Encíclicas do Cristo

Sua ação no bem dispensa os discursos.

Jesus não oferece discurseiras nem fórmulas mágicas para orientar a humanidade. Suas mostras são receitas de aprimoramento espiritual, que não incluem o princípio do “faça o que eu mando, mas não faça o que eu faço”. Suas atitudes são exatamente conformes com as pregações. Se dermos às suas orientações a forma das encíclicas, as cartas pontifícias, teremos laudas de uma só linha porque Sua capacidade de síntese, própria dos enviados, não encontrou ainda similar.

Desembarca no planeta pela manjedoura, sem as pompas do templo, da sinagoga ou da catedral. Desde jovem, sustenta-se do trabalho, não da esmola. A sandália, a túnica e o manto surrados, sem o luxo dos paramentos, são o Seu uniforme de Mestre. À mesa, junto aos seus seguidores, não usa o cálice de ouro. Não cobra pelos milagres, ora de graça e ensina a orar. Recomenda o pagamento dos tributos, não pleiteia privilégios e prega nas ruas, onde a poeira é o tapete, o monte é o púlpito e o coração do homem o altar.

Não o vemos recomendar a invasão das terras, nem censurar Roma pelos atos despóticos. Não faz demagogia com os direitos humanos, mas recomenda a todos que se amem. Refuta a hipocrisia do fariseu, enquanto perdoa a pecadora. Censura em Pedro a sua pequena fé, mas é bondoso com o equivocado Judas. Convida o publicano Mateus para ser Seu discípulo, mas libera o paralítico, nada exigindo dele, a não ser recomendar-lhe que não peque mais.

O Mestre dos mestres, pleno de misericórdia, conhece as almas e não exige delas nada além do que podem oferecer. Ensina que a riqueza e a pobreza são necessidades humanas e que os homens precisarão das dores como recurso de evolução, ainda por muito tempo. Propõe que nos eduquemos para a saúde e para a doença, indiferentemente, porque ambas elevam ou destroem.

Ao falar sobre a “Indulgência”, recomenda que perdoemos setenta vezes sete, enquanto ensina que não é o sadio que precisa do médico. Não tem atos de represália negando-se a visitar povos onde há preconceitos. Mostra quando vai à Fenícia, pois, sem censurar os senhores, consola os escravos diante das cenas dantescas de Sidon e Tiro. Nas agressões, inclusive quando estava na cruz, não pergunta “por que eu, o Messias”, Entrega-se ao Pai e perdoa os seus algozes.

Fala da fome sem intimar a sociedade a repartir, porque sabe que ela não tem disposição nem entendimento para tal. Toma meia dúzia de pães e alguns peixes e os multiplica. Produz Ele mesmo o alimento, sem transferir a tarefa para ninguém. Por essa razão, raramente o vemos no Templo, mas sempre no íntimo contacto com a cidade baixa, junto aos miseráveis de Jerusalém. Não instiga nem faz política para defender os pobres. Estes sempre existirão, ensina em casa de Lázaro quando Judas censura o desperdício com o óleo da unção.

Na análise entre “Pais e Filhos”, exalta a coragem do menino pródigo que saiu em busca de experiência. Não o excomunga. Oferece-lhe respeito e lhe abre Seu coração, como faz com todos nós, filhos desgarrados, quando reencontramos o caminho.

No “Evangelho e Vida”, enaltece o óbolo da viúva e não pede dízimos nem depósitos para os cofres da fé.  A essência de sua “encíclica” é o sermão dito em canal aberto e direto, do Céu para a Terra, quando encoraja o pobre de espírito prometendo-lhe o Reino dos Céus, oferece aos de coração puro a visão de Deus, presenteia com a compaixão o misericordioso e exorta a que todos sejamos luz para melhorar o mundo.

No delicado assunto “Mãe”, desmistifica o mito da parentela e ensina que a família é o resultado dos que se unem pelo amor. Concita-nos a espiritualizar o lar humano, onde nos escravizamos e agredimos irracionalmente. Crucificado, entrega à divina genitora o jovem João para ser adotado. Em pleno calvário, realiza o parto de luz ao entrelaçar mãe e filho, compensando-os pela dor que ali sentiam.

