O Verdadeiro Espírita

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Octávio Caúmo Serrano – 8/6/2015

Reconhece-se o espírita
Pela sua transformação
E na luta em que se empenha
Para ter educação;
Vence as más inclinações,
Com todos tem só atenções,
Como age o que é cristão!

Tem sempre a boca cerrada
Diante do fracasso alheio,
Seja com desconhecidos
Ou com pessoas do seu meio.
Perdoa todo inimigo
Tentando fazê-lo amigo,
Pois do mal não tem receio!

Constantemente empenhado
Se esmera em sua instrução
Para então servir melhor
Sempre que chega a ocasião,
Pois sente contentamento
E gosta de estar atento
Qual soldado de plantão…

Não vale pelas palestras
Ou por passes que oferece
Nem pela mediunidade
Ou por dizer linda prece;
Mas por ter disposição
Para servir sempre o irmão
E ainda a Deus agradece!

Oração de graça

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Não, eu não invejo ninguém… eu tenho tudo Senhor!
Na manhã cheia de sol eu me sinto feliz
como os pássaros que abandonam o mistério dos ninhos
e são notas de música na pauta dos caminhos

Eu dormi bem, Senhor. como as crianças e os justos,
muito embora eu já tenha sofrido
e já tenha pecado.
– fechei os olhos com as estrelas! e abri-os quando o sol
saltou o muro verde das montanhas
e libertou-se pelo descampado!

Acordei com a madrugada dealbando
e as aves tagarela,
– e ao abrir os meus olhos, já encontrei me espiando
os dois olhos quadrados das janela

Não, eu não invejo ninguém… Eu tenho livres e fortes
os braços, as pernas e o coração…
– E estão limpos os meus olhos e a minha alma é sadia,
– e posso sentir a força dos meus músculos
com um orgulho viril e uma ingênua alegria!

Abro os braços e respiro fundo, como quem sente
e saboreia lentamente um sorvo puro de ar!
E penso então para mim, intimamente:
– que bom, numa manhã de sol assim, a gente respirar!

Canta o ar nos pulmões que vibram como sinos
brônzeos, sincopados, num misterioso som,
e eu repito comigo numa alegria cheia de prazeres incalculados:
– que bom a gente respirar! que bom!

Que bom sentir no sangue os ímpetos da vida
e nos olhos a luz que dos céus se irradia,
como se abríssemos pela primeira vez os olhos
para o primeiro dia!

Sentir-se humano, e amar as coisas simples
encontrando-se de repente livre e puro
depois de tanto tempo cativo,
a repetir tal como eu, atordoado com a própria descoberta:
– eu amo! eu vivo

Não, eu não invejo ninguém… e quero dizer ao mundo
por que me sinto feliz…
Há tanta gente como eu que está vivendo
e segue se maldizendo sem saber o que diz…

Eu tenho tudo, Senhor…Eu tenho tudo, Senhor…

Posso vestir-me e sair, deambular pelas ruas;
olhar as casas, ouvir os pássaros, acompanhar os navios
partindo e chegando;
ou sentar-me no banco dos jardins, sob a sombra ainda fria
das árvores para sentir-me criança outra vez, na alegria
da criança sorrindo e brincando…

Sentar-me no banco das praças, junto aos lagos e às ermas
dos poetas, a olhar os repuxos bailarinos
esquecido do tempo e sem saber quem sou eu…
– para reler aqueles versos claros e divinos
que um dia. Raul de Leoni escreveu…

E posso debruçar-me nas amuradas a observar
as gaivotas que mergulham, os ônibus que correm,
ou os reflexos do sol liquefeito no mar…

E posso ir às praias encontrar-me com as ondas,
meter os pés descalços nas areias úmida,
correr como um menino ou como o vento!
– e escalar as montanhas, e fugir pelas estradas
sem saber por muito tempo qual o próprio destino
do meu pensamento!

