A boa semente

Deixe um comentário

Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com

“Todo ideal de dignificação humana encontra opositores que, às vezes, tornam-se inimigos cruéis e se transformam em vítimas de Espíritos maldosos, que os induzem ao antagonismo e desejam destruir tudo quanto não quiseram nem querem conquistar na vilegiatura da carne.

Ao mesmo tempo, mantivemos contato com outros grupos encarregado de labores especiais. Muitos deles defrontavam reações severas, através de difamação, de acusações publicadas pelas redes sociais em desafio para desmoralizarem médiuns, expositores e instituições. Organizações respeitáveis eram caluniadas com prazer, olvidando-se os benefícios oferecidos aos seus residentes muito necessitados, sobretudo de amor e de ternura que lhes são ministrados, além dos básicos como alimentação e demais. Mordidos pela inveja e pelo despeito, pela competição doentia na sua jactância, nada faziam. Ociosos, com tempo bastante para perturbar, geravam difícil luta com os verdadeiros trabalhadores do Evangelho que saíam sempre vitoriosos, desde que todo aquele que segue Jesus termina por encontrá-lO.”[1]

Em O Livro dos Médiuns, capítulo 23(vinte e três) Kardec, deu-nos a oportunidade de estudarmos a Obsessão. Analisarmos o que ela vem a ser e entendermos como ela se faz em campo de atuação na vida da criatura humana.

Estamos encarnados com o propósito de evoluirmos. A criatura humana afeita ao entendimento dos preceitos evangélicos compreende que a evolução não se processa de súbito na reencarnação, nem tão pouco ocorre de sobressaltos. Representa-se através de trabalho árduo de modificação interior e mudança de conduta perante a construção de quem éramos para quem desejamos ser.

Neste processo, deparamo-nos com fatores exógenos no processo. São aqueles que de sobressalto envolvem a sociedade e neste momento, a sociedade como o todo: a Pandemia. Mais ao lado da pandemia viral, temos outra que já se alastra de há muito e vem nos envolvendo de forma sutil, anteriormente, e agora de forma agressiva: a Pandemia Obsessiva.

A criatura humana estamos imersas nesse processo de vibrações trocadas com os nossos semelhantes. Vivenciamos as agruras de imersões psicológicas inimagináveis a algum tempo e por estarmos vivendo este processo acelerado de aprendizagem constante, permitimo-nos estabelecer ligações mentais e espirituais com outras criaturas, encarnadas e desencarnadas que vibram no mesmo teor de pensamentos e sentimentos que estamos emitindo. Está neste momento criado o vínculo espiritual.

Ao lado disto, criaturas dispostas a retardarem os passos do progresso espiritual trabalham incessantemente para que isto não ocorra. Atacam instituições e trabalhadores espíritas, menoscabam obras de cunho religioso para que sofram abalos e que não possam dar continuidade, realizam interferências na psicosfera familiar dos que se dedicam a lide espírita que este esmorejem e desistam da obra abraça. Por fim, envenenam os trabalhadores uns contra os outros para que ajam dissenções entre eles e a instituições sejam fechadas.

Mas onde estão os bons espíritos neste momento? No mesmo lugar que estiveram antes: ao nosso lado. Mas semelhante a parábola da boa semente que algumas caíram em lugares diversos que não conseguiram germinar, a semente que deverá germinar será a do nosso entendimento e do desejo de prosperar diante das intempéries que estamos vivenciando para encontrarmos Jesus, pois todos aqueles que O desejarmos, iremos encontrá-lO.

Não é de se assustar que estejamos vivendo, semelhante a Pandemia Viral uma Pandemia Espiritual Obsessiva. Temos que nos modificar como criaturas, para que em solucionando a Espiritual ou minorando pelo menos possamos sanear ou neutralizar a viral. A criatura avançou muito no terreno do entendimento da tecnologia. Precisamos avançar no terreno do amor e de suas filhas: caridade, perdão, etc.

Que nós trabalhadores da lide espírita não nos permitamos retardar em nossos passos. Lembremos sempre do Mestre Jesus. Lembremos dos ensinamentos dos Espíritos e das orientações contidas nas Obras da Codificação, em especial, no Livro dos Médiuns, no capítulo já citado. Tais ataques sempre aconteceram, agora com mais ênfase em virtude de tudo que estamos vivenciando. Que possamos utilizar das ferramentas da oração, do Evangelho no Lar para permanecermos firmes.

