Espíritas mais ou menos

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RIE_07_2019

Caminhos que levam o homem ao Espiritismo

Octávio Caúmo Serrano | caumo@caumo.com

São múltiplos os motivos que impulsionam o ser humano a buscar a nossa doutrina. Alguns deles: curiosidade, sofrimento, vazio existencial, respostas para dúvidas, confusão mental com perturbação espiritual etc.

Somos um país de tradição católica, com crescimento do protestantismo. São as religiões predominantes nestes dias, mas não podem ser consideradas oficiais, até mesmo por regimento constitucional. Há adeptos de todas as doutrinas, como as afro-brasileiras e as orientais de diversos segmentos (budismo, xintoísmo, hinduísmo, judaísmo, messiânica, Seicho-No-Ie, islamismo, umbanda, candomblé etc.).

A clareza singular do Espiritismo, contudo, sempre provoca curiosidade nos que buscam respostas e soluções para seus questionamentos e problemas. Uma prova disso é que a mídia não perde oportunidades de explorar o tema. Procura não se envolver ou tomar partido, mas enche seus espaços com notícias, filmes, debates etc., confiante na audiência e no interesse popular.

Os desinformados imaginam que depois de serem religiosos mornos em suas crenças, obterão soluções imediatas para seus problemas indo a um centro espírita, ignorando que a salvação e o milagre não moram ali. O que poderão encontrar numa instituição séria, onde se estuda o Evangelho do Cristo segundo a interpretação dos Espíritos e do próprio Codificador, Allan Kardec, são orientações seguras para aprenderem a administrar suas vidas. Nada mais precioso para o ser humano que a oportunidade de nova existência na Terra para reaprender o que ficou mal resolvido em seu passado espiritual. E quem não acredita em reencarnação terá de acreditar, porque senão continuará sem entender nada. Com a crença da vida única nada pode ser explicado. Tudo é injustiça.

Sabemos que há pessoas encantadas com suas religiões e que não admitem a ideia de mudar para outra. Creem que sua igreja detém toda a verdade, apesar de isso não se refletir em suas vidas, porque seus problemas perduram sem solução. Temem ser castigados por Deus como desertores. Pois que continuem nas suas missas ou nos seus cultos, sem ficar impedidos de se esclarecerem.

Quando Kardec lançou O Evangelho Segundo o Espiritismo, em 1864, os Espíritos lhe disseram que chegara o momento de apresentar o Espiritismo como a única doutrina genuinamente humana e divina. Seria a religião que assessoraria todas as outras que se dispusessem a estudá-la sem preconceitos ou más intenções.

Fica claro, portanto, que nada impede que um católico estude O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Céu e o Inferno, A Gênese, O que é o Espiritismo etc., quando não entende por que os humanos têm sortes tão diferentes, apesar de filhos do mesmo Deus misericordioso, se vão viver uma única vida. Irá surpreender-se com a lógica e a clareza do trabalho de Kardec quando conversou com os mentores da Espiritualidade Superior. E depois de estudar, de preferência com um grupo no centro espírita, onde pode aclarar suas dúvidas, vá para a sua missa, o seu culto, ore bastante, faça promessas, cante e dance, enquanto necessitar dessas práticas. Verá que quando começar a perdoar, praticar caridade, além da esmola e do dízimo, tudo começa a transformar-se. Verá a importância de ser solidário e indulgente e os rituais perderão importância.

Convém recordar o texto que segue, intitulado “Uma homenagem — profética — a Allan Kardec” e incluído em nosso livro Pontos de Vista, da Casa Editora O Clarim:

***

O Courrier de Paris de 11 de junho de 1857, poucos dias após o lançamento da primeira edição de O Livro dos Espíritos, divulga matéria sobre o fato.

O jornal informa que havia sido publicada obra deveras notável, até mesmo curiosa, se não houvesse nela coisas interessantes que não poderiam ser consideradas banais: “O Livro dos Espíritos, escreve, é página nova no próprio grande livro do infinito e, estamos persuadidos, uma marca será posta nessa página.”

Declara o editor, Sr. Du Chalard, que não conhece o autor, mas que alguém que escreveu tal prefácio deve ter a alma aberta a todos os sentimentos nobres. Afirma, ainda, que jamais fez qualquer estudo sobre fenômenos sobrenaturais, embora, vez que outra, se perguntasse o que haveria nas regiões onde se convencionou chamar “O Alto”.

O jornalista, impressionado com a obra, não tem dúvida em recomendá-la. “A todos os deserdados da Terra, a todos quantos marcham e que nas suas quedas regam com lágrimas o pó das estradas, diremos: — Lede O Livro dos Espíritos; ele vos tornará mais fortes. Também aos felizes, que pelos caminhos só encontram aclamações e os sorrisos da fortuna, diremos: — Estudai O Livro dos Espíritos e ele vos tornará melhores.”

