Princípios evangélicos

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Waçkiria Lucia Araujo Cavalcante

“Medita estas coisas, ocupa-te nelas para que o teu aproveitamento seja manifesto a todos”. – Paulo. (I Timóteo, 4:15.).

Os princípios evangélicos são as normas que conduzem e orientam os seguidores de qualquer religião. Mas o entendimento dogmático da mensagem nada tem a ver com a mensagem de transformação moral que o Cristo nos trouxe. Associando-se o capítulo XV – Fora da Caridade Não Há Salvação, do Evangelho Segundo o Espiritismo com o capítulo159 – Aprendamos, no entanto… do livro Palavras de Vida Eterna de autoria espiritual de Emmanuel e psicografia de Chico Xavier trazer a ideia que mais importante que as práticas ritualísticas é a transformação que a criatura promove em si e acaba por influenciar ao semelhante em contato com a mensagem trazida por Jesus.

Jesus não veio implantar uma religião, mas traz aos corações humanos o sentido de religiosidade. Pregava àqueles que ninguém queria pregar, estava com quem ninguém queria estar, falava do que ninguém gostava de falar. Esta polidez evangélica, que até os dias atuais prevalece, que prefere mascarar a dor humana para não ter que trata-la, Ele trazia à tona, para poder trata-la. Conhecia o não dito pelo ser humano e ia ao encontro das mazelas humanas. Era desta religiosidade, deste religare que Ele veio nos falar.

Por isso, a passagem do Samaritano está bem acertada quando vem nos ilustra a questão da caridade. Não importa o título que possuímos, mas o que produzimos em proveito do nosso próximo. Pode parecer simples, mas nos dias atuais, em que muitas campanhas de caridade se vinculam ao movimento espírita, perguntamo-nos, quais delas estamos vinculados verdadeiramente? Ou quantas criaturas, utilizam-se de tais situações como meio de promoção pessoal ou para curar o vazio existencial mascarando suas dores internas?

Entendemos que fazer algo é melhor que não fazer nada. Mas estamos dando um passo a mais no entendimento do que está sendo realizado. Não podemos condicionar a nossa ajuda com um correspondente do outro ao nosso ato. Para que ele seja fiel a nós ou ao nosso credo. Ou tão pouco que a Divindade obrigatoriamente tenha que nos corresponder pelo nosso ato de caridade.

“Um homem, que descia de Jerusalém para Jericó, caiu em poder de ladrões, que o despojaram, cobriram de ferimentos e se foram, deixando-o semimorto. – Aconteceu em seguida que um sacerdote, descendo pelo mesmo caminho, o viu e passou adiante. – Um levita, que também veio àquele lugar, tendo-o observado, passou igualmente adiante. – Mas, um samaritano que viajava, chegando ao lugar onde jazia aquele homem e tendo-o visto, foi tocado de compaixão. – Aproximou-se dele, deitou-lhe óleo e vinho nas feridas e as pensou; depois, pondo-o no seu cavalo, levou-o a uma hospedaria e cuidou dele. – No dia seguinte tirou dois denários e os deu ao hospedeiro, dizendo: Trata muito bem deste homem e tudo o que despenderes a mais, eu te pagarei quando regressar. Qual desses três te parece ter sido o próximo daquele que caíra em poder dos ladrões? – O doutor respondeu: Aquele que usou de misericórdia para com ele. – Então, vai, diz Jesus, e faze o mesmo.”[1]

Muitas vezes estamos mortos segundo a carne. Vivendo “só por viver” como muitos afirmam. Acreditando que a esperança é um termo vão e que não vale mais a pena a encarnação. Defrontamo-nos com os mais variados tipos de pessoas: as religiosas, que pregam de lábios, mas que são frágeis em atitudes; os cultos, que entendem da ciência e da própria religião, mas que não corroboram em atos aquilo que falam. Mas de repente, aparece em nossa jornada, criatura singular, detentora de suavidade nos passos e firmeza no olhar, que nos transmite paz e nos acolhe sem nos perguntar o que desejamos.

Traz-nos o evangelho sem falar do evangelho. É o próprio evangelho em nossas vidas. Vive a singularidade de ser um Cristão mesmo sem ter talvez convivido com o próprio Cristo. Apensa as nossas chagas com o unguento do amor, e nos leva por caminho seguro até a hospedaria do templo onde Deus habita. Faz-nos ver o futuro e a esperança volta a brotar em nós. Não nos pergunta qual a nossa religião, mas demonstra que a dele é a do Cristo.

Para depois, firmes em nossas próprias pernas, possamos caminhar sozinhos. Entendendo que o apoio do outro é substancial em nossa caminhada para prosseguirmos, mas que os passos principais serão dados por nós mesmos. Os princípios evangélicos servem de norteadores neste momento para conduzirmo-nos rumo ao caminho do bem. Entendendo que o Mestre Jesus deu-nos o exemplo e deixou-nos emissários, mas que nunca a forma deverá superar o conteúdo.

