Progressão dos mundos

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Walkiria Lucia Araujo Cavalcante

“De duas maneiras se opera, como já o dissemos, a marcha progressiva da Humanidade: uma, gradual, lenta, imperceptível, se se considerarem as épocas consecutivas, a traduzir-se por sucessivas melhoras nos costumes, nas leis, nos usos, melhoras que só com a continuação se podem perceber, como as mudanças que as correntes d´água ocasionam na superfície do globo; a outra, por movimentos relativamente bruscos, semelhantes aos de uma torrente que, rompendo os diques que a continham, transpõe nalguns anos o espaço que levaria séculos a percorrer. É, então, um cataclismo moral que traga em breves instantes as instituições do passado e ao qual sobrevém uma nova ordem de coisas que pouco a pouco se estabiliza, à medida que se restabelece a calma, e que acaba por se tornar definitiva.”[1]

Em O Evangelho Segundo Espiritismo, capítulo III, na parte trazida pelas instruções dos espíritos, vemos o item progressão dos mundos. Mas os mundos progridem porque a humanidade progride. A situação da criatura humana em ser superior ou inferior varia de acordo com o ponto de vista analisado.

Tomando como ponto de partida a criatura encarnada no planeta Terra no qual estamos expiando ou provando, os que estão acima não estão mais sujeitas as doenças que estamos, possuem os sentidos mais apurados, a própria locomoção é mais rápida, a infância é mais curta, consequentemente a longevidade é maior. Os que estão abaixo em contrapartida tem a força bruta como lei entre eles, o sentimento de delicadeza e justiça não predomina entre eles.

Mas quanto a nós, que estamos como ponto de partida para avaliação. Como nos avaliarmos? Baseados nas avaliações do próprio Evangelho, vemos que a superioridade intelectual predomina, mas não ainda, a moral. Ainda estamos propensos a númerosos vícios. Ainda verificamos a questão das provas e das expiações como proeministes em detrimento das missões.

As expiações são os expurgos dos atos cometidos contra a Lei Divina. Ao fazermos o mal a alguém, na verdade estamos conspurcando a Lei Divina utilizando o próximo como veículo. Deixando em nós a matriz do delito, marcas que serão o meio pelo qual nos reajustaremos com a própria Lei. Dia chegará que a divindade por força da necessidade ou nós mesmos pelo esclarecimento da razão desejaremos este reajuste nos colocando em situação de reealinho. Podendo utilizar como veículo a mesma pessoa a quem fizemos mal ou outra.

As provas são os testes que fazemos de tempos em tempos para corroborar as lições aprendidas e renovarmos o saber diante da Lei. Avançamos no conhecimento doutrinário, comprometemo-nos com uma nova de proceder, atentamos para novos preceitos em nossas vidas, ajustamos percursos em virtude desses valores abraçados, mas necessitamos forjar a teoria à prática. A Lei nos coloca em prova diante das lições e das promessas feitas por nós.

Neste nosso planeta ainda verificamos as desigualdades sociais; o merecimento não é o nivelador para alçar, na grande maioria das vezes, os postos mais altos, não importando do que estejamos falando; ambição, orgulho e vaidade sobressaem no ser, fazendo famílias separarem-se e amizades serem dissolvidas; a esperteza, o se dar bem a todo custo cria inimizades e a fraternidade ainda não é bandeira de ordem nos corações humanos.

Mas nós progredimos. Não somente os planetas progridem. Da mesma maneira que a renovação ocorre de duas formas para os mundos, também ocorre para nós. Uma lenta, gradual, formada no aprendizado e suplantado pelas provas e as missões que abraçamos durante as sucessivas reencarnações que possuímos. A criatura sedimenta um alicerce forjado no aprendizado constante e na filosofia do amor, da caridade, da fraternidade e do perdão. Tornamo-nos pessoas melhores, porque enxergamos no outro, nós mesmos.

Há um outro processo, mais rápido. Diante das expiações. Do mesmo jeito que os cataclismos revolvem a terra; temos os nossos cataclismos físicos e morais que nos revolvem de forma tal que nos sentimos abalados, sem chão. São as expiações. Necessárias para o expurgo moral, mas também importantes nesse processo de aprendizado, pois se bem aprendidas colocamo-nos sob um novo prisma do entendimento sobre a vida, sobre quem somos e a forma como nos comportarmos a partir daquele momento.

Não há como sermos iguais após estes cataclismos físicos e/ou morais que vivenciamos de tempos em tempos na nossa encarnação. Processos depurativos de aprendizagem que nos projetam para um novo patamar evolutivo se assim o quisermos. Em alguns momentos, sentimo-nos destruídos, mas mesmo assim, este é um processo que faz parte da renovação.

“É lei da Natureza a Destruição? Preciso é que tudo se destrua para renascer e se regenerar. Porque, o que chamais destruição não passa de uma transformação, que tem por fim a renovação e melhoria dos seres vivos.”[2] Os planetas vivem em constante renovação, nós vivemos em constante renovação. Algumas dessas provocam abalos que não gostamos e até procuramos evitar, mas só conseguiremos ver o arco-íris depois da chuva em nossas vidas.

