As “gentes” do mundo novo

Deixe um comentário

ocaumo@gmail.com  Octávio Caumo Serrano

O que virá a seguir? É a indagação do momento!

Certamente, uma parte da sociedade brasileira (e mesmo mundial, porque ser humano é igual em qualquer lugar) viverá um tempo de regeneração, acompanhando a tendência de progresso do planeta em que vivemos. A evolução é permanente e quem se negar a acompanhá-la será esmagado como uma pequena pedra que tente impedir o deslocamento de uma jamanta. Mas é preciso que a sintonia com este desejo de aprimoramento já exista no indivíduo. Milagres nunca acontecem porque a lei se cumpre sem favorecimentos que não tenhamos conquistado por direito.

Nestes dias de desconforto planetário temos inúmeras demonstrações de algo definido como fé, sem que as citações sejam acompanhadas de atitudes. Mandamos pelas redes sociais orações, mensagens de esperança, músicas, louvações, vídeos, áudios e que tais. Mas não basta crer em Deus na teoria sem nos afastarmos um milímetro do conforto que temos, sem lutar contra as próprias imperfeições e sem praticar um mínimo de bondade que contemple um miserável parceiro de jornada, especialmente fora da parentela do mundo ou do restrito círculo das amizades.

Analisemos certas categorias da sociedade humana, muitas delas escravas do sistema que não podem se regenerar, por mais que desejem. Como encontrar um político com vontade própria (em qualquer esfera ou escalão) num regime de trocas e favorecimentos constantes, nessa profissão que tem por objetivo primordial fazer o homem se dar bem, sem que ele conviva em harmonia com os demais para tirar proveito, submetendo-se até ao que não aprova para perpetuar-se nos cargos e arrastar suas próximas gerações para este inesgotável eldorado. O leitor concorda que é impossível, não? Por mais que sua intenção fosse boa.

E entre os párias sociais, assaltantes, criminosos e traficantes (desde os produtores até os que atuam nos mais diferentes escalões da distribuição). Como podem mudar de vida transformando-se em honestos se vivem da desgraça dos infelizes que não sabem administrar-se. Não são seres que têm vida, mas mortos que respiram. Seus corações são vazios de sentimentos e funcionam apenas como bomba de distribuição para que os órgãos sigam funcionando. Os sentimentos mais elementares estão todos extintos. O amor ao próximo, para eles, não faz nenhum sentido.

Como podem comerciantes desonestos e sonegadores que subfaturam suas vendas para livrar-se da tributação,  que adulteram alimentos e vendem remédios fraudados que não têm eficiência contra o mal do doente; como imaginar que um contrabandista pode se tornar decente por ter sido assustado por um vírus desconhecido, se a polícia e a prisão ou pena de morte nenhum receio lhes causam? Não vamos sonhar acordados. Para esses, o expurgo é inevitável e a vida num mundo inferior, onde começarão de novo, é a única saída.

Não esqueçamos dos drogados, maníacos sexuais, pedófilos, agressores nos lares que covardemente ferem esposas, filhos, pais idosos e todos os que se opõem às suas manias e vícios. Será que se modificarão após a pandemia apenas por haver sobrevivido. Entenderão que lhes foi dada nova oportunidade de mudança?

Deixei para o fim os seres comuns como nós, que nos dizemos religiosos, mas que só usamos o nome de Deus, de Maria, Jesus e dos Santos ou Espíritos para nos dar bem. Nas nossas rogativas, verdadeiras odes ao egoísmo, lembramos apenas dos nossos: minha família, meus amigos, meu país! Sem percebermos que o choro de um implica o choro de todos, lesamos o próximo com promessas de falsa salvação. Esquecemos que somos todos interdependentes. Um produz algo que o outro consome, enquanto também fabrica algo diferente para alguém usar. Na vida somos todos, ao mesmo tempo, vendedores e compradores. Mesmo que seja de informação. Ninguém vive sem o próximo. E só se estivermos todos em harmonia é que vamos sobreviver. Caso contrário cairemos todos no mesmo precipício, abraçados uns nos outros, num suicídio coletivo. A hora chegou e não admite alegações de qualquer ordem. Lembro-me de uma frase do saudoso humorista Chico Anysio do seu personagem o Profeta: “Somos como mourões de cerca; só ficamos de pé porque estamos amarrados uns nos outros”.

