Semeador

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Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com

“Naquele mesmo dia, tendo saído de casa, Jesus sentou-se à borda do mar; – em torno dele logo reuniu-se grande multidão de gente; pelo que entrou numa barca, onde sentou-se, permanecendo na margem todo o povo. – Disse então muitas coisas por parábolas, falando-lhes assim: Aquele que semeia saiu a semear; – e, semeando, uma parte da semente caiu ao longo do caminho e os pássaros do céu vieram e a comeram. – Outra parte caiu em lugares pedregosos onde não havia muita terra; as sementes logo brotaram, porque carecia de profundidade a terra onde haviam caído. – Mas, levantando-se, o sol as queimou e, como não tinham raízes, secaram. – Outra parte caiu entre espinheiros e estes, crescendo, as abafaram. Outra, finalmente, caiu em terra boa e produziu frutos, dando algumas sementes cem por um, outras sessenta e outras trinta. – Ouça quem tem ouvidos de ouvir. ” (S. MATEUS, cap. XIII, vv. 1 a 9.)

Amélia Rodrigues pela psicografia de Divaldo Franco, no livro Vivendo com Jesus, capítulo 16, Sementes de Vida Eterna, traz-nos uma lúcida explicação sobre esta parábola. Aduzimos o capítulo XVII – Sede Perfeitos, em seus itens 05 e 06, Parábola do Semeador. As parábolas de Jesus trazem sempre ensinamentos vinculados à vivência das pessoas para facilitar o entendimento e compreensão da mensagem. Por isso, que precisamos ter ouvidos para ouvir. Cada um depreende o que melhor constitui-se como verdade criando vinculação com o que já possui em si.

As pessoas da época lançavam as sementes antes de ararem o solo, de prepararem e adubarem. O Semeador é Jesus e as sementes são a mensagem Divina trazida pelo Mestre. Elas são disponibilizadas nos mais diferentes terrenos. Nesta parábola a criatura humana é representada nos quatro tipos de solo. Representa também o processo de revelação da Lei Divina em nossas vidas, cada um de nós analisando o terreno espiritual que possui e quais as circunstâncias que orientam a sua encarnação no momento.

As primeiras sementes foram lançadas à beira do caminho. Quando os agricultores faziam a colheita deixavam, no solo, um caminho por onde eles retornavam. Quando eles voltavam para o local específico para plantar as sementes algumas caíam. É a representação das criaturas que se interessam em receber a mensagem Divina, mas quando ocorre o momento de redefinição de valores, dedicação com relação ao tempo e esforço por mudança de conduta, a criatura deixa-se vencer pelos vícios, pela insensatez e pela transitoriedade da existência.

Querem receber os benefícios da Boa Nova, mas não querem esforçar-se pela mudança. Seu olhar é voltado para o momento presente e pela busca dos prazeres materiais, do que pode ser obtido pela lei do menor esforço, assim também o é com relação a religiosidade em suas vidas. Procuram dissimular o seu real interesse, usando de jogos para conquistar crentes a sua mudança. Podemos dar como exemplo, aqueles que adentram as instituições religiosas desejando que sejam retirados todos os seus problemas, e que aqueles que ali estão em trabalho de socorro e ajuda ao próximo farão o trabalho por elas. Acreditando que o culto de rituais exímias de qualquer esforço.

Existem aquelas que foram lançadas em terreno pedregoso. Amélia Rodrigues chama de “pessoas desafiadoras”, pois são carregadas de rudeza e grosseria. Pessoas duras, tornam-se invulneráveis relutantes com relação à reforma interior. Estão sempre na defensiva não aceitando a ajuda daqueles que querem lhe abrir os olhos com relação a Revelação Divina. Em alguns momento parece que a mensagem brota em seus corações, mas logo se entregam a amargura da agressividade, deixando que o sol lhes queimem as fibras amorosos do coração. Não compreendo a existência da Misericórdia Divina em nossas vidas.

Existem também aquelas que caem nos terrenos espinhosos. São caracterizadas como “… grupo de almas angustiadas, assinaladas pelos espinhos do desconforto moral em que vivem, acolhendo o mau humor e tentando brechas para a autorrenovação.” Somos a maioria de nós, que em contato com a mensagem Crística temos um misto de alegria pelo ensinamento que nos toca, mas nos sentimos angustiados por reconhecermos em nós um terreno difícil de ser trabalho, já provindo de outras etapas em que sementes viciadas foram semeadas. Esforçamo-nos para mudarmos, realindo os propósitos e modificando a perpectiva com relação ao futuro, mas por termos viciado o solo através de emoções deturpadas temos dificuldade neste processo de transformação moral e espiritual.