Deus como Pai amoroso que é não nos deixaria sofrer e ficarmos a mercê de situações que não fossem necessárias ao aprendizado e libertação de amarras pesadas que possuímos. Mas ainda, pensamos como crianças que corremos para o colo de nossos pais, quando o médico quer nos fornecer o remédio necessário para cura, mas que traz sabor amargo naquele momento.

Jornal O Clarim – Abril de 2019

[1] Livro A Gênese, capítulo XVIII, item 13

[2] Questão 728 de O Livro dos Espíritos

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Justiça Divina

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Walkiria Lucia Araujo Cavalcante

“875. Como se pode definir a justiça? “A justiça consiste em cada um respeitar os direitos dos demais.”

  1. a) – Que é o que determina esses direitos? “Duas coisas: a lei humana e a lei natural. Tendo os homens formulado leis apropriadas a seus costumes e caracteres, elas estabeleceram direitos mutáveis com o progresso das luzes. Vede se hoje as vossas leis, aliás imperfeitas, consagram os mesmos direitos que as da Idade Média. Entretanto, esses direitos antiquados, que agora se vos afiguram monstruosos, pareciam justos e naturais naquela época. Nem sempre, pois, é acorde com a justiça o direito que os homens prescrevem. Demais, este direito regula apenas algumas relações sociais, quando é certo que, na vida particular, há uma imensidade de atos unicamente da alçada do tribunal da consciência.”[1]

A Lei de Justiça, de Amor e de Caridade encontra-se explicada em O Livro dos Espíritos a partir da questão 873 até a questão 892. Não podendo separar a sua aplicabilidade, as três Leis somam-se e complementam-se, traduzindo a razão de ser, a viga moral que nos conduz a todos.

Começando a desenvolver o nosso pensamento sobre a Justiça, verificamos que a regra de conduta passa pela perfeita compreensão dos direitos de cada um e da coletiva como um todo. Mesmo que não estejamos ferindo o direito individual, quando estamos em coletividade a nossa razão mostra-nos que o todo representa mais que as partes individualmente.

O que seria um leve insulto, podendo ser relevado pela outra parte, torna-se uma grande agressão e vice-versa. Por vezes, em nome do equilíbrio da coletividade, desrespeitamos os direitos individuais da criatura humana, provocando desastres morais que levam a pessoa a desrespeitar aquilo que jamais faria com relação a si mesmo. O ser humano adequa, em muitas situações, a realidade dos fatos e assim a realidade da justiça, ao sabor da necessidade momentânea. Por isso, vemos muito bem explicado, pelos insignes mestres da humanidade, que a justiça consiste em “… respeitarmos o direito dos demais.”

Não existe condicional nesta afirmativa. É uma linha divisória de comportamento alinhando a nossa a conduta a do outro. O direito não permitindo adições de outra parte neste contexto, introduz o pensamento que para sermos justos precisamos aprender a respeitar o próximo. Sendo o respeito um dos filhos diletos do amor, fonte primeira da elevação aos pórticos mais amplos da criação humana, não podemos também separá-lo da caridade.

A caridade, não se constituindo somente a entrega de algo a alguém, também representa a tolerância de uns para com os outros[2], sendo que é o que menos fazemos sobre a Terra, conforme palavras do próprio Evangelho. Para tolerarmos alguém, precisamos passar pelo princípio do respeito. Vemos que este, faz vinculação aos três aspectos, da Lei que nos orienta a convivência com o próximo.

A Lei de Justiça adiciona-se as forças constritoras de educação e elevação do espírito. Limitador da economia humana, as provas e expiações, com olhar mais detido para expiações, produz-nos campo de entendimento sobre o proceder com relação a conduta, o comportamento, as afeições e por fim, com relação ao outro. Tendo um livre-arbítrio limitado, produzimos a caminhada dentro dos limitadores que nos conduzem a evoluir: as provas e as expiações, que a medida que se processamos a compreensão através da prática, acionamos o conhecimento já adquirido e formulamos a nossa conduta estabelecendo parâmetros de conduta diante de nós mesmos, do semelhante e com relação ao todo. Por isso, que se afirma que o aprendizado modifica a forma da criatura enxergar a vida. Esta modificação produz-se muitos mais pela absorção da aprendizagem atual somada ao que já trazemos de experiências passados, do que ao tempo decorrido em virtude da idade.

Sempre competindo a nós a escolha, se enveredarmos para o mal teremos obrigatoriamente que fazer o caminho de retorno. O amor, a elevação, o bem constituem o caminho reto para elevação da criação. Ficando a escolha sob o que deveremos fazer a cada um segundo os limites determinados pela consciência. Fiel amiga, que no silêncio do pensamento aciona a campainha moral, sinalizando que não estamos agindo de acordo com o aprendido e já vivenciado, mas que o interesses pessoal leva-nos a quebra do parâmetro estabelecido.

Por isso que o Livro dos Espíritos nos lembra: “…na vida particular, há uma imensidade de atos unicamente da alçada do tribunal da consciência.” Poderemos fugir ao julgamento legal, social e moral da coletividade, mas não poderemos fugir de nós mesmos. A Justiça Divina estabelece-se da criatura para com Deus, passando pela compreensão de Sua Lei. Por mais que queiramos em alguns momentos e por mais que neguemos, aprendemos e absorvemos a informação. O caminho para execução perfeita da Lei trilha o caminho do exercício. Opcional: provas; ou compulsório: expiações.