A lei de Deus sempre esteve insculpida na nossa consciência. É só escutá-la e segui-la. A convocação para o Mundo de Regeneração já começou há algum tempo. O prazo está findando. Lembrando Jesus, “muitos serão os chamado, mas poucos os escolhidos”. Sabem por quê?  Porque quem chama é Deus e quem se escolhe é o homem”. E ele sempre opta pela escolha errada. Desde quando matou Jesus e libertou Barrabás! Corramos; o tempo é agora. A tarefa é pessoal e intransferível. Salve-se quem puder; ou souber. E que o Pai nos ajude!

Jornal O Clarim julho 2020

Depois da tempestade

Deixe um comentário

ocaumo@gmail.com Octávio Caumo Serrano

Após o mundo controlar a pandemia, o que restará de bom?
Se voltarmos na história do mundo recente e moderno, constataremos que já houve problemas similares com certa regularidade; a cada século. 1720, a grande praga de Marselha; 1820, pandemia do cólera; 1920 a gripe espanhola; 2020, o corona. Algumas, como a de 1920, com consequências muito mais devastadoras do que temos até agora com o covid-19. E quem foram as vítimas? Provavelmente muitos de nós, também, em encarnações anteriores.
Quando analisamos a evolução tecnológica, contrastando, e muito, com seu progresso moral, somos forçados a admitir que as dores não são argumentos suficientes para melhorar o homem. Certamente, surgirão movimentos que enaltecem o ser humano, quando comunidades se reúnem para socorrer os mais sofridos nestas horas de angústia. Mas são ainda uma minoria com propensão para o bem, mas sempre com a tradicional omissão dos mais poderosos política e financeiramente. E quando dizem presente é para auto enaltecer-se e colher dividendos políticos e financeiros. Geralmente é o pobre que socorre o pobre.
Nossa afirmação se baseia na constatação de que, apesar das dificuldades por que passa a sociedade, os oportunistas continuam presentes e tentam se beneficiar do sofrimento alheio para proveito próprio. Alimentos com preços abusivamente aumentados, o mesmo acontecendo com remédios, equipamentos e produtos de proteção contra a pandemia. Por que isso acontece? De quem é a culpa?
Certamente que a maior razão é que ainda estamos como mundo de provas e expiações onde o atraso prevalece com destaque para o exacerbado egoísmo dos homens que procuram estar bem, mesmo à custa da miséria alheia. Afinal, dizem, a vida é uma só e temos de aproveitar. Daqui a pouco morremos e fica tudo aí.
Nesta hora, vem-nos à mente o mal que a igreja católica fez à humanidade quando excluiu de seus dogmas a reencarnação, no Concílio de Constantinopla em 553 d.C. Certamente não é a única razão para a conduta irresponsável dos homens, mas é uma das mais importantes. Acreditássemos já há quinze séculos que a lei de causa e efeito nos cobra pelos atos realizados e que não sairemos da inferioridade antes de pagar até o último centavo, é provável que nossa conduta fosse diferente. Saberíamos que tudo o que semearmos teremos que colher. Um motivo a mais para sermos, usando a linguagem eclesiástica, “tementes a Deus”.
Por isso sou pessimista quando à capacidade desta praga melhorar a humanidade quando o mal terminar. Uns ou outros, já meio propensos ao bem, alçarão voos mais altos. Mas a maioria desonesta, que vive na criminalidade dos mais diferentes jaezes, quer descamisado quer de colarinho branco, não subirá um degrau na sua escalada espiritual. Para eles não há um futuro que valha o investimento, já que a morte e o fim. Comemorarão a sobrevivência e pronto! Por isso é que os cristãos brasileiros, católicos ou protestantes, sorriem e fazem pouco dos espíritas quando estes falam de outras vidas por sucessivas encarnações.
Não tenhamos exageradas ilusões imaginando que depois da tempestade possa vir grande bonança. Um planeta que tem 95% da sua riqueza nas mãos de 5% da sua população, onde os miseráveis da África, Ásia e América Latina não tem acesso à rede de esgotos, água potável, escolas e hospitais, não pode ser um mundo feliz. A corrigenda do ser humano demanda ações radicais muito mais rigorosas do que uma pandemia por um vírus que morre com cinco minutos de sol ou lavando a mão com água e sabão ou bloqueando a nossa saliva com máscara para que não atinja o próximo. Ele nos mata menos pela sua força e mais pela nossa imunodeficiência, devido aos pensamentos inferiores negativos e alimentação inadequada, tão comum nesta geração “fast food” onde predominam os enlatados com conservantes que nos envenenam. Podem me chamar de pessimista, mas perto dos 86 anos de idade já passei da fase de sonhador irracional. Mesmo a distância, vivi os efeitos da segunda grande guerra quando faltava tudo e o pouco que havia era racionado. Vivi os percalços do governo militar e inflação de 80% ao mês! Também o confisco de nossas economias nos deixando, cada um, com R$ 50,00. E de lá para cá o mundo moral só piorou; o tráfico cresceu, a criminalidade aumentou e as desigualdades explodiram. Não vai ser um viruzinho como o corona que vai conseguir educar-nos ou sensibilizar-nos. Aguardem e verão se alguma mudança será percebida na humanidade.
Ah!, como eu gostaria de estar errado!

