Palavra dita

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Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com

“Aquele que violar um destes menores mandamentos e que ensinar os homens a violá-los, será considerado como último no reino dos céus; mas, será grande no Reino dos Céus aquele que os cumprir e ensinar.” – (S. MATEUS, cap. V, v.19.)

As palavras de Jesus são eternas, pois se constituem na verdade. Elas nos trazem paz, tranquilidade, equilíbrio, estabilidade e nos dão a consciência nos passos para a realização das coisas da vida terrestre.

A principal função no messianato de Jesus foi à de educador de almas. Aqueles de nós que nos candidatamos a esse apostolado temos que ter a ciência do trabalho que estamos abraçando. Tendo como exemplo maior Jesus e em sequência Kardec e Chico Xavier, depreendemos que quanto mais puro a mensagem chegar ao ponto final após sair da origem, melhor estaremos cumprindo com nosso papel.

Informação válida aos articulistas espíritas que versamos no papel nossos pensamentos adornando-os com passagens evangélicas. Muitas vezes, tirando uma frase de um contexto e não explicando o seu todo, poderemos induzir a um entendimento incorreto dos textos bíblicos. Por isso, todo cuidado é pouco ao transcrevermos algo, necessitamos observar também qual tradução estamos utilizando. Conselhos válidos, não dados por mim, mais reproduzidos. Ditos por confrades mais experientes que nós.

E o que não dizer com relação aos médiuns, que recebem as informações através de si? “Vim a este mundo para exercer um juízo, a fim de que os que não vêem vejam e os que vêem se tornem cegos. – Alguns fariseus que estavam, com ele, ouvindo essas palavras, lhe perguntaram: Também nós, então, somos cegos? – Respondeu-lhes Jesus: Se fôsseis cegos, não teríeis pecados; mas, agora, dizeis que vedes e é por isso que em vós permanece o vosso pecado.” (S. JOÃO, cap. IX, vv. 39 a 41.)

Entendo pecado como desvio de rota que a criatura faz e trazendo como informação que esta passagem encontra-se no capítulo XVIII, item 11, Muito se Pedirá Àquele que Muito Recebeu, do Evangelho Segundo o Espiritismo, vemos que os médiuns somos os primeiros a termos os olhos abertos pelas mensagens que nos chegam, através de nós.

Criaturas que ao transmitirem suas dores, mostram-nos o caminho que devemos seguir, se assim quisermos sofrer. Se quisermos agir como fariseus, ricos em palavras, mas pobres em atitudes, acreditaremos que a mensagem foi exemplarmente trazida para um companheiro de reunião ou até para outro espírito presente, mas nunca para nós. As histórias são carregadas de informações, mas principalmente, são carregadas de emotividade. Não há como ficarmos passivos diante de tamanha carga emotiva. Somos impregnados e impregnamos a entidade de nossa emotividade também. Há uma troca.

Não nos é pedido perfeição no trabalho mediúnico, mas comprometimento com a verdade. Em O Livro dos Médiuns, item 220, item 03, que nos fala da Perda e da Suspensão da Mediunidade verificamos que o compromisso do médium é com a melhora espiritual. Quando a criatura põe a mediunidade ao dispor de frivolidades, sejam elas: brincadeiras, adivinhações e assemelhados; de propósitos ambiciosos: recebimento de vantagens de forma direta ou indireta, os chamados “presentinhos”; ou mesmo quando se negam a transmitir as orientações trazidas. Este último ocorre, quando os orientadores espirituais do grupo mediúnico trazem explicações sobre fatos que estão ocorrendo e que precisam ser realinhados de acordo com a Doutrina Espírita.

Temos também a responsabilidade de adquirirmos cultura, espírita e não espírita, para podermos saber do que estamos falando. Não somos infalíveis e hoje as informações avançam de forma muito rápida, não podemos fazer citações ultrapassadas nos periódicos ou nas palestras. Mesmo os médiuns, ao se dizer que a criatura é um instrumento passivo diante da comunicação, afirma-se a docilidade, a afabilidade com que se empresta em integralidade para execução do fenômeno, mas somos partícipes na comunicação, por isso, os espíritos buscam em nossos arquivos mentais os subsídios para moldarem as comunicações.

Mas há outro lado que vale ser destacado. Muito será pedido há quem muito foi dado, mas também, “… àquele que já tem, mais se lhe dará e ele ficará na abundância…” (Mateus, cap. 13, v 12), nada mais justo que aquele que soube ser fiel aos ensinamentos e já desde o momento atual souber aproveitar das benesses recebidas possa viver na abundância. Abundância de conhecimento, de amor, de amparo dos amigos espirituais, da própria consciência tranquila por fazer o certo.

Quando estamos executando qualquer trabalho seja no meio espírita ou não, várias propostas nos são ofertadas. De acordo com a nossa opção, novas portas nos são abertas. Falando de mediunidade, quando nos credenciamos a um trabalho, há um tempo de adaptação, em primeiro lugar; depois, a própria espiritualidade nos encaminha a outros, se assim nos capacitarmos. Como ocorre nos trabalhos da vida de relação, os vinculados a espiritualidade, vamos nos nos adaptando e afinando com a nova proposta assumida associando-nos àqueles que pensam como nós.

