Os trabalhadores da última hora

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Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com

 “O reino dos céus é semelhante a um pai de família que saiu de madrugada, a fim de assalariar trabalhadores para a sua vinha.

Este Pai de família sendo Deus. Que cria incessantemente e incessantemente convida a todos nós a trabalharmos na sua vinha, na sua obra. Alguns chegamos muito antes, outros chegamos depois, outros ainda, não despertamos para a verdade bendita que vem a ser essa transformação moral que o Evangelho Segundo o Espiritismo, que a Doutrina Cristã, que o Mestre Jesus veio nos ensinar.

Jesus em suas passagens evangélicas sempre traz na simplicidade do ensino as experiências pessoais do povo como nós espíritas também fazemos para conseguirmos convocar as pessoas a um pensamento, a um entendimento mais fácil, para que depois, cada um a sua maneira, possa trazer para a sua vida pessoal e para as suas experiências a compreensão daquela mensagem. Mas Ele sempre traz um elemento estranho, tido pelos profissionais da área como elemento pedagógico, para fixar o aprendizado.

Tendo convencionado com os trabalhadores que pagaria um denário a cada um por dia, mandou-os para a vinha. – Saiu de novo à terceira hora do dia e, vendo outros que se conservavam na praça sem fazer coisa alguma, – disse-lhes: Ide também vós outros para a minha vinha e vos pagarei o que for razoável. Eles foram.

A questão do denário é para explicitar a vinculação do pagamento. Entendendo aqui que foi estipulado um valor como paga pelo serviço prestado. Outro ponto a ser destacado neste trecho é quando é ditoque pagará o que for razoável. Todos nós que nos dedicamos à labuta espírita, falando dos trabalhadores em particular, convencionamos, mesmo que implicitamente, um salário, seja através da prece, acreditando que os bons espíritos irão nos ajudar, enfim, através de alguma obra ou de algo que nos aconteça nos nossos momentos de sofrimento, que algo ou que alguém irá nos ajudar.

Nós convencionamos algo, algum pagamento, mesmo de forma inconsciente, que seja razoável diante daquilo que estamos fazendo. Vivenciarmos o altruísmo é algo difícil de ser verificado no momento atual, sairmos de nós mesmos, deixarmos de nos enxergar e passarmos a enxergar a necessidade do outro, sem esperar algo em troca. Podemos não esperar do outro, mas esperamos dos espíritos, da Divindade, da Lei, de alguém. De alguma forma combinamos com um desses que sejamos pagos, que recebamos uma restituição por aquilo que estamos fazendo. Então, por analogia, todos aqueles que eram convocados a trabalhar na vinha daquele senhor esperavam receber o pagamento razoável diante daquilo que eles estavam fazendo.

Saiu novamente à hora sexta e à hora nona do dia e fez o mesmo. – Saindo mais uma vez à hora undécima, encontrou ainda outros que estavam desocupados, aos quais disse: Por que permaneceis aí o dia inteiro sem trabalhar? – É, disseram eles, que ninguém nos assalariou. Ele então lhes disse: Ide vós também para a minha vinha.

A questão das horas destacadas explica-se porque, a época, o dia de trabalho começava às seis horas da manhã e terminava às dezoito horas. As horas em questão são respectivamente: seis, doze, quinze e dezessete horas. A hora undécima, correspondia às dezessete horas, sendo este o elemento estranho da passagem.

Todos nós que desejamos trabalhar na Vinha do Senhor, que procuramos por essa renovação moral, por essa transformação de nós mesmos, neste processo de melhoramento como criaturas, que temos como ponto de partida a modificação interior para chegarmos à perfeição, todos nós não importando a hora da vida que acordamos para a verdade eterna: se são nas nossas primeiras horas da encarnação, outros adentraram na adolescência, outros na fase adulta, outros na idade madura, outros as portas de desencarnar, na hora undécima, somos convidados pelo Senhor.

Que importa em que momento estamos? Todos nós abraçamos a Doutrina Espírita, voltando nosso olhar para essa mensagem rediviva, que nos cala fundo e que nos diz que existe uma vida melhor, bastando nos colocarmos à disposição dessa modificação, trabalhando por nós, modificando quem somos através do silêncio do aprendizado.

Ao cair da tarde disse o dono da vinha àquele que cuidava dos seus negócios: Chama os trabalhadores e paga-lhes, começando pelos últimos e indo até aos primeiros.

Mesmo na nossa sociedade espírita atual este trecho causa certo desajuste. Esquecemos que nosso acordo foi com a Lei, com a própria consciência, não com os homens. Quando aportamos numa Instituição e nos candidatamos a realizarmos trabalhos e abraçamos um após outro, às vezes verificamos que outro companheiro espírita realiza somente um, sendo ovacionado. Poderemos ficar descontentes por tal fato. Mas será que quando absorvemos os trabalhos que nos foram ofertados foi porque entendemos o sentido da obra ou porque queríamos ser bem quistos pela coletividade?

