O Evangelho e os homens

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Octávio Caumo Serrano   caumo@caumo.com

Ensinar é informar; mas nunca temos a certeza de atingir os objetivos.

O Evangelho, também conhecido como a Boa Nova, ensinado por Jesus, pode, como diz a parábola, acabar na areia, na pedra, na terra… E vai dar frutos ou não dependendo de onde caia e em que condições.

Para entendê-lo, consultemos o mesmo Jesus. Se numa hora Ele diz que não devemos pôr a candeia debaixo do alqueire, logo depois afirma que não se deve dar pérolas aos porcos. Ou quando Ele diz que a quem tem mais, mais será dado, e de quem tem pouco até esse pouco será retirado. Ou, segundo a voz do povo, não devemos gastar vela com mau defunto. Por que essas contradições.

Não há contradições. Podemos comparar essa divulgação a uma aula ministrada por experiente professor que diz o mesmo para todos os seus alunos. Mas no fim do ano, uns passam com destaque, outros “raspando” e ainda há os que não passam. No entanto, o professor ensinou igualmente a todos, mas cada um entendeu conforme a sua capacidade e desejo. Esse desejo geralmente está condicionado ao grau de sabedoria do indivíduo. Não é que ele não quer; ele não pode porque a mensagem está acima do seu discernimento e lhe falta bom senso. É como um paciente que só entende superficialmente a sua doença, quando explicada por um especialista.

Na pergunta 621 de O Livro dos Espíritos foi indagado aos veneráveis onde está escrita a Lei de Deus. E eles responderam: Na consciência. Perguntou-se, a seguir, então porque ela lhe tem de ser lembrada constantemente com a vinda de emissários divinos que repetem sempre o mesmo e eles disseram que é porque os homens a esquecem e menosprezam.

Este alerta sobre a divulgação do Evangelho é importante porque um expositor fala para um público e cada pessoa dessa coletividade entende de um jeito. O que para uns é óbvio para outros é mistério. A maioria dos homens ainda não percebeu que ao perdoar e a si que perdoa e ao odiar é seu coração que se enche de veneno. Somos o criador dos nossos males e podemos ser o primeiro e maior médico para as nossas enfermidades. É o que diz o Evangelho há vinte séculos, para todos os cristãos, e eles ainda não entenderam e vivem digladiando-se. Cada um define o Cristo de uma forma e usa suas lições conforme suas conveniências. O mesmo acontece com os que seguem Buda, Moisés, Maomé e outros enviados de todos os tempos. Todos falaram a mesma coisa para seus povos e em seus idiomas, mas cada um deles é um procurador de Deus traduzindo a Lei Divina para um vocabulário acessível aos homens. E nesses casos, nem sempre os mais letrados entendem melhor que analfabetos. Cultura e sabedoria são atributos diferentes.

Inútil tentarmos amestrar os homens enquanto insistirem em ser feras. Pensarão e agirão como feras. Não afaste seu familiar de Deus ou do Evangelho de Jesus pregando de um jeito e vivendo de maneira oposta. Sem o exemplo não há convencimento. Não falemos do Evangelho sem mostrá-lo em nossas atitudes. Serão palavras ao vento! Não recitemos mensagens; sejamos nós a mensagem. É preciso coerência entre o que falamos e o que vivemos.

Nas escolas de evangelização infantil espírita, defendemos que não deve haver massinhas ou joguinhos, mas evangelho. E se alguém disser que criança não entende, permita-me contar uma passagem,

Fazíamos palestra numa quarta-feira à tarde, no Centro Kardecista os Essênios em São Paulo, onde habitualmente estava presente uma senhora com duas filhas de sete e cinco anos. A menor, loirinha, um biscuit, sentava-se na posição de lotus (como os iogues), longe da mãe, e dormia profundamente. Eu ficava aflito porque ela balançava e parecia que iria cair da cadeira. Nunca caiu.