Menciona que o trabalho é da autoria dos Espíritos, fala das sublimes respostas, mas enaltece as perguntas que as provocaram. Desafia os mais incrédulos a rirem quando lerem o livro em silêncio e solidão.

Após o comentário, propõe: “O senhor é homem de estudo e têm aquela boa-fé que apenas necessita instruir-se? Então leia o Livro Primeiro, que fala sobre a Doutrina Espírita. É dos que se ocupam apenas consigo mesmo e nada enxergam além dos próprios interesses? Leia as Leis Morais. Todos os que têm pensamentos nobres de coração, leiam o livro da primeira à última página. Aos que encontrarem matéria para zombaria, o nosso lamento.”

No título, dissemos tratar-se de uma homenagem profética. Naquele instante, o jornalista vislumbrou a estrada de luz que se abria com as revelações e só alguém igualmente com grande sensibilidade poderia perceber a conotação divina que o livro apresentava. Entre os espíritas, mesmo já tendo convivido com tais notícias há mais de cento e sessenta anos, há poucos com as convicções do editor francês que, de pronto, percebeu a chegada do Consolador.

***

Se você deixar e quiser, o Espiritismo pode fazer muito por você. E se um dia despertar para a lógica do pensamento espírita, abrace a doutrina por inteiro, trabalhe com ela e por ela. Lembre-se que nela tudo se faz de graça. Nenhum centavo lhe será cobrado pela participação nos estudos e tarefas. Como nas escolas tradicionais, depois de estudar o básico precisamos do ensino superior e das pós-graduações! Aproveite. Não se sabe quando terá nova oportunidade. Boa sorte!

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – julho 2019

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Combatendo o desalento

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RIE 06_19

Que tempos são esses que, embora aparentemente chegados, parece que nunca chegam?

Octávio Caúmo Serrano | caumo@caumo.com

 

Apesar de ter descoberto o Espiritismo somente aos trinta e oito anos de idade, já tenho quase quarenta e sete anos de contato com esta fantástica doutrina.

A frase dita por um divulgador protestante — o chamado crente no meu tempo de jovem, lá por 1952 —, “os tempos são chegados”, ainda hoje ecoa em meus ouvidos, embora naquele tempo eu não tivesse a menor ideia a que tempos se referia aquele entusiasmado pregador de rua, rodeado por uma dúzia de atentos ouvintes. Hoje, sessenta e sete anos depois, ouvindo os Veneráveis Espíritos informarem sobre a transição planetária, começo a entender um pouco que tempos são esses que, embora aparentemente chegados, parece que nunca chegam. É porque o tempo do homem e o tempo de Deus são diferentes.

Meu primeiro centro espírita foi o Amor e Paz, na Alameda dos Arapanés, 707, no bairro de Moema, São Paulo. Depois dele fiz meus primeiros cursos de Doutrina Espírita na Federação Espírita do Estado de São Paulo e num grupo ligado à Aliança Espírita Evangélica, o Grupo Socorrista Maria de Nazaré, quando comecei a proferir palestras e a ministrar aulas em vários centros, com base nas apostilas da Aliança. Buscava transmitir as verdades do Evangelho de Jesus, agora com a cobertura de Kardec, que nos deu explicações claras das lições do Mestre para maior facilidade de entendimento.

De explanações técnicas, leis de causa e efeito e que tais, fui aos poucos percebendo que tudo pode ser sintetizado na máxima do Cristo: “Ama o próximo com a ti mesmo.” A partir desse instante, constatei como é praticamente impossível a este homem planetário amar o próximo, já que não consegue sequer amar a si mesmo. Cada um de nós, componentes desta humanidade fracassada, é intimamente um vulcão revolto, que não consegue acalmar-se. Vomita iras e ódios, cada expressão é um impropério, com revolta até contra o próprio Criador, que nos ofereceu a vida para sermos felizes. Mas, como não sabemos lidar com o nosso passado nem com o presente para plantar melhor futuro, somos um bando desarvorado vagando ao léu da indecisão. Ninguém se ama. É comum não gostarmos do próprio nome. O gordo queria ser magro e o magro queria ser gordo.

Pulamos daqui para lá e de lá para cá porque nada nos agrada. Nem a família, nem o emprego, nem a religião. Quando não invejamos a vida do outro, o agredimos, transformando-o no culpado por nossos desajustes. Seja ele o político, o patrão, o professor, o vizinho ou o marginal, porque temos de eleger alguém que leve a culpa pelos fracassos que são só nossos.

Neste ciclo planetário de mudanças radicais, os tempos efetivamente mudam, mas não em anos ou décadas. As mudanças da história são registradas em séculos ou milênios, no mínimo.

E nós, como ficamos? Como seres eternos estamos sendo esculpidos pelo buril da natureza. Atritamo-nos, ferimo-nos e à medida que aprendemos sobre paciência, resignação e fé vamos ficando mais leves. Aprendemos que as mágoas da revolta moram em nós e que o perdão nos alivia, mesmo que o outro não o aceite. Nossa tarefa somos nós; o outro é mero recurso que usamos para o nosso aprimoramento. Para isso, porém, temos de vencer o orgulho. Mas, melhorar por quê? Porque é esta a tarefa primordial da vida em mundos probatórios como o nosso.