Jornal O Clarim – janeiro 2018

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Dentro da luta

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Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com 

“Não peço para que os tires do mundo, mas que os livres do mal.” Jesus. (JOÃO, 17:15)

Quando estamos sofrendo desejamos ardentemente que o sofrimento seja afastado. Mas o que deveríamos pedir é o enrijecimento das forças para podermos ultrapassar aquele momento e sairmos fortalecidos diante do aprendizado. Proposta lúcida encontrada no capítulo 162 do Livro Fonte Viva.

Proposta esta que se coaduna com a passagem de Mateus em seu cap. VII, vv. 21 a 23: “Nem todos os que me dizem: Senhor! Senhor! entrarão no Reino dos Céus; apenas entrará aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos Céus. – Muitos, nesse dia, me dirão: Senhor! Senhor! não profetizamos em teu nome? Não expulsamos em teu nome o demônio? Não fizemos muitos milagres em teu nome? – Eu então lhes direi em altas vozes: Afastai-vos de mim, vós que fazeis obras de iniquidade.”

Seguir os preceitos do Mestre não é fazer o bem acreditando que iremos receber retribuição. Não podemos querer dobrar a Lei pela quantidade de palavras que dizemos na prece ou pelas obras de caridade que abraçamos, mas pela mudança interior que produzimos dia a dia em nossas vidas. Quando se faz menção a obras de iniquidades, deixa-se evidente que a criatura está agindo com soturnas intenções. A questão 897 de O Livro dos Espíritos nos esclarece que nem pensando no que iremos amealhar na outra vida deveremos praticar o bem, pois ele deve ser feito caritativamente,…, desinteressadamente. Por isso, a reprimenda na passagem de Mateus.

Em síntese, a prática do bem atinge seu ápice quando a incorporamos no nosso modo de viver e não precisamos racionalizar se tal ou qual atitude será revertida em benefício ao próximo. Agiremos de acordo com o certo porque a consciência nos ditará que é o certo e como parâmetro de conduta, não porque representa resultado futuro para colheita do que fizermos. Será algo incorporado ao comportamento de nossas vidas. Como é a respiração nos dias atuais. Assim será a prática do bem.

Nos itens 24 a 27 do mesmo capítulo de Mateus encontramos: “Aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as pratica, será comparado a um homem prudente que construiu sobre a rocha a sua casa. – Quando caiu à chuva, os rios transbordaram, sopraram os ventos sobre a casa; ela não ruiu, por estar edificada na rocha. – Mas, aquele que ouve estas minhas palavras e não as pratica, se assemelha a um homem insensato que construiu sua casa na areia. Quando a chuva caiu, os rios transbordaram, os ventos sopraram e a vieram açoitar, ela foi derrubada; grande foi a sua ruína.”

Aqueles que ouvimos as mensagens trazidas pelos espíritos imortais e procuramos praticá-las na nossa vida diária equiparamo-nos a rocha que mesmo diante das intempéries da vida, da chuva de lágrimas, dos rios dos sofrimentos, dos ventos dos problemas, temos a nossa estrutura inamovível. Retornamos ao eixo do entendimento superior com mais facilidade. Utilizamo-nos da fé raciocinada para nortear os passos. Mas aqueles que constroem sua fé em bases frágeis, que conspurcam a Lei na busca do imediatismo e dos prazeres materiais vêm toda a estrutura construída ruir ao primeiro sopro de problemas, a primeira turbulência na existência, ao primeiro realinhamento de rota, por parte da Providência.

No referido capítulo do livro Fonte Viva encontramos: “Não supliques a extinção das dificuldades. Procura meios de superá-las, assimilando-lhes lições.” Aprendemos que ao lado do problema Deus coloca sempre a solução, o de que precisamos é termos olhos para enxergar essa solução. Esforçarmo-nos um pouco mais por superá-lo. A proposta é de adaptação visual espiritual ao que Jesus veio nos propor. Equivale a estarmos com miopia moral e o Espiritismo, através dos óculos do entendimento, vir e dissipar a nuvem que estava obscurecendo a nossa visão.

Vivemos a transpor a porta estreita do egoísmo, da idolatria a coisas vás, a pequenez de entendimento sobre a vida espiritual e quais crianças, queremos barganhar com Deus, vendo o que Lhe agrada para podermos ter algum benefício em restituição. Dentro da luta que se constitui o mergulho na encarnação atual, somos convidados, pela Lei, a fazermos também um mergulho interior, nos caminhos mais intrincados que existem em nós.

A cada porta estreita transposta, encontramos a chave com o mapa que nos leva a outro e a outro e a outro caminho. Diferente da brincadeira de criança, que não possuía consequências nenhuma, estas portas internas nos levam ao aprofundamento do conhecimento do ser e faz com avancemos como criaturas eternas que somos. Não basta que roguemos, em altas vozes, o nome do Pai, precisamos nos comportar como filhos do Pai em essência, atribuindo a cada atitude nossa o ensinamento que Jesus nos apregoou, procurando em cada ato praticar as palavras e o exemplo do Mestre Jesus.