Certa quarta, ao sair, encontramos mãe e filhas na porta do centro. -Olá. Vocês ainda por aí? – Pois é, meu marido que vem nos buscar atrasou-se. Não havia celulares… Nesse momento a pequena dorminhoca disse à mãe: – Mãe, o seu Octávio fez uma palestra tão legal! Surpresa, a mãe indagou. -Foi filha? Por que você achou a palestra legal? – Porque ele disse que nós só devemos fazer para os outros o que nós queremos que os outros façam pra nós! Eu achei muito legal!…

Não há crianças. Há espíritos adultos que voltam para novas experiências. Não fale com crianças com a linguagem do bilu-bilu, porque ela vai olhar para você e vê-lo com um tonto! O Evangelho sai da nossa boca igual para todos, mas chega diferente no ouvido de cada um. E daí para o cérebro e coração é uma longa viagem.

Tribuna Espírita setembro/dezembro 2019

 

 

Você acredita na reencarnação?

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O tema é reencarnação            Octavio Caumo Serrano

Você acredita na reencarnação? Alguém me perguntou… Não! Não acredito porque não preciso. Eu a vejo e compreendo quando observo as pessoas.

Não cremos na maioria das coisas porque as vemos, mas porque as sentimos ou compreendemos. Assim é, por exemplo, com o ar ou a eletricidade. Existem e basta! Como disse Jesus a Nicodemos. “Falo das coisas da Terra e você não entende; que será quando eu começar a falar das coisas do Céu!”

Mesmo quando não vemos, o bom senso, se é que o temos, nos mostra uma realidade que as palavras não explicam, mas que por dedução inteligente nós a constatamos. Com a reencarnação acontece assim. Embora haja muitos relatos de pessoas, especialmente crianças, que contam fatos de suas vidas anteriores, citando nomes, datas e fatos comprovados por testemunhas ou documentos, nem isso é necessário porque a ideia circula em nossa mente, independentemente de crença religiosa. É intuitiva porque já foi vivida e faz parte das experiências estocadas na alma. Mesmo os que afirmam que ninguém voltou para contar, usam argumento inconsistente. De que forma gostariam que voltassem? Como humanos ou fantasmas?

Certa vez, quando eu tinha casa de campo no município de Mairiporã, São Paulo, visitei um vizinho que havia conhecido um centro espírita e se encantara com as lições do Evangelho explicadas por Kardec. A esposa, de outra doutrina cristã, bem radical, se dirige a mim e argumenta: – Viu as ideias que o seu amigo está tendo, Octávio? Agora só fala de reencarnação. – Você acredita “nessas coisas”, Octávio? Respondi: – Eu não, ao que ela aduziu, eu também não.

Após pequena pausa, voltei ao assunto e argumentei: – Mas, sabe, minha amiga. Uma coisa que me intriga é, por exemplo: – Você crê em Deus. – Sim, claro. – E como é o seu Deus, bom ou mau? – Extremamente justo e misericordioso! – Pois aí é que eu me perco, minha cara. – Por que, então, esse Deus cria filhos tão diferentes? Ricos e pobres, sadios e aleijados, bonitos e feios, uns que morrem tão cedo e outros que ficam tão velhos, se para Ele todos deveriam ser igualmente filhos queridos? Ela me olhou, profundamente surpresa, e disse: – Sabe que eu nunca havia pensado nisso. – Eu também não, minha cara. Penso que é hora de começarmos a pensar. Embora eu já fosse espírita, inclusive palestrante, se dissesse a ela que acreditava em reencarnação seria para ela mais um desequilibrado, segundo o seu conceito.

O número dos que acreditam é muito maior do que o número de espíritas confessos que no Brasil não chegam a sete ou oito por cento da população. E os que não acreditam, mas têm dúvidas formam um percentual enorme, passando de setenta por cento. É a única explicação que leva uma organização de TV líder no Brasil e com penetração internacional expressiva a fazer um seriado falando do tema reencarnação e vidas passadas. Não fez a série para os espíritas porque não atenderia às suas necessidades de audiência. Isso me lembra muito o ditado espanhol: “No creo en brujas, pero que las hay, las hay.”