Após a noite tumultuada o sol voltará a brilhar. Que não sejamos semelhantes as sementes que caíram à beira do caminho, mais iguais caíram em terra boa, e produziram à base de cem, de sessenta e de trinta frutos por semente.[2]Temos a informação, que possamos utilizar o conhecimento da razão para não nos permitirmos envolver por forças deletérias que nos turvem a visão e nos conturbem os passos. Jesus continua até hoje a orientar os passos que possamos seguí-lO até o fim!

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – NOVEMBRO 2021


[2] Mateus, 13-23

[1]  Livro: No Mundo de Regeneração, cap. 18, Movimentação Bem Coordenada. Psicografia de Divaldo P. Franco, Autoria Espiritual de Manoel P. de Miranda.

Dai a Cesar o que é de Cesar

Deixe um comentário

Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com

“Os fariseus, tendo-se retirado, entenderam-se entre si para enredá-lo com as suas próprias palavras. – Mandaram então seus discípulos, em companhia dos herodianos, dizer-lhe: Mestre, sabemos que és veraz e que ensinas o caminho de Deus pela verdade, sem levares em conta a quem quer que seja, porque, nos homens, não consideras as pessoas. Dize-nos, pois, qual a tua opinião sobre isto: É-nos permitido pagar ou deixar de pagar a César o tributo? Jesus, porém, que lhes conhecia a malícia, respondeu: Hipócritas, por que me tentais? Apresentai-me uma das moedas que se dão em pagamento do tributo. E, tendo-lhe eles apresentado um denário, perguntou Jesus: De quem são esta imagem e esta inscrição? – De César, responderam eles. Então, observou-lhes Jesus: Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. Ouvindo-o falar dessa maneira, admiraram-se eles da sua resposta e, deixando-o, se retiraram.[1]

Ao lermos esta passagem lembramos do capítulo intitulado Fidelidade a Deus, do livro Boa Nova[2]. Numa dessas passagens emblemáticas das parábolas de Jesus, vemos os fariseus da época em procura de deteriorar a mensagem Crística divulgava. Procuravam de alguma maneira envolver o Mestre Jesus desacreditando-o perante os que o circundavam. Fazendo assim, que não somente Ele caísse em erro, mas abalar a fé dos outros e assim enfraquecer as crenças particulares do que ali estavam.

Em terreno de descrença, ainda não podemos nos dizer plenamente convictos de nossa fé, pois ainda está se estruturando baseada nas experiências vividas e nos conhecimentos adquiridos. Quando pessoas que temos como exemplos dessa mesma fé são colocadas em “xeque”, indiretamente, também nos sentimos colocados. Quando somos nós as criaturas testadas por estas desavisadas da moral Crística, comparamos a criatura velha que habita em nós com este momento atual que estamos vivendo. Momento de mudança, renúncia e aprendizado, mas que ainda pendemos em alguns momentos para quem fomos antes.

A educação constitui-se na aplicação de novos hábitos adquiridos, os quais surgem através dos exemplos, do conhecimento e da experiência vivenciada. A verdade de Jesus ultrapassa as cascas exteriores que possuímos. Ele enxergava não o exterior do homem, mas o que havia em nosso interior. Quem éramos de verdade, não os títulos que possuímos, nem a aparência que possamos ter. enxergava mais além, a verdade que trazíamos interiormente. O esforço que fazíamos e as lutas internas que possuíamos.

Ao ser questionado sobre o pagamento de tributo, era convidado a avaliar sobre a necessidade de se pagar algo que para todos era injusto ou se rebelar contra esse fato e não cumprir com a Lei em voga naquele momento. Questão singular que vivenciamos diariamente em nossas vidas de relação. Somos convidados a fazer juízo de valor diariamente sobre o que é correto ou não fazer. Sobre o que é moral ou imoral de executarmos. Em meio espírita também não poderia ser diferente.

Quando somos palestrantes, dirigentes de trabalhos ou da própria instituição a qual frequentamos, somos convocados a fazer juízo de valor entre o certo e o errado perante a Lei dos homens. Não deixando de esquecer o que a Lei e moral evangélica instituída por Jesus nos orienta. Conhecendo a malícia humana não tanto quanto Jesus o conhecia deveremos analisar o que está sendo ofertado como pergunta ou exigência de comportamento naquele momento.