Quando se afirma que Fora da Caridade Não Há Salvação, a Doutrina ilumina-nos o horizonte, mostrando-nos acima de tudo o princípio de irmandade que deverá conduzir-nos os passos. Ao ajudar o irmão, estou diminuindo em mim, o orgulho, a soberba e aumentando a empatia, o amor e a bondade. Saio de mim ao encontro do meu próximo e volto a mim, enriquecida do bem que fiz. Por isso, que nossas ações não devem estar pautadas a religião que abraçamos, mas ao sentido de religiosidade que faz a mudança em nós. O outro, não importando a que religião pertença é nosso irmão como também somos irmãos dele. Foi isto que o Mestre nos ensinou, foi isto que o Mestre vivenciou.

Jornal O Clarm – novembro 2019

[1] Evangelho de Lucas, capítulo cap. X, vv. 30 a 37.

Indissolubilidade do casamento

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Walkiria Lucia Araujo Cavalcante

“Também os fariseus vieram ter com ele para o tentarem e lhe disseram: Será permitido a um homem despedir sua mulher, por qualquer motivo? Ele respondeu: Não lestes que aquele que criou o homem desde o princípio os criou macho e fêmea e disse: – Por esta razão, o homem deixará seu pai e sua mãe e se ligará à sua mulher e não farão os dois senão uma só carne? – Assim, já não serão duas, mas uma só carne. Não separe, pois, o homem o que Deus juntou.

Mas, por que então, retrucaram eles, ordenava Moisés que o marido desse à sua mulher um escrito de separação e a despedisse? – Jesus respondeu: Foi por causa da dureza do vosso coração que Moisés permitiu despedísseis vossas mulheres; mas, no começo, não foi assim. – Por isso eu vos declaro que aquele que despede sua mulher, a não ser em caso de adultério, e desposa outra, comete adultério; e que aquele que desposa a mulher que outro despediu também comete adultério.. (MATEUS, cap. XIX, vv. 3 a 9.)

A primeira leitura, o texto pode parecer machista, pois fala-nos da dispensa do homem com relação à mulher. Mas o entendimento deverá ser diverso. Provindo de uma sociedade patriarcal, o poder de desfazimento do laço conjugal estava detido no homem, cabendo a ele o rompimento. Unindo-nos numa só carne, somamos os ideias evolutivos e transmutamos em educação ao fruto da união o somatório de quem somos.

Quando o respeito não faz mais moradia na convivência doméstica e a união não foi baseada no desejo mútuo de progresso, é lícito o desfazimento dos laços não construídos pela Divindade. Emmanuel (espírito), através da psicografia de Chico Xavier, no livro Vida e Sexo, capítulos 6 a 9, traz-nos luz ao entendimento das uniões e serve como balizador do desenvolvimento do nosso pensamento a partir deste momento.

Quando duas criaturas se unem em comunhão sexual, em primeiro lugar, deve-se estabelecer um vínculo de afinidade e confiança, pois além da parte material, existe o que Emmanuel denomina de “circuito de forças” que se estabelece entre as criaturas, no qual ambas de alimentam e retroalimentam psiquicamente destas energias espirituais. Quando há a fuga conjulgal, passa-se a estabelecer um desequilíbrio de forças, engana-se quem acredita que quem fica é que é somente o desequilibrado.

Em toda relação, em especial a conjugal, as bases deverão ser a do respeito e da responsabilidade para com o outro. Respeito para sempre analisarmos e não fazermos aquilo que não desejaríamos que fizessem para conosco e responsabilidade, pois ao vincularmo-nos emocionalmente a outra criatura, estabelecemos um compromisso, que ultrapassa qualquer documento assinado. É antes, um compromisso moral que nos disciplina espiritualmente, mostrando-nos neste pequeno mundo de relação a dois, como deveremos proceder na sociedade.

Fugindo das nossas obrigações conjugais, estamos desconsiderando o outro, mas estamos num processo de desconsideração de nós mesmos. De descompasso com o que assumimos outrora com o parceiro de jornada. Por isso, que adulterar vai mais além de trair. Adulterar é modificar o princípio, o acordo assumido entre as partes. Existem as regras civis, as regras sociais e as regras estabelecidas entre os casais. Quando se adultera, fala-se principalmente destas últimas.

Alegam que as relações profissionais e as redes sociais propiciam a traição. Entendemos que estamos falando do veículo. Seria como culpar a faça por ter cortado a mão. Quem corta a mão é quem empunha a faca. O mesmo equivale para as redes sociais e as relações profissionais. Utilizamo-nos e nos expressamos através deles, mas eles não nos possuem.

