Servir a Deus e a mamom

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Octávio Caumo Serrano  caumo@caumo.com

No Capítulo XVI de O Evangelho Segundo o Espiritismo há lições sobre o assunto.

Os três primeiros ensinamentos de Jesus e a parábola do mau rico, seguem todos na mesma direção. Mostra que os homens querem adquirir tudo, sem perder ou trocar nada. E Ele já nos havia esclarecido que os tesouros da Terra são frágeis e perecíveis e só têm utilidade quando se transformam em tesouros do Céu. Ensina que matéria e espírito são incompatíveis a menos que se harmonizem e se complementem. Que usemos a matéria para aprimoramento do espírito e não para a sua perdição. Precisamos vestir, comer e cuidar do corpo porque estamos encarnados e nele meio encarcerados. Mas tudo com moderação.

Não se pode, diz Jesus, adorar ao mesmo tempo dois senhores distintos. Que ama, não odeia. Se somos desprendidos, não somos avarentos. Se quisermos só os bens do mundo nada teremos de nosso, de verdade. Somos proprietários de verdade somente daquilo que não nos pode ser tirado. Para ilustrar, temos um carro e dizemos que é nosso, mas não é. Apenas usufruímos do conforto que ele pode nos proporcionar. Ele é emprestado para o tempo em que estamos na matéria. Caso se acidente, incendeie ou o ladrão roube e não tínhamos dinheiro para o seguro, já não mais somos donos de um carro.

Tudo o mais do mundo físico segue esta regra; de nada adianta cuidarmos da beleza do corpo, exagerando em tratamentos, reparos estéticos, enfeites da modernidade, flagelando-nos com piercings e tatuagens, se somos de mau caráter, sem humildade, nunca somos amigos e fraternidade e paciência não fazem parte do nosso temperamento. Muitos exemplos estão no Evangelho de Jesus, todos seguindo nesta linha. “Antes de fazer a tua oferenda, reconcilia-te com teu adversário, enquanto estás a caminho.” “Ninguém sairá daqui enquanto não pagar até o último centavo.” Daqui de onde? Do mundo que nos prende à matéria, está claro, inclusive como desencarnados. João 5:28-30, diz: “Não vos maravilheis disso, porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz.  E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal, para a ressurreição da condenação.” João 14.12, diz: “Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço e as fará maiores do que estas, porque eu vou para meu Pai.”.

Em vez, portanto, de tudo esperarmos de Jesus, inclusive que nos carregue no colo, por que não ser seu auxiliar na propagação do Evangelho? Na prece que fazemos no nosso Centro, no início de todas as reuniões, há uma frase que diz: “Veneráveis mensageiros celestes, auxiliares de Jesus, fortalecei-nos e amparai-nos para que possamos ajudar as forças do bem na transformação do mundo.” Um privilégio ser parceiro do Cristo para que seu Evangelho se espalhe cada vez mais, em vez de fazê-lo de empregado colocando em seus ombros nossas mazelas para que Ele resolva. Depois de matá-lo quando veio pessoalmente ao mundo para deixar sua mensagem, mostrando que nada entendemos das suas lições continuamos sendo seus exploradores.

Os tempos estão se acelerando e as oportunidades são cada vez menores. Por enquanto as dores desfilam à nossa frente para nos dar a oportunidade de mostrar o quanto estamos cristianizados. Se insistirmos em manter olhos e ouvidos cerrados, os dias passarão e, como na parábola das virgens, continuaremos dormindo. Nossa candeia permanece sob o velador. Enquanto não colocamos nossa luz para clarear o caminho dos semelhantes, nós também permaneceremos no escuro.

Os que já entenderam este minuto espiritual que vivemos na Terra, saberão investir para a melhoria da alma. Quem não percebeu nada, continua juntando tesouros na Terra e portando uma porção de intrigas quando chegar a hora da partida. Os cartórios onde se lavram os inventários estão cheios de ricos desencarnados revoltados porque “seus bens” estão sendo entregues para pessoas que eles não queriam. Morreu, mas continua, equivocadamente, como dono. Que coisa triste! Quer voar, mas o peso da ganância os deixa presos ao mundo físico.

De nada vale divulgarmos o Espiritismo com conferências e distribuindo passes, nem apregoar a nossa fé, se não temos atitudes condizentes com a mensagem do Cristo, quanto à nossa ligação com o Criador. Recomendamos como leitura final e esclarecedora, em O Livro dos Espíritos, sobre a Lei da Adoração; perguntas 649 a 659.

Neste Natal, além da reunião da família em volta da ceia e dos presentes que dará aos seus próximos mais queridos, não se esqueça de dar um presente a você mesmo programando um ano voltado para as conquistas espirituais, porque são seus tesouros eternos. O resto, as coisas do mundo, chegam a nós pelo acréscimo da misericórdia de Deus, acompanhado do merecimento que tivermos construído ao longo da encarnação. Confie e siga.

Tribuna Espírita nov/dez 18

 

 

 

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A NOSSA MAIS IMPORTANTE ENCARNAÇÃO

Alkíndar de Oliveira
(www.alkindar.com.br)

[Extraído do livro APRIMORAMENTO ESPÍRITA, Editora Truffa]

“Cada encarnação é como se fosse um atalho nas estradas da ascensão. Por este motivo o ser humano deve amar a sua existência de lutas e de amarguras temporárias, porquanto ela significa uma benção divina, quase  um  perdão  de Deus”. Emmanuel

Se de um lado a boa lógica nos diz que nossa última encarnação é sempre a mais importante, pois mais uma vez temos a oportunidade de nos redimir dos erros passados, creio que esta atual, pelas deduções mais abaixo, é especialíssima. Creio firmemente que é a nossa mais importante existência de todos os tempos. Se conscientizarmo-nos deste fato, faremos com  que  nossos  pensamentos, sentimentos e atitudes tomem salutar direção. Por exemplo, poderemos deduzir de que, se temos Jesus como guia e modelo, é imprescindível – nesta nossa mais importante existência – termos como meta o amor incondicional. Pois é esta modalidade de amar que irá ditar o conteúdo dos nossos textos e de nossos procedimentos diários e, por conseqüência, melhor iremos aproveitar dos ensinamentos espíritas nesta fundamental e decisiva existência.