Há muitos que preferem acreditar na salvação pela fé com a frequência à alguma igreja que prometa milagres. Não há local ou situação que a todos “salvem” indiscriminadamente porque seria injusto. Mais do que fé vale o merecimento. “Faz que o Céu te ajuda” é uma das célebres promessas de Jesus. Dizem os espíritos que “Deus que nos criou sem o nosso conhecimento não poderá salvar-nos sem a nossa colaboração.” Por isso, conheça a Verdade e liberte-se. Ou seja, liberte-se de si mesmo porque somos nós nosso maior algoz. Obsessor só nos derruba quando sintonizamos com suas “fake news”. Mentiras que nos adulam e iludem porque exploram nossa vaidade e desconhecimento de nossas próprias qualidades e defeitos. O Espiritismo é a doutrina da razão. Estude-o para conhecer-se e então seguirá por caminhos novos, liberto de ilusões e fantasias. Fiquem com Deus!

Tribuna Espírita – julho/agosto 19

Onde está meu salvador?

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Octávio Caumo Serrano 

As promessas não param, mas a humanidade não se salva. Por quê?

Há 1500 anos a lei da reencarnação foi banida dos dogmas católicos. O Concílio de Constantinopla – ANO: 553 D.C., acabou com ela. Saiba mais da história da mulher do Imperador Justiniano:

Teodora era a filha do domador de ursos da cidade. Desde cedo fez grande carreira como cortesã e conseguiu que o Imperador se apaixonasse perdidamente por ela. Quando se tornou Imperatriz, mandou executar quinhentas de suas antigas companheiras, entre escravas, prostitutas e sacerdotisas pagãs, para eliminar testemunhas sobre sua vida.

Extremamente cruel, Teodora, quando aprendeu a doutrina essência, ficou com muito medo de reencarnar como uma escrava negra e ordenou a Justiniano que revisse os códigos canônicos “para que aquilo nunca pudesse ocorrer”. Depois de um concílio faccioso, votou-se que a versão oficial da Igreja seria a Helenista, baseando-se em conceitos de “Céu” e “Inferno”, adaptados  do Hades e Olimpo, para o catolicismo, com uma diferença: pela imposição de Teodora, não haveria “reencarnação”.
Dessa forma, acreditavam que seria possível simplesmente finalizar o que quer que você tenha feito na Terra e subir aos céus se tivesse os contatos certos (daí surge a doutrina das indulgências). Um “quebra galho” do tipo “jeitinho brasileiro” que permanece até hoje. Ou seja, as religiões nos ensinam mentiras há muito tempo.

A mulher confiava que o marido tinha poder para revogar as leis de Deus com decretos e é o que as pessoas seguem pensando ainda hoje. Dizem-nos que basta ter fé, orar, frequentar os templos, oferecer dotes materiais para que o Senhor da Vida nos perdoe e abrande as nossas culpas. E vivemos todos buscando um Salvador sem perceber que para encontrá-lo basta olhar-se no espelho. Cada um é o único que pode salvar a si próprio. Os outros podem servir de estímulo, de orientadores para ajudar-nos na difícil tarefa; mas a decisão final é nossa. Se não quisermos ninguém consegue por nós. Recordando frase dos espíritos, “Deus que te criou sem o teu conhecimento não poderá salvar-te sem a tua colaboração”.

O tempo passou e a Igreja não teve coragem de restabelecer a verdade da Reencarnação, deixando-nos iludidos que com mera confissão e comunhão seríamos perdoados e anistiados das faltas. Reze, faça promessas, romarias, penitências e acenda velas que tudo se resolve. Vá à sua igreja uma vez por semana e quitará suas faltas. Atrasou por 1.500 anos o progresso do cristianismo que só agora, com o Espiritismo, volta a pensar e ser dono do raciocínio.

É tão mentira quanto à lenda de Adão e Eva que a própria Bíblia enuncia e desmente. Menciona logo no primeiro livro, “Genesis” 2:7, que Deus fez o primeiro homem do pó e o soprou para dar-lhe  vida e de uma costela sua fez Eva, a única mulher, com quem teve inicialmente dois filhos, Caim e Abel, e que depois desmente quando diz que Caim, após matar Abel,  deixou sua parentela, ”Genesis” 8:16/17, e seguintes, quando ele foi para longe, na terra de Node, onde casou-se e teve um filho, Enoque, e fundou uma cidade, muito distante do Jardim do Éden. Quem era essa mulher que se casou com Caim, se só existiam Adão, Eva, Caim, Abel e depois Sete (terceiro filho de Adão e Eva)? E se Eva era a única mulher do mundo feita da costela de Adão? Tá faltando capítulo nessa novela! E não me venham com aquela conversa de fé, porque fé que afronta o raciocínio não mais funciona nestes tempos.

