O tesouro enferrujado

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Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com

“Os sentimentos do homem, nas suas próprias idéias apaixonadas, se dirigidos para o bem, produziriam sempre, em consequência, os mais substanciosos frutos para a obra de Deus. Em quase toda parte, porém, desenvolvem-se ao contrário, impedindo a concretização dos propósitos divinos, com respeito à redenção das criaturas. …Todos os sentimentos que nos foram conferidos por Deus são sagrados. Constituem o ouro e a prata de nossa herança, mas como assevera o apóstolo, deixamos que as dádivas se enferrujassem, no transcurso do tempo. Faz-se necessário trabalhemos, afanosamente, por eliminar a ‘ferrugem’ que nos atacou os tesouros do espírito. Para isso, é indispensável compreendamos no Evangelho a história da renúncia perfeita e do perdão sem obstáculos, a fim de que estejamos caminhando, verdadeiramente, ao encontro do Cristo.”. (Livro Caminho, Verdade e Vida, cap. 24 – O Tesouro Enferrujado)

Tudo que há em nós, existe com uma utilidade. Necessário é darmos o direcionamento correto. Assim o é com relação aos sentimentos. Ao lermos tão bela passagem do Livro Caminho, Verdade e Vida não poderíamos deixar de fazer analogia com o capítulo 7, de O Evangelho Segundo o Espiritismo. Em especial, itens 11 e 12 que tratam do Orgulho e da Humildade.

Somos criaturas ricas de sentimentos, mas que vivemos de forma apaixonada. Ao falarmos de orgulho e humildade, estamos falando em síntese, do processo de transformação moral que a criatura candidata-se todos os dias, a todos os momentos, de forma incansável. O processo para adquirirmos uma virtude é lento, gradual e persistente.

Conta-se que Santo Antonio queria torna-se Santo. Para isso, recolheu-se e começou um processo intensivo para conseguir tal intento. O Diabo sabendo disso resolveu tentá-lo das mais variadas formas. Fazendo por vinte anos. Ao cabo desse período, o Diabo desistiu, pois não obteve sucesso em nenhuma de suas investidas. Vendo isso, Santo Antonio se ajoelha e diz: Obrigado, meu Deus! Agora eu sou Santo! Nisso, o Diabo que já estava indo embora, volta-se e fala: agora eu tenho acesso a ele.

É uma história pueril, mas que serve para ilustrar o nosso processo de renovação interior, a reforma íntima. É um exercício diário que precisamos fazer. Quantos companheiros de lide espírita acreditam-se imunes as investidas dos seres desavisados que praticam o mal porque já resistiram a “X” investidas ou porque já são espíritas há “Y” anos?. Aquele que tenta não desiste, a nós, cabe a persistência no bem. “281. Por que os Espíritos inferiores se comprazem em nos induzir ao mal? ‘Pelo despeito que lhes causa o não terem merecido estar entre os bons. O desejo que neles predomina é o de impedirem, quanto possam, que os Espíritos ainda inexperientes alcancem o supremo bem. Querem que os outros experimentem o que eles próprios experimentam. Isto não se dá também entre vós outros?’” (Livro dos Espíritos)

A reforma íntima é uma das terminologias mais repetidas no movimento espírita, mas talvez não seja muito explicada. Esse processo de se reformar intimamente passa pela construção de uma criatura nova utilizando-se do material já existente (quem somos,experiências adquiridas, progresso realizado), mas dando um novo direcionando, empregando a mesma energia, sendo que de outra forma. Por isso que Emmanuel na mensagem transcrita acima fala do Tesouro Enferrujado, pois em si, somos criaturas ricas, somos a própria riqueza que precisamos nos descobrir. Tirar a ferrugem e fazer resplandecer o Cristo interno, em nós. A reforma íntima serve para educar e dar o sentido certo. Por isso, precisamos viver num constante estado de vigilância, mas não perdendo o bom-humor. Para que não sejamos máquinas e sim conhecedores de nós mesmos, reconhecendo nossas virtudes (pois será nelas que iremos encontrar forças para prosseguir) e defeitos (com os quais precisaremos do bisturi da razão e da paciência para corrigi-los).

O Evangelho no já referido capítulo sobre O Orgulho e A Humildade nos traz a seguinte passagem: “Todos vós que dos homens sofreis injustiças, sede indulgentes para as faltas dos vossos irmãos, ponderando que também vós não vos achais isentos de culpas; é isso caridade, mas é igualmente humildade. Se sofreis pelas calúnias, abaixai a cabeça sob essa prova. Que vos importam as calúnias do mundo? Se é puro o vosso proceder, não pode Deus vo-las compensar? Suportar com coragem as humilhações dos homens é ser humilde e reconhecer que somente Deus é grande e poderoso.”

Todos aqueles que já vivenciamos o processo da calúnia sabemos o quão doloroso é, principalmente quando resvala em procedimentos judiciais. Mas quem não foi injustiçado? O que precisamos analisar é o quanto de importância daremos ao fato e por quanto tempo daremos importância ao fato. Depois, deveremos usar os óculos da ponderação do conhecimento espírita que já possuímos. Com a calma que só tempo produz em nós, transportamo-nos para fora da situação e olhamos com os olhos do macrocosmo que só o contato com a verdade nos produz.