Para que a conclusão do tema deste seja confirmada pelo(a) leitor(a), atentemos aos textos abaixo de Santo Agostinho e também às conclusões que vêm logo a seguir.

a)  “(O planeta Terra) há chegado a um dos seus períodos de transformação, em que de orbe expiatório, mudar-se à em planeta de regeneração,  onde  os  homens serão ditosos, porque nele imperará a lei de Deus”.

Santo Agostinho, O Evangelho Segundo o Espiritismo,  capítulo  III, item 19

b)  As características do Mundo de Regeneração:

“O homem (…) ainda é de carne. (…) Ainda tem de suportar provas, porém, sem as pungentes angústias da expiação. (…) Eles (os mundos de regeneração) representam a calma após a tempestade, a convalescença após a moléstia cruel”.

Santo Agostinho, O Evangelho Segundo o Espiritismo,  capítulo  III, item 17

c)  “Quem pudesse acompanhar um mundo em suas diferentes fases, desde o instante em que se aglomeram os primeiros átomos destinados a constituí-lo, vê- lo-ia a percorrer uma escala incessantemente progressiva, mas de degraus imperceptíveis para cada geração, e a oferecer aos seus habitantes uma morada cada vez mais agradável, à medida que eles próprios avançam na senda do progresso”.

Santo Agostinho, O Evangelho Segundo o Espiritismo,  capítulo  III, item 19

Dos depoimentos logo acima destaquei, em negrito, a expressão “degraus imperceptíveis”, a qual denota que não perceberemos de maneira evidente a passagem do nosso mundo, de Expiação e Provas, para a próxima e determinante etapa, a de Mundo de Regeneração. Consoante a esta condição, o Espiritismo nos faculta a possibilidade, através de pesquisa e do raciocínio lógico, de passarmos a enxergar o que parece não estar evidente.

Se não há dúvida de que estamos num período de transição para um Mundo de Regeneração, vou além, tenho a convicção de que caminhamos a passos largos nessa bendita direção. Creio que toda esta atual convulsão mundial é importante prenúncio desta aprazível mudança, pois todos os sofrimentos atuais estão despertando o ser humano a procurar um significado à vida. A Terra, com sua revolução interior, movimentando as placas tectônicas nos alerta e nos  desperta  para nossa também necessária revolução interior, com o propósito de movimentarmos as placas endurecidas de nossos corações.

É saudável, caro(a) leitor(a), que duvide desta minha convicção de que caminhamos a passos largos para um Mundo de Regeneração. Ninguém tem a obrigação de crer na convicção de outrem. Mas, após as informações que vêm a seguir, procure liberar sua mente de idéias pré-concebidas que possam impedir o raciocínio dedutivo, para livremente poder refletir sobre  os  esclarecimentos  oriundos de grandes mestres de nossa Seara.  Comecemos pelo preposto  imediato do nosso Mestre Jesus, Allan Kardec:

I   – ALLAN KARDEC NOS DIZ QUANDO O ESPIRITISMO SE TORNARÁ CRENÇA COMUM EM TODO O MUNDO TERRENO:

Antes de expor o dito de Kardec, entendamos que a expressão constante no título logo acima, “crença comum”, não necessariamente significa religião comum. Pois, talvez por um longo período as diversas religiões hoje existentes continuarão    a ter suas atuais denominações. No entanto, Kardec esclarece que futuramente o princípio essencial de todas elas será calcado nos fundamentos espíritas, uma vez  que estes são provenientes de leis da natureza. E toda lei da natureza, depois de revelada, se torna incontestável. Veja o exemplo da eletricidade, a qual por muito tempo foi vista como feitiçaria e hoje universalmente compreendemo-la como lei natural. Lembremo-nos também da lei da gravidade, que não obstante por muito tempo desconhecida da humanidade, hoje é aceita sem qualquer contestação. O mesmo ocorrerá com os temas Reencarnação, Pluralidade dos Mundos Habitados e Comunicabilidade dos Espíritos, que, por serem leis naturais, no tempo certo todos seres humanos naturalmente irão crer. Portanto, o Catolicismo (por exemplo) continuará existindo, mas a diferença será que os seus seguidores irão crer na reencarnação, na pluralidade dos mundos habitados e em outros princípios e verdades já reveladas pelo Espiritismo.

Retornando ao assunto-título deste parágrafo, muitos de nós, espíritas, não tivemos olhos para enxergar o que está claro e límpido como um lago cristalino: Kardec já nos informou quando o Espiritismo será implantado na Terra. Na questão 798 d’O Livro dos Espíritos, a qual tem como foco quando haverá a implantação do Espiritismo na Terra, Kardec nos esclarece que  “(…) durante  duas ou três gerações, ainda haverá um fermento de incredulidade, que unicamente o tempo aniquilará”.

Como a boa lógica nos diz que após um período de incredulidade a única alternativa será um período de credulidade, façamos as contas para esclarecermo- nos sobre quando chegaremos a esse alvissareiro período.  Antes,  é  importante dizer que, mesmo a expectativa de vida na época de Kardec ser bem inferior aos 70 anos, o fato é que as pessoas consideravam esta idade como sendo o  tempo  de  uma geração. Agora, sim, façamos as contas:

a)       Se na época de Kardec uma geração correspondia a um período de 70 anos;

b)       Se Kardec afirma que o período de incredulidade durará duas ou três gerações (140 a 210 anos);

c)          Se após o período de incredulidade vem o período de credulidade:

d)       Se O Livros dos Espíritos, que iniciou a Era do Espiritismo, foi  editado  em 1.857;

Então, fazendo as contas chega-se à seguinte conclusão:

II    – CHICO XAVIER, NOS INFORMA QUANDO A TERRA SERÁ UM MUNDO DE REGENERAÇÃO:

No livro Plantão de Respostas, Volume II, Chico Xavier diz: “Emmanuel afirma que a Terra será um mundo regenerado por volta de 2.057”.