A indissolubilidade absoluta do casamento é uma lei humana[1], “O amor, sem dúvida, é lei da vida, mas não será lícito esquecer os suicídios e homicídios, os abortos e crimes na sombra, as retaliações e as injúrias que dilapidam ou arrasam a existência das vítimas, espoliados do afeto que lhes nutria as forças, cujas lágrimas e aflições clamam, perante A divina Justiça, porque ninguém no mundo pode medir a resistência de um coração quando abandonado por outro e nem sabe a qualidade das reações que virão daqueles que enlouquecem, na dor da afeição incompreendida, quando isso acontece por nossa causa.”[2]

Não podemos exigir do outro o que ele é incapaz de nos oferecer. Mas deveremos ter a decência de entender que o outro é um ser humano que merece o nosso respeito e que um dia nos enamoramos dele. O elegemos como parceiro de jornada, mesmo que não seja por toda a encarnação. Que tenhamos a decência de terminarmos da mesma maneira que começamos: com respeito. Respeito ao outro, respeito a nós mesmos. Para que não sejamos cúmplices “…suicídios e homicídios, os abortos e crimes na sombra..”.

A Doutrina “bentida” Espírita nos mostra as consequências dos nossos atos, fala-nos do livre arbítrio e da certeza evolutiva da criatura humana. Que as relações estabelecidas hoje não são fruto do acaso, mas que dependem de nós a forma como as iremos direcioná-las: sendo um calvário de dores ou palmas de flores a nos conduzir rumo à perfeição.

Temos como exemplo a mãe de André Luiz[3]. O Pai dele estava para reencarnar, após período em zona umbralina. A mãe que possuía arcabouço moral e estava em zonas superiores a Nosso Lar, visita-o e informa que irá reencarnar. Diz mais, que ambos quando atingirem a idade adulta irão se reencontrar, consorciar-se e receberem as jovens que foram desencaminhadas pelo pai de André Luiz. As relações conjugais fogem do determinismo que muitos acreditam existir. Somente a necessidade evolutiva nos condiciona os passos e as relações afetivas.

 

RIE – Revista Interacional de Espirtismo – novembro 2019

[1] Questão 697 de O Livro dos Espíritos

[2] Livro Momentos de Ouro – Chico Xavier, mensagem de Emmanuel, Lesões Afetivas

[3] Livro Nosso Lar, capítulo 46, psicografia de Chico Xavier, autor espiritual André Luiz

Felicidade

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Walkiria Lucia Araujo Cavalcante

“A felicidade é constituída de pequenas ocorrências, delicadas emoções, sutis aspirações que se convertem em realidade, construções internas que facultam a paz interior. Indague-se aos gozadores se eles estão felizes, satisfeitos com a vida, e com certeza responderão que se encontram saturados, cansados, desinteressados praticamente de tudo. Desse modo, consciente das muitas bênçãos que tens recebido da vida, especialmente se dispões de um corpo harmônico e saudável para aplicar-lhe as forças em favor do desenvolvimento intelecto-moral, amando e servindo sem cessar. No entanto, se te encontras com algum limite orgânico, sob a ação das tenazes do sofrimento de qualquer natureza, agrade a Deus a honra de resgatar os erros e adquirir o necessário para a felicidade que logo chegará.. [1]

 

Mas o que é a felicidade? Muitos acreditam ao adentrar no movimento espírita que os beneméritos da humanidade irão retirar de nós as dores que possuímos ou irão nos apartar a partir daquele momento e não mais sofreremos os labores das dores humanas e só seremos abençoados pelas hosanas nas alturas.

Desde o princípio, pelo contrário, somos apresentados à justiça das aflições e todas as suas consequências. Entendemos, mesmo que não consigamos aplicar em toda sua integralidade, que somos responsáveis pelos nossos atos e que semelhante a uma bola arremessada numa parede, a mesma força que empregarmos nela, voltará para nós. Da mesma maneira, os sentimos de ódio, raiva, amor e misericórdia que empregarmos com relação ao nosso próximo também retornará para nós. Mais ainda, nos envolvemos nele, nos impregnamos neles antes de os emitir.

No terreno do plantio livre, mas de colheita obrigatória, começamos a compreender que viver não se constitui num ato somente orgânico. É um processo espiritual e psicológico que comanda uma máquina orgânica. Rememorando o Evangelho Segundo o Espiritismo e corroborando a fala de D. Joanna como sendo a felicidade um estado interior da criatura e sendo um processo gerado em virtude do nosso comportamento, independente de fatores externos e sendo nós que influenciamos os fatores externos, verificamos que “O corpo não dá cólera àquele que não na tem, do mesmo modo que não dá os outros vícios. Todas as virtudes e todos os vícios são inerentes ao Espírito. A não ser assim, onde estariam o mérito e a responsabilidade?”[2]

Não poderemos colocar a culpa na constituição orgânica por sermos ou não felizes. Afastamos assim, um fator como sendo responsável pela felicidade. Outros alegam que só conseguirão ser felizes se conseguirem um determinado emprego, ou casamento ou filhos, enfim, colocam a felicidade em situações que dependem de acontecimentos exteriores, de vontades de outras criaturas para acontecer.

Primeiro, que mesmo que tenhamos, por imposição, o controle da vontade do outro, a felicidade não trará a alegria proporcionada igual aquela conquistada espontaneamente em virtude da consequência dos fatos e da livre escolha dos outros. Segundo, aprendi com um amigo, que não seguramos o vento em nossas mãos. Mesmo que por nossa imposição, que já é algo gravíssimo, o outro, se submeta a nossa vontade, ele estará cumprindo o nosso desejo enquanto houver uma permissão da Lei.