Verificaremos que o que está nos incomodando não é a calúnia ou a injustiça em si, mas o orgulho ferido. Entendendo que não somos dados jogados ao acaso, que estamos encarnados com a finalidade de evoluirmos e dos nos reajustarmos com a Lei Divina, aquietar-nos-emos e compreenderemos que sim, é sinal de humildade ultrapassar este pórtico e caminharemos firmes, resolutos, rumo a Jesus. Jesus há mais de dois mil anos trouxe-nos uma mensagem de renovação, de reconstrução, de reencarnação. E convida-nos a fazermos este movimento em nós mesmos.

Haverá dias que tenderemos ao desânimo. Que acreditaremos que não iremos conseguir. Mas lembremo-nos sempre de outra passagem também contida no Evangelho: “Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar as suas inclinações más.”(Cap. XVII, item 4). Esforcemos-nos sempre pela construção de um mundo novo, lembrando que esta construção começa com homens reconstruídos e renovados em si mesmos.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – julho 2017

Escravo de mim mesmo

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Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com

“É necessário dizer, também, que se acusam, frequentemente, os Espíritos estranhos de danos dos quais são muito inocentes; certos estados doentios, e certas aberrações que se atribuem a uma causa oculta, por vezes, devem-se simplesmente ao Espírito do próprio indivíduo. As contrariedades, que mais comumente cada um se concentra em si mesmo, sobretudo os desgostos amorosos, fazem cometer muitos atos excêntricos que se estaria errado em levar à conta da obsessão. Frequentemente, pode ser-se obsessor de si próprio.”. (Livro Obras Póstumas, Da Obsessão e da Possessão, item 58)

De há muito a criatura se perturba na busca de compreender o que vem a ser esta força exterior que a compele de forma sutil algumas vezes; outras tantas de forma sedutora e outras mais, de forma subjugadora. Sendo necessária a Doutrina Espírita para que a explicação tomasse corpo, compreensão e forma correta. A força externa encontra guarita internamente em nós. Sendo este o ponto de partida para desenvolvermos o nosso raciocínio.

Consistindo num ranço das idéias trazidas de outras religiões, alguns espíritas, coloca nos ombros dos espíritos a responsabilidade total e irrestrita quando se fala de processos obsessivos. Esquecendo-se que a tomada (obsessor) só se conecta no plug (obsediado) que esteja propenso a isso. O processo é eminentemente moral. São matrizes trazidas de outras encarnações, somadas as próprias situações geradas por nós nesta É o nosso mundo íntimo que fala no silêncio dos nossos atos. Trazemos hoje a soma de tudo o que fizemos até a presente data. Exalamos uma vibração captada pelos que nos circundam e se não fizermos um movimento de modificação vibratório continuaremos sintonizando com aqueles de outra que eram nossos cúmplices.

Por isso, é-nos solicitado buscarmos através da prática do bem e amor ao próximo, da prece e do estudo e auto-conhecimento a mudança vibracional tratada anteriormente. Esta se constitui, semelhante ao que fazemos em nossos lares para protegermos as saídas de eletricidade, na proteção que colocamos no plug para que a tomada não consiga fazer a ligação e assim nos colocando fora do alcance deles. Vemos dessa forma, que a criatura

Não podemos nos permitir a condição de vítimas. Essa é a primeira e principal porta de acesso para as auto-obsessões sendo secundadas pelas obsessões. Somos responsáveis pelos nossos atos. Não atribuindo aos outros a responsabilidade daquilo que nós fizemos. Este pensamento faz com que também a criatura saia da situação confortável de vítima do mundo e passe a ser pessoa ativa na decisão de seus atos.

Antes se culpava a Deus, depois os Santos, agora aos espíritos. Mesmo nos casos de subjugação. Este processo começou em algum momento em que a pessoa deu guarita através de pensamentos, palavras e/ou atitudes. Dar-se o mesmo quando culpamos os pais, irmãos ou qualquer outras pessoas pelos nossos sofrimentos. A Doutrina Espírita nos explica que não somos dados jogados ao acaso, se reencarnamos num agrupamento, cumprimos com uma finalidade que não conseguimos abarcar com sabedoria no momento, mas que dentro da necessidade de aprendizado/reajustamento com a Lei Divina ali estamos.

Em vez de ficarmos olhando para trás e reclamando do que nos aconteceu, vivendo um processo de auto-obsessão e sendo escravos de nós mesmos, olhemos para frente. Enxergando o futuro que nos espera. Tendo esperança. Trabalhando para construir algo de melhor para nós e para o nosso semelhante. Se nos faltou amor, amemos; se não fomos compreendidos, compreendamos; se fomos insultados, maltradados, estendamos a nossa compreensão aqueles que compartilham a caminhada conosco. Provavelmente não conseguiremos de pronto termos tais atitudes positivas para com os que nos feririam, mas com o nosso próximo que se avizinha de nós e que nem imagina a nossa história, sim.