Ninguém disse que seria fácil estar encarnado, principalmente num momento de grande turbulência moral que nos encontramos, nos quais forças antagônicas se chocam e que para os mais desavisados, parece que a corrupção, o mal e a derrocada moral estão vencendo. Destaque provisório, notoriedade daqueles que fazem barulho. Dia chegará e não tardará que o bem pacificará a Terra e não mais haverá espaço para o tumulto que se instala hoje nos corações humanos. Permaneçamos firmes, iguais à rocha destacada na passagem de Mateus esperando que as intempéries passem e que a primavera da renovação se instale em nós.

 

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – janeiro 2018

Educação moral

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Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com 

“Sabeis os mandamentos: não cometereis adultério; não matareis; não roubareis; não prestareis falso-testemunho; não fareis agravo a ninguém; honrai a vosso pai e a vossa mãe. ” (S. MARCOS, capítulo X, v. 19; S. LUCAS, cap. XVIII, v. 20; S. MATEUS, cap. XIX, vv. 18 e 19.)

“Honrai a vosso pai e a vossa mãe, a fim de viverdes longo tempo na terra que o Senhor vosso Deus vos dará. (Decálogo: “Êxodo”, cap. XX, v. 12.)” (JOÃO, cap. VIII, vv. 3 a 11.)

Ao lermos estas passagens refletimos sobre a constituição da família e das bases que nos norteiam os passos durante a encarnação. Verificamos que todos os mandamentos são precedidos da negativa de fazer, sendo que somente no que tange a vinculação afetiva filial trata-se de forma positiva, elevando ao patamar da honra o apreço que devemos àqueles que são nossos pais ou que fazem às vezes deles, enfim, daqueles que são os nossos educadores de vida. Indo mais além, sendo garantida a estada num lugar de promissão, se assim, agirmos.

A questão 775 de O Livro dos Espíritos nos fala sobre o relaxamento dos laços de família, e se caso acontecesse tal fato, quais seriam as consequências, tendo como resposta que haveria uma recrudescência do egoísmo. Ensaiamos quem somos no núcleo familiar para nos projetarmos na grande sociedade através do anteparo, convivência e exemplos da pequena sociedade que forjamos a nossa educação moral. Numa sociedade na qual o binômio família traz uma nova configuração com a participação de pessoas que não estavam no núcleo base de formação, precisamos nos educar em sentimento e coerência para podermos ser bons educadores e influenciadores daqueles que estão sob a nossa tutela moral e emocional.

Quando somos convocados a honrar está sendo incutida a ideia da piedade filial. É aquele algo mais que ultrapassa o amor. Traduz-se no respeito, nas atenções, na submissão e na condescendência que o Evangelho Segundo o Espiritismo nos traz em seu capítulo 24. Reencarnamos em grupos familiares para que possamos ter a nossa argila moral trabalhada. Condição primeira para estarmos agregados dessa forma. Depois, para todos desenvolvermos a paciência, a resignação e desprendimento.

Para querermos algo precisamos ser o exemplo do que queremos. Em educação moral, isto significa dizer que os educadores familiares constituem-se no exemplo para os seus tutelados. Oferecendo-lhes o direcionamento, mas não deixando de exercer o empoderamento familiar. Através da presença, do exemplo e da educação. Não existe acaso ou arranjo nas constituições familiares: “Os pais, por isso mesmo, não são seres fortuitos que aparecem à frente da prole, descomprometidos moral e espiritualmente. São pilotis da instituição doméstica, sobre os quais se constroem os grupos de consanguinidade e da afetividade.”[1]

Por não haver uma improvisação, precisamos também honrar aquele (s) que está (ão) sob a nossa tutela. Somos emissários de Deus na educação moral do semelhante. Sabendo que os laços corporais são diferentes dos laços espirituais, constitui-se obrigação de todos trabalharmos para que haja uma migração do primeiro para o segundo. Transformando as relações frágeis em duráveis, elevando ao bem querer que ultrapassa as barreiras matérias e mantendo-nos vinculados no mundo dos espíritos.

“Os filhos, por sua vez, renascem através daqueles com os quais têm compromissos morais de gravidade para o desenvolvimento espiritual de ambos: genitores e descendentes.”[2] É muito comum ouvirmos: Eu não pedi para nascer! Ou assemelhados, mesmo no meio espírita. Talvez, não tenhamos pedido para nascer naquele clã, mas fomos atraídos vibratoriamente para àquele conglomerado para aprimorarmos “… a paciência, a resignação, pelo silêncio e pela bondade…”[3], servindo de força e sustentação para “… o enfrentamento com os demais grupos sociais nos quais devemos desenvolver os objetivos superiores da existência.”[4]

Não nos cabe mais o pensamento de que não fazemos parte da família à qual pertencemos. Mesmo tratando dos adotados, dos que formam famílias com enteados, etc. Estamos cumprindo um papel no núcleo que estivermos não importa com que nome estejamos neste grupo. Jesus, num sentido muito maior de família, o de Família Universal faz o agrupamento no qual estava reunido, aproveitando da presença de sua família que ali estava destacando que se constituem famílias todos àqueles que fazem a vontade de Deus.