Então, se não controlamos a veste material, os fatos e as pessoas, como obter a felicidade sem mescla? Porque existem pessoas, que mesmo diante da adversidade, do sofrimento conseguem ter bom ânimo e leveza? Em síntese, como a Doutrina Espírita pode nos ajudar?

Não somos dados jogados ao acaso, estamos vinculados a um passado espiritual do qual demos causa e que hoje estamos colhendo as consequências e que o futuro de nossa colheita depende do que nós estamos plantando hoje. Que as criaturas que se vinculam a nós, mas principalmente as situações estão implicitamente ligadas a este passado espiritual construído por nós. Este é o ponto de partida que toda criatura madura parte para o entendimento da felicidade em bases sólidas.

Entendido isto, começamos a trabalhar e nos educarmos a sermos felizes. Pois a felicidade constitui-se em educação também. Lembremo-nos da história utilizada em grupos de autoajuda e que serve muito bem para ilustrar neste momento: enxergarmos o copo meio cheio. Isto não é técnica moderna. Jesus fez isso. Conta-se que Jesus e alguns discípulos andavam pela Galileia quando um cheiro horrível impregnou o ambiente.

Como sempre, o Mestre não se deixou abalar. E foi ao encontro de onde provinha o cheiro. Tentaram o impedir sem êxito. Seguiu juntamente com os discípulos e ao chegar ao local viu que era um cachorro em estado avançado de decomposição. Enquanto os outros ficavam horrorizados pela decomposição, o Mestre destacava o que de bom ainda era visível: o pelo e os belos dentes “brancos e fortes”.

Então, além de termos consciência de que estamos encarnados num processo evolutivo ascensional, modifiquemos o nosso olhar diante das mazelas da vida, porque mesmo no charco do sofrimento uma linda flor pode e brota para nós. Por fim, não estamos desamparados pelo Pai Amantíssimo. Somos todos seus filhos. Ele vela por nós, confiemos Nele, acreditando que tudo tem o seu momento e que as alegrias constituiem-se nas pequenas honrarias de sermos a mensagem rediviva quando seguimos o exemplo do Mestre.

Jornal O Clarim – outubro 2019

[1] Livro Libertação do Sofrimento, psicografado por Divaldo Franco, pelo espírito Joanna de Ângelis, Capítulo 22, A felicidade possível

[2] Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo XIX, item 10

Misericórdia

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Walkiria Lucia Araujo Cavalcante

“Toda vez que o indivíduo, descredenciado legalmente, procede a um julgamento caracterizado pela impiedade e pela precipitação, realiza de forma inconsciente a projeção da sombra que nele jaz, desforçando-se do conflito e da imperfeição que lhe são inerentes, submetido como se encontra à sua crueza escravizadora em tentativa de libertar-se. … Hábeis na arte de dissimular as desditas interiores, especializavam-se em desvelar nos outros as torpezas morais que os infelicitavam e não tinham coragem de enfrentar. É sempre esse o mecanismo oculto que tipifica o acusador contumaz, o justiçador dos outros, o vigia dos deslizes das demais pessoas.”[1]

Aprendemos na oração dominical que o Mestre Jesus nos ensinou que a medida/proporção/capacidade que perdoarmos os erros cometidos pelo nosso próximo para conosco, também desejamos que a Lei seja condescendente na mesma proporção em relação a nós. Mas normalmente, desejamos a misericórdia em nosso benefício, esquecendo-nos que o outro é tão filho de Deus quanto nós.

Esquecemo-nos também do contido em O Livro dos Espíritos, parte 3ª, capítulo 11, que nos instrui a cerca da Lei de Justiça, Amor e Caridade. Nós, de forma imatura, a interpretamos separadamente, mas a Divindade a traduz de forma igualitária, solidária e equitativa. A Lei se cumpre para todos, no momento certo de absorção do aprendizado; o Amor, representando a misericórdia Divina, encaminha-nos para a luz do entendimento e aproveitamento exato; e a Caridade são as mãos amigas que nos amparam os passos e nos conduzem a caminhada para que possamos realizar o devido reajustamento com a Lei.

Antigamente a figura do perdão era representada como uma barganha realizada entre a criatura e a Divindade. Eram oferecidos sacrifícios, hoje, sacrificamos o orgulho e a vaidade colocando-nos de um ponto mais afastado da situação. Daqueles que enxergam com os olhos do espírito a situação. Então, as passagens evangélicas começam a ter outro sentido. Quando lemos o contido em Mateus[2] Então, aproximando-se dele, disse-lhe Pedro: “Senhor, quantas vezes perdoarei a meu irmão, quando houver pecado contra mim? Até sete vezes?” – Respondeu-lhe Jesus: “Não vos digo que perdoeis até sete vezes, mas até setenta vezes sete vezes.”