Não fugimos de nós mesmos. Não podemos fingir que não sabemos, pois estamos encarnados exercitando o aprendizado, mesmo quando negamos exerce-lo. Cedo ou muito cedo, seremos convidados a revisitá-lo. Até chegar o momento que a criatura, não mais negará a si e Lei em sua vida. Lei de Justiça, de Amor e de Caridade, norte de condução a criatura para perfeição relativa que o Mestre Jesus nos concitou a mais de dois mil anos.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – Abril 2019

[1] Livro dos Espíritos

[2] Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XIII, itens 9 e 10

Prática mediúnica

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Walkiria Lucia Araujo Cavalcanti

“‘Mediunidade … constitui ‘meio de comunicação’, e o próprio Jesus nos afirma: ‘eu sou a porta… Se alguém entrar por mim será salvo e entrará, sairá e achará pastagens!’ Não existe outra porta para a mediunidade celeste, para o acesso ao equilíbrio divino que anelais no recôndito santuário do coração! Somente através d’Ele, vivendo-lhe as sublimes lições, alcançareis a sagrada liberdade de entrar nos domínios da Espiritualidade e deles sair, conquistando o pão eterno que vos saciará a fome para sempre. Sem o Cristo, a mediunidade é simples ‘meio de comunicação’ e nada mais, mera possibilidade de informação, como tantas outras, da qual poderão assenhorear-se também os interessados em perturbações, multiplicando presas infelizes.’”[1]

Encontramos em O Livro dos Médiuns, que completou no último dia 15 de janeiro, 158 anos de seu lançamento, a obra basilar de orientação para nós que nos dedicamos ao trabalho de prática mediúnica. Sendo lançado entre a publicação de O Livro dos Espíritos e o livro intitulado Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas, é composto por duas partes, sendo que a primeira traz em seus quatro capítulos as noções preliminares e a segunda, em seus trinta e dois capítulos, as manifestações espíritas.

Decorrente da 2ª Parte de O Livro dos Espíritos – Do Mundo Espírita ou Mundo dos Espíritos, é roteiro de orientação a todos os envolvidos com estas relações que ocorrem entrem o mundo espiritual e o mundo material ou extrafísico e físico como quiserem tratar. A mediunidade é uma ferramenta de trabalho que possui em O Livro dos Médiuns o seu manual de instrução.

Feitos estes apontamentos pertinentes a obra, verificamos que Kardec preocupou-se logo na sua introdução a objetá-la, encaminhando o leitor à perfeita análise do que encontraria pela frente. É uma obra para quem realmente se dedica a prática das boas comunicações, tendo plena consciência que encontrará percalços, mas que estes, serão ultrapassados pelo exercício, pela habitualidade orientado através do conhecimento adquirido nesta obra e em obras auxiliares.

Ponto a ser destacado é a questão da formação dos médiuns, capítulo 17. Não existe médium pronto. Todos estamos em formação, o estudo constitui-se como mola propulsora a nos encaminhar, aperfeiçoamo-nos a medida que executamos o trabalho. É um processo de afinidade com o plano espiritual superior, mesmo quando nos tornamos veículo de entidades menos felizes. Estando afinados com as equipes do bem, contamos sempre com a sua assistência, não nos permitindo cair em ciladas preparadas pelo plano inferior.

Mesmo assim, se cairmos, “As ciladas constituem recursos perturbadores durante a experiência humana que têm a finalidade de proporcionar a aquisição de resistências espirituais e de valores pessoais ao indivíduo, mediante os quais o Espírito se enriquece de sabedoria”[2] Em tudo existe aprendizado, no qual sairemos mais fortes e sábios se soubermos compreender a lição.

O Livro dos Médiuns nos traz no capítulo 20 uma advertência muito importante para todos que nos dedicamos a esta prática, este fala-nos sobre a influência moral do médium. A mediunidade não tem relação com a moralidade do médium, pois esta radica-se no organismo, porém o seu uso poderá ser bom ou mau de acordo com as características boas ou más da criatura. Já nos alerta Emmanuel: “Não é a mediunidade que te distingue. É aquilo que fazes dela. A ação do instrumento varia conforme a atitude do servidor.”[3] O direcionamento da mediunidade dar-se muito mais fora da reunião mediúnica, no dia a dia do médium do que no momento reservado à reunião.

Por isso, nós médiuns não podemos atribuir a falta de decoro ocorrida na reunião aos espíritos. Somos instrumentos passivos no sentido de sermos dóceis àqueles que se apresentam a nós naquele momento, não oferecendo resistência a comunicação, mas mantendo o controle sobre tudo o que ocorre. Semelhante a uma visita que adentra a nossa casa, somos responsáveis por todos os seus atos. Não poderemos alegar ao síndico que estávamos dormindo enquanto a visita agia de forma desabonada.

Mesmo falando da mediunidade que se expressa de forma inconsciente. Mais uma vez fazendo analogia, explicamos as regras a nossa visita, mesmo que estejamos impossibilitados, o convidado deverá se portar tal qual nos portaríamos, a questão é se não nos portamos de acordo. Então, mesmo que apresentemos as regras ele verá nosso exemplo e o copiará.