Por fim, existem aquelas sementes que são lançadas na boa terra. São aquelas almas “… que estão preparadas para a ensementação do evangelho, para a vivência do Bem, faltando somente que alguém lhes alcance as paisagens emocionais e, logo que recebem a dádiva do grão que irá fertilizar-lhes o Espírito, deixam-se dominar pelas alegrias, propiciando todos os recursos hábeis para que haja resultados opimos. Sacrificam-se em favor da oportunidade…”

Como não se lembrar de Chico Xavier? Maior exemplo de criatura que possuía o terreno pronto para receber a semente da mensagem Divina e produzir frutos. Semeador também o foi, colocando a sua vida como veículo para a ensementação do Amor nos corações humanos. Trazendo na sua alegria pela execução do trabalho o exemplo de devoção a prática do Bem na Terra. Oscilamos nos quatro tipos de terreno, demorando-nos naquele que melhor representa quem somos em essência. É um processo lento e gradual, mas constante. A mensagem Divina está disponível para todos, o Mestre até o presente continua semeando-a em nós. Cabe-nos nos colocar em situação favorável adubando-o com a ternura e o amor.

Jornal O Clarim – novembro de 2017

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Por um pouco

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Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com

“Escolhendo antes ser maltratado com o povo de Deus do que por um pouco de tempo ter o gozo do pecado.” – Paulo. (HEBREUS, 11:25.)

Este é o capítulo 42 do Livro Fonte Viva. Temática mais que atual para os nossos dias. A filosofia espírita mostra-nos uma visão do comportamento pautada no entendimento da própria criatura, para depois podermos compreender o nosso semelhante, mas se não tivermos parâmetros de comportamento bem definidos, também não conseguiremos enxergar o semelhante, e posteriormente ajuda-lo. Pois, “Ninguém chega ao Pai, senão por mim.”[1]

Afirmação que nos mostra qual a rota a tomar, implicitamente trazendo a ideia que necessitamos do próximo para evoluirmos. Dando o justo valor as situações e verificando a representatividade do fato tal como ele é. Trazendo a luz do pensamento Crístico o entendimento e explicação dos percalços que nos alcançam a caminhada. Assim, mediremos com a mesma vara nós e o semelhante.

Quantos convites nos são feitos durante a encarnação para podermos desvirtuamos o proceder? Começando por analisar o comportamento humano num todo até chegarmos ao próprio comportamento espírita. Alguns confrades nos perguntam como sermos fieis ao Mestre diante da vida que nos é apresentada? Como ser cristão se o que se nos apresenta é uma barbárie social e intimamente sentimos “obrigados” a agir igual aos outros?

Emmanuel nos responde neste capítulo do livro já citado. Para nos candidatarmos ao muito precisamos ser fieis no pouco. Para chegarmos a uma condição de espíritos puros precisamos antes trabalhar esta argila que possuímos em nós, até que ela fique uniforme. Moldando ao ponto que não possua nenhuma falha. O Evangelho Segundo o Espiritismo também nos fala sobre o assunto em seu capítulo 16: Não se pode servir a Deus e a Mamon. É a lição da escolha certa, entre o que é transitório e o que é permanente em nossas vidas.

Quando voltamos o olhar para as coisas transitórias: os bens materias, as relações afetivas superficiais, as emoções supérfluas acabamos nos escravizando ao que nos causa perturbação e deixamos de observar o que realmente tem importância em nossas vidas. É um apego que se constitui educação ancestral em nossas vidas. Precisamos remodular a base para modificar as consequências. Princípio que deve nos nortear o comportamento é que se não estamos obtendo sucesso na maneira como estamos vivendo, modifiquemos as atitudes para termos resultado diferente.

A proposta de Jesus para nós há mais de dois mil anos era uma mudança de comportamento, mas ele não nos apresentou solução para as situações atuais que nós vivemos, mas uma proposta para o futuro. Sendo que a mudança no comportamento, atualmente, gera desde já uma paz íntima que nos leva a caminhar de maneira mais centrada dispensando o que não nos trará proveito para o futuro e ajustando o valor das coisas no presente para aquilo que poderá nos projetar para a vida eterna.

Joanna de Ângelis, nos diz: “O ser humano tem o dever de selecionar os objetivos existenciais, colocando-os em ordem de acordo com a qualidade e o significado de todos eles, para empenhar-se em destacar aqueles que são primaciais, exigindo todo o empenho, e aqueloutros que são secundários, podendo ser conduzidos com naturalidade, sem maior sofreguidão.”[2]

Esta ordem será baseada no conhecimento adquirido, nos valores que possuímos e na carga emocional envolvida na situação. Estabelecendo como prioridade aquilo que melhor entendemos ser o que irá nos fazer feliz. Quando adicionamos a este pensamento e tomada de decisão a orientação religiosa pautada no entendimento da vida futura, conseguimos com um golpe de visão, vislumbrar o futuro e as conseqüências dos nossos atos presentes. Difícil de exercício, mais muito válido quando executado.

No tocando ao sofrimento e a questão das provas que nos batem a porta temos a mesma depreensão do termo: por um pouco. A eternidade vincula-se a vida espiritual, todo o resto cumpre a necessidade de aprendizado em nossas vidas. Queremos mensurar a real necessidade do reajuste com a Lei pessoas que estão em diferentes patamares de entendimento, sendo que todos sem exceção chegaremos ao Pai após transportarmos as barreiras que interditam a nossa entrada em Mundos mais felizes.

