Ajuda-te a ti mesmo, que o céu te ajudará

Deixe um comentário

Walkiria Lucia Araujo Cavalcante

“Pedi e se vos dará; buscai e achareis; batei à porta e se vos abrirá; porquanto, quem pede recebe e quem procura acha e, àquele que bata à porta, abrir-se-á. Qual o homem, dentre vós, que dá uma pedra ao filho que lhe pede pão? – Ou, se pedir um peixe, dar-lhe-á uma serpente? – Ora, se, sendo maus como sois, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, não é lógico que, com mais forte razão, vosso Pai que está nos céus dê os bens verdadeiros aos que lhos pedirem?” (S. MATEUS, cap. VII, vv. 7 a 11.).

 

O Mestre Rabi concita-nos ao trabalho, mostrando-nos a utilidade que a criatura humana possui na Obra Universal. Temos a nossa disposição os meios de evoluir através do trabalho e dos recursos intelectuais. Mesmos aqueles de nós que não possuímos meios de consegui-los, temos naqueles de nossos semelhantes que o podem o contributo para nos ajudar. Sempre existirá a troca. Sempre possuiremos algo para contribuir e recebermos. Ninguém é tão autossuficiente que possua em si todas as capacidades e que não necessite do seu semelhante.

A Lei do Trabalho é estudada em O Livro dos Espíritos, questões 647 a 685. O trabalho não está vinculado somente ao que podemos realizar tendo como resultado algo financeiro. É todo contributo para a sociedade e que nos ajude a desenvolver intelecto-moralmente. Tendo como limite, o das nossas forças, Deus nos deixa livres para exercermos a nossa capacidade laborativa, tendo na velhice o necessário e merecido repouso.

Os bens materiais representam o meio pelo qual nos aperfeiçoamos. Constitui o veículo, não o objetivo principal. Tanto que ao desencarnarmos, não importando a religião que tenhamos abraçado, temos a certeza que deixaremos tudo ao partir. Dependendo de algumas, poderemos barganhar a entrada no “paraíso” em troca de bens materiais, mas o pagamento é feito antecipado e não se tem garantia do recebimento. Tanto, que as nossas reuniões mediúnicas recebem os cobradores destas promessas, que não foram feitas por nós, mas só encontram em nós portas abertas a ouvir os seus lamentos.

Mas será que esta passagem enquadra-se somente com relação à Lei do Trabalho e a aquisição dos bens materiais? De forma alguma. Ajuda-nos a reflexionar sobre o valor da vida e de como estamos nos esforçando para alcançar os objetivos anteriormente traçados. De que forma estamos agindo em prol da nossa evolução espiritual e como estamos contribuindo para a construção de um todo uníssono rumo à perfeição que solicitamos.

Ao reencarnarmos, temos uma programação individual, mas também, contribuímos com a programação cósmica. O Planeta segue o seu próprio processo evolutivo e necessita do nosso contributo. Além do processo individual, das demandas que podemos realizar na sociedade, também somos agentes multiplicadores quando ascendemos na sociedade e assumimos cargos de direção. E nunca estaremos sozinhos nesta empreitada:

“Pedi à luz que vos clareie o caminho e ela vos será dada; pedi forças para resistirdes ao mal e as tereis; pedi a assistência dos bons Espíritos e eles virão acompanhar-vos e, como o anjo de Tobias, vos guiarão; pedi bons conselhos e eles não vos serão jamais recusados; batei à nossa porta e ela se vos abrirá; mas, pedi sinceramente, com fé, confiança e fervor; apresentai-vos  com humildade e não com arrogância, sem o que sereis abandonados às vossas próprias forças e as quedas que derdes serão o castigo do vosso orgulho.”[1]

A questão maior é que desejamos que os nossos problemas sejam solucionados de forma rápida e da maneira que gostaríamos e nem sempre é o melhor para nós. O convite que nos é feito através desta passagem é o da renovação íntima através de uma proposta de entendimento da vida. Com maior segurança dos passos e certeza de um porvir de ventura e consolação.

Somos filhos bem amados do Pai. Todos nós sem exceção. Por isso, não estamos jogados ao acaso, vivenciamos hoje as consequências do que plantamos no passado. Assim sendo, quando não nos é possível modificar a situação material, modifiquemos a situação psíquica. A maneira pela qual enxergamos o que está acontecendo. É o que psicologia chama: olhar sob outro prisma.

Assim, teremos ganhado o aprendizado e possuiremos mais um tijolo na construção da criatura nova de se reconstrói em nós mesmos. Utilizando das experiências para poder ultrapassar os limites impostos por nós mesmos, iremos nos ajudando, ajudando na compreensão da verdade. Chegando ao cume da montanha interior do conhecimento.

São processos graduais de entendimento que solidificam-se com o passar do tempo. Que a experiência mostra que mais teremos forças diante as intempéries quanto mais nos ajudarmos, buscando forças em nós mesmos. Sabendo quem é e reconhecendo em nós as nossas próprias forças. Somos mais capazes do que imaginamos. Precisamos acreditar mais em nós mesmos. Ajudando-nos mais, para podermos nos vincular espiritualmente com a ajuda que vem do alto.