“Encíclicas do Cristo”! Não se desesperam com a pobreza humana, mas preocupam-se com as misérias do espírito. Não somente alimentam, mas dão vida, porque protegem o homem, já que à medida que este salda débitos do passado, compromete-se em dobro no presente. É um sábio que ainda não compreende o amor.

Nestes tempos de mar revolto, nenhuma outra encíclica, além das do Cristo, pode manter-nos de pé. Para encontrá-las basta folhear o Evangelho. E uma vez conhecendo-as, basta vive-las para que produzam resultado.

 Octávio Caúmo Serrano

 Do Livro Pontos de Vista – Casa Editora O Clarim

Publicado em: on Quarta-feira, 1 Julho1, 2009 at 2:47 pm Deixe um comentário

Trovas da Codificação

 

Livro_Trovas da Codificação

 

Quem tiver interesse em ler o livro Trovas da Codificação, de Octávio Caúmo Serrano, uma abordagem poética de O Livro dos Espíritos, em quadras, acesse o endereço
 

http://www.comunidadeespirita.com.br/poesia/TROVASCOD/trovas%20da%20codificacao.htm

(Leia uma trova da coluna esquerda depois outra da direita e assim sucessivamente.)
Uma retificação: O 4º verso da primeira trova é: Que alguém aprenda com elas.”
Publicado em: on Terça-feira, 9 Junho9, 2009 at 10:53 am Deixe um comentário

SHOW DE AMIGOS – FEAK

FEAK APRESENTA:

“SHOW DE AMIGOS 3”

JUNTE-SE A NÓS DA FRATERNIDADE ESPÍRITA “ALLAN KARDEC” – FEAK – VOCÊ TAMBÉM, PARA FESTEJARMOS O DIA DO AMIGO, NUM GRANDE SHOW BENEFICENTE.

ARTISTAS:

JÚNIOR DIAS (COMPOSITOR, INTÉRPRETE E MÚSICO);

LIS ALBUQUERQUE (COMPOSITOR, INTÉRPRETE E MÚSICO);

MERLÂNIO MAIA (POETA, CORDELISTA E CANTADOR);

CHARLES BRASILEIRO E FÁBIO NEGRITO (COMPOSITORES, INTÉRPRETES E MÚSICOS);

BETO MELO, LUCIANA RODRIGUES E MARCO LIMA (COMPOSITORES, INTÉRPRETES E MÚSICOS);

GRUPO SINTONIA (VOZ, VIOLÃO E TECLADO);

BANDA ALLIGARE (ROCK PROGRESSIVO);

BANDA TUAREGS (39 ANOS FAZENDO SUCESSO NA PARAÍBA E NO NORDESTE).

SOM E ILUMINAÇÃO (ROBERTO DIAS)

LOCAL: CENTRO DE CONVENÇÕES LINS DE VASCONCELOS, Av. Gen. Bento da Gama nº 555 – Torre.

DATA: 19/07/09 (DOM)

HORA: 19h

INGRESSOS À VENDA: LIVRARIA DA FEDERAÇÃO ESPÍRITA PARAIBANA E CENTROS ESPÍRITAS DA CAPITAL E DA GRANDE JOÃO PESSOA.

PREÇO ÚNICO: R$ 7,00 + UM KG DE ALIMENTO NÃO PERECIVEL

INFORMAÇÕES: 8834-7028/8848-7005

APOIO:

FEDERAÇÃO ESPÍRITA PARAIBANA; CENTROS ESPÍRITAS; TRIBUNA ESPÍRITA; BLOG DOS ESSÊNIOS; PROGRAMA NAS ONDAS DO CONSOLADOR; REDE PARAÍBA ESPÍRITA; PÓLOS ESPÍRITAS; PORTAL PARAÍBA ESPÍRITA.COM E MÍDIA ESCRITA, FALADA E TELEVISADA.