O apóstolo Lucas nos diz: “… Esta noite mesmo tomar-te-ão a alma…”[3]. Esta afirmativa toma real contorno quando observamos em nós ou em pessoas próximas a nós que fazíamos planos para um futuro longuinquo acreditando que teríamos tempo de concredização e por esses reveses, que só a justiça das reencarnações pode nos explicar, não conseguimos concredizar. Se tivéssemos suportado mais, amado mais, tido mais paciência, ultrapassaríamos aquele momento ou anteciparíamos a vivência do amor em nossas vidas.

A negação de algo não faz com que este algo deixe de existir. Demonstramos mais maturidade espiritual quando paramos de lutar contra o aprendizado e trabalhamos a favor. Evitaríamos sofrimentos, ultrapassaríamos fases e chegaríamos ao ponto desejado com mais segurança emocional.

Deus tem o controle de tudo. Por não compreendermos a sua Lei queremos antecipar fatos perdendo a oportunidade de esperar a fruta amadurecer para podermos colher. Tudo se encadeia na mais perfeita ordem na Criação Divina, temos a oportunidade de sermos co-criadores quando desenvolvemos o perfeito entendimento da Lei e passamos trabalhar em favor de nós mesmos. É um processo de desenvolver a consciência e ampliar os sentimento superiores em nós. Tudo, em nossas vidas, tem um fim providencial.

 

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – novembro de 2017

[1] João, cap. 14, v 7

[2] Livro Jesus e o Evangelho a Luz da Psiciologia Profunda, capítulo 22 – Propriedade

[3] Lucas: 12:20

Perdão

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Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com

“Então, os escribas e os fariseus lhe trouxeram uma mulher que fora surpreendida em adultério e, pondo-a de pé no meio do povo, – disseram a Jesus: “Mestre, esta mulher acaba de ser surpreendida em adultério; – ora, Moisés, pela lei, ordena que se lapidem as adúlteras. Qual sobre isso a tua opinião?” – Diziam isto para o tentarem e terem de que o acusar. Jesus, porém, abaixando-se, entrou a escrever na terra com o dedo. – Como continuassem a interrogá-lo, ele se levantou e disse: “Aquele dentre vós que estiver sem pecado, atire a primeira pedra.” – Em seguida, abaixando-se de novo, continuou a escrever no chão. – Quanto aos que o interrogavam, esses, ouvindo-o falar daquele modo, se retiraram, um após outro, afastando-se primeiro os velhos. Ficou, pois, Jesus a sós com a mulher, colocada no meio da praça. Então, levantando-se, perguntou-lhe Jesus: “Mulher, onde estão os que te acusaram? Ninguém te condenou?” – Ela respondeu: “Não, Senhor.” Disse-lhe Jesus: “Também eu não te condenarei. Vai-te e de futuro não tornes a pecar.” (JOÃO, cap. VIII, vv. 3 a 11.)

Ao lermos a passagem da mulher adúltera nos deteremos no momento em que ela se aparta do Mestre Jesus, no qual Ele a questiona sobre os que a julgavam? E ela informa que todos foram embora. E Jesus afirma que também Ele não a condenaria. Sempre me perguntei o que ocorria depois.

Quando diante das provas da vida nos deparamos com o Amor Incondicional do Mestre a nos envolver os passos, e por questão de escolha nos dispomos a tal intento. Sendo que há com relação a isso uma diferença: podemos vivenciar o sofrimento ou simplesmente passar por ele. No primeiro caso, escolhemos acolher pelas provas e assumimos conscientemente a responsabilidade pelos nossos atos; no segundo caso, nos desobrigamos, mas não aprendemos a lição. Nisso que consiste a chave do aprendizado.

Imaginemos essa mulher de regresso ao lar. Encontra o marido. Será que tem filhos? A esta altura todos sabem do ocorrido. Como encará-los? Como agir de forma digna perante a sociedade? Esta mesma sociedade que já estava pronta para lhe apedrejar. O Mestre nos deu a indicação: Vai-te e de futuro não tornes a pecar. Construímos o nosso futuro através de quem nós somos e ao lado de quem magoamos. Quando o ofendido permite-se esse prélipo ao nosso lado, constitui-se obra de sublimação para ambos. O mais que é macerado neste momento é o orgulho.

Devemos olhar o nosso irmão com o olhar de segunda chance e pensar: Se fosse eu quem estivesse chegando em casa, como eu gostaria de ser recebido? Entendemos que a cada um segundo as suas obras, por isso o necessário ressarcimento pelo mal cometido. Mas não temos o direito de revirar a ferida do outro. Se escolhemos estar ao lado dele, que o façamos com solicitude e caridade. A oportunidade é do perdão.