A semelhança do Mestre que pedia uma das moedas para analisar, não tenhamos pressa em valorar o que está sendo nos mostrado naquele momento. Adicionando uma informação trazido em Humberto de Campos[3]: “Tudo na vida tem o preço que lhe corresponde.” A grande questão a analisar não é momento presente que constitui-se num fato, mas no encadeamento dele em nossas vidas, como criaturas eternas que somos.

Se colocamos demasiado valor nas situações transitórias como riqueza, beleza e poder, não importando onde estejamos, a qual agrupamento pertençamos ou qual o trabalho que estejamos executando, elas serão mais importantes do que o todo que corresponde a nossa vida. “Nos dias de calma, é fácil provar-se fidelidade e confiança. Não se prova, porém, dedicação, verdadeiramente, senão nas horas tormentosas, em que tudo parece contrariar e perecer.”[4]

Vivermos no mundo num processo de burilamento interior, em busca da verdade irrefutável do ser imortal que somos. Entendendo que os fatos ocorridos servem para nos solidificar no processo espiritual, tendo a certeza que a passagem não pode ser superior a caminhada inteira. Seremos convidados a renunciar ao que já vivenciamos, não em integralidade ainda, mas já vivenciámos. Seremos convocados a desistir desta obra de renovação íntima, mesmo que ainda estejamos no princípio. Seremos enfim agredidos e insultados, somente por não pronunciarmos o mesmo pensamento que esteja em voga. Ajamos como o Mestre Jesus, dando aos valores transitórios o seu real valor e analisando sob o prisma das verdades espirituais em tudo. Enfim, sendo fieis a Deus em todos os momentos de nossas vidas.

JORNAL O CLARIM – NOVEMBRO 2021


[1]  MATEUS, cap. XXII, vv. 15 a 22. – S. MARCOS, cap. XII, vv. 13 a 17.

[2] Capítulo 6, autoria espiritual de Humberto de Campos, psicografia Chico Xavier

[3] Capítulo 6, autoria espiritual de Humberto de Campos, psicografia Chico Xavier

[4] Idem

Conversão

Deixe um comentário

Conversão

Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com

“Em dado instante, todavia, quando mal despertara das angustiosas cogitações, sente-se envolvido por luzes diferentes da tonalidade solar. Mas a confusão dos sentidos lhe tira a noção de equilíbrio e tomba do animal, ao desamparo, sobre a areia ardente. A visão, no entanto, parece dilatar-se ao infinito. Outra luz lhe banha os olhos deslumbrados, e no caminho, que a atmosfera rasgada lhe desvenda, vê surgir a figura de um homem de majestática beleza, dando-lhe a impressão de que descia do céu ao seu encontro. Sua túnica era feita de pontos luminosos, os cabelos tocavam nos ombros, à nazarena, os olhos magnéticos, imanados de simpatia e de amor, iluminando a fisionomia grave e terna, onde pairava uma divina tristeza. O doutor de Tarso contemplava-o com espanto profundo, e foi quando, numa inflexão de voz inesquecível, o desconhecido se fez ouvir: — Saulo!… Saulo!… por que me persegues?[1]

O então ainda Saulo de Tarso, doutor da Lei, conhecedor das escrituras encontra-se no momento mais decisivo da sua encarnação. Já havia vivenciado o momento de aprendizagem com Estevão, o qual não aproveitou; o momento de aprendizagem com Abigail, sua noiva, o qual também não aproveitou; necessitando do encontro com o Mestre Rabi na estrada de Damasco para então haver a conversão de Saulo em Paulo de Tarso.

O então Saulo, encontrava-se revoltado pelo desenlace físico da sua noiva, creditava que por que ela deixou-se envolver pela mensagem do crucificado e por ter ouvido a mensagem dos frequentadores da Casa do Caminho, ela havia mudado de comportamento e por isso, em síntese, ela havia desencarnado. Creditava, ainda, a Ananias, a responsabilidade, pois este era o decodificador da mensagem para a jovem Abigail.

Coisa singular, ocorre conosco após deixarmos velhos hábitos para trás. Abandonamos antigas companhias, deixamos de ter determinadas conversações, adquirimos outro proceder. Enfim, ocorre uma mudança de proceder em quem somos. Isto choca alguns, irrita outros e fascina alguns. Dentre tais criaturas, existem os que nos ladeiam a encarnação. Estes, podem assumir a postura de apoio ou simplesmente ignorar a nossa mudança, creditando os dissabores da nossa encarnação a mudança de conduta, esquecendo-se que dissabores, tristezas e amarguras, iremos possuí-las todos, independente do guante religioso que abracemos.

