Analfabeto moral

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Walkiria Araujo 

“281. Por que os Espíritos inferiores se comprazem em nos induzir ao mal? “Pelo despeito que lhes causa o não terem merecido estar entre os bons. O desejo que neles predomina é o de impedirem, quanto possam, que os Espíritos ainda inexperientes alcancem o supremo bem. Querem que os outros experimentem o que eles próprios experimentam. Isto não se dá também entre vós outros?”[1]

Viver em Deus, viver com Deus, vivenciar Deus. A mensagem Divina aporta-nos n’alma fazendo-nos transmutar o momento presente e enxergarmos num golpe de vista o futuro que nos aguarda. Saindo do analfabetismo moral que nos encontramos e permitindo-nos alfabetizarmo-nos na Lei de Amor.

“Bem-aventurados os que têm puro o coração, porquanto verão a Deus”[2], já nos foi ensinado, mas entendamos que isto encontra-se como proposta de vida, pois ainda espíritos imperfeitos na busca da evolução, neste momento, só conseguimos lhe ter a intuição[3], competindo aos espíritos superiores à Sua compreensão[4]. Mais a pureza deve fazer parte de nossas vidas como meta e princípio que nos moldará os passos. O mesmo evangelista[5] vai mais além, nos coloca uma criança, dizendo-nos que o “…reino dos céus é para os que se lhes assemelham…”

Apresentando-nos uma proposta de vida interior de renovação, trazendo uma busca de sentimentos puros em todos os atos de nossas vidas. Uma crença mais profunda na existência da Lei de Deus e na sua execução, confiando no Pai Amado de todos nós. Sabendo que em todos os momentos Ele está presente em nossas vidas, nos acompanhando os passos, mesmo que caímos, isto faz parte do processo de aprendizado, que não deveremos temer, pois teremos sempre a figura amantíssima de Deus através de seus emissários, tendo em nosso anjo guardião, sua representação primeira, a nos amparar e encaminhar durante a encarnação.

Dia virá que teremos dúvidas, vacilaremos, nos encontraremos francos diante da caminhada e dos objetivos abraçados, criaturas desavisadas, que estão mais perdidas que nós, pois ainda não conseguem divisar a luz do clarão que vem a ser a Doutrina Espírita, a qual representa um verdadeiro divisor de águas em nossas vidas a nos esclarecer um porvir que só depende de nós, buscam nos entorpecer os passos, pois não acreditam serem capazes de fazerem a mesma caminhada.

São os que intitulamos analfabetos morais, são os que nos exigem caminharmos “mil passos com eles[6]. São os que nos exigem um entendimento que acreditamos que ainda não somos capazes de o fazer, mas somos. O que está sendo nos colocado é a prática de nossas palavras, aquilo que já sabemos em teoria, em virtude dos conhecimentos adquiridos. Buscam trazer-nos para baixo, vibratororiamente e em atitudes, já que o movimento ascensional não se forja da noite para o dia. É um processo longo e demorado, baseado em paciência, renúncia, dedicação e amor.

Cabe-nos esforçarmo-nos através da vigilância da oração e da manutenção das boas atitudes, pois “A irradiação mórbida de uma pessoa enviando à outra energia negativa, termina por contaminá-la, caso esta não possua fatores defensivos, reagentes, que procedam da sua conduta mental e moral edificante.”[7]

Lembrando que em tudo que fizermos, mas importante que a atitude, são os sentimentos colocados neles. A pureza de coração corresponde ao elã de amor e verdade que nos une ao Criador, fazendo-nos progredir como criaturas e atuando como elementos propulsores de progresso da humanidade. Não deveremos comportar como os escribas e fariseus que se preocupavam mais com o exterior que com o interior, produzir algo para que os outros vejam, mas sermos melhores ao ponto que os outros vejam, isto constitui-se na grande diferença.

Temos a opção de reclamarmos de quem somos ou utilizarmos as ferramentas que possuímos para crescermos. Nenhum dos que nos encontramos encarnados estamos nos estágio de perfeição, mas estamos em busca dela. Caminhamos com passos vacilantes, pois ainda não possuímos a fé inabalável, como nos já foi proposta, mas isto não serve de empecilho para a caminhada. Pararmos não nos impedirá o sofrimento, somente retardará o processo e consequentemente a evolução. Pois dia chegará que desejaremos ardentemente este progresso e buscaremos por ele.

A religião constitui-se como elemento propulsor de ajuda, não sendo meio de salvação como alguns apregoam é o facilitador que nos faz enxergar pontos que não temos o entendimento aclarado ou que nem víamos anteriormente. “O objetivo da religião é conduzir a Deus o homem. Ora, este não chega a Deus senão quando se torna perfeito. Logo, toda religião que não torna melhor o homem, não alcança o seu objetivo. Toda aquela em que o homem julgue poder apoiar-se para fazer o mal, ou é falsa, ou está falseada em seu principio.”[8]

Sendo ponto de ajuda, não será o responsável pela modificação que deverá acontecer em nós. Trabalhemos por nós mesmo, modificando nossas atitudes, quem somos. Observemos o movimento religioso ou núcleo que estejamos vinculados e quais propostas nos estão sendo apresentadas. Se elas estão ou não de acordo com a mensagem do Cristo. O Cristo foi o exemplo do amor sublime, do perdão e da educação pelo exemplo. Da caridade em sua plenitude. São a estas mensagens que toda religião que está de acordo com a mensagem Crística deverá nos orientar.