Jornal O Clarim maio 2020

 

O Evangelho e os homens

Deixe um comentário

Octávio Caumo Serrano   caumo@caumo.com

Ensinar é informar; mas nunca temos a certeza de atingir os objetivos.

O Evangelho, também conhecido como a Boa Nova, ensinado por Jesus, pode, como diz a parábola, acabar na areia, na pedra, na terra… E vai dar frutos ou não dependendo de onde caia e em que condições.

Para entendê-lo, consultemos o mesmo Jesus. Se numa hora Ele diz que não devemos pôr a candeia debaixo do alqueire, logo depois afirma que não se deve dar pérolas aos porcos. Ou quando Ele diz que a quem tem mais, mais será dado, e de quem tem pouco até esse pouco será retirado. Ou, segundo a voz do povo, não devemos gastar vela com mau defunto. Por que essas contradições.

Não há contradições. Podemos comparar essa divulgação a uma aula ministrada por experiente professor que diz o mesmo para todos os seus alunos. Mas no fim do ano, uns passam com destaque, outros “raspando” e ainda há os que não passam. No entanto, o professor ensinou igualmente a todos, mas cada um entendeu conforme a sua capacidade e desejo. Esse desejo geralmente está condicionado ao grau de sabedoria do indivíduo. Não é que ele não quer; ele não pode porque a mensagem está acima do seu discernimento e lhe falta bom senso. É como um paciente que só entende superficialmente a sua doença, quando explicada por um especialista.

Na pergunta 621 de O Livro dos Espíritos foi indagado aos veneráveis onde está escrita a Lei de Deus. E eles responderam: Na consciência. Perguntou-se, a seguir, então porque ela lhe tem de ser lembrada constantemente com a vinda de emissários divinos que repetem sempre o mesmo e eles disseram que é porque os homens a esquecem e menosprezam.

Este alerta sobre a divulgação do Evangelho é importante porque um expositor fala para um público e cada pessoa dessa coletividade entende de um jeito. O que para uns é óbvio para outros é mistério. A maioria dos homens ainda não percebeu que ao perdoar e a si que perdoa e ao odiar é seu coração que se enche de veneno. Somos o criador dos nossos males e podemos ser o primeiro e maior médico para as nossas enfermidades. É o que diz o Evangelho há vinte séculos, para todos os cristãos, e eles ainda não entenderam e vivem digladiando-se. Cada um define o Cristo de uma forma e usa suas lições conforme suas conveniências. O mesmo acontece com os que seguem Buda, Moisés, Maomé e outros enviados de todos os tempos. Todos falaram a mesma coisa para seus povos e em seus idiomas, mas cada um deles é um procurador de Deus traduzindo a Lei Divina para um vocabulário acessível aos homens. E nesses casos, nem sempre os mais letrados entendem melhor que analfabetos. Cultura e sabedoria são atributos diferentes.

Inútil tentarmos amestrar os homens enquanto insistirem em ser feras. Pensarão e agirão como feras. Não afaste seu familiar de Deus ou do Evangelho de Jesus pregando de um jeito e vivendo de maneira oposta. Sem o exemplo não há convencimento. Não falemos do Evangelho sem mostrá-lo em nossas atitudes. Serão palavras ao vento! Não recitemos mensagens; sejamos nós a mensagem. É preciso coerência entre o que falamos e o que vivemos.