Percebamos que o ano de 2.057 está dentro dos limites preconizado por Kardec, no item Conclusão-I, logo acima. O que nos leva a crer que, quando os princípios espíritas estiverem implantados em todo o planeta,  haverá  uma  revolução cultural em tamanha proporção, que veremos o alvorecer  do  tão  esperado Mundo de Regeneração.

III  – BEZERRA DE MENEZES, NOS INFORMA QUANDO O ESPIRITISMO SERÁ IMPLANTADO NA TERRA.

No livro (*)Atitude de Amor, Editora Dufaux, Psicografia de Wanderley Soares de Oliveira, Bezerra de Menezes nos esclarece que para o  Espiritismo  ser  implantado na Terra houve um planejamento na espiritualidade (como não poderia deixar de ser), e que a implantação teve uma delimitação de três períodos distintos de 70 anos.

O primeiro período de 70 anos (de 1.857 a 1.927) teve como foco a consolidação do fato de que o Espiritismo não é uma  crença fundamentada em  idéias humanas, mas, sim, o Espiritismo é a Doutrina dos Espíritos.

O segundo período (de 1.928 a 1.997) teve como objetivos a proliferação dos Centros Espíritas e a difusão do conhecimento espírita. Foi o período em que

ficamos especialistas em fazer belos discursos, sem praticá-los! Passamos a ter conhecimento, mas, sem as correspondentes atitudes.

O terceiro e último período de 70 anos (1.998 a 2.067) é o que estamos vivendo neste momento! O que implica o quão essencial é crermos que nossa atual reencarnação é a mais importante de todas as existências que até hoje tivemos.

Sobre este último período, diz Bezerra de Menezes que é o período das atitudes, isto é, este é o momento de praticarmos o  que  até  agora aprendemos  com o Espiritismo. Por exemplo, se temos um belo discurso sobre fraternidade, chegou a hora de sermos fraternos.     Como disse Richard Simonetti, “Chegou a  hora do conhecimento descer da cabeça para o coração”, ou como disse nosso também confrade Carlos Abranches: “Precisamos raciocinar com o coração e amar com o cérebro”.

IV       – CINCO RESPEITABILÍSSIMAS E VALOROSAS INSTITUIÇÕES ESPÍRITAS SERVEM DE CANAL PARA NOS INFORMAR QUE O MUNDO DE REGENERAÇÃO ESTÁ PRÓXIMO:

Imaginemos o que é receber uma mensagem espírita que reforça e valida as conclusões de todos os itens anteriores, e, além disto, traz em seu bojo o endosso de cinco instituições reconhecidas em nosso país pela sua importância e, principalmente, credibilidade:

Instituição-1) Bezerra de Menezes (é nosso  irmão  desencarnado,  mas não deixa de ter o peso e o valor de uma “instituição” pelas suas contribuições sobejamente sabidas por nós espíritas);

Instituição-2) Divaldo Franco (é nosso irmão e médium encarnado, mas também não deixa de ter o peso e o valor de uma “instituição” pelas suas contribuições sobejamente sabidas por nós espíritas);

Instituição-3) Conselho Federativo Nacional Instituição-4) FEB- Federação Espírita Brasileira Instituição-5) Revista Reformador

Em janeiro de 2.005, a revista Reformador, traz um dos mais esclarecedores textos de Bezerra de Menezes sobre o momento atual do nosso mundo, do Espiritismo e também sobre nossas responsabilidades  advindas  dos  fatos por ele mencionados.

A mensagem foi recebida na última reunião do Conselho Federativo Nacional da FEB do ano de 2.004. Nosso amado benfeitor espiritual utilizou-se da mediunidade psicofônica de Divaldo Franco para dizer com todas  as letras, sem deixar dúvida alguma sobre o teor do que tinha a nos passar, que: “Não podemos negar que este é o grande momento de transição do Mundo de Provas e de Expiações para o Mundo de Regeneração”.

Caro(a) leitor(a), para reforçar o ‘’obvio coloquei em negrito a expressão “este é o grande momento”. Mas antes de reforçar o óbvio,  pergunto-  lhe: A palavra “este” tem relação com o passado, com o presente ou com o futuro? Desculpe-me pela pergunta tão simplória. A verdade é que todos nós sabemos

que tal palavra tem a ver com o momento “presente”. Portanto,  Bezerra  não está  se referindo ao futuro! Daí o fato de, no mesmo texto, Bezerra de Menezes complementar: “(…) Já não há mais tempo para adiarmos a proposta de  renovação do planeta”.

Mais uma dedução importante para nós espíritas: se Bezerra de Menezes afirma que já não há mais tempo para adiarmos  a proposta de renovação do planeta, a lógica elementar nos leva à quarta conclusão, a seguir:

V   – OS ESPÍRITOS MARIA MODESTO CRAVO E JOANNA DE ÂNGELIS NOS ALERTAM SOBRE A RENOVAÇÃO QUE JÁ ESTÁ OCORRENDO EM NOSSO PLANETA!

Duas informações:

A primeira:

No livro Reforma Íntima Sem Martírio, lançado e editado nesta  primeira  década do século XXI  (esta informação é  importante), Editora Dufaux, psicografia  de Wanderley Soares de Oliveira, o espírito Maria Modesto Cravo diz: “Uma geração nova regressa às fileiras carnais da humanidade para arejar  o  panorama  de todas as expressões segmentares do orbe, interligando-as e projetando-as a ampliados patamares de utilidade. (…) É tempo de renovar”.

A segunda informação:

No livro Momentos de Harmonia, lançado e editado em  1.991  (esta  informação é importante), Editora Leal, psicografia de Divaldo Franco, o espírito Joanna de Ângelis diz: “(…) dá-se neste momento  a renovação  do  Planeta, graças  à qualidade dos espíritos que começam a habitá-lo, enriquecidos de títulos de enobrecimento e de interesse fraternal”.

Caro(a) leitor(a), se você convive com crianças, pergunto-lhe: As crianças de hoje não são muito inteligentes? Sei qual vai ser sua resposta: “Sim, muito inteligentes!!!”

Por que são tão inteligentes? A resposta está na análise dos dois textos dos espíritos amigos acima: Informam-nos os amáveis espíritos Joanna de Angelis  e Maria Modesto Cravo que, de poucas décadas para cá, os espíritos que estão nascendo em nosso planeta são muito especiais. São nobres de  alma,  são  fraternais, e por natural dedução, inteligentes.