O que sim, irá diferenciar é a forma como iremos vivenciar a experiência em virtude da fé religiosa que abracemos teremos maior ou menor entendimento e consequentemente maior ou menor resignação diante dos fatos. Quando estamos entorpecidos pelo ópio do ódio, da inveja, do ciúme e de tantos outros vícios e nos afastamos das virtudes que já se fazem presentes em nós, acreditamos que os outros são responsáveis pela nossa desdita. Porque pessoas amadas vão embora de nossas vidas ou porque, enfim, passamos por determinadas situações. Alguns de nós, revoltamo-nos perante a Lei. Desejamos fazer justiça pelas próprias mãos alegando que temos o direito: Pois “… uma coisa é estudar a Lei e outra é defender a Lei.”[2]

Com o passar do tempo, muitas vezes, sem nos apercebermos, tornamo-nos censores severos dos nossos semelhantes por nos acreditarmos como os guardiães fies da Lei de Deus. Esquecendo-nos de observarmos a nós mesmos diante da própria Lei que comungamos. Não basta parecermos, é necessário sermos. Em muitas ocasiões, procuramos aplacar a nossa consciência de culpa diante do que fizemos de errado, semelhante a Saulo, que procura aplacar a sua consciência de culpa perante Abigail, por tê-la abandonado e por ter sido algoz de Estevão, este segue em busca Ananias, o culpando por algo que ele não era responsável. Quantas vezes também não agimos desta forma e culpamos os outros por atos que somos nós quem os causamos?

No desejo de aplacarmos esta consciência que nos lembra da nossa responsabilidade perante atos passados desta ou de outras encarnações tornamo-nos vigias ciosos da Lei em detrimento do comportamento alheio esquecendo-nos da nossa própria conversão. Ato contínuo, a própria Lei a qual defendemos materializa-se através de uma Luz tão clara que nos faz enxergar sem contradita a verdade e executamos o movimento de conversão, de volta para o princípio, para podermos regularizar a meta traçada. Pois a Lei é correta, a forma como estamos interpretando e aplicando está equivocada.

A semelhança de Saulo, que não compreende o que ocorre diante de Jesus, num primeiro momento, também nos sentimos perturbados diante de tamanha Luz a nos envolver. Momento chega, após a conversão, que não mais seremos a criatura antiga, não seremos mais Saulo, mas sim, Paulo, pronto aos testemunhos da encarnação. Nos quais nos depararemos com criaturas que antes aplaudiam o nosso comportamento deturpado perante a Lei, pessoas que nos ladeavam o comportamento e outras que detestavam o que faziam, mas temiam-nos as atitudes; zombarem de nós e acreditarem que nos tornamos fracos, quando nos tornamos mais fortes.

Pois entendemos que forte é aquele que sai de si e cresce como criatura, passando a enxergar as outras pessoas. Os sentimentos de solidariedade e gentileza caminham junto com a Lei. A verdade da mensagem forma a tríade de Justiça, Amor e Caridade vivenciada por Jesus. Passamos a entender que mais do que palavras o exemplo será a melhor forma de ensinar ao outro a Lei.

No livro em pauta, Jesus orienta o Saulo a ir para Damasco aguardar ajuda, pois naquele momento, a luz foi tão intensa, que ele ficou sem enxergar. Após o decorrer dos dias, necessários para a reflexão, quem vem restituir-lhe a visão material é Ananias. Mesmo sabendo que poderia ser preso e maltratado pelo antigo Saulo. Exemplifica através da prática do perdão o testemunho do amor em ação.

Mãos amigas também nos conduzem os passos, enviados pelo Mestre Jesus, limpam-nos os olhos da cegueira espiritual. Restituem-nos os passos no caminho reto do bem. Encaminham-nos para seguir-nos no único e seguro meio de chegarmos a perfeição relativa que nos é proporcionada. Momento chegará que também olhos desconfiados nos fitarão não acreditando na nossa conversão. Que importa, a exemplo do já Paulo de Tarso? Que perseveremos em nosso propósito!