Aproximando-se então os que só à undécima hora haviam chegado, receberam um denário cada um. – Vindo a seu turno os que tinham sido encontrados em primeiro lugar, julgaram que iam receber mais; porém, receberam apenas um denário cada um. – Recebendo-o, queixaram-se ao pai de família, – dizendo: Estes últimos trabalharam apenas uma hora e lhes dás tanto quanto a nós que suportamos o peso do dia e do calor. Mas, respondendo, disse o dono da vinha a um deles: Meu amigo, não te causo dano algum; não convencionaste comigo receber um denário pelo teu dia? Toma o que te pertence e vai-te; apraz-me a mim dar a este último tanto quanto a ti. – Não me é então lícito fazer o que quero? Tens mau olho, porque sou bom? Assim, os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos, porque muitos são os chamados e poucos os escolhidos.” (S. MATEUS, cap. XX, vv. 1 a 16.)

Quando nos dedicamos a qualquer obra, inclusive a de renovação íntima, acordamos com a Divindade o que entendemos como sendo bom e razoável, mas somos ainda tão infantis espiritualmente que quando vemos o nosso próximo recebendo um pouco mais do que estamos recebendo e acreditamos que ele não se esforçou o mesmo que nós, reclamos com a Divindade, esquecendo-nos da carga reencarnatória de méritos que possuímos e o porvir da criatura. Às vezes estamos há muito tempo na Doutrina Espírita, mas ela não está há um ano em nossas vidas, enquanto outras pessoas, adentraram a pouco, mas fazem que a doutrina esteja dentro de si. O tempo não se constitui como condição demarcatória para candidatar a criatura a ser ou não cristã, mas o seu comportamento diante da mensagem. Somos todos trabalhadores da última hora, sendo convocados incessantemente pelo Pai, num convite amoroso a trabalharmos na sua Vinha de Renovação.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – Março 2018

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Coragem com Jesus

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Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com

“Que importam as emboscadas que vos armem pelo caminho! Somente lobos caem em armadilhas para lobos, porquanto o pastor saberá defender suas ovelhas das fogueiras imoladoras. Ide, homens, que, grandes diante de Deus, mais ditosos do que Tomé, credes sem fazerdes questão de ver e aceitais os fatos da mediunidade, mesmo quando não tenhais conseguido obtê-los por vós mesmos; ide, o Espírito de Deus vos conduz. Marcha, pois, avante, falange imponente pela tua fé! Diante de ti os grandes batalhões dos incrédulos se dissiparão, como a bruma da manhã aos primeiros raios do Sol nascente.”(Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XX, item 4).

A perfeição moral constitui-se meta a alcançarmos, mas não sendo condição si ne qua non para executarmos os trabalhos de renovação moral e divulgação da mensagem evangélica. Constituindo-se como mensageiros da Boa Nova, pois trazemos o estandarte da reencarnação, divulgamos a todos que nada finda com o decurso da vida física, sendo um até breve que todos nos dizemos neste momento que antecede o porvir que logo nos encontraremos.

A mensagem sendo trazida pelo Mestre Jesus há mais de dois mil anos, renova-se com o tempo, cabendo ao Espiritismo, ser o tradutor das vozes dos espíritos, decodificando a mensagem em língua clara para que todos possam compreendem, através da comunicabilidade dos espíritos, colocando cada um em sem devido lugar, explicando a simplicidade dos fatos e a analogia com os da época do Mestre Rabi, afasta o maravilhosos e sobrenatural, apresentando o homem do presente ao homem do passado, mostrando-nos que somos os mesmos, com as mesmas características, mas com explicações mais aclaradas sobre os fatos.

Por isso, não deveremos nos acanhar diante das nossas dificuldades morais na divulgação de tamanha informação. Bate a nossa porta o nascer de um novo dia, em que o Mestre, como outrora, evidencia a clareza de um Sol de Conhecimento. A Doutrina, como no princípio de Kardec, vivencia um momento de transbordar, ultrapassando as barreiras dos Centros Espíritas. Nunca se falou de Espiritismo como agora.

ibope notícias sobre o assunto. Verdade seja dita, algumas deturpadas em suas explicações. Por isso, precisamos ter a coragem de Jesus, a coragem de Kardec e nos vestirmos de Doutrina, nos vestir de verdade e prosseguirmos. O Evangelho Segundo o Espiritismo, em seu capítulo XX, item 4, Missão dos Espíritas, faz um verdadeiro chamamento para nós espíritas, “…conforme tenham cumprido, bem ou mal, suas missões e suportado suas provas terrestres.”

O momento não é daqui a pouco, é agora. Não importa como tenha sido a nossa encarnação até o presente momento. O importante é como iremos nos conduzir a partir de agora. A dor é algo implícito da condição humana, fazendo com que alguns espíritas fraquejem e até desistam da labuta espírita em virtude disso. A exemplo de Kardec, que buscou forças no Espírito Verdade; Chico, em Emmanuel, e tantos outros; busquemos forças em nosso anjo guardião, em Jesus, e prossigamos. Sendo nós, uma mensagem, através do nosso exemplo, de divulgação do Evangelho.