O ódio provoca doenças e marcas profundas de serem trabalhadas. O perdão serve como a mais profunda cânfura a aliviar as nossas dores, a aliviar as dores do próximo e de tantos que assistem a situação. Alguns torcendo pela reconciliação ou desejando a estocada final.

Imaginemos novamente a mulher adúltera. Ele pode, apesar de toda execração pública voltar e ter uma nova oportunidade. Este é o princípio do Espiritismo: Uma nova oportunidade. A consciência de culpa não precisa de ajuda para se fazer presente em nós. Mas todas as vezes que somos o agressor do outro, neste momento nos vinculamos a ele e por fim, vivemos novamente a dor outrora vivenciada.

Quando optamos pelo perdão, deixamos o outro seguir e seguimos nós também, deixando o amor nos conduzir e a paz inundar nossos corações. Não é um caminho fácil de ser palmilhado até porque os que estão ao nosso redor cobram “atitude”. A impressão que nos dão é que seremos menores se não agirmos como todos esperam.

Mas, muitas vezes, fomos nós mesmos que induzimos o outro a traição, em virtude da indiferença e dos maus-tratos produzidos por nós. Assim, fica mais fácil nos desvencilharmos do outro impondo punição severa, como se, dessa forma, pudéssemos também apagar o que fizemos.

Em tudo na vida existem três verdades: a minha, a do outro e a verdade verdadeira. Com o passar do tempo vamos preenchendo as lacunas da nossa história com o que melhor nos acalenta o coração. Quando isso não provoca prejuízo ao outro é somente um subterfúgio para nos sentirmos felizes e até aliviados. Mas quando traz prejuízo, é fuga para não agirmos como maturidade perante o outro.

Sempre existirão aqueles que gritarão: Apedrejamento àquele que adulterou! Mas antes de sermos juízes precisamos ser irmãos. E analisarmos se o melhor socorro naquele momento não seria o acolhimento. Ninguém foge do cumprimento da Lei. “Não saireis da prisão até que pagues o último ceitil.” Se podemos ajudar ao outro em nome de tudo o que já vivenciamos de bom com ele, que o façamos. Pois assim teremos exercido a prática do perdão e “teremos ganho o nosso irmão.”

Jornal O Clarim de outubro de 2017

Paciência em Ti

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Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com

“Bem-aventurados os que são brandos, porque possuirão a Terra. Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus.” (MATEUS, cap. V, vv. 4 e 9.)

O grande problema do ser humano nos dias atuais, inclusive nós espíritas, é tentarmos querer como resposta aos desmandos da vida material a ética da vida espiritual sem ter o compromisso com o certo que essa vida propõe. A vida material constitui-se de desafios com regras que valem para as situações atuais, usualmente não catalogadas como paradigmas de conduta moral. É um consenso criado entre partes que nem sempre entendem o valor do bem e da justiça.

A vida espiritual traz-nos uma abertura de entendimento e a projeção, sempre para o futuro, como resposta ao vivenciado no presente. A crença no espírito imortal nos dá um abandono das práticas irracionais vividas por aqueles que só enxergam a vida material. Então, temos duas vidas? Melhor dizendo, como estar encarnado (vida material) e termos uma conduta pautada na moral do Cristo (vida espiritual)? Mais ainda, é possível viver uma vida material com um olhar espiritual?

É possível sim e foi isso que Jesus vivenciou em seu apostolado. Mas do que parábolas, temos a presença do Cristo em nossas vidas até o presente, nos orientando os passos, moldando nossa conduta e mostrando-nos o caminho a seguir. Enquanto a vida material nos convida ao imediatismo, ao materialismo e a displicência com a conduta humana, nossa e do semelhante; a vida espiritual ou vida do espírito imortal, mostra-nos que somos herdeiros de nós mesmos. Que diante de um plantio livre (livre arbítrio) nos depararemos com uma colheita obrigatória (expiação).

Mas sermos espíritas tão somente não nos candidata a uma posição de superioridade de entendimento perante a vida. Se não introspectarmos o conhecimento espírita seremos iguais a tantos outros adeptos de outras religiões ou aos próprios ateus, que faremos referências a várias passagens de Jesus, mas adendaremos com a afirmação que nós não somos Ele. O parâmetro de conduta nos foi estabelecido e vivenciado não somente pelo Mestre Jesus. Temos outros que vivenciaram a Doutrina e nos deram o exemplo: Allan Kardec, Bezerra de Menezes, Chico Xavier, entre outros.

Estas figuras ímpares em caráter e vivência cristã nos mostraram que é possível fazer. Então, qual seria o caminho a seguir? “A dor é uma benção que Deus envia a seus eleitos; não vos aflijais, pois, quando sofrerdes; antes, bendizei de Deus onipotente que, pela dor, neste mundo, vos marcou para a glória no céu.”[1] Só é testado aquele que estudou a lição. E através das provas e expiações da vida vamo-nos fortificando e aprendendo realmente a lição. Ultrapassando a barreira do momento (vida material), projetamo-nos para o que realmente necessário é para realizarmos (vida imaterial). Assim, conseguimos avaliar melhor a situação e não nos apequenarmos diante das pedras do caminho.