De nossa parte, os educadores, precisamos oferecer o melhor de nós aos tutelados. Pois “… a cada pai e a cada mãe perguntará Deus: Que fizestes do filho confiado a vossa guarda?”[5] Precisamos ter a consciência tranquila de termos oferecido o melhor. Também os tutelados, mesmo diante de pais omissos, negligentes e até não cientes da missão de serem pais e mães de outras almas, o dever do respeito e agradecimento pela oportunidade de estar encarnado. “As provas rudes, ouvi-me bem, são quase sempre indício de um fim de sofrimento e de um aperfeiçoamento do Espírito, quando o aceitais com o pensamento em Deus.”[6]

Estar encarnado constitui-se uma benção que deveremos aproveitar. Ensaiando na família todos os ensinamentos apregoados pelo Mestre Jesus: amor, caridade, benevolência, indulgência. Assim, nos fortificaremos, para podermos nos relacionar em sociedade, compreendendo o semelhante e praticando a empatia. Partindo de um ponto nuclear, que é a família, atingiremos todo o globo, transformando a família universal na nossa família em síntese e em profundidade.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – dezembro de 2017

[1] Livro Jesus e o Evangelho a Luz da Psicologia Profunda, capítulo: Amor Filial

[2] Livro Jesus e o Evangelho a Luz da Psicologia Profunda, capítulo: Amor Filial

[3] Idem

[4] Idem

[5] Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. 24, item 9

[6] Idem

Semeador

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Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com

“Naquele mesmo dia, tendo saído de casa, Jesus sentou-se à borda do mar; – em torno dele logo reuniu-se grande multidão de gente; pelo que entrou numa barca, onde sentou-se, permanecendo na margem todo o povo. – Disse então muitas coisas por parábolas, falando-lhes assim: Aquele que semeia saiu a semear; – e, semeando, uma parte da semente caiu ao longo do caminho e os pássaros do céu vieram e a comeram. – Outra parte caiu em lugares pedregosos onde não havia muita terra; as sementes logo brotaram, porque carecia de profundidade a terra onde haviam caído. – Mas, levantando-se, o sol as queimou e, como não tinham raízes, secaram. – Outra parte caiu entre espinheiros e estes, crescendo, as abafaram. Outra, finalmente, caiu em terra boa e produziu frutos, dando algumas sementes cem por um, outras sessenta e outras trinta. – Ouça quem tem ouvidos de ouvir. ” (S. MATEUS, cap. XIII, vv. 1 a 9.)

Amélia Rodrigues pela psicografia de Divaldo Franco, no livro Vivendo com Jesus, capítulo 16, Sementes de Vida Eterna, traz-nos uma lúcida explicação sobre esta parábola. Aduzimos o capítulo XVII – Sede Perfeitos, em seus itens 05 e 06, Parábola do Semeador. As parábolas de Jesus trazem sempre ensinamentos vinculados à vivência das pessoas para facilitar o entendimento e compreensão da mensagem. Por isso, que precisamos ter ouvidos para ouvir. Cada um depreende o que melhor constitui-se como verdade criando vinculação com o que já possui em si.

As pessoas da época lançavam as sementes antes de ararem o solo, de prepararem e adubarem. O Semeador é Jesus e as sementes são a mensagem Divina trazida pelo Mestre. Elas são disponibilizadas nos mais diferentes terrenos. Nesta parábola a criatura humana é representada nos quatro tipos de solo. Representa também o processo de revelação da Lei Divina em nossas vidas, cada um de nós analisando o terreno espiritual que possui e quais as circunstâncias que orientam a sua encarnação no momento.

As primeiras sementes foram lançadas à beira do caminho. Quando os agricultores faziam a colheita deixavam, no solo, um caminho por onde eles retornavam. Quando eles voltavam para o local específico para plantar as sementes algumas caíam. É a representação das criaturas que se interessam em receber a mensagem Divina, mas quando ocorre o momento de redefinição de valores, dedicação com relação ao tempo e esforço por mudança de conduta, a criatura deixa-se vencer pelos vícios, pela insensatez e pela transitoriedade da existência.

Querem receber os benefícios da Boa Nova, mas não querem esforçar-se pela mudança. Seu olhar é voltado para o momento presente e pela busca dos prazeres materiais, do que pode ser obtido pela lei do menor esforço, assim também o é com relação a religiosidade em suas vidas. Procuram dissimular o seu real interesse, usando de jogos para conquistar crentes a sua mudança. Podemos dar como exemplo, aqueles que adentram as instituições religiosas desejando que sejam retirados todos os seus problemas, e que aqueles que ali estão em trabalho de socorro e ajuda ao próximo farão o trabalho por elas. Acreditando que o culto de rituais exímias de qualquer esforço.