Isso é o mesmo que acreditar que religiosos que vivem vida contemplativa, apenas em orações, tenham alguma utilidade. Em nada contribuem; nem mesmo para sua própria manutenção, já que não produzem seu alimento, sua vestimenta ou qualquer bem necessário à vida na Terra. São acomodados exploradores da sociedade. Não pode haver nisso qualquer mérito. Bom senso é o que nos falta para analisar até as escrituras que, apesar de rotuladas como sagradas, contém uma porção de tolices e inverdades. Orar e vigiar, também neste caso, foi a recomendação de Jesus. E não me digam que o que afirmo é uma heresia. Deem-me o direito à lucidez.

Continuo acreditando no que disse Jesus: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém chega a Deus a não ser por mim”. Mas sei que devo caminhar com meus próprios pés! Muitos estão esperando a volta do Cristo porque são cegos e não percebem que Ele nunca nos deixou. Seu Evangelho, o Sermão da Montanha e demais lições são o grande atestado da sua permanente presença entre nós. Obrigado, Senhor por me permitir ver tudo com esta clareza!

Tribuna Espírita – maio/junho 2019

 

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Será que ainda dá tempo?

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Octávio Caumo Serrano caumo@caumo.com

Tempo de que? De ser feliz e ver a sociedade em total fraternidade? Não. Por enquanto não dá, com esta humanidade apodrecida. Mas não se imagine que tudo está perdido; espíritos mais adiantados estão nascendo. Ainda não são muitos, mas daqui a uns trinta anos eles se destacarão em todos os setores. Na altura dos meus iminentes oitenta e quatro, não estarei vivo para comprovar. Mas esta convicção em mim é latente.

A organização divina não funciona com a pressa dos homens.  A obra de Deus pode ser retardada, mas não anulada pelos maus ou inúteis, que serão enviados para locais que sintonizem com o seu atraso moral. Lá usarão seus conhecimentos para ajudar os mais atrasados. E assim, praticando a caridade, salvando vidas, crescerão moralmente. Enquanto isso, outros formados na arte de servir vêm habitar a nova Terra para brindar-nos com tecnologias e conhecimentos que nos facilitem a vida, impedindo que precisemos matar, mentir ou roubar para ter o mínimo necessário. As doenças serão sensivelmente reduzidas porque não haverá o estresse da ganância, a aflição pela sobrevivência e o desrespeito ao meio ambiente. Os alimentos serão mais naturais.

Esta é a razão porque são cada vez mais comuns as mortes coletivas por acidentes ou fenômenos climáticos devastadores e os desencarnes individuais crescem cada vez mais. A criminalidade se encarrega de colaborar com as estatísticas, ajudando a banir a desonestidade que está no DNA da sociedade, internacionalmente, num grande percentual em todas as raças, camadas sociais e religiões. Mas, como espírita que crê na continuidade da vida e na volta a um novo corpo (reencarnação) para prosseguir no aprendizado rumo à perfeição, nada disso me assusta. Só tenho como preocupação ser hoje melhor do que ontem e amanhã melhor do que hoje, para aproveitar a vida, este presente de Deus. Prossigo sereno, porque medo é fé não combinam. Já aprendi que cada um é o único que pode fazer mal a si mesmo. Minha fé nasce do raciocínio.