Não há saída. Queiramos ou não, a Lei é que decide, não nós. Somos comandados pela natureza que habita em nós. Enfraquecemos, envelhecemos e no curto período que por aqui estagiamos — porque também temos prazo de validade na matéria — temos de conviver com ela de maneira pacífica e harmoniosa. Lutar contra é tempo perdido. Seremos sempre derrotados. Melhor nos aliarmos a ela. A lei que nos harmoniza é a do amor. Com tudo e todos, intensa e incondicionalmente.

Antes que o desalento me dominasse totalmente, decidi confessar-me com o Pai Eterno e dizer-Lhe: — Senhor da Vida, sei que a tudo assistes e tudo permites para testar nossa força e nossa fé, e que estás preparando o nosso lugar ao Teu lado caso vençamos esta guerra contra nós mesmos. Confio na Tua bondade e é por isso que prossigo com coragem e destemor. Tem misericórdia de nós, pobres equivocados. Não permitas que invalidemos o esforço de tantos missionários, que vieram antes de nós preparar-nos o roteiro com lições que muitas vezes lhes custaram a vida. Foram tantos a testemunhar, que não é honesto de nossa parte desperdiçar o sacrifício desses desprendidos que nada queriam para si. Foram enviados divinos que renunciaram às suas vidas para ofertá-las a nós. Não cometamos tão severa ingratidão! Que eu jamais sinta desalento por mais pedregoso que seja a caminho. Amém!

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – junho 2019

Citações para pensar

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RIE_Maio_2019A vivência dentro dos preceitos ditados pelo Evangelho suaviza nossas dores

Octávio Caumo Serrano | caumo@caumo.com

Deus, que te criou sem ti, não te salvará sem ti.” Tal citação é atribuída a Santo Agostinho. Ele também teria ensinado que “ninguém pode ser perfeitamente livre até que todos o sejam” e “convém matar o erro, porém salvar os que vão errados”.

Já ouvimos este mesmo princípio, formulado um pouco diferente, sem que saibamos citar o autor. Mas como a essência da lição é mais importante do que o criador da frase, atrevemo-nos a reproduzi-la: “Deus, que te criou sem o teu conhecimento, não poderá salvar-te sem a tua cooperação.” Deixa claro, e o bom senso a confirma, que somos responsáveis por tudo o que acontece no mundo, particularmente o que envolve nosso próprio futuro. Interferimos, para o bem ou para o mal, conforme agimos e nos comportamos diante da vida, em qualquer local onde atuemos.

Esta afirmação às vezes choca os religiosos, que garantem que como Deus sabe o que é melhor para nós, irá tratar-nos com Seu imensurável amor e só nos brindará com a felicidade. Mas se isso é real, por que nos criou simples e sem nenhum conhecimento, permitindo que nos aprimorássemos por nossos próprios méritos? Por que não nos criou perfeitos, sem a necessidade de encarnações, a maioria probatórias, cheias de dores e sofrimentos?

Jesus, segundo o Evangelho de Lucas (16:2), nos disse: “Dá conta da tua administração.” Mas, se independentemente do nosso esforço, Deus nos dá de tudo, por que o Mestre assim o afirmou?

No capítulo 75 do livro Fonte Viva, Emmanuel, o nobre senador romano, pela psicografia de Chico Xavier nos diz: “Na essência, cada homem é servidor pelo trabalho que realiza na obra do Supremo Pai, e, simultaneamente, é administrador, porquanto cada criatura humana detém possibilidades enormes no plano em que moureja. Mordomo do mundo não é somente aquele que encanece os cabelos à frente dos interesses coletivos, nas empresas públicas ou particulares, combatendo intrigas mil, a fim de cumprir a missão a que se dedica. Cada inteligência da Terra dará conta dos recursos que lhe foram confiados. A fortuna e a autoridade não são valores únicos de que devemos dar conta hoje e amanhã; o corpo é um templo sagrado. A saúde física é um tesouro. A oportunidade de trabalhar é uma bênção. A possibilidade de servir é um obséquio divino. O ensejo de aprender é uma porta libertadora. O tempo é um patrimônio inestimável. O lar é uma dádiva do Céu. O amigo é um benfeitor. A experiência benéfica é uma grande conquista. A ocasião de viver em harmonia com o Senhor, com os semelhantes e com a Natureza é uma glória comum a todos. A hora de ajudar os menos favorecidos de recursos ou entendimento é valiosa. O chão para semear, a ignorância para ser instruída e a dor para ser consolada são apelos que o Céu envia sem palavras, ao mundo inteiro. Que fazes, portanto, dos talentos preciosos que repousam em teu coração, em tuas mãos e no teu caminho? Vela por tua própria tarefa no bem, diante do Eterno, porque chegará o momento em que o Poder Divino te pedirá: — ‘Dá conta de tua administração.’”