Não nos amedrontemos contra as investidas do mal. Temos o antidoto contra o mal que se chama Evangelho Segundo o Espirito. Temos uma mensagem renovadora, chamada Doutrina Espírita, por fim, temos os bons espíritos a nos sustentarem e nos ampararem na divulgação da mensagem rediviva. Da mesma forma que aqueles que não querem a divulgação da mensagem do bem e do amor se organizam aqueles que, há tempos, se organizaram pela Codificação da Doutrina, continuam a trabalhar, juntamente com outros, por esta mesma Doutrina ajudando e sustentando aqueles que trabalham por ela.

No item já citado, verificamos a convocação a todo instante do “Ide e pregai.” Porque quando dizemos para ir, destacamos o ir com afinco, fazer com afinco, com firmeza, com certeza; sendo o pregar, com atitude, ter uma presença que está fazendo aquilo com convicção. Ser do jeito que é por ter convicção que aquilo lhe faz bem ser daquela forma não porque estão nos impondo ser daquela forma. É uma compreensão da alma diante das informações que são apresentadas. Sendo uma maturidade de vida perante o todo. Nós exalamos aquilo que somos não importando o questionamento exterior, fazendo o que absorvemos como correto diante da Lei.

“Ide e proscrevei esse culto do bezerro de ouro, que cada dia mais se alastra.” Palavras que parecem ultrapassadas, mas não o são. Quantas Instituições Espíritas não reservam um horário para estudo das Obras Básicas da Codificação? Se nós não estudamos, nós não compreendemos. Se nós não compreendemos como querermos que essa verdade faça parte de nossas vidas?

“Somente lobos caem em armadilhas para lobos…” Nós que já conhecemos algumas mensagens, temos por obrigação de trazê-las para a nossa rotina. O sentido da frase é não sermos aqueles que nos deixamos pegar fácil diante de algo que já conhecemos, situações que já aprendemos a lição, algumas destas passamos pelo aprendizado e vimos qual o resultado. Porque repetir algo que já sabemos o final?

“Sim, em todos os pontos do Globo vão produzir-se as subversões morais e filosóficas; aproxima-se a hora em que a luz divina se espargirá sobre os dois mundos.” Quantos livros ditos espíritas que de espíritas só possuem o título? Cabe-nos, nós que nos dizemos espíritas, comportarmo-nos como tais. Dentro e fora da Instituição. Mesmo Kardec não tendo escrito uma cartilha de bom comportamento, temos os Livros da Codificação a nos orientar o proceder. Temos a moral cristã a nos ditar a regra de conduta. Temos, por fim, a nossa consciência a nos mostrar o caminho a seguir. E mesmo que ao consultarmos todos estes parâmetros, ainda nos reste à dúvida, perguntemos: O que o Cristo faria se estivesse no meu lugar?

Jornal O Clarim – Março de 2018

Palavra dita

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Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com

“Aquele que violar um destes menores mandamentos e que ensinar os homens a violá-los, será considerado como último no reino dos céus; mas, será grande no Reino dos Céus aquele que os cumprir e ensinar.” – (S. MATEUS, cap. V, v.19.)

As palavras de Jesus são eternas, pois se constituem na verdade. Elas nos trazem paz, tranquilidade, equilíbrio, estabilidade e nos dão a consciência nos passos para a realização das coisas da vida terrestre.

A principal função no messianato de Jesus foi à de educador de almas. Aqueles de nós que nos candidatamos a esse apostolado temos que ter a ciência do trabalho que estamos abraçando. Tendo como exemplo maior Jesus e em sequência Kardec e Chico Xavier, depreendemos que quanto mais puro a mensagem chegar ao ponto final após sair da origem, melhor estaremos cumprindo com nosso papel.

Informação válida aos articulistas espíritas que versamos no papel nossos pensamentos adornando-os com passagens evangélicas. Muitas vezes, tirando uma frase de um contexto e não explicando o seu todo, poderemos induzir a um entendimento incorreto dos textos bíblicos. Por isso, todo cuidado é pouco ao transcrevermos algo, necessitamos observar também qual tradução estamos utilizando. Conselhos válidos, não dados por mim, mais reproduzidos. Ditos por confrades mais experientes que nós.

E o que não dizer com relação aos médiuns, que recebem as informações através de si? “Vim a este mundo para exercer um juízo, a fim de que os que não vêem vejam e os que vêem se tornem cegos. – Alguns fariseus que estavam, com ele, ouvindo essas palavras, lhe perguntaram: Também nós, então, somos cegos? – Respondeu-lhes Jesus: Se fôsseis cegos, não teríeis pecados; mas, agora, dizeis que vedes e é por isso que em vós permanece o vosso pecado.” (S. JOÃO, cap. IX, vv. 39 a 41.)

Entendo pecado como desvio de rota que a criatura faz e trazendo como informação que esta passagem encontra-se no capítulo XVIII, item 11, Muito se Pedirá Àquele que Muito Recebeu, do Evangelho Segundo o Espiritismo, vemos que os médiuns somos os primeiros a termos os olhos abertos pelas mensagens que nos chegam, através de nós.

Criaturas que ao transmitirem suas dores, mostram-nos o caminho que devemos seguir, se assim quisermos sofrer. Se quisermos agir como fariseus, ricos em palavras, mas pobres em atitudes, acreditaremos que a mensagem foi exemplarmente trazida para um companheiro de reunião ou até para outro espírito presente, mas nunca para nós. As histórias são carregadas de informações, mas principalmente, são carregadas de emotividade. Não há como ficarmos passivos diante de tamanha carga emotiva. Somos impregnados e impregnamos a entidade de nossa emotividade também. Há uma troca.