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – OUTUBRO 2021


[1] Livro Paulo e Estevão, psicografia de Chico Xavier, autor Emmanuel, Primeira Parte, cap. 10

[2] Idem

Escândalos

Deixe um comentário

Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com

“O escândalo tem várias causas endógenas e exógenas. As primeiras decorrem do passado espiritual de cada qual, que resultam do desequilíbrio em forma de agressividade e poder investidos contra os demais, dando lugar a situações deploráveis. As exógenas são decorrência da educação doméstica, do meio social em que se desenvolveu e estruturou a personalidade, ou dos vícios que levam à alucinação, como o álcool e as substâncias aditivas.

Vive-se, na Terra, um período de agressividade, de despautério, de morbidez, que não tem como ser silenciado. De tal maneira se repetem os fatos censuráveis que, de alguma forma, alguns deles adquiriram cidadania social, gerando aceitação com certa naturalidade. Na linguagem, as palavras chulas tornaram-se comuns e expressam vulgaridade que se permitem as pessoas que se deveriam comportar corretamente.[1]

Joanna de Ângelis apresenta-nos um verdadeiro tratado explicativo sobre o que, nos dias atuais, vem se tornando escândalo. O Evangelho Segundo o Espiritismo[2] nos fala sobre o assunto, mostrando-nos que o escândalo representa o mal moral da criatura humana, independente de chegar ao conhecimento dos outros, é um processo intrínseco da nossa consciência.

De que vale ao homem o conhecimento da vida futura se dentre as possibilidades de aprendizado e evolução o ser humano escolhe ser escolho moral do semelhante? Não necessitamos ser maus para contribuir no processo evolutivo do outro, a maldade traduz-se nos atos ofensivos que utilizamos contra o outro. Nisso a Lei de Afinidade se estabelece e o outro, necessitando ultrapassar as barreiras da ignorância moral, aproveita desta oportunidade para executar na prática a teoria adquirida.

Isto não significa que o ser humano não teria outras formas de aprender, mas constituindo-se o Planeta Terra na condição atual de provas e expiações, necessitamos ainda deste processo doloroso de aprendizado. Aprendemos na prática o que a teoria espírita nos ensina. Ensina-nos a perdoar aqueles que nos fazem mal, a amar mesmo os inimigos, a ter paciência, tolerância e perseverança no bem. Ensina-nos enfim, a sermos um homem de bem[3].

Estar encarnado constitui-se na oportunidade de mudarmos a condição anterior. Mas alguns preferem atuar de forma destrutiva para o outro e consigo mesmos. Fazendo o mal como forma de fazer prevalecer o que ainda a criatura anela no seu interior. Produzir abalos e destruições nos que circundam no desejo ardente que todos vivenciem a própria turbulência moral que a criatura vivencia interiormente.

Neste processo, mesmo aqueles que se colocam como paladinos da verdade e da justiça sofrem pelo mal moral que produzem em virtude das substâncias deletérias emanadas desde do momento que a criatura elabora o mal que irá produzir a té a concretização do fato. Mesmo que não tenha sucesso no intento, mas a criatura em si já vibra e respira o mal moral desejado ao semelhante.

Todos estamos num processo de reajuste com a Lei Divina. Nenhum dos filhos do Pai fugirá ao encontro com a Lei. Mesmo que as torpezas das paixões toldem a visão espiritual da criatura, não tardará o momento do encontro consciencial da criatura com ela mesma tendo a Lei como nivelador do justo ou injusto a fazer, para que a criatura alce o mais alto, necessita ultrapassar os vícios morais existentes na própria criatura.

Não estamos fadados a viver o mal eternamente. De eterno temos Deus a nos reger a vida e permitir que evoluamos de acordo com o nosso entendimento moral dos fatos e das situações vivenciadas. Ultrapassando o pórtico plasmado nesta e em outras encarnações, vivenciaremos o processo de transladar de uma para outra faixa moral em detrimento das boas escolhas que fazemos e da resignação dos atos ou omissões do outro perante a nossa encarnação.

A criatura não alça o mais alto patamar da evolução sem ultrapassar a si mesmo e crescendo em virtude da experiência do amor em nossas vidas e na vida do próximo, viveremos de forma a compreender a Lei em toda a sua integralidade. Não nos bastará mais o processo ruidoso que vivenciamos agora, necessitaremos viver a Paz que o Mestre Jesus nos ofertou e que por necessidade evolutiva ainda não alcançamos. Não tardará nos encontraremos todos compreendendo que para evoluirmos não necessitamos fazer mal ao outro e consequentemente a nós mesmo.