Este é o convite que a Doutrina Espírita nos faz quando nos apresenta a passagem: “Aprendestes que foi dito: olho por olho e dente por dente. – Eu, porém, vos digo que não resistais ao mal que vos queiram fazer; que se alguém vos bater na face direita, lhe apresenteis também a outra; – e que se alguém quiser pleitear contra vós, para vos tomar a túnica, também lhes entregueis o manto; – e que se alguém vos obrigar a caminhar mil passos com ele, caminheis mais dois mil. – Dai àquele que vos pedir e não repilais aquele que vos queira tomar emprestado. (S. MATEUS, cap. V, vv. 38 a 42.)

Aqui está o antítodo contra a auto-obsessão. Desprendermo-nos de nós mesmos. Quanto mais bem fizermos melhor nos encontraremos diante dos percalços da vida. Não resistindo ao mal que nos queiram fazer caminhamos um pouco mais na senda do entendimento. Entregando a túnica, que a época constitui-a bem valioso para aquele que a possuía, reafirmamos o nosso compromisso com Deus, evidenciando que os bens espirituais estão acima dos bens temporais; e caminhando mil passos estamos demonstrando a perseverança, perseverança esta motivada pelo entendimento correto da Lei Divina.

Quando resolvemos sair da inércia mental e colocamo-nos na condição de protagonistas de nossa própria história não mais permitiremos ser assaltados por pensamentos de auto-escravidão e consequentemente de auto-flagelo. Somos todos Filhos de Deus. Ajamos dessa forma. Existem razões que nos fazem chorar, mas também existem muitas razões que nos fazem sorrir. Se ainda não podemos ter a felicidade completa neste Planeta por ser ele de provas e expiações, podemos suavizar seus males e sermos felizes o quanto for possível (questão 920 de O Livro dos Espíritos). Não aumentemos a carga, pesada que por vezes já é. Diminuamos o mais possível com os nossos pensamentos e com o nosso próprio comportamento. Auxiliando o quanto possível e amando a todos sempre.

Jornal O Clarim – Julho de 2017

A mulher adúltera

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Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com

“Então, os escribas e os fariseus lhe trouxeram uma mulher que fora surpreendida em adultério e, pondo-a de pé no meio do povo, – disseram a Jesus: ‘Mestre, esta mulher acaba de ser surpreendida em adultério; – ora, Moisés, pela lei, ordena que se lapidem as adúlteras. Qual sobre isso a tua opinião?’- Diziam isto para o tentarem e terem de que o acusar. Jesus, porém, abaixando-se, entrou a escrever na terra com o dedo. – Como continuassem a interrogá-lo, ele se levantou e disse: ‘Aquele dentre vós que estiver sem pecado, atire a primeira pedra.’ – Em seguida, abaixando-se de novo, continuou a escrever no chão. – Quanto aos que o interrogavam, esses, ouvindo-o falar daquele modo, se retiraram, um após outro, afastando-se primeiro os velhos. Ficou, pois, Jesus a sós com a mulher, colocada no meio da praça. Então, levantando-se, perguntou-lhe Jesus: ‘Mulher, onde estão os que te acusaram? Ninguém te condenou?’ – Ela respondeu: ‘Não, Senhor. Disse-lhe Jesus: ‘Também eu não te condenarei. Vai-te e de futuro não tornes a pecar.’” (S. JOÃO, cap. VIII, vv. 3 a 11.)

Os Escribas eram os intérpretes da Lei de Moisés e se colocavam em oposição aos Fariseus, estes por sua vez estavam mais preocupados com a forma do que com o conteúdo da Lei, eram orgulhosos e possuíam ânsia de dominação. Compilação da explicação detalhada contida no Evangelho Segundo o Espiritismo, Introdução.

Então estas criaturas que se aferravam a proposta da aplicação da Lei, mas não na verificavam em plenitude com relação a si mesmos, trouxeram a presença do Mestre Jesus a figura da mulher. Junto com os escravos e as crianças, as mulheres eram tidas, à época, como criaturas de somenos importância. Queriam dessa forma, corroborar esta ideia e colocar “em cheque” a postura de Jesus com relação aos costumes vigentes.

Assim, resolveriam dois problemas, situação semelhante ao que ocorreu a insígnia de César na moeda. Afirmaram que a mulher fora surpreendida em adultério, mas em nenhum momento trouxeram a presença do grupo aquele que adulterou junto com ela. Adulterar traz em um dos seus significados a terminologia “corromper”. Mas nós podemos nos corromper ou corromper ao outro, levando intencionalmente ao vício ou ao erro. Por isso, se a mulher ali estava presente, aquele que adulterou com ela também deveria estar.

O primeiro movimento do Mestre após a inquisição que ora se procede é de “abaixar-se”. Movimento extremamente significativo, representando este momento de mergulho interior que deveremos fazer quando somos convidados a nos pronunciarmos sobre qualquer fato. Primeiro revisitando nosso valores mais superficiais (os sociais), após os religiosos e familiares e quando alcançamos um grau de maturidade mais elevado, como que de insight o nosso passado espiritual.

Após estes momentos de reflexão que todos deveríamos fazer, o Mestre escrevinha alguma coisa no chão e levanta-se. Processo análogo acontece conosco depois destes momentos de reflexão. Não será mais o calor das emoções que nortearão o nosso falar, mas a riqueza de experiências e conhecimentos que possuímos. Muitas vezes é necessário termos experienciando algo ou pelo menos alguém a quem amamos ter experienciando para podermos fazer o justo valor sobre algo. Porque se ficarmos na superficialidade da situação tenderemos a analisar as coisas ou como Escribas, muito conhecedores da Lei, mas pouco experienciados; ou como os Fariseus, que quem muitos momentos até já vivenciamos o ocorrido, mas nos é conveniente esquecer e preferimos jogar pecha no nosso semelhante tirando de nós o foco do olhar alheio.