Nas escolas de evangelização infantil espírita, defendemos que não deve haver massinhas ou joguinhos, mas evangelho. E se alguém disser que criança não entende, permita-me contar uma passagem,

Fazíamos palestra numa quarta-feira à tarde, no Centro Kardecista os Essênios em São Paulo, onde habitualmente estava presente uma senhora com duas filhas de sete e cinco anos. A menor, loirinha, um biscuit, sentava-se na posição de lotus (como os iogues), longe da mãe, e dormia profundamente. Eu ficava aflito porque ela balançava e parecia que iria cair da cadeira. Nunca caiu.

Certa quarta, ao sair, encontramos mãe e filhas na porta do centro. -Olá. Vocês ainda por aí? – Pois é, meu marido que vem nos buscar atrasou-se. Não havia celulares… Nesse momento a pequena dorminhoca disse à mãe: – Mãe, o seu Octávio fez uma palestra tão legal! Surpresa, a mãe indagou. -Foi filha? Por que você achou a palestra legal? – Porque ele disse que nós só devemos fazer para os outros o que nós queremos que os outros façam pra nós! Eu achei muito legal!…

Não há crianças. Há espíritos adultos que voltam para novas experiências. Não fale com crianças com a linguagem do bilu-bilu, porque ela vai olhar para você e vê-lo com um tonto! O Evangelho sai da nossa boca igual para todos, mas chega diferente no ouvido de cada um. E daí para o cérebro e coração é uma longa viagem.

Tribuna Espírita setembro/dezembro 2019

 

 

Você acredita na reencarnação?

Deixe um comentário

O tema é reencarnação            Octavio Caumo Serrano

Você acredita na reencarnação? Alguém me perguntou… Não! Não acredito porque não preciso. Eu a vejo e compreendo quando observo as pessoas.

Não cremos na maioria das coisas porque as vemos, mas porque as sentimos ou compreendemos. Assim é, por exemplo, com o ar ou a eletricidade. Existem e basta! Como disse Jesus a Nicodemos. “Falo das coisas da Terra e você não entende; que será quando eu começar a falar das coisas do Céu!”

Mesmo quando não vemos, o bom senso, se é que o temos, nos mostra uma realidade que as palavras não explicam, mas que por dedução inteligente nós a constatamos. Com a reencarnação acontece assim. Embora haja muitos relatos de pessoas, especialmente crianças, que contam fatos de suas vidas anteriores, citando nomes, datas e fatos comprovados por testemunhas ou documentos, nem isso é necessário porque a ideia circula em nossa mente, independentemente de crença religiosa. É intuitiva porque já foi vivida e faz parte das experiências estocadas na alma. Mesmo os que afirmam que ninguém voltou para contar, usam argumento inconsistente. De que forma gostariam que voltassem? Como humanos ou fantasmas?

Certa vez, quando eu tinha casa de campo no município de Mairiporã, São Paulo, visitei um vizinho que havia conhecido um centro espírita e se encantara com as lições do Evangelho explicadas por Kardec. A esposa, de outra doutrina cristã, bem radical, se dirige a mim e argumenta: – Viu as ideias que o seu amigo está tendo, Octávio? Agora só fala de reencarnação. – Você acredita “nessas coisas”, Octávio? Respondi: – Eu não, ao que ela aduziu, eu também não.

Após pequena pausa, voltei ao assunto e argumentei: – Mas, sabe, minha amiga. Uma coisa que me intriga é, por exemplo: – Você crê em Deus. – Sim, claro. – E como é o seu Deus, bom ou mau? – Extremamente justo e misericordioso! – Pois aí é que eu me perco, minha cara. – Por que, então, esse Deus cria filhos tão diferentes? Ricos e pobres, sadios e aleijados, bonitos e feios, uns que morrem tão cedo e outros que ficam tão velhos, se para Ele todos deveriam ser igualmente filhos queridos? Ela me olhou, profundamente surpresa, e disse: – Sabe que eu nunca havia pensado nisso. – Eu também não, minha cara. Penso que é hora de começarmos a pensar. Embora eu já fosse espírita, inclusive palestrante, se dissesse a ela que acreditava em reencarnação seria para ela mais um desequilibrado, segundo o seu conceito.