A paciência faz com que não ajamos de sobressalto. Sabemos o quando é difícil quando estamos falando do sofrimento. Mas se somente reagirmos e não agirmos (proposta que a paciência nos convida), estaremos nos comportando igual aos animais irracionais, que quando atacados, atacam de volta sem racionalizar. O sofrimento diante das provas não significa fraqueza ou não entendimento do que vem a ser paciência. Antes, significa que entendemos a lição, experienciamos o fato e transformamos em aprendizado, se formos resignados.

“Sede pacientes. A paciência também é uma caridade e deveis praticar a Lei de Caridade ensinada pelo Cristo, enviado de Deus. A caridade que consiste na esmola dada aos pobres é a mais fácil de todas. Outra há, porém, muito mais penosa e, consequentemente, muito mais meritória: a de perdoarmos aos que Deus colocou em nosso caminho para serem instrumentos do nosso sofrer e para nos porem a prova a paciência.”[2]

Alguns afirmam que a Doutrina Espírita é a doutrina do sofrimento. Muito pelo contrário, ao compreendermos a imortalidade da alma, a justiça das aflições e a Lei de Causa e Efeito, deixamos de enxergar de forma restrita e passamos a ver com toda amplitude que possuímos à paternidade de Deus e a tutela de Jesus com relação a nós. Somos filhos bem-amados do Pai. Mas nenhum Pai que ama seu filho o poupará do aprendizado necessário. Até para podermos mensurar com juízo de valor o sofrimento alheio.

Mesmo quando falamos das “… mil picadas de alfinete, …, mas que acabam por ferir.”[3] que são os sarcasmos costumeiros, as ironias, as injúrias como somos tratados. Já afirmou o Mestre Jesus que a brandura e a pacificidade nos colocam na condição de Filhos e Herdeiros do Pai. Sendo brandos transmitiremos a docilidade daqueles que conhecem a verdade e que avançam com passos firmes, pois sabem que caminham com segurança, possuidores do conhecimento da verdade. Pacíficos porque Deus é amor e aqueles que amam jamais agredirão seu próximo.

Neste mesmo capítulo, Mateus nos versículos 21 e 22 nos mostra que aqueles que conspurcam a Lei Divina serão entregues ao Juízo (a própria consciência), sendo regulado o comportamento e a medida do reajustamento pelo Conselho (a própria Lei Divina). Pois, enquanto nos mantivermos em erro teremos o “fogo do inferno” (as provas/expiações da vida) sendo o freio e a espora a nos mostrar o caminho do devido reajustamento.

Precisamos elaborar a paciência em nós. Esperando o dia da colheita. Se antes plantamos cactos, hoje colhemos cactos. Para amanhã colhermos flores, precisamos, mesmo diante das dores, plantarmos flores. A Providência Divina nos envolve a todos. Nada foge a Lei. Deus é a inteligência suprema[4] a reger o Universo. A paciência nos mantem firmes ampliando o nosso campo de visão e nos proporcionando o tempo necessário para absorvermos o aprendizado. Até que um dia, adquiramos a maturidade espiritual plena.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo Outubro de 2017

[1] Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. 9, item 07

[2] Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. 9, item 07

[3] Idem

[4] Questão nº 01 de O Livro dos Espíritos.

O bem

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Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com

“Se, portanto, quando fordes depor vossa oferenda no altar, vos lembrardes de que o vosso irmão tem qualquer coisa contra vós, deixai a vossa dádiva junto ao altar e ide, antes, reconciliar-vos com o vosso irmão; depois, então voltai a oferece-la.” (Mateus, cap. V, vv 23 e 24)

Coisa singular o capítulo intitulado Bem-Aventurados os Misericordiosos de O Evangelho Segundo o Espiritismo. Em síntese, ele nos apresenta a história da humanidade perpassada não pelos fatos históricos, mas pelo que converge para o entendimento do ser humano.

O ato de depositar a oferenda no altar, de representação simples entre os antigos, trazia o significado implícito de se colocar em sentimento perante o Pai. Não podemos nos colocar em sentimentos perante Deus, impuros. Por isso, o convite nos é feito para quando depormos a nossa oferenda o fazermos de coração pacificado e voltados para o bem.

Quando agimos assim abrimos campo para a Misericórdia Divina se fazer em nós. Pacificando sentimentos podemos agir de forma mais racional, nos afastando do núcleo do problema e enxergando de uma maneira mais equilibrada. Por isso dizemos que a Doutrina nos leva a uma fé raciocinada. Caminhando um pouco mais nos estudos que a Doutrina nos oferece e somando-se a temática abordada, aportamos no livro o Céu e o Inferno. Em particular em seu item intitulado: Código Penal da Vida Futura. Que nos apresenta a importante informação sobre o arrependimento, a expiação e a reparação tão necessárias para a criatura humana.