E termo singular Ele diz: “Aquele que estiver sem pecado, atire a primeira pedra.” Neste momento, Jesus novamente abaixa-se e como alguns ainda persistiam em ignorar a própria consciência, ele escrevinhar, no chão, palavras significativas: ladrão, avaro, déspota, etc. As pessoas começam a sair. Sendo os mais velhos primeiro. Entendendo os mais velhos neste trecho como os mais experientes, os mais vividos. Neste momento, acabam por deixar Jesus e a mulher sozinhos. Porque nenhum de nós está livre de experiências desairosas. O que nos falta é fazer ao outro o que desejamos para nós. Agir com a mesma misericórdia e condescendência que desejamos ser tratados. Sendo diferente de conivência.

Tanto é verdade que quando Jesus se vê a sós com a mulher utiliza-se desse momento para educá-la nos princípios da verdadeira caridade, mas também nos princípios da responsabilidade perante a assunção de seus atos. Após Jesus levantar-se pergunta se ninguém a havia condenado, como era o costume. Ela afirma que não. Jesus encerra a lição dizendo que Ele não a condenaria. Sendo para nós o modelo mais perfeito que Deus nos conferiu, poderia Ele neste momento, já que estava a sós com ela proceder a um julgamento moral, mas Ele não o faz, pois sabe que todos somos regidos pelo Tribunal da Consciência.

Encerra a conversa com uma afirmação: “Vai-te e de futuro não tornes a pecar.” Não é porque erramos (pecamos) uma vez que deveremos permanecer no erro. A escolha é sempre nossa, corrigir o roteiro ou permanecermos errados. A orientação sempre nos será dada, a motivação e o retorno à estrada do bem pertence ao nosso direito de escolha, ao nosso livre arbítrio. Mesmo sabendo que poderia aproveitar o momento e fazer uma reprimenda a mulher, Jesus aproveita a oportunidade para mostrar o caminho, para indicar-lhe que sempre temos alternativas em nossas vidas, basta querermos enxergar.

Tribuna Espírita – maio/junho 2017

O idoso no movimento espírita

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Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com 

“(…) É justo que os filhos cooperem com os pais, embora saibamos que os mais jovens de hoje serão os mais velhos de amanhã tanto quanto os maduros de agora, desempenharão, muito em breve o papel de jovens no futuro. Tudo é sequência na Lei.”. (Emannuel – Reformador, julho/76 – 22/04/1951)

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) a etapa das nossas vidas denominada velhice começa aos 65 anos. Verificando-se a população eminentemente ativa atual e levando-se em consideração os facilitadores ambientais, farmacêuticos e alimentares, podemos afirmar, sem titubearmos, que mesmo os que atingem esta idade, conseguem fazê-lo em bem melhores condições que os nossos antepassados.

Agregando-se as condições já citadas, a parte religiosa, a criatura tem grande ganho de qualidade de vida. Não estamos nos atendo aos trabalhos vinculados a costura ou distribuição de donativos como via na minha infância. Hoje, os idosos trabalham em outras frentes nas Instituições Espíritas. Aplicam passes, trabalham nas Reuniões Mediúnicas, fazem palestras e tantos outros trabalhos que existam. São figuras participativas na sociedade e na religião que promanam, no nosso caso, a Espírita.

Adendo necessário faz-se com relação aos extremos. Neste caso, o problema não se vincula a idade, mas a inabilidade para a execução do trabalho ou quando a criatura está sim adequada a fazê-lo, mas os mais jovens querem “poupá-los (as)” a título de ajuda que não o é. Vemos que pode haver uma interação salutar entre os mais jovens e os mais velhos quando os envolvidos desejam. Problema se estabelece entre os ditos adultos e mais velhos, quando os primeiros não sabem lidar com os mais velhos ou quando os mais velhos (inabilmente) tentam impor suas convicções, por serem mais velhos. Vemos o Mundo, mesmo que lentamente, mudar de comportamento. Os países estão “envelhecendo” e antes esta parte da população morria, ou era colocada em asilos, ou mais ainda, convivia com a família sem direito a manifestar-se, pois estava “velho (a)”. Hoje, Empresas contratam pessoas que já eram consideradas velhas para o mercado de trabalho, mas que agora estão sendo consideradas como experientes e agregadoras de valor.

Nós do movimento espírita, precisamos também enxergar os mais velhos desta forma. Somar a sabedoria do mais velho com a energia do mais novo para que ambos saiamos enriquecidos dessa experiência. Todos nós temos dificuldade de abrirmos espaço para que o outro cresça, mas quando podemos usar de nossa experiência para facilitarmos o crescimento do próximo e ainda o fazemos em detrimento da doutrina, ganhamos triplamente: crescemos como criaturas, porque nos tornamos úteis; ajudamos no amadurecimento bem orientado do semelhante e contribuímos com o bem comum e propagação da Doutrina. É uma via de mão dupla. Ceder espaço não significa perder espaço, mas multiplicar força de trabalho, perpetuando o bem comum.