Mais do que exploradores ou dependentes de Jesus somos seus auxiliares na melhora do mundo. Quando se trata de vestir, alimentar ou abrigar um semelhante, somos seus ajudantes, suavizando as dores físicas do outro. Ainda que ele mesmo ore e seja resignado, nem sempre tem condições de sobreviver por conta própria, cabendo a nós esta parte, quando também nos beneficiamos do bem que fizemos, justificando a importância da nova encarnação que rogamos ao Pai, a fim de crescermos mais um centímetro espiritual. “Fora da caridade não há salvação”, ensina o Espiritismo.

A vivência dentro dos preceitos ditados pelo Evangelho suaviza nossas dores, porque onde mais o homem se perde é na defesa de si mesmo. Muitos há que têm caridade com o semelhante, mas guardam mágoa, rancores, ódios e desejos de vingança nos labirintos da alma. Insaciáveis, envenenam-se lentamente pondo a culpa no mundo, nos pais, no cônjuge, no patrão, no governo, quando não se rebelam contra o próprio Criador, sentindo-se injustiçados e punidos por um mal que acreditam não ter cometido. Por isso o estudo do Espiritismo, a certeza da vida eterna e a necessidade de muitas encarnações purificadoras são tão importantes. Se não merecemos as dores pelo que fazemos nesta vida, certamente trazemos arquivados na nossa essência erros de outras passagens pelos mundos materiais. E ainda ignoramos que as dores são atenuadas pela misericórdia divina, se as comparássemos às necessidades reais de resgate pelas quais deveríamos passar. Antes de reclamar, vamos analisar como vivemos e, de coração aberto e sincero, vejamos se estamos dando conta da nossa administração.

A você, mãe do mundo, carinhoso beijo deste filho que já teve muitas mães nestas múltiplas passagens de redenção e aprendizado pelo Terra ou mundos similares, ora dando a elas alegrias, ora enchendo seus olhos de pranto. Desculpas e saudades!

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – Maio 2019

Ama o próximo como a ti mesmo

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Amai os vossos inimigos” — Mateus (5:44)

Octávio Caúmo Serrano | caumo@caumo.com

A humanidade recebeu um presente do Céu quando Allan Kardec, após muitas recusas, decidiu organizar o Espiritismo, a ponto de ser batizado por Camille Flammarion de “o bom senso encarnado”. Certamente que tudo estava programado para convencer o sábio a aceitar a tarefa, mas o livre-arbítrio e o desejo de sucesso entre os homens da Terra poderiam levá-lo a optar por seu colégio, a sua principal aspiração desde que retornou da Escola de Pestalozzi, em Yverdon, na Suíça. Mas a razão prevaleceu e ele optou por aceitar o difícil encargo junto aos Espíritos, apesar dos prejuízos materiais que teve pelos preconceitos e interesses dos equivocados seres humanos de sua época, que seguem sendo os mesmos em todas as épocas.

Após lançar O Livro do Espíritos em 1857 e O Livro dos Médiuns em 1861, decidiu escrever um livro que viria a público em 29 de abril de 1864 com o título Imitação do Evangelho Segundo o Espiritismo. Renomeado a partir da terceira edição de O Evangelho Segundo o Espiritismo, deu cunho religioso à nossa doutrina, já que o Espiritismo foi definido pelos Espíritos como a única instituição genuinamente humana e divina, conforme se lê na introdução de muitas edições.

É neste livro que Kardec realça os principais objetivos da nova doutrina, deixando claro que ela nenhum conhecimento sonegará aos seus praticantes. Nela a fé é raciocinada e não dogmática. Ao elaborá-lo, o Codificador teve o cuidado de colocar excelente prefácio do seu mentor, o Espírito de Verdade (segundo muitos espíritas o próprio Jesus dando orientações), explicar os objetivos da obra e colocar nos seus vinte e oito capítulos apenas a parte moral dos ensinamentos do Cristo.

Logo após a introdução, fala da universalidade das comunicações para mostrar que não é doutrina de uma só pessoa, como o judaísmo, o islamismo, o budismo e o próprio cristianismo, mas o ensinamento dos Espíritos de expressiva superioridade, que habitaram nas mais diferentes raças e religiões e se manifestaram ao mesmo tempo entre doutores e analfabetos, religiosos e ateus, em países de diferentes crenças e costumes. Em nenhum momento diz que devemos rezar de pé ou sentados, no claro ou no escuro, às sextas, sábados ou domingos, diante de imagens ou com uniformes para os diferentes rituais.

Mostra o Evangelho de Jesus com clareza e explica os termos da época usados nas parábolas (fariseus, saduceus, samaritanos, escribas etc.) para que possam ser interpretadas corretamente, porque no Espiritismo não há mistérios nem evangelhos velados, como os que só existem nos missais da Igreja, como o Evangelho de Tobias, entre outros. No Espiritismo tudo é público e explicado a todos com clareza. Não enfeita templos com ouro, nem usa falso silêncio e adoração com segundas intenções, quando louvam o Senhor, exploram o Senhor, mas não seguem o Senhor. Não amam o próximo como ele proclamou, embora façam romarias, procissões, oferendas e promessas.