Ao trazer-nos afirmações como esta: “… valores morais cedem lugar aos subornos quase legais, e as grandes responsabilidades ficam à margem para se transformarem em infrações em alucinados conciliábulos de desonestidade, furto, dissimulações….”[4] Joanna de Ângelis mostra-nos o quanto temos necessidade de nos esforçarmos. Se vos dizeis espíritas, cede-o[5], já nos fala o Evangelho. Não nos esqueçamos dos ensinamentos do Mestre e dos Espíritos. Não nos permitamos ser esse algoz do semelhante, sejamos nós a mão que se estende ao sofrimento alheio.

E se estivermos vivendo o processo de perseguição na carne por seres encarnados ou desencarnados, rejubilamo-nos por termos a certeza que estamos mais próximos da chegada do que da partida no processo de aperfeiçoamento moral. Nada acontece por acaso, que tenhamos em mente a figura excelsa de Jesus, mesmo sabendo que seria traído no Jardim das Oliveiras, não recuo no seu propósito de exemplo moral para todos nós.

JORNAL O CLARIM – OUTUBRO 2021


[1] Livro Vidas Vazias, capítulo 7 – Escândalos, psicografia de Divaldo Franco, autoria espiritual de Joanna de Ângelis.

[2] Capítulo VIII, itens 11 a 17

[3] Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo XVII, itens 01 a 03

[4] Livro Vidas Vazias, capítulo 7 – Escândalos, psicografia de Divaldo Franco, autoria espiritual de Joanna de Ângelis.

[5] Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo X, item 14

O óbolo da viuva

Deixe um comentário

Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com

“Estando Jesus sentado defronte do gazofilácio, a observar de que modo o povo lançava ali o dinheiro, viu que muitas pessoas ricas o deitavam em abundância. – Nisso, veio também uma pobre viúva que apenas deitou duas pequenas moedas do valor de dez centavos cada uma. – Chamando então seus discípulos, disse-lhes: Em verdade vos digo que esta pobre viúva deu muito mais do que todos os que antes puseram suas dádivas no gazofilácio; – por isso que todos os outros deram do que lhes abunda, ao passo que ela deu do que lhe faz falta, deu mesmo tudo o que tinha para seu sustento.[1]

Estar encarnado constitui-se a maior prova de amor que Deus poderia nos dar. Permitindo-nos fazer as escolhas que nos apraz e orientando-nos, através dos seus anjos tutelares, o caminho que deveremos seguir até alçarmos a perfeição relativa que nos é permitido alcançar. No processo evolutivo da criatura humana nos dispomos a escolher o caminho baseados nos exemplos que nos são mostrados, a exemplo da passagem da viúva.

Conta-se que um jovem rapaz desejava alcançar o mais alto patrimônio que um homem poderia amealhar na Terra. Para isso trabalhou muito. Acordava mais cedo que todos e ia dormir depois do último homem honesto da Terra. Fez isso até conquistar o que desejava. Mas isto só ocorreu quando ele se encontrava em idade avançada. Para conquistar o que desejava ele abriu mão dos amores, das amizades e tudo que sustentam a criatura humana no processo evolutivo e quando as forças físicas falham, ele desencarnou.

Nós evoluímos através das duas asas: do conhecimento e do amor. E das expressões emanadas delas: do conhecimento, temos o trabalho, o desenvolvimento intelectual, a disciplina, a assiduidade, etc; do amor, temos a caridade, a fraternidade, o perdão, etc. todas às vezes que enfatizamos o desenvolvimento de uma asa deixamos em desequilíbrio a outra. E o ser espiritual que alça a evolução Crística, encontra no equilíbrio espiritual a força motriz que liga e sustenta o conhecimento e o amor.

Ao chamar a atenção dos discípulos para o povo que lançava o dinheiro na caixa de donativos, o Mestre demonstrava que nem todos aqueles que possuem o valor aquisitivo financeiro ou do saber ou qualquer outro que traga o significado de superioridade aquisitiva sobre os semelhantes, também possuem a forma correta de entreguá-los. Pois que para se desvencilharem da obrigação, lançavam as moedas que possuíam em abundância. Eles tinham, verdade seja dita, mas não sabiam compartilhar.