 

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – abril 2020

[1] Livro dos Espíritos

[2] Mateus, cap V, vv. 8

[3] Livro dos Espíritos, item 101

[4] Livro dos Espíritos, item 107

[5] Mateus, capítulo 18

[6] Mateus, capítulo 5, v 41

[7] Livro Plenitude, Psicografia de Divaldo Franco, autoria espiritual Joanna de Ângellis, capítulo 2 – Análise do Sofrimento

[8] Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. VIII, item 10

Permaneçamos Fiéis

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Walkiria Lucia Araujo Cavalcante 

“Além disso, requer-se nos despenseiros que cada  um se ache fiel”[1]

Um dia, a luz do esclarecimento doutrinário adentrou-nos a porta mental. Fomos convidados a compreender melhor o que nos acontecia. A mensagem de amor começou a nos fazer sentido, pois nos falava de um Reino de Deus que começava desde agora, em nós.

Os dias foram se passando, as tribulações ora diminuindo, ora se avolumando, em outros momentos, tomando novos contornos. Vimos companheiros da Seara Espírita desertarem. Afirmarem que ainda não estavam no momento e preferirem “momento mais propício” para abraçarem as tarefas. Como se a obra de renovação individual pudesse ser adiada. Mais uma vez, o orgulho e o egoísmo batem à porta da criatura e não permite que ela enxergue o seu papel no todo e a responsabilidade consigo mesma.

Temos a tendência em observar muito mais o que nos incomoda do que as coisas boas que nos afagam o espírito. “Com efeito, experimenta mais desconserto emocional que bem-estar, quando poderia deter-se nas expectativas otimistas, nas evocações agradáveis, bendizendo a vida e agradecendo-a.”[2] Doenças, reveses financeiros, familiares que não nos compreendem a mudança de conduta e a permanência nesta mudança, companheiros de ideal que procuram minar o trabalho, colegas de trabalho que boicotam o que estamos realizando, tudo corresponde e empecilhos daqueles que estão encarnados e que buscam o processo evolutivo.

Não são “castigos de Deus” ou algo parecido, fazem parte desse processo de ajuste moral individual e coletivo que todos vivenciamos. Os atuais “Coaching” utilizam-se de Jesus como modelo (vejam que muitos não são espíritas e nem tão pouco tem conhecimento da questão 625 de O Livro dos Espíritos)[3] para nos mostrar que nos retroalimentamos de energia individual para prosseguirmos diante dos objetivos almejados. Por exemplo: se desejamos um emprego, não importa o que os outros estejam dizendo, deveremos traçar um objetivo, criarmos um ambiente propício e utilizarmos das ferramentas que temos para chegarmos lá, somando a isto persistência e autodeterminação.

Assim, também o é com relação a evolução da criatura humana e aos trabalhos abraçados na lide espírita. Sem precisarmos de buscar em outras paragens, Jesus nos apresenta como deveremos agir. Trouxe-nos a época, a figura de doze apóstolos, criaturas que representavam doze tipos que nos identificamos, mais Paulo de Tarso que mais tarde veio a ser o décimo terceiro apóstolo, o que viria a ser o divulgador de sua mensagem por todos os povos.

“Não obstante os erros que ainda nos assinalem o coração, sejamos sinceros em nós mesmos e estejamos decididos a cumprir o dever que possamos, diante de consciência. Desistamos de alegar tropeços e culpas, inibições e defeitos para a fuga das responsabilidades que nos competem.”[4] Se esperarmos o momento propício ou sermos perfeitos para atuarmos na Seara Espírita, esperaremos muito tempo para começarmos o trabalho. Seremos iguais as criaturas queixosas que reclamam que as coisas não estão boas e creditam aos espíritos a responsabilidade dos seus sofrimentos. Somos responsáveis por nós mesmos. Se não estamos felizes pelo que estamos vivenciando agora, mudemos a nossa conduta para podermos colher algo diferente.

Sendo um processo interno, em primeiro lugar, mudemos de atitude mental, transformando em atitudes externas o que se passa no nosso mundo interior. “Evidentemente, existem provas e expiações que devem ser experienciadas, porque são resultado de comportamentos irregulares em existências passadas. Apesar disso, a disposição para ser feliz, para utilizar-se bem do recurso reeducativo, raramente é aceita, mais complicando o desempenho do que o solucionando.”[5]

Não estamos sozinhos neste processo de reeducação. Se falhos como somos, ao arbitrarmos uma corrigenda a um educando nosso observamos e orientamos a ele, Deus que é nosso Pai Amoroso iria fazer diferente? Através de seus emissários nos acompanha de perto, nos ampara e orienta para o sucesso da obra empreendida. Mas cabe a nós escolhermos nos esforçarmos ou não. Alguém já disse com propriedade: crescer dói. Sendo verdade tal afirmação. Precisamos sair da nossa zona de conforto, com o que já nos acostumamos e principalmente: da posição cômoda de vítimas.

