O bem

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Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com

“Se, portanto, quando fordes depor vossa oferenda no altar, vos lembrardes de que o vosso irmão tem qualquer coisa contra vós, deixai a vossa dádiva junto ao altar e ide, antes, reconciliar-vos com o vosso irmão; depois, então voltai a oferece-la.” (Mateus, cap. V, vv 23 e 24)

Coisa singular o capítulo intitulado Bem-Aventurados os Misericordiosos de O Evangelho Segundo o Espiritismo. Em síntese, ele nos apresenta a história da humanidade perpassada não pelos fatos históricos, mas pelo que converge para o entendimento do ser humano.

O ato de depositar a oferenda no altar, de representação simples entre os antigos, trazia o significado implícito de se colocar em sentimento perante o Pai. Não podemos nos colocar em sentimentos perante Deus, impuros. Por isso, o convite nos é feito para quando depormos a nossa oferenda o fazermos de coração pacificado e voltados para o bem.

Quando agimos assim abrimos campo para a Misericórdia Divina se fazer em nós. Pacificando sentimentos podemos agir de forma mais racional, nos afastando do núcleo do problema e enxergando de uma maneira mais equilibrada. Por isso dizemos que a Doutrina nos leva a uma fé raciocinada. Caminhando um pouco mais nos estudos que a Doutrina nos oferece e somando-se a temática abordada, aportamos no livro o Céu e o Inferno. Em particular em seu item intitulado: Código Penal da Vida Futura. Que nos apresenta a importante informação sobre o arrependimento, a expiação e a reparação tão necessárias para a criatura humana.

Mesmo estando num planeta de provas e expiações a criatura não experiencia aquilo que não foi acordado e mesmo durante a encarnação, há momentos nos quais ela mesma se dispõe ao reajuste com a Lei. São esses momentos em que antes de depor a oferenda no altar, através da prece, antes de uma palestra, de uma leitura edificante, a criatura como que de insight recobra a consciência de si, reavalia suas atitudes e após o mergulho interior, redireciona a conduta, identifica o erro e propõe-se a corrigir. Este constitui-se o momento do arrependimento. Pode acontecer em desdobramento através do sono ou nos períodos que a criatura se encontra desencarnada.

No momento propício e após análise pela própria Lei, avaliando os nossos méritos e o bem realizado, há a necessidade de experienciar. É a expiação que se faz presente em nossas vidas. Há situações que são equacionadas através de outros tipos de experiências, mas há momentos que precisamos nós próprios vivenciarmos aquilo que fizemos o outro passar para termos o profundo e total entendimento da experiência.

Como a Providencia Divina se faz presente em tudo, concede-nos a oportunidade de ajudarmos aquele a quem fazemos mal. Neste momento, o ciclo se completa, o bem comparece. O mais importante para aquele que estiver vivenciando tal tipo de aprendizado é compreender que em tudo a Divindade atua. Que o bem se faz presente. A intenção não é punir, até porque em Espiritismo não há o que se falar em punição. É aprendizado é responsabilização pelos atos. Através da prática e desenvolvimento do amor fazemos as pazes enquanto estamos a caminho. Para que não sejamos entregues ao Juiz e assim por diante.

A evolução é um processo constante em nossas vidas. A partir do momento que ultrapassamos uma etapa, novas portas se abrem, novas oportunidades se fazem e nós que antes nos considerávamos devedores perante a Criação nos tornamos co-criadores da nossa própria história. Saindo da condição de vítimas para autores operantes. Sendo resignados sim, mais trabalhadores do bem sempre. Pois onde o bem se faz presente, o mal bate em retirada.

O processo de reconciliação começa conosco para depois chegar ao próximo. Fazemos as pazes conosco mesmos em primeiro lugar para depois fazermos um movimento consciente de busca pelo próximo. Temos a tendência em mascarar o que sentimos e até o que pensamos. Como se dessa forma, pudéssemos mudar o que habita em nós. Mas, dia chegará que esta fuga não poderá mais ser feita. Não porque seremos obrigados, sim porque desejaremos e buscaremos a verdade em nós.

A mudança ocorre com o reconhecimento e com o próprio trabalho de mudança que se opera nesse momento. Por isso, reconciliar é olhar com os olhos da caridade para nós mesmos e entendermos que erramos, mas isso não significa o fim. Pelo contrário, se erramos e aprendemos a lição é oportunidade bendita de não fazermos mais, porque já absorvemos que não pode ser daquele jeito.

Assim, ao nos reconciliarmos, estamos nos dando uma nova oportunidade, enchendo-nos de esperança e caminhando rumo à mudança de atitude. Para depois, fazermos o mesmo movimento rumo ao próximo. Reconciliando e juntos depositando a oferenda do entendimento no altar da vida.