Por fim, não busquemos a perfeição neste terreno, pois que ainda não existe. “Médium perfeito seria aquele contra o qual os maus Espíritos jamais ousassem, uma tentativa de enganá-lo.”[4] Porque se acreditarmos que somos infalíveis ou perfeitos acabaremos entrando pela senda da obsessão. Explicada no capítulo vinte e três da referida obra. Começando de uma forma simples, se imiscuindo em nosso pensamentos; iludindo-nos ao ponto de acreditarmos nas mais tolas ideias como sendo verdadeiras, paralisando-nos o raciocínio, que seria a fascinação; por último e não obrigatoriamente seguindo esta ordem, constringindo-nos física e/ou moralmente, que seria a subjugação.

A mediunidade ajuda-nos a evoluir. Não foi dada a escolhidos, foi proporcionada àqueles que se colocaram em condição de aprendizado, seja por processo de reajuste moral acelerado, seja por desejo de ajudar ao próximo ajudando a si mesmo. Não se dá nem se tira mediunidade. Trabalha-se, educa-se e se evolue com ela. É uma faculdade do espírito que se manifesta no campo físico. Que possamos aprender com ela, que possamos nos educar com ela, que possamos evoluir com ela. Que sejamos melhores pessoas em virtude do que aprendemos através dela!

Jornal O Clarim – Março de 2019

[1] Livro Missionários da Luz, cap. 9 – Mediunidade e Fenômeno

[2] Livro Entrega-te a Deus, cap. 5 – Ciladas, psicografia de Divaldo Franco, autora espiritual Joanna de Ângelis

[3] Livro Seara dos Médiuns, capítulo 12 – Na Mediunidade

[4] Livro dos Médiuns, capítulo XX, item 226, questão 9ª

Máscaras Sociais

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Walkiria Lucia Araujo Cavalcante 

“Dessa forma, as máscaras sociais são disfarces que nos estimulam a tentar exibir para os outros o sucesso e a felicidade exterior. Quando esse objetivo não é alcançado, a frustração se transforma em algum tipo de vício para diminuir o sofrimento psíquico que nos corrói por dentro.”[1]

Fomos criados desde criança para o sucesso, mas deveríamos ser criados para o êxito. O sucesso consiste em subirmos o degrau mais alto que pudermos, conquistando valores transitórios que logo serão ultrapassados por outros de nosso interesse e que nós também seremos ultrapassados por outras criaturas tão ou mais focadas em obter sucesso quanto nós somos em algum momento da vida.

O êxito é o corolário da vida plena da criatura. Surge quando voltamos o olhar para nós mesmo e observamos os valores eternos que servem de patamar evolutivo. Galgando a cada dia um degrau na senda de progresso esse não retrograda em nossos passos, cumprindo o que nos esclarecem os espíritos quando nos afirmam os espíritos que não degeneramos: “Concluindo uma prova, o Espírito fica com a ciência que daí lhe veio e não a esquece.”[2]

Esclarecido esse ponto de diferenciação do que vem a ser êxito e sucesso em nossas vidas, começamos a caminhar pelos mecanismos de percepção dos valores sociais modernos e como nós que vivenciamos uma conduta espírita podemos nos comportar diante das demandas que nos são ofertadas. Já nos orientava o sábio Paulo de Tarso: “Tudo me é permitido, mas nem tudo convém. Tudo me é permitido, mas eu não deixarei que nada domine.”[3]

O poder de escolha está em nossas mãos. Por isso, que se torna casa vez mais importante iniciarmos aqueles que estão sob a nossa tutela nos processos de evangelização. Usarmos da prática do evangelho no lar, um meio depurativo e ponto de reunião e união familiar, no qual os membros possam sentir-se à vontade e acolhidos. Momento que será o primeiro de muitos para abertura emocional estabelecendo elos de confiança a luz da religiosidade sem mesclas, baseada na explicação do evangelho puro e no amor do Cristo.

Mais a frente, também nos habituemos as boas leituras, estas corroboram o entendimento, fazendo com que nos desliguemos de mentes perturbadas que se vinculam a nós e elevemos o pensamento àqueles que desejam o progresso da humanidade. Assim, sem percebermos, estaremos estabelecendo uma nova rotina de vida, desvencilhando-nos de práticas habituais daqueles que acreditam que a vida presente é a única existente e nos vinculando em mente e atitudes àqueles que vivem a vida presente, mas compreende que o momento atual representa etapa na senda evolutiva.

Que o livro fechado da atual existente continuará existindo na estante da vida, compreendo a coleção da obra de um único autor, que somos nós. Todos podem ler esta obra, nós podemos revisitar páginas já escritas, podemos consultar capítulos passados e reescrevê-los no futuro, citando quando eles foram escritos a primeira vez. Consertando partes que possuem erros de coesão textual, mas o livro anterior continua na estante, constitui-se parte de nossa história, para que todos possam e nós mesmos vermos o êxito de nossa obra.