O Espiritismo enfatiza que a reforma moral é o grande tesouro para ser levado ao céu no encerramento da jornada terrena. Por isso ele atende eruditos e ignorantes, desde que ambos abram o coração para as suas revelações. Tem como lema “fora da caridade não há salvação”, pertença o fiel a qualquer crença.

Graças ao Espiritismo, também, sabemos que os familiares desta vida foram provavelmente desafetos de passadas encarnações. Graças à misericórdia do esquecimento ignoramos os males que reciprocamente nos fizemos. Isto significa que na família de hoje podemos estar reunidos com inimigos de um passado imediato ou remoto, mas que vamos depender da harmonização nesta encarnação para quitar falhas antigas. Amar os inimigos não é ter paciência e perdoar o antagonista de outros relacionamentos sociais ou comerciais. O inimigo a que Jesus se referiu pode ser perfeitamente aquela pessoa que divide a mesa, o leito e o lar conosco, e pela qual temos mais tolerância devido à consanguinidade. Desculpamos ou, pelo menos, suportamos agressões de um familiar, o que não aceitamos se parte de um estranho.

Por todos esses cuidados, O Evangelho Segundo o Espiritismo é um livro que merece toda credibilidade, porque escancara a verdade para todos os que o consultam com seriedade e desejos de mudanças para cumprir bem a tarefa que lhes foi confiada nesta vida. Por isso Kardec foi homenageado no seu sepultamento por importante cientista de sua época que assim se manifestou: “Fora Allan Kardec um homem de ciência e de certo não houvera podido prestar este primeiro serviço e dilatá-lo até muito longe, como um convite a todos os corações. Ele, porém, era o que eu denominarei simplesmente o bom senso encarnado.” (Do discurso pronunciado junto ao túmulo de Allan Kardec por Camille Flammarion.)

A eles nossos agradecimentos. 

Nota do autor: Nicolas Camille Flammarion foi astrônomo, pesquisador psíquico e divulgador científico francês. Teve importante papel na investigação e popularização da astronomia. Recebeu notórios prêmios e foi homenageado com a nomenclatura oficial de alguns corpos celestes.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo  de abril 2019

Fé e bom senso

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RIE 03_2019

Dizem que Cristo salva! Será? De que maneira se dá essa salvação?

Octávio Caúmo Serrano | caumo@caumo.com

Entre as qualidades mais importantes do homem da Terra, especialmente neste momento apocalíptico, está a fé. A fé que, segundo a Doutrina dos Espíritos, é resultado do raciocínio. Podemos compará-la à lei de ação e reação. Ou semeadura e colheita, que nos faculta plantar, mas que dará como safra a consequência desse plantio. Nem podia ser diferente. Na justiça divina não existem exceções. Saibamos agradecer pela noite bem dormida e também por ter acordado. Agradeçamos também pelo dia vivido, pelas lições aprendidas e pelo bem praticado. Muitos não terminaram o dia. Ficaram pelo caminho.

Em todas as religiões nos dizem que temos de ter fé em santos, em símbolos, em Jesus ou mesmo em Deus, como se isso fosse suficiente e tudo recebêssemos, independentemente de esforço. Pelas redes sociais mandam-nos figurinhas com bênçãos para nós e família, e ainda dizem que se não interrompermos a corrente teremos boas surpresas; em minutos. Mas, indagamos, por que motivo? Que privilégio imaginamos ter nós, nossa família e nossos amigos para recebermos facilidades diante dos percalços da vida, pretendendo colher o que nunca plantamos. Receberemos benesses pelo simples envio de uma figurinha? Se fosse verdade seria bom. O mundo estaria salvo. Ah, humanidade crédula e atrasada! Jesus Cristo nos ensinou o que teríamos de fazer para que o Céu nos ajudasse. Aliás com grande misericórdia, compensando-nos a mil por um do que viéssemos a produzir. Mas não disse a mil por zero. Nunca nos prometeu que milagres cairiam do Céu sem os merecermos.

A Lei de Deus é única para todos os seres e, portanto, não nos trata individualmente. O que é certo num, é certo noutro. As penalidades diante dos erros de um são iguais àquelas que punem os erros de outros em idênticas condições de discernimento. Não depende de sexo, raça ou religião. Deus não faz acepção de pessoas e, como já advertiu Jesus, a vara que mede todos os homens é a mesma. E o critério também. O bem nos cria méritos e o mal nos atrasa. Não é Deus quem nos julga. Somos julgados por nossas próprias ações. Como não é o professor que nos reprova; é a nossa incompetência e desinteresse pelo aprendizado!