Existem aquelas que foram lançadas em terreno pedregoso. Amélia Rodrigues chama de “pessoas desafiadoras”, pois são carregadas de rudeza e grosseria. Pessoas duras, tornam-se invulneráveis relutantes com relação à reforma interior. Estão sempre na defensiva não aceitando a ajuda daqueles que querem lhe abrir os olhos com relação a Revelação Divina. Em alguns momento parece que a mensagem brota em seus corações, mas logo se entregam a amargura da agressividade, deixando que o sol lhes queimem as fibras amorosos do coração. Não compreendo a existência da Misericórdia Divina em nossas vidas.

Existem também aquelas que caem nos terrenos espinhosos. São caracterizadas como “… grupo de almas angustiadas, assinaladas pelos espinhos do desconforto moral em que vivem, acolhendo o mau humor e tentando brechas para a autorrenovação.” Somos a maioria de nós, que em contato com a mensagem Crística temos um misto de alegria pelo ensinamento que nos toca, mas nos sentimos angustiados por reconhecermos em nós um terreno difícil de ser trabalho, já provindo de outras etapas em que sementes viciadas foram semeadas. Esforçamo-nos para mudarmos, realindo os propósitos e modificando a perpectiva com relação ao futuro, mas por termos viciado o solo através de emoções deturpadas temos dificuldade neste processo de transformação moral e espiritual.

Por fim, existem aquelas sementes que são lançadas na boa terra. São aquelas almas “… que estão preparadas para a ensementação do evangelho, para a vivência do Bem, faltando somente que alguém lhes alcance as paisagens emocionais e, logo que recebem a dádiva do grão que irá fertilizar-lhes o Espírito, deixam-se dominar pelas alegrias, propiciando todos os recursos hábeis para que haja resultados opimos. Sacrificam-se em favor da oportunidade…”

Como não se lembrar de Chico Xavier? Maior exemplo de criatura que possuía o terreno pronto para receber a semente da mensagem Divina e produzir frutos. Semeador também o foi, colocando a sua vida como veículo para a ensementação do Amor nos corações humanos. Trazendo na sua alegria pela execução do trabalho o exemplo de devoção a prática do Bem na Terra. Oscilamos nos quatro tipos de terreno, demorando-nos naquele que melhor representa quem somos em essência. É um processo lento e gradual, mas constante. A mensagem Divina está disponível para todos, o Mestre até o presente continua semeando-a em nós. Cabe-nos nos colocar em situação favorável adubando-o com a ternura e o amor.

Jornal O Clarim – novembro de 2017

Por um pouco

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Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com

“Escolhendo antes ser maltratado com o povo de Deus do que por um pouco de tempo ter o gozo do pecado.” – Paulo. (HEBREUS, 11:25.)

Este é o capítulo 42 do Livro Fonte Viva. Temática mais que atual para os nossos dias. A filosofia espírita mostra-nos uma visão do comportamento pautada no entendimento da própria criatura, para depois podermos compreender o nosso semelhante, mas se não tivermos parâmetros de comportamento bem definidos, também não conseguiremos enxergar o semelhante, e posteriormente ajuda-lo. Pois, “Ninguém chega ao Pai, senão por mim.”[1]

Afirmação que nos mostra qual a rota a tomar, implicitamente trazendo a ideia que necessitamos do próximo para evoluirmos. Dando o justo valor as situações e verificando a representatividade do fato tal como ele é. Trazendo a luz do pensamento Crístico o entendimento e explicação dos percalços que nos alcançam a caminhada. Assim, mediremos com a mesma vara nós e o semelhante.

Quantos convites nos são feitos durante a encarnação para podermos desvirtuamos o proceder? Começando por analisar o comportamento humano num todo até chegarmos ao próprio comportamento espírita. Alguns confrades nos perguntam como sermos fieis ao Mestre diante da vida que nos é apresentada? Como ser cristão se o que se nos apresenta é uma barbárie social e intimamente sentimos “obrigados” a agir igual aos outros?

Emmanuel nos responde neste capítulo do livro já citado. Para nos candidatarmos ao muito precisamos ser fieis no pouco. Para chegarmos a uma condição de espíritos puros precisamos antes trabalhar esta argila que possuímos em nós, até que ela fique uniforme. Moldando ao ponto que não possua nenhuma falha. O Evangelho Segundo o Espiritismo também nos fala sobre o assunto em seu capítulo 16: Não se pode servir a Deus e a Mamon. É a lição da escolha certa, entre o que é transitório e o que é permanente em nossas vidas.

Quando voltamos o olhar para as coisas transitórias: os bens materias, as relações afetivas superficiais, as emoções supérfluas acabamos nos escravizando ao que nos causa perturbação e deixamos de observar o que realmente tem importância em nossas vidas. É um apego que se constitui educação ancestral em nossas vidas. Precisamos remodular a base para modificar as consequências. Princípio que deve nos nortear o comportamento é que se não estamos obtendo sucesso na maneira como estamos vivendo, modifiquemos as atitudes para termos resultado diferente.