Esta alvissareira notícia de renovação do planeta, certamente a mais importante ocorrência depois da vinda de Cristo e do nascimento de Kardec, nos   leva à quinta conclusão:

VI    – O RESPEITADO MÉDIUM E ORADOR BAIANO, DIVALDO FRANCO,  DISSE, EM PALESTRA PROFERIDA EM 1.999, QUE NO ANO DE 2.025 DUZENTOS MIL ESPÍRITOS ALTAMENTE EVOLUÍDOS RETORNARÃO  À  TERRA.

Caro(a) leitor(a), conforme a bem-vinda informação do  título  logo  acima, mais a informação do item V, onde Joanna de Ângelis e Maria Modesto Cravo esclarecem-nos que espíritos nobres e fraternais (também inteligentes), estão retornando à Terra com o objetivo de ajudarem na renovação do planeta, podemos então formular a seguinte pergunta:

COMO SERÁ PLANETA TERRA EM 2.060?

A resposta da questão acima, a teremos de forma dedutiva:

a)      Em 2.060 os espíritos nobres, fraternos e inteligentes que, segundo os amáveis espíritos Joanna de Angelis e Maria Modesto Cravo, já estão retornando à Terra, terão até 70 anos de idade;

b)        Em 2.060 os duzentos mil espíritos altamente evoluídos que reencarnarão em 2.025, segundo informação recebida (e divulgada) pelo respeitabilíssimo médium e orador Divaldo Franco, terão 35 anos de idade;

c)       Em 2.060 os atuais líderes mundiais e indivíduos outros que tendem ao mal ESTARÃO DESENCARNADOS!

Considerando que nós, habitantes atuais da Terra:

a)  Eventualmente não fazemos parte dos espíritos que nas últimas décadas    do século XX iniciaram o retorno a este planeta, com nobreza no coração e espírito  de fraternidade;

b)   Com certeza, não fazemos parte dos espíritos altamente evoluídos que reencarnarão em 2.025;

A questão é: Como ficamos  nós?

Bem, a oportunidade nos foi  dada.

Somos habitantes da Terra num momento muito especial, o que  é  uma  dádiva divina. Esta é grande oportunidade que temos de iniciarmos a reparação dos nossos erros pretéritos. Precisamos com toda nossa força, com toda nossa vontade,

com todo nosso empenho, aproveitar desta oportunidade de  aqui  estarmos habitando este planeta que logo-logo pode nos dar a condição de termos um ambiente onde a tendência ao bem será a tônica. Como alcançarmos esta graça? A única solução é iniciarmos já nossa regeneração espiritual.

Sugiro três passos, para bem aproveitarmos dessa nossa atual existência:

Primeiro Passo:

Valorizarmos e agradecermos ao Mestre Jesus pela oportunidade de estarmos vivendo nossa mais importante encarnação de todas as  existências que tivemos.
Sobre a importância da reencarnação, relembremos o que disse o espírito Emmanuel: “Cada encarnação é como se fosse um atalho nas  estradas  da  ascensão. Por este motivo, o ser humano deve amar a sua existência de lutas e de amarguras temporárias, porquanto ela significa uma benção divina, quase  um  perdão de Deus”.

Considerando que grande é a fila de seres que querem ter a oportunidade de reencarnar na Terra, e cientes de que poucos conseguem este retorno, então a afirmação acima, de Emmanuel, nos faz refletir como temos que agradecer por termos tido a oportunidade de sermos atuais moradores  deste  nosso  amado planeta. Reflitamos: Por que dentre bilhões de espíritos que habitam as diversas dimensões do nosso planeta Terra, nós fazemos parte do  percentual  mínimo  dos que vivem em sua superfície justamente na época da transição para o mundo de regeneração?

Segundo Passo:

Iniciarmos urgentemente um processo de auto-conhecimento.
A base de toda mudança comportamental é o auto-conhecimento. E aí está a maior dificuldade do ser humano. O auto-conhecimento não é “uma das maiores” dificuldades, é (repito) “a maior” dificuldade do ser humano.  Por  exemplo,  se  somos avarentos, dissemos que somos “econômicos”; se somos prepotentes, afirmamos que sabemos reconhecer o nosso valor!

Para nos conhecermos, o Budismo nos ensina dois especiais procedimentos:

Atenção Plena: Que é a arte budista de observarmo-nos incansavelmente, procurando dirigir os olhos para nós mesmos. O que é um hábito que para ser desenvolvido exige esforço e grande força de vontade.

Interiorização: Que é o ato de enfrentarmos o nosso mundo interior e de admitirmos para nós mesmos a natureza de nossos sentimentos. Isto é, não  falarmos “eu nunca sinto mágoa” ou “a raiva não faz parte de minha vida”. Este proceder de negar nossos sentimentos inferiores chama-se  auto-ilusão,  um  proceder altamente destrutivo. A partir do momento em que admitimos nossos sentimentos inferiores, abre-se uma porta para aprendermos a ter autocontrole  e nos dá condição de iniciarmos o processo de mudança.

Complementa a “interiorização” o  ato  de estudarmos nossas reações perante  a vida. Por exemplo: quando alguém nos chama de “incompetente” e sentimos vontade de estrangulá-lo, devemos perguntar a nós mesmos “se sei que sou competente, por que senti tamanha raiva quando meu colega chamou-me de incompetente?” Assim agindo estaremos nos dando a oportunidade de estudarmos

e conhecer o porquê de nossas reações, o que é um importante passo para a mudança de comportamento.

Os dois procedimentos acima levam-nos a adquirir a maior riqueza que podemos ter: o auto-conhecimento, que é a base do desenvolvimento em todos os campos de nossa vida.

Sobre o tema auto-conhecimento, disse o espírito Ermance Dufaux (livro Mereça Ser Feliz, Editora Dufaux):

“Não existe felicidade, sem pleno conhecimento de si mesmo. O mergulho nas águas abissais do mar íntimo é indispensável. E a convivência, nesse contexto, é a Escola Bendita. Saber os motivos de nossas reações frente aos outros, entender os sentimentos e idéias nas relações é preciosa lição para o engrandecimento da alma  na busca de si próprio”.