Mas quando caminhamos no sentido inverso, preocupando-nos somente com o momento presente, tudo toma proporções assustadoras. Não mais queremos estar em família, as leituras edificantes nos incomodam, as conversas tomam o tom do que podem nos trazer sucesso. Obtemos tantas máscaras sociais que temos dificuldades de sabermos quem somos de verdade.

Na disputa por algo, não nos apresentamos, procuramos saber o que o outro deseja, e iguais a camaleões, nos moldamos ao objeto desejado. Aumentam os casos de gastrite, problemas cardíacos, depressão, doenças psicossomáticas e outras tantas elencadas como doenças modernas vinculadas ao estresse do trabalho. Casamentos se dissolvem como castelos de areia ou porque foram forjados no interesse ou porque o interesse os dissolveu. Amizades antes sólidas ruem em virtude do apogeu, que dura o tempo do estalar de dedos.

Não estamos afirmando com isso que deveremos buscar o sucesso, mas sim que deveremos creditar o seu real valor e que não poderemos busca-lo a qualquer custo. Sacrificando valores básicos e eternos em nossas vidas em virtude de conquistas transitórias. Todos nós fazemos escolhas, não sendo poucas. Algumas destas bem difíceis porque representam em alguns momentos o anonimato. Mas independente da religião que professamos, o sentido da vida não é sermos melhores como criaturas, não é sermos cristãos?

Mesmo que afastássemos a crença da reencarnação, a qual nos apresenta como consequência irrefutável que somos herdeiros de nós mesmos, depreendendo que viveremos em algum momento o resultado dos nossos atos presente; todas as religiões convidam-nos a sermos pessoas melhores. A termos um comportamento digno perante o próximo, realizarmos o bem. A lógica do empreendimento é compreendida pela Doutrina Espírita.

Sofremos menos quando somos nós mesmos diante dos outros. Sem ofensas, sem agressões, mas buscando esse movimento de introspecção e evolução que a criatura humana faz quando se conecta com as forças superiores que comando o Universo. Temos a Lei Natural a nos reger, que vem a ser a lei de Deus[4]. Com o passar do tempo, iremos nos desvencilhando dessas máscaras sociais e nos aproximando da verdade eterna, vivenciando a mensagem evangélica e sendo verdadeiros conosco mesmos, tornando-nos cristãos.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – março 2019

[1] Livro: Vivências do Amor em Família, item: Autoconsciência e Educação. Divaldo P. Franco, organizado por Luiz Fernando Lopes

[2] Questão 118 de O Livro dos Espíritos

[3] 1 Coríntios 6:12

[4] Questão 614 de O Livro dos Espíritos

Enfrentamentos

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Enfrentamentos

 

“Se Deus houvesse isentado do trabalho do corpo o homem, seus membros se teriam atrofiado; se o houvesse isentado do trabalho da inteligência, seu espírito teria permanecido na infância, no estado de instinto animal. Por isso é que lhe fez do trabalho uma necessidade e lhe disse: Procura e acharás; trabalha e produzirás. Dessa maneira serás filho das tuas obras, terás delas o mérito e serás recompensado de acordo com o que hajas feito. Em virtude desse princípio é que os Espíritos não acorrem a poupar o homem ao trabalho das pesquisas, trazendo-lhe, já feitas e prontas a ser utilizadas, descobertas e invenções, de modo a não ter ele mais do que tomar o que lhe ponham nas mãos, sem o incômodo, sequer, de abaixar-se para apanhar, nem mesmo o de pensar.” (Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XXV, itens 3 e 4)

 

Não por acaso somos convidados a exercitar mente e músculos na senda evolutiva. No desenvolvimento intelectual aguçamos os sentidos espirituais; no desenvolvimento físico aperfeiçoamos a matéria, ambos para futuras encarnações. Saindo do envoltório bruto das primeiras encarnações, adaptando o molde para receber o espírito já evoluído, vibrando em outras faixas.

A Lei de Trabalho constitui-se em obra de renovação que a criatura começa não quando sai a campo em busca do sustento, mas quando se decide “enfrentar-se”. Sofremos a pressão externa, em virtude dos modismos e das pessoas que nos são próximas para sermos e seguirmos esta ou aquela profissão; termos ou não determinados comportamentos profissionais e sociais.

Mas estas pressões exercem-se dentro de nós também. Mitologicamente é a figura do anjo e do diabo que ficam um em cada ombro nos soprando o que devemos fazer. Mas em si, somos nós mesmos que ora ouvimos o homem velho que nos convida a permanecermos tal qual somos; ora o homem novo que solicita-nos o enfrentamento bom e salutar para a renovação e mudança.

Verifiquem que estamos falando de enfrentamento, não de luta. Quando enfrentamos, sendo uma interpretação livre da terminologia, nos colocamos a frente dos nossos medos, dos nossos problemas e nos dispomos a não nos escondermos, sermos fortes, resolutos e dispormo-nos a modificação. Já traz o dito popular que água parada cria lodo. Assim acontece conosco, quando não nos movimentamos neste processo de mudança interior, ficamos estagnados pela psicosfera inferior, são os miasmas que encontramos tão bem descritos nas obras de André Luiz.