Mesmo estando num planeta de provas e expiações a criatura não experiencia aquilo que não foi acordado e mesmo durante a encarnação, há momentos nos quais ela mesma se dispõe ao reajuste com a Lei. São esses momentos em que antes de depor a oferenda no altar, através da prece, antes de uma palestra, de uma leitura edificante, a criatura como que de insight recobra a consciência de si, reavalia suas atitudes e após o mergulho interior, redireciona a conduta, identifica o erro e propõe-se a corrigir. Este constitui-se o momento do arrependimento. Pode acontecer em desdobramento através do sono ou nos períodos que a criatura se encontra desencarnada.

No momento propício e após análise pela própria Lei, avaliando os nossos méritos e o bem realizado, há a necessidade de experienciar. É a expiação que se faz presente em nossas vidas. Há situações que são equacionadas através de outros tipos de experiências, mas há momentos que precisamos nós próprios vivenciarmos aquilo que fizemos o outro passar para termos o profundo e total entendimento da experiência.

Como a Providencia Divina se faz presente em tudo, concede-nos a oportunidade de ajudarmos aquele a quem fazemos mal. Neste momento, o ciclo se completa, o bem comparece. O mais importante para aquele que estiver vivenciando tal tipo de aprendizado é compreender que em tudo a Divindade atua. Que o bem se faz presente. A intenção não é punir, até porque em Espiritismo não há o que se falar em punição. É aprendizado é responsabilização pelos atos. Através da prática e desenvolvimento do amor fazemos as pazes enquanto estamos a caminho. Para que não sejamos entregues ao Juiz e assim por diante.

A evolução é um processo constante em nossas vidas. A partir do momento que ultrapassamos uma etapa, novas portas se abrem, novas oportunidades se fazem e nós que antes nos considerávamos devedores perante a Criação nos tornamos co-criadores da nossa própria história. Saindo da condição de vítimas para autores operantes. Sendo resignados sim, mais trabalhadores do bem sempre. Pois onde o bem se faz presente, o mal bate em retirada.

O processo de reconciliação começa conosco para depois chegar ao próximo. Fazemos as pazes conosco mesmos em primeiro lugar para depois fazermos um movimento consciente de busca pelo próximo. Temos a tendência em mascarar o que sentimos e até o que pensamos. Como se dessa forma, pudéssemos mudar o que habita em nós. Mas, dia chegará que esta fuga não poderá mais ser feita. Não porque seremos obrigados, sim porque desejaremos e buscaremos a verdade em nós.

A mudança ocorre com o reconhecimento e com o próprio trabalho de mudança que se opera nesse momento. Por isso, reconciliar é olhar com os olhos da caridade para nós mesmos e entendermos que erramos, mas isso não significa o fim. Pelo contrário, se erramos e aprendemos a lição é oportunidade bendita de não fazermos mais, porque já absorvemos que não pode ser daquele jeito.

Assim, ao nos reconciliarmos, estamos nos dando uma nova oportunidade, enchendo-nos de esperança e caminhando rumo à mudança de atitude. Para depois, fazermos o mesmo movimento rumo ao próximo. Reconciliando e juntos depositando a oferenda do entendimento no altar da vida.

Jornal O Clarim – Setembro 2017

 

 

 

Amor aos inimigos

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Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com

“Aprendestes que foi dito: “Amareis o vosso próximo e odiareis os vossos inimigos.” Eu, porém, vos digo: “Amai os vossos inimigos; fazei o bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos perseguem e caluniam, a fim de serdes filhos do vosso Pai que está nos céus e que faz se levante o Sol para os bons e para os maus e que chova sobre os justos e os injustos. – Porque, se só amardes os que vos amam, qual será a vossa recompensa? Não procedem assim também os publicanos? Se apenas os vossos irmãos saudardes, que é o que com isso fazeis mais do que os outros? Não fazem outro tanto os pagãos?” (MATEUS, cap. V, vv. 43 a 47.)

Ao analisarmos a transitoriedade da vida em decorrência da certeza da imortalidade da alma, começamos por ver quão perene é o alicerce que mantem determinados pontos de vista que permeiam e orientam o comportamento humano. A sociedade avança em tecnologia, conhecimento do microcosmo, mas ainda temos dificuldade em conhecermos a nós mesmos. Mais ainda, diante do conhecimento adquirido pela Doutrina Espírita, colocar em prática e promovermo-nos uma mudança de atitude.

Ponto importante e primeiro a ser destacado nesta temática é que os homens não somos superiores a Lei Divina. O momento presente não é maior do que a toda a eternidade. Os homens agimos de acordo com a nossa própria vontade e a Providência Divina restabelece a ordem. Temos a Lei Divina a nos coordenar os atos. Temos o Espiritismo a nos conduzir os passos. Temos a fé em Deus a nos manter firmes e de pé.