Outro ponto a ser levantado é que não somos descartáveis. Principalmente nós, do movimento espírita não podemos pensar dessa forma. Sabemos que o espírito é eterno, que vivemos etapas da vida através das reencarnações, então, todo este processo de infância, fase adulta, velhice e desencarne cumpre o processo normal e natural da evolução. Vivenciando em cada uma dessas fases o necessário aprendizado para evolução. Como então furtar da criatura o que lhe é devido por direito? E nós, que também estamos no movimento e não atingimos a idade madura, vamos querer ser convidados a condição de frequentadores da instituição, sendo ressaltado que já demos o nosso contributo a doutrina?

Quando a primeira edição de O Livro dos Espíritos foi publicada, Kardec contava 53 anos. Para os padrões da época, ele era idoso. Imaginemos se ele tivesse se acomodado e acreditado que não tinha condições de realizar o trabalho? Provavelmente teríamos esperado um pouco mais para que outro realizasse o trabalho que ele fez. Este é outro ponto importante a ser destacado: nunca é tarde para começarmos a realização de nenhum trabalho. Se, em virtude de várias circunstâncias na encarnação, a criatura só pode se dedicar ao trabalho na idade mais madura que as Instituições Espíritas também estejam preparadas para receber este público que nos bate a porta e nos solicita trabalho.

A religião como função de religare faz-nos não só nos religarmos com Deus ou suas Leis, mas coloca-nos na condição de religação com o nosso próximo. Não há lugar melhor para exercermos esta função e praticarmos a caridade do que numa Instituição Espírita. É gratificante podermos trocar experiências e também sermos uma fonte alimentadora de energia e vigor para aqueles que estão mais a frente na caminhada carnal. Da parte dos mais velhos, compreender a dificuldade de permanecer fiel a um ideal por tanto tempo, mesmo com tantos convites ao contrário, como família, trabalho e tantas outras propostas que são feitas ao longo da caminhada e da parte dos mais jovens, compreender que mesmo num meio atualmente tão convidativo para quebra de regras e valores morais há uma busca tão grande pelos jovens nas Casas Espíritas, um desejo de entendimento sobre o mundo espiritual, sobre reencarnação e sobre o porvir.

Por fim, gostaria de acrescentar, que ainda não atingi a idade madura nesta encarnação, então não estou advogando em causa própria. Mas entendo que quando nos abrimos ao saber, abrimos uma janela nova para o auto-conhecimento. Permitimo-nos ter experiências enriquecedoras. As minhas melhores oportunidades de aprendizado no Movimento Espírita foram por mãos que contavam mais de 65 anos e aproveito este artigo para lhes agradecer a todos. No atual momento que vivemos sabemos que alguém já trilhou a estrada antes de nós e mesmo que não tenha pego em nossa mão e nos ensinado o caminho a seguir, através do seu próprio caminhar foi indicando o caminho a seguir. Como o Mestre Jesus fez e ainda faz por nós. Que sejamos nós também uma seta viva a indicar o caminho para aqueles que vem após nós.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – junho 2017

Servo bom e fiel

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Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com 

“Tendo Jesus entrado em Jericó, passava pela cidade – e havia ali um homem chamado Zaqueu, chefe dos publicanos e muito rico, – o qual, desejoso de ver a Jesus, para conhecê-lo, não o conseguia devido à multidão, por ser ele de estatura muito baixa. – Por isso, correu á frente da turba e subiu a um sicômoro, para o ver, porquanto ele tinha de passar por ali. – Chegando a esse lugar, Jesus dirigiu para o alto o olhar e, vendo-o, disse-lhe: Zaqueu, dá-te pressa em descer, porquanto preciso que me hospedes hoje em tua casa. – Zaqueu desceu imediatamente e o recebeu jubiloso. Vendo isso, todos murmuravam, a dizer: Ele foi hospedar-se em casa de um homem de má vida. Entretanto, Zaqueu, pondo-se diante do Senhor, lhe disse: Senhor, dou a metade dos meus bens aos pobres e, se causei dano a alguém, seja no que for, indenizo-o com quatro tantos. Ao que Jesus lhe disse: Esta casa recebeu hoje a salvação, porque também este é filho de Abraão; visto que o Filho do Homem veio para procurar e salvar o que estava perdido.”. (LUCAS, cap. XIX, vv. 1 a 10.)

Humberto de Campos, através da psicografia abençoada do venerando Chico Xavier, nos brindou no Livro Boa Nova, capítulo 23, intitulado O Servo Bom, com uma bela explicação sobre esta passagem retratada em Lucas, a qual nos faz refletir sobre a singularidade da palavra servo e como realmente nos candidatamos a categoria de bons com relação à Lei Divina. Valeremos-nos da referida obra e do nosso próprio entendimento para tecermos alguns comentários.

