgar essas orientações, logo após a codificação começaram a surgir agrupamentos para o estudo regular e organizado da mensagem cristã com base nas informações dos veneráveis: Os centros espíritas, sendo o primeiro a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, fundado pelo próprio Allan Kardec, logo em 1 de abril de 1858; um ano depois de lançado O Livro dos Espíritos, considerado a certidão de nascimento da nossa doutrina.

Sobre a importância desse conhecimento espírita para o mundo, o lúcido jornalista Herculano Pires definiu esses agrupamentos com a seguinte expressão: “Se os espíritas soubessem o que é o Centro Espírita e quais são, realmente, a sua função e a sua significação, o Espiritismo seria hoje o mais importante movimento cultural e espiritual da Terra.”

Uma pena que tanto sacrifício se perca pela negligência dos próprios espíritas que fazem do centro um local de encontros sociais sem lembrar do amor ao próximo e a si mesmos, esquecendo-se da tarefa básica da encarnação que é o crescimento espiritual por meio da caridade, respeitando os compromissos assumidos. O menor obstáculo é motivo para ausentar-nos da casa que nos acolhe, tendo por base a justificativa de nossos compromissos como encarnados. Os espíritos contam conosco e os deixamos na mão. Os espíritas modernos estão devendo! Não entenderam ainda o tesouro que têm nas mãos. Precisamos de mais missionários como Bezerra de Menezes, Vianna de Carvalho, Cairbar Schutel, Leopoldo Cirne, Lins de Vasconcelos, Luiz Olímpio Telles Oliveira, Eurípedes Barsanulfo, Chico Xavier e outros como tais que, com renúncia e sacrifícios, prepararam o terreno e plantaram as árvores para que hoje possamos colher os frutos!

Pedimos desculpas a Kardec que renunciou a todos os seus planos humanos, ao colégio, à literatura educacional leiga, para se entregar à divulgação espírita de corpo e alma, (bancando inclusive do próprio bolso as primeiras edições dos livros da codificação, como Cairbar fez com O Clarim no distante 1905), para brindar a humanidade com o melhor presente que alguém poderia receber, depois do Evangelho de Jesus. Mesmo porque o Espiritismo é o reforço e a explicação ampliada das lições do Cristo, em linguagem direta, sem parábolas ou metáforas. A explicação espírita é clara: Ensina que aquilo que o homem planta é o que há de colher. E nesta regra não há exceções!

Até o próprio Codificador mostrou-se otimista diante dessas sublimes revelações a ponto de afirmar que no início do século (XX) a humanidade estaria regenerada. O vinte já acabou, o XXI já tem duas décadas e continua tudo igual. (Vide sobre os seis períodos do Espiritismo, segundo Kardec, Revista Espírita Allan Kardec dez 1863)

Um conselho final aos que nos dizemos espíritas: Estudemos incessantemente o Espiritismo e pratiquemos o Evangelho amparados nas orientações da Espiritualidade Superior. Esta é a receita para aproveitar a encarnação; De espíritas teóricos o mundo está cheio; é hora de sermos a caridade personalizada.

Nossa gratidão ao Codificador!

O Clarim – outubro 2020

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