Quando oramos a Deus, por nós ou pelos nossos, imaginamos nossa prece sendo endereçada a um Ser Superior, diante de um imenso computador, com super HD e sofisticado aplicativo que nos controla e no qual cada um de nós é um arquivo próprio, seja DOC, PDF ou algo mais sofisticado que ainda desconhecemos. E a cada movimento nosso, Deus, atento, anota um item de mérito que nos enaltece ou um carma negativo a ser enfrentado ainda nesta vida ou durante nossa eternidade espiritual, em momento apropriado. O jogador diz que ganhou porque é abençoado por Deus. Imagina que Deus simpatiza com seu clube e por isso permitiu que o outro fosse derrotado. Que tolice. Venceu porque teve mais competência ou contou com falhas dos mediadores da disputa, árbitros que se equivocaram ou fraudaram o resultado. Deus não tem nada com isso.

Lembramos que certa vez, em 1965, “Dr. Fritz” Espírito quis operar Chico Xavier através do médium não espírita Zé Arigó: “Eu te ponho bom desse olho. Faço-te a cirurgia agora, disse Arigó!” Chico Xavier respondeu-lhe: “Não; isso é um reflexo do passado. Eu sei que o senhor pode consertar o meu olho. Mas como o compromisso do passado continuará, vai me aparecer outra doença. Como já estou acostumado com essa, eu a prefiro. Por que eu iria querer uma doença nova?”

Os Espíritos não estão à disposição para promover curas de doenças que não raro precisam de providências corretivas para nosso crescimento espiritual, o que se dá pela reparação moral. Por tudo isso, é urgente não abrirmos mão da precaução! Ainda que o excesso em tudo seja ruinoso, Kardec endossa nossa atitude dizendo que “vale mais pecar por excesso de prudência do que por excesso de confiança”.

Chico recebeu assistência de seu médico particular até desencarnar. Os Espíritos sérios não curam corpos; curam almas. Cada um pode se curar com suas próprias orações e atitudes, sem precisar acender vela, subir escadarias de joelhos, ir a Meca, Medina, Santiago de Compostela, Jerusalém, Vaticano, Templo de Salomão, Fátima, Lourdes, Abadiânia, Juazeiro, Canindé ou Aparecida do Norte. Nem a qualquer santuário de qualquer doutrina para deixar lá seu pacote de pecados.

Vejam o que está no texto de João, 4:23. Adorar a Deus independe de um lugar. Na conversa com a mulher da Samaria, Jesus critica a maneira como as pessoas da época faziam adoração a Deus. O importante é adorar a Deus em espírito e em verdade, e para isso não é preciso um lugar especial. É no coração de todo ser humano que Deus deve ser adorado, e não apenas em um monte ou em um prédio.

Deus habita em todas as pessoas que O recebem com alegria e fazem de seu coração o altar para Ele ficar. As pessoas que adoram o Pai em espírito e em verdade podem também usar um lugar para, juntas, fortalecer e renovar a sua fé. Mas o importante é o que está no coração de cada uma delas e não apenas o lugar. Visitemos esses belos templos como atração turística ou para orar, pedindo ou agradecendo, mas não com pagamentos ou oferendas, que nunca são para Deus.

Antes, contudo, lembrem-se: curamo-nos em casa mesmo. Ore e espere. A cura do corpo se dá pelo saneamento da alma. Faça o bem que puder e combata mágoas e ressentimentos, para ter saúde. O principal trabalho de Chico foi o alívio às almas sofridas, a maioria mães inconformadas, e não o de corpos desgastados. O próprio Jesus fez algumas curas em momentos que serviram para testemunhar o poder de Deus… Foram poucos “milagres” e muitas pregações e aconselhamentos. E mesmo nesses casos dizia: — A tua fé te curou. Vai e não peques mais.

Espiritismo não pode ser confundido com curandeirismo. Mesmo quando buscamos o centro na esperança de cura de doenças físicas, ou para aprender sobre o Evangelho à luz da Doutrina dos Espíritos, tenhamos em mente a regra básica: se houver algum tipo de pagamento, mesmo para compra de oferendas, fuja. Não é Espiritismo.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – Março 2019

Um bilhete para Deus

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A vida neste mundo é como uma peça de teatro: em cada ato trocamos de roupa e cenário, mas somos o mesmo artista

Octávio Caúmo Serrano | caumo@caumo.com

Bom-dia, meu Pai.