A ida de Jesus a Jericó não se constituía obra do acaso. Como nada no apostolado do Mestre. Jesus foi com o propósito de encontrar Zaqueu. Chefe dos publicanos, grande influenciador da coletividade. Além de recolher tributos (situação que já o colocava em malquerença com o grupo) também lhe era atribuído o enriquecimento ilícito. Tinha conhecimento das Leis, o que lhe faltava era ter a centelha Divina do Amor acesa novamente em seu coração. O passar do tempo provocou-lhe um vazio existencial que não é preenchido pelo conhecimento, haveres, ou qualquer outra coisa, pois falta-nos o entendimento do Divino em nós.

Sabendo que Jesus passaria por Jericó, Zaqueu, que era de estatura baixa, procurou subir numa árvore que também não era alta (sicômoro). Podemos fazer uma analogia a nossa condição atual. Não possuímos grande elevação moral, ainda somos espíritos em evolução, fazendo parte das primeiras faixas evolutivas (baixos) comparados com os nossos tutelados espirituais, como Jesus, por exemplo, e através das boas ações, das preces, da boa leitura alteramos a nossa vibração (subimos na escala vibracional, na árvore) para conseguirmos ter contato com os do mais alto.

Nesse momento coisa ímpar ocorre, Jesus não só enxerga Zaqueu, mais vai ao encontro dele. Pede que ele desça, pois necessitava da sua hospitalidade e companhia, conforme relata Humberto de Campos. Assemelha-se a forma como os amigos espirituais agem conosco. Quando nos elevamos mentalmente e estabelecemos este contato salutar, os que se apresentam, envolvem-nos em ondas de paz e amor e solicitam-nos a hospitalidade de tarefeiros, empreendedores do bem e que sejamos companheiros destes abnegados espirituais na tarefa de construção da caridade. Elevamo-nos ao mais alto grau quando sedemos a casa mental e o corpo físico para execução das tarefas mediúnicas.

É tão belo e significativo este momento que o Mestre dá o braço a Zaqueu, semelhante ao que ocorre conosco pelo Anjo da Guarda que nos sustenta, ampara e nos encaminha, ouvindo-nos as aflições, os desejos e os petitórios. Nós espíritas, independente do tempo que estejamos estudando e trabalhando no movimento espírita, vivenciamos durante a encarnação momentos de escolhas e por vezes derrapamos pelo despenhadeiro do egoísmo, do orgulho e de outros vícios. Alguns se sentem envergonhados de voltar, esquecendo-se que a própria Doutrina explica-nos que a vida é um eterno recomeço e que não precisamos esperar outra encarnação para recomeçarmos e tomarmos boas resoluções. Outros conhecem a Doutrina bem mais a frente na encarnação. Alegam então, que não poderão fazer a tão famosa “reforma íntima”, pois já erraram muito. Como se tivéssemos um prazo para começar e que se não começarmos naquele prazo teremos obrigatoriamente de fazê-lo na próxima encarnação.

Jesus então nos se apresenta Zaqueu. Alguém que poderia se contentar com a condição que estava. Mas não. Ele procura modificar a condição íntima, entendendo que o contato com Jesus representava a pedra definitiva na construção desta nova obra na construção da sua vida. Já era tocado pela mensagem, pois praticava a caridade, tratava os seus servos com deferência e procurava agir de forma gentil com todos que lhe procuravam. Faltava-lhe o algo mais que só a presença de Jesus poderia provocar em sua vida: o contato com o Amor. Ao contato desse Amor ele modifica. Reconhece os erros de passado, não os enxerga como empecilhos e mesmo diante dos comentários desairosos dos Apóstolos ele se compromete com a mudança e a perseverar nesta mudança.

Sabia que a sua riqueza adquirida, em parte, de forma ilítica, representava um entrave ao processo de mudança e semelhante a nós que reconhecemos o nosso erro e depois queremos reparar, ele também o fez, assumindo compromisso público, como era costume na época. Além disso, resolveu compartilhar parte do que tinha com os pobres. Não é assim que também nós, que abraçamos os trabalhos no movimento espírita fazemos, damos e doamo-nos parte, inclusive de nossas vidas, de nossos lazeres, para podermos ajudar aqueles que necessitam mais que nós?

Por isso, que Jesus após trazer a Parábola dos Talentos para bem ilustrar o movimento de mudança de Zaqueu, afirma: “Bem-aventurado sejas tu, servo bom e fiel!” 

Jornal O Clarim – junho de 2017

Nascer de Novo

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Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com 

“167. Qual o fim objetivado com a reencarnação? Expiação, melhoramento progressivo da Humanidade. Sem isto, onde a justiça?”. (Livro dos Espíritos)

Nós reencarnamos com o objetivo de evoluir. Através de um processo de aprendizado e expurgo das faltas passadas. Esse processo se dá através das expiações, das provas e das missões.

Missionários não são somente os Apóstolos da Caridade, nomes já conhecidos em nosso meio: Bezerra de Menezes, Chico Xavier, etc. Mas todo aquele que trata com amor abdicando de si mesmo em detrimento do próximo independente se este próximo é uma coletividade ou uma única pessoa. Então um pai, uma mãe, um irmão, um parente que abdica de si em detrimento de seu filho ou de uma criatura que está sob sua tutela, está cumprindo uma missão.