Jornal O Clarim – Setembro 2017

 

 

 

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Amor aos inimigos

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Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com

“Aprendestes que foi dito: “Amareis o vosso próximo e odiareis os vossos inimigos.” Eu, porém, vos digo: “Amai os vossos inimigos; fazei o bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos perseguem e caluniam, a fim de serdes filhos do vosso Pai que está nos céus e que faz se levante o Sol para os bons e para os maus e que chova sobre os justos e os injustos. – Porque, se só amardes os que vos amam, qual será a vossa recompensa? Não procedem assim também os publicanos? Se apenas os vossos irmãos saudardes, que é o que com isso fazeis mais do que os outros? Não fazem outro tanto os pagãos?” (MATEUS, cap. V, vv. 43 a 47.)

Ao analisarmos a transitoriedade da vida em decorrência da certeza da imortalidade da alma, começamos por ver quão perene é o alicerce que mantem determinados pontos de vista que permeiam e orientam o comportamento humano. A sociedade avança em tecnologia, conhecimento do microcosmo, mas ainda temos dificuldade em conhecermos a nós mesmos. Mais ainda, diante do conhecimento adquirido pela Doutrina Espírita, colocar em prática e promovermo-nos uma mudança de atitude.

Ponto importante e primeiro a ser destacado nesta temática é que os homens não somos superiores a Lei Divina. O momento presente não é maior do que a toda a eternidade. Os homens agimos de acordo com a nossa própria vontade e a Providência Divina restabelece a ordem. Temos a Lei Divina a nos coordenar os atos. Temos o Espiritismo a nos conduzir os passos. Temos a fé em Deus a nos manter firmes e de pé.

O que ocorre conosco, não diferente do que ocorre com a maioria que não abraça o pensamento espírita como norma de conduta, é que passamos mais a observar o que estamos vivendo do que a eternidade da vida. Seria equivalente ao viajante que precisasse fazer várias paradas até chegar ao seu destino e esquece-se do destino, acreditando que a viagem era somente os momentos de parada para reabastecimento, mudança de roupa e descoberta de novas diretrizes para chegar ao local desejado. Aqueles que viajam com constância sabem que acontecem atropelos durante o percurso, mas que o nosso desejo é tão grande em chegarmos ao objetivo visado que damos menos importância aos contratempos. Assim também deveria ser a nossa visão com relação à viagem carnal rumo a perfeição.

Desta falta de foco com relação ao destino visado, nossa fé titubeia e deixamo-nos tomar pelo desespero. Acreditando que o momento presente é único e superdimensionamos os problemas. Nem sempre a dor representa um resgate, para sairmos de um ponto e chegarmos a outro precisamos superar desafios, os quais irão nos proporcionar oportunidades de aprendizado, inclusive e principalmente no campo dos sentimentos, gerando dor sim, mas que essa dor significa à readequação de uma fase a outra.

A questão 887 de O Livro dos Espíritos, nos traz o seguinte com relação a questão de Amor aos Inimigos: “Jesus também disse: Amai mesmo os vossos inimigos. Ora, o amor aos inimigos não será contrário às nossas tendências naturais e a inimizade não provirá de uma falta de simpatia entre os Espíritos? ‘Certo ninguém pode votar aos seus inimigos um amor terno e apaixonado. Não foi isso que Jesus entendeu de dizer. Amar os inimigos é perdoar-lhes e lhes retribuir o mal com o bem. O que assim procede se torna superior aos seus inimigos, ao passo que abaixo deles se coloca, se procura tomar vingança.’”

Jesus veio nos apresentar uma nova ordem de ideias. Provocou uma verdadeira revolução moral na sociedade. Não nos é vedada a defesa contra nenhum ataque, principalmente aqueles que possam colocar a nossa segurança em risco. Entendendo aqui segurança física e emocional. Mas o que não podemos é nos vingar. Essa informação fica destacada na explicação da questão.

O perdão do mal que nos é feito transita pelo entendimento da vida futura, consequentemente, certeza da eternidade da vida. Assim, desenvolveremos a fé em nós. Tomemos como exemplo Maria de Nazaré. Diante de toda a injustiça sofrida por Jesus, vemos um coração de mãe sem revolta. Apaziguado pela certeza da vida eterna, pois após a morte do corpo físico Ele reaparece e prova sem sombra de dúvidas que a vida é eterna e que Ele ainda vivia.

Ter fé diante das agruras da vida não significa não sofrer. Ter fé é uma postura de vida. É sairmos da inércia emocional e nos projetarmos para a vida, sem medo do que irá nos acontecer. Fazendo ao outro aquilo que nos foi ofertado pelo Mestre Jesus e por todos os seus emissários do bem. Almas anônimas que convivem conosco, muitas vezes no recesso do nosso lar e que estão ao nosso lado diante dos sofrimentos. Não enxergando as paradas obrigatórias durante a viagem, enxergando o ponto final e agradecendo aos companheiros de viagem a ajuda ofertada.

Amor aos Inimigos ultrapassa a barreira do agora. Alguns desses inimigos não conseguiremos amar num momento, numa encarnação. Mas precisamos observar onde queremos chegar e quais as bagagens que queremos carregar. Quanto mais ódio, revolta e desejo de vingança, mais teremos malas difíceis de carregar. Amor aos Inimigos representa não nos revoltarmos diante do instrumento que nos fere. Diferente de qualquer objeto inanimado, estas criaturas possuem livre arbítrio. Com isso, vivenciarão as consequências de seus atos.