PATROCINADORES:

GRÁFICA MUNDIAL; LEILA RODRIGUES CONFECÇÕES; PADARIA FINO PÃO; PADARIA MIRAMAR; SINDIFISCO; SPORT & TÊXTIL; SONHO DOCE; ROBERTO DIAS; KING JÓIA.

Publicado em: on Segunda-feira, 18 Maio18, 2009 at 9:44 am Comentários (1)

O Retrato de Jesus

jesus

 

Retrato de Jesus por Publio Lentulo  a Tibério César

  ”Sei que desejas conhecer o que vou narrar:

Existindo nos nossos tempos um homem, o qual vive atualmente de grandes virtudes, chamado Jesus, que pelo povo é inculcado o profeta da verdade, e os seus discípulos dizem que é o filho de Deus, criador do céu e da terra e de todas as coisas que nela se acham e que nela tenham estado; em verdade, ó César, a cada dia se ouvem coisas maravilhosas desse Jesus: ressuscita os mortos, cura os enfermos, em uma só palavra: é um homem de justa estatura e é muito belo no aspecto, e há tanta majestade no rosto, que aqueles que o vêem são forçados a amá-lo ou temê-lo. Tem os cabelos da cor da amêndoa bem madura, são distendidos ate as orelhas, e das orelhas até as espáduas, são da cor da terra, porém mais reluzentes.

Tem no meio de sua fronte uma linha separando os cabelos, na forma em uso nos nazarenos; o seu rosto, é cheio, o aspecto é muito sereno, nenhuma ruga ou mancha se vêem em sua face, de uma cor moderada; o nariz e a boca são irrepreensíveis.

A barba é espessa, mas semelhante aos cabelos, não muito longa, mas separada pelo meio, seu olhar é muito afetuoso e grave; tem os olhos expressivos e claros, o que surpreende é que resplandecem no seu rosto como os raios do sol, porém ninguém pode olhar fixo o seu semblante, porque quando resplandece, apavora, e quando ameniza, faz chorar; faz-se amar e é alegre com gravidade.

Diz-se que nunca ninguém o viu rir, mas, antes, chorar.  Tem os braços e as mãos muito belos; na palestra, contenta muito, mas o faz raramente, e quem dele se aproxima verifica que é muito modesto na presença e na pessoa.  É o mais belo homem que se possa imaginar, muito semelhante à sua Mãe, a qual é de uma rara beleza, não se tendo jamais visto por estas partes uma mulher tão bela. Porém, se a Majestade Tua, ó César, deseja vê-lo, como no aviso passado escreveste, dai-me ordens, que não faltarei de mandá-lo o mais depressa possível.

De letras, faz-se admirar de toda a cidade de Jerusalém; ele sabe todas as ciências e não consta haver estudado nada. Ele caminha descalço e sem coisa alguma na cabeça. Muitos se riem, vendo-o assim, porém em sua presença, falando com ele, tremem e admiram.

Dizem que um tal homem nunca fora ouvido por estas partes. Em verdade, segundo me dizem os hebreus, não se ouviram, jamais, tais conselhos, de grande doutrina, como ensina este Jesus; muitos judeus o têm como Divino e muitos me querelam, afirmando que é contra a lei de Tua Majestade; eu sou grandemente molestado por estes malignos hebreus.

Diz-se que este Jesus nunca fez mal a quem quer que seja, mas, ao contrário, aqueles que o conhecem e com ele têm praticado, afirmam ter dele recebido grandes benefícios e saúde, porém a tua obediência estou prontíssimo; aquilo que Tua Majestade ordenar será cumprido.

 

Vale, da Majestade Tua, fidelíssimo e obrigadíssimo… Publio Lentulo, presidente da Judéia.

 

         L’indizoione setima, luna seconda.” 

Inscrição encontrada pelos monges “lazaristas” em 1928 numa carta de Públio Lentulo, antecessor de Pôncio Pilatos, a Tibério César.