E posso entrar nos “cafés”, e deixar-me ficar
para ver todo mundo que passa nas ruas;
e admirar as vitrinas e desejar as mulheres!
– tudo isso eu posso fazer!
E posso amar, e posso pensar, e posso escrever!

Não, eu não invejo ninguém . . . Eu tenho tudo. Senhor!

As ruas, as praças, os jardins, os caminhos,
as árvores, o mar, a alegria das crianças,
o ar com que encho os pulmões…
E o ruído das ondas, e o sussurro das folhas, e a música das água.
e as cores, e os perfumes, e as formas, e os sons!

Eu tenho tudo. Senhor!… Eu tenho tudo. Senhor!

Tenho demais talvez, porque ainda trago um coração
que compreende a grandeza dessa graça, e a infinita beleza desse amor!…

– Obrigado, Senhor!…
(Poema de J.G. de Araújo Jorge – do livro Eterno Motivo –  Prêmio Raul de Leoni,
da Academia Carioca de Letras – 1943)

Morrer e desencarnar

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Morrer e desencarnar 01/11/2014
Octávio Caúmo Serrano

Há muita gente que morre
Sem poder desencarnar
E por isso permanece
Sempre no mesmo lugar,
Preso ainda a este mundo,
Atarantado a vagar…

A morte vem quando acaba
Todo o fluido vital,
É parte da Lei de Deus,
Já que ninguém é imortal,
Pois morrer é, para todos,
Um evento natural!

Desencarnar, todavia,
É muito mais complicado,
Precisa desprendimento
Para ver-se libertado
E desatar cada laço
Que aqui nos deixa atrelado!

Isso só se aprende em vida
Ao treinar o desapego,
Das coisas que são do mundo,
Já que após não tem “arrego”,
Porque depois que morremos
E difícil ter sossego…

É triste você pensar
Que ainda trabalha e come
No emprego que frequentava
E ao meio-dia tem fome,
Querendo que todo mundo
O chame pelo seu nome! 

 

“Onde estiver teu tesouro
Estará teu coração!”
Ensinou-nos Jesus Cristo,
Ao falar à multidão,
Quando trouxe a este mundo
A grande revelação.

Portanto, você que é espírita
E a verdade já conhece,
Faça muita caridade
E se defenda com a prece,
Para depois que morrer
Poder ter o que merece.

Não fique vagando a esmo,
Igual a uma assombração,
Perdido e causando susto
Aos outros na escuridão,
E atrasando sua viagem
Na rota da evolução!

A vida aqui é provisória,
É uma visita fugaz;
Portanto, depois da morte,
Siga sem olhar pra trás
Porque o que ficou na Terra
Para nada serve mais.

Só assim terá sua alma,
Com a morte, desencarnada!
E bastante resoluto,
Seguirá a sua caminhada,
Em busca do mundo novo,
Onde há uma nova alvorada!

RIE-Rev. Int. Esp. Novembro 2014

 

 

Esta é a hora da reforma

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Acordei às 5h30, com vontade de escrever. Saiu isto…

A nossa maior tarefa
É o autoaprimoramento;
É o que de mais importante
Nós temos neste momento
Desta nova encarnação,
Pois aplicar a lição
É vencer o sofrimento!

Vamos usar a Boa Nova
Que nos guia com sua luz,
Para sairmos do escuro,
Porque ela é que nos conduz;
Cuide sempre de si mesmo,
Jamais viva a vida a esmo,
Escute o Mestre Jesus!

Olhamos o semelhante
Só procurando defeito,
Enquanto isso esquecemos
De analisar-nos direito;
Deixando o tempo passar,
Mas sem nos aprimorar
Na lei de causa e efeito!

Vamos ajudar os outros,
Na linha da caridade,
Porém jamais esqueçamos
Que hoje a nossa prioridade
É sair daqui mais forte
E o Evangelho é o suporte
Que nos ensina a verdade!