Diferente do desejo que nos impera neste momento, que o outro deixe de existir para que deixemos de sofrer, lembremo-nos do Mestre Jesus nas suas orientações a Pedro: Ele vai viver. Todos vivemos. Hoje vivemos as consequências do que plantamos, aqueles que servem de instrumento viverão no momento oportuno as consequências do fazem. Assim tudo se encadeia na Lei. Assim, a Providência Divina estabelece a ordem. Que a nossa viagem durante esta encarnação seja permeada pelos apriscos da brisa suave do bem que nos envolve. Olhemos pela janela, observemos a paisagem e num golpe de vista, nos vejamos no local do objetivo visado. Tudo passa. Tudo passa.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – Setembro 2017

Sintonia

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Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com

“Porque qualquer que pede, recebe; e quem busca, acha.” — Jesus. (LUCAS, capítulo 11, versículo 10.)

Ao lermos o capítulo 109 – Acharemos Sempre do Livro: Caminho, Verdade e Vida não podemos deixar de fazer uma correlação com o capítulo XXV – Buscai e Achareis dO Evangelho Segundo o Espiritismo. Nas duas lições fica claro que precisamos saber o que pedir e como pedir, pois sempre obteremos algo como resposta a nossa súplica, mas nem sempre compreenderemos a resposta ao nosso pedido.

O primeiro ponto a destacar é qual o interesse que está nos movimentando naquele momento? Qual o verdadeiro interesse, que habita em nós? Pois, mesmo que o nosso objetivo seja aos olhos da coletividade algo bom, mas se intimamente estejamos sintonizando com o mal, encontraremos o mal. E nos associaremos com seres que nutrem o mesmo desejo que nós naquele momento, estabelecendo assim ligações mente a mente entre as criaturas sejam elas encarnadas ou desencarnadas.

Outro ponto a destacar é que iremos sintonizar intimamente com o que intimamente habita no nosso semelhante. Podendo parecer elementar tal pensamento, mas não o é. Sendo um processo de sintonia a princípio e depois um processo de projeção. Projetamos, identificamo-nos com o outro e ultrapassamos as máscaras convencionais utilizadas. Por isso, verificamos pessoas que na aparência são diferentes, mas dão-se bem e vivem em verdadeiro regime de associação fluídica.

Também iremos identificar no outro aquilo que acalenta o nosso coração. Como exemplo, podemos citar: se nos sentimos inundados pela descrença, projetando em nosso derredor a desconfiança, sendo isto que iremos enxergar nos outros e sendo isso que encontraremos, num processo de sintonia que se estabelecerá. A projeção espelho, de forma simples, nasce desse entendimento. Não nos é proibido identificar o erro do semelhante, mas quando isto nos incomoda a tal ponto que isto passa a ser objeto de destaque e único móvel de observação com relação à outra criatura é porque estamos projetando o nosso lado sombra no outro e estabelecendo um processo de sintonia, mesmo que de forma inconsciente.

Avançando no entendimento do Ajuda-te a ti mesmo, que o céu te ajudará, contido nos itens 1 a 5 do já referido capítulo do Evangelho verificamos que a busca pelo bem é trabalho incessante para toda a encarnação. Processo que se verifica durante a caminhada evolutiva da criatura e perpassa toda a vida, entendendo aqui vida como vida espiritual do ser humano. Não basta desejarmos o bem, precisamos ser dínamos do bem. Exercermos o bem de dentro para fora, para que entremos em sintonia com o bem que vibra em nosso semelhante. Uma das razões de se afirmar que chegaremos ao Pai através do nosso próximo, criando-se uma perfeita corrente do bem, vamo-nos ligando uns aos outros até chegarmos às esferas mais altas.

“Inegavelmente, num campo de lutas chocantes como a esfera terrestre, a caçada ao mal é imediatamente coroada de êxito, pela preponderância do mal entre as criaturas. A pesca do bem não é tão fácil; no entanto, o bem será encontrado como valor divino e eterno. É indispensável, pois, muita vigilância na decisão de buscarmos alguma coisa, porquanto o Mestre afirmou: ‘Quem busca, acha’; e acharemos sempre o que procuramos.” (109, Caminho, Verdade e Vida)

Não podemos nos amedrontar diante das labaredas de fogo que estejam sobre as nossas cabeças. Dos convites mundanos, das propostas indecentes recobertas com flores e adornadas com os mais belos enfeites para nos encantar. O que deveremos observar e sintonizar será com o fundo da mensagem, seja qual for esta mensagem e esteja onde estejamos. Para não acreditarmos que é bem o mal que se nos apresenta.