Não nos é pedido perfeição no trabalho mediúnico, mas comprometimento com a verdade. Em O Livro dos Médiuns, item 220, item 03, que nos fala da Perda e da Suspensão da Mediunidade verificamos que o compromisso do médium é com a melhora espiritual. Quando a criatura põe a mediunidade ao dispor de frivolidades, sejam elas: brincadeiras, adivinhações e assemelhados; de propósitos ambiciosos: recebimento de vantagens de forma direta ou indireta, os chamados “presentinhos”; ou mesmo quando se negam a transmitir as orientações trazidas. Este último ocorre, quando os orientadores espirituais do grupo mediúnico trazem explicações sobre fatos que estão ocorrendo e que precisam ser realinhados de acordo com a Doutrina Espírita.

Temos também a responsabilidade de adquirirmos cultura, espírita e não espírita, para podermos saber do que estamos falando. Não somos infalíveis e hoje as informações avançam de forma muito rápida, não podemos fazer citações ultrapassadas nos periódicos ou nas palestras. Mesmo os médiuns, ao se dizer que a criatura é um instrumento passivo diante da comunicação, afirma-se a docilidade, a afabilidade com que se empresta em integralidade para execução do fenômeno, mas somos partícipes na comunicação, por isso, os espíritos buscam em nossos arquivos mentais os subsídios para moldarem as comunicações.

Mas há outro lado que vale ser destacado. Muito será pedido há quem muito foi dado, mas também, “… àquele que já tem, mais se lhe dará e ele ficará na abundância…” (Mateus, cap. 13, v 12), nada mais justo que aquele que soube ser fiel aos ensinamentos e já desde o momento atual souber aproveitar das benesses recebidas possa viver na abundância. Abundância de conhecimento, de amor, de amparo dos amigos espirituais, da própria consciência tranquila por fazer o certo.

Quando estamos executando qualquer trabalho seja no meio espírita ou não, várias propostas nos são ofertadas. De acordo com a nossa opção, novas portas nos são abertas. Falando de mediunidade, quando nos credenciamos a um trabalho, há um tempo de adaptação, em primeiro lugar; depois, a própria espiritualidade nos encaminha a outros, se assim nos capacitarmos. Como ocorre nos trabalhos da vida de relação, os vinculados a espiritualidade, vamos nos nos adaptando e afinando com a nova proposta assumida associando-nos àqueles que pensam como nós.

Jornal O Clarim – janeiro 2018

Dentro da luta

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Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com 

“Não peço para que os tires do mundo, mas que os livres do mal.” Jesus. (JOÃO, 17:15)

Quando estamos sofrendo desejamos ardentemente que o sofrimento seja afastado. Mas o que deveríamos pedir é o enrijecimento das forças para podermos ultrapassar aquele momento e sairmos fortalecidos diante do aprendizado. Proposta lúcida encontrada no capítulo 162 do Livro Fonte Viva.

Proposta esta que se coaduna com a passagem de Mateus em seu cap. VII, vv. 21 a 23: “Nem todos os que me dizem: Senhor! Senhor! entrarão no Reino dos Céus; apenas entrará aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos Céus. – Muitos, nesse dia, me dirão: Senhor! Senhor! não profetizamos em teu nome? Não expulsamos em teu nome o demônio? Não fizemos muitos milagres em teu nome? – Eu então lhes direi em altas vozes: Afastai-vos de mim, vós que fazeis obras de iniquidade.”

Seguir os preceitos do Mestre não é fazer o bem acreditando que iremos receber retribuição. Não podemos querer dobrar a Lei pela quantidade de palavras que dizemos na prece ou pelas obras de caridade que abraçamos, mas pela mudança interior que produzimos dia a dia em nossas vidas. Quando se faz menção a obras de iniquidades, deixa-se evidente que a criatura está agindo com soturnas intenções. A questão 897 de O Livro dos Espíritos nos esclarece que nem pensando no que iremos amealhar na outra vida deveremos praticar o bem, pois ele deve ser feito caritativamente,…, desinteressadamente. Por isso, a reprimenda na passagem de Mateus.

Em síntese, a prática do bem atinge seu ápice quando a incorporamos no nosso modo de viver e não precisamos racionalizar se tal ou qual atitude será revertida em benefício ao próximo. Agiremos de acordo com o certo porque a consciência nos ditará que é o certo e como parâmetro de conduta, não porque representa resultado futuro para colheita do que fizermos. Será algo incorporado ao comportamento de nossas vidas. Como é a respiração nos dias atuais. Assim será a prática do bem.

Nos itens 24 a 27 do mesmo capítulo de Mateus encontramos: “Aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as pratica, será comparado a um homem prudente que construiu sobre a rocha a sua casa. – Quando caiu à chuva, os rios transbordaram, sopraram os ventos sobre a casa; ela não ruiu, por estar edificada na rocha. – Mas, aquele que ouve estas minhas palavras e não as pratica, se assemelha a um homem insensato que construiu sua casa na areia. Quando a chuva caiu, os rios transbordaram, os ventos sopraram e a vieram açoitar, ela foi derrubada; grande foi a sua ruína.”