Tribuna Espírita – junho/julho 2019

[1] Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo XXV, item 5

Anúncios

Nossa Cruz

Deixe um comentário

Walkiria Lucia Araujo Cavalcante

“Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.”[1]

Ao ler o capítulo 74 de mesmo título do nosso artigo do livro Palavras de Vida Eterna, psicografado por Chico Xavier e autoria espiritual de Emmanuel lembramo-nos do capítulo XVI do Evangelho Segundo o Espiritismo, em especial, do item intitulado: Salvação dos Ricos.

As duas passagens falam de carregarmos a nossas cruzes e seguirmos Jesus. Mostram-nos que o crescimento é objeto e objetivo de nossas vidas e que para alcançarmos patamares mais altos precisamos deixarmos para trás o que está servindo como empecilho para nossa evolução.

Sendo que muitas vezes entendemos como vantagens o que são empecilhos e vice-versa. Para o moço rico, os empecilhos eram os bens materiais. Ele não conseguia desvencilhar-se deles porque ainda se sentia possuído por eles, não os possuía. Emmanuel nos traz a proposta de nos desapegarmos do homem velho, da criatura antiga que habita em nós e rumarmos para a nova proposta de vida que almejamos.

As vantagens são as cruzes que carregamos no silêncio da renúncia de nossos dias, onde, cambaleantes muitas vezes diante das intempéries, prosseguimos, por possuirmos um propósito maior. Deixando ressoar em nossa mente a convocação/estímulo do Mestre Rabi, entendendo que seguir-Lhe os passos supera o caminhar sobre eles. É um ato de reconhecimento de si e caminhada sobre si. Ultrapassando todas as barreiras de forma persistente, diária e ininterrupta.

Alguns leitores podem pensar neste momento que não haverá fracassos. Mas é um engano. Eles existirão, porque ainda somos imperfeitos e porque o processo de aprendizado solidifica-se através das tentativas e erros que fazemos através das nossas próprias experiências. Aprendemos a teoria observando o semelhante, estudando o evangelho, mas somente na prática diária que conseguiremos forjar a criatura luminífera que Jesus nos concita no processo evolutivo.

É marcante, quando do calvário, que Jesus ao carregar a sua cruz, cai algumas vezes. Sempre me perguntei por que isso acontecia. Afinal, Ele é Jesus de Nazaré. O tipo mais perfeito que Deus nos ofertou, modelo e guia da humanidade[2]. Hoje, permito-me interpretar esta passagem, entendendo que em todas existe um significado, sendo uma maneira de nos mostrar que ao “pegarmos de nossa cruz e O seguirmos”, iremos cair em alguns momentos, iremos fraquejar em outros tantos. Estaremos caminhando forçosamente para o momento mais cruciante de dor de nossas vidas, mas ao mesmo tempo em que o sofrimento nos aguarda, a forma como o encaramos irá nos libertar ou nos aprisionar ainda mais, prorrogando o momento da libertação.

Os dois textos nos falam da maturidade perante a vida, dizendo-nos que para crescermos necessitamos ressarcir perante a Lei Divina aquilo que conspurcarmos; seja através do sofrimento moral, ou através do desfazimento dos bens materiais, também veículo de atingimento de processo evolutivo moral, como foi proposto ao moço rico, pedindo que ele entregasse aos pobres. “Pois onde estiver o seu tesouro, aí estará o seu coração.”[3]

A nossa cruz torna-se mais leve ou mais pesada conforme compreendamos ou não as verdades espirituais. Podendo parecer simples esta afirmação, passa esta compreensão pela ratificação do comportamento. Seria o que o Evangelho Segundo o Espiritismo nos explica sobre o a Obediência e a Resignação: “A obediência é o consentimento da razão; a resignação é o consentimento do coração, forças ativas ambas, porquanto carregam o fardo das provações que a revolta insensata deixa cair.”[4]

Quando conseguimos alinhar razão e sentimento, incorporamos a mensagem ao nosso comportamento não modificando assim nossa linha de conduta. Entendendo ser esta a única maneira de viver/exercer determinado papel na vida, mesmo que sejamos questionados, açodados, permanecemos firmes e continuamos a marcha. O processo de negar a si mesmo não é um excludente da criatura. Não é uma anulação do ser espiritual que habita o corpo transitório, mas dos valores transitórios que acompanham o espírito imortal.

Valores estes importantes, mas não fundamentais para nos fazerem chegar à perfeição. São facilitadores na engrenagem da vida, mas não constituem a engrenagem da vida. Tanto que de tempos em tempos a própria sociedade questiona-se qual o rumo que está tomando. Novos ídolos materias surgem, mas os valores imortais do amor, da caridade e da justiça continuam por sendo a espinha dorsal a conduzir a seara humana.