Temos a oportunidade bendita de estarmos encarnados agora. Quantos estão clamando por este momento, aguardando que mães amorosas acolham em seu ventre estas criaturas? Se nos equivocamos, refaçamos o caminho. Se nos afastamos de alguma maneira do ideal já abraçado, voltemos aos hábitos felizes, passo a passo. Se não podemos mais refazer os laços de amor com as criaturas porque a ofensa foi avultosa ou os laços do desencarne nos alcançaram, esperemos o momento propício, pois Deus que possuí a Suprema Inteligência nos conduzirá a todos a conciliação. Somos filhos bem-amados do mesmo Pai, que nos conduz a todos rumo a perfeição. Permaneçamos fiéis.

Jornal O Clarim – março 2020

[1] Paulo. (I CORINTIOS, 4:2.)

[2] Libertação do Sofrimento, psicografia de Divaldo Franco, autoria espiritual de Joanna de Ângellis, cap. 30 – Enquanto é Oportuno

[3] Jesus é o modelo e guia mais perfeito que Deus ofereceu a humanidade

[4] Livro Palavras de Vida Eterna, psicografia de Chico Xavier, autoria espiritual Emmanuel, cap. 124 – Permaneçamos Fiéis

[5] Libertação do Sofrimento, psicografia de Divaldo Franco, autoria espiritual de Joanna de Ângellis, cap. 30 – Enquanto é Oportuno

O Pensamento Bem Direcionado

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Walkiria Lucia Araujo Cavalcante

“O pensamento é força viva e atuante, porque procede da mente que tem a sua sede no ser espiritual, sendo, portanto, a exteriorização da Entidade Eterna. Conforme o seu direcionamento, manifesta-se, no mundo das formas, a sua realização. A sua educação é relevante, porque se torna fator essencial para o enfrentamento dos desafios e encontro das soluções necessárias à vida saudável. … Modificando a estrutura psicológica, pelo sanear do conflito a que se apega, deve direcionar a força mental para a sua realização, a fim de que lhe surjam fatores especiais que o auxiliem na modificação das paisagens íntimas e das ocorrências externas, desde que está programado pelo Pensamento Divino para alcançar os patamares mais elevados da Vida. [1]

 

Eu não tenho fé! Afirmam alguns. Deus não me enxerga! Dizem outros. Faço tudo certo, mas a Divindade não faz nada por mim! Exclamam outros. Mas tais criaturas esquecem que nos foi dado o remédio orientativo: “Pedi e se vos dará; buscai e achareis; batei à porta e se vos abrirá; porquanto, quem pede recebe e quem procura acha e, àquele que bata à porta, abrir-se-á.”[2].

O processo de ajuda começa por nos ajudarmos a nós mesmos. Mas será que estamos pedindo certo? Partindo do princípio que Deus é Pai de todos, jamais irá nos atender num pedido que possa ir contra o cumprimento da Lei e/ou contra o nosso próximo e ao solicitarmos ajuda ela virá proporcional ao que estamos nos movimentando ao encontro Dela. Jamais sendo um processo de espera, fala-nos de uma atitude de auto ajuda, no qual nos enxergamos tal qual somos, assumindo a responsabilidade de nossos atos e entendendo que cada um de nós está vivendo o momento de experiência evolutiva necessário para o aprendizado e aprimoramento espiritual.

Mas além do merecimento, da necessidade espiritual, se não houver a modificação interior, por isso que precisamos saber bater à porta, não concretizaremos o objetivo de nossa prece. A reencarnação constitui-se em conflitos internos e externos que servem para podermos reflexionar e analisarmos as nossas vidas e voltarmo-nos para nós mesmos e verificarmos o que realmente tem importância. Isto posto, começamos a voltarmo-nos o nosso olhar para as verdades espirituais e permitirmos que Jesus faça-nos companhia, pois Ele sempre está conosco, mas nem sempre estamos com Ele.

Quando nos desarvoramos em atos que vão contra a Lei Divina, quando odiamos nosso próximo, quando conspurcamos de alguma forma os ensinamentos Dele, deixamos de ladeá-lo. Não sendo uma questão de escolha, mas de comportamento, isto define quais portas desejamos abrir e quais criaturas desejamos como companhias ao nosso lado. Não sendo somente uma afirmação que norteia nosso comportamento, serve como estímulo para explicar que a prece é o nosso sustentáculo diante das adversidades.

Durante a encarnação existem criaturas que exigem o máximo do nosso equilíbrio e de nossa paciência, as intempéries nos provocam preocupações, sendo a prece o amparo e a ligação com o Eu Divino que habita em nós. Mais ainda, serve como o querosene que alimenta a chama viva do Eu Divino em nós. Ajuda-nos a modificar a forma de pensar e enxergar os acontecimentos da vida e entender que por mais turva que a encarnação esteja transcorrendo em tudo existe a presença e o amparo de Deus.