Estamos trabalhando e desenvolvendo nossas habilidades através das provas. Em comum acordo com a Divindade solicitamos que sejamos avaliados em nossa teoria. São as situações testes que temos dificuldades em vivenciar, mas que uma voz íntima nos convida há prosseguir um pouco mais, pois esta mesma voz nos fala do conhecimento já adquirido e da possibilidade real de superação, através do livre arbítrio tomos a decisão em perseverar um pouco mais. Tendo como resultado o sucesso, o aprendizado e o progresso almejado. Forjando na criatura o alicerce necessário diante das expiações da vida.

A expiação é um compromisso antes de tudo consciencial com um passado delituoso em que conspurcamos a Lei e precisamos fazer o devido reajuste que já está em regime de moratória, sendo abatido pelos méritos conquistados em virtude do bem feito, das provas bem cumpridas e das missões realizadas. É um processo de expurgo compulsório, mas necessário para a evolução.

Ao falarmos de Melhoramento Progressivo da Humanidade, estamos nos reportando ao processo contínuo de evolução, pois a humanidade como um todo avança intelectualmente e chegará um ponto que moralmente sairá desse estágio estacionário que se encontra. “6. – Nestes tempos, porém, não se trata de uma mudança parcial, de uma renovação limitada a certa região, ou a um povo, a uma raça. Trata-se de um movimento universal, a operar-se no sentido do progresso moral. Aliás, todos sabem quanto ainda deixa a desejar a atual ordem de coisas. Depois de se haver, de certo modo, considerado todo o bem-estar material, produto da inteligência, logra-se compreender que o complemento desse bem-estar somente pode achar-se no desenvolvimento moral.” (Livro A Gênese, cap. 18 – São chegados os tempos, Sinais dos Tempos). Por isso, mais do que nunca, precisamos ser a mudança que cobramos.

A necessidade reencarnatória então se vincula ao processo ascensional do ser humano que se opera individualmente, como processo propulsor da criatura rumo à perfeição e em conjunto, como resultado dos esforços de todos, como também, exercendo o fiel cumprimento da Lei de Evolução que rege a criatura e os Planetas. Assim, nosso limite reencarnatório está vinculado a nossa depuração; não existe uma quantidade predeterminada para cada criatura, pois se assim o fosse, a criatura não procuraria se melhorar, esperaria a última encarnação para fazer o início da transformação e alcançaria, sem fazer esforço, o mesmo patamar daquele que se modificou desde as primeiras.

Também podemos reencarnar neste, mas em outros Planetas. Temos como exemplo os Capelinos, que vieram da Constelação do Cocheiro. Ponto importante a ser destacado é a constituição do nosso perispírito. Este será formado pelo Mundo no qual habitamos. Tais informações são pertinentes e encontram-se melhor detalhadas nas questões 166 a 222 de O Livro dos Espíritos – Pluralidade das Existências. Quando compreendemos o porquê de estarmos aqui, a nossa participação e consequentemente o resultado de nossas escolhas. Ficando mais transparente o entendimento de itens, por exemplo, 18 a 23, capítulo IV – Nascer de Novo de O Evangelho Segundo o Espiritismo, quando nos fala da destinação do homem no além-túmulo e nos apresenta a individualidade, com progressão indefinida. Parecendo-nos lógico e justo.

Faz cair por terra o princípio de raças, pois a categoria social não qualifica a criatura, mas as suas atitudes que a diferenciam. Que a Doutrina Reencarnacionista ou do Nascer de Novo não destrói os laços de família, mas os amplia. (Questão 205, O Livro dos Espíritos). Criando uma rede de amor ao nosso redor. Não temos somente sob o mesmo teto os seres que já amamos, mas podemos compartilhar no trabalho, no Centro Espírita e em tantos outros locais com figuras caras ao sentimento e que nos dizem muito sem precisar falar nada. A Doutrina Reencarnacionista ou do Nascer de Novo proporciona-nos este veio de amor.

Para aqueles que acreditam que a parecença moral também se transmite, O Livro dos Espíritos, questão 207, explica-nos que não. O que existe é uma reunião de espíritos simpáticos. De criaturas que possuem a mesma sintonia de ideias. O corpo procede do corpo, mas o espírito não procede do espírito. A reencarnação possibilita-nos oportunidades. Oportunidade de aqui estarmos fortalecendo laços já construídos, criando novos laços e desfazendo nós.

O Evangelho no item 23, do já referido capítulo vai mais além. Faz uma comparação entre a Doutrina Materialista, que apresenta o nada como realidade futura; a Doutrina Panteísta, que fala da absorção no todo Universal; a Doutrina da Igreja que já evolui trazendo a individualização, mas apresenta-nos uma fixação definitiva do que a criatura será. Sendo a mais consoladora e a que nos parece mais justa a Doutrina Espírita. Mas como a criatura não pode viver encarnada indefinidamente, necessita reencarnar. Reencarnando, utilizar-se-á de corpos distintos e estabelecerá laços necessários ao aprendizado de aperfeiçoamento evolutivo. São possibilidades infinitas. A doutrina do Nascer de Novo possibilita-nos a chance de aprendermos e evoluirmos constantemente. Só este fato nos consola e nos ampara, dando-nos esperança e coragem para prosseguir.