Perguntado a um velho sábio o que ele gostaria de deixar de presente à humanidade no dia em que ele partisse, ele respondeu: “Se só uma coisa me fosse permitido deixar, deixaria o amor. Mas não o amor como às criaturas apregoam. Seria o amor que o Mestre Jesus nos ensinou. O amor que nutre a criatura pela própria existência dele. Que faz se ultrapassem as barreiras da humanidade e enxergue no outro, o outro, não quem ele represente. Que nos coloca diante do próximo e nos aproxima dele, em vez de nos afastar. Que enfim, une a sua a nossa cruz para quem ambas fiquem menos pesadas.”

Se observarmos bem, a madeira é composta de “tecidos lenhosos de plantas”, são camadas e mais camadas que se unem. A nossa cruz são camadas de história que se une a outras cruzes, que possuem outras camadas de histórias, nas quais nossas encarnações se entrecruzam e se tivermos sabedoria, mutuamente nos ajudamos. Então, carregar a própria cruz é libertar-se das próprias marcas e sempre que possível ajudarmos ao nosso semelhante. Foi essa a proposta feita ao moço rico. Libertando-se do apego excessivo aos bens materiais, ele iria ajudar àqueles que carregavam o peso da necessidade material.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – julho 2019

[1] JESUS (MARCOS, 8:34)

[2] Questão 625 de O Livro dos Espíritos

[3] Mateus, cap. 6, v 21

[4] Capítulo IX, item 8

Pacíficos

Deixe um comentário

Walquiria Lucia Araujo Cavalcante

“Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus.”[1]

A passividade longe de ser uma situação de inércia, corresponde ao movimento dinâmico de entendimento de que a guerra é a luta moral da criatura para consigo mesma. Travada internamente, eclode em expressões agressivas para com o semelhante (quando não ajustado o comportamento ao ensinamento Crísitico) e mostra-se estóico perante o mundo suportando as investidas do mal (quando alinhado as verdades eternas).

Estamos encarnados num processo depurativo de aprendizado. Fato este comprovado nos pequenos como nos grandes momentos da nossa encarnação. Questionamo-nos como iremos introjetar a mensagem divina, em especial o Espiritismo, proposta de vida que nos explica a reencarnação e a justiça das aflições como balizadora das relações humanas, em nossas vidas diante dos fatos que ocorrem em nosso derredor.

Partindo de extremos, a criatura, em sua grande maioria, vivencia o culto excessivo a si mesma, ao corpo, a inteligência, beleza e etc ou vivencia uma descrença absoluta em si, por isso, o avançado aumento dos casos de depressão e suicídio. Procuramos fora o que deveria ser produzido dentro de nós. A excelência na qualidade de vida começa no que escolhemos como o que é bom para nós.

Ser pacífico, antes é um estado de espírito. “… naquele que nem sequer concebe a ideia do mal, já há progresso realizado; naquele a quem essa ideia acode, mas que a repele, há progresso em vias de realizar-se; naquele, finalmente, que pensa no mal e nesse pensamento se compraz, o mal ainda existe na plenitude da sua força. Num, o trabalho está feito; no outro, está por fazer-se.”[2]

Para isso é necessário coragem. Coragem para mudar os condicionantes trazidos de outras encarnações e para enfrentarmos os chamados e os desafios impostos durante a encarnação. Criaturas em desalinho moral, corruptores da moral que ainda não compreenderam o sentido existencial, que permeiam e ladeiam a encarnação conosco. Detêm poder e influenciam, muitas vezes decidindo parcelas importantes que influenciam a nossa encarnação.

Outras tantas, são criaturas que estão mais próximas a nós, mas que tem a mesma importância e influencia em nossas vidas. Capazes de interferir sobremaneira, são representantes ou os próprios adversários do passado que ora se encontram junto a nós. Por isso a convocação para sermos pacíficos perante a vida. Pois seremos chamados filhos de Deus. Não significa que agora não o sejamos, mas ainda não possuímos esta perfeita identidade com o Pai.

Lembro-me de uma passagem que ocorre com André Luiz[3], ele aporta na cidade espiritual Nosso Lar. Depois de um ano lá, resolve visitar seu antigo lar. Depara-se com uma situação que lhe desagrada. Evoca a presença de sua amiga Narcisa. Supera a intempérie, entendendo que o amor nos irmana a todos não importando em que condição estejamos e qual função nós executemos no núcleo familiar, o amor nos irmana a todos. Ao retornar a cidade espiritual ele é considera um cidadão por ter se desvinculado das sensações e sofrimentos que o vinculado a Terra.

É a este pensamento que Jesus nos convida: ajudarmos e nos mantermos íntegros, inteiros não importando o que nos ocorra. A deseducação moral, os sentimentos torpes, a desonestidade, a crueldade, o desserviço daqueles que não querem o progresso tentarão nos retardar os passos, pois, ao trabalharmos pelo bem, estaremos trabalhando e moldando a nossa própria argila e contribuindo para o progresso da humanidade.