Quando caminhamos para o processo de sintonia mais aprofundada, aquelas que se estabelecem através da mediunidade, verificamos que precisamos redobrar a nossa vigilância. Pois, aqueles que se avizinham de nós, enxergam-nos através das nossas emissões internas e acabam por estabelecer conosco processos de obsessão se não estivermos vigilantes. Não que a mediunidade leve a obsessão, mas todos aqueles que possuímos este canal nos colocamos com mais facilidade em ligação (em sintonia) com os desencarnados, com isso, estabelecemos com mais facilidade e de acordo com os nossos pendores vinculações com aqueles que sintonizam conosco.

O orai e vigiai nunca foi tão importante. A oração constitui-se num elo que estabelecemos com a Divindade. Nos emantamos de amor, pois através da oração abrimos um canal com as energias do bem nos envolvendo delas e passamos a discernir melhor as nossas atitudes. Assim, tornando-se mais fácil o vigiar. Vigiar os nossos atos, as nossas palavras, as nossas atitudes, mais também o que lemos, o que assistimos. Em tudo podemos escolher.

A sintonia sendo um processo de vinculação mental estabelece-se de criatura a criatura, de mente a mentes, de forma individualizada ou coletiva. É um processo simples, rápido, mas ao mesmo tempo delicado, cheio de meandros e que necessitamos estar conscientes do que estamos fazendo para não despertarmos, através desses processos de sintonia memórias que estão dormindo no inconsciente profundo e que no momento atual não deveriam ser despertas, ou pelo menos não da forma que estão sendo. Sintonizar fala muito mais fundo do que a superficialidade das relações. É o Eu interno de uma criatura que entra em contato com o Eu interno da outra estabelecendo relações e criando laços, por isso precisamos avaliar com quem estamos sintonizando.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – agosto 2017

Brandos e Pacíficos

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Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com

“Bem-aventurados os que são brandos, porque possuirão a Terra. (S. MATEUS, cap. V, v. 4.) Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus. (Id., v.9.) Sabeis que foi dito aos antigos: Não matareis e quem quer que mate merecerá condenação pelo juízo. – Eu, porém, vos digo que quem quer que se puser em cólera contra seu irmão merecerá condenado no juízo; que aquele que disser a seu irmão: Raca, merecerá condenado pelo conselho; e que aquele que lhe disser: És louco, merecerá condenado ao fogo do inferno. (Id., vv. 21 e 22.)

Ao tratarmos de brandura e mansuetude, injúrias e violências estamos trazendo à tona um tipo de situação que gera sofrimento moral, resvalando ou não em problemas físicos, mas que poucos são testemunhas. Tendo como único Tribunal a consciência. Temos nas palavras encorajadoras de Mateus a orientação segura para ultrapassarmos o momento. Utilizando da afabilidade no mais alto grau, gerando a resignação e sendo serenos, gerando a pacificidade operante.

Mateus destaca ainda, que não podemos menosprezar o nosso semelhante, pois todos estamos regidos por um conjunto de Normativos ou Lei Divina e persistindo em tal abuso viveremos um profundo “inferno” interior por não observância desta Lei.

A Doutrina Espírita nos apresenta uma nova forma de enxergar a Lei Divina que nos foi apresentada anteriormente de maneira dogmática e pragmática. Agora, vemos a explicação dos fatos e mais ainda, sabemos o porquê da necessidade de vivenciarmos determinadas experiências, pois sem elas, não ultrapassaríamos o estágio que estamos vivendo. Podemos reclamar da mão que serve de instrumento ou abençoa-la, entendendo a necessidade de evolução.

O Espiritismo nos fala da Imortalidade da Alma, com progressão indefinida. Isso significa dizer que o Espírito Imortal, em qualquer circunstância em que esteja, pela ótica espírita, deverá avaliar a situação por uma visão daquele que vive no momento presente experiências. Algumas dessas, pré-selecionadas como gênero de provas antes de reencarnar: “258. Quando na erraticidade, antes de começar nova existência corporal, tem o Espírito consciência e previsão do que lhe sucederá no curso da vida terrena? ‘Ele próprio escolhe o gênero de provas por que há de passar e nisso consiste o seu livre-arbítrio.’” (Livro dos Espíritos)

Ao assumirmos o compromisso de Espíritos Imortais e conscientes desta proposta não mais veremos os ataques e achincalhamentos recebidos de uma forma material, mas como instrumentos de aprendizado, propostas de crescimento e etapas a cumprir perante a nossa própria evolução. Somando-se a isso, precisamos ter em mente que a Providência Divina perpassa todos os atos de nossa vida. Então vemos em muitos casos que acreditávamos “entregues a própria sorte”, a Providência Divina reestabelecer a ordem. Porque ela sempre se faz presente nas nossas vidas. Se assim não fosse, estaríamos entregues a mercê dos desejos humanos.

Em decorrência do entendimento de que somos Espíritos Imortais, sabemos que granjeamos méritos em encarnações passadas e também conquistamos a simpatia de espíritos amigos. Estes, vem em nosso auxílio, como verdadeiros emissários do Criador a nos auxiliar. Enxugam nossas lágrimas, auxiliam-nos na caminhada e como mãos invisíveis mostram-nos o caminho a seguir. Entendemos que nem tudo é resolvido de solapão, por isso, encontramos amparo em o outro item dO Evangelho Segundo o Espiritismo, A Paciência,: “7. A dor é uma bênção que Deus envia a seus eleitos; não vos aflijais, pois, quando sofrerdes; antes, bendizei de Deus onipotente que, pela dor neste mundo, vos marcou para a glória no céu.”