Publicado em: on Sexta-Feira, 26 Dezembro26, 2008 at 2:08 pm Comentários (3)

Harmonia das diferenças

  Preferimos conviver com os afins. Todavia, é no relacionamento com os que não pensam como nós que adquirimos novas e importantes experiências. 

Toda coisa tem o oposto. A morte tem a vida, a noite tem o dia, o claro o escuro, o grande o pequeno, o alto o baixo …

É comum procurarmos a harmonia das situações e dos agrupamentos, na semelhança entre as partes. Todavia, a igualdade pode criar choques. É preciso haver diferenças. Mas que se complementem sem criar dissensões.

Imaginemos uma casa onde os dois gastam irresponsavelmente. Em curto prazo, o lar vai à bancarrota. Mas se os dois forem avaros, faltará até o indispensável e eles serão irritadiços e ansiosos. Um terá de ser mais arrojado e o outro comedido, prudente. Irão completar-se.

O mesmo se daria se ambos fossem excessivamente risonhos, brincalhões, irreverentes. Nunca seriam levados a sério. Mas se fossem sisudos, mal-humorados, rechaçariam os que tentassem aproximar-se.

Este pequeno esboço serve de intróito para analisarmos uma sociedade, um grupo, uma entidade.

Toda pessoa  tem sua própria habilidade. Observemos uma orquestra. Cada músico toca um instrumento. No entanto, a melodia embeleza-se pela combinação de todos eles. Um conjunto vocal tem diversas vozes, que se fundem numa só, em harmonia. Um time de futebol tem os que fazem  os goles e um que trata de evitá-los.

A grande empresa, por exemplo, começa pela presidência e assessores diretos, mas não dispensa os auxiliares de escalões menores e nem mesmo o trabalho dos mensageiros, encarregados da correspondência. São muitas vezes a figura da companhia. Um funcionário educado, bem composto, eficiente, levará boa imagem da firma onde trabalha, junto à clientela, fornecedores e bancos.

Dá-se o mesmo nas sociedades culturais, recreativas, filantrópicas, religiosas. E, neste caso, analisemos o Centro Espírita.

Um agrupamento onde se divulga o Espiritismo, tem diferentes tipos de colaboradores. Ali encontramos a equipe diretora da casa, muitas vezes fundadora do Centro, os passistas, os palestrantes, os orientadores, os assistentes sociais, os faxineiros.

Não podemos esperar que todos tenham as mesmas idéias. São espíritos em variados degraus de entendimento, espíritas há mais ou menos tempo, culturas diferentes e convicções que não coincidem. Uns mais amoráveis e outros mais racionais. Este se encanta com o fenômeno, aquele valoriza a mensagem. Há os que preferem a religião e os que destacam a ciência espírita.

O fato de não darmos atenção a esse aspecto, pode criar dificuldades de relacionamento entre os participantes da mesma casa ou, em âmbito maior, do próprio movimento espírita. Desejamos que haja perfeita sintonia e qualquer deslize é considerado irreverência, desobediência, indisciplina, o que nem sempre é verdade. Ninguém muda de um dia para outro, apenas por tornar-se adepto do Espiritismo.

Sem dúvida, há que haver afinidade quanto ao ideal e objetivos. Todos, sem exceção, devem praticar a caridade em favor do semelhante. Mas cada um na sua habilidade própria.

Encontramos irmãos com grande cabedal doutrinário que são péssimos orientadores. Para ajudar, é preciso respeitar a capacidade do outro. Ninguém pretenda resolver as dificuldades alheias baseado no próprio conhecimento, na sua coragem e disposição diante de problemas. Jamais aconselhar com frases como: “se eu fosse você”; “se isso fosse comigo”, porque nem você é o outro, nem o problema é seu. 

A maioria dos dependentes deseja ver-se livre do vício, mas não consegue. Para aquele que já venceu alguma imperfeição, ou que nunca fez uso das químicas nocivas e alienantes, parece fácil vencer o mal. Mas é difícil; extremamente difícil.