“O estoico é alguém que encontrou o sentido existencial e reconforta-se nos severos compromissos do autoaprimoramento, descobrindo as fontes de uma vida digna por meio da prática das virtudes e vivendo-as em todos os passos da caminhada enobrecida.”[4] Não são fáceis os dias que estamos vivendo. Mesmo entre o meio religioso, encontramos aqueles que defendem as meias-verdades que são mais corrosivas que as mentiras completas. Servem de desestímulos àqueles que desejam progredir.

Como ainda estamos forjando a nossa fé em bases sólidas, lembremo-nos sempre do Mestre Jesus. A caminhada é composta de uma quantidade indefinida, ainda por nós, de passos. Mas já começamos o processo. Ao olharmos para traz, não enxergamos mais a linha de partida. O clarão do Mestre Rabi está mais a frente, na chega, iluminando nossos passos.

Pedras existirão no caminho. Galhos secos nos rasgarão a pele, mas “… As provas rudes, ouvi-me bem, são quase sempre indício de um fim de sofrimento e de um aperfeiçoamento do Espírito, quando aceitas com o pensamento em Deus.”[5] Forte e corajoso não é o que reage a agressão, mas aquele que age de forma correta, não permitindo-se seguir a excitação da coletividade e permanecendo fiel aos ensinamentos do Cristo.

Muitos zombarão e tratarão de covarde. Muitos exclamarão que o Mundo clama por justiça e justiça feita pelas próprias mãos. E o Mestre nos mostrará que o caminho é o da busca interior, da paz interior, da pacividade interior. Para que exaltemos o culto do amor e da vivência fraterna entre nós. Forte não é quem luta é quem persevera até o fim, fiel aos preceitos da verdade e do amor.

Jornal O Clarim julho 2019

[1] JESUS (MATEUS, cap. V, v. 9.)

[2] Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo VIII, item 7

[3] Livro Nosso Lar

[4] Livro: Libertação do Sofrimento, psicografia de Divaldo Franco, autoria espiritual de Joanna de Ângelis

[5] Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo XIV, item 9

Tormentos voluntários

Deixe um comentário

Walkiria Lucia Araujo Cavalcante 

“Vive o homem incessantemente em busca da felicidade, que também incessantemente lhe foge, porque felicidade sem mescla não se encontra na Terra. Entretanto, mau grado às vicissitudes que formam o cortejo inevitável da vida terrena, poderia ele, pelo menos, gozar de relativa felicidade, se não a procurasse nas coisas perecíveis e sujeitas às mesmas vicissitudes, isto é, nos gozos materiais em vez de a procurar nos gozos da alma, que são um prelibar dos gozos celestes, imperecíveis; em vez de procurar a paz do coração, única felicidade real neste mundo, ele se mostra ávido de tudo o que o agitará e turbará, e, coisa singular! o homem, como que de intento, cria para si tormentos que está nas suas mãos evitar.”[1]

Um amigo uma vez disse-me que quando queremos controlar os acontecimentos da vida seria o mesmo que desejarmos segurar o vento em nossas mãos: impossível de acontecer. São várias as razões dos tormentos voluntários, entre elas, a falta de paciência e a inabilidade em não sabermos nos conduzir diante das situações que acontecem na encarnação e acabamos por criar tormentos voluntários.

O item que intitula este artigo faz parte do capítulo Bem-Aventurados os Aflitos de O Evangelho Segundo o Espiritismo. A primeira vista para o desavisado, pode parecer que nós espíritas fazemos apologia ao sofrimento e a dor. Muito pelo contrário, a imortalidade da alma não nos torna imunes à dor, mas sim, ao desespero. Sabermos que o ser amado não desintegrou ou foi segregado a um local eternamente, provoca-nos profundo alívio.

Com o conhecimento espírita começamos por relativizar a felicidade terrestre, entendendo que absoluto só DEUS. A questão 922 de O Livro dos Espíritos nos orienta sobre a felicidade comum a todos os homens encarnados: “Com relação à vida material, é a posso do necessário. Com relação à vida moral, a consciência tranquila e a fé no futuro.”

Ao falarmos da parte material, entendemos que fique mais fácil a compreensão do que vem a ser a posse do necessário, mas a consciência tranquila e a fé no futuro, mesmo para nós espíritas, é algo difícil de ser solidificado mentalmente e depois traduzido em atitudes. Mesmos aqueles ditos de “berço espírita”, que não frequentaram outra religião, ainda trazemos arraigados em nosso subconsciente práticas de outras religiões vivenciadas.

Por isso, para muitos, ter a consciência tranquila é não fazer mal a alguém. Mas se começarmos a avaliar nossos atos usando Jesus como modelo e guia[2] que o é, verificaremos que não basta não fazermos o mal, necessário é fazermos o bem. Quantas situações se desenham em nossas vidas que simplesmente deixamos de nos pronunciar ou agir porque não nos convém naquele momento? Quantas oportunidades de fazer a caridade temos e que não executamos porque estamos atrasados ou não queremos deixar de fazer isto ou aquilo que nos apraz? Não estamos com isto, fazendo juízo de valor, mas alargando o que vem a ser o significado do termo: “consciência tranquila.