Em primeira leitura, pode parecer pregação de doutrina de sofrimento. Mas não o é. Só é testado aquele que se preparou para o teste. Não é assim com a vida acadêmica? Também o é na vida de relação. Necessitamos desses pórticos de dor para nos avaliarmos como criaturas humanas e também e nos humanizarmos. Vendo o nosso sofrer, compreendemos melhor os atos do nosso semelhante, atentando que todos nós somos devedores e credores na contabilidade Divina. O que nos cabe é reconhecermo-nos como Filhos de Deus, executarmos a nossa parte e se tivermos condições, estendermos mão fraterna aquele que estiver caminhando ao nosso lado.

Deus não erra. A Lei não erra. Os sofrimentos gerados em virtude da Lei de Ação e Reação produziram-se através de nossas mãos. Mesmos as injúrias e violências que nos maceram a alma e que lapidam o Espírito. Tais sofrimentos, que foram gerados em virtude de nossa incúria, possuem data certa para o fim, de acordo com a nossa resignação, entendendo-se aí a não revolta, e perfeito reajusto com a Lei. Teremos dessa forma chegado ao ápice do aprendizado. Melhor ainda se conseguirmos após o arrependimento e a expiação culminarmos a experiência com a reparação.

Lembremo-nos do Mestre Jesus e semelhante ao que a passagem final do item 7, nos orienta, ajamos como Ele, pois mesmo não tendo nada de que se penitenciar deu o seu exemplo a todos nós, mostrando-nos o caminho a seguir e ensinou-nos a forma de como agir perante as dores, as injúrias e as violências que nos aportam durante a encarnação.

Jornal O Clarim – agosto 2017

O tesouro enferrujado

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Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com

“Os sentimentos do homem, nas suas próprias idéias apaixonadas, se dirigidos para o bem, produziriam sempre, em consequência, os mais substanciosos frutos para a obra de Deus. Em quase toda parte, porém, desenvolvem-se ao contrário, impedindo a concretização dos propósitos divinos, com respeito à redenção das criaturas. …Todos os sentimentos que nos foram conferidos por Deus são sagrados. Constituem o ouro e a prata de nossa herança, mas como assevera o apóstolo, deixamos que as dádivas se enferrujassem, no transcurso do tempo. Faz-se necessário trabalhemos, afanosamente, por eliminar a ‘ferrugem’ que nos atacou os tesouros do espírito. Para isso, é indispensável compreendamos no Evangelho a história da renúncia perfeita e do perdão sem obstáculos, a fim de que estejamos caminhando, verdadeiramente, ao encontro do Cristo.”. (Livro Caminho, Verdade e Vida, cap. 24 – O Tesouro Enferrujado)

Tudo que há em nós, existe com uma utilidade. Necessário é darmos o direcionamento correto. Assim o é com relação aos sentimentos. Ao lermos tão bela passagem do Livro Caminho, Verdade e Vida não poderíamos deixar de fazer analogia com o capítulo 7, de O Evangelho Segundo o Espiritismo. Em especial, itens 11 e 12 que tratam do Orgulho e da Humildade.

Somos criaturas ricas de sentimentos, mas que vivemos de forma apaixonada. Ao falarmos de orgulho e humildade, estamos falando em síntese, do processo de transformação moral que a criatura candidata-se todos os dias, a todos os momentos, de forma incansável. O processo para adquirirmos uma virtude é lento, gradual e persistente.

Conta-se que Santo Antonio queria torna-se Santo. Para isso, recolheu-se e começou um processo intensivo para conseguir tal intento. O Diabo sabendo disso resolveu tentá-lo das mais variadas formas. Fazendo por vinte anos. Ao cabo desse período, o Diabo desistiu, pois não obteve sucesso em nenhuma de suas investidas. Vendo isso, Santo Antonio se ajoelha e diz: Obrigado, meu Deus! Agora eu sou Santo! Nisso, o Diabo que já estava indo embora, volta-se e fala: agora eu tenho acesso a ele.