A luta denota guerra, briga, não sendo este o objetivo de uma proposta renovadora de almas como é a Doutrina Espírita. Mas para haver renovação, necessitamos trabalhar. Por isso que trouxemos esta passagem do Evangelho. Principalmente, precisamos nos ajudar. A cada um segundo suas obras. Para obtermos a ajuda do alto precisamos fazer a nossa parte diante da criação. Ajuda-te a ti mesmo, que céu te ajudará, já nos orientou Jesus.

Nisso surgem os enfrentamos. Por alguns momentos, nos colocamos em posição de educadores de nós mesmos, vamos ao mundo, buscamos informações novas e fazemos o mergulho interior com o aprendizado adquirido. Nisso, encontramos toda uma estrutura já convencionada e solidificada que precisa ser trabalhada e modificada no arcabouço do entendimento evangélico espírita do porvir e do futuro que nos aguarda. Construindo agora o que no porvir iremos colher. Muito de nossos atos atualmente servirão de base para construção do processo evolutivo, não sendo fatores determinantes, nem tão pouco finalistas para esta encarnação.

Nisto também se constitui nossa dúvida e vacilação diante de escolhas que fazemos entre o que se oportuniza como sendo o melhor agora ou melhor para nós como criaturas espirituais que nos encontramos encarnadas. Nem sempre escolheremos o melhor para o espírito, mas mesmo diante das decisões que nos levam a patamares inferiores, extraímos o aprendizado que proporciona-nos o dever agir retamente em outras oportunidades.

Sendo a encarnação humana cíclica e proporcionadora de situações de saneamento físico-espiritual, as oportunidades que hoje entendemos como não abraçadas renovar-se-ão, talvez não na mesma perspectiva, nem tão pouco com os mesmos personagens, mas com certeza com o mesmo objetivo.

Os enfrentamentos são necessários para que possamos evoluir. Se escolhermos ficar parados nos defrontaremos com o vento que tocará em nossa face. Nunca estaremos à margem na criação divina, somos partícipes na obra do Pai. Então, que possamos escolher e fundamentar as nossas buscas interiores e exteriores. Que os nossos medos em alcançar voos mais altos na evolução seja material e/ou espiritual não nos prendam os pés.

Somos filhos de Deus, herdeiros do Pai. Podeis fazer o que faço e muito mais, já nos assinalava Jesus. Iremos desagradar a alguns muito provavelmente, talvez não correspondamos às aspirações dos nossos familiares. Irrevogavelmente conflitos estabelecer-se-ão em nós. Situações todas esperadas diante do momento que vivemos e principalmente, diante da busca evolutiva que estamos fazendo. Que não desistamos. O Mestre Jesus está no leme. Confiemos nele e prossigamos!

Jornal O Clarim – fevereiro 2019

 

 

Jornal O Clarim – Fevereiro de 2019

Os trabalhadores da última hora

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Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com

 “O reino dos céus é semelhante a um pai de família que saiu de madrugada, a fim de assalariar trabalhadores para a sua vinha.

Este Pai de família sendo Deus. Que cria incessantemente e incessantemente convida a todos nós a trabalharmos na sua vinha, na sua obra. Alguns chegamos muito antes, outros chegamos depois, outros ainda, não despertamos para a verdade bendita que vem a ser essa transformação moral que o Evangelho Segundo o Espiritismo, que a Doutrina Cristã, que o Mestre Jesus veio nos ensinar.

Jesus em suas passagens evangélicas sempre traz na simplicidade do ensino as experiências pessoais do povo como nós espíritas também fazemos para conseguirmos convocar as pessoas a um pensamento, a um entendimento mais fácil, para que depois, cada um a sua maneira, possa trazer para a sua vida pessoal e para as suas experiências a compreensão daquela mensagem. Mas Ele sempre traz um elemento estranho, tido pelos profissionais da área como elemento pedagógico, para fixar o aprendizado.

Tendo convencionado com os trabalhadores que pagaria um denário a cada um por dia, mandou-os para a vinha. – Saiu de novo à terceira hora do dia e, vendo outros que se conservavam na praça sem fazer coisa alguma, – disse-lhes: Ide também vós outros para a minha vinha e vos pagarei o que for razoável. Eles foram.

A questão do denário é para explicitar a vinculação do pagamento. Entendendo aqui que foi estipulado um valor como paga pelo serviço prestado. Outro ponto a ser destacado neste trecho é quando é ditoque pagará o que for razoável. Todos nós que nos dedicamos à labuta espírita, falando dos trabalhadores em particular, convencionamos, mesmo que implicitamente, um salário, seja através da prece, acreditando que os bons espíritos irão nos ajudar, enfim, através de alguma obra ou de algo que nos aconteça nos nossos momentos de sofrimento, que algo ou que alguém irá nos ajudar.

Nós convencionamos algo, algum pagamento, mesmo de forma inconsciente, que seja razoável diante daquilo que estamos fazendo. Vivenciarmos o altruísmo é algo difícil de ser verificado no momento atual, sairmos de nós mesmos, deixarmos de nos enxergar e passarmos a enxergar a necessidade do outro, sem esperar algo em troca. Podemos não esperar do outro, mas esperamos dos espíritos, da Divindade, da Lei, de alguém. De alguma forma combinamos com um desses que sejamos pagos, que recebamos uma restituição por aquilo que estamos fazendo. Então, por analogia, todos aqueles que eram convocados a trabalhar na vinha daquele senhor esperavam receber o pagamento razoável diante daquilo que eles estavam fazendo.