Jornalista e poeta

Jornal Correio da Paraíba – maio 2019

Até entre os espíritas

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Octávio Caumo Serrano    caumo@caumo.com

Há 28 anos eu escrevia o artigo “Nosso Centro”, que me valeu o troféu AJE-SP – Associação dos Jornalistas Espíritas do Estado de São Paulo. Foi amplamente divulgado e muitos centros imprimiram para distribuir entre seus frequentadores, sendo a pioneira a Sociedade Espírita Maria Nunes, de Belo Horizonte, para encartar nos livros de João Nunes Maia, da Editora mineira ligada ao Centro. Pode ser lido em https://www.espiritbook.com.br/profiles/blogs/a-quem-pertence-a-casa-esp-rita

Já naquela oportunidade enfatizávamos que o amor entre as criaturas é escasso também nas casas espíritas onde circula a maledicência, mais precisamente a fofoca, devido à concorrência, melindre, inveja, desejo de evidência por vaidade e disputa por posições que provoquem destaque para o participante da casa. Ciúmes, críticas infundadas e grupos que se isolam dos restantes da instituição. Ou seja, a afirmativa de Jesus que seus discípulos seriam reconhecidos pelo muito que se amassem não encontra eco nas nossas instituições. Deixa claro que estamos longe de merecer ser definidos como discípulos do Cristo. Enquanto uns se gostam outros se odeiam ou se ignoram!

O que afirmamos, longe de ser um comentário crítico, é um lamento escrito devido à tristeza de constatar quão distante estamos do “uni-vos e instrui-vos”, proposto pelo Espiritismo, ou do “amai-vos uns aos outros como eu vos amei”, segundo Jesus.

Dizia também naquela oportunidade que os trabalhadores espíritas são como funcionários que, operando em um setor, fazem o estritamente necessário dentro da função que exercem. Não colaboram com a casa nem com os colegas, auxiliando no simples ato de desligar um ventilador, um aparelho de som ou uma lâmpada, ajudar a fechar a casa ou qualquer ato que deixe claro que ele se sinta um participante da instituição e não um freelance espírita: apenas palestrante, passista, recepcionista, orientador, etc. sem outra participação espontânea para colaborar com os demais. Mal terminam os trabalhos do dia saem, apressadamente, porque nada mais é de sua responsabilidade.

Ignoram quem encapa os livros da biblioteca, quem compra pilha para os relógios, papel higiênico e copos descartáveis. Quem se encarrega da manutenção, material de limpeza. Não sabem quem paga o aluguel, a água ou a luz, embora liguem todos os ventiladores, porque são calorentos… Não saem do seu conforto, agindo como se estivesses nas suas casas. O centro não é problema deles. E ninguém se atreva a censurá-los porque ficam zangados e ameaçam ir embora do grupo. Não suportam advertências.

Antes de criticarem este escrito, os amigos leitores que participam de casas as mais diversas, observem o seu comportamento e o de seus colegas e digam onde exagerei ou menti. Serão forçados a concordar comigo porque visito muitas casas, há quase cinquenta anos, e são todas iguais, porque em todas há os mesmos seres humanos. Orgulhosos, comodistas, insensíveis e egoístas desta sociedade falida.

Quando analisamos o comportamento de religiosos de outras doutrinas, vemos que não somos diferentes em nada. Eles, por isso, são forçados a pagar, dar contribuição compulsória ou ostensiva à sua igreja, porque espontaneamente nada se deve esperar deles. Nem de nós.

Ainda não percebemos a diferença entre ser espírita e frequentar um centro espírita. No nosso livro Pontos de Vista escrevemos sobre o Cristo, o cristianismo e o cristão. Dizíamos que o Cristo é a essência, o cristianismo as suas lições e o cristão aquele que ainda não entendeu nada sobre a proposta do Cristo. Comparávamos com o Espírito, o Espiritismo e o Espírita e a conclusão foi a mesma. Vejo milhares nas plateias dos Congressos, nas palestras dos Centros, mas quase não vejo espíritas que se identifiquem como tal pela vivência dentro da proposta do Evangelho, priorizando o trabalho incondicional em favor do próximo a par de sua modificação moral para servir de bom exemplo onde esteja: no lar, na rua, na, escola, no trabalho… Mesmo esses, prestam mais atenção ao celular do que ao Evangelho.