A tal da reforma íntima
Que apregoa o Espiritismo,
É para ser realizada
Aos poucos, sem fanatismo,
Até banirmos o orgulho
Que enche a alma de entulho
E nos leva ao egoísmo!

Aproveitemos, Amigos,
Esta passagem na Terra,
Porque o tempo vai depressa
E logo, logo, se encerra;
E quando chegar a morte
Vamos reclamar da sorte
Como um cabrito que berra!

Só que ai não há desculpa!
Flutuando na escuridão,
Como uma alma penada,
Parecendo assombração,
Nós ficaremos vagando
E alguma luz procurando
Perdidos na imensidão…

Espero tenha entendido
Porque hoje está reencarnado;
Não é só para curtir
Deixando o esforço de lado
Imaginando que a morte
Vai resolver a sua sorte
Porque estará liquidado!…

Viveremos para sempre;
Convença-se da verdade!
Fomos criados por Deus
Para ter eternidade
E não viver de recreio
Só vindo à Terra a passeio
Sem responsabilidade!

Aproveite enquanto é tempo
Esta sua caminhada,
Porque mais cedo que espera
Vai chegar ao fim da estrada
E depois que o mal for feito
Saiba que não tem mais jeito;
Reclamar não adianta nada!

 

Os Essênios

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No Qumran, lá no Mar Morto,
Quase sem nenhum conforto,
Por que o calor era intenso,
Viviam homens essênios,
Tidos como bons e gênios,
Num Mosteiro que era imenso.

Tinham água de piscina,
Porque ali o duro clima
Chega perto dos cinquenta,
Nos graus que nós conhecemos,
E quase nos derretemos,
Pois um qualquer não aguenta.

Moravam junto ao deserto,
Onde nada havia por perto,
Povo bom, trabalhador,
Que com o esforço e a prece,
Preparou pra que viesse
Viver na Terra o Senhor.

Como não faz qualquer um,
Tinham seus bens em comum
Porque eram desprendidos,
Olhavam velhos e moços,
Davam-lhes roupas e almoço
Como parentes queridos.

Se alguém ficasse doente
Podia, tranquilamente,
Esperar por atenção.
E não era fato raro,
Todos recebiam o amparo
Nascido do coração.

Não utilizavam arma,
Porque o amor nos desarma
Quando a fé se instala em nós,
Cuidavam da plantação
Para ter sua nutrição
Naquela secura atroz.

Fim de tarde, após o banho,
Reunia-se esse rebanho
E liam histórias dos reis,
Estudavam as escrituras
E aquelas criaturas
Eram informadas das leis.

E todos tinham respeito
Por esse povo direito
Que vivia em sua labuta,
Porque só fazia o bem
Sem se preocupar a quem,
Sendo exemplo de conduta.

Eram calmos, silenciosos,
Mas dos deveres ciosos,
Pondo em tudo seriedade,
Mas quando chegou Jesus,
Amainou-se aquela luz
Pela nova claridade.

E o Salvador verdadeiro,
O que ampara o mundo inteiro,
Veio trazer a renova
E agradeceu o carinho,
Por ver já pronto o caminho
Para falar da Boa Nova!…

Inda por quarenta anos,
Sob a mira dos romanos,
Só fizeram o que era certo,
Mas em batalha sangrenta,
Lá pelos anos setenta,
Calou-se a voz do deserto!

Octávio Caúmo Serrano – http://www.ocaumo.wordpress.com

Do Livro “Luz no Túnel” – 1998

 

Uma luz que veio do Céu

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Homenagem ao 18 de abril de 1857 – A Falange VERDADE.

Certo dia, em meio às trevas,
Camuflado em nuvem clara,
Veio até nós obra rara,
Volitando pelo espaço;
Vinha esvoaçando no vento,
Como uma revelação
Pondo luz na imensidão,
Dando repouso ao cansaço!

O mundo todo se agita,
Impressionado que estava,
Pois ninguém acreditava
Naquelas revelações;
Eram tantas novidades
Acima do entendimento,
Que os homens, nesse momento,
Dividiam as atenções.