Aqueles que ouvimos as mensagens trazidas pelos espíritos imortais e procuramos praticá-las na nossa vida diária equiparamo-nos a rocha que mesmo diante das intempéries da vida, da chuva de lágrimas, dos rios dos sofrimentos, dos ventos dos problemas, temos a nossa estrutura inamovível. Retornamos ao eixo do entendimento superior com mais facilidade. Utilizamo-nos da fé raciocinada para nortear os passos. Mas aqueles que constroem sua fé em bases frágeis, que conspurcam a Lei na busca do imediatismo e dos prazeres materiais vêm toda a estrutura construída ruir ao primeiro sopro de problemas, a primeira turbulência na existência, ao primeiro realinhamento de rota, por parte da Providência.

No referido capítulo do livro Fonte Viva encontramos: “Não supliques a extinção das dificuldades. Procura meios de superá-las, assimilando-lhes lições.” Aprendemos que ao lado do problema Deus coloca sempre a solução, o de que precisamos é termos olhos para enxergar essa solução. Esforçarmo-nos um pouco mais por superá-lo. A proposta é de adaptação visual espiritual ao que Jesus veio nos propor. Equivale a estarmos com miopia moral e o Espiritismo, através dos óculos do entendimento, vir e dissipar a nuvem que estava obscurecendo a nossa visão.

Vivemos a transpor a porta estreita do egoísmo, da idolatria a coisas vás, a pequenez de entendimento sobre a vida espiritual e quais crianças, queremos barganhar com Deus, vendo o que Lhe agrada para podermos ter algum benefício em restituição. Dentro da luta que se constitui o mergulho na encarnação atual, somos convidados, pela Lei, a fazermos também um mergulho interior, nos caminhos mais intrincados que existem em nós.

A cada porta estreita transposta, encontramos a chave com o mapa que nos leva a outro e a outro e a outro caminho. Diferente da brincadeira de criança, que não possuía consequências nenhuma, estas portas internas nos levam ao aprofundamento do conhecimento do ser e faz com avancemos como criaturas eternas que somos. Não basta que roguemos, em altas vozes, o nome do Pai, precisamos nos comportar como filhos do Pai em essência, atribuindo a cada atitude nossa o ensinamento que Jesus nos apregoou, procurando em cada ato praticar as palavras e o exemplo do Mestre Jesus.

Ninguém disse que seria fácil estar encarnado, principalmente num momento de grande turbulência moral que nos encontramos, nos quais forças antagônicas se chocam e que para os mais desavisados, parece que a corrupção, o mal e a derrocada moral estão vencendo. Destaque provisório, notoriedade daqueles que fazem barulho. Dia chegará e não tardará que o bem pacificará a Terra e não mais haverá espaço para o tumulto que se instala hoje nos corações humanos. Permaneçamos firmes, iguais à rocha destacada na passagem de Mateus esperando que as intempéries passem e que a primavera da renovação se instale em nós.

 

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – janeiro 2018

Educação moral

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Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com 

“Sabeis os mandamentos: não cometereis adultério; não matareis; não roubareis; não prestareis falso-testemunho; não fareis agravo a ninguém; honrai a vosso pai e a vossa mãe. ” (S. MARCOS, capítulo X, v. 19; S. LUCAS, cap. XVIII, v. 20; S. MATEUS, cap. XIX, vv. 18 e 19.)

“Honrai a vosso pai e a vossa mãe, a fim de viverdes longo tempo na terra que o Senhor vosso Deus vos dará. (Decálogo: “Êxodo”, cap. XX, v. 12.)” (JOÃO, cap. VIII, vv. 3 a 11.)

Ao lermos estas passagens refletimos sobre a constituição da família e das bases que nos norteiam os passos durante a encarnação. Verificamos que todos os mandamentos são precedidos da negativa de fazer, sendo que somente no que tange a vinculação afetiva filial trata-se de forma positiva, elevando ao patamar da honra o apreço que devemos àqueles que são nossos pais ou que fazem às vezes deles, enfim, daqueles que são os nossos educadores de vida. Indo mais além, sendo garantida a estada num lugar de promissão, se assim, agirmos.

A questão 775 de O Livro dos Espíritos nos fala sobre o relaxamento dos laços de família, e se caso acontecesse tal fato, quais seriam as consequências, tendo como resposta que haveria uma recrudescência do egoísmo. Ensaiamos quem somos no núcleo familiar para nos projetarmos na grande sociedade através do anteparo, convivência e exemplos da pequena sociedade que forjamos a nossa educação moral. Numa sociedade na qual o binômio família traz uma nova configuração com a participação de pessoas que não estavam no núcleo base de formação, precisamos nos educar em sentimento e coerência para podermos ser bons educadores e influenciadores daqueles que estão sob a nossa tutela moral e emocional.

Quando somos convocados a honrar está sendo incutida a ideia da piedade filial. É aquele algo mais que ultrapassa o amor. Traduz-se no respeito, nas atenções, na submissão e na condescendência que o Evangelho Segundo o Espiritismo nos traz em seu capítulo 24. Reencarnamos em grupos familiares para que possamos ter a nossa argila moral trabalhada. Condição primeira para estarmos agregados dessa forma. Depois, para todos desenvolvermos a paciência, a resignação e desprendimento.