Estamos no limiar da nova era quando o planeta será promovido a mundo de regeneração e temos a esperança de ser habitante da nova Terra. Só que isto vai depender da nossa conquista pelos méritos que acumularmos. Com o fracasso quase que total desta civilização, o mundo está dependendo da chegada da nova geração que já está se preparando para vir ao planeta e consertar os erros que estamos cometendo há milênios. Este final de encarnação que vivemos, especialmente nós os mais velhos, pode ser aproveitado como vestibular visando o ingresso no planeta renovado. Mas o esforço de renovação deve ser grande como se fosse uma encarnação supletiva na qual faremos o que não fizemos nas últimas cinco ou dez reunidas.

Quando indagamos a uma amiga da Federação Espírita de São Paulo por que um artigo tão simples e mal escrito fez sucesso e foi reproduzido por muitos jornais e revistas, além de centros espíritas que o distribuíram entre seus frequentadores, ela respondeu que fomos o advogado do dirigente espírita que pede socorro para não ficar só com a responsabilidade de administrar a sua instituição. Penso que foi isso!

Este chamado de consciência é para que não sejamos cristãos avestruzes que enfiam a cabeça no solo para ignorar o que se passa ao nosso redor. Não mais podemos ser mornos; temos que ser participantes ativos como colaboradores neste momento de transição planetária; para nós e os que estão chegando. Em vez de jogar nas mãos de Jesus a nossa salvação, cada um que trate de se salvar. Como diz um grande amigo: – Não mais é tempo de distribuir mensagens. Chegou a hora de nós mesmos sermos a mensagem. E que Deus nos ajude!

Tribuna Espírita março/abril 2019

 

Pais e filhos

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Octávio Caumo Serrano

Já disse Khalil Gibran, no início do seu poema-pensamento sobre os filhos: “Vossos filhos não são vossos filhos. São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma. Vêm através de vós, mas não de vós. E embora vivam convosco, não vos pertencem. Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos. Porque eles têm seus próprios pensamentos. Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas; pois suas almas moram na mansão do amanhã,
que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho…”

O Espiritismo também nos informa que os filhos são velhas almas, muitas vezes mais antigas do que nós, que vêm nascer no nosso lar para aprender ou ensinar, ser corrigidos ou corrigir-nos, o que muitas vezes dá origem a conflitos de convivência porque insistimos em desejar que pensem como nós já que, como  somos mais antigos no mundo da matéria, nos faz pensar que sabemos mais que eles, o que pode não ser verdade. A idade cronológica da Terra nem sempre segue a da eternidade. Somos todos premiados pelo esquecimento para evitar que possíveis conflitos do passado venham à tona e criem problemas de convivência por razões óbvias.

Estamos no limiar da nova era, quando grandes mudanças ocorrerão em todo o planeta. Como a Terra está se aprimorando como mundo, passando de provas e expiações para de regeneração, está claro que sua humanidade está sendo substituída, porque a maioria de nós carece das condições mínimas necessárias para ser morador da Terra renovada. Atualmente isso é feito com mais intensidade, porque os tempos chegaram, o que faz com que tragédias coletivas de origem natural ou provocada levem as pessoas aos desencarnes em massa. A mudança tem pressa porque todas as oportunidades nos foram dadas sem que as aproveitássemos, percebêssemos ou nelas acreditássemos. Vulcões, tsunamis, terremotos e desastres de toda ordem, inclusive pela destruição do planeta pelos seus próprios moradores. Poluição de rios, mares e ar e corte indiscriminado de árvores. Sem considerar a poluição mental que a aparelhagem não mostra, mas que contamina o astral em que vivemos. Ódios, desejos de vingança, insatisfação, revolta contra tudo e todos.

Nesse processo de troca na nossa sociedade humana, espíritos de hierarquia mais adiantada começam a receber a incumbência de vir nascer entre nós para a restauração da ordem, dos direitos e deveres, aplacando mágoas e espalhando otimismo e amor entre as pessoas. Serão vistos por nossas acanhadas análises como superdotados que farão prodígios e que serão gênios, entre nós. São crianças difíceis de ser orientadas, educadas e encaminhadas, porque nossos sistemas educacionais não atendem aos seus anseios já mais aprimorados. Muitas vezes recusam-se a estudar, parecem desobedientes e têm convicções próprias. Nossas escolas não sabem como lidar com eles e acabam por prejudicá-los.