O que ocorre conosco, não diferente do que ocorre com a maioria que não abraça o pensamento espírita como norma de conduta, é que passamos mais a observar o que estamos vivendo do que a eternidade da vida. Seria equivalente ao viajante que precisasse fazer várias paradas até chegar ao seu destino e esquece-se do destino, acreditando que a viagem era somente os momentos de parada para reabastecimento, mudança de roupa e descoberta de novas diretrizes para chegar ao local desejado. Aqueles que viajam com constância sabem que acontecem atropelos durante o percurso, mas que o nosso desejo é tão grande em chegarmos ao objetivo visado que damos menos importância aos contratempos. Assim também deveria ser a nossa visão com relação à viagem carnal rumo a perfeição.

Desta falta de foco com relação ao destino visado, nossa fé titubeia e deixamo-nos tomar pelo desespero. Acreditando que o momento presente é único e superdimensionamos os problemas. Nem sempre a dor representa um resgate, para sairmos de um ponto e chegarmos a outro precisamos superar desafios, os quais irão nos proporcionar oportunidades de aprendizado, inclusive e principalmente no campo dos sentimentos, gerando dor sim, mas que essa dor significa à readequação de uma fase a outra.

A questão 887 de O Livro dos Espíritos, nos traz o seguinte com relação a questão de Amor aos Inimigos: “Jesus também disse: Amai mesmo os vossos inimigos. Ora, o amor aos inimigos não será contrário às nossas tendências naturais e a inimizade não provirá de uma falta de simpatia entre os Espíritos? ‘Certo ninguém pode votar aos seus inimigos um amor terno e apaixonado. Não foi isso que Jesus entendeu de dizer. Amar os inimigos é perdoar-lhes e lhes retribuir o mal com o bem. O que assim procede se torna superior aos seus inimigos, ao passo que abaixo deles se coloca, se procura tomar vingança.’”

Jesus veio nos apresentar uma nova ordem de ideias. Provocou uma verdadeira revolução moral na sociedade. Não nos é vedada a defesa contra nenhum ataque, principalmente aqueles que possam colocar a nossa segurança em risco. Entendendo aqui segurança física e emocional. Mas o que não podemos é nos vingar. Essa informação fica destacada na explicação da questão.

O perdão do mal que nos é feito transita pelo entendimento da vida futura, consequentemente, certeza da eternidade da vida. Assim, desenvolveremos a fé em nós. Tomemos como exemplo Maria de Nazaré. Diante de toda a injustiça sofrida por Jesus, vemos um coração de mãe sem revolta. Apaziguado pela certeza da vida eterna, pois após a morte do corpo físico Ele reaparece e prova sem sombra de dúvidas que a vida é eterna e que Ele ainda vivia.

Ter fé diante das agruras da vida não significa não sofrer. Ter fé é uma postura de vida. É sairmos da inércia emocional e nos projetarmos para a vida, sem medo do que irá nos acontecer. Fazendo ao outro aquilo que nos foi ofertado pelo Mestre Jesus e por todos os seus emissários do bem. Almas anônimas que convivem conosco, muitas vezes no recesso do nosso lar e que estão ao nosso lado diante dos sofrimentos. Não enxergando as paradas obrigatórias durante a viagem, enxergando o ponto final e agradecendo aos companheiros de viagem a ajuda ofertada.

Amor aos Inimigos ultrapassa a barreira do agora. Alguns desses inimigos não conseguiremos amar num momento, numa encarnação. Mas precisamos observar onde queremos chegar e quais as bagagens que queremos carregar. Quanto mais ódio, revolta e desejo de vingança, mais teremos malas difíceis de carregar. Amor aos Inimigos representa não nos revoltarmos diante do instrumento que nos fere. Diferente de qualquer objeto inanimado, estas criaturas possuem livre arbítrio. Com isso, vivenciarão as consequências de seus atos.

Diferente do desejo que nos impera neste momento, que o outro deixe de existir para que deixemos de sofrer, lembremo-nos do Mestre Jesus nas suas orientações a Pedro: Ele vai viver. Todos vivemos. Hoje vivemos as consequências do que plantamos, aqueles que servem de instrumento viverão no momento oportuno as consequências do fazem. Assim tudo se encadeia na Lei. Assim, a Providência Divina estabelece a ordem. Que a nossa viagem durante esta encarnação seja permeada pelos apriscos da brisa suave do bem que nos envolve. Olhemos pela janela, observemos a paisagem e num golpe de vista, nos vejamos no local do objetivo visado. Tudo passa. Tudo passa.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – Setembro 2017

Sintonia

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Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com

“Porque qualquer que pede, recebe; e quem busca, acha.” — Jesus. (LUCAS, capítulo 11, versículo 10.)

Ao lermos o capítulo 109 – Acharemos Sempre do Livro: Caminho, Verdade e Vida não podemos deixar de fazer uma correlação com o capítulo XXV – Buscai e Achareis dO Evangelho Segundo o Espiritismo. Nas duas lições fica claro que precisamos saber o que pedir e como pedir, pois sempre obteremos algo como resposta a nossa súplica, mas nem sempre compreenderemos a resposta ao nosso pedido.