Com relação à fé no futuro, gostaríamos de abordá-la sob dois prismas: as questões da vida de relação e as questões que nos afetam como trabalhadores espíritas, que passam pelas primeiras, mas que tomam outro tom, pois resvalam nos trabalhos que estamos executando e acabam por interferir diretamente no próprio movimento espírita, em virtude de sermos representantes dele.

A fé no futuro é a crença, a princípio, de que dias melhores existirão. Dizemos crença, porque em sua origem, vindo de outras religiões, acreditamos sem compreendermos muito bem o significado, que existe um futuro que nos está reservado e que de alguma forma colheremos o que fizermos hoje. Somente a Doutrina Espírita nos explica que somos herdeiros de nós mesmos e que os atos que parecem escondidos do todo, não ficam escondidos de nós, da nossa consciência, por isso que os espíritos ao responderem a pergunta a colocam em primeiro lugar como patamar para a felicidade.

Sendo que o macerar dos sofrimentos acaba por nos magoar e diminuir esta esperança num futuro melhor. Mesmo que sejamos espíritas. Porque começamos por observar que a criatura que nos faz mal também irá reencarnar e não achamos justo, muitas vezes, que ela tenha as mesmas oportunidades que nós, afinal, ela nos fez mal. Mas esquecemos de que Deus é Pai de todos nós. Esquecemos que também temos um passado e àqueles a quem fizemos mal muito provavelmente não gostariam que tivéssemos outras oportunidades. Vivenciamos um círculo vicioso de sofrimento e criamos assim, tormentos voluntários invejando o outro.

Quando somos trabalhadores da lide espírita temos outro problema a ser destacado: somos mensageiros que entregamos a carta da esperança aqueles que nos rodeiam muitas vezes não vivenciando a própria fé viva em nós de maneira plena. Mas isto é possível? Já nos ensinou Jesus: “Não são os que gozam saúde que precisam de médico.”[3] O Evangelho Segundo o Espiritismo em seu capítulo XXIV, itens 11 e 12 nos esclarece que se fossemos esperar somente os que estivessem dignos da execução do trabalho teríamos problemas para faze-lo.

Muitos afirmam que nos capacitamos para um trabalho na execução dele. O que não podemos é alegar que não o executamos porque não somos iguais a “A” ou “B”. O processo de superação é com relação a nós mesmos. A passagem do óbolo da viúva que deposita o pouco que tem nos ilustra bem isto: fazermos o melhor que pudermos, transformarmos o pouco que possuímos, agindo de maneira ativa, viva e com fé em proveito próprio e do nosso próximo.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – junho 2019

[1] Evangelho Segundo Espiritismo, capítulo 5, item 23

[2] Questão 625 de O Livro dos Espíritos

[3] Mateus, cap. IX, v 12

Advertência Oportuna

4 Comentários

Walkiria Lucia Araujo Cavalcante 

“Aos médiuns cabe a grande tarefa de ser ponte entre as dores e as consolações. Aos dialogadores cabe a honrosa tarefa de ser, cada um deles, psicoterapeuta de desencarnados, contribuindo para a saúde geral. Enquanto os médiuns se entregam ao benefício caridoso com os irmãos em agonia, também têm as suas dores diminuídas, o seu fardo de provas amenizadas, as suas aflições contornadas, porque o amor é o grande mensageiro da misericórdia que dilui todos os impedimentos ao progresso – é o sol da vida, meus filhos, que dissolve a névoa da ignorância e que apaga a noite da impiedade.[1]

Compreendendo que a capacidade de ser médium vincula-se a parte orgânica da criatura, mas que se não tiver um espírito que oriente esta capacidade a mediunidade será igual a um carro desgovernado sem condutor, começamos por este pensamento a delinear e estruturar o objetivo deste artigo.

De há muito a criatura humana comanda forças e energias entrando em contato com o mundo de relação espiritual. Fazendo de forma primária e precária, somente tomando corpo organizado após os fenômenos das mesas girantes estudado por Allan Kardec. Este pode observar que mesas não falam e que existiam criaturas que ali estavam organizando a manifestação. De pronto, não soube detectar se eram as mentes dos encarnados presentes ou forças estranhas, mas tinha a certeza que objetos inanimados não poderiam produzir respostas objetivas.

Após o seu trabalhos organizou-se um corpo de doutrina, unificado para estudo e estruturado, tendo em O Livro dos Médiuns sua carta mágna de apresentação e orientação para todos aqueles que se dedicam ao aprendizado e educação deste trabalho. Os médiuns veem de todos os tempos em contato com o mundo invisível que é bastante visível para aqueles que estão em contato.

Sentem, veem, ouvem e se comunicam de forma simples como estivessem fazendo com encarnados. Para muitos, isto não é mais surpresa. Mesmo não constatando em si o fenômeno da mediunidade, creem, pois são confrontados com os fatos que comprovam a existência dos espíritos e a sua comunicabilidade.