É uma história pueril, mas que serve para ilustrar o nosso processo de renovação interior, a reforma íntima. É um exercício diário que precisamos fazer. Quantos companheiros de lide espírita acreditam-se imunes as investidas dos seres desavisados que praticam o mal porque já resistiram a “X” investidas ou porque já são espíritas há “Y” anos?. Aquele que tenta não desiste, a nós, cabe a persistência no bem. “281. Por que os Espíritos inferiores se comprazem em nos induzir ao mal? ‘Pelo despeito que lhes causa o não terem merecido estar entre os bons. O desejo que neles predomina é o de impedirem, quanto possam, que os Espíritos ainda inexperientes alcancem o supremo bem. Querem que os outros experimentem o que eles próprios experimentam. Isto não se dá também entre vós outros?’” (Livro dos Espíritos)

A reforma íntima é uma das terminologias mais repetidas no movimento espírita, mas talvez não seja muito explicada. Esse processo de se reformar intimamente passa pela construção de uma criatura nova utilizando-se do material já existente (quem somos,experiências adquiridas, progresso realizado), mas dando um novo direcionando, empregando a mesma energia, sendo que de outra forma. Por isso que Emmanuel na mensagem transcrita acima fala do Tesouro Enferrujado, pois em si, somos criaturas ricas, somos a própria riqueza que precisamos nos descobrir. Tirar a ferrugem e fazer resplandecer o Cristo interno, em nós. A reforma íntima serve para educar e dar o sentido certo. Por isso, precisamos viver num constante estado de vigilância, mas não perdendo o bom-humor. Para que não sejamos máquinas e sim conhecedores de nós mesmos, reconhecendo nossas virtudes (pois será nelas que iremos encontrar forças para prosseguir) e defeitos (com os quais precisaremos do bisturi da razão e da paciência para corrigi-los).

O Evangelho no já referido capítulo sobre O Orgulho e A Humildade nos traz a seguinte passagem: “Todos vós que dos homens sofreis injustiças, sede indulgentes para as faltas dos vossos irmãos, ponderando que também vós não vos achais isentos de culpas; é isso caridade, mas é igualmente humildade. Se sofreis pelas calúnias, abaixai a cabeça sob essa prova. Que vos importam as calúnias do mundo? Se é puro o vosso proceder, não pode Deus vo-las compensar? Suportar com coragem as humilhações dos homens é ser humilde e reconhecer que somente Deus é grande e poderoso.”

Todos aqueles que já vivenciamos o processo da calúnia sabemos o quão doloroso é, principalmente quando resvala em procedimentos judiciais. Mas quem não foi injustiçado? O que precisamos analisar é o quanto de importância daremos ao fato e por quanto tempo daremos importância ao fato. Depois, deveremos usar os óculos da ponderação do conhecimento espírita que já possuímos. Com a calma que só tempo produz em nós, transportamo-nos para fora da situação e olhamos com os olhos do macrocosmo que só o contato com a verdade nos produz.

Verificaremos que o que está nos incomodando não é a calúnia ou a injustiça em si, mas o orgulho ferido. Entendendo que não somos dados jogados ao acaso, que estamos encarnados com a finalidade de evoluirmos e dos nos reajustarmos com a Lei Divina, aquietar-nos-emos e compreenderemos que sim, é sinal de humildade ultrapassar este pórtico e caminharemos firmes, resolutos, rumo a Jesus. Jesus há mais de dois mil anos trouxe-nos uma mensagem de renovação, de reconstrução, de reencarnação. E convida-nos a fazermos este movimento em nós mesmos.

Haverá dias que tenderemos ao desânimo. Que acreditaremos que não iremos conseguir. Mas lembremo-nos sempre de outra passagem também contida no Evangelho: “Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar as suas inclinações más.”(Cap. XVII, item 4). Esforcemos-nos sempre pela construção de um mundo novo, lembrando que esta construção começa com homens reconstruídos e renovados em si mesmos.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – julho 2017

Escravo de mim mesmo

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Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com

“É necessário dizer, também, que se acusam, frequentemente, os Espíritos estranhos de danos dos quais são muito inocentes; certos estados doentios, e certas aberrações que se atribuem a uma causa oculta, por vezes, devem-se simplesmente ao Espírito do próprio indivíduo. As contrariedades, que mais comumente cada um se concentra em si mesmo, sobretudo os desgostos amorosos, fazem cometer muitos atos excêntricos que se estaria errado em levar à conta da obsessão. Frequentemente, pode ser-se obsessor de si próprio.”. (Livro Obras Póstumas, Da Obsessão e da Possessão, item 58)

De há muito a criatura se perturba na busca de compreender o que vem a ser esta força exterior que a compele de forma sutil algumas vezes; outras tantas de forma sedutora e outras mais, de forma subjugadora. Sendo necessária a Doutrina Espírita para que a explicação tomasse corpo, compreensão e forma correta. A força externa encontra guarita internamente em nós. Sendo este o ponto de partida para desenvolvermos o nosso raciocínio.

Consistindo num ranço das idéias trazidas de outras religiões, alguns espíritas, coloca nos ombros dos espíritos a responsabilidade total e irrestrita quando se fala de processos obsessivos. Esquecendo-se que a tomada (obsessor) só se conecta no plug (obsediado) que esteja propenso a isso. O processo é eminentemente moral. São matrizes trazidas de outras encarnações, somadas as próprias situações geradas por nós nesta É o nosso mundo íntimo que fala no silêncio dos nossos atos. Trazemos hoje a soma de tudo o que fizemos até a presente data. Exalamos uma vibração captada pelos que nos circundam e se não fizermos um movimento de modificação vibratório continuaremos sintonizando com aqueles de outra que eram nossos cúmplices.