Observemos os passes. Quantos trabalhadores que se dedicam a essa tarefa, mesmo sem grande conhecimento doutrinário, têm bom sentimento  e desejo de servir. Quando impõem as mãos, jorra luz do seu coração, pela facilidade de sintonia com os Espíritos Benfeitores. Mas se convidados a fazer uma simples prece, alegarão dificuldades em comunicar-se.

Quantos são eficientes orientadores, porque, mesmo sem a vidência ou a audiência, são ouvintes pacientes que deixam a pessoa falar para descarregar as mágoas. Não têm pressa em resolver tudo, preferindo entregar o irmão aos Espíritos e às palestras, que explicam, pouco a pouco, os meandros da vida e como a pessoa pode ajudar a si mesma, ampliando a fé e ganhando entendimento. Sabe que só quando chegar o tempo certo e nascer o merecimento é que a melhora começara a processar-se. A imperfeição é uma doença que leva tempo para ser curada. É preciso que doa para que o compreensão chegue. Poupar excessivamente alguém é como atrofiar-lhe a vida. O passe, terapêutica de emergência, é socorro provisório, até que a própria pessoa aprenda a cuidar-se, modificando sua maneira de viver.

Palestrantes há que têm grandes conhecimentos doutrinários, mas falam de forma rebuscada e metafórica, atêm-se ao cientismo, criando barreiras que impossibilitam o entendimento. Demonstram sabedoria, mas não atingem os que esperam palavras simples e de fácil assimilação. Falam, mas não comunicam.

Vimos, portanto, que num agrupamento espírita há de tudo e todo tipo de participante. Um vaidoso, outro humilde. Um culto, outro menos instruído. Um jovem afoito, outro maduro e prudente. Um com receitas para salvar a humanidade, outro que contenta-se em ajudar um ou dois, colocando-se entre os necessitados.

A igualdade que deve haver no Centro Espírita é que todos se preocupem em estudar o Espiritismo e conhecer objetivamente, sem dogmas ou figurações, o Evangelho de Jesus. Todos devem ser educados e gentis com cada pessoa que visite a casa em busca de orientação e socorro. Todos se devem mútuo respeito, aceitando os defeitos e as fraquezas do companheiro de ideal. Temos de ajudar, sem impor, orientar, sem agredir, aconselhar, sem exigir. Isso não significa que o tarefeiro rebelde, nocivo ao agrupamento, renitente, de coração endurecido, não possa e não deva ser advertido e até afastado, em benefício dos demais e dele próprio. Se tememos os obsessores desencarnados, temos de nos cuidar contra os encarnados que muitas vezes tumultuam os trabalhos mais do que os  ”fantasmas”.

Concluindo. As diferenças não são problemas. As diferenças podem compor harmonioso conjunto,  O que cria problemas são os radicalismos, quando exigimos dos outros o que  nem sempre podem dar. Além disso, convém lembrar que não somos perfeitos, nem modelo para ninguém. Temos ainda, todos, muito a ser corrigido em nós mesmos.

No Centro Espírita, igualmente como em qualquer lugar, a paciência segue sendo a maior virtude para que os homens se entendam e se complementem na lei do amor.

Publicado em: on at 2:00 pm Comentários (1)

Conheça Allan Kardec

 

Um menino nascia em 3 de outubro de 1804, na cidade francesa de Lion, localizada a mais ou menos quinhentos quilômetros ao sul de Paris, próximo à divisa com a Suíça. Era uma quarta-feira, às 19 horas, e foi registrado como Denizard Hippolite Leon Rivail. Foi batizado em 15 de junho de 1805, na Igreja Católica de Saint-Denis de la Croix Rousse.

Os autores divergem quanto ao seu nome correto. Temos Leon Hipollyte Denizard Rivail, Hippolyte Leon Denizard Rivail e Denizard Hippolyte León Rivail. Mas na certidão de nascimento está Denizard Hippolyte Leon Rivail, o mesmo que consta da certidão de casamento.,

Foi filho único do casal Jean Baptiste Antoine Rivail, magistrado, e Jeane Louise Duhamed, que o criou num ambiente de amor e paz e teve como orientações primeiras a retidão,  a honestidade e o gosto pelos estudos.