Sendo que neste momento de transição planetária outra propositura se apresenta para os lidadores envolvidos neste trabalho, objeto de nossa introdução: somos aqueles que fazemos ponte entre as dores e os consolos. Trazemos um pouco de alívio e nos sentimos também aliviados em nossas próprias aflições quando aparamos os irmãos em luta, não importando em que plano estejamos ambos.

É um trabalho de saneamento. Fala-se de processo de depressão, doenças psicossomáticas, a criatura encharca-se com antidepressivos e todos os tipos de substâncias que possam de alguma forma aliviar suas dores, sendo que a solução muitas vezes está a um passo de ser concretizada: estender a mão ao próximo através da mediunidade. Não estamos falando em grandes espetáculos de cura ou algo semelhante, mas da própria terapêutica desobsessiva, silenciosa, que auxilia aos irmãos desencarnados que agonizam sofrimentos cruéis e que muitas vezes somente desejam serem ouvidos.

Não somos médiuns por acaso. É antes, um compromisso assumido. Reencarnamos aceitando a proposta de aliviarmos dores através do amor, da misericórdia, orientando nossos passos na luz aclaradora da Doutrina Espírita. Adoçando o trabalho com a mensagem redentora do Mestre Jesus. Fazendo com que cada ato seja de glorificação do nome do Mestre em nossas vidas.

Mais a frente no referido capítulo temos: “Sabemos das vossas dores, porque também passamos pela Terra e compreendemos que a névoa da matéria empana o discernimento e, muitas vezes, dificulta a lógica necessária para a ação correta. Mas ficai atentos: tendes compromissos com Jesus…”

Esta e a grande verdade: o nosso compromisso é com Jesus. Quando Ele nos afirmou que os são não tem necessidade de médico, indicava que primeiro Ele estava para ajudar os doentes e que de alguma forma todos somos doentes, da alma ou do corpo; e concitava a todos que quisessem trabalhar com ele na Seara do Senhor, a pegar da sua charrua e seguí-lo.

Percalços existirão porque não existe caminhada sem atropelos, até porque existe um passado espiritual a nos reajustarmos e os que se inimizam com o bem tentaram deter o avanço do progresso. Mas não tenhamos medo, nem desistamos de prosseguir no trabalho abraçado. Da mesma maneira que existem os que não desejam o progresso e que se unem para que isso ocorra, existem os que desejam o bem e trabalham há séculos para que isto aconteça.

O caminho natural é o amor, o bem, o justo. Tudo que estiver contrário a isto estará depondo contra a Lei Natural e cedo ou muito cedo será deposto. Não nos intimidemos, “… as línguas de fogo estão sobre as nossas cabeças … convosco estão os Espíritos elevados. … o pastor saberá defender suas ovelhas das fogueiras imoladoras.”” Arme-se a vossa falange de decisão e coragem! Mãos à obra! o arado está pronto; a terra espera; arai!” [2]

[1] Livro: Compromissos de Amor, diversos espíritos/psicografia Divaldo Franco. Cap. 15 – Advertência Oportuna – Bezerra

[2] Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XX, item 4 – Missão dos Espíritas

Tribuna Espírita – março/abril 19

Hábitos mentais

Deixe um comentário

Walkiria Lucia Araujo Cavalcante

Hábitos Mentais

“O comportamento é sempre resultado de um hábito que se fixa no inconsciente, passando a expressar-se automaticamente, tornando-se uma das características da personalidade de cada individuo. A repetição de todo pensamento que se transforma em ação irá constituir-se um hábito que passará a manifestar a forma de comunicação com o mundo exterior. Pela qualidade emocional e moral de que se constitui, passa a traduzir os valores enfermiços ou saudáveis que fazem parte dos relacionamentos pessoais com os outros. Transferindo-se de uma para outra existência, esses hábitos fortalecem-se cada vez mais, apresentando-se como tendências e impulsos que conduzem o seu possuidor com submissão…”[1]

Quando adentramos no Espiritismo temos o mau hábito de associarmos tudo o que estamos sentindo, pensando ou o que esteja acontecendo em nossas vidas, até uma topada, um prato que quebra a influência dos espíritos. Mas nem sempre é assim. Influenciamo-nos mutuamente, primeiro ponto que gostaríamos de destacar, isto não importando em que situação estejamos: encarnados ou desencarnados. Dito isto, façamos uma breve explicação sobre os tipos de obsessão, que vem a ser esta influenciação que ocorre de uma pessoa para outra.

A obsessão foi bem estudada por Allan Kardec em O Livro dos Médiuns em seu capítulo XXIII, Segunda Parte de O Livro dos Médiuns. Pode ocorrer de forma simples, sendo uma influenciação sutil, mas persistente; pode ser uma fascinação, na qual a criatura não enxerga outra coisa a não ser aquilo que lhe está como objetivo de vida; e a subjugação, que pode ser física e/ou moral, na qual as forças da criatura ficam restringidas em um dado período. Ponto a destacar é que estas obsessões ocorrem não somente de desencarnados para encarnados, mas entre desencarnados, entre encarnados e de encarnados para desencarnados. Dito isto, passemos para analise do objeto do nosso artigo: os nossos hábitos mentais.