A proposta de Jesus para nós há mais de dois mil anos era uma mudança de comportamento, mas ele não nos apresentou solução para as situações atuais que nós vivemos, mas uma proposta para o futuro. Sendo que a mudança no comportamento, atualmente, gera desde já uma paz íntima que nos leva a caminhar de maneira mais centrada dispensando o que não nos trará proveito para o futuro e ajustando o valor das coisas no presente para aquilo que poderá nos projetar para a vida eterna.

Joanna de Ângelis, nos diz: “O ser humano tem o dever de selecionar os objetivos existenciais, colocando-os em ordem de acordo com a qualidade e o significado de todos eles, para empenhar-se em destacar aqueles que são primaciais, exigindo todo o empenho, e aqueloutros que são secundários, podendo ser conduzidos com naturalidade, sem maior sofreguidão.”[2]

Esta ordem será baseada no conhecimento adquirido, nos valores que possuímos e na carga emocional envolvida na situação. Estabelecendo como prioridade aquilo que melhor entendemos ser o que irá nos fazer feliz. Quando adicionamos a este pensamento e tomada de decisão a orientação religiosa pautada no entendimento da vida futura, conseguimos com um golpe de visão, vislumbrar o futuro e as conseqüências dos nossos atos presentes. Difícil de exercício, mais muito válido quando executado.

No tocando ao sofrimento e a questão das provas que nos batem a porta temos a mesma depreensão do termo: por um pouco. A eternidade vincula-se a vida espiritual, todo o resto cumpre a necessidade de aprendizado em nossas vidas. Queremos mensurar a real necessidade do reajuste com a Lei pessoas que estão em diferentes patamares de entendimento, sendo que todos sem exceção chegaremos ao Pai após transportarmos as barreiras que interditam a nossa entrada em Mundos mais felizes.

O apóstolo Lucas nos diz: “… Esta noite mesmo tomar-te-ão a alma…”[3]. Esta afirmativa toma real contorno quando observamos em nós ou em pessoas próximas a nós que fazíamos planos para um futuro longuinquo acreditando que teríamos tempo de concredização e por esses reveses, que só a justiça das reencarnações pode nos explicar, não conseguimos concredizar. Se tivéssemos suportado mais, amado mais, tido mais paciência, ultrapassaríamos aquele momento ou anteciparíamos a vivência do amor em nossas vidas.

A negação de algo não faz com que este algo deixe de existir. Demonstramos mais maturidade espiritual quando paramos de lutar contra o aprendizado e trabalhamos a favor. Evitaríamos sofrimentos, ultrapassaríamos fases e chegaríamos ao ponto desejado com mais segurança emocional.

Deus tem o controle de tudo. Por não compreendermos a sua Lei queremos antecipar fatos perdendo a oportunidade de esperar a fruta amadurecer para podermos colher. Tudo se encadeia na mais perfeita ordem na Criação Divina, temos a oportunidade de sermos co-criadores quando desenvolvemos o perfeito entendimento da Lei e passamos trabalhar em favor de nós mesmos. É um processo de desenvolver a consciência e ampliar os sentimento superiores em nós. Tudo, em nossas vidas, tem um fim providencial.

 

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – novembro de 2017

[1] João, cap. 14, v 7

[2] Livro Jesus e o Evangelho a Luz da Psiciologia Profunda, capítulo 22 – Propriedade

[3] Lucas: 12:20

Perdão

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Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com

“Então, os escribas e os fariseus lhe trouxeram uma mulher que fora surpreendida em adultério e, pondo-a de pé no meio do povo, – disseram a Jesus: “Mestre, esta mulher acaba de ser surpreendida em adultério; – ora, Moisés, pela lei, ordena que se lapidem as adúlteras. Qual sobre isso a tua opinião?” – Diziam isto para o tentarem e terem de que o acusar. Jesus, porém, abaixando-se, entrou a escrever na terra com o dedo. – Como continuassem a interrogá-lo, ele se levantou e disse: “Aquele dentre vós que estiver sem pecado, atire a primeira pedra.” – Em seguida, abaixando-se de novo, continuou a escrever no chão. – Quanto aos que o interrogavam, esses, ouvindo-o falar daquele modo, se retiraram, um após outro, afastando-se primeiro os velhos. Ficou, pois, Jesus a sós com a mulher, colocada no meio da praça. Então, levantando-se, perguntou-lhe Jesus: “Mulher, onde estão os que te acusaram? Ninguém te condenou?” – Ela respondeu: “Não, Senhor.” Disse-lhe Jesus: “Também eu não te condenarei. Vai-te e de futuro não tornes a pecar.” (JOÃO, cap. VIII, vv. 3 a 11.)

Ao lermos a passagem da mulher adúltera nos deteremos no momento em que ela se aparta do Mestre Jesus, no qual Ele a questiona sobre os que a julgavam? E ela informa que todos foram embora. E Jesus afirma que também Ele não a condenaria. Sempre me perguntei o que ocorria depois.