Para querermos algo precisamos ser o exemplo do que queremos. Em educação moral, isto significa dizer que os educadores familiares constituem-se no exemplo para os seus tutelados. Oferecendo-lhes o direcionamento, mas não deixando de exercer o empoderamento familiar. Através da presença, do exemplo e da educação. Não existe acaso ou arranjo nas constituições familiares: “Os pais, por isso mesmo, não são seres fortuitos que aparecem à frente da prole, descomprometidos moral e espiritualmente. São pilotis da instituição doméstica, sobre os quais se constroem os grupos de consanguinidade e da afetividade.”[1]

Por não haver uma improvisação, precisamos também honrar aquele (s) que está (ão) sob a nossa tutela. Somos emissários de Deus na educação moral do semelhante. Sabendo que os laços corporais são diferentes dos laços espirituais, constitui-se obrigação de todos trabalharmos para que haja uma migração do primeiro para o segundo. Transformando as relações frágeis em duráveis, elevando ao bem querer que ultrapassa as barreiras matérias e mantendo-nos vinculados no mundo dos espíritos.

“Os filhos, por sua vez, renascem através daqueles com os quais têm compromissos morais de gravidade para o desenvolvimento espiritual de ambos: genitores e descendentes.”[2] É muito comum ouvirmos: Eu não pedi para nascer! Ou assemelhados, mesmo no meio espírita. Talvez, não tenhamos pedido para nascer naquele clã, mas fomos atraídos vibratoriamente para àquele conglomerado para aprimorarmos “… a paciência, a resignação, pelo silêncio e pela bondade…”[3], servindo de força e sustentação para “… o enfrentamento com os demais grupos sociais nos quais devemos desenvolver os objetivos superiores da existência.”[4]

Não nos cabe mais o pensamento de que não fazemos parte da família à qual pertencemos. Mesmo tratando dos adotados, dos que formam famílias com enteados, etc. Estamos cumprindo um papel no núcleo que estivermos não importa com que nome estejamos neste grupo. Jesus, num sentido muito maior de família, o de Família Universal faz o agrupamento no qual estava reunido, aproveitando da presença de sua família que ali estava destacando que se constituem famílias todos àqueles que fazem a vontade de Deus.

De nossa parte, os educadores, precisamos oferecer o melhor de nós aos tutelados. Pois “… a cada pai e a cada mãe perguntará Deus: Que fizestes do filho confiado a vossa guarda?”[5] Precisamos ter a consciência tranquila de termos oferecido o melhor. Também os tutelados, mesmo diante de pais omissos, negligentes e até não cientes da missão de serem pais e mães de outras almas, o dever do respeito e agradecimento pela oportunidade de estar encarnado. “As provas rudes, ouvi-me bem, são quase sempre indício de um fim de sofrimento e de um aperfeiçoamento do Espírito, quando o aceitais com o pensamento em Deus.”[6]

Estar encarnado constitui-se uma benção que deveremos aproveitar. Ensaiando na família todos os ensinamentos apregoados pelo Mestre Jesus: amor, caridade, benevolência, indulgência. Assim, nos fortificaremos, para podermos nos relacionar em sociedade, compreendendo o semelhante e praticando a empatia. Partindo de um ponto nuclear, que é a família, atingiremos todo o globo, transformando a família universal na nossa família em síntese e em profundidade.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – dezembro de 2017

[1] Livro Jesus e o Evangelho a Luz da Psicologia Profunda, capítulo: Amor Filial

[2] Livro Jesus e o Evangelho a Luz da Psicologia Profunda, capítulo: Amor Filial

[3] Idem

[4] Idem

[5] Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. 24, item 9

[6] Idem

Semeador

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Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com

“Naquele mesmo dia, tendo saído de casa, Jesus sentou-se à borda do mar; – em torno dele logo reuniu-se grande multidão de gente; pelo que entrou numa barca, onde sentou-se, permanecendo na margem todo o povo. – Disse então muitas coisas por parábolas, falando-lhes assim: Aquele que semeia saiu a semear; – e, semeando, uma parte da semente caiu ao longo do caminho e os pássaros do céu vieram e a comeram. – Outra parte caiu em lugares pedregosos onde não havia muita terra; as sementes logo brotaram, porque carecia de profundidade a terra onde haviam caído. – Mas, levantando-se, o sol as queimou e, como não tinham raízes, secaram. – Outra parte caiu entre espinheiros e estes, crescendo, as abafaram. Outra, finalmente, caiu em terra boa e produziu frutos, dando algumas sementes cem por um, outras sessenta e outras trinta. – Ouça quem tem ouvidos de ouvir. ” (S. MATEUS, cap. XIII, vv. 1 a 9.)