Depreendendo que somos criaturas que reencarnamos, vivenciamos experiências que se fixam em nós iguais a camadas do caule de uma árvore. São sedimentos morais que se sobrepõe uns aos outros servindo de base para os seguintes. Ocorrendo que diante de novas experiências, buscamos nas anteriores vínculos associativos para desmembrarmos, decodificarmos e podermos fazer juízo de valor de acordo com o que entendemos e o patamar evolutivo que possuímos.

Experiências ruins proporcionam-nos modelos ruins. Fazendo-nos vivenciar circulo vicioso de sentimentos e comportamentos ruins. Forma espirita nos é apresentada para mudança de hábito: Vigiai e horai. Quando vigiamos, detectamos que estamos num processo errôneo de conduta, a oração ajuda-nos a conectarmos com forças superiores e a acordarmos em nós as camadas do bem que estão adormecidas. Pois, não vivenciamos somente coisas ruins em nosso passado espiritual, mas em virtude dos estímulos materiais serem atualmente mais de sofrimento e dor, revolta e ira, conectamos com estes pontos que possuímos em nós, esquecendo-nos dos bons hábitos vividos.

Ficamos normalmente na superficialidade do desenvolvimento da inteligência humana. Com a cultura de fast-food intelectual, desejamos informações rápidas, curtas e que se possível tragam imagens para serem mais rápidas decodificadas pelo cérebro. Ao passo que os médicos dedicados ao estudo principalmente da geriatria informam que se desejamos envelhecer bem mentalmente aprendamos coisas novas sempre. Que mudemos a rotina de ir ao trabalho, que leiamos livros que despertem a nossa cultura, enfim, que enveredemos por áreas que não conheçamos. Sem perceberem, estão nos ajudando a estimular camadas de conhecimento que já possuímos e que estamos acrescendo com conhecimentos novos.

Afastando desta forma, maus pensamentos, tristezas, depressão e tantos outros males que servem de plug para criaturas que se avizinham e desejam estimular todo tipo de sofrimento. A convivência com o próximo ajuda-nos a aumentarmos estes estímulos, bons e ruins. Cabe-nos nutrirmos os bons e catalogarmos os ruins como aprendizado. Mais a frente Joanna de Ângelis diz: “Quando se aceitam os pensamentos habituais, coloca-se um impedimento, sutil mas resistente, que não permite seja alcançada a inteligência, que se entorpece pela falta de uso, dificultando a capacidade de raciocínio e de formulações novas.”

A principal finalidade de estarmos encarnados é evoluir. Somente evoluímos quando mudamos a rota errada do que estávamos fazendo. O condicionante não pode ser maior do que nós que orientamos o percurso. Somos os condutores de nossas vidas, cabe-nos redefinirmos o caminho que iremos trilhar. Em tudo existe uma lei de afinidade. Buscamo-nos fluidicamente. Quando insistimos em mantermos o mesmo pensamento de autopiedade e autocomiseração atraímos companhias que pensam e sentem como nós, sejam encarnados ou desencarnados.

Então, como modificar os hábitos mentais adquiridos? Criando e procurando vivenciar ideais de vida. O que a cultura popular chama de “remar contra a maré”, mas não a maré externa, a nossa maré interior. Traçarmos objetivos nobres de vida e procurarmos vivenciá-los, pensar diferente; agir diferente. Buscarmos novas companhias emocionais. Mudarmos o tipo de leitura que estamos fazendo. Temos ótimos livros espíritas, utilizemo-los. Acreditemos nos ideias que professamos através da própria crença reencarnacionista e tenhamos a certeza que o que fizermos agora estaremos colocando outra camada na nossa árvore de vida imortal.

Jornal O Clarim – Maio 2019

[1] Livro: Libertação do Sofrimento, capítulo 8 – Hábitos Mentais, psicografia de Divaldo Franco, autoria Joanna de Ângelis

Cultivando a Paz que Jesus nos Ensinou

Deixe um comentário

Walkiria Lucia Araujo Cavalcante

“Vinde a mim, todos vós que estais aflitos e sobrecarregados, que eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei comigo que sou brando e humilde de coração e achareis repouso para vossas almas, pois é suave o meu jugo e leve o meu fardo.” (S. MATEUS, cap. XI, vv. 28 a 30.)

Ao despertarmos no conhecimento espírita, aportamos num mundo novo de aprendizagem. Que nos convida a apaziguar a mente e os sentimentos. Somos compelidos a nos movimentar numa nova ordem de ideias. Mais ainda, a enxergarmos a vida de uma maneira diferente. Para alguns significa acordar de um profundo pesadelo; para outros, ser apresentado a um ser estranho, a si mesmo. Alguém desconhecido, que habitava em si mesmo, mas que estava adormecido em virtude dos anestesiantes morais que a vida nos oferece.