O primeiro ponto a destacar é qual o interesse que está nos movimentando naquele momento? Qual o verdadeiro interesse, que habita em nós? Pois, mesmo que o nosso objetivo seja aos olhos da coletividade algo bom, mas se intimamente estejamos sintonizando com o mal, encontraremos o mal. E nos associaremos com seres que nutrem o mesmo desejo que nós naquele momento, estabelecendo assim ligações mente a mente entre as criaturas sejam elas encarnadas ou desencarnadas.

Outro ponto a destacar é que iremos sintonizar intimamente com o que intimamente habita no nosso semelhante. Podendo parecer elementar tal pensamento, mas não o é. Sendo um processo de sintonia a princípio e depois um processo de projeção. Projetamos, identificamo-nos com o outro e ultrapassamos as máscaras convencionais utilizadas. Por isso, verificamos pessoas que na aparência são diferentes, mas dão-se bem e vivem em verdadeiro regime de associação fluídica.

Também iremos identificar no outro aquilo que acalenta o nosso coração. Como exemplo, podemos citar: se nos sentimos inundados pela descrença, projetando em nosso derredor a desconfiança, sendo isto que iremos enxergar nos outros e sendo isso que encontraremos, num processo de sintonia que se estabelecerá. A projeção espelho, de forma simples, nasce desse entendimento. Não nos é proibido identificar o erro do semelhante, mas quando isto nos incomoda a tal ponto que isto passa a ser objeto de destaque e único móvel de observação com relação à outra criatura é porque estamos projetando o nosso lado sombra no outro e estabelecendo um processo de sintonia, mesmo que de forma inconsciente.

Avançando no entendimento do Ajuda-te a ti mesmo, que o céu te ajudará, contido nos itens 1 a 5 do já referido capítulo do Evangelho verificamos que a busca pelo bem é trabalho incessante para toda a encarnação. Processo que se verifica durante a caminhada evolutiva da criatura e perpassa toda a vida, entendendo aqui vida como vida espiritual do ser humano. Não basta desejarmos o bem, precisamos ser dínamos do bem. Exercermos o bem de dentro para fora, para que entremos em sintonia com o bem que vibra em nosso semelhante. Uma das razões de se afirmar que chegaremos ao Pai através do nosso próximo, criando-se uma perfeita corrente do bem, vamo-nos ligando uns aos outros até chegarmos às esferas mais altas.

“Inegavelmente, num campo de lutas chocantes como a esfera terrestre, a caçada ao mal é imediatamente coroada de êxito, pela preponderância do mal entre as criaturas. A pesca do bem não é tão fácil; no entanto, o bem será encontrado como valor divino e eterno. É indispensável, pois, muita vigilância na decisão de buscarmos alguma coisa, porquanto o Mestre afirmou: ‘Quem busca, acha’; e acharemos sempre o que procuramos.” (109, Caminho, Verdade e Vida)

Não podemos nos amedrontar diante das labaredas de fogo que estejam sobre as nossas cabeças. Dos convites mundanos, das propostas indecentes recobertas com flores e adornadas com os mais belos enfeites para nos encantar. O que deveremos observar e sintonizar será com o fundo da mensagem, seja qual for esta mensagem e esteja onde estejamos. Para não acreditarmos que é bem o mal que se nos apresenta.

Quando caminhamos para o processo de sintonia mais aprofundada, aquelas que se estabelecem através da mediunidade, verificamos que precisamos redobrar a nossa vigilância. Pois, aqueles que se avizinham de nós, enxergam-nos através das nossas emissões internas e acabam por estabelecer conosco processos de obsessão se não estivermos vigilantes. Não que a mediunidade leve a obsessão, mas todos aqueles que possuímos este canal nos colocamos com mais facilidade em ligação (em sintonia) com os desencarnados, com isso, estabelecemos com mais facilidade e de acordo com os nossos pendores vinculações com aqueles que sintonizam conosco.

O orai e vigiai nunca foi tão importante. A oração constitui-se num elo que estabelecemos com a Divindade. Nos emantamos de amor, pois através da oração abrimos um canal com as energias do bem nos envolvendo delas e passamos a discernir melhor as nossas atitudes. Assim, tornando-se mais fácil o vigiar. Vigiar os nossos atos, as nossas palavras, as nossas atitudes, mais também o que lemos, o que assistimos. Em tudo podemos escolher.

A sintonia sendo um processo de vinculação mental estabelece-se de criatura a criatura, de mente a mentes, de forma individualizada ou coletiva. É um processo simples, rápido, mas ao mesmo tempo delicado, cheio de meandros e que necessitamos estar conscientes do que estamos fazendo para não despertarmos, através desses processos de sintonia memórias que estão dormindo no inconsciente profundo e que no momento atual não deveriam ser despertas, ou pelo menos não da forma que estão sendo. Sintonizar fala muito mais fundo do que a superficialidade das relações. É o Eu interno de uma criatura que entra em contato com o Eu interno da outra estabelecendo relações e criando laços, por isso precisamos avaliar com quem estamos sintonizando.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – agosto 2017

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