O Mestre Rabi nos incute a ideia da tolerância e da paciência. Ele poderia ter usar qualquer número como variante para o cálculo. O que ele nos apresenta é uma propositura de dar tempo de conhecer o outro. De conhecer o outro lado da criatura e que também deixemos o outro, ao conviver conosco, conhecer-nos melhor, tendo a chance de modificar suas atitudes. Ninguém reencarna num agrupamento por engano. Não existem enganos na Lei de Divina, verdade seja dita que não possuímos vinculação com todos, mas estamos vinculados às situações e a muitos que nos circundam intimamente.

Pois bem, utilizando-se dessa figura de linguagem, Jesus nos conviva há tolerarmos um pouco mais, uma convivência que a princípio poderia ser cerceada se fatores maiores e superiores não nos obrigassem a permanecermos nela. A sabedoria nos mostra então, que poderemos administrar a situação e tirarmos algum ensinamento, promovendo o devido reajustamento com a Lei, tendo a possibilidade ambos de evoluir rumo à perfeição relativo que o próprio Jesus nos ensinou.

Assim, entendemos com mais facilidade afirmativas como esta: “À luz da Psicologia Profunda, o perdão é superação do sentimento perturbador do desforço, das figuras de vingança e de ódio através da perfeita integração do ser em si mesmo, sem deixar-se ferir pelas ocorrências afugentes dos relacionamentos interpessoais.”[3] O desejar fazer justiça com as próprias mãos. Ou como muitos dizem: Entregar nas mãos de Deus. Quando fazemos o mal aos outros, fazemos em primeiro lugar a nós mesmos.

Perdoar é bom para quem perdoa. Afirmativa que fere os nossos ouvidos e cala-nos fundo a alma, principalmente, quando estamos vivenciando experiências dolorosas neste momento. Mas a sistemática torna-se simples. Ao perdoarmos o outro deixamos de carregar conosco aquele sentimento de ódio, rancor, raiva e vingança que estamos/estávamos sentindo. Permitindo-nos sentir outros sentimentos pelas mesmas ou se não conseguirmos (algo compreensível, a princípio) por outras pessoas.

Mas como conseguir modificar a conduta em meio à turbulência? Evangelho no Lar, a boa prática de leitura de obras doutrinárias e a prece. Criamos um arcabouço mental de bons pensamentos que nos sustentam nestes momentos de queda. E coisa singular, parecem fios tênues que nos vinculam a outros tantos que vibram no mesmo pensamento de amor e edificação.

Que possamos praticar o perdão ao semelhante, mas que possamos exercer o autoperdão. Que deixemos que a Lei se faça em nós. Somos criaturas imperfeitas em processo de evolução constante, senão, não estaríamos encarnados neste Planeta. Nosso compromisso é com a execução. “Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más.”[4] Que vislumbremos o porvir e não carreguemos pesos desnecessários na construção da criatura nova que somos.

[1] Livro Jesus e o Evangelho a Luz da Psicologia Profunda, capítulo julgamentos, psicografado por Divaldo Franco, autora espiritual Joanna de Ângelis.

[2] Mateus, capítulo 12, versículos 21 e 22

[3] Livro Jesus e o Evangelho a Luz da Psicologia Profunda, capítulo Reconciliação, psicografado por Divaldo Franco, autora espiritual Joanna de Ângelis.

[4] Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo XVII, item 4

Tribuna Espírita – julho/agosto 19

Ajuda-te a ti mesmo, que o céu te ajudará

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Walkiria Lucia Araujo Cavalcante

“Pedi e se vos dará; buscai e achareis; batei à porta e se vos abrirá; porquanto, quem pede recebe e quem procura acha e, àquele que bata à porta, abrir-se-á. Qual o homem, dentre vós, que dá uma pedra ao filho que lhe pede pão? – Ou, se pedir um peixe, dar-lhe-á uma serpente? – Ora, se, sendo maus como sois, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, não é lógico que, com mais forte razão, vosso Pai que está nos céus dê os bens verdadeiros aos que lhos pedirem?” (S. MATEUS, cap. VII, vv. 7 a 11.).

 

O Mestre Rabi concita-nos ao trabalho, mostrando-nos a utilidade que a criatura humana possui na Obra Universal. Temos a nossa disposição os meios de evoluir através do trabalho e dos recursos intelectuais. Mesmos aqueles de nós que não possuímos meios de consegui-los, temos naqueles de nossos semelhantes que o podem o contributo para nos ajudar. Sempre existirá a troca. Sempre possuiremos algo para contribuir e recebermos. Ninguém é tão autossuficiente que possua em si todas as capacidades e que não necessite do seu semelhante.

A Lei do Trabalho é estudada em O Livro dos Espíritos, questões 647 a 685. O trabalho não está vinculado somente ao que podemos realizar tendo como resultado algo financeiro. É todo contributo para a sociedade e que nos ajude a desenvolver intelecto-moralmente. Tendo como limite, o das nossas forças, Deus nos deixa livres para exercermos a nossa capacidade laborativa, tendo na velhice o necessário e merecido repouso.