Em contraponto, apresenta-se uma viúva, o sinônimo de uma criatura sozinha e desamparada, que pela própria situação que si apresentava, poderia negar-se a ajudar se fosse instada a fazer. Ela não somente de escolha própria o faz sem precisar ser provocada, como também deitava as moedas, num sinal de profundo envolvimento pelo ato de amor que está fazendo, entregando um pouco de si no próprio ato de dar, doando-se em amor ao próximo, não importando o próximo que o fosse, pois ela não conhecia.

Outro ponto a ser destacado na passagem são os valores repassados a caixa de donativos. Os mais ricos, lançavam em abundância; a viúva, deitou do pouco que possuía. Mais o importante não é a quantidade do que fazemos, mas como fazemos e o nossos envolvimento naquilo que fazemos. o amor que dedicamos e a importância que damos para o trabalho que estamos desenvolvendo em prol do outro.

Em trabalhos de caridade e assistência ao próximo e nas próprias Instituições Espíritas reconhecemos criaturas com grande potencial contributivo de ajuda ao semelhante que se escusam de fazê-lo pelo orgulho que possuem e justificam que não são capazes deste ou daquele trabalho, mas em realidade são incapazes de comportarem-se igual a viúva. Mesmo tendo pouco a oferecer, não querem vivenciar o processo de aprendizado e se exporem aos olhos alheios. Aprenderem a medida que estão executando, pois também constitui-se num processo de aprendizado que não findamos em concluir. Por isso, disse-se que o primeiro beneficiado é aquele que doa.

Fazermos algo somente quando temos condições de lançarmos em abundância os nossos donativos ainda demonstra a infantilidade da criatura humana que deseja ser vista e admirada por todos os que estão ao redor. Vejam como sou bom! Vejam como sou o melhor passista da casa, o melhor médium, o melhor palestrante! Enquanto, que o palestrante, passista, médium regular, mas perseverante, que oferece o seu óbolo, oferecem o que que há de melhor em si, aprendendo e melhoram-se a medida que executam se assim o desejarem.

A medida que nos aperfeiçoamos, aperfeiçoamos o trabalho que executamos em qualquer vertente a qual estejamos vinculados. Quantas vezes nos reinventamos em virtude do conhecimento adquirido. Que bom que isso ocorre, significa que estamos evoluindo, se nada mudasse, significaria que estávamos estagnados em conhecimento, uma das asas importantes para a evolução plena.

Dia chegará, que o desprendimento existirá em nós de tal maneira, que não mais teremos necessidade de analisar se este ou aquele comportamento está de acordo com os passos do Mestre, estaremos vivendo nos passos do Mestre. Pois ele mesmo nos afirmou: “Digo a verdade: Aquele que crê em mim fará também as obras que tenho realizado. Fará coisas ainda maiores do que estas, porque eu estou indo para o Pai.”[2]

Jornal O Clarim – Setembro 2021


[1] MARCOS, cap. XII, vv. 41 a 44. – LUCAS, cap. XXI. vv. 1 a 4.

[2] João, cap. 14, v 12

A Força Criadora do Pensamento

Deixe um comentário

Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com

“Tudo quanto acalentamos nas nascentes do ser, o pensamento, passa a ser de interesse inadiável, mesmo que disfarcemos, evitando que o exterior revele o ser real que está oculto. Nas experiências do erro e do acerto, seleciona-se por automatismo o melhor, aquilo que propicia a felicidade. Em decorrência da fixação mental, vão-se plasmando no modelo organizador biológico ou perispírito, muito plástico, constituído de energia muito especial, as formas que serão assumidas pelo Espírito em próxima oportunidade de reencarnação. Toda forma é precedida por um modelo que lhe expressa o desejado, que se vai adaptando ao que lhe corresponde na mente. O planejamento é do Espírito que emito a onda mental e em contato com o ectoplasma consegue modelá-lo com os seus elementos semimateriais ou mesmo físicos.[1]

Já dizia Mateus que onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração[2], ao proferir esta afirmação, ele não imaginava a verdade que estava proferindo. Somos aquilo que pensamos, mesmo que mascaremos aquilo que pensemos, plasmamos em nossos derredor aquilo que tentamos ocultar. Da mesma maneira que influenciamos a nós mesmos também influenciamos o ambiente que estamos. Formando uma união simpática e harmónica ou dissociada de fluídos dos presentes.