Por isso, é-nos solicitado buscarmos através da prática do bem e amor ao próximo, da prece e do estudo e auto-conhecimento a mudança vibracional tratada anteriormente. Esta se constitui, semelhante ao que fazemos em nossos lares para protegermos as saídas de eletricidade, na proteção que colocamos no plug para que a tomada não consiga fazer a ligação e assim nos colocando fora do alcance deles. Vemos dessa forma, que a criatura

Não podemos nos permitir a condição de vítimas. Essa é a primeira e principal porta de acesso para as auto-obsessões sendo secundadas pelas obsessões. Somos responsáveis pelos nossos atos. Não atribuindo aos outros a responsabilidade daquilo que nós fizemos. Este pensamento faz com que também a criatura saia da situação confortável de vítima do mundo e passe a ser pessoa ativa na decisão de seus atos.

Antes se culpava a Deus, depois os Santos, agora aos espíritos. Mesmo nos casos de subjugação. Este processo começou em algum momento em que a pessoa deu guarita através de pensamentos, palavras e/ou atitudes. Dar-se o mesmo quando culpamos os pais, irmãos ou qualquer outras pessoas pelos nossos sofrimentos. A Doutrina Espírita nos explica que não somos dados jogados ao acaso, se reencarnamos num agrupamento, cumprimos com uma finalidade que não conseguimos abarcar com sabedoria no momento, mas que dentro da necessidade de aprendizado/reajustamento com a Lei Divina ali estamos.

Em vez de ficarmos olhando para trás e reclamando do que nos aconteceu, vivendo um processo de auto-obsessão e sendo escravos de nós mesmos, olhemos para frente. Enxergando o futuro que nos espera. Tendo esperança. Trabalhando para construir algo de melhor para nós e para o nosso semelhante. Se nos faltou amor, amemos; se não fomos compreendidos, compreendamos; se fomos insultados, maltradados, estendamos a nossa compreensão aqueles que compartilham a caminhada conosco. Provavelmente não conseguiremos de pronto termos tais atitudes positivas para com os que nos feririam, mas com o nosso próximo que se avizinha de nós e que nem imagina a nossa história, sim.

Este é o convite que a Doutrina Espírita nos faz quando nos apresenta a passagem: “Aprendestes que foi dito: olho por olho e dente por dente. – Eu, porém, vos digo que não resistais ao mal que vos queiram fazer; que se alguém vos bater na face direita, lhe apresenteis também a outra; – e que se alguém quiser pleitear contra vós, para vos tomar a túnica, também lhes entregueis o manto; – e que se alguém vos obrigar a caminhar mil passos com ele, caminheis mais dois mil. – Dai àquele que vos pedir e não repilais aquele que vos queira tomar emprestado. (S. MATEUS, cap. V, vv. 38 a 42.)

Aqui está o antítodo contra a auto-obsessão. Desprendermo-nos de nós mesmos. Quanto mais bem fizermos melhor nos encontraremos diante dos percalços da vida. Não resistindo ao mal que nos queiram fazer caminhamos um pouco mais na senda do entendimento. Entregando a túnica, que a época constitui-a bem valioso para aquele que a possuía, reafirmamos o nosso compromisso com Deus, evidenciando que os bens espirituais estão acima dos bens temporais; e caminhando mil passos estamos demonstrando a perseverança, perseverança esta motivada pelo entendimento correto da Lei Divina.

Quando resolvemos sair da inércia mental e colocamo-nos na condição de protagonistas de nossa própria história não mais permitiremos ser assaltados por pensamentos de auto-escravidão e consequentemente de auto-flagelo. Somos todos Filhos de Deus. Ajamos dessa forma. Existem razões que nos fazem chorar, mas também existem muitas razões que nos fazem sorrir. Se ainda não podemos ter a felicidade completa neste Planeta por ser ele de provas e expiações, podemos suavizar seus males e sermos felizes o quanto for possível (questão 920 de O Livro dos Espíritos). Não aumentemos a carga, pesada que por vezes já é. Diminuamos o mais possível com os nossos pensamentos e com o nosso próprio comportamento. Auxiliando o quanto possível e amando a todos sempre.

Jornal O Clarim – Julho de 2017

A mulher adúltera

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Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com

“Então, os escribas e os fariseus lhe trouxeram uma mulher que fora surpreendida em adultério e, pondo-a de pé no meio do povo, – disseram a Jesus: ‘Mestre, esta mulher acaba de ser surpreendida em adultério; – ora, Moisés, pela lei, ordena que se lapidem as adúlteras. Qual sobre isso a tua opinião?’- Diziam isto para o tentarem e terem de que o acusar. Jesus, porém, abaixando-se, entrou a escrever na terra com o dedo. – Como continuassem a interrogá-lo, ele se levantou e disse: ‘Aquele dentre vós que estiver sem pecado, atire a primeira pedra.’ – Em seguida, abaixando-se de novo, continuou a escrever no chão. – Quanto aos que o interrogavam, esses, ouvindo-o falar daquele modo, se retiraram, um após outro, afastando-se primeiro os velhos. Ficou, pois, Jesus a sós com a mulher, colocada no meio da praça. Então, levantando-se, perguntou-lhe Jesus: ‘Mulher, onde estão os que te acusaram? Ninguém te condenou?’ – Ela respondeu: ‘Não, Senhor. Disse-lhe Jesus: ‘Também eu não te condenarei. Vai-te e de futuro não tornes a pecar.’” (S. JOÃO, cap. VIII, vv. 3 a 11.)