Terceiro Passo:

Transformarmos em vivência prática  nosso  discurso  sobre convivência e fraternidade, principalmente em nossa casa espírita.
Sobre o tema fraternidade, disse o espírito Ermance Dufaux (livro Unidos Pelo Amor, Editora Dufaux):

“Antes dos projetos ‘além-paredes’, estimulemos a fraternidade, prioritariamente, ao próximo mais próximo, aquele que divide conosco as responsabilidades doutrinárias rotineiras em nossa casa  espírita,  encetando  esforços pela convivência jubilosa e libertadora. Conviver fraternalmente deve ser a essência de nossa causa. O Centro Espírita, Escola das Virtudes Superiores, é o ambiente de disciplina e treinamento dos novos modelos de relações (…).”

CONCLUSÃO:

No primeiro semestre do ano de 2.005 ouvi de uma presidenta  de  determinado Centro Espírita da cidade de São Paulo: “Dentro de nossa casa espírita havia muita intriga, muitas discussões e conflitos improdutivos. Um  dia  nossa  equipe se reuniu e fizemos um acordo, o de sermos fraternos. Isto já faz um ano. Desde aquele dia até hoje, a fraternidade está presente entre nós. Sabe, nós descobrimos que ser fraterno é uma questão de escolha”.

Concluindo, podemos em nosso meio espírita escolher uma das duas opções seguintes:

a)     Sermos iniciadores ou propagadores de conflitos improdutivos entre  irmãos do mesmo ideal, como ainda ocorre atualmente, ou

b)     Escolher    sermos    fraternos,    aceitando    nossas   diferenças,  isto  é, exercitando a alteridade.

Sermos fraternos é – simplesmente – uma questão de escolha. Então, que nós que temos a dádiva de ter conhecido o Espírito Consolador, possamos escolher o caminho da fraternidade e, com isto, merecermos ser habitantes da Terra em sua nova e breve etapa: Mundo de Regeneração!

Currículo do autor: Alkindar de Oliveira, Palestrante, Escritor e Consultor de Empresas radicado em São Paulo-SP, profere palestras e ministra treinamentos comportamentais em todo o Brasil. Juntamente com sua equipe de consultores, tem seu foco de atuação em diversas áreas de treinamento, como VISÃO SISTÊMICA, CULTURA DO DIÁLOGO, ORATÓRIA, LIDERANÇA, COACHING, RELACIONAMENTO, MOTIVAÇÃO, COMUNICAÇÃO ESCRITA, COMUNICAÇÃO VERBAL, CRIATIVIDADE, HUMANIZAÇÃO DO AMBIENTE EMPRESARIAL, VENDAS, FINANÇAS, EFICAZ COMUNICAÇÃO INTERNA, NEGOCIAÇÃO, PRODUÇÃO/CHÃO DE FÁBRICA, ETC.

Suas teses e artigos estão expostos em renomados veículos de comunicação, como: as revistas Você S/A e Bons Fluidos, da Editora Abril; revista Pequenas Empresas Grandes Negócios, Editora Globo; revista “Venda Mais”, Editora Quantum; e os jornais Valor Econômico, O Estado de São Paulo e Jornal do Brasil, etc.

É autor dos seguintes livros:

·        O PODER DO DIÁLOGO, Editora Planeta/Academia

·        DESENVOLVIMENTO ESPÍRITA, Editora Truffa

·        APRIMORAMENTO ESPÍRITA, Editora Truffa

·        DIALOGANDO, Editora Leon Denis (co-autoria com Cezar Braga Said)

·        LIDERANÇA SAUDÁVEL, Editora Planeta

·        O ESPÍRITA DO SÉCULO XXI, Editora EBM

·        TORNE POSSÍVEL O IMPOSSÍVEL, Editora Butterfly

·        VIVER BEM É SIMPLES, NÓS É QUE COMPLICAMOS, Editora Didier

·        ESPIRITUALIDADE NA EMPRESA, Editora Butterfly

O homem no mundo

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Octávio Caumo Serrano – caumo@caumo.com

Você acredita em reencarnação?

Quando me fazem esta pergunta digo que não. Não preciso acreditar na reencarnação porque eu a constato quando olho para as pessoas. A diferença entre nós deixa claro que já vivemos outras vezes e cada um aproveitou como quis ou como pode. Em O Livro dos Espíritos, questão 192, foi indagado aos orientadores da espiritualidade se podemos atingir a perfeição numa única existência e a resposta foi “não”. Por mais adiantado que qualquer um de nós já esteja, o que sabemos é uma migalha do que nos resta saber. Isso é facilmente explicável porque nos faltam atributos para entender até o mais trivial entre os conceitos que abrangem a perfeição espiritual e mesmo a ciência dos homens.

Os Espíritos disseram, no entanto, no item “a” da mesma pergunta, que o homem pode garantir uma existência menos traumática depois desta vida, se não for desleixado, quando então estacionaria sempre no mesmo lugar. Isso nos convida a selecionar, de maneira rigorosa, o que pensamos, o que falamos e o que fazemos. Ter coragem para mudar o que pode ser mudado e sabedoria para aceitar o que não pode ser mudado. Sem ódios ou revoltas; com resignação e fé de que o comando é sempre de Deus e que a cada um será dado conforme suas obras e merecimentos. Não é desinteresse no combate do erro, mas o reconhecimento de até onde podemos ir. O autoflagelo nunca nos beneficiará. Como as promessas dolorosas que a ninguém beneficia.

O que devemos fazer neste instante delicado da sociedade humana, quando estamos mergulhados nas tramas do Apocalipse, é cuidar do nosso progresso moral para nos candidatarmos a lugar melhor numa nova existência, na Terra renovada ou mundos melhores que possamos merecer, porque tentar consertar esta humanidade dos nossos tempos ficou praticamente inviável. Impossível mudar a mente dos homens da nossa era, inclusive e principalmente, os que nos dirigem a partir dos órgãos oficiais, porque a Terra de Regeneração está se formando e eles não caberão numa civilização de homens decentes. Que possamos, pelo menos nós, garantir-nos um futuro menos traumático o que só será possível com um novo plantio já desde agora.