É o Octávio. Lembra de mim? Creio que sim, afinal sou um de seus filhos, morador desta favelinha espiritual chamada Terra, onde a miséria, a desigualdade e a desonestidade estão cada vez maiores. Quero confessar-lhe que tenho me empenhado em ser bom para candidatar-me a morador de algum condomínio melhor, ou mesmo desta favela, quando irmãos mais moralizados decidirem fixar residência por aqui. Virão com outras ideias porque são almas melhores e nos ajudarão a construir um novo modo de viver. Mais próximo do que se espera dos humanos. Penso que este tempo está chegando. Pelo menos espero…

Sei que sou um pouco culpado por esse desajuste geral, porque às vezes também fracasso no propósito de amar o próximo. Juro que me esforço. Mas não é fácil, meu Pai. Muita gente ruim atormentando os que querem ser corretos. E os que dirigem, os que têm o poder, são os piores. As pessoas de bem, honestas, trabalhadoras, estão sendo agredidas e eles nada fazem. Não sei por que o Senhor os deixa nessas funções se eles não as executam direito. É para testar a nossa fé? A nossa paciência? A nossa coragem? Se é por isso, tudo bem. Mas que não é fácil resistir, não é! Temos de matar um leão por dia. No sentido figurado, claro, porque matar, jamais! Matar, nem a esperança das pessoas!

A vida neste mundo é como uma peça de teatro: em cada ato trocamos de roupa e cenário, mas somos o mesmo artista. Ora herói, ora vilão! No futuro haverá uma galeria com nossos retratos de cada encarnação e saberemos como vivemos em cada intervalo pelos mundos materiais. Assim constataremos as razões de nossas tristezas e alegrias. Observaremos nossos papéis, fazendo o bem ou omissos diante do mal. Entenderemos a origem das virtudes e defeitos que ainda temos e dos quais nos orgulhamos ou envergonhamos. É difícil compreender, mesmo tendo Jesus deixado tudo bem explicadinho. Mas nós não acreditamos.

Depois de um tempo na minha religião tradicional, onde nos colocam sem perguntar e que é exigida para estudar, casar etc., descobri uma doutrina interessante. Creio que o Senhor já ouviu falar: Espiritismo. Fez tanto sentido que comecei a estudá-la e acabei um de seus adeptos. Cheguei até a fundar uma casa para levar o conhecimento deixado por Allan Kardec, aquele que tão bem traduziu Jesus, para as pessoas que vivem sofrendo e explicando-lhes que a solução para os seus problemas está no trabalho que farão em favor dos outros. Ajudando serão ajudadas. Gostei quando o Espiritismo ensinou que “fora da caridade não há salvação” e também quando informou que o verdadeiro espírita seria conhecido pela sua “transformação moral e pelo esforço que faz para combater as suas más inclinações”. Fiquei encantado porque não nos chama de pecadores e diz que só o esforço para ser melhor já agrada a Você, meu Pai. Sei que sempre leva em conta as nossas intenções, ainda que os atos sejam falhos.

O mal é que trabalho num centro de pessoas que têm vida relativamente boa e que, embora queixosas como todo terráqueo, gozam de muitos privilégios, o que, por vezes, atrapalham as suas vidas. Qualquer festa, evento, feriado prolongado, lá se vão elas para suas viagens de recreio, casas de campo ou de praia, deixando para depois os compromissos assumidos com o centro espírita. Eles trabalham porque querem; não são forçados. Mas não entenderam ainda que não trabalham para Você, Pai, nem para Jesus ou para o Espiritismo. Trabalham para eles. Por isso, se veem no direito de ir quando querem. O centro não é prioridade para eles. Hoje vão de carro, moram perto e faltam muito. No próximo ato, no novo papel que terão no teatro da vida, morarão no mato, sem luz e irão a pé para o centro, que vai ser muito distante de sua casa. Mas as necessidades e as dores serão tais que terão de se render e aceitar o sacrifício.

Por enquanto, o Espiritismo perde de goleada para os espíritas e seus eventos. Hoje no placar nós vemos: Natal 8 x Espiritismo 1; Futebol 5 x Espiritismo 0; Aniversário 6 x Espiritismo 2; Feriadão 4 x Espiritismo 1. E assim por diante. O Espiritismo não faz um ponto. Será que vai acabar rebaixado? Jamais. Mesmo sem a colaboração dos espíritas o Espiritismo vai crescer muito e ajudar a humanidade. Já nos foi dito que ele prosperaria apesar dos espíritas. Ouvi falar que alguém teria dito essa frase: “Com os espíritas, sem os espíritas, apesar dos espíritas!” Se não disse poderia ter dito… É bem procedente.

Na nova encarnação tudo será ao contrário. Por isso é que é bom o centro espírita com trabalhadores pobres que não têm condições para passear demais. Só a conscientização nada pode fazer por nós. Não entendemos ainda o “espírito da coisa”, nem os privilégios que norteiam nossas vidas, nem as razões de mais uma encarnação. Somos apóstolos do Cristo, mas não percebemos nem agimos como tal! Deixamo-lo sempre sozinho!

  • Bem. Eu só queria conversar um pouco e desabafar. Espero que o Senhor se lembre quem eu sou e tenha paciência com este seu filho também ainda cheio de falhas. Sua bênção, Pai!
  • RIE – Revista Internacional de Espiritismo – fevereiro de 2019

As aflições e o futuro

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Não podemos nos fiar em crendices irracionais e inconsistentes

Octávio Caúmo Serrano | caumo@caumo.com

Aprendemos pelo Evangelho do Cristo e Senhor que cada um receberá segundo suas obras. Fazer para que o Céu nos ajude; a mil por um. Ou seja, a exemplo da multiplicação dos pães e dos peixes feita por Jesus, ninguém multiplica partindo do zero. É preciso que haja em cada um de nós um mínimo de esforço para ser aumentado pela misericórdia do Céu. O próprio Pedro já disse, em sua primeira epístola, que o amor cobre a multidão de pecados. Mas é preciso, pelo menos, uma gota de amor!