As criaturas, elaboramos na mente aquilo que somos e o que iremos vivenciar. Desenvolvemos as nossas experiências de acordo com aquilo que nós pensamos traduzido em desejos que são frutos dos nossos hábitos adquiridos em virtude dos automatismos decorrentes das experiências repetidas ao longo das reencarnações. Mudando a matriz: o pensamento criador, mudamos a forma de agir. Parece fácil, mas não é, pois deparamo-nos com um cabedal de experiências já vivenciadas que nos moldam e fazem-nos executar de tal maneira e não de outra. Sendo este o movimento que deveremos fazer, modificar a partir de agora para não mais fazermos.

A mudança realiza-se em primeiro lugar é na área psíquica. Por isso, é tão difícil, mas não impossível. A criatura desvincular-se dos vícios de fumar, beber, comer de mais e tantos outros e não estamos falando aqui das associações de entidades que também se vinculam as criaturas portadores destes vícios. Estamos falando do processo físico e mental que a criatura necessita alterar para deixá-los. Iniciando-se o processo com uma terapêutica de “choque” para equilibra-se fisicamente, a principio a criatura, necessita-se curá-la espiritualmente em sequência, pois se isto não for feito, a criatura, viverá de terapêutica de “choque” em terapêutica de “choque”.

O pensamento bem direcionado, sendo esta uma das buscas da criatura humana, leva-nos a uma grande força criadora com relação a nós mesmos. Somos capazes não só de transportarmos as montanhas da ignorância, mas de sairmos da fase que nos encontramos e ultrapassarmos as barreiras morais inferiores e caminharmos para faixas superiores de elevação moral. Transformarmos o campo das formas que nos circundam através da força criadora que existem em nós. O pensamento bem direciona impulsiona o ectoplasma, no qual estamos mergulhados, fazendo-o movimentar-se como elemento de consecução e construção.

Em virtude não só do que estamos pensando, mas também do que fazemos, pois o fazer também se constitui o ato de pensar em ação, a criatura plasma no perispírito, matéria maleável, aquilo que irá lhe constituir o arcabouço de experiências futuras. Então, não basta pensarmos bem, é necessário, agirmos bem. Para que na ação o pensamento movimente-se de maneira exata moldado e envolvido no que foi emito pelo Espírito pensante.

Dia virá que a criatura humana não mais terá necessidade de comunicar-se através do corpo somático. As conversas serão mente a mente. Dominaremos a força criadora do pensamento e conseguiremos nos expressar tão como somos, sem termos necessidade de subterfúgios e em muitos casos, mascararmos os nossos pensamentos de nós mesmos. A criatura busca em muitas situações fingir que não pensa o que pensa, que não sente o que sente e que não age como age. Acreditando que desta forma, não deverá se reajustar com a Lei Divina.

“Onde está escrita a lei de Deus? ‘Na consciência.’”[3] Todos nós detemos o Gene de Deus em nós. Por mais que pensemos de forma desajuizada este pensamento invariavelmente passa pelo filtro da consciência. Não podemos esquecer desse fato. Deus está em nós porque a Sua Lei está grafada em nossa consciência, por mais que o véu do esquecimento não nos permita compreender no todo, temos a intuição e isto nos permite caminhar para a verdade absoluta direcionando o pensamento para o correto e o justo.

Mais uma vez nos deparamos com a escolha para a criatura humana. Em espiritismo não existi o proibitivo. Em cristianismo não existe o proibitivo. Em ambos não existe o pecado. Existe a responsabilidade perante os seus atos. Por isso, ao pensarmos algo que foge ao que está conforme a Lei, deixamos marcas no perispírito. Antes de fazermos mal ao outro, através do pensamento, estamos fazendo a nós mesmos, não só porque nos imantamos por substâncias deletérias, mais porque nos “grafamos” de tais pensamentos. Momento chegará que a criatura olhará para outra e enxergará não a constituição somática, mas o que está grafado no perispírito. Seremos vistos de forma mais transparente. Isto não ficará adstrito somente aos médiuns videntes, mas a todos que estaremos constituindo um mundo que as barreiras físicas não constituíram empecilho para enxergarmos que somos em integralidade.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – setembro 2021


[1] Livro No Mundo de Regeneração, psicografia de Divaldo P. Franco, autor Manoel P. de Miranda, cap. 13

[2] Mateus, 6:21

[3] Livro dos Espíritos, questão 621

Older Entries