Espíritos do Senhor,
Nos quatro cantos do mundo,
Se apresentam e, num segundo,
A humanidade se altera…
A sociedade reunida
Brinca com as mesas que dançam
E as almas, como crianças,
Não sabem o que as espera.

Poucos anos se passaram
Juntando-se informações
E apesar dos brincalhões,
Muita coisa se aprendia;
Anotaram-se as respostas
Às perguntas dos curiosos,
Sobre assuntos tenebrosos,
Cheios de sabedoria.

O melhor do revelado
Neste divino arrebol
É que Espíritos de escol
Falaram da nossa sorte!
Nós somos almas eternas,
Com muitas encarnações
Para aprender mais lições
De vida, pois não há morte!

O que se julgava o fim,
Agora é só mera etapa
E se a vida nos escapa,
Voltamos num recomeço,
Cada vez que é necessário,
Quantas vezes for preciso,
Até que tenhamos juízo
E por nossa vida apreço.

Logo após veio Kardec,
Que num livro registrou
Tudo aquilo que anotou;
Foi em 18 de abril,
Do ano cinquenta e sete,
No século XIX;
Até que em sessenta e nove
Ele da terra partiu.

Deixava o Consolador,
Já prometido em João,
Para a nossa redenção,
Num processo natural;
Não há castigo do Céu,
E nada mais nos afronta,
Pois cada um, por sua conta,
Vai se livrando do mal.

Neste pequeno relato
Que mostra o saber de Deus,
Vemos que mesmo os ateus,
Como os de outros matizes,
De outras raças, de outros credos,
Receberam, igualmente,
O amor divino, imanente,
Que há de fazê-los felizes!

Salve a Doutrina divina
Que se chama Espiritismo,
Que sem nenhum fanatismo
Nos convida à liberdade
E é acessível a todos;
Não esconde informações,
Porque são revelações
Do Espírito da Verdade!

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – abril de 2013

Meu presente de Natal

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Meu caro Papai Noel,
Escrevo-lhe este papel
Pra contar que sou feliz!
Não preciso de presente,
Pois vivo muito contente,
Tenho até mais do que eu quis.

Quando eu era inda um menino,
Do tipo meio franzino,
Eu não entendia bem…
E ao chegar o Natal,
Como um garoto normal,
Queria um carrinho, um trem…!

Mas o pai, um operário,
Com aviltante salário
Apesar do duro embate,
Só dava balas de mel
E sua imagem, Noel,
Pequena, de chocolate.

Nas paróquias do lugar,
Nas filas ia buscar
Um brinquedo de lembrança,
Voltava, mirando o céu,
E me entregava o troféu
Sorrindo como criança.

Hoje, acabou a ilusão;
Dispenso os prazeres vãos,
Pois tenho Deus como amigo.
Meus pais foram meu presente
E seus exemplos, na mente,
Conservo-os todos comigo.

Diante desses bens eternos
– meus benfeitores paternos -,
Dispenso quinquilharias.
Pra quem tem mais que o sonhado
O resto, sofisticado,
Não passa de ninharia.

Tudo o que brilha e é dourado,
Quando não acaba quebrado,
Um dia vira fumaça.
Eu ganhei a educação,
O presente que o ladrão
Não rouba, nem come a traça.

Eu nasci em berço honesto,
E uma cena que detesto
É ver triste, abandonado,
Um menor numa mansão
Que carrega um coração
Solitário,  amargurado …

Console o menino rico,
Enquanto, Noel, eu fico,
Rezando como jamais…!
Ele supõe ter bastante,
Mas falta-lhe o importante,
Que é o carinho dos pais.

Eu já tenho o que preciso,
Alegria e muito juízo
E fico grato ao Senhor!
Pode levar meu presente,
Dê a esse rico carente,
Que é tão faminto de amor!

Do livro “O Grande Mar”

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