Que função temos no mundo? O que nos compete realizar nesta sociedade? Uma pergunta que fazemos amiúde. A resposta é simples: – Todos estamos aqui em prova, expiação e missão. Expiação porque se trata de nova oportunidade de aprendizado na área onda fracassamos em situações anteriores. Provas para que sejamos testados diante das dificuldades e das dores para avaliar como será o nosso comportamento como cristão que têm, nós os espíritas principalmente, o Evangelho de Jesus simplificado ainda mais pela Doutrina dos Espíritos. Ninguém poderá dizer que não entendeu o recado. Missão porque a todos são dadas tais oportunidades. Como empresário com a missão de oferecer emprego para que as famílias vivam com dignidade; como professor para orientar almas em formação cultural; como mãe ou pai para encaminhar espíritos que nos são confiados; como participantes de qualquer ambiente onde nosso bom comportamento possa influenciar e servir de exemplo aos demais. Enfim, a cada minuto podemos aprender, mas também podemos ensinar.

A nossa maior pobreza, porém, é a falta de conscientização e certeza da continuidade da vida e a necessidade de nascer novamente para dar continuidade ao nosso progresso que, atualmente, é lento e quase imperceptível. O mundo material nos absorve e merece nossa preferência. O crescimento moral/espiritual é sempre desprezado por nos faltar convicção quanto à sua real e fundamental condição para a edificação da nossa felicidade. Já diz o poeta santista Vicente de Carvalho, nos tercetos do soneto Velho Tema: – “Essa felicidade que supomos,/Árvore milagrosa que sonhamos/Toda arreada de dourados pomos,/Existe, sim: mas nós não a alcançamos/Porque está sempre apenas onde a pomos/E nunca a pomos onde nós estamos.”

Se colocarmos na nossa vida como homens no mundo a bandeira do Espiritismo – “Fora da caridade não há salvação – nunca erraremos. Faremos ao outro o que desejamos que ele nos faça quando estamos em situação idêntica. Ensinada por Jesus, esta regra é infalível. O resto virá por acréscimo.

Coragem, fé e boa sorte para todos com votos de Feliz Natal e produtivo Ano Novo.

Jornal Maria de Nazaré   Nov/Dez

 

A gestação de uma ideia

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Octávio Caumo Serrano  caumo@caumo.com

O comunicador espírita, pela expressão oral ou escrita, deve ser alguém com inteligência, conhecimento e de fácil inspiração. Quando mais sintonizar com as mensagens da espiritualidade, mais facilmente desenvolverá o tema por seu próprio discernimento. Assim nascem, muitas vezes, artigos espíritas que chamam à atenção.

Vivi uma experiência que peço permissão para contar ao leitor.

Num anoitecer de 1991, chegávamos no Centro Kardecista “Os Essênios”, no bairro do Jabaquara, em São Paulo, quando um confrade, Sr. Hélio, na altura dos seus setenta anos se dirigiu a nós: – Seu Octávio. Encontrei um amigo com problemas e lhe disse que viesse conhecer “o nosso centro”. Tão logo ele terminou a frase, eu já não mais ouvia o que ele dizia. Apenas uma luz piscava, acendendo e apagando, com a expressão “O NOSSO CENTRO”.

Ali mesmo eu comecei a perguntar num solilóquio: – Por que nosso centro? Nosso de quem? Sabemos quem criou o nosso centro, se a casa é própria ou alugada? Quem paga IPTU, luz, água, despesas de manutenção e limpeza? Lembramos da primeira vez que viemos ao nosso centro? Tudo pronto, à nossa disposição; orientadores, passistas, palestrantes, banheiro cuidado e equipado, água potável com copos descartáveis, ventiladores para o nosso conforto, biblioteca, de uso gratuito, como tudo o mais. E que fazemos nós pelo nosso centro? Nada. Mas reclamamos se a palestra não foi das melhores, se não pudermos ser atendidos naquele momento, se não nos deixaram entrar porque atrasamos ou estávamos vestidos inadequadamente para este tipo de reunião. Etc., etc., etc.

Dia seguinte, ao chegar no escritório, fui logo para a máquina de datilografia (não havia computador) e escrevi matéria que intitulei “O nosso centro” que logo imprimi, envelopei e levei a uma agência dos Correios para enviar ao jornal O Semeador, da Federação Espírita do Estado de São Paulo. Jornal quinzenal. I-meio era algo inimaginável naquela época; ficção científica!

Na manhã seguinte, chegando ao escritório, reli a matéria e senti calafrios. Mesmo sem me considerar especialista em textos, já havia escrito coisas bem melhores do que aquilo. Acalmei-me quando raciocinei que o jornal teria o bom senso de não aprovar algo tão banal. Para a minha surpresa, porém, já na edição seguinte, numa longa coluna na contracapa, lá estava, impoluto, O NOSSO CENTRO. Gelei! Meu Deus. Todos vão ler isto. E tem minha assinatura! Conformei-me porque o mal já estava feito e não tive o cuidado de revisar à exaustão, como manda a técnica jornalística.

Menos de trinta dias, uma companheira do Centro me entrega um panfleto com o artigo, impresso pela Sociedade Espírita Maria Nunes, de Belo Horizonte, por iniciativa da confreira Juselma Coelho. Seu chefe no Metrô de São Paulo havia ido visitar o tio, Maia, em BH e havia pego nos escaninhos do centro dez folhetos porque o texto lhe pareceu interessante. É a instituição onde trabalhava o médium João Nunes Maia, autor de mais de 60 livros psicografados. O mesmo que recebeu pela via mediúnica, em Contagem, a receita da pomada Vovô Pedro e o folheto seria encartado nos livros despachados pela editora. Logo depois inúmeras instituições copiaram a mensagem e vários jornais e revistas espíritas reproduziram o artigo. Culminou quando, em 1992, a Associação dos Jornalistas Espíritas de São Paulo – AJE-SP – conferiu-me, no auditório da FEESP, o troféu de melhor artigo espírita do ano.