Aos 12 anos foi estudar na Suíça, no Instituto Pestalozzi, em Iverdum, próximo ao lago Neuchatel e a importante cidade de Berna.

O mestre  era Johann Heinrich Pestalozzi, doutor em direito e professor da Universidade de Zurique, que revolucionou a França e a Alemanha no final do século XVIII com seu método de ensino conhecido como ‘Educação Ativa”.

Aos quatorze anos, Denizard começou a receber maiores incumbências dentro do instituto, pois era muito inteligente e dos discípulos do mestre era o mais zeloso e entusiasta divulgador dos seus métodos de ensino. Pestalozzi confiava muito em Denizard, e devido a essa confiança, quando ele tinha aproximadamente dezesseis anos, passou a tomar conta do instituto praticamente sozinho, coordenava e lecionava. Pestalozzi viajava por toda a Europa para divulgar e dar palestras sobre seus sistemas de educação.

A formação religiosa de Denizard era Católica, mas a Suíça era um País eminentemente protestante. Por esse motivo Denizard sofreu muitos atos de intolerância que lhe causaram descontentamentos. Esses incômodos fizeram nascer em sua mente pensamentos de uma reforma religiosa. Sua idéia inicial era unir todas as crenças. Mas, ele trabalhou em silêncio.

Quando terminou os estudos na Suíça, em 1824, Denizard voltou à França deixando o grande mestre Pestalozzi já velho, sofrido e esgotado pela sua luta missionária, providenciando o fechamento do famoso instituto.

Isento do serviço militar, Denizard vai para Paris onde funda seu próprio instituto técnico. Tinha grande conhecimento sobre magnetismo, que havia estudado em 1823.

É neste momento que ele conhece e se apaixona por Amélie Gabriele de Lacombe Boudet, professora de desenho, com quem se casa. Ela era nove anos mais velha. O casamento deu-se a 6 de fevereiro de 1832.

Dominava, além do francês, sua língua natal, também o alemão, o holandês e o inglês, além de falar o espanhol e o italiano e ainda, tinha fortes conhecimentos do latim, do grego e do gaulês. Pelo fato de gostar, particularmente, muito do alemão, traduziu para esta língua importante obras sobre educação moral, principalmente do filósofo francês Fénelon.

Publicou suas primeiras obras: “Aritmética do 1.º Grau”, 1824, e Plano Proposto para a Melhoria da Instrução Pública, 1828, deixando claro a grande herança moral e educacional herdada do Mestre Pestalozzi.

Em 1829 publicou Curso Prático e Teórico de Aritmética – em dois volumes (Segundo os Métodos de Pestalozzi). Esse livro era para o uso de professores primários e mães de família (molas propulsoras na educação da humanidade). Publicou também outros de  Gramática, Física, Química e Astronomia (disciplinas que Denizard lecionava gratuitamente em sua residência para alunos pobres). Denizard publicou também uma obra, que ainda hoje é editada, devido a sua importância para a França, que é: -Estudos para os Exames da Prefeitura de Sorbonne.

A intenção de Denizard, com a publicação dessas obras, era unir e esclarecer as pessoas ligando-as ainda mais à sua terra e às suas famílias; ele seguia o lema “Família, Amor e Pátria”.

De inteligência notável e vocação literária, Denizard começa a escrever muitas obras didáticas, projetando-se no cenário escolar. Sentia-se plenamente integrado na função de orientador, mas faltava algo, que lhe estava reservado. É quando surgem as mesas girantes que serviam de divertimento para a sociedade francesa e que Denizard assistiu reunião pela primeira vez em uma terça-feira em meados de maio de 1855.

Depois de observar e perceber a seriedade dos fenômenos, quando as “mesas” respondiam perguntas desconhecidas das pessoas, passou a freqüentar as reuniões em diferentes residências.

Em 30 de abril de 1856, na casa da Sra. Roustan,  a médium Celine Japhet, com 14 anos, transmite a primeira revelação positiva de sua missão.