O número dos que acreditam é muito maior do que o número de espíritas confessos que no Brasil não chegam a sete ou oito por cento da população. E os que não acreditam, mas têm dúvidas formam um percentual enorme, passando de setenta por cento. É a única explicação que leva uma organização de TV líder no Brasil e com penetração internacional expressiva a fazer um seriado falando do tema reencarnação e vidas passadas. Não fez a série para os espíritas porque não atenderia às suas necessidades de audiência. Isso me lembra muito o ditado espanhol: “No creo en brujas, pero que las hay, las hay.”

Há muitos que preferem acreditar na salvação pela fé com a frequência à alguma igreja que prometa milagres. Não há local ou situação que a todos “salvem” indiscriminadamente porque seria injusto. Mais do que fé vale o merecimento. “Faz que o Céu te ajuda” é uma das célebres promessas de Jesus. Dizem os espíritos que “Deus que nos criou sem o nosso conhecimento não poderá salvar-nos sem a nossa colaboração.” Por isso, conheça a Verdade e liberte-se. Ou seja, liberte-se de si mesmo porque somos nós nosso maior algoz. Obsessor só nos derruba quando sintonizamos com suas “fake news”. Mentiras que nos adulam e iludem porque exploram nossa vaidade e desconhecimento de nossas próprias qualidades e defeitos. O Espiritismo é a doutrina da razão. Estude-o para conhecer-se e então seguirá por caminhos novos, liberto de ilusões e fantasias. Fiquem com Deus!

Tribuna Espírita – julho/agosto 19

Onde está meu salvador?

Deixe um comentário

Octávio Caumo Serrano 

As promessas não param, mas a humanidade não se salva. Por quê?

Há 1500 anos a lei da reencarnação foi banida dos dogmas católicos. O Concílio de Constantinopla – ANO: 553 D.C., acabou com ela. Saiba mais da história da mulher do Imperador Justiniano:

Teodora era a filha do domador de ursos da cidade. Desde cedo fez grande carreira como cortesã e conseguiu que o Imperador se apaixonasse perdidamente por ela. Quando se tornou Imperatriz, mandou executar quinhentas de suas antigas companheiras, entre escravas, prostitutas e sacerdotisas pagãs, para eliminar testemunhas sobre sua vida.

Extremamente cruel, Teodora, quando aprendeu a doutrina essência, ficou com muito medo de reencarnar como uma escrava negra e ordenou a Justiniano que revisse os códigos canônicos “para que aquilo nunca pudesse ocorrer”. Depois de um concílio faccioso, votou-se que a versão oficial da Igreja seria a Helenista, baseando-se em conceitos de “Céu” e “Inferno”, adaptados  do Hades e Olimpo, para o catolicismo, com uma diferença: pela imposição de Teodora, não haveria “reencarnação”.
Dessa forma, acreditavam que seria possível simplesmente finalizar o que quer que você tenha feito na Terra e subir aos céus se tivesse os contatos certos (daí surge a doutrina das indulgências). Um “quebra galho” do tipo “jeitinho brasileiro” que permanece até hoje. Ou seja, as religiões nos ensinam mentiras há muito tempo.

A mulher confiava que o marido tinha poder para revogar as leis de Deus com decretos e é o que as pessoas seguem pensando ainda hoje. Dizem-nos que basta ter fé, orar, frequentar os templos, oferecer dotes materiais para que o Senhor da Vida nos perdoe e abrande as nossas culpas. E vivemos todos buscando um Salvador sem perceber que para encontrá-lo basta olhar-se no espelho. Cada um é o único que pode salvar a si próprio. Os outros podem servir de estímulo, de orientadores para ajudar-nos na difícil tarefa; mas a decisão final é nossa. Se não quisermos ninguém consegue por nós. Recordando frase dos espíritos, “Deus que te criou sem o teu conhecimento não poderá salvar-te sem a tua colaboração”.

O tempo passou e a Igreja não teve coragem de restabelecer a verdade da Reencarnação, deixando-nos iludidos que com mera confissão e comunhão seríamos perdoados e anistiados das faltas. Reze, faça promessas, romarias, penitências e acenda velas que tudo se resolve. Vá à sua igreja uma vez por semana e quitará suas faltas. Atrasou por 1.500 anos o progresso do cristianismo que só agora, com o Espiritismo, volta a pensar e ser dono do raciocínio.