Intrigado com o ocorrido, perguntei a algumas pessoas porque algo tão vulgar teve tanta repercussão. E uma confreira me disse: – Você foi o advogado dos dirigentes espíritas e em nome deles pediu socorro para que as pessoas ajudem mais as instituições. Eles vivem abandonados porque público e colaboradores fazem o estritamente necessário embora exijam cuidado e atendimento como se fosse uma obrigação do centro ajudar as pessoas e não simples ato de caridade. E quanto aos colaboradores, imaginam que por dar passes, fazer palestras ou ajudar nalgum outro trabalho, nada mais lhes compete fazer. Nem apagam a luz, nem fecham a porta, nem desligam um ventilador. Usam tudo o que há no centro e em nada colaboram a não ser com seus supostos dotes mediúnico-evangélicos. Como dizem habitualmente, tenho outros compromissos e só posso dar um dia para a doutrina. Eles imaginam que dão alguma coisa para o Espiritismo ou para Jesus. Dizem que trabalham para o Cristo e nem percebem que trabalham, mal e pouco, para si mesmos.

Nas coisas simples e verdadeiras, quando nascem do coração, estão inseridas grandes verdades. O sucesso deste artigo mal escrito foi uma lição para a minha pretensão como articulista da Doutrina dos Espíritos. Quantas matérias em português castiço, bem construídas, caíram no esquecimento. O Nosso Centro, no entanto, continua atual.

Para quem tiver interesse em conhecer aí vai o link: https://essenios.files.wordpress.com/2008/10/o-nosso-centro.pdf

Tribuna Espírita set/out 2018

 

 

 

Novelas Espíritas

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As inatas vocações

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Tribuna  Espírita    julho/agosto  Octávio Caumo Serrano

Há pessoas com habilidade para o que não aprenderam nesta encarnação. Por isso tantos autodidatas em artes, diferentes profissões e tendências para certas atividades. Uns se dão bem comandando e outros mal servem para obedecer. Às vezes, de uma hora para outra descobrem vocações que nunca imaginariam ter. Um bom motivo para pensar por que isso acontece.

Permitam-me citar um exemplo pessoal.

Quando em 1975, aos quarenta e um anos de idade, fiz minha primeira viagem internacional, um cruzeiro para Montevidéu, Mar Del Plata e Buenos Aires, na festa de Réveillon, me peguei conversando com tripulantes em espanhol com fluência e naturalidade. Percebi que eu tinha um razoável vocabulário nesse idioma e construía frases com verbos bem colocados e corretamente conjugados. Mais que isso, não me servia da tradução mental porque falava o idioma com a naturalidade de um hispânico.

Depois disso, em 1976, viajei a trabalho para Venezuela, Colômbia e Peru, falando o idioma o dia inteiro nas fundições onde demonstrava nossos produtos. Eu era perfeitamente entendido e os compreendia, de maneira fluente e natural.

Comumente alguém me perguntava onde eu houvera aprendido o idioma, pois para eles eu falava bem. E quando eu dizia que nunca estudei era elogiado porque lhes parecia surpreendente. Com o tempo percebi que eu tinha uma extroversão e uma alegria inexplicáveis quando estava num país de língua espanhola. Eu, naturalmente acanhado, era outra pessoa nesses países. Precisava me relacionar e conversar porque falar espanhol me deixa contente.

Em 1991, a Universidade de Salamanca fez um teste em São Paulo para conferir diploma básico em espanhol para estudantes do idioma em países de outras línguas. Habitualmente fazem no Brasil, Estados Unidos e Japão. Dois dias inteiros de provas, sábado e domingo, com todo tipo de teste oral e escrito. Tive facilmente meu diploma. No ano seguinte voltei a me candidatar ao Diploma Superior de Espanhol como Língua Estrangeira. Tudo oficializado pelo Ministério de Educação e Cultura da Espanha. Passei novamente e mais tarde ficaria sabendo que eu tinha dos mais conceituados diplomas para este idioma em todo mundo, podendo ser inclusive tradutor oficial e dar aulas.

Como eu já tinha espaço numa tradicional revista espírita brasileira, onde começara em 1990, a partir de junho de 1998 passei a ter coluna em dois idiomas, que mantemos até hoje. De início houve pessoas para corrigir os textos, mas como é difícil quem tenha além da boa vontade a responsabilidade com prazos, fundamentais para a edição de qualquer veículo de divulgação, passei a ser o tradutor sem que houvesse revisor.

Que texto é esse que escrevo? Espanhol perfeito, castiço? Certamente não. Mas não é também um “portunhol” ou “espanhês”. Sei que encontrarão no texto muitos erros de concordância, acentuação (difícil em espanhol), palavras arcaicas já em desuso, mas estou certo que a mensagem é passada e permite aos irmãos compreende-la. Além disso, quando ouço esse idioma, mesmo falado com velocidade, não perco praticamente nada. E há locais onde se fala mastigado como na Venezuela e no Caribe, cantado, como no México, etc. Se considerarmos os muitos idiomas espanhóis do mundo, em cada país diferente do espanhol tradicional, o que faz que até eles às vezes se desentendam, penso que o meu trabalho cumpre a finalidade de facilitar a compreensão do texto para “los Hermanos hispanos”. O mesmo se dá com os dialetos do sul e nordeste no Brasil ou com o português de Portugal com os das ilhas da Madeira e Açores ou das povoações da África.

A razão de lhes contar sobre este fato não é exaltar mérito que não tenho, já que não resulta de esforço de aprendizado. Desejo apenas enfatizar que é comum buscarmos provas para reencarnação e, às vezes, as evidências estão claras. Meu vocabulário é relativamente grande. E quem pensa que português e espanhol são parecidos e é fácil falar este idioma, engana-se. Posso citar facilmente cem palavras cuja tradução será desconhecida para o leigo. Gostaria de falar os idiomas que estudei tanto (inglês, alemão e francês) com a fluência do espanhol. Mas nesses sou capenga. Mal dão para o gasto.