Os Escribas eram os intérpretes da Lei de Moisés e se colocavam em oposição aos Fariseus, estes por sua vez estavam mais preocupados com a forma do que com o conteúdo da Lei, eram orgulhosos e possuíam ânsia de dominação. Compilação da explicação detalhada contida no Evangelho Segundo o Espiritismo, Introdução.

Então estas criaturas que se aferravam a proposta da aplicação da Lei, mas não na verificavam em plenitude com relação a si mesmos, trouxeram a presença do Mestre Jesus a figura da mulher. Junto com os escravos e as crianças, as mulheres eram tidas, à época, como criaturas de somenos importância. Queriam dessa forma, corroborar esta ideia e colocar “em cheque” a postura de Jesus com relação aos costumes vigentes.

Assim, resolveriam dois problemas, situação semelhante ao que ocorreu a insígnia de César na moeda. Afirmaram que a mulher fora surpreendida em adultério, mas em nenhum momento trouxeram a presença do grupo aquele que adulterou junto com ela. Adulterar traz em um dos seus significados a terminologia “corromper”. Mas nós podemos nos corromper ou corromper ao outro, levando intencionalmente ao vício ou ao erro. Por isso, se a mulher ali estava presente, aquele que adulterou com ela também deveria estar.

O primeiro movimento do Mestre após a inquisição que ora se procede é de “abaixar-se”. Movimento extremamente significativo, representando este momento de mergulho interior que deveremos fazer quando somos convidados a nos pronunciarmos sobre qualquer fato. Primeiro revisitando nosso valores mais superficiais (os sociais), após os religiosos e familiares e quando alcançamos um grau de maturidade mais elevado, como que de insight o nosso passado espiritual.

Após estes momentos de reflexão que todos deveríamos fazer, o Mestre escrevinha alguma coisa no chão e levanta-se. Processo análogo acontece conosco depois destes momentos de reflexão. Não será mais o calor das emoções que nortearão o nosso falar, mas a riqueza de experiências e conhecimentos que possuímos. Muitas vezes é necessário termos experienciando algo ou pelo menos alguém a quem amamos ter experienciando para podermos fazer o justo valor sobre algo. Porque se ficarmos na superficialidade da situação tenderemos a analisar as coisas ou como Escribas, muito conhecedores da Lei, mas pouco experienciados; ou como os Fariseus, que quem muitos momentos até já vivenciamos o ocorrido, mas nos é conveniente esquecer e preferimos jogar pecha no nosso semelhante tirando de nós o foco do olhar alheio.

E termo singular Ele diz: “Aquele que estiver sem pecado, atire a primeira pedra.” Neste momento, Jesus novamente abaixa-se e como alguns ainda persistiam em ignorar a própria consciência, ele escrevinhar, no chão, palavras significativas: ladrão, avaro, déspota, etc. As pessoas começam a sair. Sendo os mais velhos primeiro. Entendendo os mais velhos neste trecho como os mais experientes, os mais vividos. Neste momento, acabam por deixar Jesus e a mulher sozinhos. Porque nenhum de nós está livre de experiências desairosas. O que nos falta é fazer ao outro o que desejamos para nós. Agir com a mesma misericórdia e condescendência que desejamos ser tratados. Sendo diferente de conivência.

Tanto é verdade que quando Jesus se vê a sós com a mulher utiliza-se desse momento para educá-la nos princípios da verdadeira caridade, mas também nos princípios da responsabilidade perante a assunção de seus atos. Após Jesus levantar-se pergunta se ninguém a havia condenado, como era o costume. Ela afirma que não. Jesus encerra a lição dizendo que Ele não a condenaria. Sendo para nós o modelo mais perfeito que Deus nos conferiu, poderia Ele neste momento, já que estava a sós com ela proceder a um julgamento moral, mas Ele não o faz, pois sabe que todos somos regidos pelo Tribunal da Consciência.

Encerra a conversa com uma afirmação: “Vai-te e de futuro não tornes a pecar.” Não é porque erramos (pecamos) uma vez que deveremos permanecer no erro. A escolha é sempre nossa, corrigir o roteiro ou permanecermos errados. A orientação sempre nos será dada, a motivação e o retorno à estrada do bem pertence ao nosso direito de escolha, ao nosso livre arbítrio. Mesmo sabendo que poderia aproveitar o momento e fazer uma reprimenda a mulher, Jesus aproveita a oportunidade para mostrar o caminho, para indicar-lhe que sempre temos alternativas em nossas vidas, basta querermos enxergar.

Tribuna Espírita – maio/junho 2017

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