Os bens materiais representam o meio pelo qual nos aperfeiçoamos. Constitui o veículo, não o objetivo principal. Tanto que ao desencarnarmos, não importando a religião que tenhamos abraçado, temos a certeza que deixaremos tudo ao partir. Dependendo de algumas, poderemos barganhar a entrada no “paraíso” em troca de bens materiais, mas o pagamento é feito antecipado e não se tem garantia do recebimento. Tanto, que as nossas reuniões mediúnicas recebem os cobradores destas promessas, que não foram feitas por nós, mas só encontram em nós portas abertas a ouvir os seus lamentos.

Mas será que esta passagem enquadra-se somente com relação à Lei do Trabalho e a aquisição dos bens materiais? De forma alguma. Ajuda-nos a reflexionar sobre o valor da vida e de como estamos nos esforçando para alcançar os objetivos anteriormente traçados. De que forma estamos agindo em prol da nossa evolução espiritual e como estamos contribuindo para a construção de um todo uníssono rumo à perfeição que solicitamos.

Ao reencarnarmos, temos uma programação individual, mas também, contribuímos com a programação cósmica. O Planeta segue o seu próprio processo evolutivo e necessita do nosso contributo. Além do processo individual, das demandas que podemos realizar na sociedade, também somos agentes multiplicadores quando ascendemos na sociedade e assumimos cargos de direção. E nunca estaremos sozinhos nesta empreitada:

“Pedi à luz que vos clareie o caminho e ela vos será dada; pedi forças para resistirdes ao mal e as tereis; pedi a assistência dos bons Espíritos e eles virão acompanhar-vos e, como o anjo de Tobias, vos guiarão; pedi bons conselhos e eles não vos serão jamais recusados; batei à nossa porta e ela se vos abrirá; mas, pedi sinceramente, com fé, confiança e fervor; apresentai-vos  com humildade e não com arrogância, sem o que sereis abandonados às vossas próprias forças e as quedas que derdes serão o castigo do vosso orgulho.”[1]

A questão maior é que desejamos que os nossos problemas sejam solucionados de forma rápida e da maneira que gostaríamos e nem sempre é o melhor para nós. O convite que nos é feito através desta passagem é o da renovação íntima através de uma proposta de entendimento da vida. Com maior segurança dos passos e certeza de um porvir de ventura e consolação.

Somos filhos bem amados do Pai. Todos nós sem exceção. Por isso, não estamos jogados ao acaso, vivenciamos hoje as consequências do que plantamos no passado. Assim sendo, quando não nos é possível modificar a situação material, modifiquemos a situação psíquica. A maneira pela qual enxergamos o que está acontecendo. É o que psicologia chama: olhar sob outro prisma.

Assim, teremos ganhado o aprendizado e possuiremos mais um tijolo na construção da criatura nova de se reconstrói em nós mesmos. Utilizando das experiências para poder ultrapassar os limites impostos por nós mesmos, iremos nos ajudando, ajudando na compreensão da verdade. Chegando ao cume da montanha interior do conhecimento.

São processos graduais de entendimento que solidificam-se com o passar do tempo. Que a experiência mostra que mais teremos forças diante as intempéries quanto mais nos ajudarmos, buscando forças em nós mesmos. Sabendo quem é e reconhecendo em nós as nossas próprias forças. Somos mais capazes do que imaginamos. Precisamos acreditar mais em nós mesmos. Ajudando-nos mais, para podermos nos vincular espiritualmente com a ajuda que vem do alto.

Tribuna Espírita – junho/julho 2019

[1] Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo XXV, item 5

Nossa Cruz

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Walkiria Lucia Araujo Cavalcante

“Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.”[1]

Ao ler o capítulo 74 de mesmo título do nosso artigo do livro Palavras de Vida Eterna, psicografado por Chico Xavier e autoria espiritual de Emmanuel lembramo-nos do capítulo XVI do Evangelho Segundo o Espiritismo, em especial, do item intitulado: Salvação dos Ricos.

As duas passagens falam de carregarmos a nossas cruzes e seguirmos Jesus. Mostram-nos que o crescimento é objeto e objetivo de nossas vidas e que para alcançarmos patamares mais altos precisamos deixarmos para trás o que está servindo como empecilho para nossa evolução.

Sendo que muitas vezes entendemos como vantagens o que são empecilhos e vice-versa. Para o moço rico, os empecilhos eram os bens materiais. Ele não conseguia desvencilhar-se deles porque ainda se sentia possuído por eles, não os possuía. Emmanuel nos traz a proposta de nos desapegarmos do homem velho, da criatura antiga que habita em nós e rumarmos para a nova proposta de vida que almejamos.

As vantagens são as cruzes que carregamos no silêncio da renúncia de nossos dias, onde, cambaleantes muitas vezes diante das intempéries, prosseguimos, por possuirmos um propósito maior. Deixando ressoar em nossa mente a convocação/estímulo do Mestre Rabi, entendendo que seguir-Lhe os passos supera o caminhar sobre eles. É um ato de reconhecimento de si e caminhada sobre si. Ultrapassando todas as barreiras de forma persistente, diária e ininterrupta.