Saiu novamente à hora sexta e à hora nona do dia e fez o mesmo. – Saindo mais uma vez à hora undécima, encontrou ainda outros que estavam desocupados, aos quais disse: Por que permaneceis aí o dia inteiro sem trabalhar? – É, disseram eles, que ninguém nos assalariou. Ele então lhes disse: Ide vós também para a minha vinha.

A questão das horas destacadas explica-se porque, a época, o dia de trabalho começava às seis horas da manhã e terminava às dezoito horas. As horas em questão são respectivamente: seis, doze, quinze e dezessete horas. A hora undécima, correspondia às dezessete horas, sendo este o elemento estranho da passagem.

Todos nós que desejamos trabalhar na Vinha do Senhor, que procuramos por essa renovação moral, por essa transformação de nós mesmos, neste processo de melhoramento como criaturas, que temos como ponto de partida a modificação interior para chegarmos à perfeição, todos nós não importando a hora da vida que acordamos para a verdade eterna: se são nas nossas primeiras horas da encarnação, outros adentraram na adolescência, outros na fase adulta, outros na idade madura, outros as portas de desencarnar, na hora undécima, somos convidados pelo Senhor.

Que importa em que momento estamos? Todos nós abraçamos a Doutrina Espírita, voltando nosso olhar para essa mensagem rediviva, que nos cala fundo e que nos diz que existe uma vida melhor, bastando nos colocarmos à disposição dessa modificação, trabalhando por nós, modificando quem somos através do silêncio do aprendizado.

Ao cair da tarde disse o dono da vinha àquele que cuidava dos seus negócios: Chama os trabalhadores e paga-lhes, começando pelos últimos e indo até aos primeiros.

Mesmo na nossa sociedade espírita atual este trecho causa certo desajuste. Esquecemos que nosso acordo foi com a Lei, com a própria consciência, não com os homens. Quando aportamos numa Instituição e nos candidatamos a realizarmos trabalhos e abraçamos um após outro, às vezes verificamos que outro companheiro espírita realiza somente um, sendo ovacionado. Poderemos ficar descontentes por tal fato. Mas será que quando absorvemos os trabalhos que nos foram ofertados foi porque entendemos o sentido da obra ou porque queríamos ser bem quistos pela coletividade?

Aproximando-se então os que só à undécima hora haviam chegado, receberam um denário cada um. – Vindo a seu turno os que tinham sido encontrados em primeiro lugar, julgaram que iam receber mais; porém, receberam apenas um denário cada um. – Recebendo-o, queixaram-se ao pai de família, – dizendo: Estes últimos trabalharam apenas uma hora e lhes dás tanto quanto a nós que suportamos o peso do dia e do calor. Mas, respondendo, disse o dono da vinha a um deles: Meu amigo, não te causo dano algum; não convencionaste comigo receber um denário pelo teu dia? Toma o que te pertence e vai-te; apraz-me a mim dar a este último tanto quanto a ti. – Não me é então lícito fazer o que quero? Tens mau olho, porque sou bom? Assim, os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos, porque muitos são os chamados e poucos os escolhidos.” (S. MATEUS, cap. XX, vv. 1 a 16.)

Quando nos dedicamos a qualquer obra, inclusive a de renovação íntima, acordamos com a Divindade o que entendemos como sendo bom e razoável, mas somos ainda tão infantis espiritualmente que quando vemos o nosso próximo recebendo um pouco mais do que estamos recebendo e acreditamos que ele não se esforçou o mesmo que nós, reclamos com a Divindade, esquecendo-nos da carga reencarnatória de méritos que possuímos e o porvir da criatura. Às vezes estamos há muito tempo na Doutrina Espírita, mas ela não está há um ano em nossas vidas, enquanto outras pessoas, adentraram a pouco, mas fazem que a doutrina esteja dentro de si. O tempo não se constitui como condição demarcatória para candidatar a criatura a ser ou não cristã, mas o seu comportamento diante da mensagem. Somos todos trabalhadores da última hora, sendo convocados incessantemente pelo Pai, num convite amoroso a trabalharmos na sua Vinha de Renovação.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – Março 2018

Coragem com Jesus

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Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com

“Que importam as emboscadas que vos armem pelo caminho! Somente lobos caem em armadilhas para lobos, porquanto o pastor saberá defender suas ovelhas das fogueiras imoladoras. Ide, homens, que, grandes diante de Deus, mais ditosos do que Tomé, credes sem fazerdes questão de ver e aceitais os fatos da mediunidade, mesmo quando não tenhais conseguido obtê-los por vós mesmos; ide, o Espírito de Deus vos conduz. Marcha, pois, avante, falange imponente pela tua fé! Diante de ti os grandes batalhões dos incrédulos se dissiparão, como a bruma da manhã aos primeiros raios do Sol nascente.”(Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XX, item 4).