Amélia Rodrigues pela psicografia de Divaldo Franco, no livro Vivendo com Jesus, capítulo 16, Sementes de Vida Eterna, traz-nos uma lúcida explicação sobre esta parábola. Aduzimos o capítulo XVII – Sede Perfeitos, em seus itens 05 e 06, Parábola do Semeador. As parábolas de Jesus trazem sempre ensinamentos vinculados à vivência das pessoas para facilitar o entendimento e compreensão da mensagem. Por isso, que precisamos ter ouvidos para ouvir. Cada um depreende o que melhor constitui-se como verdade criando vinculação com o que já possui em si.

As pessoas da época lançavam as sementes antes de ararem o solo, de prepararem e adubarem. O Semeador é Jesus e as sementes são a mensagem Divina trazida pelo Mestre. Elas são disponibilizadas nos mais diferentes terrenos. Nesta parábola a criatura humana é representada nos quatro tipos de solo. Representa também o processo de revelação da Lei Divina em nossas vidas, cada um de nós analisando o terreno espiritual que possui e quais as circunstâncias que orientam a sua encarnação no momento.

As primeiras sementes foram lançadas à beira do caminho. Quando os agricultores faziam a colheita deixavam, no solo, um caminho por onde eles retornavam. Quando eles voltavam para o local específico para plantar as sementes algumas caíam. É a representação das criaturas que se interessam em receber a mensagem Divina, mas quando ocorre o momento de redefinição de valores, dedicação com relação ao tempo e esforço por mudança de conduta, a criatura deixa-se vencer pelos vícios, pela insensatez e pela transitoriedade da existência.

Querem receber os benefícios da Boa Nova, mas não querem esforçar-se pela mudança. Seu olhar é voltado para o momento presente e pela busca dos prazeres materiais, do que pode ser obtido pela lei do menor esforço, assim também o é com relação a religiosidade em suas vidas. Procuram dissimular o seu real interesse, usando de jogos para conquistar crentes a sua mudança. Podemos dar como exemplo, aqueles que adentram as instituições religiosas desejando que sejam retirados todos os seus problemas, e que aqueles que ali estão em trabalho de socorro e ajuda ao próximo farão o trabalho por elas. Acreditando que o culto de rituais exímias de qualquer esforço.

Existem aquelas que foram lançadas em terreno pedregoso. Amélia Rodrigues chama de “pessoas desafiadoras”, pois são carregadas de rudeza e grosseria. Pessoas duras, tornam-se invulneráveis relutantes com relação à reforma interior. Estão sempre na defensiva não aceitando a ajuda daqueles que querem lhe abrir os olhos com relação a Revelação Divina. Em alguns momento parece que a mensagem brota em seus corações, mas logo se entregam a amargura da agressividade, deixando que o sol lhes queimem as fibras amorosos do coração. Não compreendo a existência da Misericórdia Divina em nossas vidas.

Existem também aquelas que caem nos terrenos espinhosos. São caracterizadas como “… grupo de almas angustiadas, assinaladas pelos espinhos do desconforto moral em que vivem, acolhendo o mau humor e tentando brechas para a autorrenovação.” Somos a maioria de nós, que em contato com a mensagem Crística temos um misto de alegria pelo ensinamento que nos toca, mas nos sentimos angustiados por reconhecermos em nós um terreno difícil de ser trabalho, já provindo de outras etapas em que sementes viciadas foram semeadas. Esforçamo-nos para mudarmos, realindo os propósitos e modificando a perpectiva com relação ao futuro, mas por termos viciado o solo através de emoções deturpadas temos dificuldade neste processo de transformação moral e espiritual.

Por fim, existem aquelas sementes que são lançadas na boa terra. São aquelas almas “… que estão preparadas para a ensementação do evangelho, para a vivência do Bem, faltando somente que alguém lhes alcance as paisagens emocionais e, logo que recebem a dádiva do grão que irá fertilizar-lhes o Espírito, deixam-se dominar pelas alegrias, propiciando todos os recursos hábeis para que haja resultados opimos. Sacrificam-se em favor da oportunidade…”

Como não se lembrar de Chico Xavier? Maior exemplo de criatura que possuía o terreno pronto para receber a semente da mensagem Divina e produzir frutos. Semeador também o foi, colocando a sua vida como veículo para a ensementação do Amor nos corações humanos. Trazendo na sua alegria pela execução do trabalho o exemplo de devoção a prática do Bem na Terra. Oscilamos nos quatro tipos de terreno, demorando-nos naquele que melhor representa quem somos em essência. É um processo lento e gradual, mas constante. A mensagem Divina está disponível para todos, o Mestre até o presente continua semeando-a em nós. Cabe-nos nos colocar em situação favorável adubando-o com a ternura e o amor.

Jornal O Clarim – novembro de 2017

Por um pouco

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Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com

“Escolhendo antes ser maltratado com o povo de Deus do que por um pouco de tempo ter o gozo do pecado.” – Paulo. (HEBREUS, 11:25.)

Este é o capítulo 42 do Livro Fonte Viva. Temática mais que atual para os nossos dias. A filosofia espírita mostra-nos uma visão do comportamento pautada no entendimento da própria criatura, para depois podermos compreender o nosso semelhante, mas se não tivermos parâmetros de comportamento bem definidos, também não conseguiremos enxergar o semelhante, e posteriormente ajuda-lo. Pois, “Ninguém chega ao Pai, senão por mim.”[1]

Afirmação que nos mostra qual a rota a tomar, implicitamente trazendo a ideia que necessitamos do próximo para evoluirmos. Dando o justo valor as situações e verificando a representatividade do fato tal como ele é. Trazendo a luz do pensamento Crístico o entendimento e explicação dos percalços que nos alcançam a caminhada. Assim, mediremos com a mesma vara nós e o semelhante.