Quando diante das provas da vida nos deparamos com o Amor Incondicional do Mestre a nos envolver os passos, e por questão de escolha nos dispomos a tal intento. Sendo que há com relação a isso uma diferença: podemos vivenciar o sofrimento ou simplesmente passar por ele. No primeiro caso, escolhemos acolher pelas provas e assumimos conscientemente a responsabilidade pelos nossos atos; no segundo caso, nos desobrigamos, mas não aprendemos a lição. Nisso que consiste a chave do aprendizado.

Imaginemos essa mulher de regresso ao lar. Encontra o marido. Será que tem filhos? A esta altura todos sabem do ocorrido. Como encará-los? Como agir de forma digna perante a sociedade? Esta mesma sociedade que já estava pronta para lhe apedrejar. O Mestre nos deu a indicação: Vai-te e de futuro não tornes a pecar. Construímos o nosso futuro através de quem nós somos e ao lado de quem magoamos. Quando o ofendido permite-se esse prélipo ao nosso lado, constitui-se obra de sublimação para ambos. O mais que é macerado neste momento é o orgulho.

Devemos olhar o nosso irmão com o olhar de segunda chance e pensar: Se fosse eu quem estivesse chegando em casa, como eu gostaria de ser recebido? Entendemos que a cada um segundo as suas obras, por isso o necessário ressarcimento pelo mal cometido. Mas não temos o direito de revirar a ferida do outro. Se escolhemos estar ao lado dele, que o façamos com solicitude e caridade. A oportunidade é do perdão.

O ódio provoca doenças e marcas profundas de serem trabalhadas. O perdão serve como a mais profunda cânfura a aliviar as nossas dores, a aliviar as dores do próximo e de tantos que assistem a situação. Alguns torcendo pela reconciliação ou desejando a estocada final.

Imaginemos novamente a mulher adúltera. Ele pode, apesar de toda execração pública voltar e ter uma nova oportunidade. Este é o princípio do Espiritismo: Uma nova oportunidade. A consciência de culpa não precisa de ajuda para se fazer presente em nós. Mas todas as vezes que somos o agressor do outro, neste momento nos vinculamos a ele e por fim, vivemos novamente a dor outrora vivenciada.

Quando optamos pelo perdão, deixamos o outro seguir e seguimos nós também, deixando o amor nos conduzir e a paz inundar nossos corações. Não é um caminho fácil de ser palmilhado até porque os que estão ao nosso redor cobram “atitude”. A impressão que nos dão é que seremos menores se não agirmos como todos esperam.

Mas, muitas vezes, fomos nós mesmos que induzimos o outro a traição, em virtude da indiferença e dos maus-tratos produzidos por nós. Assim, fica mais fácil nos desvencilharmos do outro impondo punição severa, como se, dessa forma, pudéssemos também apagar o que fizemos.

Em tudo na vida existem três verdades: a minha, a do outro e a verdade verdadeira. Com o passar do tempo vamos preenchendo as lacunas da nossa história com o que melhor nos acalenta o coração. Quando isso não provoca prejuízo ao outro é somente um subterfúgio para nos sentirmos felizes e até aliviados. Mas quando traz prejuízo, é fuga para não agirmos como maturidade perante o outro.

Sempre existirão aqueles que gritarão: Apedrejamento àquele que adulterou! Mas antes de sermos juízes precisamos ser irmãos. E analisarmos se o melhor socorro naquele momento não seria o acolhimento. Ninguém foge do cumprimento da Lei. “Não saireis da prisão até que pagues o último ceitil.” Se podemos ajudar ao outro em nome de tudo o que já vivenciamos de bom com ele, que o façamos. Pois assim teremos exercido a prática do perdão e “teremos ganho o nosso irmão.”

Jornal O Clarim de outubro de 2017

Paciência em Ti

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Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com

“Bem-aventurados os que são brandos, porque possuirão a Terra. Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus.” (MATEUS, cap. V, vv. 4 e 9.)

O grande problema do ser humano nos dias atuais, inclusive nós espíritas, é tentarmos querer como resposta aos desmandos da vida material a ética da vida espiritual sem ter o compromisso com o certo que essa vida propõe. A vida material constitui-se de desafios com regras que valem para as situações atuais, usualmente não catalogadas como paradigmas de conduta moral. É um consenso criado entre partes que nem sempre entendem o valor do bem e da justiça.

A vida espiritual traz-nos uma abertura de entendimento e a projeção, sempre para o futuro, como resposta ao vivenciado no presente. A crença no espírito imortal nos dá um abandono das práticas irracionais vividas por aqueles que só enxergam a vida material. Então, temos duas vidas? Melhor dizendo, como estar encarnado (vida material) e termos uma conduta pautada na moral do Cristo (vida espiritual)? Mais ainda, é possível viver uma vida material com um olhar espiritual?