Isto aconteceu em todas as épocas, inclusive quando da vinda de Jesus. Ele precisaria de mãe e pai para nascer e Maria, uma moça do Convento das Virgens, foi escolhida por José, descendente de David, para esposá-lo. Assim nasceu aquela criança que viria mudar os destinos do mundo. Mas sua mãe, com toda a amorosidade que a caracterizava, teve muita dificuldade para entender aquele filho tão avançado. Criança ainda, discutia com os doutores do Templo de Jerusalém e quando convivia com seus colegas de mesma idade assustava-os com seu olhar penetrante e sensor diante de fatos como a simples matança de um inseto. As reclamações das mães contra Jesus deixavam a nossa querida “virgem” de cabelo em pé. Passou a vida toda tentando entender as ações daquele filho diferente das outras crianças que certo dia até se recusou a recebe-la, quando disse que “aqueles que fizessem a vontade do Pai, esses seriam sua mãe e seus irmãos.” Imaginamos a tristeza que ela sentiu naquele dia. Nem seus irmãos O acompanharam na sua peregrinação porque nunca foi compreendido. Somente no final, já na cruz, quando entregou o menino João Evangelista à sua querida mãe, dizendo “Mãe eis aí o teu filho, filho, eis aí a tua mãe” que ela o reconheceu como o Messias, a ponto de rogar a Ele que aceitasse também a ela como um de seus discípulos.

Agora também nós rogamos à doce e amorosa Nossa Senhora, Maria de Nazaré, da cidade desprezada pelos judeus, porque era apenas dormitório de caravaneiros e comerciantes que rumavam da Turquia para o Mediterrâneo, via Israel, que nos abençoe e proteja, intercedendo por nós quando nossos atos e pensamentos tentem afastar-nos do bem e da verdade. O momento é de calma e oração. Tudo vai passar.

Ao contemplar Maria Santíssima, com o amado Filho em seu regaço, lembro-me de todos nós, pobres mortais, que, tentando acertar, erramos sempre. Na nossa incompetência, tentando formar homens, criamos feras! Quanto sofrimento a própria mãe Maria passou por não entender, de início, a tarefa de Jesus!

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Um soneto dodecassílabo quaternário. Espero que gostem!

VISÃO LIBERTADORA
Octávio Caúmo Serrano

Olhando a nuvem, vi um retrato. Era bonito! / Mas era estável, não mudava a toda hora…
Olhando firme eu percebi Nossa Senhora/Que, meigamente, olhava os filhos do infinito!…

Eu lhes garanto que era ela, estou convicto, /Pois sua influência me deixou mais calmo agora,/ Eu já não tenho só ansiedade, como outrora, /Só sinto paz e já não mais me ponho aflito…

-Foram seus olhos que criaram essa imagem, /Muitos dirão; foi como um sonho, uma miragem, /Porque nós, pobres deserdados, somos sós!

Mas como a vejo em sua beleza e nitidez, /Fito a Senhora e peço ainda uma outra vez:/
– Mãe de Jesus, serva de Deus, rogai por nós!…

Que assim seja!

Tribuna Espírita    jan/fev 19

 

Servir a Deus e a mamom

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Octávio Caumo Serrano  caumo@caumo.com

No Capítulo XVI de O Evangelho Segundo o Espiritismo há lições sobre o assunto.

Os três primeiros ensinamentos de Jesus e a parábola do mau rico, seguem todos na mesma direção. Mostra que os homens querem adquirir tudo, sem perder ou trocar nada. E Ele já nos havia esclarecido que os tesouros da Terra são frágeis e perecíveis e só têm utilidade quando se transformam em tesouros do Céu. Ensina que matéria e espírito são incompatíveis a menos que se harmonizem e se complementem. Que usemos a matéria para aprimoramento do espírito e não para a sua perdição. Precisamos vestir, comer e cuidar do corpo porque estamos encarnados e nele meio encarcerados. Mas tudo com moderação.