Alguns leitores podem pensar neste momento que não haverá fracassos. Mas é um engano. Eles existirão, porque ainda somos imperfeitos e porque o processo de aprendizado solidifica-se através das tentativas e erros que fazemos através das nossas próprias experiências. Aprendemos a teoria observando o semelhante, estudando o evangelho, mas somente na prática diária que conseguiremos forjar a criatura luminífera que Jesus nos concita no processo evolutivo.

É marcante, quando do calvário, que Jesus ao carregar a sua cruz, cai algumas vezes. Sempre me perguntei por que isso acontecia. Afinal, Ele é Jesus de Nazaré. O tipo mais perfeito que Deus nos ofertou, modelo e guia da humanidade[2]. Hoje, permito-me interpretar esta passagem, entendendo que em todas existe um significado, sendo uma maneira de nos mostrar que ao “pegarmos de nossa cruz e O seguirmos”, iremos cair em alguns momentos, iremos fraquejar em outros tantos. Estaremos caminhando forçosamente para o momento mais cruciante de dor de nossas vidas, mas ao mesmo tempo em que o sofrimento nos aguarda, a forma como o encaramos irá nos libertar ou nos aprisionar ainda mais, prorrogando o momento da libertação.

Os dois textos nos falam da maturidade perante a vida, dizendo-nos que para crescermos necessitamos ressarcir perante a Lei Divina aquilo que conspurcarmos; seja através do sofrimento moral, ou através do desfazimento dos bens materiais, também veículo de atingimento de processo evolutivo moral, como foi proposto ao moço rico, pedindo que ele entregasse aos pobres. “Pois onde estiver o seu tesouro, aí estará o seu coração.”[3]

A nossa cruz torna-se mais leve ou mais pesada conforme compreendamos ou não as verdades espirituais. Podendo parecer simples esta afirmação, passa esta compreensão pela ratificação do comportamento. Seria o que o Evangelho Segundo o Espiritismo nos explica sobre o a Obediência e a Resignação: “A obediência é o consentimento da razão; a resignação é o consentimento do coração, forças ativas ambas, porquanto carregam o fardo das provações que a revolta insensata deixa cair.”[4]

Quando conseguimos alinhar razão e sentimento, incorporamos a mensagem ao nosso comportamento não modificando assim nossa linha de conduta. Entendendo ser esta a única maneira de viver/exercer determinado papel na vida, mesmo que sejamos questionados, açodados, permanecemos firmes e continuamos a marcha. O processo de negar a si mesmo não é um excludente da criatura. Não é uma anulação do ser espiritual que habita o corpo transitório, mas dos valores transitórios que acompanham o espírito imortal.

Valores estes importantes, mas não fundamentais para nos fazerem chegar à perfeição. São facilitadores na engrenagem da vida, mas não constituem a engrenagem da vida. Tanto que de tempos em tempos a própria sociedade questiona-se qual o rumo que está tomando. Novos ídolos materias surgem, mas os valores imortais do amor, da caridade e da justiça continuam por sendo a espinha dorsal a conduzir a seara humana.

Perguntado a um velho sábio o que ele gostaria de deixar de presente à humanidade no dia em que ele partisse, ele respondeu: “Se só uma coisa me fosse permitido deixar, deixaria o amor. Mas não o amor como às criaturas apregoam. Seria o amor que o Mestre Jesus nos ensinou. O amor que nutre a criatura pela própria existência dele. Que faz se ultrapassem as barreiras da humanidade e enxergue no outro, o outro, não quem ele represente. Que nos coloca diante do próximo e nos aproxima dele, em vez de nos afastar. Que enfim, une a sua a nossa cruz para quem ambas fiquem menos pesadas.”

Se observarmos bem, a madeira é composta de “tecidos lenhosos de plantas”, são camadas e mais camadas que se unem. A nossa cruz são camadas de história que se une a outras cruzes, que possuem outras camadas de histórias, nas quais nossas encarnações se entrecruzam e se tivermos sabedoria, mutuamente nos ajudamos. Então, carregar a própria cruz é libertar-se das próprias marcas e sempre que possível ajudarmos ao nosso semelhante. Foi essa a proposta feita ao moço rico. Libertando-se do apego excessivo aos bens materiais, ele iria ajudar àqueles que carregavam o peso da necessidade material.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – julho 2019

[1] JESUS (MARCOS, 8:34)

[2] Questão 625 de O Livro dos Espíritos

[3] Mateus, cap. 6, v 21

[4] Capítulo IX, item 8

Pacíficos

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Walquiria Lucia Araujo Cavalcante

“Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus.”[1]

A passividade longe de ser uma situação de inércia, corresponde ao movimento dinâmico de entendimento de que a guerra é a luta moral da criatura para consigo mesma. Travada internamente, eclode em expressões agressivas para com o semelhante (quando não ajustado o comportamento ao ensinamento Crísitico) e mostra-se estóico perante o mundo suportando as investidas do mal (quando alinhado as verdades eternas).