Quantos convites nos são feitos durante a encarnação para podermos desvirtuamos o proceder? Começando por analisar o comportamento humano num todo até chegarmos ao próprio comportamento espírita. Alguns confrades nos perguntam como sermos fieis ao Mestre diante da vida que nos é apresentada? Como ser cristão se o que se nos apresenta é uma barbárie social e intimamente sentimos “obrigados” a agir igual aos outros?

Emmanuel nos responde neste capítulo do livro já citado. Para nos candidatarmos ao muito precisamos ser fieis no pouco. Para chegarmos a uma condição de espíritos puros precisamos antes trabalhar esta argila que possuímos em nós, até que ela fique uniforme. Moldando ao ponto que não possua nenhuma falha. O Evangelho Segundo o Espiritismo também nos fala sobre o assunto em seu capítulo 16: Não se pode servir a Deus e a Mamon. É a lição da escolha certa, entre o que é transitório e o que é permanente em nossas vidas.

Quando voltamos o olhar para as coisas transitórias: os bens materias, as relações afetivas superficiais, as emoções supérfluas acabamos nos escravizando ao que nos causa perturbação e deixamos de observar o que realmente tem importância em nossas vidas. É um apego que se constitui educação ancestral em nossas vidas. Precisamos remodular a base para modificar as consequências. Princípio que deve nos nortear o comportamento é que se não estamos obtendo sucesso na maneira como estamos vivendo, modifiquemos as atitudes para termos resultado diferente.

A proposta de Jesus para nós há mais de dois mil anos era uma mudança de comportamento, mas ele não nos apresentou solução para as situações atuais que nós vivemos, mas uma proposta para o futuro. Sendo que a mudança no comportamento, atualmente, gera desde já uma paz íntima que nos leva a caminhar de maneira mais centrada dispensando o que não nos trará proveito para o futuro e ajustando o valor das coisas no presente para aquilo que poderá nos projetar para a vida eterna.

Joanna de Ângelis, nos diz: “O ser humano tem o dever de selecionar os objetivos existenciais, colocando-os em ordem de acordo com a qualidade e o significado de todos eles, para empenhar-se em destacar aqueles que são primaciais, exigindo todo o empenho, e aqueloutros que são secundários, podendo ser conduzidos com naturalidade, sem maior sofreguidão.”[2]

Esta ordem será baseada no conhecimento adquirido, nos valores que possuímos e na carga emocional envolvida na situação. Estabelecendo como prioridade aquilo que melhor entendemos ser o que irá nos fazer feliz. Quando adicionamos a este pensamento e tomada de decisão a orientação religiosa pautada no entendimento da vida futura, conseguimos com um golpe de visão, vislumbrar o futuro e as conseqüências dos nossos atos presentes. Difícil de exercício, mais muito válido quando executado.

No tocando ao sofrimento e a questão das provas que nos batem a porta temos a mesma depreensão do termo: por um pouco. A eternidade vincula-se a vida espiritual, todo o resto cumpre a necessidade de aprendizado em nossas vidas. Queremos mensurar a real necessidade do reajuste com a Lei pessoas que estão em diferentes patamares de entendimento, sendo que todos sem exceção chegaremos ao Pai após transportarmos as barreiras que interditam a nossa entrada em Mundos mais felizes.

O apóstolo Lucas nos diz: “… Esta noite mesmo tomar-te-ão a alma…”[3]. Esta afirmativa toma real contorno quando observamos em nós ou em pessoas próximas a nós que fazíamos planos para um futuro longuinquo acreditando que teríamos tempo de concredização e por esses reveses, que só a justiça das reencarnações pode nos explicar, não conseguimos concredizar. Se tivéssemos suportado mais, amado mais, tido mais paciência, ultrapassaríamos aquele momento ou anteciparíamos a vivência do amor em nossas vidas.

A negação de algo não faz com que este algo deixe de existir. Demonstramos mais maturidade espiritual quando paramos de lutar contra o aprendizado e trabalhamos a favor. Evitaríamos sofrimentos, ultrapassaríamos fases e chegaríamos ao ponto desejado com mais segurança emocional.

Deus tem o controle de tudo. Por não compreendermos a sua Lei queremos antecipar fatos perdendo a oportunidade de esperar a fruta amadurecer para podermos colher. Tudo se encadeia na mais perfeita ordem na Criação Divina, temos a oportunidade de sermos co-criadores quando desenvolvemos o perfeito entendimento da Lei e passamos trabalhar em favor de nós mesmos. É um processo de desenvolver a consciência e ampliar os sentimento superiores em nós. Tudo, em nossas vidas, tem um fim providencial.

 

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – novembro de 2017

[1] João, cap. 14, v 7

[2] Livro Jesus e o Evangelho a Luz da Psiciologia Profunda, capítulo 22 – Propriedade

[3] Lucas: 12:20

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