Por sermos espíritas, sabemos da existência e ajuda dos espíritos. Em célebre passagem do Livro Obras Póstumas, na qual O Espírito Verdade responde a uma pergunta de Allan Kardec temos a mais bela prova de amor e presença dos espíritos em nossas vidas desde que queiramos estar com eles fazendo o bem e promovendo o desenvolvimento da sociedade: “Disseste que seríeis para mim um guia, que me ajudaria e me protegeria, concebo essa proteção e o seu objetivo numa certa ordem de coisas, mas gostaríeis de me dizer se essa proteção se estende também as coisas materiais da vida? Neste mundo, a vida material importa muito; não te ajudar a viver, seria não te amar.”[3]

Pensar bem não significa que todos os problemas de nossa vida irão ser resolvidos, mas significa que o nosso comportamento modificará diante das situações. Muitas vezes a Divindade repete a experiência para verificar se realmente aprendemos a lição. Quando estamos bem direcionados movimentando-nos e buscando os altos patamares evolutivos, não nos permitimos afetar ou afetamo-nos pouco em tais experiências. Não somos dados jogados ao acaso, esperando a boa-vontade da Divindade. Somos regidos pela Lei Natural provinda de Deus. Que nos rege a todos indistintamente.

Por fim, “Ninguém, no mundo terreno, vive em regime especial. O que parece, não excede a imagem, a ilusão.”[4] A dor nos visita a todos, a forma como enxergamos e nos conduzimos define-nos e define os próximos passos. Olhamos o próximo e acreditamos que a encarnação dele é melhor, mas não sabemos como é a sua encarnação. Para nós, espíritas, resta-nos a lição que podemos fazer algo de positivo enquanto transpomos o mar da encarnação; orarmos, nos conectarmos com a Divindade e auto iluminarmos para superarmos os percalços e rumarmos a perfeição.

 

Tribuna Espírita – Janeiro/Fevereiro 2020

[1] Vida – Desafios e soluções”, de Divaldo P. Franco, pelo Espírito Joanna de Ângelis, O Pensamento Bem Direcionado.

[2] Mateus, cap. VII, vv 7 e 8

[3] 09 de abril de 1856

[4] Felicidade Possível, psicografia de Divaldo Franco, autoria espiritual de Joanna de Ângelis

Nas trilhas da fé

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Walkiria Lucia Araujo Cavalcante 

“Em muitas ocasiões, admitimos erroneamente que os grandes vultos do Cristianismo terão obtido privilégios nas Leis Divinas; entretanto, basta a reflexão nas realidades do Evangelho, para que nos capacitemos da sem-razão de semelhante conceito. … Realmente, não possuímos qualquer justificativa para isentar-nos do serviço de autoeducação, à frente do Cristo, sob a alegação de que não recolhemos recursos imprescindíveis à solução dos problemas do próprio burilamento para a vitória espiritual. … Pedro, com a autoridade do exemplo, afirma-nos que, diante da providência Divina, todos nós obtivemos valores iguais para as realizações da mesma fé. [1]

Neste momento que se avizinha o período que as famílias se voltam para o congraçamento e comemoração do nascimento do Mestre Jesus, muitos valores que por razões diversas ficam adormecidos ou que não são dados os devidos valores em nossas vidas, veem à tona.

Alguns, surgem como o perlustrar de luzes a nos iluminarem. Trazendo balsamos as feridas que, por vezes, acalentamos durante o ano, mas que “a magia do Natal” consegue apaziguar, mesmo que por um curto espaço de tempo. Relata a espiritualidade nos livros específicos trazidos pelos trabalhadores da seara espírita que grandes grupos se formam e aproveitam que as criaturas encarnadas estão mais propensas ao perdão, ao amor e a caridade para insuflar nos corações estes sentimentos, potencializando-os em nós.

“Compreendei as obrigações que tendes para com os vossos irmãos! Ide, ide ao encontro do infortúnio; ide em socorro, sobretudo, das misérias ocultas, por serem as mais dolorosas! Ide, meus bem-amados, e tende em mente estas palavras do Salvador: ‘Quando vestirdes a um destes pequeninos, lembrai-vos de que é a mim que o fazeis!’”[2] “Mas, se peço, também dou e dou muito. Convido-vos para um grande banquete e forneço a árvore onde todos vos saciareis! Vede quanto é bela, como está carregada de flores e de frutos! Ide, ide, colhei, apanhai todos os frutos dessa magnificente árvore que se chama a beneficência. No lugar dos ramos que lhe tirardes, atarei todas as boas ações que praticardes e levarei a árvore a Deus, que a carregará de novo, porquanto a beneficência é inexaurível.”[3]

Ao nos doarmos aos outros, colocamos medicamento poderoso, o medicamento do amor em nossas próprias feridas e como nos relata Cáritas no trecho acima, ao irmos ao encontro dos infortúnios ocultos de nossos irmãos estamos de certa forma curando os nossos próprios, aqueles que muitas vezes não temos coragem de assumirmos para nós mesmos. Voltando-nos para a árvore da vida e nos repondo de energia bem-fazeja, sendo aqueles que nos dispomos, mesmo com chagas e ainda feridos, a ajudar aqueles que estão na caminhada, ladeando os nossos passos.