É possível sim e foi isso que Jesus vivenciou em seu apostolado. Mas do que parábolas, temos a presença do Cristo em nossas vidas até o presente, nos orientando os passos, moldando nossa conduta e mostrando-nos o caminho a seguir. Enquanto a vida material nos convida ao imediatismo, ao materialismo e a displicência com a conduta humana, nossa e do semelhante; a vida espiritual ou vida do espírito imortal, mostra-nos que somos herdeiros de nós mesmos. Que diante de um plantio livre (livre arbítrio) nos depararemos com uma colheita obrigatória (expiação).

Mas sermos espíritas tão somente não nos candidata a uma posição de superioridade de entendimento perante a vida. Se não introspectarmos o conhecimento espírita seremos iguais a tantos outros adeptos de outras religiões ou aos próprios ateus, que faremos referências a várias passagens de Jesus, mas adendaremos com a afirmação que nós não somos Ele. O parâmetro de conduta nos foi estabelecido e vivenciado não somente pelo Mestre Jesus. Temos outros que vivenciaram a Doutrina e nos deram o exemplo: Allan Kardec, Bezerra de Menezes, Chico Xavier, entre outros.

Estas figuras ímpares em caráter e vivência cristã nos mostraram que é possível fazer. Então, qual seria o caminho a seguir? “A dor é uma benção que Deus envia a seus eleitos; não vos aflijais, pois, quando sofrerdes; antes, bendizei de Deus onipotente que, pela dor, neste mundo, vos marcou para a glória no céu.”[1] Só é testado aquele que estudou a lição. E através das provas e expiações da vida vamo-nos fortificando e aprendendo realmente a lição. Ultrapassando a barreira do momento (vida material), projetamo-nos para o que realmente necessário é para realizarmos (vida imaterial). Assim, conseguimos avaliar melhor a situação e não nos apequenarmos diante das pedras do caminho.

A paciência faz com que não ajamos de sobressalto. Sabemos o quando é difícil quando estamos falando do sofrimento. Mas se somente reagirmos e não agirmos (proposta que a paciência nos convida), estaremos nos comportando igual aos animais irracionais, que quando atacados, atacam de volta sem racionalizar. O sofrimento diante das provas não significa fraqueza ou não entendimento do que vem a ser paciência. Antes, significa que entendemos a lição, experienciamos o fato e transformamos em aprendizado, se formos resignados.

“Sede pacientes. A paciência também é uma caridade e deveis praticar a Lei de Caridade ensinada pelo Cristo, enviado de Deus. A caridade que consiste na esmola dada aos pobres é a mais fácil de todas. Outra há, porém, muito mais penosa e, consequentemente, muito mais meritória: a de perdoarmos aos que Deus colocou em nosso caminho para serem instrumentos do nosso sofrer e para nos porem a prova a paciência.”[2]

Alguns afirmam que a Doutrina Espírita é a doutrina do sofrimento. Muito pelo contrário, ao compreendermos a imortalidade da alma, a justiça das aflições e a Lei de Causa e Efeito, deixamos de enxergar de forma restrita e passamos a ver com toda amplitude que possuímos à paternidade de Deus e a tutela de Jesus com relação a nós. Somos filhos bem-amados do Pai. Mas nenhum Pai que ama seu filho o poupará do aprendizado necessário. Até para podermos mensurar com juízo de valor o sofrimento alheio.

Mesmo quando falamos das “… mil picadas de alfinete, …, mas que acabam por ferir.”[3] que são os sarcasmos costumeiros, as ironias, as injúrias como somos tratados. Já afirmou o Mestre Jesus que a brandura e a pacificidade nos colocam na condição de Filhos e Herdeiros do Pai. Sendo brandos transmitiremos a docilidade daqueles que conhecem a verdade e que avançam com passos firmes, pois sabem que caminham com segurança, possuidores do conhecimento da verdade. Pacíficos porque Deus é amor e aqueles que amam jamais agredirão seu próximo.

Neste mesmo capítulo, Mateus nos versículos 21 e 22 nos mostra que aqueles que conspurcam a Lei Divina serão entregues ao Juízo (a própria consciência), sendo regulado o comportamento e a medida do reajustamento pelo Conselho (a própria Lei Divina). Pois, enquanto nos mantivermos em erro teremos o “fogo do inferno” (as provas/expiações da vida) sendo o freio e a espora a nos mostrar o caminho do devido reajustamento.

Precisamos elaborar a paciência em nós. Esperando o dia da colheita. Se antes plantamos cactos, hoje colhemos cactos. Para amanhã colhermos flores, precisamos, mesmo diante das dores, plantarmos flores. A Providência Divina nos envolve a todos. Nada foge a Lei. Deus é a inteligência suprema[4] a reger o Universo. A paciência nos mantem firmes ampliando o nosso campo de visão e nos proporcionando o tempo necessário para absorvermos o aprendizado. Até que um dia, adquiramos a maturidade espiritual plena.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo Outubro de 2017

[1] Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. 9, item 07

[2] Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. 9, item 07

[3] Idem

[4] Questão nº 01 de O Livro dos Espíritos.

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