Que cada um avalie seus conhecimentos e habilidades e veja o que foi obra de estudo e o que foi ideia inata. Já nasceu com ela e por isso tem facilidade para executar a tarefa. Irão se surpreender com as culinárias, as artes, os dotes em geral, pois o que parece difícil para os outros faz com a maior naturalidade. Não aprendeu nesta etapa, mas cultivou noutras eras e tudo o que aprendemos fica guardado e aflora quando se faz necessário. Pelo instinto mais do que pela razão. Daí ser importante aprender coisas novas em cada encarnação para aumentar o conhecimento que um dia pode ser útil. No Centro Espírita há muitas oportunidades para isso, desde que a pessoa se disponha a aproveitar. O mesmo se dá com o trabalho profissional, quando fazemos além das atribuições para as quais somos remunerados. O trabalho, mais que salário, nos dá conhecimento e experiência que guardamos eternamente.

Consultem Inteligência e Razão, L.E. perguntas 71 a 75. E, também, A Lei do Trabalho, questões 674 a 685a. Importante.

 

 

 

Lógicas e contradições

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Octávio Caumo Serrano   caumo@caumo.com

Jesus é a encarnação da Lei do Amor

Ao estudar o Evangelho de Jesus deparamo-nos com registros que dificilmente podem ser atribuídos ao Rabi da Galileia. Aquele que perdoou até os seus algozes em pleno flagelo da cruz, não pode ter tido certas atitudes que constam dos registros dos evangelistas como sendo ações de Jesus.

Em certas oportunidades, é verdade, ele tomou atitudes que contradiziam a sua natureza, mas para aproveitar o momento e ensinar. Exemplo, ao ser interpelado quando em uma reunião por pessoas que lhe disseram que sua mãe e irmãos ali chegaram e queriam falar-Lhe, Ele perguntou: “Quem é meu pai, quem é minha mãe, quem são meus irmãos? Meu pai, minha mãe, meus irmãos, são todos aqueles que cumprem a vontade do meu Pai Celestial.” ESE Cap. XIV, item 5

Embora nem sua mãe nem seus irmãos tivessem entendido a sua tarefa nem prestigiado o seu trabalho, ao contrário, censurando-O porque seus gestos pareciam inusitados, absurdos, irreais, em nenhum momento ele renegou sua família. Nesse episódio aproveitou para nos ensinar que a parentela que forma a família na terra tem como finalidade transformar parentes de sangue em amigos de alma e que os nascidos na casa do vizinho têm para Deus a mesma importância que nossos filhos e pais. Sabemos pelo Espiritismo que as famílias na Terra são formadas muito comumente por inimigos ou desafetos de vidas passadas e que voltam a se unir para nova tentativa de reconciliação. Por isso há ainda tanto desentendimento entre os que vivem no mesmo lar.

Lição igual está no ESE capítulo XXIII, Moral Estranha, quando diz que se o homem não aborrecer ou odiar seus pais não poderia ser seu discípulo. Sempre ensinando sobre a parentela temporária e a parentela espiritual na qual somos todos irmãos.

O mesmo se deu quando propositadamente não lhe ofereceram a lavanda para limpar seus dedos e Ele, ao ser censurado por não cumprir a lei, aproveitou para ensinar que o que faz mal ao homem não é o que entra pela sua boca, mas o que dela sai. Certamente não fazia apologia à falta de higiene, mas aproveitou para dizer que a maldade, a calúnia, a ofensa, fazem mais mal a uma pessoa do que uma possível comida indigesta. Uma lesa o corpo físico; a outra mancha o caráter e cria problemas de consciência.

Há, porém, certas atitudes grosseiras que são atribuídas a Jesus como a censura aos fariseus, chamando de raça de víboras, túmulos caiados. Ou quando expulsou os vendilhões do templo derrubando as barracas, junto com ovelhas, pombas e cambistas. Aqueles homens que ali estavam eram trabalhadores que vendiam suas mercadorias segundo as normas do Templo de Jerusalém ou trabalhavam no câmbio com dinheiro porque no Templo só se aceitava moeda judia. Jesus jamais iria desrespeitas quem estava trabalhando, embora jamais aprovaria o comércio na “Casa de Deus”, como nunca falou mal dos publicanos. Ao contrário, convidou Mateus que arrecadava pedágio dos barcos na Mar da Galileia para ser seu seguidor e, mais tarde, em Jericó, visitou a casa de Zaqueu. Dois homens que arrecadavam impostos para pagamentos a Roma.

Devido a estatura moral de Jesus, ao adentrar o Templo, o que ele fez raras vezes, porque morava no norte do país, na Galileia, onde fez quase toda a sua pregação e só ocasionalmente descia até Jerusalém, em dias de festa, é provável que os vendedores se amedrontaram com a sua presença e, alvoroçados, correram fazendo com que os animais também se assustassem derrubando tudo o que havia pela frente. Mal comparando com os dias atuais, como os camelôs das ruas que ao verem os fiscais recolhem tudo o que podem e fogem. Tivesse ele que censurar algo, o faria aos que governavam e não os que cumpriam as ordens fazendo disso a sua sobrevivência.

Quando estudarmos o Evangelho de Jesus, seja na Bíblia, nos livros protestantes ou nos textos espíritas e de outras doutrinas, analisemos sempre com bom senso e procuremos extrair do episódio a intenção de Jesus e não o ato conforme relatado friamente. Lembremos que os Evangelhos começaram a ser anotados muito depois da morte de Jesus. A maioria dos estudos, segundo divulgações correntes, concorda que os Evangelhos teriam sido escritos na seguinte ordem: MARCOS (em Roma 64 d.C), Mateus (em Jerusalém 70 d.C) Lucas (em Antióquia 80 d.C) e João (em Éfeso 95.d.C).  Muito dependeu da memória dos Evangelistas e da compreensão do que teria Jesus dito ou feito. Se ainda hoje não entendemos a essência da Boa Nova, imaginemos como isso chegava na cabeça daqueles homens. A prova é que na hora do suplício do Messias todos O abandonaram. Só ficou junto à cruz, com as três Marias, João, o apóstolo mais novo entre todos.

Somos eternamente gratos àqueles homens que registraram os fatos envolvendo a vida de Jesus, sem os quais nada teria chegado até nós. Que Deus os abençoe. Mas como espíritas usemos a fé raciocinada e não a crendice cega só porque dizem que isso ou aquilo aconteceu.

Tribuna Espírita – Jan/Fev 2018

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