Quando era criança tentava entender o que era o “Espírito de Natal”. Hoje, penso que existem plêiades de espíritos trabalhando para que o sentido do Natal persista em nós. O amor, a esperança, a caridade, o perdão, sementes plantadas com mais afinco, regadas e adubadas neste período, sejam germinadas ao longo dos meses subsequentes. Quando buscamos a reunião da mesa, buscamos a união familiar, quando trocamos presentes, desejamos estar presente na vida do outro. Mas muitos de nós ainda não educamos o sentimento e não trabalhamos as ações para que elas traduzam o Eu Divino que habita em nós.

De uma maneira ou de outra tivemos a oportunidade de compartilharmos a presença amorável do Mestre Jesus que nos mostrou que a perseverança seria o nosso estandarte de conduta em todas as suas passagens. Veio-nos a Doutrina Espírita mostrar-nos que a reencarnação comprova-nos a certeza que vale a pena insistir e persistir. Não pelos outros, mas por nós mesmos. Pelo entendimento que estamos construindo a nossa edificação moral, ninguém poderá faze-la por nós. Então tudo o que fizermos será em nosso proveito em primeiro lugar, em sequência de nosso semelhante.

Amar, perdoar, ser caridoso, são virtudes que elevam em primeiro lugar a nós mesmos. Nesta passagem que trouxemos para ilustrar e que serve como título deste artigo, a figura trazida é de Simão Pedro, pescador. Figurativamente a criatura que sai para o mar, enfrenta as intempéries, mantem-se firme, tem a paciência de esperar até que consiga adquirir o pescado do dia para na manhã seguinte, bem cedo, recomeçar o trabalho. Não é assim a encarnação?

Vivemos neste processo de recomeço que para alguns pode parecer eterno, mas que não é. Ultrapassamos etapas e evoluímos, mas não temos a paciência de esperar o processo se cumprir. Dia chegará que olharemos para trás e veremos o quanto já vivemos, o quanto já evoluímos. Caminharmos nas trilhas da fé é termos os passos firmes, não importando o terreno que estejamos caminhando: arenoso, pedregoso ou firme. Pois, temos a certeza que Deus está conosco e que em tudo se cumpre a sua Lei.

Tribuna Espírita setembro/dezembro 2019

[1] Livro: Palavras de Vida Eterna, capítulo 154 – Nas Trilhas da Fé.

[2] Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo XIII, item 11

[3] Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo XIII, item 13

Suicídio

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Walkiria Lucia Araujo Cavalcante

Tem o homem o direito de dispor da sua vida? Não; só a Deus assiste esse direito. O suicídio voluntário importa numa transgressão desta lei.”

Não é sempre voluntário o suicídio? O louco que se mata não sabe o que faz.”[1]

O suicídio é abordado em O Livro dos Espíritos, nas questões nas questões novecentos e quarenta e três a novecentos e cinquenta e sete. O suicídio é a negação da dor que a criatura humana está vivenciando. Matando-se o corpo físico acredita-se matar a dor.

Estamos encarnados num momento crucial da evolução, em que os que decidem permanecer fieis aos ensinamentos do Mestre Rabi vivenciamos momentos de profunda agonia em embate por sabermos que o grande enfrentamento de luz e sombra está acontecendo dentro da própria criatura humana. O homem novo construindo-se com os materiais do homem velho, vivencia os momentos semelhantes ao da feitura do aço que é submetido a altas temperaturas e que através do resfriamento do amor, da unção da paciência, do óleo salutar da resignação, das bênçãos do pai nos solidificamos em espíritos para cada vez ficarmos mais fortes.

A ideia da vida imortal está intrínseca na criatura humana[2]. A questão não é desconhecimento da lei, é senti-la em toda sua completude. Este sentimento só nasce da vivencia evangélica no bem. Quanto tiramos o foco do bem, passamos a observar os desgostos da vida com lente de aumento, sendo estes desgostos da vida provindos da ociosidade, da nossa falta de fé e da própria saciedade (questão novecentos e quarenta e três de o livro dos espíritos). Quando não nos sentimos úteis e deixamos de enxergar a presença de Deus e de sua Lei em nossas vidas, vivemos de forma mecânica, perdemos o objetivo da vida e o rumo que nos leva a ascensão espiritual.

Bezerra de Menezes sobre o pseudônimo de Max escreve o livro A Loucura Material e a Loucura Espiritual que distingue claramente os casos de perturbação física, os chamados loucos; e perturbação espiritual, os obsessos. Trazemos este adento e sugestão de leitura, porque ao tratar sobre a disposição da própria vida na questão novecentos e quarenta e quatro, é perguntado ao insignes Mestres da Humanidade se o suicídio é sempre voluntário, obtendo como resposta que “o louco que se mata não sabe o que faz.” Gostaríamos de destacar que sempre seremos assistidos por aqueles que sintonizamos por associação fluídica, então, nestes momentos, irão se associar aqueles que vibram nestes mesmo pensamento.