O que se vê, em termos de divulgação do que nos compete para sermos felizes, não está condizente com as recomendações de Jesus. Falam-nos que é preciso ter fé, sem nos explicar como obtê-la e vivê-la. Informam-nos que se nos filiarmos a determinada doutrina religiosa, pagando pelas benesses que almejamos, seremos imediatamente atendidos e recompensados. É um procedimento tão simplista quanto declarar extinta a inflação em um país apenas igualando a moeda nacional à norte-americana, sem a adoção de medidas que de fato corrijam a economia. Não é necessário dizer que, a longo prazo, a equiparação não se sustentará e trará terríveis consequências ao seu povo.

Se as soluções para sair da miséria, da ignorância e da maldade fossem tão fáceis, poderíamos exportar essa tecnologia milagrosa e acabar com os flagelos da humanidade. Se bastasse ser sócio ou adepto de uma igreja para conquistar a felicidade e transformar as pessoas em criaturas de bem, seria algo fácil de se providenciar. Cada presídio deste país seria transformado numa igreja e a criminalidade desapareceria!

A fala mansa e bonita e a simples leitura de capítulos e versículos convenientes das escrituras sagradas, constituem-se convincentes argumentos para quem gosta de viver na ilusão. Se lermos atentamente o Evangelho, veremos que Jesus nunca nos ofereceu a salvação, entendida como a conquista da felicidade sem esforço. O que Ele teria dito e as escrituras reproduzem é: “Ninguém vai ao Pai a não ser por mim. Porque eu sou o caminho, a verdade e a vida.” Ou seja, sem seguir suas orientações. “Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, dia após dia, e siga-me.” Lucas 9:23. Nunca prometeu nos carregar no colo como diz a mensagem “Pegadas na areia”, uma pieguice da poesia musicada.

Sempre que nos oferecerem facilidades e conquistas sem a nossa efetiva colaboração, desconfiemos. Nada é fácil no mundo. Nada se transforma num passe de mágica. Mudar caráter, corrigir erros e combater defeitos, livrar-se dos vícios e matar o homem velho para renascer como Paulo ao libertar-se do velho Saulo são batalhas hercúleas, tarefas que nem sempre se concluem numa única encarnação em mundos de provas e expiações como o nosso planeta. É muita persistência para acanhadas conquistas o que nos leva, mesmo os que conhecem, a titubear diante das dificuldades para dar os menores passos para a frente e para o alto.

Os Espíritos já informaram que há várias etapas para consertar um erro. A primeira é reconhecê-lo. A segunda é o arrependimento. A terceira é a retratação, que nos leva ao pedido de desculpas, quando ainda possível. E a quarta e definitiva é a reparação, se ainda houver tempo. Se alguma etapa ficar sem solução o resgate não se fará e a pendência terá de ser resolvida por outros meios ou com outras pessoas, que nos imporão dificuldades semelhantes às que causamos aos outros. Ninguém pense que isto é castigo. É renovação do aprendizado para avançar na direção de mundos mais perfeitos. O próprio Jesus já nos advertiu que ninguém sairia daqui enquanto não quitasse até o último centavo. Ninguém vai a uma festa com roupa suja ou rasgada. E a conquista do reino dos Céus é para ser festejada com vestes apropriadas!

2019 chegou e os próximos trezentos e sessenta e cinco dias e seis horas trarão novas oportunidades para subirmos alguns degraus na escada do aprimoramento moral, visando à conquista de lugares de paz. Não adianta querer penetrar nos mundos superiores, já disse Emmanuel, se estivermos órfãos de sintonia com esses lugares. É questão de afinidade. A sintonia e a atração se dão pelos desejos e qualidades comuns. Sem choques. Os afins se atraem. Como a parábola da Veste Nupcial: quem não estiver adequadamente vestido, de corpo e alma, não pode entrar.

Nunca perca sua fé na certeza de que Deus, o Pai perfeito, quer o melhor para seus filhos. Mas a exemplo dos pais da Terra, muitas vezes para educá-los é preciso dizer-lhes um sonoro NÃO! Pode não agradar, mas é o que deve ser feito. Também Deus, quando nos contraria o faz pelo nosso bem. Até a morte, tão temida, é uma invenção de Deus. Logo não pode ser ruim. É, como o próprio sofrimento, apenas mal compreendida.

O novo mundo está se formando e brevemente os bons poderão respirar do seu ar mais perfumado. Paciência e perseverança porque os tempos já chegaram!

Feliz Ano Novo.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – janeiro 2019

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