Não se pode, diz Jesus, adorar ao mesmo tempo dois senhores distintos. Que ama, não odeia. Se somos desprendidos, não somos avarentos. Se quisermos só os bens do mundo nada teremos de nosso, de verdade. Somos proprietários de verdade somente daquilo que não nos pode ser tirado. Para ilustrar, temos um carro e dizemos que é nosso, mas não é. Apenas usufruímos do conforto que ele pode nos proporcionar. Ele é emprestado para o tempo em que estamos na matéria. Caso se acidente, incendeie ou o ladrão roube e não tínhamos dinheiro para o seguro, já não mais somos donos de um carro.

Tudo o mais do mundo físico segue esta regra; de nada adianta cuidarmos da beleza do corpo, exagerando em tratamentos, reparos estéticos, enfeites da modernidade, flagelando-nos com piercings e tatuagens, se somos de mau caráter, sem humildade, nunca somos amigos e fraternidade e paciência não fazem parte do nosso temperamento. Muitos exemplos estão no Evangelho de Jesus, todos seguindo nesta linha. “Antes de fazer a tua oferenda, reconcilia-te com teu adversário, enquanto estás a caminho.” “Ninguém sairá daqui enquanto não pagar até o último centavo.” Daqui de onde? Do mundo que nos prende à matéria, está claro, inclusive como desencarnados. João 5:28-30, diz: “Não vos maravilheis disso, porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz.  E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal, para a ressurreição da condenação.” João 14.12, diz: “Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço e as fará maiores do que estas, porque eu vou para meu Pai.”.

Em vez, portanto, de tudo esperarmos de Jesus, inclusive que nos carregue no colo, por que não ser seu auxiliar na propagação do Evangelho? Na prece que fazemos no nosso Centro, no início de todas as reuniões, há uma frase que diz: “Veneráveis mensageiros celestes, auxiliares de Jesus, fortalecei-nos e amparai-nos para que possamos ajudar as forças do bem na transformação do mundo.” Um privilégio ser parceiro do Cristo para que seu Evangelho se espalhe cada vez mais, em vez de fazê-lo de empregado colocando em seus ombros nossas mazelas para que Ele resolva. Depois de matá-lo quando veio pessoalmente ao mundo para deixar sua mensagem, mostrando que nada entendemos das suas lições continuamos sendo seus exploradores.

Os tempos estão se acelerando e as oportunidades são cada vez menores. Por enquanto as dores desfilam à nossa frente para nos dar a oportunidade de mostrar o quanto estamos cristianizados. Se insistirmos em manter olhos e ouvidos cerrados, os dias passarão e, como na parábola das virgens, continuaremos dormindo. Nossa candeia permanece sob o velador. Enquanto não colocamos nossa luz para clarear o caminho dos semelhantes, nós também permaneceremos no escuro.

Os que já entenderam este minuto espiritual que vivemos na Terra, saberão investir para a melhoria da alma. Quem não percebeu nada, continua juntando tesouros na Terra e portando uma porção de intrigas quando chegar a hora da partida. Os cartórios onde se lavram os inventários estão cheios de ricos desencarnados revoltados porque “seus bens” estão sendo entregues para pessoas que eles não queriam. Morreu, mas continua, equivocadamente, como dono. Que coisa triste! Quer voar, mas o peso da ganância os deixa presos ao mundo físico.

De nada vale divulgarmos o Espiritismo com conferências e distribuindo passes, nem apregoar a nossa fé, se não temos atitudes condizentes com a mensagem do Cristo, quanto à nossa ligação com o Criador. Recomendamos como leitura final e esclarecedora, em O Livro dos Espíritos, sobre a Lei da Adoração; perguntas 649 a 659.

Neste Natal, além da reunião da família em volta da ceia e dos presentes que dará aos seus próximos mais queridos, não se esqueça de dar um presente a você mesmo programando um ano voltado para as conquistas espirituais, porque são seus tesouros eternos. O resto, as coisas do mundo, chegam a nós pelo acréscimo da misericórdia de Deus, acompanhado do merecimento que tivermos construído ao longo da encarnação. Confie e siga.

Tribuna Espírita nov/dez 18

 

 

 

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