Em todos os outros casos, o suicídio é voluntário. Mesmo que seja inconsciente. Um dos que gostaríamos de destacar é o suicídio moral[3] : é o suicídio fruto das paixões. Muitos alegam que não conseguem resistir a influência corporal e que são arrastados pelo desejo que as rege. “O corpo não dá cólera àquele que não na tem, do mesmo modo que não dá os outros vícios. Todas as virtudes e todos os vícios são inerentes ao Espírito. A não ser assim, onde estariam o mérito e a responsabilidade?  … Não vos mostra a experiência, a vós espíritas, até onde é capaz de ir o poder da vontade, pelas transformações verdadeiramente miraculosas que se operam sob as vossas vistas? Compenetrai-vos, pois, de que o homem não se conserva vicioso, senão porque quer permanecer vicioso; de que aquele que queira corrigir-se sempre o pode. De outro modo, não existiria para o homem a lei do progresso.”[4]

Fica destacado que o espírito é responsável pelos atos que o corpo executa e que a criatura encarnada é detentora das possibilidades de escolha. Muito se tem falado de um mês dedicado à ajuda para aqueles que desejam a busca do desenlace físico. Entendemos válido este trabalho, mas destacamos que o trabalho é diário. Que deveremos, nas instituições espíritas, nos dispormos a ajudar àqueles que nos buscam e percebermos as mensagens subliminares dos que passam pelos atendimentos fraternos.

Mesmos conhecedores das mensagens que nos libertam e nos mostram um porvir estamos nos permitindo olhar para o agora. Estamos desviando o olhar da proposta de espíritos imortais que somos e nos vinculando ao momento presente. “A vida é difícil, bem o sei. Compõe-se de mil nadas, que são outras tantas picadas de alfinetes, mas que acabam por ferir. Se, porém, atentarmos nos deveres que nos são impostos, nas consolações e compensações que, por outro lado, recebemos, havemos de reconhecer que são as bênçãos muito mais numerosas do que as dores. O fardo parece menos pesado, quando se olha para o alto, do que quando se curva para a terra a fronte.”[5]

O espírito dirige o corpo, não o inverso. Dele promanam as orientações. As consequências do suicídio não são iguais para todos, sempre é levado em consideração a intenção. Não existem penas fixadas[6], uma única coisa vincula como resultado em todos os casos: a frustação encontrada no final, ninguém morre. Somos espíritos eternos vivenciando situações momentâneas, que mesmos que signifiquem uma encarnação, tem prazo determinado.

Diz-se com propriedade que mesmo na noite mais escura, o primeiro minuto após a meia-noite é o primeiro minuto de um novo dia. Que a noite escura e nebulosa que por ventura estejamos vivendo seja ultrapassada pelo primeiro minuto do porvir de um sol radiante a nos iluminar a jornada e nos proporcionar o entendimento e o calor da presença do Mestre Jesus em nossas vidas. Nada dura para sempre, nem as alegrias, nem os sofrimentos. Somos espíritos eternos vivenciando experiências materiais que nos ajudam a evoluir e expurgar um passado espiritual, que contribuamos com este processo e que aprendamos com o que estejamos vivendo, não fugindo do aprendizado que nos bate a porta.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo

[1] Livros dos Espíritos, questão 944, 944-a

[2] Questão 959 O Livro dos Espíritos

[3] Questão 952 O Livro dos Espíritos

[4] Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo IX, item 10

[5] Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo IX, item 09

[6] Questão 957 O Livro dos Espíritos

Sessões Mediúnicas

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Walkiria Lucia Araujo Cavalcante 

“Artigo 17 – … As sessões são particulares ou gerais; jamais são públicas…

Artigo 18 – O silêncio e o recolhimento são rigorosamente exigidos durante as sessões, e principalmente durante os estudos. Ninguém pode tomar a palavra, sem que a tenha obtido do Presidente. Todas as perguntas dirigidas aos espíritos devem sê-lo por intermédio do Presidente, que pode se recusar a formulá-las, segundo as circunstâncias. São notadamente interditadas todas as perguntas fúteis, de interesse pessoal, de pura curiosidade, ou feitas com vistas a submeter os Espíritos a provas, assim como todas as que não tenham um objetivo de utilidade geral, do ponto de vista dos estudos. São igualmente interditadas todas as discussões que se afastam do objetivo especial do qual se ocupa.. [1]

Constituindo princípio básico de respeito de sociedade, mas principalmente quando estamos lidando com os espíritos, Kardec convencionou em Estatuto, normais formais que serviram de orientação para os presentes da época e para todos aqueles que quisessem replicar como modelo norteador de disciplina com relação as comunicações mediúnicas.

Algumas pessoas que adentram ao movimento espírita dizem não ser necessário estudar o livro dos médiuns, nem tão pouco ser preciso muitas orientações com relação ao trato com os espíritos. Afirmam estes que estamos falando da comunicabilidade e o fenômeno de incorporação ocorre de “lá para cá”, utilizando inclusive palavras de Chico Xavier. Mas esquecem-se que o próprio Chico, recebeu de Emmanuel como regra de execução do trabalho mediúnico três conselhos: disciplina, disciplina e disciplina.

Vemos no próprio Evangelho Segundo o Espiritismo que “… a mediunidade é coisa santa, que deve ser praticada santamente, religiosamente.”[2] Denotando assim, o respeito e a responsabilidade com que dever ser praticado. Não é algo de improviso, feito de qualquer maneira, em qualquer lugar, nem tão pouco com plateia. Deveremos nos preparar para execução do trabalho antes ou concomitantemente. Não permitindo ensaios, nem que mentes desavisada (encarnadas ou desencarnadas) utilizem-nos para expansões dos desejos e prazeres.