A perfeição moral constitui-se meta a alcançarmos, mas não sendo condição si ne qua non para executarmos os trabalhos de renovação moral e divulgação da mensagem evangélica. Constituindo-se como mensageiros da Boa Nova, pois trazemos o estandarte da reencarnação, divulgamos a todos que nada finda com o decurso da vida física, sendo um até breve que todos nos dizemos neste momento que antecede o porvir que logo nos encontraremos.

A mensagem sendo trazida pelo Mestre Jesus há mais de dois mil anos, renova-se com o tempo, cabendo ao Espiritismo, ser o tradutor das vozes dos espíritos, decodificando a mensagem em língua clara para que todos possam compreendem, através da comunicabilidade dos espíritos, colocando cada um em sem devido lugar, explicando a simplicidade dos fatos e a analogia com os da época do Mestre Rabi, afasta o maravilhosos e sobrenatural, apresentando o homem do presente ao homem do passado, mostrando-nos que somos os mesmos, com as mesmas características, mas com explicações mais aclaradas sobre os fatos.

Por isso, não deveremos nos acanhar diante das nossas dificuldades morais na divulgação de tamanha informação. Bate a nossa porta o nascer de um novo dia, em que o Mestre, como outrora, evidencia a clareza de um Sol de Conhecimento. A Doutrina, como no princípio de Kardec, vivencia um momento de transbordar, ultrapassando as barreiras dos Centros Espíritas. Nunca se falou de Espiritismo como agora.

ibope notícias sobre o assunto. Verdade seja dita, algumas deturpadas em suas explicações. Por isso, precisamos ter a coragem de Jesus, a coragem de Kardec e nos vestirmos de Doutrina, nos vestir de verdade e prosseguirmos. O Evangelho Segundo o Espiritismo, em seu capítulo XX, item 4, Missão dos Espíritas, faz um verdadeiro chamamento para nós espíritas, “…conforme tenham cumprido, bem ou mal, suas missões e suportado suas provas terrestres.”

O momento não é daqui a pouco, é agora. Não importa como tenha sido a nossa encarnação até o presente momento. O importante é como iremos nos conduzir a partir de agora. A dor é algo implícito da condição humana, fazendo com que alguns espíritas fraquejem e até desistam da labuta espírita em virtude disso. A exemplo de Kardec, que buscou forças no Espírito Verdade; Chico, em Emmanuel, e tantos outros; busquemos forças em nosso anjo guardião, em Jesus, e prossigamos. Sendo nós, uma mensagem, através do nosso exemplo, de divulgação do Evangelho.

Não nos amedrontemos contra as investidas do mal. Temos o antidoto contra o mal que se chama Evangelho Segundo o Espirito. Temos uma mensagem renovadora, chamada Doutrina Espírita, por fim, temos os bons espíritos a nos sustentarem e nos ampararem na divulgação da mensagem rediviva. Da mesma forma que aqueles que não querem a divulgação da mensagem do bem e do amor se organizam aqueles que, há tempos, se organizaram pela Codificação da Doutrina, continuam a trabalhar, juntamente com outros, por esta mesma Doutrina ajudando e sustentando aqueles que trabalham por ela.

No item já citado, verificamos a convocação a todo instante do “Ide e pregai.” Porque quando dizemos para ir, destacamos o ir com afinco, fazer com afinco, com firmeza, com certeza; sendo o pregar, com atitude, ter uma presença que está fazendo aquilo com convicção. Ser do jeito que é por ter convicção que aquilo lhe faz bem ser daquela forma não porque estão nos impondo ser daquela forma. É uma compreensão da alma diante das informações que são apresentadas. Sendo uma maturidade de vida perante o todo. Nós exalamos aquilo que somos não importando o questionamento exterior, fazendo o que absorvemos como correto diante da Lei.

“Ide e proscrevei esse culto do bezerro de ouro, que cada dia mais se alastra.” Palavras que parecem ultrapassadas, mas não o são. Quantas Instituições Espíritas não reservam um horário para estudo das Obras Básicas da Codificação? Se nós não estudamos, nós não compreendemos. Se nós não compreendemos como querermos que essa verdade faça parte de nossas vidas?

“Somente lobos caem em armadilhas para lobos…” Nós que já conhecemos algumas mensagens, temos por obrigação de trazê-las para a nossa rotina. O sentido da frase é não sermos aqueles que nos deixamos pegar fácil diante de algo que já conhecemos, situações que já aprendemos a lição, algumas destas passamos pelo aprendizado e vimos qual o resultado. Porque repetir algo que já sabemos o final?

“Sim, em todos os pontos do Globo vão produzir-se as subversões morais e filosóficas; aproxima-se a hora em que a luz divina se espargirá sobre os dois mundos.” Quantos livros ditos espíritas que de espíritas só possuem o título? Cabe-nos, nós que nos dizemos espíritas, comportarmo-nos como tais. Dentro e fora da Instituição. Mesmo Kardec não tendo escrito uma cartilha de bom comportamento, temos os Livros da Codificação a nos orientar o proceder. Temos a moral cristã a nos ditar a regra de conduta. Temos, por fim, a nossa consciência a nos mostrar o caminho a seguir. E mesmo que ao consultarmos todos estes parâmetros, ainda nos reste à dúvida, perguntemos: O que o Cristo faria se estivesse no meu lugar?

Jornal O Clarim – Março de 2018

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