Tribuna Espírita março/abril 2017

O valor da vida

1 Comentário

Walkiria Lúcia de Araújo Cavalcante – walkirialucia.wlac@outlook.com

“É que o viver não se circunscreve ao movimento do corpo, nem à exibição de certos títulos convencionais. Estende-se a vida a esferas mais altas, a outros campos de realização superior com a espiritualidade sublime. A mesma cena evangélica diariamente se repete em muitos setores. Grande número de aprendizes, plenamente integrados no conhecimento do dever que lhes compete, tocam a pedir orientação dos Mensageiros Divinos, quanto à melhor maneira de agir na Terra… a resposta, porém, está neles mesmos, em seus corações que temem a responsabilidade, a decisão e o serviço áspero… Se já foste banhado pela claridade da fé viva, se foste beneficiado pelos princípios da salvação, executa o que aprendeste do nosso Divino Mestre: Faze isso, e viverás”. (Livro Caminho, Verdade e Vida, Cap. 157 – Faze isso e viverás.)

Em Missão dos Espíritas, Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XX, item 4, encontramos que devemos pegar de nossa charrua e não temer as labaredas de fogo que estejam sobre as nossas cabeças por que o bom pastor saberá nos defender dos verdugos imoladores.

A vida constitui-se num processo de escolha bendita. Bendita porque é baseada no aprendizado trazido de outras encarnações, adicionado ao que foi conquistado nessa, fruto do nosso livre arbítrio. Livre arbítrio este que aumenta em nossas vidas em linha direta e ascensional enquanto diminuiu o determinismo, sendo este último, fruto da Lei de Conservação, que serve como mola orientadora e propulsora a princípio e posteriormente, como fio condutor de salvaguarda da encarnação.

A nossa consciência nos conclama a uma mudança de conduta. Mas em virtude dos desejos atuais redirecionamos a encarnação e adequamos o pensamento ao que melhor nos convém momentaneamente, deixando de vislumbrar com os olhos do todo espiritual e enxergando somente a parte que é objeto de nosso desejo momentâneo. Supervalorizando situações, fugindo de outras e criando problemas desnecessários em virtude de más escolhas. Mas algo singular durante este caminhar nos acontece: um sentimento de vazio que não consegue ser preenchido com coisas ou prazeres transitórios se avizinha de nós. Os momentos de solidão a dois, a três, em coletividade. É o aplauso e a glória exteriores, mas que na intimidade nos sentimos a sós.

A vida é a mesma para todos nós. Os desafios com os seus agravantes e atenuantes são os mesmos para todos. Então, porque uns resolvem lutar pela vida, por exemplo, mesmo tendo diagnóstico de uma doença terminal e outros que por uma simples arranhadura no pé ficam se sentindo os próprios abandonados pela Criação Divina?

A princípio, temos como entendimento, que a Luz Divina do Amor do Cristo toca os primeiros e estes se permitem ser tocados também e segundo, os entendidos do comportamento humano dizem, que nos momentos de crise a criatura “liga” um dispositivo de auto-proteção e entra no modo de “auto-conservação” desenvolvendo mecanismos de auto-defesa e sobrevivência. Por isso, vemos criaturas sobreviverem a situações críticas, quando tudo parecia perdido. Mas insistimos na pergunta, porque alguns conseguem “ligar” este dispositivo e outros não? Por que já compreenderam o valor da vida. Emmanuel neste trecho transcrito nos fala que a vida se estende as mais altas esferas. Assim, quando passamos a enxergar a vida não só como um momento presente, mas um todo, passamos a valorizá-la mais, atribuindo ao fato à importância devida e valorizando o que realmente tem valor: a Vida.

Na continuidade da mensagem o Insigne Mestre nos concita a reflexionarmos a questão da responsabilidade e da aspereza do serviço. Pois se engana que só encontraremos espinhos na vida diária, eles também existirão entre os companheiros de lide, mas que isto não será um empecilho para continuarmos. O nosso objetivo em tudo que estamos fazendo deve ser a realização de algo maior, para isso, precisamos direcionar as nossas atitudes, fazendo com que o ponto de partida e de chegada estejam pautados na moral cristã e que nós sejamos o agente do bem.

No item 4 do Evangelho já citado encontramos: “A fé é a virtude que desloca montanhas, disse Jesus. Todavia, mais pesados do que as maiores montanhas, jazem depositados nos corações dos homens a impureza e todos os vícios que derivam da impureza.” O mal que devemos temer não é o que provêm dos outros, mas o que está em nós. Por isso, quando dizemos na Oração do Pai Nosso: Livra-nos do Mal, entendamos, que é o mal que está em nós e que representa o plug esperando pela tomada de outra criatura que se vincula em sintonia conosco.

O Valor da Vida é o que atribuímos a ela. Como nos comportamos perante ela. Quem e o que selecionamos para fazer parte de nossas vidas. Pois estamos aqui, encarnados neste momento, como oportunidade de crescimento e aprendizado. Fazendo os reajustes necessários com a Lei Divina e avançando rumo à perfeição. O Valor da Vida: Alguns a consideram importante, pelo valor da conta bancária que possuem; outros pelo número de pessoas que possuem ao seu derredor. O Valor da Vida constitui-se no bem que fazemos e como fazemos o bem em nós. Amarmos o próximo. Respeitarmos o próximo e respeitarmos a Deus. Amor a Vida. Valor a Vida. Valor de Vida. Valor na Vida.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – maio 2017

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