“Um sábio da antiguidade já vo-lo disse: Conhece-te a ti mesmo.”[1] Mas o que isto teria a ver com o alívio de nossas dores? Os médicos hoje em dia, procuram entender o paciente como um todo antes de fechar um diagnóstico sobre a doença. Se um estranho que tenta nos ajudar a encontrar a cura age desta forma, porque nós, que somos os primeiros e melhores médicos que possuímos também não iremos nos conhecer sem máscaras para chegarmos à cura de nós mesmos?

Sabemos que a encarnação em alguns momentos se torna dolorosa, difícil de ser trilhada. Período que se fala de transição planetária, em que as criaturas ascendem de patamar, muitos acreditam que equivaleria a sairmos de uma condição a outra sem esforço íntimo, nem tão pouco coletivo. Não é assim que se processa a evolução. A semelhança de uma borboleta que antes precisa renascer sobre si mesma para depois sair voando, somos também assim, renascemos somos nós mesmos até conseguirmos alçar o voo definitivo rumo a perfeição relativa que o Mestre Jesus nos ensinou.

Se Ele, enquanto encarnado, vivenciou os percalços que vivenciou como exemplo a nos mostrar: “Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.”[2] Porque nós iríamos nos isentar do nosso quinhão no processo de aprendizado e na cota evolutiva? Desejamos o lugar mais alto, as esferas superiores, sermos como os espíritos mais elevados, mas nunca nos perguntamos o que estes espíritos fizeram ou o quando de lágrimas derramaram silenciosamente para estarem na condição que estão.

Mais ainda, a renúncia, o trabalho árduo, as horas incansáveis trabalhadas pelo bem contabilizadas somente na própria consciência e por parte daqueles que orquestram, como emissários da Divindade, a evolução humana. Em todos os tempos existiram as guerras, as maledicências, as brigas pelo poder, a soberba, a astúcia, a luta por se ter um pouco mais do que vai se acabar logo mais. Sendo que hoje, em virtude, inclusive, deste processo de última oportunidade de encarnação para muitos aqui no planeta Terra, as cores tornam-se mais fortes, as dores tornam-se mais cruéis. Em tudo se subiu o tom e o choro tornou-se mais doido em todos os lares.

Então, como cultivar a paz que Jesus nos ensinou? “Eu sou o grande médico das almas, e venho trazer-vos o remédio que vos deve curar. Os débeis, os sofredores e os enfermos são os meus filhos prediletos, e venho salvá-los. Vinde, pois, a mim, todos vós que sofreis e que estais carregados, e sereis aliviados e consolados. Não procureis alhures a força e a consolação, porque o mundo é impotente para dá-las. Deus dirige aos vossos corações um apelo supremo através do Espiritismo: escutai-o. Que a impiedade, a mentira, o erro, a incredulidade, sejam extirpados de vossas almas doloridas. São esses os monstros que sugam o mais puro do vosso sangue, e vos produzem chagas quase sempre mortais. Que no futuro, humildes e submissos ao Criador, pratiqueis sua divina lei. Amai e orai. Sede dócil aos Espíritos do Senhor. Invocai-o do fundo do coração. Então, Ele vos enviará o seu Filho bem-amado, para vos instruir e vos dizer estas boas palavras: “Eis-me aqui; venho a vós, porque me chamastes!”[3]

O Espiritismo não traz fórmulas mágicas, receituários, nem tão pouco processos de cura que isentam a criatura. Muito pelo contrário. Somos os atores principais neste processo. Assimilando a mensagem promovemos a mudança paulatinamente, de acordo com o entendimento de vida que possuímos, sem ferir a consciência, através do aprendizado experienciado através das várias encarnações, até o momento que se solidifique, como base em nossas vidas, servindo de mola propulsora a novos movimentos de modificação em nossas vidas.

A cada movimento aprendido e solidificado modificamos de comportamento. Assimilamos um pouco do que o Cristo era. Não somos mais os mesmo. Agimos de outra forma. Começamos a viver mais em paz. Gostamos desta paz. Modificamos mais. O que antes não fazia sentido agora faz. As agressões não cortam como lâminas afiadas como outrora, assemelham-se a alfinetas. Começamos a enxergar que ao lado da podridão que nos envolve o sol também nasce e que ele brilha também para nós.

Jesus se faz presente nesta hora. Semelhante a Paulo de Tarso na estrada de Damasco, vemos surgir este Sol de primeira grandeza a nossa frente. Ele não precisa nos perguntar por que o perseguimos. No nosso caso é diferente. O Mestre Rabi estende-nos as mãos, e nos diz: Vem, segue-me. Pois, “Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.” Não há outra alternativa para vivermos em paz, a não ser procurarmos seguir os passos do Mestre Jesus. Ainda não conseguimos em totalidade, mas estamos no caminho que leva a Ele.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – Maio 2019

[1] Questão 919 de O Livro dos Espíritos

[2] João, 14:6

[3] Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo VI, item 7

Older Entries