Estamos encarnados num processo depurativo de aprendizado. Fato este comprovado nos pequenos como nos grandes momentos da nossa encarnação. Questionamo-nos como iremos introjetar a mensagem divina, em especial o Espiritismo, proposta de vida que nos explica a reencarnação e a justiça das aflições como balizadora das relações humanas, em nossas vidas diante dos fatos que ocorrem em nosso derredor.

Partindo de extremos, a criatura, em sua grande maioria, vivencia o culto excessivo a si mesma, ao corpo, a inteligência, beleza e etc ou vivencia uma descrença absoluta em si, por isso, o avançado aumento dos casos de depressão e suicídio. Procuramos fora o que deveria ser produzido dentro de nós. A excelência na qualidade de vida começa no que escolhemos como o que é bom para nós.

Ser pacífico, antes é um estado de espírito. “… naquele que nem sequer concebe a ideia do mal, já há progresso realizado; naquele a quem essa ideia acode, mas que a repele, há progresso em vias de realizar-se; naquele, finalmente, que pensa no mal e nesse pensamento se compraz, o mal ainda existe na plenitude da sua força. Num, o trabalho está feito; no outro, está por fazer-se.”[2]

Para isso é necessário coragem. Coragem para mudar os condicionantes trazidos de outras encarnações e para enfrentarmos os chamados e os desafios impostos durante a encarnação. Criaturas em desalinho moral, corruptores da moral que ainda não compreenderam o sentido existencial, que permeiam e ladeiam a encarnação conosco. Detêm poder e influenciam, muitas vezes decidindo parcelas importantes que influenciam a nossa encarnação.

Outras tantas, são criaturas que estão mais próximas a nós, mas que tem a mesma importância e influencia em nossas vidas. Capazes de interferir sobremaneira, são representantes ou os próprios adversários do passado que ora se encontram junto a nós. Por isso a convocação para sermos pacíficos perante a vida. Pois seremos chamados filhos de Deus. Não significa que agora não o sejamos, mas ainda não possuímos esta perfeita identidade com o Pai.

Lembro-me de uma passagem que ocorre com André Luiz[3], ele aporta na cidade espiritual Nosso Lar. Depois de um ano lá, resolve visitar seu antigo lar. Depara-se com uma situação que lhe desagrada. Evoca a presença de sua amiga Narcisa. Supera a intempérie, entendendo que o amor nos irmana a todos não importando em que condição estejamos e qual função nós executemos no núcleo familiar, o amor nos irmana a todos. Ao retornar a cidade espiritual ele é considera um cidadão por ter se desvinculado das sensações e sofrimentos que o vinculado a Terra.

É a este pensamento que Jesus nos convida: ajudarmos e nos mantermos íntegros, inteiros não importando o que nos ocorra. A deseducação moral, os sentimentos torpes, a desonestidade, a crueldade, o desserviço daqueles que não querem o progresso tentarão nos retardar os passos, pois, ao trabalharmos pelo bem, estaremos trabalhando e moldando a nossa própria argila e contribuindo para o progresso da humanidade.

“O estoico é alguém que encontrou o sentido existencial e reconforta-se nos severos compromissos do autoaprimoramento, descobrindo as fontes de uma vida digna por meio da prática das virtudes e vivendo-as em todos os passos da caminhada enobrecida.”[4] Não são fáceis os dias que estamos vivendo. Mesmo entre o meio religioso, encontramos aqueles que defendem as meias-verdades que são mais corrosivas que as mentiras completas. Servem de desestímulos àqueles que desejam progredir.

Como ainda estamos forjando a nossa fé em bases sólidas, lembremo-nos sempre do Mestre Jesus. A caminhada é composta de uma quantidade indefinida, ainda por nós, de passos. Mas já começamos o processo. Ao olharmos para traz, não enxergamos mais a linha de partida. O clarão do Mestre Rabi está mais a frente, na chega, iluminando nossos passos.

Pedras existirão no caminho. Galhos secos nos rasgarão a pele, mas “… As provas rudes, ouvi-me bem, são quase sempre indício de um fim de sofrimento e de um aperfeiçoamento do Espírito, quando aceitas com o pensamento em Deus.”[5] Forte e corajoso não é o que reage a agressão, mas aquele que age de forma correta, não permitindo-se seguir a excitação da coletividade e permanecendo fiel aos ensinamentos do Cristo.

Muitos zombarão e tratarão de covarde. Muitos exclamarão que o Mundo clama por justiça e justiça feita pelas próprias mãos. E o Mestre nos mostrará que o caminho é o da busca interior, da paz interior, da pacividade interior. Para que exaltemos o culto do amor e da vivência fraterna entre nós. Forte não é quem luta é quem persevera até o fim, fiel aos preceitos da verdade e do amor.

Jornal O Clarim julho 2019

[1] JESUS (MATEUS, cap. V, v. 9.)

[2] Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo VIII, item 7

[3] Livro Nosso Lar

[4] Livro: Libertação do Sofrimento, psicografia de Divaldo Franco, autoria espiritual de Joanna de Ângelis

[5] Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo XIV, item 9

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