Começamos assim, a delinear a responsabilidade mediúnica que a criatura encarnada possui diante da própria ou quando responsável pelos trabalhos numa instituição espírita do grupo. Estamos tratando de fluidos, mentes, estrutura psicológica dos envolvidos que precisam estar preparados para tal trabalho. Todos os envolvidos não estão numa reunião social, mas num trabalho de ajuda ao próximo e de ajuda a si mesmos, fazendo um trabalho de catarse e modificação interior neste momento. Por isso, afirma-se que as reuniões mediúnicas seguem numa crescente, como também numa crescente segue a progressão individual de cada membro do grupo.

Infelizmente, “havendo chegado o seu tempo de divulgação, ampliando os horizontes das informações de alto significado, é natural que ocorram vários desvios de conteúdo, especialmente no que diz respeito à mediunidade pouco estudada e muito difundida.”[3] Cabe-nos, a nós espíritas, fazermos o bom papel de divulgação acertada. Incutindo a informação através do exemplo, mas também, através da instrução. Nas instituições espíritas, principalmente, orientar, disciplinar e conduzir o bom andamento dos trabalhos. Não podemos nos melindrar em corrigir o que está errado. Pois, compete-nos sermos os guardiões da mensagem, sendo os propagadores do bem.

Se temos acesso ao conteúdo, que o repassemos de forma correta, para que o erro não seja replicado em nome de não magoarmos a suscetibilidade alheia. “Considerando-se a gravidade de que se reveste, a mediunidade exige educação contínua e aprimoramento moral do seu portador, de modo a manifestar-se dentro dos padrões de respeito e de elevação que a devem caracterizar em todas as circunstâncias.”[4]

Ponto importante a ser destacado: o aprimoramento moral do médium. Muitos afirmam, que por ela ser orgânica, não haveria o que se falar sobre isso. Mas entendemos não ser desta forma. Quanto mais afinado o instrumento melhor o som é produzido. Quando mais culto e harmonizados com o bem, mais fácil aqueles que propagam o bem encontram ressonância e sintonia na emissão da mensagem. Somos àqueles que traduzimos a mensagem e quanto maior a sintonia, maior a exatidão, não havendo ruído para aqueles que estão recebendo.

Por isso que somos médiuns, mediadores entre os dois planos de energia e sensibilidade. Já não fazemos mais parte daqueles que vibram nas faixas mais inferiores, mas a nossa entrada ainda é interdita a zonas superiores pelas nossas mossas morais, as quais estamos, pouco a pouco, cicatrizando através dos bons atos, muitos destes nas reuniões mediúnicas de ajuda ao próximo. Por isso, que o estudo, a disciplina e o aprimoramento moral são as bases condutoras para a boa execução do trabalho mediúnico.

“A circunspeção, a seriedade na prática do fenômeno, a ação contínua da caridade, a maneira correta de viver, constituem os cartões de crédito que dignificam todos aqueles que descobrem os valiosos tesouros do serviço de intercâmbio espiritual.”[5] Nós médiuns somos seres comprometidos sim, não só com um passado espiritual, fato que todos os encarnados o são, mas principalmente, somos comprometidos com o trabalho assumido. A mediunidade é uma ferramenta de trabalho, que a atualizamos como meio de aperfeiçoamento e com isso, conquistamos créditos que angariamos em nosso proveito para de futuro utilizarmos.

Jornal O Clarim – janeiro de 2020

[1] Livro dos Médiuns, Capítulo XXX – Regulamento da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, capítulo III – Das Sessões.

[2] Capítulo XXVI, item 10

[3] Livro: Compromissos de Amor, capítulo: 37 – Comportamento Mediúnico, psicografado Divaldo Franco, Espíritos Diversos

[4] Idem

[5] Idem

Preces Espíritas

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Walkiria Lucia Araujo Cavalcante 

649 Em que Consiste a adoração?” Na elevação do pensamento a Deus. Deste, pela adoração, aproxima o homem sua alma.

  1. Qual o caráter geral da prece? A prece é um ato de adoração. Orar a Deus é pensar nele; é aproximar-se dele; é pôr-se em comunicação com ele. A três coisas podemos propor-nos por meio da prece: louvar, pedir, agradecer.[1]

O capítulo final de O Evangelho Segundo o Espiritismo contém uma coletânea de preces espíritas. Embora a Doutrina Espírita nos ensine que não há fórmulas para se orar, pois o que vale é o pensamento, os Espíritos trouxeram essa coleção de preces para facilitar aos que sentem dificuldade ao fazer uma oração ou que não acreditam nas suas próprias palavras por imaginar que elas não têm força suficiente para ajudar a si mesmo ou ao próximo.