Cabia-lhe desvendar todo mistério que os senhores Carlotti, Taillandier, Tiedman, Sardou, Didier e outros, haviam reunido em cinqüenta cadernos de comunicações diversas que puseram à disposição de Denizard.

Finalmente, compila e revisa todos os dados do livro que organizou e lança em 18 de abril de 1857, a primeira edição de “O Livro dos Espíritos”, com 501 perguntas e respostas. Usa o  pseudônimo Allan Kardec, num misto de modéstia e razão para que a obra fosse lida pelo conteúdo e não pelo nome do autor, pessoa já de algum prestígio no mundo literário.

Em 18 de março de 1860, revisaria e ampliaria a obra lançando a segunda edição que permanece até hoje, com 1019 questões.

Logo em 1 de janeiro de 1858, numa sexta-feira, cria a Revista Espírita para anotações e divulgação de tudo o que ocorria no movimento espírita em diferentes lugares, inclusive fora do país.

Em 1 de abril de 1858, numa quinta-feira, fundaria a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, o primeiro Centro Espírita para reunião e estudo.

Passa por momentos difíceis de lutas e perseguições, quando é vítima de calúnias que o levam a ser processado. Mas tudo superava e seguia firme no seu trabalho.

Sabotado acaba tendo problemas com seu colégio que abandona e se dedica exclusivamente ao Espiritismo.

Numa terça-feira, 15 de janeiro de 1861, lança “O Livro dos Médiuns”, ampliação da parte terceira de “O Livro dos Espíritos”, tratando do relacionamento entre os dois planos de vida.

No dia 29 de abril de 1864, sexta-feira, lança o livro que daria caráter religioso à Doutrina, “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, lançado originalmente como A Imitação do Evangelho. Eram as Leis Morais. A obra se deveu também a conversa que manteve com  seu Espírito guia, em  9 de outubro de 1863, enquanto a elaborava,  quando este lhe disse :

“Aproxima-se a hora em que terás de apresentar o Espiritismo como ele é realmente, mostrando a todos onde se encontra a verdadeira doutrina ensinada pelo Cristo. Aproxima-se a hora em que, diante do Céu e da Terra, terás de proclamar o Espiritismo como a única tradição verdadeiramente cristã e a única instituição verdadeiramente divina e humana. Ao te escolher, os Espíritos conheciam a solidez de tuas convicções e sabiam que a tua fé, qual um muro de aço, resistiria a todos os ataques.”

Em 1 de agosto de 1865, terça-feira, lança “O Céu e o Inferno”, com explicações sobre a quarta parte de O Livro dos Espíritos, que são as esperanças e consolações na visão espírita.

Finalmente, numa segunda-feira, em 6 de janeiro de 1868, lança “A Gênese” com análise da parte primeira do Livro: Deus e a Criação.

Já havia escrito algumas outras pequenas obras como O Principiante Espírita, O que é o Espiritismo, O Espiritismo em sua expressão mais simples, etc.

Em 31 de março de 1869, quando se preparava para mudar de local para ampliação das suas tarefas, é vitimado pelo rompimento de um aneurisma. Sua esposa, Amélie, ainda lutaria muito pela divulgação doutrinária até que também sucumbiria a 21 de janeiro de 1883, com quase 90 anos.

Seu editor publicaria ainda, em 1890, as Obras Póstumas de Allan Kardec, onde se vê registrada toda a sua preocupação com a doutrina espírita e o que seria dela depois que ele se fosse. Uma leitura que vale muito a pena.

Se hoje estudamos o Espiritismo, essa doutrina que liberta o homem, devemos muito ao Codificador Allan Kardec, pelo esforço e zelo demonstrados para que a Doutrina fosse organização e pudéssemos ter acesso a ela, com a clareza que hoje ela nos chega.

Que Deus o abençoe, caro missionário, onde quer que se encontre nesta sua caminhada nas trilhas da vida eterna!…

Publicado em: on Segunda-feira, 27 Outubro27, 2008 at 11:40 am Comentários (2)