É tão mentira quanto à lenda de Adão e Eva que a própria Bíblia enuncia e desmente. Menciona logo no primeiro livro, “Genesis” 2:7, que Deus fez o primeiro homem do pó e o soprou para dar-lhe  vida e de uma costela sua fez Eva, a única mulher, com quem teve inicialmente dois filhos, Caim e Abel, e que depois desmente quando diz que Caim, após matar Abel,  deixou sua parentela, ”Genesis” 8:16/17, e seguintes, quando ele foi para longe, na terra de Node, onde casou-se e teve um filho, Enoque, e fundou uma cidade, muito distante do Jardim do Éden. Quem era essa mulher que se casou com Caim, se só existiam Adão, Eva, Caim, Abel e depois Sete (terceiro filho de Adão e Eva)? E se Eva era a única mulher do mundo feita da costela de Adão? Tá faltando capítulo nessa novela! E não me venham com aquela conversa de fé, porque fé que afronta o raciocínio não mais funciona nestes tempos.

Isso é o mesmo que acreditar que religiosos que vivem vida contemplativa, apenas em orações, tenham alguma utilidade. Em nada contribuem; nem mesmo para sua própria manutenção, já que não produzem seu alimento, sua vestimenta ou qualquer bem necessário à vida na Terra. São acomodados exploradores da sociedade. Não pode haver nisso qualquer mérito. Bom senso é o que nos falta para analisar até as escrituras que, apesar de rotuladas como sagradas, contém uma porção de tolices e inverdades. Orar e vigiar, também neste caso, foi a recomendação de Jesus. E não me digam que o que afirmo é uma heresia. Deem-me o direito à lucidez.

Continuo acreditando no que disse Jesus: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém chega a Deus a não ser por mim”. Mas sei que devo caminhar com meus próprios pés! Muitos estão esperando a volta do Cristo porque são cegos e não percebem que Ele nunca nos deixou. Seu Evangelho, o Sermão da Montanha e demais lições são o grande atestado da sua permanente presença entre nós. Obrigado, Senhor por me permitir ver tudo com esta clareza!

Tribuna Espírita – maio/junho 2019

 

i

 

 

Será que ainda dá tempo?

Deixe um comentário

Octávio Caumo Serrano caumo@caumo.com

Tempo de que? De ser feliz e ver a sociedade em total fraternidade? Não. Por enquanto não dá, com esta humanidade apodrecida. Mas não se imagine que tudo está perdido; espíritos mais adiantados estão nascendo. Ainda não são muitos, mas daqui a uns trinta anos eles se destacarão em todos os setores. Na altura dos meus iminentes oitenta e quatro, não estarei vivo para comprovar. Mas esta convicção em mim é latente.

A organização divina não funciona com a pressa dos homens.  A obra de Deus pode ser retardada, mas não anulada pelos maus ou inúteis, que serão enviados para locais que sintonizem com o seu atraso moral. Lá usarão seus conhecimentos para ajudar os mais atrasados. E assim, praticando a caridade, salvando vidas, crescerão moralmente. Enquanto isso, outros formados na arte de servir vêm habitar a nova Terra para brindar-nos com tecnologias e conhecimentos que nos facilitem a vida, impedindo que precisemos matar, mentir ou roubar para ter o mínimo necessário. As doenças serão sensivelmente reduzidas porque não haverá o estresse da ganância, a aflição pela sobrevivência e o desrespeito ao meio ambiente. Os alimentos serão mais naturais.

Esta é a razão porque são cada vez mais comuns as mortes coletivas por acidentes ou fenômenos climáticos devastadores e os desencarnes individuais crescem cada vez mais. A criminalidade se encarrega de colaborar com as estatísticas, ajudando a banir a desonestidade que está no DNA da sociedade, internacionalmente, num grande percentual em todas as raças, camadas sociais e religiões. Mas, como espírita que crê na continuidade da vida e na volta a um novo corpo (reencarnação) para prosseguir no aprendizado rumo à perfeição, nada disso me assusta. Só tenho como preocupação ser hoje melhor do que ontem e amanhã melhor do que hoje, para aproveitar a vida, este presente de Deus. Prossigo sereno, porque medo é fé não combinam. Já aprendi que cada um é o único que pode fazer mal a si mesmo. Minha fé nasce do raciocínio.

Jornalista e poeta

Jornal Correio da Paraíba – maio 2019

Older Entries