Kardec divide em cinco partes a saber: Preces Gerais (Oração Dominical, Reuniões Espíritas, Para os Médiuns), Preces por Aquele Mesmo que Ora (Aos anjos guardiães e aos Espíritos Protetores, Para Afastar os Maus Espíritos, Nas Aflições da Vida, etc), Preces por Outrem (Preces por Alguém que esteja em aflição), Preces pelos que já não são da Terra (Por Alguém que Acaba de Morrer) e Preces pelos Doentes e pelos Obsediados (Pelos Doentes e Obsediados).

Entendemos que o Mestre Lionês foi muito feliz neste trabalho, pois antes de cada sugestão de prece ele faz uma explicação orientativa sobre do que se trata cada uma delas. Ao oramos, colocamo-nos em comunhão com Deus, num movimento de adoração, não contemplativa, mas de elevação do pensamento procurando mergulhar no psiquismo da Lei Divina, pensando , aproximando e nos comunicando com Ele, podemos absorver sua mensagem. Seja através de palavras já escritas ou formuladas por nós mesmos.

No livro Boa Nova, Humberto de Campos, relata uma conversa[2] de Simão Pedro com Jesus que vem a Desaguar na Oração Dominical que conhecemos. Conta-nos Humberto de Campos que a sogra de Simão Pedro foi curada por Jesus e vendo do que ela era capaz, pediu que Pedro solicitasse a intercessão do Mestre Rabi para a solução dos problemas matérias que eles possuíam. Afinal, eles foram dos primeiros a seguirem o Mestre.

Então, aguardando oportunidade certa, Pedro questiona o Jesus: “Mestre, será que Deus nos ouve todas as orações?” É uma questão delicada. Somos seres limitados tentando compreender e traduzir as atitudes de um ser ilimitado que é Deus. De acordo com a resposta do Mestre, temos a tendência de buscarmos o mais alto e necessitamos de comungar com essa experiência. É o que ocorre quando pedimos, louvamos ou agradecemos. Buscamos a Deus através de várias formas, não obrigatoriamente de palavras ditas, recitadas ou não, mas as nossas ações e os nossos sentimentos deverão corroborar o que estamos expressando naquele momento. Então, todas as nossas orações são ouvidas, mas o atendimento é para o espírito eternos, não para a criatura que vive sob a influência das vicissitudes materiais.

Pedro não se dá por vencido, assim como nós. E pergunta: “Se Deus ouve as súplicas de todos os seres, porque tamanhas diferenças na sorte?” Neste momento, Pedro começa a si comparar e comparar sua família a de outros, da mesma maneira que fazemos algumas vezes em nossas preces. Em vez de analisarmos a nós mesmos e o que podemos fazer para nos melhorarmos e alcançarmos o nosso objetivo. Jesus nos lembra que todos pertencemos a Deus, então, todos somos seus servidores. Cada um em seu campo de atuação contribuindo para o progresso e transformando a vida em uma perfeita oração de amor. Trabalhando no bem, pelo bem, no sentido do bem para todos.

Neste diálogo que se estabeleceu, Simão Pedro procura saber “… como deveremos interpretar a oração?” O Mestre nos orienta que “em tudo deve a oração constituir o nosso recurso permanente de comunhão ininterrupta com Deus.” Nos momentos bons, nos momentos ruins. Nas horas felizes, nas horas tristes. Termos na oração a companheira diária que nos apazigua a mente, nos acalenta a alma e nos ajuda a prosseguir. Nos ajudando a termos firmeza nos passos, equilibro nos pensamentos e certeza no processo de decisão.

Estar em comunhão com Deus e com a sua Lei não significa um movimento de corpo em que nos depomos ajoelhados ou que dizemos uma quantidade de palavras, ou tão pouco práticas exteriores que não condizem com o que estamos pensando ou sentindo. Pedro acreditava que estava de acordo e que mantinha inalterada a sua comunhão com Deus. Mas mesmo assim não lograva êxito. E mais uma vez questiona Jesus do porque não conseguir.

Mas, Jesus, que conhecia a alma humana, mais do que a própria criatura humana imagina, pergunta-lhe: “E que tens pedido a Deus?” A resposta não poderia ser diferente: “Tenho implorado à sua bondade que aplaine os meus caminhos, com a solução de certos problemas materiais.” Jesus, diante desta resposta, orienta a Pedro: “… enquanto orares pedindo ao Pai a satisfação de teus desejos e caprichos, é possível que te retires da prece inquieto e desalentado. Mas, sempre que solicitares as bênçãos de Deus, a fim de compreenderes a sua vontade justa e sábia, a teu respeito, receberás pela oração os bens divinos do consolo e da paz.”

Não nos é interditado solicitar bens materiais, mas que isso não seja objeto e objetivo único de nossas vidas. A mensagem do Mestre foi para o espírito eterno. Deveremos sempre solicitar bênçãos e compreensão do que está nos acontecendo naquele momento. Muitas vezes desejamos interromper algo que está servindo como experiência. Não podemos pular etapas. É da Lei. Neste momento Simão Pedro, também compreende isto e diz: “Senhor, ensina-nos a orar!…” Momento no qual, o Mestre Rabi pronuncia a Oração Dominical.

Revista Internacional de Espiritismo – RIE – janeiro 2020

[1] Livros dos Espíritos

[2] Capítulo 18 – Oração Dominical

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